The Wiltshire' Mission
6 Capítulo 6 - Pansy Parkinson
O motorista abriu a porta para nós e eu olhei para a grande casa que estendia à nossa frente, o meu pai sempre falara nela como um grande castelo sombrio no fim do mundo, mas para mim era um edifício lindíssimo. Narcisa Malfoy olhava para nós com um sorriso e não exceção o aprumo que a mulher ostentava no fato verde-escuro, blazer e saia, com um grande alfinete de peito e um colar de perolas. O cabelo preso atrás com os fios soltos dava-lhe um ar mais novo.
Nós subimos até onde ela estava e com um sorriso, cumprimentou-nos com dois beijos em cada rosto – Que bom que chegaram – olhando para nós, alto a baixo, tal como no gabinete do Director – Como correu a viagem?
— Correu bem – começou a Granger.
Nacisa Malfoy sorriu satisfeita e fez sinal para a seguirmos para dentro da mansão onde duas empregadas apressavam para ir buscar as nossas malas.
Seguimos atrás dela que passou por um hall de tecto alto cercado por duas escadarias que davam para o primeiro andar e um lustro enorme pendia do tecto. Narcisa Malfoy virou para uma sala iluminada com luz natural vindo da grande sacada que tinha as janelas abertas para um dos jardins laterias. Uma enorme mesa de carvalho estava preparada para receber um batalhão do exército com a quantidade de comida havia ali, com uma das empregadas a colocar mais uma travessa de fruta laminada. Eu sabia que eles eram muito ricos, até mais que a minha família, mas não esperava tanto da parte deles.
— Deduzo que ainda não tenham tomado o pequeno-almoço, correto? O meu filho e o meu marido saíram cedo por algum assunto da empresa, deixando-me sozinha com este maravilhoso pequeno-almoço que mandei preparar para vocês – suspirou enquanto se sentava na cabeceira da mesa – Por favor, sintam-se à vontade, quero que se sintam como estivessem em casa…
— Estamos à espera de mais alguém? – perguntou a Granger, parecendo pouco à vontade ali e eu também estava apesar de tudo mas os motivos eram diferentes. Continuava sem perceber se ela sabia quem eu era, e imaginava se as minhas colegas estariam a ter o mesmo tipo de recepção.
O som do riso de Narcisa Malfoy era agradável – Não querida, infelizmente seremos só nós as três. Sentem-se por favor, devem estar cansadas da viagem e de terem acordado tão cedo – apontou para os lugares lado a lado e eu avancei para o lugar ao lado de Narcisa e a Granger sentou-se ao meu. Uma das empregadas, que pareciam todas iguais com o mesmo uniforme e prontas para qualquer eventualidade, começou a servir chávenas de chá e eu enruguei a testa. Chá não era a bebida na minha ideia de pequeno-almoço, mas sim uma grande caneca de café.
Narcisa olhava curiosa para nós e só falou quando ficamos sozinhas naquela bonita sala de jantar com a vista para um elegante jardim cheio de flores amarelas e brancas. Seria maravilhoso tomar o pequeno-almoço naquele jardim com o sol a bater no rosto.
Foi um pequeno almoço-tranquilo, quando Narcisa Black falou de assuntos tão triviais que deixando-nos à vontade. Granger era a que participava mais na conversa, enquanto eu só comentava quando realmente era do meu interesse. Assim que Narcisa falou da biblioteca, os olhos de Granger até brilharam. Parecia que tinham dado o paraíso à Sabe Tudo irritante.
— Meninas – olhei para ela enquanto bebia a minha chávena de chá, o tom que ela usou mostrou que um assunto sério vinha dali – quero agradecer por terem vindo até aqui, sei que não é um pedido comum e foi muito amável o Director ter permitido a vossa presença cá em casa. O meu marido acha que não devias fazer nada, ficarmos quietos era o melhor para todos mas eu… — parou quando a voz falhou e a voz ficou menos agradável, mais séria e sombria – Desculpem, isto deixa-me aborrecida, julgava que isto tudo tinha acabado há vinte anos atrás, que estivesse morto e enterrado, nunca pensei que eles viriam atrás do meu filho, ele é apenas uma criança.
