The Violet Hour
3 Capítulo II
Capítulo II
A mentira nunca é um bom meio porque ela sempre acaba sendo desmascarada de uma forma ou de outra. Manter um segredo às vezes é mais complicado do que falar uma verdade.
Masen bateu a porta de seu quarto com força e se jogou em cima da cama desejando que o teto desabasse e caísse sobre a sua cabeça. Ainda não podia acreditar que o conselheiro da escola tinha chamado seu pai para uma reunião e ainda contou sobre sua sexualidade. O rapaz sabia que não podia ter falado com ele, algo dentro de si o alertou sobre isso, mas ele estava se sentindo tão cheio com tudo que quando alguém surgiu oferecendo-se para ouvi-lo ele simplesmente não podia deixar passar.
Agora que a semente da duvida tinha sido plantada na cabeça de seu pai, Masen sabia que ele não descansaria enquanto não tivesse a história colocada em pratos limpos. Ele sabia que seu pai não era homofóbico, mas sabia que seria praticamente impossível para ele tolerar que seu filho fosse gay. Seria demais para sua honra e seu orgulho.
O sobrenome Cullen carregava uma forte masculinidade por onde passava. Todos os homens da família eram conhecidos por serem fortes, inteligentes, másculos e honrados. Nunca na história da família tinha se ouvido falar que algum Cullen fosse gay.
Com um suspiro cansado o rapaz levantou-se de sua cama e caminhou com passos pesados até o banheiro para tomar um banho. Já estava sendo difícil demais ligar com seus colegas de escola tirando sarro deles todos os dias depois de o flagrarem em um momento intimo com um amigo – apenas um pequeno toque de mãos por cima da mesa em uma lanchonete que foi o suficiente para que a especulação desse início pelos corredores da escola – e agora tinha que lidar com as frequentes perguntas e preocupações de seu pai super protetor.
A água quente escorria por todo o seu corpo diminuindo visivelmente toda a tensão em suas costas, quando terminou o banho enrolou-se em uma toalha branca e voltou para o quarto onde encontrou seu celular piscando em cima da cama de cabeceira. O nome que apareceu na tela do aparelho fez Masen sorrir.
– Olá você. – ele atendeu se jogando de costas na cama.
– Olá. – a voz do outro lado respondeu – Como você está?
– Bem. – Masen riu – Apenas alguns problemas.
– Hmmm – a voz do outro lado murmurou – Você quer sair?
– Isso é um convite?
– Sempre é um convite para você. Pego você as sete.
– Tudo bem.
Então Masen desligou o celular.
***
Edward saiu do escritório logo depois que sua cozinheira avisou-lhe que o jantar estava pronto para ser servido. Quando estava a caminho da sala de jantar avisou seu filho descer as escadas com pressa enquanto arrumava a gola da camisa branca que aderia aos músculos esguios do corpo do adolescente.
Muitas vezes ele se pegava olhando para o filho e lembrava-se de si mesmo na adolescência, quando era apenas um garoto experimentando as primeiras coisas da vida.
– Vai sair? – perguntou cruzando os braços contra o peito largo.
– Sim, mas eu não volto tarde okay? – Masen mexeu nos bolsos de sua jaqueta procurando as chaves de casa – Hmmmm... Você viu a copia das minhas chaves? Não quero ter que acordar Sue quando chegar.
– Tem uma copia no meu escritório. – Edward respondeu – Com quem você vai sair?
– Com amigos pai. – Masen respondeu passando pelo pai e indo direto para o escritório do mesmo, Edward caminhou a trás do filho com passos tranquilos, analisando-o com cuidando desconfiando de que ele estava escondendo algo.
– Especifique a palavra amigo. – pediu Edward pacientemente – Você não costuma sair com “amigos”. – o homem fez questão de frisar a palavra com aspas.
– Você tá fazendo aquilo de novo. – Masen se virou para o pai cheio de indignação.
– O que?
– Desconfiando de mim como se eu tivesse cometido um crime. – o rapaz acusou com um suspiro cansado. Embora escondesse um segredo ele não se achava digno de tal desconfiança quando ele sempre fora um garoto bom.
– Eu estou apenas preocupado com o meu filho. – alegou o pai com firmeza.
– Não precisa se preocupar okay? – garantiu o rapaz finalmente achando a chaves que procurava – Eu vou ficar bem e volto antes das onze.
Masen passou pelo pai e correu para a saída da casa deixando o homem sozinho para jantar.
***
Uma música suave enchia o bar quando Masen entrou e procurou pelo seu encontro, assim que o avistou sentando em uma mesa do canto levando uma garrafa de sua cerveja favorita aos lábios ele não hesitou em caminhar em sua direção com uma animação contida. Ao aproximar-se da mesa seus olhos se encontraram com os dele, aquela sensação de formigamento tomou conta do corpo de Masen e ele tomou uma respiração profunda para não transparecer estar afetado.
