The Wiltshire' Mission

17 Capítulo 17 - Pansy Parkinson


Não tinha feito de propósito…

Sim fiz, fiz de propósito para ver a reacção de Draco que ficou hirto e de cara fechada no seu lugar. Não desiludiu. Já Granger parecia furiosa comigo. Theo não interessava porque ele desde da hora de almoço estava a agir feito estupido comigo, resolvi ignora-lo.

— É ex, Pansy – veio logo Granger corrigir e eu revirei os olhos como se isso fosse relevante. Ela tinha confraternizado com o inimigo e não podia deixar de a relembrar de tal.

— Ex, actual, que interessa – resmunguei quando olhava para ela – Devem ter vindo atrás de ti depois da tua chamada bêbada… — eu queria acreditar que era por causa da chamada dela bêbada e que não envolvia a nossa missão porque se fosse, ia haver problemas dos grandes. Nem queria imaginar. Mas teríamos que alertar o director Dumbledore da presença deles aqui. Tinha sido uma estupidez da parte dela. De certeza que tinha rasteado a chamada até aquela zona.

— Isso foi há meses e não há motivo nenhum para vir atrás de mim. Nós acabamos.

— Pelo menos uma coisa que fizeste de jeito, o vosso namoro era deplorável – resmunguei, adorava pica-la com aquilo ainda mais vendo a cara vermelha do loirinho que se controlava no lugar dele para não dizer nada.

Mas aquele assunto não era para brincadeira. Se eles estavam ali não era coincidência. Maldita Granger! Apostava mesmo que se não tivesse ligada bêbada para o outro, eles provavelmente não estariam ali. Na minha cabeça, a culpa era dela.

Theo disse qualquer coisa para Draco que não fui a tempo de ouvir, mas que pareceu incomodar Granger e o loirinho.

O resto da viagem foi em silêncio e quando o carro parou na entrada da escadaria da Mansão, Theo e Draco saiam e já se dirigiam em direção do chalé, sem se despedirem de nós.

— Ei, esperem! — gritei para os dois, enquanto Granger seguia para dentro de casa, o mais certo, em direção do quarto. Esperava que fosse para alertar o director sobre esta tarde.

Os rapazes não pararam e eu fiquei fula por ter sido ignorada, porque ninguém me ignorava — Estou a chamar-te Theo! — alcançando-os rapidamente.

O tempo até estava agradável, depois de ter estado a chover quase o dia todo, reparei.

Quando cheguei perto deles, olhei para Theo e este me olhou com ar enfadado — O que queres?

— Precisamos falar! – disse e olhei para Draco — Sozinhos loirinho, caso não tenhas percebido...

— O Draco não precisa de sair, não tenho segredos com ele.

— Eu quero falar contigo sozinha, sem assistência, seu idiota — e puxei-o em direção dos estábulos deixando um Draco sem reação.

O cheiro a feno acalmou-me um pouco quando entramos. Eu tinha que perceber porque de ele ter estado todo estranho comigo e só boquinhas de um lado para o outro. Thunder estava com a cabeça de fora esperando por uma festa da minha parte e não o fiz esperar, quando me aproximava da cocheira dele.

— Vais agora ignorar-me? — ouviu-o bufar — Se era para isso, escusavas de me trazer até aqui, tenho mais que fazer, sabes...

Olhei para ele ainda ao lado do meu cavalo. Sim, meu porque eu já o considerava como meu.

— Quero saber que te bicho te mordeu para hoje teres estado sempre com comentários parvos para mim, o dia todo! — viu-o a revirar os olhos, encostado à parede com os braços cruzados. Que os santos me ajudassem para não saltar para cima dele.

— Vais mesmo por esse caminho e armar-te em Granger Bêbada Amnésica? — teria achado piada aquela nova alcunha que ele tinha acabado de criar e teria usado para chatear Granger com todo o prazer — Contava que fosses mais inteligente!

— Vais continuar com esse jogo de palavras ou vais dizer o que se passa contigo? Estás a irritar-me!

— Porra, tu deves-me explicações.

— De quê? – perguntei arrogantemente, aquela conversa estava a ficar sem sentido algum.

— Ainda perguntas? Tu estavas agarrada ao Blaise, a combinar com ele para irem juntos ao jantar, à minha frente!

— Qual é o problema? Ele é meu amigo que...

— Amigo como eu? — calei-me brutamente quando ele disse aquilo. Inspirei fundo. Eu sabia que aquilo tinha sido um erro, mas tinha sido mais forte que eu — É? — viu-o aproximar de mim e encostar-me contra a porta de madeira da cocheira de Thunder.

Engoli em seco quando encarava os olhos azuis dele.

