The Truth Untold
2 Midle.
Notas iniciais

Jin acordava cedo. Constance designou funções para nos dois, o suficiente para não nos encontrarmos ao logo do dia, a não ser nas refeições. Eu não conseguia parar de pensar nele como um todo. Seu rosto, seus cabelos, sua boca e principalmente seu corpo. Algumas vezes passando pela marcenaria, eu podia ver ele suado. A camiseta de linho fino pedia permissão para se juntar ao seu corpo. O meu corpo estava estranho desde que ele chegou. Será que é essa curiosidade que a Constance se referiu?
Subi para o telhado da torre mais alta para poder ver a cidade, ele parecia ter encontrado.
—Gosta da vista?
Eu me assustei.
—Gosto. Me pergunto se eles são tão ruins como a Constance diz.
—Sim, eles são. Acredite.
—Por que estava machucado Sr. Jin? O que fizeram a você?
—Eles tem suas regras… Eu quebrei uma delas e fui punido com a morte… Mas consegui escapar.
Levei as mãos a boca ouvindo aquilo.
—Seu machucado sarou?
Levei minha mão até a parte ferida. Ele fechou os olhos e suspirou.
—Machuquei você?
Ele permaneceu de olhos fechados.
—Você me fez tantas perguntas, retribua. Por que a máscara? O que esconde?
Ele levou a mão até a máscara. Senti meu rosto queimar. A outra mão dele foi ate o laço que prendia a máscara ao meu rosto. Os olhos dele finalmente se abriram. Eu estava tão perto, que o ruido da respiração dele, parecia estar audível em todo castelo. Por um momento o mundo parou. Meu coração batia de forma descompassada. Ele parou.
—Você quer me deixar ver?
Ouvimos passos na escada.
—Não vou despir a sua alma, na esperança de explicar pra minha, o porque de você está escondida nesse castelo enorme. Não sou como eles.
Ele olha pela janela.
—Nunca fui.
Em um movimento totalmente involuntário, levanto a minha mão e toco o rosto dele. Ele abaixou a cabeça envergonhado e sorriu.
—Você já foi…
Pigarro.
—Amado?
Os olhos dele se encontraram com os meus. Ele pegou a mão que eu havia depositado em seu rosto e a fagou com os lábios. Explodi com a sensação naquele momento.
—O que você pensa que está fazendo?
O empurro fazendo cair. Ele fica sem graça e começa a gaguejar.
—E-Eu… Me perdoa… E-Eu…
Sai correndo em direção ao meu quarto. Estava me aproximando eu vi uma bandeja de frutas jogada no chão. Constance nunca permitiria que uma bandeja ficasse daquele jeito no chão. Quando me aproximo, vejo Constance desacordada no chão frio do palácio. Vou correndo até ela.
—JIN, ME AJUDA!!!
Ele vinha logo atrás e se juntou a mim. As lágrimas corriam sem que eu percebesse, Jin a pegou no colo e a levou até os aposentos dela. Ficamos lá a noite toda. Sabíamos que ela não estava morta, mas algo muito ruim estava acontecendo. Quando o sol ameaçou seus primeiros raios pela manhã, vi que ela começou a se mexer. Jin estava jogado no chão perto da cama, ele ficou ali, não saiu nem por um segundo. Eu estava vendo o dia raiar pela janela, imaginando mil e uma possibilidade de um dia ter que viver ali sem a Constance. Isso me apavorava. Voltei a ela, e ela me olhou com dificuldade.
—O que h-houve?
A voz dela mal saiu. Jin acordou e desajeitadamente. Foi até engraçado, não fosse o momento.
—Encontramos você desmaiada na cozinha, ontem a noite. Trouxemos você para cá, não houve muito que pudéssemos fazer.
Jin disse com pesar nos olhos.
—Eu sinto muito por isso, crianças. Agora estou melhor, já posso voltar…
—Não. Nos podemos cuidar de tudo. Você precisa descansar…
—Precisa de um médico…
Jin falou ainda triste.
—Não preciso não. Vai ficar tudo bem. Talvez um dia de folga, não seja tão ruim.
