The Vampire And The Maid: Akai
3 I will back
Notas iniciais
Ayuzawa –
Rolava de um lado para o outro sem encontrar vontade pra dormir. Passavam das quatro da manhã, contudo me sentia cheia de energia; tal como um humano se sentiria as quatro da tarde. Depois de inúmeras tentativas infrutíferas de pregar os olhos entreguei os pontos e sai da cama. Abri a janela e observei a lua, tão bela e cheia. Desde que me tornei vampira, passei a ter uma antipatia inexplicável pela lua cheia. Por mais que fosse bonita, eu passei a sentir algo de ruim ao olhá-la. Fechei as cortinas bruscamente e me joguei a cama. Pelo andar dos fatos, provavelmente passaria o dia dormindo, o dia da minha folga; menos mal. Voltei a andar sem rumo pelo cômodo e por fim desci, já que não consigo dormir, talvez seja melhor ver televisão.
Usui –
Batia meu pé ao ritmo do nervosismo. Olhava a paisagem exterior, mas não prestava atenção em nada em particular. Passavam das três e meia da manhã quando Gerard me ligou e pediu para ir até ele. Mesmo com toda minha insistência, ele não disse o motivo, mas eu tinha quase certeza de que eram noticias ruins; na verdade péssimas. Arrumei-me o mais rápido que pude e busquei Miyazono, sejam quais forem as noticias, posso precisar da ajuda dela. A loira estava ao meu lado tão inquieta quanto eu:
—Francamente, se for uma brincadeira do Gerard ele vai se ver comigo – Resmungou a loira – Estou nervosa – se remexeu – ele não te disse nada?
—Pela milésima vez, não – estava a ponto de perder a paciência.
A loira bufou:
—Você não pode ir mais rápido! –rugiu para o motorista
Yukimura era um bom empregado, mesmo sendo humano e alheio as minhas reais condições. Depois de tanto tempo a meu serviço ele acabou se acostumando a acordar de madrugada e dormir durante o dia; parecia uma cria de vampiro. Um bom motorista, mas de longe o mais rápido:
—A estrada esta coberta de névoa – respondeu nervoso – não posso ir mais rápido que isso.
Por mais que estivesse tão inquieto quanto à loira, não tinha a intenção de protagonizar um acidente a essa hora. Mesmo que pudesse sair ileso, não pretendia colocar a vida de Yukimura em risco, tão pouco a de terceiros. Fosse como fosse, Gerard podia esperar um pouco mais.
Depois de mais alguns minutos, que julguei ser uma eternidade, enfim chegamos ao local onde Gerard se encontrava; um cemitério ha muito abandonado que se localizava em uma serra. Para acessá-lo, saímos da estrada principal para seguir um caminho de terra batida entre arvores que pareciam vivas graças aos ventos fúnebres que as balançavam. Quando Yukimura estacionou, pedi para que ficasse no carro, seja o que for, seria melhor que ele não visse nada. Meio temeroso, ele assentiu.
Miyazono foi à frente, parecia mais curiosa do que preocupada. Logo que entramos no cemitério, vi alguns dos seguranças do meu irmão posicionados em pontos estratégicos; foi à confirmação de que algo estava errado. Os muros que rodeavam o cemitério estavam quebrados, assim como algumas estatuas que ficavam nos túmulos. Tampas de pedra estavam rachadas ou jogadas ao chão, ao passo que alguns pontos estavam quase completamente cobertos por uma grama que alcançavam a altura de meu joelho. Algumas covas estavam abertas e arvores secas e quase mortas serviam de poleiro para alguns corvos que silvavam frustrados por nossa presença. O lugar tinha cheiro de terra batida e decomposição. Embora o aspecto do lugar fosse de completo abandono, em alguns pontos a terra parecia ter sido revirada recentemente e, julgando pela maneira de algumas covas, diria que foram abertas ou até mesmo cavadas recentemente.
Gerard estava sentado sobre a tampa de um tumulo e ao lado dele estava Cedric, com o rosto imóvel, quase como uma das estátuas do cemitério. Miyazono falava com ele quando me aproximei:
—Seja como for, fala logo por que nos chamou aqui – Disse a loira
—Não chamei você, chamei meu irmão — respondeu num tom brincalhão e foi o suficiente para fazer a loira ficar vermelha de raiva
—Por que me chamou? – indaguei antes que a loira pudesse retrucar
—De uma olhada no que achamos – ele apontou para uma cova aberta a frente dele.
