The Wiltshire' Mission
19 Capítulo 19 - Pansy Parkinson
Tudo foi uma mistura de sentimentos com a chegada de Tom Riddle, sem saber qual dos sentimentos devia dar prioridade.
Eu já não estava bem quando Blaise apareceu com a mãe. Não foi isso que tínhamos combinado, logo para começar. Stella Zabini já tinha mostrado o seu desagrado para comigo quando uma vez estive lá em casa e ela apanhou-me aos beijos, beijos que não eram beijos, estávamos na brincadeira, cocegas e afins, e ela penso que eu estava ao amasso com o filho dela. Achava que eu não era digna para o filhinho dela. Por amor de deus, eu era fantástica, ela devia era ficar agradecida que eu fosse namorada do filho dela. Mulher com a mania de diva.
E ali na entrada da Mansão, eu sentia que ela me olhava com desprezo e foi tão fria a cumprimentar-me. Claro que Granger não notou nada, estava tão embebecida pela atriz que adorava. Valha-me deus. Zabini tentou desculpar-se dizendo que não queria deixar a mãe sozinha, visto que o acompanhante que ia com ela não conseguiu chegar a Inglaterra a tempo. Para mim era tudo desculpas, mas por outro lado, quem é que conseguia aturar aquela mulher com mania? Ninguém!
Segunda situação: Theo e Daphne. Estava tudo bem até ela chegar ao jantar e colar-se a Theo como uma lapa, toda feliz. Olhei para Granger que encarava o loirinho e a irmã de Daphne com o mesmo sentimento que o meu. As irmãs Greengrass estavam a ser a nossa fraqueza, estava visto. Tentei disfarçar o meu desgosto entretendo-me e com os olhares ácidos que recebia de Stella Zabini sempre que Blaise comentava algo ao meu ouvido. Mesmo noutra mesa, eu sentia sempre o olhar dela sobre mim.
O jantar correu razoavelmente bem, até ver um dos seguranças correr para Lucius e eu não perdi tempo a olhar para as camaras para ver o que se passava. Agarrei e fui até Narcisa que olhava confusa para o marido e para o segurança. Quando lhe mostrei as imagens ela pediu para tirar o filho dali. Voltei para a mesa e Granger já tinha percebido o que se passava, mas não deu tempo para poderemos sair dali discretamente para o andar de cima, de modo que ele não cruzasse com Draco como Narcisa tinha pedido.
Ele entrou.
— Espero não ter chegado atrasado, penso que o meu convite se perdeu pelo caminho... — fez-se ouvir pelo salão.
O meu mundo parou e levou-me até minha casa, sete anos atrás, no dia do funeral do meu irmão. Ele estava igual aquele dia, o mesmo fato escuro, o mesmo olhar escuro, o mesmo sorriso de víbora. Mas o sentimento de raiva que brotou de mim não continuou pelo simples facto de ouvir um rosnado do meu lado chamando-me a atenção.
Era Theo que olhava para o homem que acabara de entrar, lívido com olhar de repulsa e desespero, e por instinto agarrei o braço dele quando ele deu dois passos em direção do homem. O que ele estava a fazer? Parecia louco.
— Não! — disse-lhe baixinho sem perceber se ele tinha ouvido, mas suficiente para ele parar e olhar confuso para mim. O que lhe estava a dar? Porque aquela reação? Aquilo deixou-me com a pulga atrás da orelha.
O resto da nossa mesa olhava para o convidado sem entender o que se passava, murmurando entre eles. Granger já estava ao lado de Draco que olhava confuso para os pais, como se questionasse o porque de tanto alarido.
O homem continuou a avançar pelo meio da sala ladeado por dois seguranças, os murmúrios continuavam pela sala de jantar, até ele parar em frente da mesa onde os Malfoy estavam sentados, sempre com um sorriso no rosto e Lucius, incomodado, pelo que percebi, levantou-se para cumprimenta-lo. Narcisa Malfoy tentou fazer um sorriso educado, ao contrário da irmã, Bellatrix que era só sorrisinhos entusiastas, deixando-me curiosa acerca daquela atitude que ela tinha com aquele homem, que parecia de deleito. Não consegui ouvir a troca de palavras que houve naquela mesa e ao tentar perceber não dei conta que Theo já não estava ao meu lado e que se dirigia furioso em direção do recém-chegado, e ninguém, nem mesmo os seguranças que estavam perto dele perceberam a intenção do rapaz mais novo, nem foram a tempo de trava-lo quando ele do nada agarra em Tom Riddle e espeta-lhe um murro, atordoa-o por um segundo.