Inspirei fundo, porque a minha relação com Blaise era apenas de amizade, eramos amigos. Com o Theo... Com o Theo, eu não sabia definir o que se passava entre nós, porque tudo tinha mudado depois daquela noite de segunda-feira. Só de pensar nessa noite, subiu uns calores pelo corpo impossíveis de controlar, maldito Theo. Mordi o lábio. Eu não sabia o que lhe dizer, porque os pensamentos estavam a deixar de ser coerentes quando me perdia no olhar dele.

— Já estou a perceber que foi um erro termos ficado juntos – falei, controlando a minha voz não tremesse.

— Não costumo cometer este tipo de erros, mas estou inclinado a concordar contigo! Estás a fazer-me de parvo e continuas a esfregar-te no Blaise á minha frente como nada fosse...

— Não percebo a tua atitude de donzela ofendida! — falei um pouco mais alto do que pretendia, empurrando-o — Mas quem é que tu julgas ser para eu andar a dar-te justificações da minha vida hã? És meu pai? Meu irmão? Meu primo? Meu namorado? — viu-o abri a boca para me responder — Não, espera, não respondas. NÃO! Que te interessa o que eu faço com Blaise ou deixo de fazer, NADA! E para que fique isto bem assente. Só porque cai no erro de dormir contigo...

— Continuas a chamar erro, mas quem me procurou no dia seguinte e ontem foste tu!

— Erro de percurso — comentei eu, uma parte de mim tinha cedido aos encantos daquele idiota.

Tudo começou depois de termos adormecido agarrados no sofá da sala do chalé, acordei com Theo a olhar-me e antes que eu pudesse racionar algo, já estava os beijos com ele, a puxar toda a roupa para longe do corpo dele que me impedia de o tocar e sentir o calor da pele dele. Tinha sido completamente diferente do que já tinha acontecido comigo, pelo lado positivo, e a verdade é que eu precisei de cometer aquele erro novamente para saber se era mesmo um erro nas noites seguintes. Ainda não tinha uma resposta para isso e agora ali, todos aqueles sentimentos daquelas noites anteriores voltavam com toda a velocidade e antes que eu dissesse mais alguma coisa parva, puxei-o para mim, selando os nossos lábios, com alguma urgência.

Beijar Blaise era bom, mas beijar Theo era uau. Não sei se era por causa da adrenalina de explodirmos um com o outro, mas verdade é que sentia um grande desejo por ele sempre depois de uma discussão e o sexo... Meu deus o sexo era divino. Ele era bom, ele era muito bom! Mas tinha sido poucas vezes, eu precisava de mais para confirmar, claro.

Quando me afastei dos lábios dele, sorri maliciosa e ele bufou.

— Tens cá uma lata. Queres me deixar louco, é isso?

Mordi-lhe o lábio sem deixar de o olhar e afastei-me – Logo continuamos isto – e deixei-o sozinho nos estábulos, quando eu seguia para a Mansão. Aquele seria mais um erro, um erro delicioso, mas que não me arrependeria.

Duas horas depois, sentei-me no meu lugar habitual da mesa e a criada já estava a colocar-me o prato de comida à frente. Granger estava envolvida numa conversa com Lucius, percebi que era sobre politiquices. Ceus, que tema deprimente. Bellatrix estava ali também com o marido e era sempre desconfortável sentar-me à mesa com aquele homem desprezível, que me comia com os olhos.

Theo estava na conversa com Draco sobre qualquer coisa sobre futebol e deu-me um sorriso idiota quando me viu. Ninguém sabia da nossa relação, esperava eu e eu preferia que assim continuasse. Até tive que apagar as imagens do chalé antes que Granger tivesse a brilhante ideia de verificar por algum motivo. Tinha eliminado os três últimos dias. Se por acaso chegasse a ponto de ela verificar, eu diria que tinha sido algum erro de sistema. Tinha tudo sob controlo.

Estava tudo muito calmo, conversa agradável até chegar ao tema do jantar de Natal que seria no sábado, daí a dois dias.

— Lucius, querido, não maces mais a Hermione com mais conversa sobre leis! — disse Narcisa na brincadeira e Granger riu com aquilo.

— Não está a maçar, gosto muito de falar sobre as leis laborais, acho que os trabalhadores devem ter mais voz, mais direitos... — eu acho que adormeci no meio daquele discurso todo.

— Interessante que uma pessoa tão jovem mostre este entusiasmo, tenho pena que Draco não seja assim.

— Demorou — resmungou o loirinho.

— Draco tem outros interesses de momento — comentou Theo sarcástico piscando o olho para Lucius — Sabe como é, já teve a idade dele!

Lucius riu, mas parou assim que viu o olhar de Narcisa.

