The Wiltshire' Mission

16 Capítulo 16 - Hermione Granger


Sentada na cama do meu quarto tinha continuado a olhar para os vídeos que tinha feito naquela tarde de segunda-feira, continuando a vê-los mesmo depois de Pansy ter ido embora. Suspirei, agradecendo por eles estarem sem som porque se tivessem, Pansy tinha ouvido Narcisa Malfoy a aconselhar-me a não me envolver com o filho dela, isso só me ia trazer problemas. Não sei como é que ela percebeu o que se passava comigo, julguei que tinha sido discreta naqueles dois meses, mas pelos vistos enganei-me. Fiquei muito atrapalhada com aquela conversa que não estava à espera. Narcisa Malfoy contou que se apaixonou por Lucius quando ainda estava em missão e quando decidiu deixar a sua vida de espia, foi porque não conseguiria conciliar as duas coisas, não era possível e nunca daria bons resultados. Teve que escolher, dizendo que foi a escolha mais difícil e a mais certa ao mesmo tempo, não arrependendo da sua decisão.

Eu ouvi as palavras dela sem manifestar-me, interiorizando todas as palavras que ela me tinha dito. Eu não estava apaixonada por Draco Malfoy, apenas estava deslumbrada por ele e esperava que isso fosse passageiro, porque o encanto algum dia acaba.

Assim pensava eu.

Agora que olhava para a minha frente, o sentimento que eu pensava que era passageiro, estava a batucar no peito a toda a força, chamando-me à atenção. Eu tinha que matar aquele sentimento, rapidamente.

Eu não tinha nada contra Astória, atenção. Ela tinha sido sempre uma querida para mim na minha adaptação no colégio, sempre pronta para ajudar-me em algo que precisasse, sendo mais nova do “nosso” grupo, ela estava sempre perto de nós e tinha vindo falar comigo quando Draco a convidou para sair, preocupada. Tudo isso porque tínhamos beijado na festa. Aquele ridículo beijo que não me lembrava não era esquecido por ninguém, só mesmo por mim. Tranquilizei que só o tinha feito por causa de uma aposta, uma mentira, claro, mas que tivera o efeito que pretendia.

Agora estava ali com eles os dois, mesmo na minha frente, de sorrisinhos e eu tentava que aquilo não me revoltasse o estomago, tentando calar o monstro que me batucava o peito, estava a ser um tremendo sacrifício ignora-lo.

— Qual é a cor do teu vestido? — ouvi Blaise a invadir os meus pensamentos e olhei-o confusa, então foi que percebi que ele estava a falar para Pansy, sentada ao meu lado.

— O meu vestido?

— Sim, o vestido que vais levar para o jantar dos Malfoy... — falou com se fosse uma coisa obvia.

— Roxo...? — não percebi se era uma pergunta ou afirmação, ri com o ar atrapalhado dela, quase nunca a via assim, era momentos únicos — Porque queres saber isso?

— Se vou ser teu acompanhante, convém saber que cor vais usar.

Ela olhou-o durante uns segundos antes de se prenunciar — Isto não é um baile e quem disse que era a tua acompanhante? Ninguém falou que tínhamos que levar acompanhante, pois ... — mordeu o lábio e sorriu passado um segundo — Claro que serei tua acompanhante, fico ansiosa por isso! — não entendi a mudança de tom de voz para aquela empolgação exagerada, até ver Theo a sentar-se na nossa mesa e abanei a cabeça, percebendo o porquê daquela súbita mudança em Pansy — Mas não é um roxo qualquer! É um tom mais para a púrpura.

— Entendido — disse Blaise com um piscar de olho.

— Estão a falar de que? Cores Blaise, a sério? — perguntou o amigo com um sorriso divertido, quando se preparava para almoçar.

— Estamos a combinar a nossa roupa! — foi Pansy a dizer, sem deixar uma oportunidade de picar o pobre rapaz, eu começava a ter pena dele — O meu acompanhante não pode aparecer vestido de vermelho quando estou de purpura, não é? — e vi Theo a encara-la, o sorriso que trazia no rosto fico bastante sério.

— Ele vai ser o teu acompanhante no jantar?

— Sim, quem mais seria?

Theo ficou calado, encarando-a e o silencio incomodo percorreu aquela mesa, agradeci por Astoria quebra-lo mesmo que tenha sido por causa do jantar, virando-se para Draco e falou toda querida para cima dele.

— Eu vou de cinzento, por isso não te precisas preocupar muito, já tens os teus lindos olhos — fiz um esforço para não revirar os olhos com o sorriso magnifico que ele lhe lançou e concentrar-me na salada que estava à minha frente. Odiava aquele sorriso. Ou melhor, odiava aquele sorriso fosse dirigido a ela.

— E tu vais com que? — cotovelou-me Pansy, tirando-me daqueles proibidos pensamentos.

— Não sabia que tinha que levar alguém — confessei, porque realmente não havia ninguém que eu gostava de levar que estivesse disponível e foquei novamente o meu prato onde as folhas de alface pareciam muito mais interessantes que o pessoal naquela mesa.

