The Wiltshire' Mission
18 Capítulo 18 - Hermione Granger
Olhava para o vídeo com um suspiro.
Eu era, definitivamente, burra.
Aquele beijo não estava gravado na minha memória, mas estava gravado em vídeo e eu já tinha perdido a conta de vezes que o vi. Eu nem me reconhecia naquele momento, colocando a frente de Draco colando os meus lábios nele e afastar-me, até ele voltar a puxar-me para o beijo que realmente gostava de me lembrar. E voltava a rebobinar o vídeo para trás e vi novamente o beijo. A parte a seguir com Romilda dispensava ver, não era nada agradável.
Mas o beijo.
Eu queria muito lembrar. Ou pelo saber como era beija-lo. Um formigueiro surgiu no meu baixo ventre.
Voltei a colocar o vídeo a dar naquele momento do beijo mais uma vez, e outra, quase em loop.
A porta abriu com toda violência, tirando-me do meu transe e apresei a desligar o tablet enquanto Pansy entrava furiosa a resmungar alguma coisa — … incrível, como é que ele me pode fazer isto, diz Granger? Como? — eu fiquei no vácuo com as perguntas que ela fazia, colocando-se a minha frente, esperando que eu respondesse.
Olhei-a durante segundo e arrisquei — Porque pode? — de facto eu não fazia ideia do que ela estava a falar então atirei algo ao ar.
— Exato! Porque acha que pode! Incrível! — bufou, eu apenas olhava para ela a andar de um lado para o outro no quarto, com as mãos nas ancas — Tinha que estragar tudo, o parvalhão! Era simples: era ir até ao jantar, sentar-se sem abrir a boca idiota e vir para casa, sem stresses, noite agradável com amigos, estaríamos juntos no final da noite no chalé... Mas não! O que é que ele resolve fazer? — perguntou-me mais uma vez e comecei a juntar peças. Ora bem, tínhamos jantar, boca idiota, casa... Acho que estava a falar do Theo, mas havia o "ficar juntos", ai já seria Blaise, de certeza. Credo, ela era mais confusa que o metro de Londres.
— O que o Blaise resolveu fazer?
— Quê? Blaise? — olhou-me com uma careta de confusão, parando em frente do espelho, ficando a olhar para si em todos os ângulos. Ela era bastante bonita, pernas compridas e bem tonificadas, formas bem definidas sem muito esforço físico, cabelo sempre bem tratado e já pronto para o jantar desta noite, ao contrário do meu, que estava preso ainda no totó desajeitado. A genética era uma cabra.
Abanei a cabeça, voltando ao assunto que estávamos a falar, não era hora para estar com aqueles pensamentos invejosos.
— Sim, estavas a falar dele e do que ele resolveu fazer...
— Não era do Blaise, Granger — bufou irritada enquanto ajeitava o cabelo e olhava-me através do espelho — Estou a falar do Idiota do Theo! Resolveu ir com Daphne ao jantar! Parvalhão!
Estranhei o porque de ela estar toda chateada só por Theo ir com Daphne, que ainda por cima era uma das melhores amigas de Pansy. Não fazia qualquer sentido ela estar toda chateada, visto que não era a primeira vez que ele ia com ela algum lado. Pelo que sabia, havia muita atividade noturna no chalé entre os dois. Até parecia que estava com ciúmes dele estar com outra pessoa, as pessoas estavam juntas com quem... esperem lá. Lembrei-me do que ela disse do chale e a minha mente explodiu. Arregalei os olhos para ela com a minha descoberta.
— Oh meu deus! Não! — levantei-me e coloquei-me ao lado dela, olhando para o rosto dela no espelho, eu estava chocada com aquela revelação e o rosto dela revelava que eu não me tinha enganado — Não! Tu e o Theo? Não! Como? Não!
— Como assim como? Queres que te faça um desenho, é?
Definitivamente eu não precisava de um desenho, porque por muito que não quisesse eu consegui imagina-los aos dois. Aquilo era tão surreal, eles pareciam gato e rato, como é que aquilo tinha acontecido? Eu não conseguia acreditar. Ela o criticava tanto, mas no fundo, ela estava era a testar o pobre rapaz e fazer ciúmes com Blaise.
Outro clique fez luz.