— Falando de assuntos de momento — começou ela quando largava o copo de vinho – Bella, preciso saber se vais ou não, porque preciso de fechar as mesas antes de sábado.

— Se a Andromeda for, escusas de contar comigo — respondeu a irmã e eu fiz uma careta, não gostava mesmo daquela mulher e não sei como Narcisa tinha paciência para ela.

— Andromeda é nossa irmã, claro que ela vai e gostava que também viesses, além de ser um jantar dado pela empresa Malfoy, é um momento de família também e gostava que as minhas irmãs estivessem lá junto de mim.

Só ouvi um bufar e ver o marido de Bellatrix a comentar algo ao ouvido dela. Ela olhou para ele desagrada quase a fazer uma careta e depois encarou a irmã — Como queiras, estaremos lá.

— Ótimo — e parecia que Narcisa tinha ganho a lotaria, e não parecia que via a irmã louca que tinha. Eu se fosse a Narcisa manteria os Lestrange bem longe, e se possivel, outro continente com um oceano a separar.

— Desculpe Narcisa, mas esqueci-me de avisar, eu vou levar uma pessoa comigo, se não se importarem – falou Granger ao meu lado e eu olhei curiosa para ela e não fui a única naquela mesa.

— Claro que não!

— Agradeço.

— Quem é que vais levar? — eu não sabia daquilo e além disso na hora de almoço tinha dito que ia sozinha. Aquilo era muito estranho.

— Weasley, Ron Weasley – quando ouvi o nome do irmão da Cenoura Ambulante fiz uma careta e Granger olhou para Narcisa — É um colega nosso e é uma pessoa muito querida.

— Tu vais levar o pobretão ao jantar? Estás assim tão desesperada?

— Draco! – chamou Narcisa indignada – Que educação é essa?

— Desculpe mãe – viu-o a encolher-se no lugar, parecendo arrependido do que tinha dito.

Eu definitivamente adorava os jantares naquela casa, eram raros os dias que fossem calmos ou que não houvesse drama.

Deviam começar a servir pipocas.

Fiquei a ver a confusão a instalar-se à volta da mesa e eu assistia de camarote.

— Sinceramente Draco, sinto-me envergonhada! Quero que peças imediatamente desculpa a Hermione — ele abriu a boca para falar, mas a mãe nem deixou levantando a mão para ele não se prenunciar — Agora.

— Ele não disse nada de mais — resmungou a irmã de Narcisa — Só disse a verdade, não deve haver escumalha no jantar de Natal...

— Não é preciso pedir desculpa, não me senti ofendida — resmungou Granger.

— Draco acho que demos alguma educação para não falares assim das pessoas — chamou a atenção Lucius para o filho.

— Desculpem, não sei o que me deu.

— Meu, isso são ciúmes? — e o inconveniente do Theo juntou-se a festa, ouvi enquanto bebia um gole de água.

— Meu querido sobrinho, não peças desculpa por não queres misturar com essa gentinha...

— Bella, deixa de ser desagradável!

— Não estou com ciúmes!

— Se for incomodo eu não vou com ninguém, peço desculpa pela confusão.

— Draco, estou à espera do teu pedido de desculpas para Hermione.

— Ele não tem que pedir desculpas por falar a verdade!

— Não te metas na educação que a tua irmã dá ao nosso filho, se queres mandar arranja os teus!

— Podias ser mais discreto, meu, já toda gente percebeu o teu beicinho pela morena...

— Cala-te Theo!

— Se fosse meu filho, podes ter a certeza que certa gentinha não se sentava nesta mesa.

— Como falaste bem, não é o teu filho e Hermione, podes levar sim o Weasley ao jantar, teremos muito gosto de o receber.

— Patético!

— Filho como assim embeiçado?

— E se quiseres convidar mais alguém, estás à vontade...

— Obrigada, mas acho que já causei confusão demais, se estiver de acordo vou levar apenas o Ron.

— Não deu para entender? Ele até fica com os olhos a brilhar!

— Já te disse para calares Theodore!

— Daqui a nada estás a convidar os pobrezinhos da rua para juntarem-se a nós na mesa, maninha, esperava mais de ti...

— Não fales assim de Narcisa, ela é melhor que tu em muitos aspetos...

— Então que se passa contigo e o Weasley?

— Não se passa nada Theo, apenas achei que seria elegante da minha parte convida-lo já que todos iam acompanhados e ele é meu amigo.

— Filho, isto foi um ataque de ciúmes?

Quase não conseguia acompanhar as diversas conversas à minha volta, mas eu continuei a comer a apreciar cada momento daquele jantar. Eu adorava aquilo, melhor que um filme no cinema, comentei para mim.

Notas finais
Música: Motivation - Normani