The Violet Hour
4 Capítulo III
Notas iniciais
Capítulo III
Isabella Swan levantou-se esperançosa e feliz naquela manhã de terça-feira. Geralmente, estava longe de ser esperançosa, e tentava ao máximo ser feliz. E era. Vivia com seu pai, Charlie, em um apartamento deixado por sua bisavó como herança e estudava em uma boa escola.
A vida não era fácil, disso ela sabia. Antes de completar dois anos de idade, Renée a deixou com Charlie e foi viver a vida de liberdade que um dia havia escolhido. Renée não queria carregar o fardo da criação de uma menina quando ela própria ainda se sentia como uma. E com isso, Isabella nunca contra argumentou ou se sentiu infeliz. Entendia os motivos de sua mãe, afinal, o que uma menina poderia ensinar a outra menina?
Renée tinha quinze anos quando se apaixonou perdida e profundamente por Charlie, que tinha 22 anos na época. Charlie trabalhava para o pai dela como jornalista estagiário. A paixão proibida fora intensa, e duraram 2 anos até que assumiram-se, e Giorgio, pai de Renée a obrigou a casar-se. Eles eram felizes, até que ela engravidou. O amor mudou, a vida mudou, a convivência mudou.
Havia agora outro tipo de felicidade e amor.
Mas quando Renée se deu conta de como, de súbito, sua vida havia mudado, o medo foi seu primeiro instinto. Ela não se sentia capaz de cuidar de uma criança, e sinceramente expôs isso a Charlie, que a entendeu perfeitamente e por sua própria conta cuidou da menina que havia acabado de nascer. E, surpreendentemente um dia, Charlie acordou com o lado direito de sua cama vazio. Renée havia sumido. Tentou falar com Giorgio, mas tudo o que ele tinha era uma carta dizendo adeus.
As buscas de Giorgio nunca pararam, nem as de Charlie, mas agora, ele já sentia-se mais velho e com mais capacidade de conduzir sua vida. Seguia amando profundamente sua eterna Renée mas agora cuidava de uma parte da mulher a quem amava. E precisava continuar tentando, por Isabella.
— Bom dia, papai. – cantarolou Bella na cozinha, depositando um beijo na bochecha do pai.
— Bom dia, boneca. Como está, preparada pra ir à escola hoje?
— Pai, pra isso eu nunca estou preparada. – ela revirou os olhos e sorriu.
Era uma tradição dos Swan ouvir música durante o café, na velha vitrola que Charlie tinha. O café da manhã era um momento sagrado para a música, e também para o “pai, passe-me o açúcar, por favor?” e “Bells, por favor, passe-me o mel.”
Com duas torradas no prato e uma xícara de leite com achocolatado, Bella quebrou a tradição naquela manhã.
— Pai, sabe que estou gostando dessa coisa de aulas de culinária? – ela passava a manteiga na torrada, dando em seguida uma mordida.
— Isso é bom, Bells. Muito bom mesmo. Mas quero que saiba que, não é porque frequenta essas aulas que deve se sentir na obrigação de me alimentar sempre. Fui um pai solteiro por muito tempo, e ainda sou. Sei me virar bem. – ele torceu o bigode.
— Oh, papai. São coisas que eu gosto de fazer para o senhor. Criou-me uma vida toda e sem auxílio algum, devo-lhe algum crédito por isso.
Charlie suspirou. Uma das coisas que mais amava em sua filha era a doçura e a gratidão. Ele sabia que tinha feito um bom trabalho como pai, e sentia-se orgulhoso por isso.
Enquanto caminhavam até a escola, iam conversando sobre coisas variadas. O trabalho de Charlie, as aulas de culinária e canto, relacionamentos, infância.
No portão, antes do estacionamento da escola, Bella falou:
— Vou chegar um pouco mais tarde em casa hoje, papai. Tenho uma reunião com o pessoal da culinária. Não precisa vir me buscar, ok? – ela sorriu, enquanto abraçava o pai.
— Tudo bem, querida. – ele olhou o estacionamento todo, ficando cheio de carros cada minuto mais que observava. – E acho que está na hora de comprar um carro para você. – colocou a mão nos bolsos e beijou a testa de Bella.
— Adeus, papai.
— Adeus, Bells.
Isabella tinha agora 16 anos. Estava no High School, tinha amigos legais, um pai afetuoso e presente, e não podia desejar nada mais além do que já tinha. Não estava tão preocupada com namorados, embora não tivesse beijado ninguém ainda. Só que aquele não era o foco em sua vida. Ela sabia que o amor chegaria, junto com o desejo e a paixão, e ela não precisaria procurar por isso. O tempo tinha seu próprio tempo.
Na aula de química, Rosalie Hale, sua melhor amiga, sentou-se na cadeira da frente.