Depois de almoço fui até à biblioteca devolver os livros que tinha requisitado, e quando esperava pela bibliotecária para deixar os livros, encontrei Ron, o irmão de Ginny, sentando numa das mesas numa batalha dolorosa com os trabalhos. Sorri quando me aproximei dele e ouvi a resmungar para os seus botões sobre os malditos trabalhos.

Tossi para chama-lo a atenção que me olhou atrapalhado até dar um sorriso enorme quando me reconheceu – Hermione!

— Problemas desse lado? — perguntei quando apontava para os livros espalhados pela mesa.

— Nem me digas nada, o Harry disse-me agora que tínhamos estes trabalhos! — abanei a cabeça com a frustração dele – Não sabia, não posso falhar senão ela tira-me da equipa!

— Queres ajuda? — ofereci-me para ajudar quando sentava ao lado dele e ele suspirou de alívio. Ele no fim agradeceu dizendo que lhe tinha salvo a vida, que estava em divida comigo, que pedisse o que eu quisesse.

Foi quando me lembrei do jantar.

— Ron, tens planos para sábado?

***

O dia de aulas finalmente chegou ao fim e Pansy queria ir buscar o vestido depois das aulas, mas ficou retida na escola por causa do trabalho de grupo, então eu segui com o motorista para o atelier, a pedido dela, sozinha, já que os rapazes tinham treino de futebol. Por momentos, desfrutei o tempo sozinha, era muito raro estar sozinha nos últimos meses. E eu necessitava desse tempo para mim.

Resolvi aproveitar.

Cheguei ao atelier e o vestido ainda não estava pronto para ser levantado, para aguardar uma hora. Era o que tinha que fazer, esperar.

Resolvi esperar na esplanada ao lado do atelier, era uma casa de chá com uma elegante esplanada coberta cercada com arbustos verdes dando alguma privacidade aos clientes e os empregados usam aqueles longos aventais pretos, camisa branca, papillon e colete preto. Não estava muito frio ali porque tinha os toldes transparentes laterias para baixo e havia dois altos aquecedores que davam um ar agradável ao espaço. O bule de chá que me trouxeram tinha um aroma riquíssimo e um pequeno suporte de bolos de dois andares com miniaturas de bolos.

Foi quando me lembrei do meu telemóvel que tinha desligado por causa de ter estado durante toda a tarde a receber notificações, tinha desligado sobre o olhar aborrecido da professora. Publicidade ou inquéritos, pensei eu, desligando sem ver.

Revirei os olhos quando vi quem tinha estado a ligar toda a tarde. Vinte chamadas perdidas e muitas mensagens por ler, pude resumir tudo apenas em uma:

TU VAIS SAIR COM O MEU IRMAO?

Devia ter avisado Ginny daquilo, e assim que já estava instalada com uma chavena de chá servida e alguns bolos no meu prato, liguei-lhe, que me atendeu logo no segundo toque.

— Hermione, diz-me que o meu irmão não te ameaçou nem coagiu para saíres com ele!

— Olá para ti também e não! — bufei irritada, quando olhava pela esplanada, aquela hora havia algumas mesas cheias — Eu precisava de um acompanhante para um jantar e o teu irmão estava livre...

— O meu irmão? Como? Hermione, ele é tão atrasado!

— E tu és tão exagerada. Como é que soubeste da saída?

— Olha a minha mãe ligou-me toda entusiasmada com a novidade porque ele pediu à minha mãe para arranjar um fato para o jantar dos Malfoy, ela ficou para morrer... quer dizer, já achávamos que ele era gay! A minha mãe até perguntou se era com uma rapariga — ela falava pelos cotovelos e sentia saudades disso – o que eu achei legitimo já que ele nunca namorou com ninguém... alem disso, ele disse algo bizarro, o jantar é dos Malfoy. Malfoy. Porque vocês haveriam de ir a um jantar deles? — bateu-me que ela não sabia o motivo da minha missão — Espera lá, é por causa deles que estás aí? Oh meu deus Hermione — nem me deixava falar — que cena! Como é que eles são? São assim tão snobes como dizem? A minha mãe disse que não devemos julgar as pessoas se não as conh...

— CALMA GINNY! — tive que gritar, ela parecia uma debulhadora de palavras – Respira rapariga! Tu deixas-me exausta com essa corrida de palavras! — ri-me quando e ouvi a resmungar do outro lado.

Estava tão entretida na conversa quando reparo do outro lado da rua as últimas pessoas que esperava encontrar ali: Viktor e Tolga.

Por momentos achei que estava a confundi-los.

Porque é que eles estão aqui? O que raio estavam ali a fazer longe do Instituto e exatamente naquela zona? Perdi qualquer linha de pensamento que estava a ter com Ginny que continuava a tagarelar do outro lado.

Foi então que os vi a atravessar a rua na direção da casa de chá onde eu estava, para fugirem da chuva. Aquilo não podia ser real. Não podiam ser eles ali. Seria coincidência demais.

A primeira coisa que me passou pela cabeça foi esconder-me por baixo da mesa.

