The Violet Hour
7 Capítulo 7
Notas iniciais
Ouvimos uma porta batendo, e no mesmo segundo, pulei do colo do Jake e encostei no outro lado da parede. Evitei de olhar para ele e virei o rosto para ver quem estava conosco no corredor. Liv estava nos encarando com um ar de diversão, como se não fosse surpresa para ela. Seu cabelo curto estava preso em um rabo de cavalo na parte de cima da cabeça e eu soube no momento que vi os rastros de farinha na sua roupa, que ela estivera trabalhando.
Olívia nos encarou por alguns segundos e segurou o riso. Eu limpei minha garganta e peguei minha bolsa do chão. Senti o meu rosto ficar escarlate, então encarei a maçaneta enquanto destrancava a porta.
Podia sentir Jake atrás de mim, então me virei para encara – lo. Sua aparência não era melhor do que a minha. Sua camisa estava amassada e seu cabelo bagunçado, mas ele estava reagindo aquilo incrivelmente melhor do que eu. Sua expressão era calma, como se fosse constantemente pego nessa posição. Pude sentir a sua mão tocando na minha cintura e a afastei.
– Acho melhor você ir – falei enquanto abria a porta.
– Podem continuar – Liv riu ao mesmo tempo que Jake perguntou o porquê.
– Eu tenho trabalho para fazer e você tem que fazer.... o que você tem que fazer.
– Eu não tenho nada para fazer agora. Eu só preciso passar na gravadora mais tarde.
– Você pode passar agora. Eu lembrei que tenho um trabalho para amanhã e tenho que faze – lo agora.
Olívia nos assistia confusa com a minha reação. Jake me encarou por um tempo e por fim desistiu. Ele concordou com a cabeça e foi em direção do elevador, com a promessa de que me ligaria mais tarde.
Assim que as portas se fecharam, encostei no batente e suspirei. Liv me olhou confusa e entrou no meu apartamento.
– O que acabou de acontecer ali? – ela sentou no sofá e limpou a blusa. – Em um minuto vocês dois estavam quase se engolindo e no segundo seguinte você o manda ir embora.
Olhei no espelho de cima da mesa de jantar e suspirei. Meu cabelo estava armado e meu rosto estava totalmente cor de rosa. Fui para a cozinha pegar um copo de água gelada e Liv me seguiu.
– Foi porque eu e ele já namoramos? Porque se for, eu realmente não me importo.
– Não Liv.
– Então qual é o problema?
– Eu não sei bem. Eu não quero que ele pense que só porque ele é bonito e tem essa pose de rock star que pode conquistar qualquer uma. Eu não quero ser qualquer uma. Não sou uma dessas que o deixa fazer o que quiser.
– Você não é uma dessas! Pare de se preocupar.
– Como você pode ter tanta certeza?
– Porque eu o conheço a mais tempo que você e tenho certeza que se ele quisesse só ficar com você, ele já teria ficado no Club 89 e não teria pedido o seu telefone.
– Liv, não quero falar mais sobre isso. Eu realmente tenho um trabalho para fazer.
– Ok. Me fala como foi hoje e eu te deixo em paz.
Contei a ela sobre a professora que odiava ser chamada de senhora, do prédio que era longe de onde morávamos, da sala de aula lotada e até mesmo sobre Harry. Comentei que ele me seguiu até o restaurante e seu jeito desengonçado. Liv riu nas partes certas e fez as perguntas que eu podia responder. Ela não tocou no nome de Jake até eu terminar.
– Maya, eu acho que você deveria ligar para ele.
– E falar o que? Liv, deixe essa história para lá. Sério.
– Como quiser.
– Obrigada.
Olívia me lançou um olhar engraçado e saiu da cozinha. Alguns segundos depois, pude ouvir a porta da frente bater.
Voltei para sala e peguei meu computador. Eu realmente tinha um trabalho, mas não precisava entrega – lo nos próximos três dias. Encarei a aba em branco da internet e pensei no que tinha dito a Liv.
Eu mal o conhecia. Ele tinha me dado uma ótima noite no sábado e feito eu me sentir em casa. Me mandava mensagens engraçadas e tinha dito que gostava de conversar comigo. O meu medo foi se dissipando e no lugar, borboletas encheram o meu estômago quando comecei a pensar no seu sorriso. Pensei em como seu cabelo caia sobre seu olho e em como ele o afastava. Como seus olhos ficavam cinzas quando ele cantava e azuis quando ele me olhava. Suas mãos eram tão frias em contraste com a minha pele quente, que me causavam arrepios toda vez que elas se aproximavam.