Foi um choque para toda a gente e confusão, alguns já saiam da sala de jantar, quando os rapazes da nossa mesa correram para Theo que já estava a ser agarrado pelos seguranças sob um olhar venenoso de Tom Riddle, que cuspiu sangue e passou a mão pelo corte que tinha no rosto. Granger e eu estávamos também já ao lado deles sem saber o que fazer, aquilo não estava roteiro.
Eu só conseguia ouvir gritos de Theo, quando era agarrado e tremia por todo o lado.
— … DEVIA ESTAR MORTO, O MEU PAI ESTA ASSIM POR SUA CAUSA SEU FILHO DA P...
— THEODORE JÁ CHEGA! — Lucius já estava ao lado dele puxando dos seguranças como Draco e Blaise, Narcisa estava com as mãos sobre a boca chocada — Larguem-no! — ordenou Lucius para os dois seguranças, mas Theo já estava novamente a ir para cima de Tom Riddle que olhava com raiva para o rapaz. Foram preciso os três, pai, filho e Blaise, para segurar um Theo enfurecido.
— Acalme o seu catraio Lucius – murmurou Tom Riddle num tom que me congelou a espinha, não disse, mas estava implícito um “ou”. Aquele tom denunciava morte e eu temi pela vida de Theo.
— Meu, acalma-te! — murmurou Blaise para o amigo, puxando-o para longe.
— Que te deu? — desta vez foi Draco a falar e eu não pude de deixar notar o olhar de cobiça que Tom Riddle mandou quando reparou no mais novo dos Malfoy. Aquilo parecia demasiado perverso. Narcisa também pareceu notar.
— Peço desculpa pelo menino Nott, ele está um pouco abalado... — murmurou Narcisa fazendo sinal para nós o levarmos para fora do salão — Esta altura do ano é sempre complicada para ele, longe da família.
— Nott? — questionou surpreso aquele homem voltando a olhar para Theo agora com curiosidade, que era arrastado pelos rapazes e por Granger, para fora do salão. O olhar ficou mais negro como se aquele apelido trouxesse memórias más.
Eu encarei o homem que estava a minha frente. Era a primeira vez que estava tão perto e o sentimento de lhe apertar o pescoço era enorme, querendo faze-lo, para ter respostas que atormentavam a minha cabeça desde da morte do meu irmão. Mas não o fiz. Eu precisava de saber como estava Theo e o porque daquele súbito ataque. Com um último olhar lançando na direção dele, afastei-me e fui atras do grupo.
Encontrei-os numa das salas, onde só estava Blaise, Draco e a Granger. Theo estava de costas para mim olhando para fora da janela. Granger veio ter comigo até a porta, sem deixar de olhar para Theo.
Olhou-me confusa — Percebeste o que aconteceu? — abanei a cabeça e ela deu um suspiro — Disse aos restantes para não virem atrás de nós, eu vou agora voltar a sala, preciso também de ver do Ron... — eu acenei e fechei a porta atrás de mim depois de Granger sair.
Draco e Blaise parecia que estavam numa discussão acesa que acabou quando me virão e eu enruguei a testa para eles — Não precisam de se calar por minha causa...
— Estávamos apenas a comentar sobre a reação doida e infeliz que deu a Theo para distribuir murros do nada... — disse Blaise com um suspiro depois de um minuto em silencio, que olhava para as costas do amigo que continuava a olhar para o lado de fora ignorando-nos. Ninguém mais falou e foi quando a porta abriu e um Lucius furioso entrou.
— Saiam — disse apenas e foi uma ordem direta para mim, Blaise e Draco. Draco ainda protestou, mas sem sucesso — Agora não garoto, preciso de ter uma conversa com Theo... — e com isso a porta foi fechada atras de nós sem sabermos o que se ia passar lá dentro.
