The Wiltshire' Mission
9 Capítulo 9 - Hermione Granger
Eu sentei-me ao lado de Pansy, depois de Narcisa indicar onde nos sentar e eu não conseguia parecer normal. Eu não podia acreditar que ele estava ali mesmo à minha frente. Como não tinha percebido quem era ele no bistrô? Eu já tinha visto aquele rosto em fotos antigas, devia ter percebido, como é que não pude ver as semelhanças? Pois claro, estava tão parvinha naquela tarde encantada com o rapaz misterioso. Ali estava ele, meu deus, eu não podia acreditar, diferente das roupas escuras da tarde, agora com uma t-shirt branca e umas jeans azuis escuras, cabelo loiro mais escuro de quando era mais novo, reparei, num ar mais polido e real. Diferente do desconhecido selvagem de cabedal com quem tinha ficado enfeitiçada nesta tarde. O lobo agora era um príncipe.
— O que se passa contigo? — murmurou baixinho Pansy ao meu lado — Pareces um tomate maduro quase a arrebentar!
Olhei chateada para ela – Nada... — e sorri para a criada que me colocava à frente o prato com uma entrada que parecia deliciosa – Depois falamos! – dando uma trinca na pequena vieira da entrada.
Sentia os olhos dele fixos em mim e sensação não era desagradável.
— Então... — olhei para o fundo da mesa onde estava Bellatrix a balançar o copo de vinho — Como é estudar naquela escola suburbana que a minha irmã andou?
— Tia, sempre tão agradável, um amor — murmurou Draco e eu dei um sorriso tímido para ele. Oh meu deus, eu era uma totinha. Ele olhou para mim e eu desviei rapidamente o olhar para não ser apanhada a olhar para ele. Parecia uma garota de 10 anos, mesmo.
— Ora, querido sobrinho, sempre tive curiosidade para entender porque a minha irmã que tinha oportunidade de estudar nos melhores colégios optou por ir para uma escola publica longe de casa — disse com um sorriso sem dentes e eu ousei olhar para Narcisa que encarava a irmã, séria — Sinceramente, gostava de perceber o que tem de tão especial essa escola...
— Realmente, seria difícil explicar o porquê de Hogwarts ser especial para quem é de fora — começou Pansy, parecendo tão azeda e arrogante como sempre – Para uma pessoa leiga como você deve ter sido difícil ver que a sua irmã fazer parte de um grupo restrito de pessoas com as melhores capacidades do mundo que foram escolhidas para estudar na escola suburbana – agora foi a minha vez de mandar um pontapé para Pansy, ela estava a esticar-se, mas ela ignorou-me.
— Sério rapariga? — disse do outro lado uma Bellatrix com um sorriso assustador e olhar negro, que me fez encolher na cadeira, e o olhar nem era dirigido a mim. Havia pouquíssimas coisas que me davam medo, como andar de avião, mas aquele olhar foi para o topo da minha lista.
Pansy nem pestanejou.
— Claro, sabia que a sua irmã foi a melhor aluna da escola “suburbana”, de todos os anos que andou? Um exemplo de aluna segundo todos os nossos professores e para nós, todos aqueles que façam parte do quadro de honra, dificilmente as gerações futuras, irão esquecer. Além foi uma linda rainha de baile. Estava magnifica, deixe-me dizer, Mrs. Narcisa.
Bellatrix soltou um grasnar — Claro que sabia, os pais ficaram imensamente orgulhosos da sua filhinha mais nova ser boa em tudo, destacar-se e ter as melhores notas... — trincou os dentes – A filha perfeita.
— Noto um certo tom quando fala nisso, mesmo a sua irmã tendo estudado numa escola suburbana... Não me consigo lembrar, é uma palavrinha — fingia que pensava quando eu tossia disfarçadamente para a chamar a atenção — Oh sim, lembrei-me: Inveja!
— Sua insolente! Eu, inveja? Da minha irmã? Poupe-me! — riu e parecia louca.
— Bem já chega! — ordenou Narcisa que levantou o tom de voz sem deixar de olhar para a irmã, que abria a boca para resmungar mais alguma coisa — Acabou a conversa, esse assunto nem sequer tem fundamento para continuar!
— Acho que toquei numa ferida – Pansy murmurou para mim e eu olhei incrédula para ela, realmente não se controlava.
— Estamos hoje aqui para dar as boas vindas — continuou Narcisa, frisando as últimas palavras — a Hermione e a Pansy, que vieram fazer no programa de intercambio para o colégio GreenWood — olhei para Narcisa, que nos encarava com um sorriso acolhedor.