— Espera lá! Mas tu não estás com o Blaise? Tu andas a trai-lo com o Theo? Pansy, ele não merece! Blaise é um amor de pessoa!
— Ninguém está a trair ninguém, relaxa, eu e o Blaise só somos amigos... apenas amigos, não passa mais disso... — disse soube o meu olhar desconfiado – Chegamos à conclusão que somos melhores como amigos que casal, alem disso, ele tem as cenas dele e eu tenho as minhas.
— Que cenas?
— Coisas dele, que não te dizem respeito! — resmungou a maldisposta.
Bufei — Meu deus, Pansy tu e o Theo — abanei a cabeça sem ainda acreditar no que tinha ouvido — Vocês estão juntos?
— Não! — ela riu irónica como se eu tivesse acabado de dizer a coisa mais ridícula.
— Então?
— És mesmo puritana, la porque dormimos juntos uma vez... — olhei-a sem acreditar — Umas vezes, não significa que tenhamos que estar juntos – eu não concordava nada com ela.
Para mim não era fácil ir para a cama com alguém, credo, nem sequer estava na minha lista de prioridades e daí ainda preservar a minha virgindade? Não era crime, como Pansy queria transparecer. Tinha sido uma decisão minha, mesmo quando, lembrei-me com uma careta, Viktor ter tentado algumas vezes despertar esse lado do desejo, mas nada. Ninguém, até à data, me tinha despertado o desejo para o fazer então ficaria assim durante muito tempo.
— Desde quando isto acontece? — questione para afastar esses pensamentos.
— Desde segunda-feira — sentou-se na minha cama, parecia meia envergonhada.
— Desta segunda e tu já está assim? — sentei-me ao lado dela a rir — O que nos está a acontecer com os rapazes desta casa? Parecemos duas bobas apaixonadas – e com este comentário, levei com a minha almofada na cara.
A noite chegou e já estávamos prontas para o grande jantar de Natal dos Malfoy.
Eu adorava o meu novo vestido e que tinha sido oferta de Narcisa Malfoy. Tinha insistido e eu não fiz caso. Estava muito contente. Recebi rasgados elogios da parte dela e do marido, só aumentava a minha autoestima. Draco estava tão elegante no seu elegante smoking que a mãe insistia em ajeitar sobe o revirar de olhos dele e resmungos que estava ótimo. Pansy no seu elegante vestido purpura, estava sentada no sofá entretida no sofá fingindo que ignorava Theo, este estava numa conversa entretida com Lucius. O casal estranho Lestrange a um canto a cochichar. Pansy tinha um mau pressentimento em relação a Bellatrix que estava aprontando algo, mas naqueles últimos dois meses nada tinha acontecido e não tinham mostrado nada mais que um casal repugnante a ser evitado.
A verdade era que naqueles dois últimos meses nada de excitante ou diferente tinha acontecido, os relatórios eram sempre com o mesmo conteúdo, nada a apontar, nada diferente, sem ameaças de nenhum lado. Acaba a ser aborrecido.
Mr. Dobby apareceu a dizer que os carros estavam prontos e que Blaise e a mãe, Stella Zabini já tinham chegado. Tudo o que sabia sobre a mãe de Blaise era que era uma mulher muito bem na vida como atriz de cinema e dos seis casamentos que tinha tido depois da morte do pai de Blaise. Eu só a tinha visto em filmes e hoje teria a oportunidade de a conhecer pessoalmente. Olhei para Pansy que já estava de pé a ir na direção da porta.
Todos seguiram atrás dela.
Duas elegantes limusinas de cor escura estavam estacionados com ambos os motoristas prontos ao seu lado. Aquilo pertencia a frota dos Malfoy porque havia um discreto M nas portas.
Uma mulher de beleza indiscritível estava a sair de dentro de um deles e soube quem Blaise puxou a beleza. Olhei para aquela mulher de alto baixo, ela era tal como nos filmes, uma peça elegante e sofisticada, tal como Narcisa Malfoy. Ambas se cumprimentaram como grandes amigas. Eu senti-me pouco tímida, porque para mim eu estava em frente de uma estrela de cinema e quando Narcisa fazia as apresentações, eu tentei não parecer uma fã doida, que era. Quando chegou a mim, já estava a suar por todos os lados.