Quando seguimos para o grande salão, que agora estava deserto, não tinha percebido que já tinha passado assim tanto tempo para dar tempo para a sala ficar vazia, apenas estava Narcisa e Granger sentadas numa das mesas, os empregados andavam de um lado para o outro a arrumar a sala com o fim do jantar. Nisto peguei no meu telemóvel e procurei por aquela sala no sistema de vigilância, encontrado o comodo e lá estavam os dois. Amaldiçoei por não haver som, mas pude ver os dois, Theo de costas para Lucius que andavam de um lado para o outro vociferando alguma coisa que podia ser interpretado como garoto inconsequente, julguei eu. Theo continuava a olhar pela janela com os punhos cerrados.
— Mãe, o que se está a passar? Porque é que Theo reagiu assim? O que se está a passar?
— Querido, são assuntos do Theo, não devemos especular quais as razões dele...
— Mãe por amor de deus, não sou nenhuma criança, eu vi como vocês ficaram quando ele entrou. Theo não agiria como agiria se não tivesse razão — suspirou cansado — Isto tem haver alguma coisa com o pai dele? Porque ele falou no pai... O que aconteceu entre eles?
— É uma história antiga Draco, deve ser ele a contar se assim pretender — e foi assim que Narcisa encerrou o assunto, mas não nos deixou de lançar um olhar significativo para mim e para Granger — Hermione, podes vir comigo, preciso falar com o chefe de sala. Esta noite terminou de forma inesperada e... Preciso de controlar os danos causados. Pansy, podes vir connosco, por favor — e lá fomos as duas atrás de Narcisa Malfoy.
Quando ela tratou de falar com o chefe de sala, eu virei-me para Granger – Isto não está certo, quantas mais pessoas estão envolvidas com Tom Riddle além do Malfoy? A minha, a do Theo, daqui a nada também vou descobrir que a família do Blaise, do Crabbe ou do Goyle também estão envolvidos... Que poder este homem tem para ter tanta gente sobre o seu domínio? Estou mesmo a ficar cansada de todos esconderem sobre o que sabem e não nos ajudarem, estamos no meio e só ouço “tem que cuidar do Draco Malfoy, é essa a vossa missão” ou “concentrem-se na missão que vos dei, toda a informação que tem é suficiente...”. Por favor.
— Estás a falar disso por causa daquilo que ele falou do pai? Tens que descobrir o que se passa com ele, Narcisa não me contou nada de mais apenas que o pai dele esteve envolvido em algo muito obscuro e não deu mais nenhuns pormenores. Eu começo a achar que isto é uma seita Pansy...Não me olhes assim, e se Tom Riddle quer seguidores? Mais: o que realmente sabemos sobre esse homem? Nada, absolutamente nada, apenas há informações escolares até aos 18 naos e nada mais. Família idem aspas. Ele é um fantasma, não há qualquer tipo de informação dele a não ser a básica. Não te recordaras que Narcisa juntou-se ao “grupo íntimo” por causa da influência do nome que ela carrega? E se for assim que tudo começou? Se ele começou a “colher” pessoas influentes para o seu lado e agora tem todos presos por uma coleira, sem nunca ter dado a cara e mover os peões ao seu bel-prazer? Malfoy tem um grande peso na sociedade, tem um grande escritório de advocacia onde maior parte dos seus clientes são pessoas poderosas — eu ouvia Granger, percebendo o raciocínio dela, não era por acaso que ela era uma Sabe Tudo — E se ele quer a influencia dos Malfoy para se livrar de algo?
— De algo como? Achas que ele é da máfia e ele o padrinho?
— Porque não?
— Estas a ir bem com a tua dedução até a parte da máfia... então e o que tem a minha família? Não somos assim tão poderosos como os Malfoy.
— O teu pai é dono de um banco, tem contactos no governo, ele trabalha para o governo...
— Estás a delirar – cheguei à conclusão. O meu pai é simples banqueiro nada de mais, como o meu avô tinha sido, e o pai dele antes do meu avô, claro que o meu pai agora representava um pequeno cargo no governo, mas não era nada de relevante – E a família do Theo? Como ela se encaixa? Pelo que sabemos a família dele não tem poder nenhum na sociedade. Qual seria o motivo deles estarem envolvidos com o Tom Riddle, já que ele só quer pessoas influentes? — fiquei a olhar para Granger que parecia pensar em algo, como se as engrenagens do cérebro dela estivessem a tentar encaixar umas nas outras.
— Podia ser por um motivo pessoal, passional... — disse ela ao fim de algum tempo e definitivamente concluiu que ela estava a delirar. Mas não tive tempo para ripostar porque Narcisa voltou para pé de nós, ainda abatida.