—Eu vou preparar o café da manhã.
—Eu vou buscar água e colher algumas coisas para o almoço.
—Jin, fique um pouco, preciso falar com você.
Achei estranho, mas preferi dar privacidade a eles. Depois do café da manhã, Constance adormeceu de novo. Eu fui até a horta pegar algumas coisas para o almoço. Jin voltava com duas lebres nos ombros, ele estava sujo como quem havia caído com a cara na lama. Eu sorri.
—Posso ver o seu sorriso através da sua máscara.
Ele também sorriu. A veia do seu pescoço saltava quando ele fazia isso.
—Você estava rolando no chão com as lebres?
—Sabe o quão difícil é pegar uma lebre?
—Sei, eu sei caçar, e nunca cheguei parecendo um porco do mato!
Sorri de novo. Ele tirou a camisa suja. Aquela sensação de que meu corpo ia explodir naquele exato momento, voltou. Ele se aproximou de mim com uma bola de lama na mão.
—Não ouse.
—Vou te dar a vantagem de correr… 3,2…1
Corri em direção ao jardim, ninguém conhecia aquele lugar melhor que eu. Me abaixei próxima a macieira e fiquei somente ouvindo meu coração bater. Sentia uma euforia tão intensa, que deu vontade de gargalhar. Ouvi um galho quebrar e corri na direção oposta para me afastar dele, mas esbarrei em seu peito e ele me segurou rindo. A risada dele parecia a de uma carroça enferrujada, isso me fez gargalhar junto. Ele me sujou com a lama.
—Constance vai colocar nos dois de castigo.
—Me diz se esse momento não vale a pena.
—Você já foi?
—Fui o que?
Permanecia em seu peito.
—Amada…?
—O mais perto que cheguei do amor, foi o amor de Constance. Eu diria que também o da minha mãe, mas o que sei sobre ela é só que por amor a mim, ela me prendeu nesse castelo para sempre.
—Eu sempre pensei que o amor libertasse.
Olhei em seus olhos.
—Tem o amor que eu não conheço, nem sei como é na verdade. Tudo o que eu sei, é o que li.
—Você leu? Livros proibidos?
Ele ficou vermelho.
—Constance me ensinou tudo o que eu precisava saber. Sobre meu corpo também. Você ler sobre um legume, não é como comê-lo. Então eu fico confusa sobre muitas coisas.
—A inocência é um dom, mantenha isso, Helena.
Quando ele me chamava por meu nome, é como se uma porção de borboletas ficassem eufóricas dentro de mim.
—E se eu quisesse descobrir?
Ele ficou mudo.
—Acho que devemos entrar, esta escurecendo, preciso preparar as lebres e nos limpar.
Ele se afastou. Parecíamos ter achado o vazio novamente.
—Jin…
—Sim.
Levei minha mão até o seu abdômen. Ele suspirou e fechou os olhos. Eu quis saber como são os lábios dele, como seria esse novo experimento. Foi o único que não foi feito. Quando ele abriu os olhos novamente, eu estava muito próxima dele.
—Não quero que seja desse jeito.
Eu fiquei envergonhada da minha atitude.
—Me desculpe.
Afastei sentindo meu rosto ficar corado.
—Eu sei que todo o seu calor é real. Eu preciso saber se o que você quer é mais do que desvendar as suas emoções, por isso não retirei a máscara. Que não seja por curiosidade. Que seja por aquilo que nunca foi sentido.
—Mas eu nunca senti nada, como vou saber?
—Você saberá!
Ele sorriu. Mesmo de costas eu podia sentir o sorriso dele. Ele pegou em meu cabelo, o cheirou e sorriu. Em seguida segurou minha mão e colheu uma das flores mais lindas do jardim. Tinha tons azulados, um jacinto bem aberto. Colocou em meus cabelos.
Parecia um sonho. O medo de novo.
Fui ajudar a Constance a se arrumar para o jantar. Eu cantarolava uma antiga canção que Constance costumava cantar para mim. Ela me olhava pelo espelho.
—Está apaixonada por ele… Não é?