— Prazer conhece-la, Mrs. Zabini, sou... — eu estava tão nervosa em frente a ela sem deixar de a encara – Meu deus, você é mais bonita ao vivo! Quer dizer, você é bonita, mas ainda é mais bonita aqui à minha frente... Sou sua fã, não uma fã maluca, adorei vê-la em Simone e Marie Belle – eu explodia tudo o que me passava pela cabeça e ela sorria, acenando com a cabeça.
— Credo Hermione, parece que vais desmaiar, é só a minha mãe! — murmurou Blaise com um sorriso e eu fiz-lhe uma careta.
— Obrigada querida — com um apertar na minha mae, longe de ser um aperto de mºao formal, mas mais um aperto de carinho e acho que agora ia mesmo desmaiar.
Pansy murmurou para Blaise com um sorriso no rosto, mas eu via que estava tudo menos feliz – Trouxeste a tua mãe para vir connosco ao jantar? Que querido… – virou-se para a Mrs. Zabini com um sorriso – Dá-me dois minutos preciso da ajuda do Blaise numa coisa? – e puxou-o para longe de nós. Seguiu-os com o olhar até desaparecerem para dentro de casa.
Entretanto Narcisa Malfoy começou a indicar que os adultos iam numa das limusinas, vendo os Lestrange entrarem seguidos por Mrs. Zabine, e depois o casal Malfoy. Nós iriamos na outra e fui puxada para dentro por Theo e Draco foi chamar os outros dois.
Dentro da limusina eu sentia-me uma princesa. Nunca tinha entrado em nenhuma. Draco entrou e sentou-se ao meu lado, quando Blaise e uma Pansy aborrecida entravam, ocupado o lugar à minha frente. O carro arrancou e Theo começou a mostrar as garrafas que tinha trazido as escondidas, distribuído em copos, eu apenas agarrei no meu. A viagem pareceu curta porque nós os cinco começamos com uma conversa divertida que ajudou a passar mais rápido a viagem.
Quando chegamos, eu tive que bater palmas ao trabalho que tinham feito. A entrada do casino onde iam fazer a receção do jantar estava decorada com motivos de natal discretos como por exemplo pequenas luzes brancas em dois elegantes pinheiros adornavam a entrada, um em cada lado. Um grande tapete verde estendia-se pela entrada. Já havia pessoas a entrar, saindo também de carros como o nosso. Foi a vez do nosso parar e a porta abriu por um dos empregados que me ajudou a sair e eu agradeci pela ajuda. Theo ofereceu-me o braço para entramos para o salão onde seria o jantar que já tinha bastantes pessoas e eu via que o casal Malfoy já circulava pela sala a cumprimentar, quando uma banda de fundo tocava música clássica. Draco estava mesmo ao meu lado e murmurava que aquilo estava muito bonito que a mae tinha novamente conseguido superado o ano anterior. Eu tinha que concordar, toda a sala desde as mesas redondas, o lustro brilhante, os arranjos, tudo estava perfeito.
Como Draco, ele estava lindíssimo naquele fato, pensei eu pela milésima vez naquela noite. Até era pecado ele ser tão bonito. Estava com um enorme sorriso até ver Astória e Daphne surgirem na porta do salão e a primeira vir saltitando em direção de Draco, ridículo. Desviei rapidamente a cara quando ele se inclinou para a beijar. Eu é que era ridícula. Inspirei fundo, afastando-me. Todos estavam entretidos na conversa, ninguém sentiu o meu desconforto, eu apenas estava ali a mais. Dei alguns passos para longe em direção da mesa que era para, segundo Narcisa, os mais novos e amigos de Draco. Goyle e Crabble já lá estavam sentados com mais duas raparigas do colégio, que sorriram quando me viram e eu acenei em reconhecimento. Olhei para o meu telemóvel.
Tinha combinado com Ron encontramo-nos ali. Tinha uma mensagem dele a dizer que estava quase a chegar. Tinha outra no grupo das amigas de Ginny e Luna a pedirem detalhes sobre o jantar dos Malfoy e sobre o encontro com Ron. Resolvi responder-lhe quando esperava pelo meu acompanhante. Aproveitei para ver também tinha acesso a todo o sistema de vigilância no meu telemóvel. Estava a funcionar perfeitamente, agradeço pela tecnologia do seculo XXI.