Aproximei-me da cova e logo de cara vi um corpo aberto, praticamente retalhado, contudo observando melhor, notei que haviam restos de mais de um corpo jogados na cova, que aparentava ter sido aberta recentemente. A carne ainda estava fresca e não havia sinal de decomposição; não podiam estar lá mais de algumas horas a julgar pela aparência:
—Isso explica por que há corvos em um cemitério abandonado. Os conhece?
—Não, mas repare bem nos ferimentos – continuei olhando os corpos – Essa selvageria... Aonde foi que vimos isso?
Um estalo de memória se fez presente, aquele estado monstruoso, corpos assim foram encontrado aos montes na guerra que travamos contra os lobisomens. Os malditos animais modificados não se limitavam a apenas matar suas vitimas, destrinchar e retalhar a carne ao ponto da vitima ficar irreconhecível era típico deles, e o estado daqueles corpos, realmente parecia obra desses animais.
—Acha que foram eles? –indaguei
—Tenho uma leve certeza – ele pegou um cigarro e o acendeu – Mas o boletim de noticias não para por ai. – ele apontou para outros túmulos – a maioria dos túmulos esta assim, as covas abertas são recentes e essa seria fechada se não tivéssemos os surpreendido.
—Sabe disso desde quando?
—Não sabia, tinha suspeitas – me corrigiu antes de da um longo trago no cigarro – Coloquei alguns de meus homens aqui há dois dias e desde então seis covas foram carregadas com cadáveres, nem me pergunte quantos mortos. – mais um trago – Então hoje capturamos dois homens que estavam descarregando mais corpos.
—Onde eles estão?
O moreno apontou para dois corpos jogados sobre uma tampa de pedra quebrada.
—Você os matou? – indaguei crédulo. A essa altura, precisávamos de respostas e dois cativos seriam mais do que suficientes para nos passarem informações.
—Toma-me como burro? – indagou com um leve sorriso – Esses ai foram bem fieis ao patrão deles. Se mataram antes que pudéssemos fazer qualquer pergunta.
Um vento frio e lamentoso nos acolheu. Miyazono colocou a mão sobre as mechas loiras que dançavam ao som da brisa gélida:
—Então só temos um cemitério de cadáveres retalhados? – a voz da loira saiu baixa e sem indícios da energia que carregava há alguns minutos.
—Quase isso, tenho certeza que os lobisomens estão por trás disso, mas não posso afirmar que são as mesmas feras que enfrentamos – tragou o cigarro uma ultima vez antes de apagá-lo na pedra fria da tampa do tumulo – Mas seja como for, eles andam se movimentando, fazendo algo e, ao julgar pela ação desses dois – apontou para os corpos dos suicidas – deve ser algo grande.
—E o que devemos fazer? – indagou Miyazono.
Eu me abaixei próximo a borda da cova, ainda fitava os cadáveres. Meu irmão podia ter uma leve certeza, mas eu posso afirmar que foram sim aquelas coisas. Depois da guerra, julgamos ter acabado com todos. Era uma experiência nova pelo que parecia e apenas três alterados se tornaram suficientemente monstruosos, mas pode ser que outros estivessem em qualquer outro esconderijo. Contudo isso estava muito estranho. Depois do ocorrido vasculhamos inúmeros locais na floresta e até nos arredores de cidades alheias, nas cerras e em terrenos abandonados, vasculhamos qualquer lugar que pudesse servir como esconderijo ou laboratório improvisado para eles; independente do pudesse acontecer, se eles voltassem, não teriam uma base próxima a nós. Mas agora, de repente, aparece cadáveres aos montes bem próximo a nós.
Era frustrante pensar que tantas medidas de precaução não estavam sendo tão efetivas quando poderíamos precisar. Mesmo que esse cemitério estivesse começado a ser usado recentemente, ainda sim não tirava o sabor da frustração e o pior, deixou um amargo sabor de impotência. Sabemos que algo esta por vir, mas tão pouco sabemos e o que se pode fazer com tão pouca informação?
—Bem eu já tomei algumas precauções. Há homens meus espalhados por toda a serra, se eles pensarem em chegar perto serão capturados e dei instruções precisas para que os capturem rápido o suficiente para que não dar tempo para se matarem.