Uma sensação passou pelo meu corpo, uma sensação de déjà vu.
— Por favor, conte-nos o que se passa, o Director adiantou pouca coisa sobre o assunto, mas informou que estava relacionado com algo que aconteceu à 20 anos atrás e que viríamos proteger o seu filho – informou a Granger e eu apenas olhava para Narcisa esperando que ela contasse o resto da história. Tudo o que sabíamos era que envolvia alguns membros da Elite.
— Verdade – deu um grande suspiro com os olhos brilhantes enquanto a mão subia até ao elegante colar de perolas – na altura eu tinha a vossa idade e como vocês, estudei em Hogwarts e tive a minha primeira missão. Algo muito simples, pensei eu, que seria infiltrar num grupo restrito de pessoas o que não foi difícil. Só tinha que entender quais os planos e acabar com a ameaça, seria uma agente dupla – fez uma pausa como se estivesse a recordar e eu olhei para a Granger, aquela parte nós não sabíamos — O sobrenome da minha família tem valor e uma Black era uma mais-valia para o círculo íntimo do todo-poderoso Tom Riddle.
O mundo parou.
Eu já tinha ouvido aquele nome, eu sabia. Um rosto apareceu na minha mente e cerrei as mãos. Foi no dia do funeral do meu irmão. O meu pai tinha ficado branco com cal quando o viu a entrar em nossa casa e murmurou o seu nome, obrigou-me a ir para o quarto. Quando me recusei gritou comigo para eu obedecer. Vi por poucos segundos o rosto até ser arrastada por uma das criadas para o andar de cima. Tinha dez anos, mas recordo aquele rosto como se tivesse acabado de ver. Foi quando tudo mudou. O meu pai ficou muitos dias ausente, e quando voltava ficava fechado no escritório, a minha mãe agia com um robô até ser internada. Quando recebi o convite para Hogwarts, fiz de tudo para conseguir entrar e sair daquela casa que virou um mausoléu deprimente. A conversa sobre o meu irmão no gabinete do Director e se estava preparada para esta missão, ia entender muitos dos meus fantasmas.
— Pansy – ouvi num fundo longínquo e pisquei os olhos olhando para o meu lado – Pansy? – era a Granger que me chamava e eu sacudi a cabeça para voltar ao presente. Não devia ser a mesma pessoa, seria uma grande coincidência. Ou não?
— Peço desculpa, ah, esse nome… — tentei relaxar mas estava difícil. Fiquei calada olhando para o meu prato. O que significava aquilo? Uma dor de cabeça começou a latejar do meu lado direito.
— Querida, que se passa? – senti Narcisa ao meu lado com uma das mão no meu ombro.
— Nada só preciso de descansar foi uma viagem longa e dormi muito pouco – menti quando esfregava as têmporas – eu acho que só preciso descansar.
—Claro, mas é claro – apressou-se a dizer Narcisa – melhor ires descansar um pouco para o quarto, ou melhor, vocês as duas devem descansar. As apresentações ficaram para a hora de jantar, terão esse tempo para descansar e se necessitarem de alguma coisa é só pedir.
Granger levantou-se ao meu lado – Precisas de ajuda?
— Não – apressei a dizer – só quero mesmo descansar um pouco.
Narcisa falava com um homem careca e que trajava um fato que fazia lembrar o mordomo de Downton Abbey – sim, eu devo ter visto todos aqueles episódios uma dúzia de vezes — que deduzi ser o mordomo dos Malfoy.
— Meninas, apresento-vos Mr. Dobby – apresentou Narcisa para nós que nos sorriu inclinando a cabeça em cumprimento, e se não estivesse desesperada para me enfiar num quarto escuro teria brincado com o nome do homem – além de ajudar-me com a casa, ele estará aqui no que vocês necessitarem. Agora vamos até aos vossos quartos onde irão ficar.
— Como solicitado as meninas ficaram na Ala Leste, Mrs. Narcisa. As malas já estão lá.