E foi o que fiz quando eles aproximaram da esplanada e agradeci por ela estar cheia e as mesas terem longas toalhas de pano compridas. Desliguei a chamada de Ginny e mandei mensagem que tive de desligar por causa de uma emergência. Ainda acrescentei que ligava assim que possível. Recebi uma mensagem dela com um simples ok e que ficava à espera da minha chamada.

O sotaque era inconfundível – Juro que a vi entrar aqui! – ouvi eu na esplanada muito perto da minha mesa.

— Não a vejo, Tolga. Deves ter confundido. Vamos embora...

— Eu juro! Era ela, ela saiu daquele atelier e veio para aqui... — meu deus, eles andavam a seguir-me?

— Sim, sim. Como podes ver ela não está aqui.

— Pode estar lá dentro – ouvi a voz mais longe como se tivessem acabado de entrar para dentro da casa de chá.

Eles estavam realmente ali e agora? Não podia sair dali sem dar nas vistas. Levantei a cabeça e encontrei uma rapariga a olhar-me confusa – Ex-namorado... — murmurei eu em explicação, ela acenou compreensiva e fez sinal que eles estavam de volta.

— Ela estava aqui!

— Também viste a Parkison? – foi com enorme esforço que não me levantei. Como eles sabiam que eu estava com a Pansy? Aquilo estava a assustar-me.

— Não, estava sozinha.

— Então não viste a Hermione. Elas estão juntas, vieram juntas e não se separam — ouvi Viktor a dizer, isto tudo me deixou irritada e curiosa – Vamos. Estão à nossa espera...

Não ousei levantar-me até ter a certeza que eles estavam do lado de fora da esplanada e não foi preciso muito para ouvir um carro a parar, duas portas a abrir e a fechar, arrancar como se não houvesse amanha, sobre a chuva que caia. Eu estava ainda meia baralhada quando me sentei na cadeira sem ainda entender o que tinha acabado de acontecer.

Pansy tinha que saber. E era agora.

Quando lhe liguei, não me atendeu e deixando o meu lanche intocado, segui para o atelier para ir buscar o vestido e seguir para o colégio.

Quando cheguei lá, Pansy e os rapazes já lá estavam à nossa espera, e parecia que decorria uma discussão entre Theo e ela, o normal, portanto. Quando entraram para o carro, Theo quase arrancou a porta com a brutalidade com que fechou a mesma e eu olhei incrédula, nunca o tinha visto tão maldisposto. Ainda estava com o equipamento do treino, Draco também que se sentou ao meu lado e Pansy do outro, ficando no meio dos dois.

— O que se passou? — perguntei, quando olhava de um para o outro.

— Eu sei lá! — começou Pansy que pareceu não querer dar muita atenção ao rapaz amuado sentado ao lado do motorista, mas eu vi bem como ela estava chateada com a atitude dele.

Ele soltou um riso sem divertimento que me arrepiou a espinha, não no bom sentido.

— Não te lembras? Queres que te refresque a memória?

— Estás parvo, só pode! O que é que eu fiz? Podes-me dizer, seu estúpido? — eu gemi com o insulto que Pansy proferiu para Theo que olhou para trás furioso.

— Eu agora eu é que sou o estúpido! Pois tens razão: FUI MUITO ESTÚPIDO MESMO!

Silêncio no carro.

Olhei para Draco que parecia muito divertido com toda aquela situação — Sabes o que se passa? -perguntei-lhe baixinho e ele acenou.

— É por causa do jantar, mas também algo que aconteceu durante a noite de segunda, falamos depois... — murmurou ele para mim e por uns segundos, fiquei feliz por ele não me ter ignorado.

Olhei para Pansy que parecia bastante interessada na paisagem – Pansy, tenho algo para te contar e eu acho que não vais gostar.

— Bem, acho que não bate a estupidez de Theo por isso, o que passa? — ouvi um bufar do banco da frente.

— Viktor e o amiguinho estão aqui — ela encarou-me sem saber muito bem quem é que eu estava a falar, arqueando a sua perfeita sobrancelha. Revirei os olhos – Viktor Krum, Pansy! — e ela acenou em compreensão e depois veio a “outra” compressão quando me olhou chocada.

— Não! Como?

— Quem é o Viktor Krum? — perguntou Draco ao meu lado e Theo parecia muito interessado na nossa conversa, virando-se para nós.

Ignorando os rapazes respondi a Pansy que ainda olhava sem acreditar no que lhe tinha dito – Apareceram perto do atelier, Tolga jurou ter-me visto e foram atrás de mim para dentro da casa de chá onde seu estava. Pansy, eles sabem que estamos aqui, as duas, eles falaram de ti... Como é que eles descobriram que estamos aqui? — Pansy cerrou os lábios pensativa.

Eles não podiam saber da nossa missão, nem as nossas colegas sabiam. Aquilo era tudo muito estranho e começava a desconfiar que havia fuga de informação em Hogwarts.

— Quem é o Viktor Krum? — perguntou novamente Draco impaciente.

— É o namorado da Granger – informou Pansy.

Novo silêncio constrangedor envolveu o carro e olhei chateada para ela — É ex, Pansy.

Notas finais
Música: I love You's - Hailee Steinfeld