—Eu não acho que algum deles vá abrir a boca – disse a loira
—Eu também não, mas seja como for, não custa tenta – respondeu Gerard se levantando, depois se espreguiçou longamente, parecia um pouco cansado – O sol nascera em breve – passou um olhar rápido pelo céu e depois se voltou para mim – Seja como for, daqui pra frente estamos em estado de alerta. Avisaremos a todos os puro sangue da região e entregarei pessoalmente um relatório para o conselho. Enviei algumas amostras desses corpos para pesquisa e o resultado sai em breve – ele suspirou. Meu irmão podia parecer às vezes despreocupado ou até mesmo irresponsável, mas ele sabia desempenhar um bom papel como puro sangue de uma família nobre, papel esse que nunca cairia bem em mim – Agora, por favor, sejam os cuidadosos, eles viram atrás de vingança e não podemos nos dar o luxo de baixar a guarda. Eu irei até a casa do Aoi, os avisarei pessoalmente.
—Eu vou com você – disse. – Mas preciso que faça um favor pra mim – ele me olhou meio confuso – Ayuzawa esta em casa hoje, não posso ir até lá de dia, mas sei que tem humanos a seu serviço
Ele sorriu:
—Já entendi, mandarei alguns ficarem vigiando a casa dela, não se preocupe.
—Mais tarde falarei com ela – suspirei pesadamente.
Aquela situação me incomodava bastante. Eles podiam estar mais fortes ou em maior quantidade, seja como for, não pretendo colocar Ayuzawa no meio da guerra de novo. Contudo eu a conheço suficientemente bem pra saber que nada faria ela recuar ou se esconder. Deu um leve sorriso quando a lembrança daquela noite me veio à mente, ela estava linda com aquele vestido, e foi forte. Ayuzawa é astuta e forte, isso eu não posso negar, mas saber disso não me deixava menos preocupado.
Ayuzawa
Não dormi a noite e o resultado foi uma tarde em coma no sofá. Dormir tão pesadamente que o sofá ficou marcado e cheguei a babar, meio nojento, mas eu estava realmente cansada. A noite sai pro mercado, tinha pedido pra minha mãe deixar as compras pra mim, mas pedi pra ir à noite. Alem do cansaço, não podia sair de dia e, embora ela não soubesse disso, aceitou.
O dia foi de intenso sol e calor e a noite o calor continuou presente, contudo com menos intensidade. Estava passando pela praça, já havia feito as compras. O local me trazia uma leve lembrança do dia em que tentaram me atacar, o dia que eu descobri a real natureza do meu patrão. Não se passou muito tempo desde então, mas às vezes parece ter se passado anos. Estava tão alheia a minha volta que acabei esbarrando em alguém. A sacola foi ao chão e algumas frutas rolaram para não muito longe. Me abaixei pra catá-las e, quase ao mesmo tempo a outra pessoa se abaixou para me ajudar:
—Me desculpe – disse o rapaz enquanto catava algumas maçãs
—Tudo bem – respondi
O rapaz parou de catá-las e me fitou. Eu parei e o encarei, ele me olhava confuso e algo nele rosto parecia familiar:
—Misaki? – perguntou pausadamente.
Eu pisquei algumas vezes e levei um tempo para reconhecê-lo, mas quando ele sorriu e me abraçou eu por vim e reconheci:
—Shintani? – hesitei em retribuir o abraço, foi tão rápido que levei um tempo para assimilar
Ele se separou de mim e colocou as mãos sobre meus ombros:
—Há quanto tempo Misaki! – ele sorria – E então como esta? Como tem vivido? Sua irmã ta bem? Terminou os estudos? Esta trabalhando? Tenho tantas perguntas
—Eu percebi – o olhava meio confusa, foram tantas perguntas que só conseguia responder as duas primeiras
—Temos que colocar o papo em dia e – ele parou por um tempo e olhou para o céu nublado, seu sorriso morreu junto com um trovão – Droga parece que vai chover – algumas gotas de água já caiam com certa violência – Desculpe Misaki, adoraria te acompanhar até em casa, mas tenho que ir – catou as ultimas frutas que ainda estavam no chão e as colocou nas sacola. – Até mais – saiu correndo e logo eu já não o via.
Fiquei um tempo parada e a chuva já caia mais intensa. Senti uma presença próxima a mim e logo um guarda-chuva me acolheu:
—Não deveria ficar na chuva, Ayuzawa – o guarda-chuva do Usui estava mais me protegendo do que a ele.
—Sempre me perseguindo não é? – o olhei – o que quer?
—Percebi que iria chover e pensei que seria uma ótima oportunidade para ter um encontro de baixo do guarda-chuva com você *– sorriu quase que inocente
—Seu pervertido – murmurei.
O sorriso do loiro sumiu e uma expressão seria o tomou:
—Precisamos conversar.
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