Lucius levantou a taça dele — Bem-vindas meninas — piscando o olho, claro que ele sabia o que realmente estávamos ali a fazer. Ele tinha sido, segundo Narcisa, contra a nossa ida até ali, mas depois de ter pensado melhor, viu que o melhor para o seu filho era a proteção e que estivesse ao lado dele sem levantar suspeitas.
Eu sorri para eles que me fizerem sentir realmente bem-vinda — Obrigada, eu e Pansy agradecemos, mais uma vez por nos terem acolhido aqui em casa...
— Quer isso dizer que iremos estudar juntos, princesa? — Theo falou enquanto olhava para Pansy com um sorriso desenvergonhado. Desde do início da noite que era assim. Pansy bufou apenas ao me lado, sem lhe responder.
— Sim, irão estudar com vocês os dois, espero que as façam sentir bem-vinda e que ajudem nos primeiros dias delas no colégio, estou a contar com vocês. — disse Narcisa para o filho e amigo deste que parecia maravilhado com a ideia.
— Não se preocupe, Mrs. Narcisa, eu tomo conta delas — piscando o olho para nós, realmente como se nós precisávamos que tomassem conta de nós — Não se preocupem, estão comigo estão com Deus!
Pansy deu uma risada seca e eu não pode de deixar de reparar que realmente ele tinha a mania que era bom, achei engraçado. Era o típico playboy desenvergonhado com pinta. E era giro.
As criadas iam entrando sobre ordens de Narcisa, com novos pratos, um mais delicioso que o anterior.
— Coitadas. — disse Draco, abanando a cabeça — Não liguem, ele é carente.
Dei um sorriso para ele como se tivesse dito a coisa mais engraçada do mundo.
Até sentir um pontapé debaixo da mesa e olhei chateada para Pansy.
— Acorda, sim! — murmurando disfarçadamente para mim quando fingia que limpava a boca ao guardanapo verde — Estás com uma cara super esquisitoide! E para de babar feita tontinha por causa do filho preferido – olhando para o loiro, que estava numa conversa entretida com o amigo.
— Não estou nada! — resmunguei envergonhada por ter sido apanhada, fitando o meu prato onde um novo prato estava, agora de peixe, muita da comida colocada lá continuava intacta e ela riu.
— Ai Granger, tão inocente mesmo... Se não reparaste, a tia demoníaca está a topar todos os nossos movimentos e ainda não te largou de vista, já o tio tarado daqui a nada enfio este lindo – deu um sorriso como se tivesse a dizer-me algo agradável e olhava pela mesa – garfo no olho dele. Narcisa – chamou a atenção da anfitriã – então iremos começar quando as aulas?
Foi assim que a conversa tomou um rumo calmo e o jantar continuou a decorrer tranquilo, eu mal tinha tocado na comida que tinha no meu prato, o meu apetite não era grande além que era o terceiro prato que serviam, se fosse assim todas as noites, nem queria imaginar o meu corpo daqui a um mês. A sobremesa foi servida e eu olhei para a fatia de bolo cor-de-laranja com cobertura de chocolate com uma pequena bola branca de gelado e eu sorri, acho que amanha teria que correr durante duas horas.
Quando dei a primeira trinca no bolo, foi como um sonho delicioso, e fechei os olhos deliciada. Não passou despercebido aos olhos de Narcisa.
— Bolo de abobora com calda de chocolate negro — disse com um sorriso para mim e acenei em confirmação. aquilo era delicioso.
— O preferido da minha mãe — disse Draco, que me fez recordar ele a pegar nos muffins de abobora à tarde quando mencionou que eram os preferidos da mãe — Pedi para fazerem para a sobremesa. Não resiste...
— E tu sabes como adoçar-me, não é? — vi Narcisa a fazer uma festa no rosto do filho.
— Ah, então os muffins eram por causa da suspensão? Vejo que deram resultado – concluiu alto sem dar tempo para pensar que realmente o que tinha dito e recebi um olhar interrogador de todos os que estavam na mesa, e se fosse possível queria um buraco logo ali para enfiar-me — Ah... Está ótimo o bolo, adoro – e foquei-me no prato.
Foi quando ouvi uma audível gargalhada e olhei para Draco que se contorcia todo de tanto rir e estreitei os olhos para ele.
— Credo mãe — parou para respirar — Contaste para toda a gente que fui suspenso?
— Não, não — apressei-me a dizer — Eu ouvi sem querer, foi sem querer eu perdi-me e foi quando ou a sua mãe a falar sobre... Isso... — ouvi Bellatrix a resmungar algo como mimada abelhuda e eu suspirei — Foi sem intenção.