Narcisa Malfoy tinha que nos contar mais sobre o que se passava, nós parecíamos que andávamos às aranhas, como poderíamos ter sucesso nesta missão se só sabíamos metade das coisas que se passavam. E foi isso que disse à matriarca da família Malfoy que me olhou durante algum tempo. Ela não no ia contar nada do que realmente já sabíamos, ela não parecia que tinha estado no nosso lugar há 20 anos atrás onde.
— Cuidem do meu filho, é a vossa missão, deixem o resto estar quieto – e foi apenas isto, o normal do que já vínhamos a ouvir nos últimos dois, três meses.
Granger encolheu os ombros para mim. Iam agir como se fossemos crianças, tudo bem. Faríamos a nossa própria investigação. E ia começar assim que chegássemos a casa.
Finalmente estávamos em casa e em segurança, assim pensávamos nós, quando saímos da limusine. Blaise já tinha ido com a mãe então estávamos só os seis a voltar para a Mansão, no mesmo carro. Ninguém falou nada até chegarmos. Ninguém comentou nada quando eu segui Theo até ao chalé, nem mesmo ele me impediu de o seguir. Quando entramos pela grande porta da entrada e sinto uma vibração fora do normal. Percebi que era o silêncio. Mas achei que fosse pelo facto do que tinha acontecido no jantar. Estávamos todos ainda a processar o que tinha acontecido.
Theo bufava quando retirava a gravata e desapertava os botões da camisa, seguindo para a cozinha, abrindo de rompante a porta de frigorífico e ficou a olhar para dentro dele sem retirar nada de lá dentro.
Eu fechei a porta do chalé atrás de mim e segui atrás dele, para a cozinha. Estava na hora de retirar os nabos da púcara e começar a entender o que se passava. Eu aproximei-me dele, virando-o para mim, enquanto retirava do congelador uma saca do que parecia ervilhas congeladas e fechava a porta do frigórico.
— Como estás? — pegando na mão dele e passado o dedo pelos nós, colocando diretamente a saca na mão magoada dele — Isto é por causa do teu pai...? — ele não disse nada, mas o olhar que me mandou dizia tudo. Dei um suspiro, chegando para mais perto dele — Sei como é ter de guardar segredos e respeita-los, eu percebo totalmente porque estás a guardar os teus... — disse-lhe com um sorriso.
E foi quando um ponto vermelho surgiu na testa dele e o meu sorriso desmoronou-se quando me apercebi do que era aquele ponto de lazer. Foi como se algo tivesse permitido o gatilho e só fui a tempo de empurrar Theo para baixo da linha de fogo que foi disparada contra nós.
Encolhida atrás do balcão puxei Theo para mim, quando tudo era destruído acima de nós. Aquilo parecia um filme, foi tudo o que pensei quando finalmente acabou a torrente de tiros ou assim pensei eu. Theo olhava chocado para mim. A cozinha estava completamente destruída havia vidros por todo lado, desde do chão, em cima de nós.
— O QUE RAIO ESTÁ A ACONTECER? — gritou-me ele e eu abanei a cabeça sem saber. Realmente não sabia e que aquilo. Como é que aquilo passou despercebido, como é que podemos ter tão descuidadas sem perceber que estava para acontecer. Olhei para o relógio e carreguei no botão para alertar Granger. Será que na mansão também estava a acontecer o mesmo?
— Fica aqui, eu vou ver o que se...
— ESTÁS DOIDA? E SE ISTO AINDA NÃO PAROU? — e foi como tivesse adivinhado uma nova rajada começou a ser disparada na nossa direção, fazendo-nos gritar e encolher novamente sobre a bancada. Agradeci por ela ser bastante resistente porque se assim não fosse, acho que já tínhamos ido à vida.
Sobre o barulho de tiros virei-me para Theo – PRECISAMOS SAIR DAQUI – gritei-lhe apontando para a porta que já estava completamente desfeita em ripas – SE CHEGARMOS LÁ FORA VAI SER MAIS FACIL ESCAPAR E... — a rajada de tiros parou e foi a nossa oportunidade — Estão a mudar de munições agora, vamos! — puxei um Theo atordoado pela porta destruída em direção do jardim.
