The Vampire And The Maid: Akai
14 Third cut
Notas iniciais
Loucura. Sorrir sem motivo, um sorriso vazio, lágrimas de dor, embora nada sentisse alem do aperto no meu coração. Já pouco me importava com o que poderia ser certo ou errado, os loucos não ligam para ética ou moral, talvez seja por isso que os loucos sorriem, mesmo quando a morte lhe sussurra aos ouvidos.
Podia ouvi-lo:
–O sangue dele é como um veneno, pode melhorar as habilidades de quem bebê-lo, mas... É perigoso
Sua expressão era fechada, logo ele que sorria por tudo:
–Eu já provei, me deixou forte, mas não me matou por pouco, isso por que sou um lobisomem puro sangue
Uma loucura, foi isso que eu pensei naquela hora. Se ele sobreviveu...
–O sangue dele vicia e, durante muitos anos, ele me subjugou por conta do meu vicio...
Vicio? Eu sou forte, posso lutar contra isso
–Depois de prová-lo, seu mundo se torna pura escuridão
Agora eu estava perdida nela. Uma dor insuportável tomou-me, como se houvesse fogo em minhas entranhas, minha visão escureceu e, por algum tempo, meu mundo se tornou trevas. Vomitei sangue, uma, duas, três vezes. A dor era insuportável, eu gritava, minha cabeça parecia estar se partindo ao meio.
–Não posso deixar que atrapalhe – minha visão se tornou turva, mas conseguia vê-los.
Usui tentava chegar até mim, mas Naraku não deixava. Não precisava da minha visão completa para saber que o lobisomem estava sorrindo.
Cravei as unhas no chão, arranhando deixando marcas no piso próximo a poça de sangue. Uma nova pontada de dor me fez gritar. Gritei o máximo que pude, até sentir minha garganta em brasas, mas no fim, meu corpo parecia fogo vivo.
Mais um grito, aquilo me enlouquecia. Tentei chegar perto dela, mas a espada negra foi ao meu encontro. Golpes vinham em minha direção e, tudo o que eu podia fazer era desviar ou me defender. Queria ajudá-la, mas tudo o que fazia era ouvir seus gritos. Tentei afastá-lo; inútil. Por quê? Por que ela fez isso? Era loucura.
–Fique calmo – aquele maldito sorria, estava parado entre nós, um abismo entre eu e Ayuzawa. — A essa altura um lobisomem normal já estaria morto, talvez até um vampiro normal, mas ela... — ele apontou a katana na minha direção — Ela tem seu sangue dentro dela, o sangue de um vampiro puro e é isso que a mantém viva
Ataquei de novo, por um momento cogitei que ele poderia ter baixado a guarda, porem me enganei amargamente. Meus golpes foram defendidos, facilmente por sinal. Eu estava perdendo o foco e já não me concentrava no que fazia. O aço negro me cortou e só então percebi que de nada adiantaria. Recuei, meu braço sangrava, porem quase não sentia dor. E ele sorria; eu tinha ódio. Queria matá-lo, fazê-lo sumir. Meus olhos foram até Ayuzawa.
E novamente fui surpreendido. Golpes foram desferidos e, novamente, só pude defendê-los. Recuei mais alguns passos e ele ergueu a katana, eu poderia defendê-la facilmente, porem um vulto apareceu entre nós e Naraku foi golpeado, fazendo-o voar até a parede mais próxima.
Demorei a reconhecê-la. Quando ela olhou pra mim tive uma sensação estranha, mas também senti certo alívio por vê-la de pé. Não parecia com a Ayuzawa de sempre, porem. Seus olhos foram tomados de negro – até onde antes havia o branco – suas presas estavam maiores, ao ponto dela nem se quer conseguir fechar a boca, suas orelhas pareciam de lobo e suas unhas estavam enormes, sangue lhe manchava os lábios e até mesmo havia uma calda. Parecia um filhote de lobisomem, embora ainda tivesse um jeito de vampira. Apesar de tudo, ainda estava perfeita.
E ele me olhava como se nunca tivesse me visto. Estreitei o olhar:
–Não me olhe assim – o repreendi.
Minha voz estava rouca e era um pouco estranho falar com aquelas presas, porem, apesar da dor que havia sentido, agora me sentia estranhamente bem. Podia sentir o mais singelo dos cheiros, ver o mais simples gesto, fui rápida e me sentia mais forte do que nunca. Sim, era um veneno, mas me fortaleceu mais do que poderia imaginar.
–Que interessante – foi um sussurro por parte de Naraku, mas escutei perfeitamente.
Voltei o olhar a ele. Sua katana negra estava no chão e ele caminhava tranquilamente. Meu golpe foi certeiro e tive a certeza de ter perfurado seu abdômen, apesar disso, ele levantava como se meu golpe tivesse sido inútil.
–Por um momento, eu realmente achei que você iria morrer – seus músculos dos braços ficavam maiores, suas presas cresceram e uma grotesca mistura de lobo com homem se formou, seu rosto era o mesmo, mas seus braços e pernas se tornaram maiores e uma enorme calda se formou – Parece que, você bebeu bastante sangue dele – um sorriso macabro percorreu seus lábios.