— Wow! Emmett McCarty é o melhor do mundo. – ela meneou a cabeça para o lado, encontrando os olhos marrons de Isabella chocados. – Ah, Bella... Você não tem noção. Ele é lindo, e bonito, e bom jogador... Mas se sai melhor como um beijador apaixonado. E ele é sexy e quente como o inferno!
— E o quanto de cérebro ele tem, Rose? Porque você mencionou todos os aspectos físicos dele mas... Tem que fazer jus ao teu título do campeonato de matemática, esqueceu? – Bella sorriu, sentindo que havia jogado um balde de gelo na Rose que poderia fazê-la voltar à consciência.
— Bleh, Belluca, pare de ser chata! A beleza dele compensa qualquer ausência de inteligência, você sabe.
— Então você não se importaria se ele fosse um completo débil mental babão? Você nunca sabe onde dorme o perigo.
Rose ficou quieta por alguns minutos.
— Por que você fode com a minha cabeça assim, Isabella Swan? Eu nem o conheci direito ainda!
— Não estou fodendo com sua cabeça, Rose. São apenas conselhos. É bom ficar de olho. Lembra-se do último, Tyler Crowley?
— Por favor, não compare Emmett McCarty à merda que era Tyler! Não faz sentido. E não me faça lembrar da desgraça que era o Crowley.
Sr. Phillip pigarreou, olhando para ambas.
— Há algo que gostariam de compartilhar sobre a matéria, garotas?
Isabella mordeu o lábio inferior, envergonhada e tentando evitar uma risada.
— Estou certa de que não, Sr. Phillip.
— Ótimo. Foi o que pensei. Foco na aula, meninas!
[...]
Após o término de suas aulas regulares, Bella caminhou através do estacionamento para chegar ao prédio 3, onde tinha aulas extras de culinária e canto. O chão estava molhado devido a tempestade que havia tomado conta do céu ainda na segunda aula da manhã. Distraída e com dois fones enfiados na orelha e no último volume, Bella escorregou sobre o uma poça, amaldiçoando-se em voz alta.
— Ah, deixe-me ajuda-la. – a voz suave de um garoto chamou sua atenção, junto com a mão estendida.
— Obrigada. – ela agarrou a mão que ele oferecia. – Eu sou um completo desastre. – esfregava seus jeans na esperança de amenizar a mancha de água, mas não funcionava. Bufou e olhou para cima.
— Acidentes sempre podem acontecer. – ele sorriu. Bella notou aquele garoto na aula de culinária. O único entre tantas outras garotas, e nem elas mesmas se interessavam pela aula. A não ser ela e o menino. – Acho que não sei seu nome.
— Isabella... Quer dizer, só Bella.
— Bella... um nome que faz jus a uma bela garota. – ela riu.
— Trocadilho muito esperto, mas continuo sem saber o seu nome. – A expressão de Masen clareou-se, lembrando-o a pergunta que não precisava ser feita.
— Eu sou Masen Alexander.
— Nossa, é um nome muito bonito, Masen.
Bella e Masen seguiram lado a lado conversando até o prédio 3, onde entraram para a aula cinco minutos atrasados.
— Parece que uma mocinha aqui teve um acidente, a senhora entende, não é, Sra. Carmen? – Masen apontou a calça molhada de Bella, agora sua amiga.
— Neste caso eu entendo. Estou vendo perfeitamente o desastre em que você se encontra querida. A chuva não é uma boa amiga para os desatentos.
— E nem para quem usa rasteirinhas. – Bella esticou o pé e mostrou a faixa da sandalinha esgarçada e marrom. A sala gargalhou.
— É melhor vocês... sentem-se.
Bella sentou-se ao lado de Masen depois de lavar as mãos e prender os cabelos num alto rabo de cavalo. Faziam cupcakes de chocolate e se divertiam. Bella pegou o glacê, após terminado todo seu trabalho, e esfregou na extensão do nariz bem alinhado e esculpido de Masen.
— Ah, sua traidora! – ele encheu a mão de glacê verde e esfregou no rosto todo da garota.
— Masen Alexander! Você não é um garoto muito justo, sabia disso? – ela pegou uma mistura de glacê e chocolate de dentro de um pote e esfregou na cabeça dele, lambuzando o cabelo do garoto.
Carmen olhou para ambos, desapontada.
— Acho que a aula acabou para vocês dois, crianças.
Bella e Masen, envergonhados, retiraram-se da sala e caíram na gargalhada.
— Isso não foi nada legal... – reclamou Bella.
— Concordo... Mas você quem começou...
— Mas você que estragou a brincadeira inocente.
