The Wiltshire' Mission
15 Capítulo 15 - Pansy Parkinson
Dois meses tinham passado e não havia grandes alterações no dia-a-dia em Wiltshire.
Mês de Dezembro chegou e a Mansão já estava com o espírito natalício apenas nas suas decorações. Narcisa tinha feito reunir-nos na sala para montar a árvore de Natal, era a última decoração a ser feita. Theo e Draco estavam ambos sentados no sofá a mexerem nos telemóveis quando Narcisa com ajuda das criadas abria as diferentes caixas cheias de bolas de todos os tamanhos e feitios prateadas. Hermione estava em pé da grande arvore onde começava a colocar os efeitos que Narcisa tinha-lhe dado.
Ficaríamos ali mais duas semanas e depois íamos até Hogwarts para o Baile de Inverno. Hermione voltaria para junto dos Malfoy no fim e eu ia até casa dos meus pais, tinha assim decidido, para não deixarmos os Malfoy sozinhos. Hermione não se importava passar o Natal junto deles, disse que não ligava ao Natal e os pais, apesar de acharem que ela devia juntar-se a eles nessa altura, não insistiram em que fosse ter com eles a um sítio qualquer que não me recordavam onde.
Eu estava desejosa para voltar a casa. Naquelas últimas semanas a minha mãe tinha-me ligado pelo uma vez por semana por iniciativa dela, só podia significar uma grande mudança no estado dela e isso deixava-me feliz.
Outra relação que me deixava feliz era a que tinha com Blaise, que mesmo depois de termos dormido juntos percebemos que era apenas um desejo carnal passageiro, pois, pois, quem não tem com aquele pedaço de mau caminho? Resolvemos que era melhor sermos amigos que namorados, claro que todos jugavam que nós namorávamos, só Hermione sabia a verdade e reprovava porque achava que eu só estava a fazer aquilo para provocar ciúmes no coitado do Theo. Coitado do Theo? Coitada era de mim que muitas vezes tinha que deparar com Daphne a sair do chalé nas manhas de sábado ou domingo, quando eu visitava Thunder aos estábulos. Ele era um canalha. Mas isso não me afectaria mais. Ele que comesse e dormisse com quem quisesse, era problema dele. Eu tinha de parar de pensar naquele inútil.
Inspirei fundo voltando ao presente e agarrei na bola que tinha nas mãos e coloquei onde Narcisa instruía. Por aquele andar demoraríamos horas a enfeitar a arvore. Parecia que ela tinha lido os meus pensamentos porque já estava virada para os dois rapazes com as mãos na anca.
— Será que é pedir muito que o meu querido filho ajude nas decorações de Natal e deixe esse maldito telemóvel de lado? — Draco sorriu para a mãe largando o telemóvel — O que tanto fazes no telemóvel? Algum namorico? — perguntou Narcisa quando agarrava na caixa e passava para as mãos do filho – A Mrs. Greengrass comentou comigo que convidaste Astoria para sair...
— Talvez, não seja curiosa demais! — ele riu enquanto pegava na caixa.
— Sou tua mãe, tenho direito de saber quem é ela. Astoria é uma boa rapariga, vê se te portas direito — disse com um amuo e Draco depositou um beijo no rosto dela. Olhei para Granger que parecia emburrada com aquela conversa. Era verdade, Draco tinha começado a sair com a irmã de Daphne, era o novo casalinho sensação do colégio. Parecia que ambas a irmãs tinham queda para os rapazes da Mansão — Querido, ajuda a Hermione daquele lado, por favor.
Como qualquer mãe percebeu a tensão que ali se instalou quando Draco aproximou-se do lado de Granger, sem trocarem qualquer tipo de palavra mais que o necessário e tinha sido assim ao longo dos dois meses. Dava vontade de agarrar nos dois e joga-los num quarto, para resolverem os problemas ou acabar com aquela tensão sexual acumulada.
— Passa-se ali alguma coisa? — murmurando só para mim sem tirar os olhos do filho e de Hermione.
— Ah...
Encarou-me — Eu vou querer saber o que se passa?
Credo, porque as pessoas faziam-me as perguntas difíceis? — Não sei do que está a falar – virando a minha cara para ela não ver a minha mentira no rosto.
