The Way Of Revenge
1 Prólogo
Ao invés de chorar e fugir, ao ver aquela cena a fúria subiu-lhe a cabeça. Gritou inutilmente e com as mãos finas agarrou o primeiro pedaço de madeira que encontrou. Correu para tentar salva-los, mesmo que no fundo soubesse que era impossível, “O papai vai sempre cuidar de você”, lembrou-se daquelas palavras gentis e apertou os dedos em torno do pedaço de madeira, até que suas mãos ficassem brancas.
Tudo o que via era Azul, Amarelo e vermelho. Nada cinza como na maioria das vezes, nada de comum ou alegre. Ouviu ao fundo daquela confusão um arrastar de pneus no chão, talvez fosse a polícia, talvez fosse mais alguém de algum bando. Sinceramente? Ela não queria saber, tudo o que importava é que estava chegando perto daqueles que lhe deram o golpe mais profundo: tiraram-lhe as únicas pessoas amadas.A primeira investida foi um fracasso, o líder da gangue a viu e sem um pingo de piedade a acertou, o taco de golfe estourou em cheio ao seu ouvido, alguns, chocados demais, recuara incrédulo. Como alguém daquele tamanho tinha coragem de ferir uma criança? Nenhum Amarelo ou Azul concordava com aquilo, mas ninguém interferiu, ninguém foi ver como a pequena garota estava. Mas ela se levantou e levantaria de novo se fosse derrubada, seu ouvido direito zumbia e ela sentia o líquido escarlate cair sobre seus olhos, grudando os cabelos castanhos a face. Não importava como, ela se levantaria quantas vezes fosse preciso, mesmo que a beira da morte.– Eu vou matar você. – Foram suas únicas palavras, nunca as diria em uma situação normal, era gentil demais, mas em seus olhos a criança gentil tinha morrido.–Tire essa cara de cão bravo. Tenho coisas melhor a fazer. – Ele riu e apontou o taco de golfe para ela. – Acha que você pode fazer algo, se nem esses bundões conseguem? Oras, entenda uma coisa: acidentes acontecem. -Muitos ficaram desconfortáveis com aquilo, houve certos murmúrios e uma confusão que ela não entendia e não prestava atenção. Nada importava. Sua fúria era a única coisa que a mantinha em pé, e o resto era vazio. Mais uma vez se preparou para investir, mas dessa vez algo a impediu. Aqueles braços se firmaram em torno da menor, impedindo-a de escapar. Fora levantada do chão e levada para longe do outro.– Boa pegada, Kadota-san! – Uma voz feminina gritou animada, e ao fundo ela pôde ouvir o som de sirenes.Estava sendo resgatada antes que aquele homem a matasse, ainda que não tivesse pedido para ser salva. A raiva aumentou. Ela gritou, chutou o ar, mordeu e sentiu o gosto de ferrugem tomar-lhe a boca, mas ainda sim não adiantou.Estava sendo levada.Mas nunca esqueceria daquele Lenço Amarelo.
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