Voltaram a rir. Após alguns segundos, Masen virou-se para Bella, esfregando o dedo no rosto melecado da garota. Ele lambeu. O silêncio fez-se presente por um momento. Pela primeira vez, Bella sentia que o seu desastre havia sido algo bom. Masen era um garoto bom.
— O que você acha de sairmos hoje? Uma lanchonete que o pessoal frequenta... Estilo anos cinquenta.
— Parece bom! – ela sorriu feliz, a imagem de seu primeiro encontro se formando em sua cabeça.
Após receber uma lista de recomendações de seu pai, Bella usava um vestido de bolinhas brancas, sapatinhos pretos e cabelos enrolados por um baby liss antigo. Nunca imaginara-se empolgada para ter um encontro – tampouco toda produzida para um.
Já Masen, havia acabado de passar uma mensagem de texto a Sebastian, dizendo que achara a pessoa perfeita para enganar seu pai. Ela era angelical, encantadora, talentosa e tinha uma voz magnética. Além de parecer desastrada, assim como ele.
Sebastian estava feliz por Masen, apesar de saber que nada daquilo era real.
Masen vestia uma camisa branca enfiada dentro das calças pretas e um suspensório cruzado em x nas costas.
— Onde vai todo engomado, posso saber, Sr. Cullen? – perguntou Edward, vendo o filho feliz e bem arrumado.
— Sair. Um encontro. – ele revirou os olhos, sorrindo, como se a resposta fosse óbvia.
— E ela é bonita? –Edward sondou.
— Maravilhosa... O anjo personificado. – ele sorriu mais largo, tentando conquistar a confiança do pai.
— Isso é ótimo, filho! Cuide-se e não volte tão tarde. Você tem aula amanhã.
— Claro, pai.
Masen saiu porta afora, feliz e dirigindo pelas avenidas até chegar no Clockhouse Rock, onde Bella já o esperava debaixo do toldo vermelho.
— Oh, me desculpe a falta de decência. Eu devia tê-la pego em casa...
— Está tudo bem, Masen. Eu sou apenas uma garota, não significa que não tenho pernas.
O menino corou.
— Que tal entrarmos? – Bella assentiu, a mão de Masen na base de suas costas.
O ambiente fora preenchido com uma música de Elvis Presley que Isabella adorava.
— Oh meu Deus! Masen, nós precisamos dançar! – ela exclamou.
— Vamos lá!
It’s Now Or Never fazia Bella dar rodopios enquanto segurava a mão de Masen e voltar para o abraço dele, rodopiando novamente em seguida.
— Você é linda... Enquanto dança, fica mais linda ainda. – foi a vez de Bella corar. Masen a tinha nos braços e mexia-se de leve, enquanto cochichava em seu ouvido.
A música agitada terminou, quando começou Love Me, do mesmo artista, só para fazê-los ter uma dança lenta.
Bella tinha os braços entrelaçados na nuca de Masen, enquanto ele segurava sua cintura.
— Como eu não conhecia esse lugar antes, Masen? É maravilhoso e estou aqui só há seis minutos. – ela olhou para ele, os olhos arregalados em pura animação infantil.
— Sei como você se sente. – respondeu ele. – Que tal eu cantar um pouquinho para você? “I’ll be sad and blue, crying over you. I would beg and steal just to feel your heart beating close to mine... So close to mine.”
Para dar ao momento sua real emoção, Masen tomou os lábios de Bella nos seus, gostando da sensação experimentada. Os lábios açucarados e gentis de Bella pareciam estar no lugar perfeito. Sua língua curiosa explorava todo o entorno da de Isabella, o beijo sendo agradável para ambos.
Mas claro que não era como com Sebastian. Havia desejo e amor entre eles, mas entre Masen e Bella... havia uma chama. Um amor diferente. Talvez nem amor. Só fogo de palha. Dever cumprido.
A excitação que havia com Bella era oposta à que existia com Sebastian. Era magnético e intenso, mas nada perto do que ele conhecia.
Foi então que Masen sentiu que estava fazendo jus ao seu objetivo. Ele ficaria com Isabella, afastaria qualquer suspeita que seu pai pudesse ter, e poderia ficar com Sebastian também. Podia amar Sebastian sem se preocupar com um disfarce.
No entanto, em nenhum momento, Masen pensou na possibilidade de Isabella apaixonar-se. E ele esperava profundamente que não.
Para Bella, Masen era seu primeiro beijo. Porém faltava alguma coisa, e ela nem sabia o quê. Não queria se apaixonar, não era seu objetivo. Não eram para ser mais do que amigos, mas ela sabia que se colocasse essa barreira nos seus sentimentos, talvez fosse mais fácil lidar com os de Masen, fossem eles o que fossem.
E então, o plano de Masen e Sebastian era posto à prova. Provavelmente ambos não se apaixonariam, mas seguiriam enganando um ao outro.
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