Abri uma página em branco dos documentos e comecei a escrever.
Eu estava tão concentrada em terminar o trabalho, que não senti as horas passarem. O céu escureceu e o frio chegou, fazendo com que eu tivesse que ir até meu quarto pegar um cobertor. Olívia mandou uma mensagem perguntando se eu queria sair para jantar, mas eu estava tão cansada que recusei.
Assim que o meu texto estava apresentável, esquentei um dos frangos que tinha comprado no mercado no dia anterior, e liguei a televisão. A maioria dos canais falava sobre como esse frio era comum para o final da primavera e sobre alguns ataques que estavam acontecendo nos países vizinhos. Mudei de canal e quase engasguei com a comida.
Lá estava ele. O Primeiro ministro estava sorrindo para a câmera e fazendo diversas promessas das quais eu não acreditava nem uma palavra. Ele dizia que se ele fosse reeleito, melhoraria a situação do país e que para ele, família era a mais importante das instituições. Patético.
Desliguei a televisão e tomei banho antes de me jogar na cama e esquecer sobre tudo isso.
No dia seguinte eu não acordei atrasada. Assim que levantei da cama, pude sentir que o frio tinha se dissipado, dando lugar a uma temperatura morna e agradável. Pesquei no meu armário um vestido florido vermelho, com gola parecida com a de uma camisa. Calcei minhas botas e prendi meu cabelo em um coque.
Eu não pretendia chegar atrasada na aula hoje, então coloquei algumas barrinhas de cereal na minha bolsa para que eu comesse no caminho e peguei a chave do carro.
Quase cai para trás quando abri a porta. Jake estava me esperando no outro lado do batente e seu rosto me mostrava que ele tinha passado a noite acordado. O maço de cigarros estava quase caindo do bolso traseiro da sua calça e um cordão saia do bolso da sua jaqueta de moletom.
– Bom dia – quebrei o silêncio.
– Eu não viria tão cedo, mas você não atende as minhas ligações. – ele não parecia nada feliz.
– Meu celular descarregou. – mostrei para ele o aparelho sem bateria.
– Ah. – ele respondeu, mas não saiu da minha frente.
– O que você queria falar comigo? – perguntei hesitante enquanto trancava a porta.
– Eu queria falar sobre ontem, mas eu sei que você vai falar que está atrasada para a aula, então eu vim te entregar isso. – ele tirou dois quadrados do bolso. Era uma espécie de crachá, com um barbante como cordão.
– O que é isso?
– Hoje à noite eu irei fazer o primeiro show do meu novo CD. Você disse que queria me ver tocar, então eu te trouxe esses passes para os bastidores. Vai ser um show pequeno, mas eles vão transmitir pela internet, então vá se você quiser...
– Eu vou, obrigada. – eu o interrompi.
– Eu trouxe o da Liv também, mas acho que ela está dormindo.
– Eu entrego para ela. – ele me deu mais um passe e o silêncio reinou.
– Então te vejo hoje à noite. – Jake acenou e começou a se afastar.
– Com certeza. – ele concordou e andou em direção do elevador.
– Jake? – o chamei. Ele se virou e me olhou confuso, como se não tivesse certeza de que eu tivesse o chamado. Eu andei até ele e o abracei. Talvez Liv tivesse razão. Talvez, só dessa vez daria certo.
Ele me olhou confuso mais retribuiu o abraço.
– Obrigada – disse novamente.
– De nada – ele respondeu novamente, mas ele não sabia que eu não estava agradecendo pelos ingressos, mas por me fazer sentir em casa.
Cheguei na aula alguns minutos adiantada e Harry já estava no lugar, me observando desde que entrei que no auditório. Hoje ele estava vestindo uma camisa xadrez verde e calça escura.
– Bom dia. – sentei ao seu lado e ele colocou os óculos enormes em cima da mesa.
– Bom dia. – ele respondeu. – Parece que alguém acordou de bom humor hoje.
– Talvez. – eu ri e peguei meu notebook na bolsa.
– Posso perguntar o motivo?
– Certamente que não. – dei um tapinha no seu ombro.
– Deixe – me adivinhar, tem a ver com o tal de Jake? – ele me olhou pelo canto do olho e esperou minha reação.
– Talvez um pouquinho.
– Talvez um poucão – ele começou a abrir o caderno quando eu lembrei de uma coisa.
– Harry?
– Sim, milady?
– Vai fazer alguma coisa hoje à noite?