Sentia os olhos dela em mim e soube que o interrogatório não tinha acabado. Bem, eu estava preparada para longos interrogatórios, mas aquele era o de Narcisa Malfoy, ela descobriria mais cedo ou mais tarde. Principalmente para uma mulher tão observadora como ela.
E foi enquanto eu me dirigia para o outro lado da sala já cansada para pegar algo quente para beber que ela me puxou para fora, deixando os três a colocar os restantes efeitos na árvore.
— Muito bem, o que se passa? — olhei fingindo que não sabia do que ela estava a falar — Eu conheço o meu filho. Desde que viemos do Japão, eles evitam-se, parece que se odeiam – como eu disse, ela era demasiado observadora e eles não eram discretos – Primeiro pensei que era impressão minha, de serem novas aqui em casa, Draco sentiu o seu espaço invadido por estranhos, ainda não havia a confiança que era necessária.
— Sabe, Granger é tímida também e...
— Não, não é, ela não é assim para Theo, e não era assim nos primeiros dias para o Draco, parecia que estava vidrada no meio filho — será que nada passava despercebido àquela mulher? Pelos vistos não! -E eu via os longos olhares que o meu filho lançava na direcção dela. Agora, mal conseguem estar sozinhos, se um fala, o outro bufa.
— Impressão sua — ela olhou-me e eu fiquei intimidada com o poder do olhar, que me desarmou completamente — Ok, tem razão — bufei quando olhava para ver se eles me ouviam, mas eles continuavam entretidos na arvore e encarei Narcisa Malfoy, eu ia fazer isto porque eu achava que era o mais certo a fazer, achava eu — Houve uma noite, quando você e o seu marido viajaram, no chalé fizemos alguns jogos e...
— O Theo fez uma festa no chalé, eu sei.
— Sabe? — ela olhou-me com ar de se eu achava que ela era alguma parva e eu acenei — Claro que sabe. Pronto então nessa festa Granger bebeu — mordi o lábio quando Narcisa levantou as sobrancelhas interrogativa e apressei-me a emendar o que tinha dito — algo estragado, Theo péssimo anfitrião, diga-se de passagem, em guardar sumos passados da validade.
Ela bufou sem acreditar no que eu dizia – Pansy, por amor de deus, o que aconteceu?
— Beijaram-se! — desbobinei tudo — Beijaram-se, um beijo apenas e quando Draco foi falar com ela no dia seguinte, porque ela ficou um pouco indisposta, Granger disse que tinha sido apenas uma aposta ridícula e que não gostava dele daquela maneira, tinha sido culpa da bebida e que não queria nada com ele, não percebia o porque de ele estar todo coiso com ela, não tinha sido nada demais. Pronto, Draco ficou com o ego ferido, claro, desde então tem ignorado Granger, mesmo ela tentando falar com ele, ele ficou revoltado. Ela só disse isso porque não quer comprometer a missão, envolvendo-se com ele…
— O Draco gosta dela – disse Narcisa encarando o filho e eu olhei-a confusa.
— O quê? Não! Ele só ficou com o ego ferido porque nunca tinha levado com uma tampa e Granger foi a primeira a recusar-se ceder aos encantos do seu filho, quer dizer – gaguejei quando ela olhou para mim e eu percebi-me do que tinha dito — só estou a contar o que ouvi no colégio! — justifiquei-me.
Ela olhou para o filho novamente, demasiado pensativa, e depois para mim — Depois disso, não aconteceu mais nada?
Eu devia dizer que Granger estava apaixonada ou seria errado? Era melhor não mencionar esse pormenor.
— Mais nada. Os dois simplesmente não se falam – ela acenou e a conversa ficou por ali.
Voltando para junto deles e a árvore ficou finalmente decorada uma hora depois, tinha sido a última coisa a ser decorada naquela Mansão. Toda ela parecia um postal de Natal e faria inveja a muitas salas de revistas de decoração. Em minha o espírito de Natal era outro depois da morte do meu irmão. Encarei a árvore, esperando que este ano fosse diferente.