Pegou uma claymore que estava na parede. Era incrivelmente grande e, no entanto, Naraku a segurava com apenas uma mão. A ponta da claymore foi ao chão, fazendo uma cratera onde havia piso, era aço puro e seu cabo era grosso.
–Vamos brincar um pouco – ele sorriu, sumindo
E reapareceu na minha frente. A claymore desceu com força, mas consegui esquivar, Usui o atacou pelas costas. A katana do loiro fez um corte considerável. Era estranho, apesar dos músculos, sua pele parecia ser mais frágil do que a dos lobisomens modificados. Mas então ele se virou com um punho fechado, acertando Usui. E fora então nessa momento que percebi. Seus músculos endureceram no momento do ataque. Então, se ele podia transformá-los daquela forma, ele estava recebendo danos por que queria.
Era uma possibilidade perturbadora. Usui caiu. Eu ira até ele, protegê-lo, porem o alvo de Naraku não era o loiro. Ele foi rápido, pude ver seus movimentos, embora não conseguisse desviar. Seus dedos se fecharam em torno do meus pescoço, me erguendo do chão com tremenda facilidade; ele nem parecia estar fazendo força. Senti dor no local. Não morreria sufocada, porem ele poderia simplesmente esmagar meu pescoço.
–Poucas pessoas ficam bonitas como híbridos, mas confesso que em você ficou perfeita – apertou um pouco mais, tentei cravar minhas unhas no braço dele, mas o músculo daquela região pareciam ferro – Eu vou adorar me divertir com você
Ele apertaria mais, contudo Usui desceu sobre ele com aço, atravessando seu cotovelo. Metade do braço de Naraku caiu e ele recuou de imediato. Aproveitei a guarda aberta e golpeei seu estômago, penetrando o máximo que pude de minhas garras com uma mão e com a outra o acertei de punho fechado, colocando força para arremessá-lo. Naraku quebrou uma parede e escombros da mesma o cobriram.
Olhei para o que restara do braço dele, os músculos dali estavam duros e grandes:
–Como você-
Usui estava ao meu lado. Havia machucado a cabeça e sangue lhe escorria manchado a testa e um dos olhos. Apesar disso, parecia bem.
–Ele não endurece todos os músculos. Ele consegue concentrar a força em uma parte, mas não em tudo. Quanto mais ele concentrar, mais forte o músculo fica, porem menor é a região afetada. Seu braço podia ser duro como o aço, o ante braço porem, estava mais fraco. — isso explicava também o fato do abdômen dele ter sido penetrado por minhas garras.
Um estrondo nos chamou atenção. Naraku se erguia dos escombros. Seu abdômen estava manchado de sangue, mas os furos que fiz já não estavam lá; seu braço ainda estava cortado.
–Muito inteligente. O esperado de Usui Takumi. Mas você ainda nem se quer viu metade de meus poderes – ele ainda segurava a claymore com a outra mão – os poderes de um híbrido são bem mais vastos do que isso. Bem, de fato eu não posso endurecer todos meus músculos ao máximo, mas posso deixar todos tão duros quantos os lobisomens modificados, posso ser mais rápido do que pode imaginar, posso me alimentar do sangue e da carne de vocês – ele levantou aquilo que sobrara de seu braço, sangue borbulhou da ferida e, em segundos, o sangue tomava a forma de seu antigo membro perdido – E posso curar feridas que vocês jamais poderão – e o sangue se tornou carne, pele e enfim voltou a ser o que era.
Usui se mantinha firme, mas o cheiro do sangue dele me chamava e me peguei desejando mais. Dei alguns passos e, sem perceber, ia até ele:
–Você quer mais, não é? — Naraku maliciosamente
–Só um pouco... — sussurrei, hipnotizada
Dava passos para a boca do lobo e só parei quando Usui me abraçou por trás, me segurando segundos antes do corredor superior desabar sobre minha frente. Fiquei paralisada. Mais alguns passos e eu provavelmente seria esmagada. Sobre os escombros do corredor, havia um homem, não me era estranho, porem não o reconhecia.
–Esta atrasado, Yomi – disse Naraku
O corredor superior havia cedido de uma vez e fora só então que percebi que sua pontas haviam sido explodidas para que toda a estrutura pudesse cair. Estava tão cega pelo sangue que não vi o perigo eminente. E mesmo assim, ainda o desejava:
–Eu preciso... Só mais um pouco – Usui ergueu a katana na minha frente
O aço estava coberto pelo sangue de Naraku. Lambi a lâmina sem hesitar ou pensar nas conseqüências. Sim, era um vício, mas eu precisava.
–Se é sangue que quer, apenas me peça – sussurrou Usui enquanto me alimentava do rubro de sua lâmina – Mas por favor, não seja descuidada
Com o máximo de cuidado que minha cede me permitira, limpei a lâmina, ou boa parte dela:
–Não vai acontecer de novo — meio hesitante, ele me libertou.
–Aquele homem – Usui começou, olhando para o rapaz de vermelho sobre a pila de concreto quebrado – É um dos lacaios mais próximos dele
O tal lacaio retirou do bolso do sobretudo uma seringa e a aplicou ali mesmo, de maneira brusca no próprio braço:
–Que o show comece – sussurrou antes de se transformar.
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