The Violet Hour
6 Capítulo 6
Notas iniciais
Abri os olhos para a escuridão do meu quarto o dei boas vindas a decorrente dor de cabeça. Parecia que alguém tinha martelado o meu cérebro e batido na parte de trás da minha cabeça com uma pá. Eu não era uma pessoa que estava acostumada a beber e estava exausta.
Levantei da cama e a tontura me atingiu em cheio. Assim que coloquei a cabeça entre os joelhos, pude ouvir uma batidinha na porta. Soube no momento em que sai do quarto, que Liv estava me esperando do outro lado.
– Bom dia, fugitiva de festas! – gritou e sentou no sofá. Em seu colo, estavam dois copos de café. Liv me passou um e olhou para mim.
– Você pode sussurrar? – tomei um gole de café e deitei no chão gelado.
– Não. – Liv colocou os pés no sofá e jogou uma aspirina. – Agora pode me contar tudo. Não esconda nenhum detalhe.
– Do que? – fechei os olhos e engoli o remédio com um pouco de café.
– Não se faça de sonsa. Ontem, quando voltei para a mesa, você não estava e o cara ruivo me disse que você tinha saído com o Jake. No meu celular tinha mensagem dos dois e quando eu liguei para você, seu celular estava desligado. Quero saber onde ele levou você.
– Não aconteceu nada. – respondi, mas não consegui conter o sorrisinho.
– Ah, é. Se não aconteceu nada, o que é isso então? – Liv me mostrou alguma coisa no celular e eu levantei na hora, fazendo a tontura voltar.
– Hoje de manhã eu acordei, e recebi um email de uma amiga que é uma das donas de um fã clube do Jake, e eis que me deparo com essa matéria: “Jake Bugg está namorando de novo”, a minha amiga me falou que estão circulando fotos de vocês dois ontem a noite. Ela me mandou uma foto que vocês dois estão saindo do Club 89 e outra de vocês dois conversando em uma festa e ele com a mão na sua cintura. Quero saber o que aconteceu.
– Não aconteceu nada Liv, realmente. Nós fomos para outra festa e depois fomos tomar chá. Só isso, ele é só meu amigo, eu acho.
– Bom, hoje de manhã eu liguei para o Jake e ele estava acabado, como sempre. Ele não quis me falar nada, mas pediu o seu telefone. Talvez ele te ligue mais tarde.
– Talvez. – suspirei e fiquei pensando como seria se aquela matéria fosse verdade.
O resto do dia passou de forma lenta e gradual. Jake me mandou uma mensagem no início da tarde avisando que hoje não poderia sair porque tinha uma entrevista na hora do almoço e a noite ele iria em um programa de televisão. Eu desejei boa sorte e meia hora depois meu celular vibrou de novo.
“Esta entrevista esta me dando tédio.” – Jake
“Você está ao vivo?” – mandei de volta.
“Sim, mas está no intervalo. Estão tocando alguma música e eu quero ir embora.” – Jake
“Aguente firme. Você tem que promover o seu álbum.”
“Eu sei. Mas preferia estar fazendo outra coisa” — Jake
Eu não sabia o que responder a isso, então esperei um pouco para responder.
“Me diverti muito ontem a noite” – finalmente mandei de volta.
“Eu também. Quer almoçar amanhã?” – Jake.
“Amanhã começam as minhas aulas, então terá que ser perto do campus”
“Ok. Tenho que voltar.” – Jake respondeu e voltou para a sua entrevista.
Coloquei o nome de Jake no Google e achei o site que Liv tinha mencionado. A primeira página era composta por uma coletânea de fotos do Jake. Algumas era dele em eventos e outras dele na rua, em restaurantes e tinha até mesmo uma que ele estava conversando com Olívia. Ambos estavam atravessando a rua e Liv ria de alguma coisa que Jake dissera. Ele não parecia tão mal humorado quanto nas outras fotos.
Fucei mais um pouco e encontrei a matéria que Liv tinha me mostrado mais cedo. Agora estava repleta de fotos que os fãs tinham mandado por email. Algumas era do Jake entrando sozinho no club, outras eram dele com as fãs na porta, eu aparecei em uma foto, quando nós estávamos saindo pela porta prateada. Nós não estávamos de mãos dadas, mas ele estava com a mão nas minhas costas.
A próxima leva de fotos mostrada eu e Jake no telhado da festa. Eu olhando para a cidade, Jake me dando uma bebida e até mesmo quando deitamos no chão. Algumas o mostravam cantando no palco improvisado e quando fomos embora. A galeria acabava ai.
Passei os olhos pela matéria e percebi que as pessoas não tinham muita coisa concreta. Algumas ‘fontes’ afirmavam que estávamos namorando a semanas e que não tínhamos nos desgrudado ontem. A matéria também citava o nome de várias outras garotas com as quais ele tinha saído nos últimos dois anos. Eu não seria como as outras, não deixaria ele me usar. O meu nome não estava presente em nenhum lugar da matéria e nem a mínima noção de quem eu era. Era melhor assim. O que eu menos precisava era do Primeiro Ministro me ligando e me fazendo ficar fora dos tabloides.