Reunimo-nos todos à volta da mesa na hora do jantar, onde Lucius chegou depois de um dia de trabalho com um grande sorriso no rosto. Soubemos logo o porque do sorriso quando recebemos um elegante convite do jantar de natal das Indústrias Malfoy.
— Estão convidadas como amigas da família para se juntarem a nós, no próximo fim-de-semana — disse ele para mim e para Granger, que ainda encarava o convite – Como todos os anos, vai ser no Salão de Prata do Royal Club, um orgulho dos Malfoy – ri-me quando vi Draco a revirar os olhos e Narcisa estava com um sorriso radiante.
Hermione olhou para mim e eu sabia o que ela queria, tínhamos que ver o sítio o mais rápido possível, imaginava que ela já ia colocar todo o seu cérebro a preparar todas as possíveis rotas de fuga, ela era muito boa e meticulosa nisso. Mas para isso tínhamos que ir até antes do dia de jantar.
— Agradecemos o convite… O problema é mesmo não temos nada que possamos usar que faz jus ao vosso jantar de Natal – comecei eu, fingindo um pouco envergonhada.
— Isso não é problema! Amanhã faremos um dia de mulheres, depois da aulas – aprontou-se logo Narcisa a dizer — Já que nunca tive esse prazer, porque quando se tem rapazes na família é um problema – disse com um sorriso rasgado – Quase tinha que arrastar Draco comigo para ir e ainda a ficava a bufar todo o tempo, a questionar quando íamos embora.
— Mãe, eu adoro-te, mas passar a tarde enfiado numa loja a experimentar todo o tipo de vestidos de todos os feitios e cores não algo que me diverte muito.
— É o que dá ser a única mulher nesta família – olhando para nós as duas – Ninguém me compreende! – disse quando bebia um gole de vinho e Lucius olhava para Draco abanando a cabeça com ar divertido – Depois podemos passar pelo salão para vermos os preparativos – e eu sorri vitoriosa, porque sem precisar muito íamos ter acesso á zona da festa. Granger piscou para mim e eu senti-me satisfeita quando trincava uma das rodelas de batata — Draco querido, tu também vens, precisas de arranjar um fato...
— Porquê? Por favor, eu tenho imensos fatos não preciso de mais um! — resmungou o loirinho e eu apreciei aquele pequeno momento vendo a mãe a resmungar pela falta de estilo e noção do filho.
— Vais sim comigo, ainda arrisco a que apareças de jeans e t-shirt porque lembraste que não tinhas nada. Sim, e não se fala mais nisso — terminou quando via Draco a bufar — Theo querido, tu também precisas de...
— Amanhã não posso — interrompeu logo ele que me deixou curiosa — Amanhã vou visitar o meu pai.
— Oh, claro, claro! — disse Narcisa com um olhar compreensivo – Eu vou contigo se quiseres...
— Eu vou com ele, Narcisa – informou Lucius quando agarrava a mão da esposa – Eu vou contigo, Theodore, não há discussão, não quero que vás sozinho lá.
Olhei para Granger ouvia sem entender também o que falavam, realmente aquele era um assunto que nos tinha feito pensar e que fomos à procura de respostas. O pai de Theodore não era mencionado nas nossas conversas, ou melhor, a única vez que ele tinha mencionado era que já não via o pai algum tempo e que a mãe tinha morrido quando ele era pequeno, quando insisti mais no assunto ele ficou furioso pedindo para me meter na minha vida. Acho que foi a única vez que ele me falou com aquela agressividade. Depois desse pequeno ataque ele pediu desculpa, disse que era um assunto delicado, não queria falar sobre os pais e eu não insisti mais nesse assunto. Granger não ficou satisfeita com aquela informação e disse que ia pedir mais informações à Professora Hooch, já que não tínhamos nada na nossa base de dados a não ser antecedentes da família Nott, datas de nascimento e nada mais que o básico. Mas foi o Diretor que nos informou que não havia mais informação sobre o Theodore Nott e a família dele, apenas informou que o paredeiro do pai dele era desconhecido e que a mãe tinha morrido quando ele tinha 5 anos, muita da informação estava trancada com confidencial e Granger tinha achado aquilo muito estranho.