—Constance…
Ruborizei.
—Eu sei como é… É como se o dia ficasse melhor cada vez que ele aparece no cenário. O corpo fala Helena, o seu está gritando.
—Então isso é a paixão?
—Sim, criança. Isso se chama paixão. O fogo que arde sem ver. A estrela cadente no céu, o breve fascínio e… Some.
Pisquei perplexa.
—Some? Eu pensei que ficasse.
—O amor fica.
A senhora suspirou.
—Eu me apaixonei assim uma vez.
— O Homem que te machucou…
—Sim. Eu o amei tanto, que decidi me dar por completo a ele.
—Por que o amor te machucou? Você fala do amor como algo tão bom, doce, puro e leve… Isso não se parece nada com o que você fala.
—O amor é assim, Helena, doce, puro e leve… As pessoas, as pessoas não são. Quando eu estava noiva do monstro que me marcou, eu conheci alguém. Sabíamos que nosso amor era impossível,
Mas eu estava apaixonada. Me entreguei a ele. Eu estava grávida.
—Gravida? Pensei que…
—Eu fiz você pensar assim. Mas de fato, eu não podia engravidar do monstro que marcou meu corpo. Mas eu engravidei do homem quem amei. Os pais dele me prenderam, me esconderam, fizeram ele pensar que eu havia abandonado eles dois.
—Você deu a luz…
Eu estava assustada.
—Eles machucam o que não entendem, querida.
Ela estava em lágrimas.
—Por anos eu fiquei trancada naquele lugar. Eu via a luz do dia apenas por uma pequena janela. Implorei, gritei, chorei, até secar. E decidi que morreria ali. Sua mãe tinha a sua idade quando me tirou de lá, no meio da noite. Viemos para casa de seus avós e ela disse que queria uma dama. Eles aceitaram. Eu sobrevivi. Voltei para encontrá-lo. Ele estava casado… Feliz. Meu filho já estava grandinho, lindo…
Ela parou e enxugou as lágrimas.
—Eu criei você desde a morte de sua mãe. Como se fosse minha. Minha menininha. Mas nada supria a falta do meu pequeno. Imagina a surpresa, quando um moço das mesmas características do meu filho, vem parar no nosso jardim? Mas eu percebi quem ele era. Percebi que era meu filho. Tinha a mancha, eu vi a mancha.
Ela chorou de soluçar.
—Jin é…
—Sou.
Ele estava na porta.
—Sou filho dela, Helena.
—Kim Seok-jin… O nome que eu havia te escolhido.
Eu estava perplexa, mas mãe filho haviam se encontrado… Eu estava apaixonada pelo filho da Constance?
—Meus avós queriam que eu me casasse. Eu não podia. Meu pai disse que não tinha problema, que eu podia escolher amar. Mas o meu avô jamais aceitou isso. Na tentativa frustrante de me prender a alguém por mais dinheiro no reino, o Rei, meu avô programou meu casamento em uma festividade, me pegando de surpresa. Eu montei meu cavalo e fugi, o mais rápido que pude, mas no meio do caminho fui pego por alguns soldados. Meu pai distraiu alguns soldados, e eu corri, mas meu avô empunhava a espada da família. Foi por muito pouco eu não ter morrido. Ele sabia aonde te encontrar, mãe. No entanto, eu não sei o que meu avô fez a meu pai. Temo que ele…
Constance soltou um grito de desespero e as lágrimas caiam. Não tinha certeza se eu ficava triste ou feliz. Vê-los daquele jeito partia meu coração, mas também ver eles juntos me dava esperança.
—Eu estou morrendo, Helena.
—Ah, por favor, não fale besteira Constance…
—É mãe, viverá tempo o suficiente.
—Talvez para ver vocês dois se casarem?
Nos olhamos e rimos. Não era uma má ideia. Deixei os dois no quarto, recuperando o tempo perdido. Fui até a biblioteca. Era pacífico também. Um castelo tão grande para duas pessoas, quer dizer, três… Eramos uma família? Não sei, mas a possibilidade de estarmos juntos, já me deixava muito feliz.
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