No final da página, encontrei o número da rádio na qual Jake estava dando entrevista. Peguei meu fone de ouvido e conectei.
Eu podia ouvir sua voz preguiçosa e quase pude ve – lo afastando seu cabelo dos olhos e colocando as mãos no bolso do casaco. Sorri para mim mesma.
Suas respostas eram sarcásticas e faziam os apresentadores rirem. Ele falou um pouco sobre seu novo álbum e que pretendia entrar em turnê daqui a alguns meses. Uma das entrevistadoras, comentou que os sites de fãs estavam enlouquecidos porque ele tinha uma nova namorada e perguntou se ele podia falar alguma coisa sobre isso. Jake apenas negou e respondeu que não falaria mais sobre isso.
Eu tentei não sentir nada sobre isso. Eu não tinha o direito. Em nenhum momento Jake disse que queria ser algo mais que meu amigo. Ontem a noite ele tinha bebido e foi um caso diferente.
Desliguei o rádio e fui arrumar a minha mala para amanhã.
A faculdade de Londres oferecia um curso preparatório de um mês para os melhores colocados no vestibular. Eu assistiria aulas durante um mês com os melhores professores da universidade para que eles me preparassem para as aulas que eu teria a seguir. Seria um mês puxado, por isso que as aulas começavam no final de abril e aulas para todos tinham início em setembro.
Eu venho treinando para isso quase a minha vida inteira. Desde que minha mãe me contava estórias para dormir, eu quero ser escritora. Então quando preparei minha bolsa naquela noite, preparei também meu espírito.
O sol entrava pela janela do meu quarto, me acordando e deixando que eu soubesse que estava atrasada para a aula. Levantei em um salto e corri para o chuveiro. Esfreguei meu cabelo e joguei agua fria no meu rosto. Sete minutos depois, quando me olhei no espelho embaçado pela agua quente, quase gritei. Eu teria um trabalho pela frente pra esconder minha cara pálida e as minhas olheiras, apesar de eu ter dormido cedo na noite passada.
Enquanto eu passava um vestido pela cabeça e tentava não derrubar a toalha que eu tinha enrolado no meu cabelo, verifiquei meu celular.
Um email da secretária do Primeiro Ministro me avisava das minhas aulas de hoje e me desejava um genérico boa sorte. Patético.
Liv me mandou uma mensagem ontem a noite, me desejando boa sorte e que hoje ela passaria no meu apartamento a noite para saber como foi.
Foi a mensagem de Jake que me fez sorrir como uma boba. Ele mandou mais duas mensagens sobre como a entrevista da noite estava o aborrecendo e como os apresentadores eram idiotas e quase de madrugada, me mandou um endereço e disse que me esperava lá amanhã para o almoço.
Sorri para mim mesma e peguei as chaves do carro.
O campus leste ficava mais distante do meu apartamento do que eu gostaria, então quando cheguei no auditório onde seria a aula, quase todos os lugares já estavam ocupados. Consegui avistar um lugar no meio, entre um cara extremamente alto e uma garota que dormia em cima do caderno. Coloquei meu notebook em cima da mesa e fingi estar extremamente interessada em algo que eu via, porque o cara alto não parava de me encarar.
– Meu nome é Harry – ele estendeu a mão e eu a apertei.
– Maya. – respondi e ele abriu a boca para falar mais alguma coisa, mas a professora entrou na sala e ele virou para frente.
A professora escreveu Annalise bem grande no quadro e disse a todos que odiava ser chamada de senhora. Todos riram e ela pediu para que abrisse – mos em uma página do livro. A mulher não deveria ter mais do que quarenta anos e aparentava ser francesa. Seu vestido roxo combinada perfeitamente com seu cabelo ruivo e olhos claros. Ela deveria ter sido muito bonita quando mais jovem. Agora, algumas rugas de expressão marcavam seu rosto e ela aparentava cansaço.
Nós passamos a manhã inteira analisando a literatura inglesa dos últimos séculos. Annalise passou como trabalho para que fizéssemos um conto de mil palavras para daqui a três dias e quando ela anunciou que estávamos dispensados, minha cabeça estava girando.
Recolhi o material e fui para a porta. Harry começou a me seguir e falar sobre o método de aula dela. Enquanto ele falava, eu o analisava. Ele tinha pequenas sardas perto do nariz e seus olhos se enrugavam no canto quando ele sorria. Seus olhos verdes ficavam escondidos atrás de um imenso óculos e ele era um pouco desengonçado. Olhei mais uma vez o endereço que Jake tinha me passado e só reparei que Harry tinha vindo junto, quando chegamos. O restaurante era com corredor, com bancadas na lateral e banquinhos para que os clientes se sentassem. Pareciam bastante simples, mas dava para perceber que a madeira das mesas era de qualidade e os quadros pendurados nas paredes, estavam ali para atrair um certo tipo de público. Jake ainda não tinha chegado, e isso incentivou Harry a continuar ao meu lado.