Foi quando paramos de rompante com a visão de Granger a desarmar um dos homens. Eram dois, reparei, e quando um foi apanhado por uma Granger furiosa, era toda fluida nos movimentos de roda e pontapés, parecia uma bailarina que rodopiava e desferia golpes aleatórios nele que se defendia como adivinhasse os golpes dela, o outro atirador carregava a arma e preparava-se para erguer a arma na direção dela. Não deixei que isso acontecesse, eu não ia deixar Granger morrer. Olhei para o lado e dei um pontapé numa das cadeiras de madeira que estavam ali junto da piscina, desfiz em pequenas estacas, agarrando nas mais pequenas e atirei em direção do segundo atirador que foi apanhado de surpresa com estaca cravada no braço deixando cair a arma no chão, dando-me tempo para chegar a ele e soca-lo na cara e um pontapé no abdómen. Agradeci pela saia do vestido dar-me alguma mobilidade no movimento. Um pontapé e afastei a arma para longe de nós em direção da piscina. Sem me aperceber o segundo atirador sacou uma adaga e desferiu um golpe no meu braço, fazendo-se sibilar de dor e ficar ainda mais furiosa. Lembrei-me das aulas de defesa e apliquei um golpe junto da garganta, no pé e depois no baixo-ventre. Com a adaga que ele acabou por largar, agarrei e espetei no peito apanhando-o desprevenido, caindo para trás a gemer de dores. Olhei na direção de Granger, ela estava a ser asfixiada pelo primeiro atirador, mas antes que eu chegasse, Theo surgiu com uma das cadeiras de madeira e mandou nas costas dele distraindo dando tempo a Granger de respirar e puxar a arma que trazia dando dois tiros no peito, sem piedade. Parei a caminho dela, chocada com aquela atitude dela. Uma coisa era magoar e ferir. Matar era uma coisa que não estava pronta para o fazer.
Silêncio durante uns segundo até ouvir o som de Granger a vomitar. Eu estava meia tonta e a cambalear cheguei perto de onde ela estava ajoelhada. Ela tava toda despenteada e lágrimas corriam pelo rosto dela, limpando a boca, que tinha um corte, às costas da mão.
Ela olhou-me abatida — Acabei de matar... Eu matei... — eu não sabia o que fazer ou dizer. Apenas agachei ao lado dela colocando a mão no ombro dela, e ela fechou os olhos quando deixava as lagrimas correr.
— O que vocês são? Ninjas? — murmurou Theo ao nosso lado quando encarava à sua volta e voltava a olhar para nós, ainda com os olhos arregalados. Estava pronta para dizer que era devido a defesa pessoal que tínhamos sido obrigadas a ter na escola, mas eu nem tive tempo para defender quando Theo pontou para o meu braço — ESTÁS A SANGRAR!
Eu olhei para o meu braço e suspirei colocando a mão no corte. Agora é que me percebi do ardor que aquilo me dava e fiz uma careta quando apertei o corte, era um grande corte daquela maldita adaga, cheirava bastante mal também, algo verde em volta do corte, apercebi-me.
— Não é nada de mais... — murmurei, ainda estava tonta, deduz que fosse da perda de sangue mas estava preocupada demais com Granger que parecia uma morta viva ali de joelhos.
Do outro lado do jardim ainda ouvia o segundo atirador a gemer de dor, devido à adaga cravada no peito e do nada deixamos de ouvir os gemidos dele, deve ter perdido a consciência. Menos mal, menos uma preocupação para nós.
Theo continuava a olhar para nós como se fossemos umas extraterrestres e não deu tempo para mais perguntas da parte dele porque de repente o jardim foi invadido pelos Malfoy, que surgiram a correr na nossa direção, com ar assustado olhando em volta.
Narcisa foi a primeira a chegar ao nosso lado, agachando ao lado de Granger — O que aconteceu? — acho que foi Theo que começou a relatar sobre tudo.
Vi Lucius já com o telemóvel na orelha e parecia que estava a chamar a polícia e bombeiros, mas eu já não ouvia nada de nada, só queria sentar, porque a minha cabeça começava a rodar como se fosse perder os sentidos, as tonturas agora estavam piores. Ainda com a mão sobre o meu corte, sentei-me no relvado ao lado de Granger. Eu ia fechar apenas os olhos durante uns minutos, só para descansar, sentia os olhos demasiado pesados. Não dei conta quando a escuridão chegou, mas ouvi alguém a gritar o meu nome, antes de cair pelo abismo negro da inconsciência.
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