— Hermione por acaso ouviu quando vinha à biblioteca, e não teria ouvido se não tivessem escondido isso de mim e ter sabido pelo diretor quando tratava dos papeis para a ida delas para o colégio — lançou um olhar para o marido que suspirou.
— Já pedi desculpa querida, não te quis preocupar como uma infantilidade...
— E injustiça — firmou Draco e Theo riu.
— ... que ficou resolvida entre mim e o diretor. Apenas uma semana nem sequer vai para o registo do garoto.
— Como o dinheiro de Malfoy resolve tudo – disse Bellatrix ácida e eu agora sentia-me culpada por ter começado uma nova “guerra” à mesa.
— Às vezes consegues ser mesmo desagradável, Bella — murmurou Narcisa para a irmã, levantando a mão para o marido não responder à cunhada e uma nova discussão começou entre irmãs.
Pansy inclinou-se para mim com um sorriso – Adoro! Não vai faltar animação por aqui se todos os jantares forem assim – eu abanei a cabeça, só mesmo ela para dizer algo assim.
Quando finalmente levantamos da mesa, Bellatix e o marido ausentaram-se, pelo que entendi para um dos quartos da ala Oeste onde costumavam ficar quando jantavam na mansão e teriam negócios para tratar em Wiltshire.
Lucius veio até ao meu lado, eu olhava para fora da janela da sala para o jardim bem iluminado. Este estendeu-me um cálice com um líquido ambarino.
Eu recusei – Eu não bebo.
— É um digestivo – informou-me tentando explicar o que era.
— Agradeço, mas eu não quero mesmo.
— Eu aceito — disse Pansy quando agarrava o meu cálice e deu um gole — É doce — disse quando olhava para mim e encolhia os ombros — O que é? Vais armar-te em controladora? Parece que nunca bebeste álcool rapariga — bufou quando bebericava mais um pouco do cálice.
Theo aproximou-se de nós com um sorriso — Meninas, para dar continuidade à vossa receção de boas-vindas eu quero convidar para irem até ao chalé, que me dizem? Era para vos levar até ao bar da vila, mas aqui o Draco está de castigo...
— Injustamente — voltou a referir-se quando se aproximava de nós agarrando no cálice que o pai lhe estendia.
Pansy revirou os olhos — Injusto pois, porque as pessoas são suspensas porque sã injustamente expulsas por não fazerem nada, claro querido – cotovelei-a para se calar – Ai! Isso doeu...
— Eu acho que devem ir meninas para relaxar — disse Narcisa que estava sentada no sofá, confortavelmente — Obrigada querido — quando agarrava o cálice que o marido lhe estendia — Acho mesmo que deviam ir da uma volta está uma noite agradável para ficarem fechadas em casa.
— Exato — disse Theo quando colocava o braço por cima dos ombros de Pansy que tirou logo, e ele nem pareceu ficar ofendido, pareceu até divertido com aquela atitude — Vamos então dar uma volta, relaxar. Não se preocupem, eu tomo conto delas — eu estava a pensar seriamente que ele não o faria.
— Juízo, rapazes — disse Lucius quando sentava ao lado da esposa, e beijava a mão dela, sem a largar, com um sorriso lindo para a esposa.
— Sempre — disse Draco enquanto dava um beijo na testa da mãe, que lhe fez um carinho no rosto e murmurou alguma coisa ao ouvido que não conseguimos ouvir.
— Venham daí — Theo chamou-nos e lá fomos, seguindo-o para fora da casa em direção do chalé.
Até lá, eu pude ver que todo o jardim estava bem iluminado e parecia mágico com aquelas bolas de luz espalhadas pelo relvado. O som dos grilos ao fundo era maravilhoso, diferente da confusão noturna de Londres e muito parecido com as noites em Hogwarts.
— O que vai vir dali daqueles dois? — começou Pansy ao meu lado.
— Nem desconfio, mas olha que eles parecem... Simpáticos — disse e fiz uma careta com a minha brilhante conclusão.
— Sério? Eu diria que eles são abusados, principalmente aquele Theo...
— Chamaste-me, princesa? — o rapaz virou-se para trás e eu ri.
— O meu nome é Pansy.
— Eu sei, mas princesa ainda te fica melhor — e Pansy começou numa conversa séria com Theo sobre ele ser um abusado, aquilo era demasiado divertido ver a interação dos dois.