O resto do jantar foi apenas a falar de trivialidades, tentando mudar de assunto, falando do jantar de Natal e algo mais. o meu olhar estava sobre Theo que apesar de estar com um sorriso divertido a acompanhar a conversa de Narcisa, o olhar estava preocupado e angustiado, os meus olhos não o deixaram por um momento até que ele me encarou, deu um sorriso amarelo e continuou na conversa. Eu ia descobrir o que se passava no fim do jantar, onde é que ele ia. Mas mal o jantar acabou, ele desapareceu, nem mesmo olhou para trás quando eu o chamei. Bufei irritada, se ele estava à espera que fosse atrás dele estava enganado.
***
No dia seguinte eu e Granger esperamos junto do portão do colégio, Theo não tinha vindo e Draco foi vago em dizer que ele tinha saído cedo e que só voltava mais tarde, ou seja, nada mais do que já sabíamos e eu bufei irritada. O carro parou e o motorista abriu a porta para entramos, onde já estava Narcisa sentada a falar ao telefone – … eu disse que queria antúrios brancos, não vermelhos, além como é que vermelho vai ficar nas toalhas verdes? Completamente sem sentido … – acenou-nos e continuou na conversa sobre guardanapos e toalhas. Conversa interessante.
Momentos depois chega Draco que se senta ao lado do copiloto e arrancamos para o centro da cidade. Primeira paragem seria no lugar do jantar e Granger já tinha no seu peito o pequeno botão que filmaria todo aquele espaço. Era enorme e elegante, mesmo ao estilo dos Malfoy. Narcisa ficou maravilhada em mostrar tudo para Granger que a acompanhou todos os passos. Fiquei satisfeita por ser ela com essa tarefa. Olhei para Draco que estava encostado a uma das paredes a mexer no telemóvel.
Dirigi-me para ele retirando o telemóvel das mãos dele – Ok, chega de suspense, onde está o Theo? Quero uma resposta concreta.
Ele encarou-me duramente durante dois segundos quando me retirava o telemóvel das mãos — Para quem estar sempre para lhe dar para trás, estás muito interessada no paradeiro dele...
— Ok, não foi isso que perguntei. Porquê tanto mistério em dizer onde ele está?
— Foi ver o pai — disse quando voltava a sua atenção para o telemóvel.
— Isso já sei eu, e porque é que ele não pode ir sozinho? Porque o teu pai foi com ele? — ele olhou-me e abanou a cabeça, comecei a atirar deduções ao ar — O que é? Até parece que ele é um criminoso ou assassino e eu não posso sab... — calei-me quando vi o olhar que ele me deu e parecia que tinha acertado – Ele é um criminoso? Está preso? É por isso que ninguém fala? Ele está preso?
— Não tens mais nada para te preocupar? Não percebo para tanta pergunta – bufou Draco e eu notei na voz um pouco de nervosismo e eu soube que tinha tocado na tecla certa – Foi apenas ver o pai, ok? — e afastou-se de mim e eu não insisti mais no assunto, eu já tinha o que precisava.
Narcisa e Granger apareceram no salão e eu reparei que Granger vinha atrapalhada e um pouco aérea. Mas não fiz caso disso porque já estávamos a sair para a nossa próxima paragem, um atelier de haute couture.
Quando entramos fomos logo recebidos cheios de pompa e circunstância, Narcisa Malfoy era uma cliente assídua e fidelizada naquele atelier. Fomos encaminhados para uma sala de provas onde Draco se sentou esparrachado no sofá entretendo-se com o telemóvel. Já devia imaginar o que viria por ali, mesmo a mãe dizendo que queria a opinião dele. Granger olhava intimidada pelo espaço.
Eu vi os vestidos que estavam pendurados e cada um era uma criação divina. Comecei a ver todos os vestidos de cor roxa, que era a minha cor preferida e foi quando encontrei um vestido com saia curta e com cauda comprida. Não sei se era indicado para um jantar de Natal, mas era aquele que ia levar e pedi a uma das empregadas da loja, que se apressou de levar para uma das cabines para eu experimentar.