– Não sei, vou?
– Eu tenho dois ingressos para o show do Jake, está a fim? – ele me olhou de um modo estranho por um segundo, mas depois balançou a cabeça.
– Claro. Se você levar alguma amiga bonita para que eu não fique de vela.
– Combinado – eu ri.
A aula de hoje foi mais cansativa do que a do dia anterior. O professor era jovem, mas presunçoso com a quantidade de conhecimento que possuía. Na hora do almoço, entreguei o passe a Harry e combinamos de nos encontrar na parte de dentro da casa de shows. Mandei uma mensagem a Liv e recebi uma série de respostas a seguir. Não li nenhuma.
No caminho para casa, passei na frente da casa de Chá da Nina, que a essa hora estava lotada. Jovens estavam sentados na parte de fora, almoçando e jogando conversa fora. Alguns adultos liam jornais na parte de dentro e conversavam com a dona. Eu voltaria para ve – la algum dia desses.
O trânsito estava bom, então cheguei a meu apartamento em menos de meia hora. Fui direto para a porta da Liv e me preparei para o que ela falaria a seguir. Na terceira batida, Olívia sonolenta abriu a porta. Ela parecia ter ficado a noite toda trabalhando, mas assim que me viu, abriu um sorriso enorme.
– Maya! Eu te disse. – ela me puxou para dentro e uma bolinha de pelo chamada Spock me recebeu com lambidas nas pernas.
– Me disse o que?
– Pare de ser sonsa! Nós temos que te arrumar. – entreguei o passe a ela e ela o jogou em cima da mesa.
– È só um show! – me joguei em seu sofá
– De jeito nenhum! Jake não deve ter te contado, mas o primeiro show de um CD é muito importante. É geralmente nesse show que o artista apresenta suas canções ao público e aos críticos. Vai ter gente importante lá. E é nesse show que você deve contar ao Jake porque você o mandou embora ontem.
– Uma coisa de cada vez, Liv.
– Vá lavar o cabelo que eu vou te arrumar.
– Mas ainda está cedo.
– Não esta não, minha querida. Temos que estar lá às oito e ainda temos que arrumar o seu cabelo, escolher uma roupa e deixar você decente.
Concordei hesitante e deixei que ela me transformasse na sua boneca humana. Nas próximas horas, Liv lavou meu cabelo, o secou e colocou uma espécie de grampo em cada mecha enrolada. Ela passou uma espécie de areia na minha pele, o que a deixou lisa e brilhando. Pintou minhas unhas e fez minhas sobrancelhas. Quando eu perguntei se ela não ia se arrumar, ela respondeu que o estado dela era melhor que o meu e não era ela que o Jake queria ver essa noite. Fiquei quieta depois dessa.
Quando chegou a hora de me vestir, Olívia sugeriu as peças mais absurdas do meu guarda roupa. Eu disse não para todas, até que ela voltou para o seu apartamento e trouxe um vestido que eu nunca a imaginaria usando. Olívia tinha a personalidade forte e aquele vestido era delicado. O cetim era cor de rosa pálido, da mesma tom do entardecer. O tecido era de manga curta e o corpete era solto, como uma camisa que ia por dentro de uma saia. O vestido cobria até a metade da minha coxa e pela primeira vez, eu achei que era assim que deveria ser.
Olívia me fez vesti – lo e me abraçou quando viu o resultado final. Sentei em uma cadeira da mesa de jantar e ela começou a soltar o meu cabelo. Eu estava quase dormindo, quando ela tocou no meu braço avisando que eu estava pronta.
As minhas mechas estavam perfeitamente alisadas até a metade da minha bochecha, depois elas delicadamente se abriam em ondas até o meio das costas. O rímel foi passado tão naturalmente que parecia que meus cílios eram daquele jeito e o tom do batom combinou perfeitamente com o do vestido. Liv tinha feito um bom trabalho. Ela mandou que eu ficasse quieta e a esperasse enquanto ela se arrumava.
Quarenta minutos depois, Olívia voltou para o meu apartamento de banho tomado e vestindo uma saia preta e uma camisa branca. Por mais simples que estivesse, ela ainda estava linda.
Ela estava mandando uma série de mensagens pelo celular e a pessoa no outro lado respondeu, o que fez com que o celular dela vibrasse várias vezes, mas ela ignorou.
Pegamos nossas bolsas e apertamos nossos casacos enquanto esperávamos por um taxi e eu tentava afastar o nervosismo que me atingiu de repente.
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