— Obrigado Mr. Dobby – ele fez uma subtil vénia e desapareceu para outra divisão — Vamos, vou mostrar os vossos quartos para que possam refrescar-se e descansar um pouco… — colocou a mão no meu ombro dando um sorriso quando me empurrava ao de leve.
A Ala Leste era destinada aos convidados e a Oeste para a família, explicou Narcisa quando nos guiava pela luxuosa escadaria. Explicou também que tinha um pequeno chalé por detrás ada mansão, que neste momento era ocupado por um amigo da família e que iriamos conhecer no jantar.
Narcisa abriu um das portas e entrou para dentro do elegante quarto em tons verde água, sorrindo para nós – Hermione, este será o teu quarto – Granger entrou e quase deixou cair o queixo, mas sorriu e agradeceu a Narcisa – Estes quartos estão virados para o nascer do sol, terão uma bela vista logo pela manhã… — disse a anfitriã quando seguia para a larga janela e olhava no horizonte.
Era tudo muito bonito, luxuoso, agradável e todos os adjectivos que podiam descrever o quarto mas eu queria saber qual era o meu, a minha cabeça estava a matar, a minha paciência para reparos domésticos estava no limite – E quanto ao meu? – deve ter sido o tom que usei que fez lembrar Narcisa da minha condição.
— Claro! É mesmo ao lado… Hermione, se necessitares de alguma coisa é só chamares – eu já seguia para o lado de fora enquanto ela murmurava para a Granger. Não foi preciso muito mais tempo para ela se juntar a mim e guiar-me para o outro quarto mesmo ao lado – Aqui está… — abrindo a porta para eu entrar e muito semelhante ao da Granger, o meu tinha toques turquesa que me agradou mais.
Segui para as minhas malas que estava junto da grande cama e puxei o pequeno necessaire à procura dos comprimidos que me fariam tirar aquela maldita dor de cabeça. Encontrei a caixa e coloquei um na boca, sem água sem nada. Fechei os olhos.
Não me apercebi que Narcisa continuava ali até falar – Quando o Director me falou quem tinha escolhido para a missão, e mencionou os vossos nomes, julguei que fosse coincidência haver uma Parkinson na escola — era como sentisse os olhos dela cravados nas minhas costas — Quando o Director mencionou-te fiquei em dúvida se serias familiar de uns amigos nossos — virei-me para ela, ela não sabia quem eu era realmente — Uma querida amiga, que infelizmente perdeu o filho em circunstâncias estranhas, uma história terrível e imagino se fosse comigo, nem quero imaginar perder o meu filho — murmurou baixinho — Georgina não conseguiu superar a perda do filho, nem imagino a dor...
— Foi mais doloroso ver ela a morrer um pouco todos os dias, esquecendo-se que tinha outro filho que necessitava da sua atenção — respondi ríspida, havia mágoa nas minhas palavras. Narcisa olhou para mim sem compreender — Georgia é a minha mãe.
Vi a compreensão e o pesar no olhar de Narcisa Malfoy e virei-lhe costas. Já tinha passado 7 anos, não devia doer tanto recordar.
— Querida... Eu lamento... — sentia mão dela no meu ombro e por estranho que parecesse, foi confortante — Eu devia ter questionado, devia ter perguntado, o Director... Ele sabe e mesmo assim escolheu-te para vires até aqui.
— Sim disse que era por causa do nome da minha família, tal como aconteceu consigo, um bom nome era importante para infiltrar sem desconfianças — divaguei enquanto olhava pela janela, sem realmente ver. Eu sabia que havia algo por trás, eu não era tão burra, eu sabia que o Director tinha-me escolhido por um propósito e a morte do meu irmão, Tom Riddle, Mansão Malfoy, estava tudo conectado — Farei o que é possível da minha parte, não quero que saiba o que é perder um filho, é devastador...
Ninguém falou mais nada.
Senti Narcisa a sair do quarto quando a mão deixou de estar no meu ombro e ouvi a porta atrás de mim a fechar com um suave clique e fiquei sozinha com os meus pensamentos.
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