Narcisa apareceu com o seu vestido que tinha mandado fazer especificamente para aquela noite e eu não pude de invejar a elegância no vestido corte sereia no tom verde escuro com salpicos brilhantes prateados ao longo dele. Era exatamente um vestido à sua imagem e que representava bem o poder, beleza, luxo e Malfoy. Em cima de uma plataforma Narcisa olhava para o espelho e uma das costureiras à volta dela para terminar os pormenores que ela lhe ia dizendo. Draco olhava com um sorriso gabando que tinha a mãe mais bonita do mundo.
Mas eu percebi-me do sorriso desmanchar-se quando uma Granger saiu da cabine e avançava cheia de vergonha num vestido de saia curta com minúsculas lantejoulas douradas, cintado, com um elegante cinto fino e mangas compridas. Não tinha decote na parte da frente, mas atras tinha um decote até meio das costas. Ela estava lindíssima tinha que admitir, dava-lhe um ar sofisticado sem retira-lhe os dezasseis anos que tinha. Olhou-me com um sorriso simples e envergonhado.
— Acho que é este, nem preciso procurar mais... — olhando-se agora ao espelho – E serve como uma luva, nem precisa de ajustes... — ainda a olhar pelo espelho e Narcisa logo veio logo dar a sua opinião, dizendo que era a cara dela e que deveria levar o cabelo apanhado, apenas uns brincos., quando ajeitava o vestido no corpo de Granger.
Já Draco, encontrei-o a encarava-la como se estivesse a vê-la pela primeira vez e revirei os olhos, só faltava babar, ridículo. O loirinho percebeu que o olhava com a sobrancelha levantada e apressou-se a desviar os olhos para o ecrã do telemóvel. Parecia apanhadinho por ela, e por momentos questionei aquilo que Narcisa tinha dito de ele gostar de Granger. Abanei a cabeça, eu estava a ser ridícula, ele apenas estava a ver uma bela mulher/rapariga e só estava encantado como qualquer homem ficaria.
Depois foi a minha vez de experimentar e o meu vestido teve mesmo que levar alguns ajustes que se apressaram a tratar disso, deixando a cargo da opinião de Narcisa. Confiava no bom gosto dela.
***
No jantar estivemos só os quatro mais Bellatrix que apareceu para jantar, e nenhum dos dois pareceu surpreendido por Theo e Lucius ainda não terem chegado. Depois do que tinha percebido naquela tarde, o pai de Theo era um tema sensível e não era falado com pessoas de fora, mesmo que fossemos nós.
No fim de jantar Bellatrix fechou-se na biblioteca com a irmã, Draco foi para o quarto e eu segui Granger até ao quarto onde ela ia mostrar os vídeos que tinha feito do espaço. Depois de quase duas horas às voltas daquelesvídeos, dei por mim a ir para o meu quarto, cansada, pronta para me deitar.
Quando olhei pela janela depois de ter vestido o pijama, vi luzes no chalé e antes que começasse a pensar se devia ou não ir, já estava com o casaco e botas nos pés, a caminho do chalé. Tinha estado todo o dia a pensar nele e como é que ele se sentia. Por muito que não quisesse admitir, eu precisava saber como ele estava mesmo sendo um parvalhão e troglodita desmiolado, estava realmente preocupada com ele. Bati na porta, coisa inédita porque se fosse noutra ocasião eu teria entrado sem bater. Não precisei esperar muito e agradeci porque estava muito frio do lado de fora, e quando a porta abriu, um bafo quente chegou até mim e Theo estava ali, com olhar perdido que suspirou assim que me viu. Afastou-se para me deixar entrar, fechando a porta atrás de nós.
A sala estava quente com a lareira acesa, reparei na garrafa meia vazia com um copo a acompanhar, em cima da mesa de centro em frente do sofá. A televisão estava ligada sem som, como se ele apenas quisesse o som da lenha a arder de fundo.
Quando passou por mim notei que ele não estava bem, parecia abatido e as minhas perguntas morreram ao vê-lo estado. Estava quebrado, eu sabia como era sentir isso, e fiz aquilo que eu achava que seria o mais correto. As perguntas ficariam para depois e juntei-me a ele no sofá, que encarava as chamas da lareira com o olhar perdido. Encostei a minha cabeça ao ombro dele, e eu sentia ele a tremer.
Não me afastei, não falei, só fiquei ali.
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