Olhei em volta quando caminhávamos, distraída. A lua estava meia escondia trás das poucas nuvens que havia e o tempo estava fresco, mas agradável ainda para uma noite de Setembro. Passei as mãos pelos meus braços despedidos que a blusa não protegia, percebendo que devia ter trazido um casaco antes de sair.
— Gostei mais do vestido que trazias esta tarde – quase dei um pulo de susto com a voz suave perto do meu ouvido, virei-me para Draco e corei, não tinha dado conta nem apercebido quando ele chegava perto de mim, devia começar a ficar mais atenta — Essa roupa não é a tua cara.
Ele não podia estar mais certo, rindo-me quando passava a mão pela blusa branca que Pansy me tinha emprestado e foi então que me percebi que devia dizer alguma coisa — Oh, sim realmente, Pansy emprestou-me como a tua mãe falou que seria um jantar formal — encolhi os ombros quando continuávamos a caminhar em direção do chalé.
Mordi o lábio quando olhava em volta pensando em algo que podia dizer, mas nada me ocorria. Parecia-me tudo ridículo o que eu pudesse dizer-lhe.
Quando chegamos, apaixonei-me pela casa que me fazia lembrar as casas de madeira. Claro que para os Malfoy não podia ser qualquer casa de madeira e entramos para dentro de uma grande sala que tinha um longo sofá em frente de uma lareira apagada e por cima um ecrã negro preso na parede, uma cozinha moderna que ostentava os melhores eletrodomésticos do mundo e uma escada que dava para o andar de cima. E no meio das duas divisões uma mesa de snooker. Se Theo não estivesse ali a morar, pediria a Narcisa para mudar-me para ali.
Theo veio da cozinha e trazia quatro cervejas, que nos estendeu. Eu pensei no comentário de Pansy, pensando em realmente agarrar numa e beber, mas mesmo assim eu ia recusar, não ia fazer algo só para agradar – Obrigada, eu não gosto de cerveja...
Theo enrugou a testa quando estendi as restantes bebidas para os que já estavam sentados no sofá – Bem, só se te oferecer um copo de água porque de resto não tenho mais nada.
— Eu estou bem, não precisas de te preocupar. O que vamos fazer?
— Tudo o que quiseres – insinou e eu revirei os olhos — Estou a brincar, como achei que vocês precisavam de um ambiente mais jovem longe da mansão, aquele jantar hoje foi pesado – tive que concordar — Estava a pensar numa partida de bilhar ou um filme, o que dizem? Ao contrário de vocês, amanhã eu tenho aulas e por muito que goste da vossa companhia eu preciso do meu descanso, então a noite louca terá que ficar para outro dia...
— Não vejo a hora de voltar a ter aulas, espero que não demore muito com a papelada.
— Credo Granger acabamos de chegar já estás a pensar enfiar o nariz nos livros — resmungou Pansy quando aproximou-se da mesa de snooker — Rapazes contra raparigas, que me dizem? — bem eu esperava que ela soubesse jogar porque eu era completamente leiga no que toca naquilo — E quem ganhar pode escolher uma recompensa — disse com um sorriso de lado, e Theo apressou-se a trazer as bolas e os tacos para cada um de nós.
Foi um serão agradável, com eles os três a ensinar-me como se jogava e a explicar a regras do jogo. No final do jogo, os rapazes ganharam e Pansy não estava contente comigo, eu não tinha culpa ela é que quis jogar comigo contra eles. Os rapazes aceitaram fazer outra partida, aquela tinha sido um treino e eu agradeci, porque Theo já estava a pedir que fossemos mergulhar para a piscina de roupa interior. Era doido.
Já passava da meia-noite quando voltávamos para a mansão. Eu estava tão cansada que já sonhava com a cama, mas eu e Pansy tínhamos uma longa noite pela frente para instalar o sistema de vigilância pela propriedade.
Draco despediu-se de nós e nós fomos rapidamente buscar o equipamento, aproveitei para trocar por uma roupa escura que não desse tanto nas vistas. De tarde, Narcisa tinha-me passado o acesso às camaras que tinha pela propriedade, que não eram muitas: uma junto ao portão principal de entrada, outras nas portas de entrada na casa, um perto do chalé e dos estábulos e nada mais. Notamos que ninguém trancava as portas ou janelas.
Quando terminamos de colocar todas as mini camaras, microfones e sensores de movimento, eu retirei-me para o quarto, largando a maleta vazia a um canto onde tinha estado todo o material do sistema de vigilância, substitui a roupa que trazia por uma camisola larga e deitei-me estoirada. Tive tempo de ver que já passava das quatro da manha antes de fechar os olhos.
Fale com o autor