Harry falou algo que me fez rir e eu tive que colocar a mão na minha boca para que o som não saísse alto. Ele sorriu para mim e eu senti uma mão gelada envolvendo a minha cintura. Jake me falou um oi silencioso e olhou para Harry. Ele estava com sua usual cara fechada e o sorriso de Harry diminuiu. Eu fiz as apresentações e eles apertaram as mãos. Quando Jake começou a me puxar para dentro, Harry pediu emprestado o meu livro de hoje. Jake entrou para pegar uma mesa e eu apoiei a minha mochila em uma mesa do lado de fora para pegar o livro.
– Obrigado. – Harry falou e sorriu. – Agora volte para o seu namorado. – ele apontou para o Jake.
– Ah, ele não é o meu namorado.
– Tem certeza? Ele quase me matou só por te fazer rir.
– Ele é só meu amigo. Te vejo amanhã? – encerrei a história.
– Com certeza. – ele respondeu e foi embora.
Quando eu entrei, Jake estava sentado em um banquinho longe da porta e checava algo no celular. Ele me olhou assim que eu sentei ao lado dele e guardou o aparelho no bolso.
– Eu já pedi para você, se não se importa.
– Tudo bem. Como foi ontem a noite?
– Tudo bem, eu acho. Eu tive que responder as mesmas perguntas que respondi de manhã e cantei uma música.
– Queria ter visto – confessei.
– Não, você não queria. – ele riu
– Por que não? Tenho certeza de que você se saiu bem.
– Por que se eu soubesse que você estava vendo, não tenho certeza se conseguiria cantar direito. – ele deu uma risadinha, mas eu corei.
– Você só está falando isso para me impressionar. – olhei para baixo e pude senti – lo sorrir.
– Como foi a aula?
– Tudo bem. Muito cansativa, mas bem. Harry estava na mesma aula que eu.
– Aquele cara alto?
– Sim.
– Ah. Ele pareceu.... simpático.
– Ele é sim. – respondi no momento quem que duas pizzas pequenas eram colocadas na nossa frente. Comemos em silêncio e depois saímos, para que Jake pudesse fumar.
Ele parecia incomodado com alguma coisa, mas não queria que eu percebesse. Ele falou que não tinha nada agora a tarde e perguntou se eu queria fazer alguma coisa. Eu concordei e falei que precisava ir para o meu apartamento deixar o carro e minha bolsa.
No caminho, Jake zombou da minha incapacidade de dirigir devagar e riu quando eu quase matei nós dois em uma freada brusca.
Quando chegamos no elevador, eu me lembrei da primeira vez que o vi e isso, por algum motivo, me fez ficar nervosa. Jake mexia sem parar no maço de cigarros no bolso e algo me dizia que ele estava tão nervoso quanto eu.
Abri minha bolsa para procurar as chaves e Jake tocou o meu braço. Será que ele sabia da corrente elétrica que passava pelo meu corpo toda vez que ele me tocava?
– Maya, eu queria te perguntar uma coisa.
– Pode falar – olhei em seus olhos e perdi o ritmo da respiração.
– Eu não sei se você viu as notícias que estão circulando sobre nós, mas...
– Jake, está tudo bem – eu o cortei. – Nós somos amigos, não somos? – minha voz estava trêmula.
– É sobre isso que eu queria falar. Maya, eu...
– O que? – ele se aproximou, mas depois se afastou. – O que foi Jake? – toquei em seu braço e ele me olhou de um jeito que ninguém tinha me olhado antes. Era como se aquele gesto fizesse ele perder todo o controle que tinha.
Jake segurou meu rosto e o levantou, me fazendo olhar para ele. Seus olhos estavam mais azuis do que eu jamais tinha visto. Passei meus braços ao redor de seu pescoço, o convidando para avançar.
– Jake – sussurrei quando pude sentir sua respiração. – Eu não quero ser como as outras.
– Você não é, acredite em mim.
Quando os nossos lábios finalmente se tocaram, foi como seu eu estivesse viciada em uma droga e recebesse uma quantidade muito grande dela em minhas veias. Jake começou paciente e calmo, mas depois seus braços desceram para as minhas pernas e ele me levantou para o seu colo. Agarrei seu cabelo e ele me apertou ainda mais contra a parede do corredor.
Ele me beijou como se estivesse faminto e eu fosse a solução, como se nunca mais fossemos nos ver de novo.
Nos separamos por um segundo e ele olhou em meus olhos, procurando algum vestígio de dúvida. Quando ele não encontrou, pude sentir seus lábios frios na pele quente do meu pescoço. Fechei os olhos e apertei seu cabelo com a minha mão, ao mesmo tempo que uma porta abria no final do corredor.
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