Notas iniciais
Não consegui esperar até sábado. Estou postando mais um capítulo para vocês meus amores vermelhos. Tudo para o vosso deleite. Xoxo - Ruiva (Red).

Os dias eram tão felizes desde a chegada dele. Constance sempre mantinha no rosto o sorriso que escondia antes do moço chegar. Eu cada vez me sentia mais perdida dentro de mim. Cada toque, cada sorriso, e eu nem queria que ele sorrisse pra mim, ou olhasse para mim. Havia tanta ternura dentro dele, ou dentro de mim… Difícil explicar. Começamos a passar mais tempos juntos. Íamos para a biblioteca, pro telhado, e a maior parte da tarde, o jardim. Passamos a acordar mais cedo e adiantar nossas tarefas, para curtimos um ao outro. Já havia se passado seis meses desde a chegada dele aqui. Dia após dias eu sabia que o que eu sentia era amor. O olhar dele era como poesia do universo, seu sorriso como o toque das flores ao desabrochar, sua pele o linho mais fino e o seu toque como uma chama de fogo azular. Ao mesmo tempo que eu me sentia feliz por me sentir dele, eu me sentia triste. Enquanto nosso amor se fortalecia através de olhares e toques discretos, Constance se enfraquecia.

—Fale para ela.

—E se ela não quiser? A convivência se tornará ruim aqui.

—Você tem que dizer a ela, Jin.

—Mãe…

Entrei na sala e os dois sussurravam. Ele ficou extremamente vermelho.

—Diga.

Constance empurrando ele.

—E-u queria saber se… Casa que você comigo?

Ele falou tão rápido que eu não entendi. Constance riu e revirou os olhos. Eu imaginava o teor da pergunta, mas não acreditava que poderia ser o que eu estava pensando.

—Filho…

Ele segurou em minhas mãos.

—Eu não sou muito bom em palavras Helena.

Ele respirou.

—Quando eu vi você aquela noite no jardim, eu pensei que havia morrido, e seres celestiais haviam vindo julgar os meus erros. Mas quando pude te ver de verdade… Meu coração acelera quando você tá por perto, meu corpo me trai, e quando você não está perto, eu sinto o vazio instaurado. O que eu quero dizer, é que eu sinto por você, aquilo que nunca foi sentido.

Levei as mãos a boca, pensei que meu coração sairia pela mesma.

—Casa comigo…?

Constance tinha um anel que sempre andava em seu pescoço. Acredito que havia sido dado pelo pai do Jin, e era o mesmo que ele tinha nas mãos. Eu só havia lido em livros, porém, aquele momento foi melhor que uma boa leitura em uma biblioteca vazia. Eu olhei para Constance, e ela chorava, talvez o visse em mim, visse o tempo que perdeu quando machucaram ela, tiraram seu amor e seu filho dela. Afaguei o rosto dele com minha mão. Me aproximei e segurei a mão da minha… Mãe?! Sim, minha mãe. Olhei para eles dois, e agora as semelhanças eram mais nítidas. Olhei nos olhos de Jin que já estava aflito aguardando minha resposta.

—Eu também sinto por você aquilo que nunca foi sentido. Eu…

Olhei para Constance na esperança dela me ajudar.

—Amo você.

Dissemos juntas. Meu riso se misturou com minhas lágrimas. Ele chorou também enquanto sorria com o alívio. Ele beijou minhas mãos, foi doce e demorado.

—Então vamos organizar amanhã.

—Amanhã?

Indaguei.

—Eu não tenho tanto tempo Helena, e não precisamos de muito, então amanhã!

—Amanhã…

Ele disse sorrindo.

—Só não vai fugir.

Ele disse rindo, aquela risada… Eu estava realmente vivendo aquilo? A noite custou passar.

Eu fiquei de frente a janela observando a lua iluminar o meu jardim. Amanhã eu seria esposa. Conheceria a outra face do amor. Do grego Eros, a caracterização da paixão, o romance entre homem e mulher. Confesso estar tão nervosa, que não parava de me estremecer por dentro.

