The Way Of Revenge

2 Lagrimas Sem Escapada.


Seus olhos se abriram pouco antes do despertador tocar, sempre fazia isso. Toda manhã ela acordava e observava o céu em silêncio. Vezes claro, vezes escuro, nublado e ensolarado, mas em sua grande maioria cinzento, assim como todo o resto. Daquela vez teve um pressentimento ruim, mas assim que o celular tocou o alarme ela deixou tudo de lado e foi se arrumar.
Vestiu o uniforme escolar e saiu de casa, adiantada como sempre. Não sabia o motivo, mas gostava de ficar em frente o portão da escola sozinha. Com os fones de ouvido no ultimo volume ela observava o movimento aumentar, não mudava sua rotina, não mudava a expressão séria e o cenho franzido. Não deixava ninguém se aproximar.
A hora passou, os portões se abriram e ela se arrastou em meio a multidão de alunos que animados falavam do fim de semana. Permaneceu sozinha durante a aula, dispersa do conteúdo escolar enquanto observava pela janela um trio de jovens do primeiro ano que chegaram atrasados. Assistiu o garoto loiro chutar o moreno e a menina de seios fartos rir e recuar, mas não se deu ao trabalho de prestar atenção nela. Olhava apenas para o loiro, tinha algo nele que chamava sua atenção. Talvez felicidade falsa...

- Takeda! Senhorita Takeda! – Depois de um certo tempo ela percebeu que era com ela. Suspirou fundo e deu atenção ao professor irritado. – Você deve saber a matéria, já que está tão distraída. Por que não vem ao quadro e resolve o exercício proposto? – Ele inflou o peito deixando o ego falar mais alto, enquanto ela apenas esboçava indiferença.
- Me obrigue... – Ela se levantou apesar do desafio, o homem não a escutou afinal, e mesmo se escutasse não teria diferença.

Pegou o piloto e começou a resolver a questão tranqüila, alguns alunos riram e fofocaram entre si, mas o único afetado seria o professor. Ao terminar a questão o ego do homem tinha sumido e os ombros caíram, sua chance de envergonhá-la resultou em fracasso e agora não tinha nada que pudesse fazer. Para sua sorte o sinal tocou, era o fim da primeira aula.

- Estão liberados. – Disse de forma ríspida e observou Lunna pegar sua mochila e ir em direção a porta.

- Hm, professor... O senhor esqueceu que essa questão está feita no final do livro. – Parou pouco antes de sair e acenou brevemente, não esperou uma resposta, já tomava rumo pelo corredor.

[...]

Caminhava pela calçada da cidade com um olhar apático, pouco se importando com as coisas ao redor, deveria estar no colégio, mas o que tinha agora era uma aula não obrigatória, não traria pontos ou qualquer coisa do tipo, por isso resolvera sair um pouco. A rua estava abarrotada de pessoas, mas de tanto viver ali criara habilidade de simplesmente desviar delas.
Passando próximo a um beco ouvira algo que a fizera parar. Lunna podia garantir que ouvira sons de choro e risadas, e mesmo que não devesse seu corpo moveu-se sem ela ordenar. Entrou no beco e pegou o primeiro pedaço de madeira que encontrara no chão. Aquela cena lhe era familiar. Apertou os dedos em torno do cabo de vassoura quebrada e deu mais alguns passos. O que viu lhe deu tanto ódio que não sabia como ainda não fora mandada para o inferno. Dois daqueles malditos “Yellows Scarfs” estavam parados pisando em uma garota por volta de sua idade. Lunna continuou em silencio e aproximando enquanto eles riam desferiu o golpe no primeiro, que tombou no chão com a forte pancada na nuca, a ponto de quebrar mais ainda o cabo de vassoura. O segundo, notando aquilo a xingou e avançou sobre a garota, mas esta já estava preparada. Assim que ele se aproximou ela lançou uma seqüência de três chutes na costela, o primeiro ele defendeu e segurou a perna da jovem, mas nem por isso ela parou, tomou um curto impulso e com um leve salto chutou com a perna livre, o que fez ele soltar a anterior e ela chutá-lo mais uma vez. O garoto despencou no chão, se abraçando e contorcendo de dor. Lunna parou de costa para a garota caída e soltou um leve suspiro, olhando com total desprezo para os jovens, e aquelas peças amarelas. Fora aquilo que destruíra sua vida.

- Morra, sua desgraçada. – Não teve tempo para reagir, a pancada em sua nuca a derrubou sem chances alguma de defesa. A outra garota riu. – Sabia que você ia cair feito um patinho, vadia. Isso é para você aprender a não mexer com a gente. – Ela riu novamente, se vangloriando por aquilo. O garoto que levou a pancada na nuca levantou um pouco tonto e também riu.
- Você pegou ela direitinho. O seu plano deu mesmo certo. Pena que doeu mais do que o desejado. – A visão estava turva, mas ela pôde ver o garoto passar a mão na nuca. – E olha o pobre Hitsu, levou uma surra daquelas. -
- Não reclama, logo cuidamos dele, mas vamos cuidar dessa aqui antes... Oh! Onde pensa que vai? – Antes que tivesse tempo de se levantar a garota pisou em suas costas e chutou sua costela, talvez para vingar seu amigo, talvez por pura diversão.

Os chutes duraram até que ela perdeu a força e desmaiou, mas ela lutou o máximo que pôde, tentou se levantar várias vezes e se manter acordada, mas nem seu corpo podia contra aquilo. Sua visão apagou e só restou dor.

[...]

Ela sabia que era apenas um sonho, mas era tão perfeito que queria ficar ali para sempre. Estava de novo com seus pais, estava de novo com seu pijama do Mickey Mouse e abraçando seu ursinho Lio, era uma criança feliz mais uma vez., mas não era exatamente ela quem estava ali. Via a criança que um dia fora, e via os pais que um dia tivera, mas a Lunna de hoje apenas podia olhar enquanto a pessoa feliz era apenas seu sonho e seu passado. Sorriu com amargura e sentiu as primeiras lágrimas escorrerem pelo seu rosto, até que se tornaram infinitas. As lágrimas encheram o quarto e aos poucos começaram a afogá-la. Pouco depois aquilo virara um mar de cores, amarelo, azul e vermelho, e ela se perdia ali dentro enquanto chorava como uma criança. Já não conseguia respirar direito, começou a sentir dor.

[...]

Abriu os olhos assustada e com os olhos úmidos observou seu quarto. No andar de baixo ouviu as vozes de Rose e Marcos, o casal que a adotara. Pareciam discutir, sobre ela novamente. Lunna gargalhou sozinha e continuou chorando enquanto sentia a dor pelas costelas quebradas. Levantou-se da cama e se forçou o máximo que pôde para chegar até a janela, quando o fez a pulou e caiu de joelhos no chão do quintal, ferrando mais um pouco seu corpo.

As lágrimas não pareciam ter fim, parecia que tudo aquilo que ela reprimia durante anos tinha escapado, e ela não podia fazer nada além de chorar. Correu até o parque de Ikebukuro e se sentou no primeiro banco que viu. Inclinou o corpo para frente, cobrindo o rosto com as mãos e chorou tudo o que tinha que chorar por um bom tempo. Estava sozinha como sempre, ou talvez apenas desligada demais para o mundo ao seu redor.

- Aceita um lenço? -

Notas finais
Quem será?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.