Embora o conhecesse há alguns meses, ele ainda se sentia um garotinho ao lado dele. Todo aquele ar de maturidade que ele exalasse junto com a masculinidade sensual acabasse o intimidando.
Ainda recordava-se do dia em que o conheceu, em uma festa onde ele se sentia fora do lugar, até hoje se perguntava o que tinha ido fazer naquela festa, mas os pensamentos se perdiam quando se lembrava de quem tinha conhecido naquela noite. Ele estava lá, casualmente encostado no balcão de bebidas, em meio aos adolescentes bêbados, com todo aquele ar de rebeldia e atrevimento. Sebastian. Masen não sabia bem que sentimentos haviam se manifestado em seu peito quando seus olhos se encontraram com os dele, mas sabia que uma espécie de ligação havia se formando.
Masen abriu seu casaco e sentou-se ao lado dele com um sorriso, sem se importar com as outras pessoas olhassem ou julgassem, ele se inclinou e o beijou Sebastian adorando a sensação dos lábios dele contra os seus.
– Olá. – Masen sorriu quando separou seus lábios dos dele.
– Olá menino grande. – Sebastian tomou um gole de sua cerveja – Não quer nada para beber?
– Um suco apenas. Não quero que meu pai venha com mais perguntas caso eu chegue em casa com cheiro de cerveja. – respondeu Masen recostando-se na cadeira, seus olhos não conseguiam desviar do rosto de Sebastian.
– Menino grande. – Sebastian sorriu – Ainda não consigo compreender essa ligação entre você e seu pai.
– É uma coisa antiga. Somos assim desde que me entendo por gente, talvez por que somos apenas ele e eu, não sei bem. – Masen deu de ombros.
– Quem dera meu pai fosse assim, talvez eu não tivesse tantos problemas familiares. – Sebastian se inclinou mais na direção de Masen e falou bem próximo ao seu ouvido – Ainda não entendi o problema.
– Não estou... pronto para me assumir entende? É tudo muito confuso ainda e sinto que ele esta me pressionando.
Sebastian encostou-se novamente levando a cerveja e boca e tomando um longo gole. Os olhos se Masen prenderam-se no pomo de adão saliente no pescoço dele e engoliu em seco com a intensidade do poder que Sebastian exercia sobre ele.
– Por que você não arruma uma namorada? – sugeriu Sebastian.
– O que?
– Você não quer se assumir, apesar de não concordar de achar que você não deve negar quem é, então talvez devesse arrumar uma namorada, pelo menos por um tempo.
– Como uma namorada de mentira?
– Não, uma namorada de verdade. Flerte com alguém paquere. – Sebastian sorriu com malicia – Aposto que você deve ter uma porção de garotas querendo entrar em suas calças na escola.
Masen corou e agradeceu pelo bar ser mal iluminado.
– Não tanto quanto meu pai gostaria. – O rapaz deu de ombros.
– Pense Masen, deve haver uma garota, nem que seja no fundo da sala de aula que já te lançou um olhar diferente.
Então Masen se lembrou da morena da sua aula de culinária. Ela sentava-se na mesa ao seu lado, fazia cupcakes deliciosos e era a melhor aluna da turma. Lembrou-se daquela aula em que estavam aprendendo a cozinhar um prato complicado e ele teve a sensação de estar sendo observado, olhou para o lado e lá estava ela olhando-o com curiosidade evidente, quando viu que foi pega em flagrante corou e desviou o olhar com rapidez escondendo o rosto com o cabelo castanho avermelhado cheio de ondas. No momento ele deduziu que talvez fosse por ele ser o único garoto presente na aula e deixou a situação de lado, mas agora com Sebastian fazendo aquela sugestão ele parou para repensar.
– Lembrou-se de alguém? – Sebastian perguntou tirando Masen de seus pensamentos.
– Tem uma garota. – Masen respondeu – Mas não sei se é uma boa ideia inventar uma mentira e ainda mais envolver outra pessoa nisso.
– Não pense nisso como uma mentira. – incentivou o outro – Pense como uma maneira de você se descobrir, entende? – Sebastian apoiou sua mão no ombro de Masen – Eu já passei por isso, você deve estar cheio de duvidas apesar de estarmos... saindo, talvez isso seja bom para você.
– Você não vai sentir ciúmes? – Masen provocou lançando um sorriso para Sebastian.
– Não se preocupe. – Sebastian sussurrou no ouvido de Masen – Eu sei muito bem me garantir.
– Gostaria de saber como. – Flertou Masen.
– Menino grande. – sorriu Sebastian – Ficando cada vez mais esperto.
Sebastian colocou a mão atrás do pescoço e o puxou para um beijo caloroso e cheio de desejo.
Fale com o autor