Ron entrou, olhando atrapalhado para todos os lados e eu vi que ele trazia um fato diferente dos smokings negros que a maioria trazia. Trazia um fato que combinava com a cor de cabelo dele e por momentos sorri com aquela diferença no cenário sóbrio. Fui até ele e o sorriso atrapalhado ficou radiante quando me viu.
A cena da noite anterior de Draco tinha magoado um pouco, porque eu não estava desesperada como ele achava. Se calhar até estava um pouco. Eu não queria vir sozinha a um jantar onde todos iam estar aos parzinhos e eu seria a vela no meio deles. No final da noite tinha vindo pedir desculpas argumentando que tinha agido porque não curtia muito do Ron e achava que eu merecia melhor, deixando-me confusa com as palavras dele sem sentido.
Abanei a cabeça e voltei ao presente, olhando para o ruivo que estava á minha frente.
— Uau! Estás, uau... Quer dizer, estás linda Hermione! — eu sorri agradecida batendo com as pestanas, era ótimo e eu adorava receber elogios — Desculpa a demora, mas estava um armário que não me deixava passar... — deu-me dois beijos e eu ria-me divertida enquanto ele murmurou ao meu ouvido sobre os seguranças que havia na entrada — acho que estava a divertir-se a apalpar-me..
— Tolo! — ri-me quando lhe dava uma leve palmada no ombro — Anda, deixa-me apresentar aos Malfoy.
Eu fiz bem em escolher Ron para ser o meu acompanhante, apesar do desagrado de algumas pessoas na nossa mesa como Pansy e não parecia fazer um esforço para ser agradável, Draco que esteve sempre com a cara fechada para Ron com picardias, ele que se concentra-se em Astória que eu via que requeria a atenção dele algumas vezes. Theo e Blaise mandavam bocas maldosas para nós de sermos o casalinho sensação. Mas eu estava deliciada com a companhia de Ron, ele era bastante divertido e a maneira dele ser, cativou-me. Era bom conhece-lo fora do colégio e eu reparei que era muito semelhante com a irmã, deixando-me bastante à vontade, naquelas horas em que o jantar decorria. A comida estava ótima, a música era adorável.
Tudo estava perfeito e á moda Malfoy.
Mas foi quanto tudo estava agradável, tudo corria bem que o ambiente mudou quando dois seguranças caminharam até a mesa onde estava o casal Malfoy e um deles falou ao ouvido de Lucius, Pansy olhou para mim, apontando para o telemóvel e eu agarro no meu que estava dentro da pochete e abro a aplicação das acamaras e a que me chama a atenção é a da entrada onde estão alguns carros e seguranças... Calma, aqueles seguranças não eram os do Malfoy. Olhei para cima para olhar para Pansy mas ela já não estava ali e foi quando vi ela junto de Narcisa mostrado o telemóvel, esta ficando pálida e murmurou algo para Pansy. À nossa volta ninguém parecia notar algo fora do normal, mas eu sentia uma vibração estranha quando Pansy voltou para a mesa.
— Pessoal, acho que está na hora de mudarmos de cenário, que me dizem irmos até ao andar de cima?
— Andar de cima?
— O que há lá?
— Fazer o quê?
— Aleluia! Estava a ver que ninguém dizia nada!
— Devíamos dizer algo a tua mãe que vamos embora, Draco.
— Tem bebida no andar de cima?
Começaram a conversa a volta e eu encarava Pansy que mexeu os lábios com uma única palavra, alertando-me. Riddle. Ele estava ali, por isso a ar pálido e assustado de Narcisa. Olhei para Draco que parecia alheio a toda aquela situação, quando ria sobre algo que Theo tinha dito. Levantei-me sob olhar de Ron, que se apressou a fazer o mesmo.
— Acho que é uma boa ideia, porque não vamos já?
Mas não fomos a tempo de sair porque na porta do salão apareceu todos os capangas de Riddle e o silencio confuso passou pela sala de jantar, silenciando todos os convidados e até a musica parou, até começar os murmúrios entres as pessoas quando Tom Riddle entrou na sala com um sorriso de víbora.
— Espero não ter chegado atrasado, penso que o meu convite se perdeu pelo caminho...
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