Retirei meu vestido, deixando meu corpo nu a vista, me encontrei de frente ao espelho com os olhos fechados. Sem máscaras. Ele me via por dentro, agora eu precisava me ver por fora. Ele via minha nudez, mas não se tratava do meu corpo, se tratava da minha alma. Agora eu precisava encarar aquilo que estava escondido diante dos meus olhos. Desfiz o laço em meus cabelos e retirei a prisão do meu rosto. Meus cabelos ruivos caíram em volta do meu rosto como uma moldura. Eu não me parecia com eles de fato. Meus olhos arredondados, pareciam duas esferas, tinha uma cor semelhante ao mel, meu rosto possuía várias sardas, diferente do rosto deles que possuíam forte traço asiático. Eu não sabia ao certo, porque Constance não me deixou ler os livros sobre essa minha doença. Uma vez eu li um livro dizendo que nascer do jeito que eu nasci, significa que eu seria perseguida por ser uma bruxa, por fazer magia, sendo que a única magia conhecida até agora, era esse amor constante crescendo em meu peito, pelo homem que se tornaria meu esposo. Eles matam o que não entendem. E se o Jin não entendesse? Afastei esse sentimento ruim. Precisava dormir, me vesti, coloquei a máscara e fui até a cozinha preparar um chá.

—Não consegue dormir?

Constance se apoiava nas paredes para andar. Me aproximei dela, mas com os olhos ele pediu que não pegasse.

—Meus filhos vão se casar amanhã Helena, preciso pelo menos fingir que consigo.

Olha o sentimento triste ai de novo.

—Eu não quero que você parta.

—Criança, partir ou não, não depende de mim.

—O que eu faço quando você se for?

—O que te ensinei a vida inteira Helena, lute com todas as suas forças, e quando não tiver esperança, mesmo sem vontade, nunca entregue os pontos. Ame meu filho, te peço a mesma coisa que pedi a ele, ame com todas as suas forças. Cuidem um do outro. Sejam felizes, mesmo com todos os problemas vindouros.

—E se eu decepcionar ele? E se ele não gostar do que tem aqui atrás.

Coloco as mãos na máscara.

—Eu fui cega e protetiva todos esses anos Helena, e nem percebi quanta insegurança eu coloquei em você. Mesmo não tendo contato com o mundo externo, você acabou vivendo diante de uma comparação com eles. Não há nada de errado com você Helena. Eles são o problema. Sua mãe se subjugou a eles durante tanto tempo, que quando eles inferiram o limite dela, ela me salvou e fugiu para cá, o castelo dos seus avós. Aqui ela e seu pai eram felizes, eles tinham tudo necessário para nunca mais voltar. Mas sua mãe adoeceu. Seu pai enlouqueceu quando ela partiu e não demorou muito partir também. Sobramos só nas duas e os antigos empregados de seus avós. Alguns desistiram e foram embora, outros morreram ao longo do caminho, mas nos permanecemos. Fiz o meu melhor, mas cobri você de medo, e das minhas inseguranças. Eu amo tanto você!

Ele também.

As lágrimas caiam.

—Vá para o quarto, durma criança, a amanhã será o primeiro dia, do pra sempre de vocês.

Quando voltei para o quarto, os raios do sol estavam quase brilhando ao horizonte. Me deitei na cama e adormeci. Foi um sonho pacífico, cheguei a sonhar com meus pais ali. Foi lindo.

—Eu sei que pedi você para dormir, mas acho que você levou muito a sério!

Constance estava na minha porta. Esfrego os olhos e vejo ela vestida em um vestido simples, porém lindíssimo, havia muitas flores, parecia meu jardim. Me levantei observando o ambiente em volta, ainda meio confusa.

—Oh, vamos Helena, não há mais tempo.

Com dificuldade ela caminhou até mim. Seu rosto estava radiante, muito feliz.

Aquela felicidade, era a minha também.

—Jin já está pronto desde as primeiras horas da manhã.

—Nas primeiras horas da manhã, eu estava indo deitar.

Digo um pouco rabugenta. Paro em frente a janela, e vejo que eles arrumaram o jardim. Estava perfeito. Então me veio um nó na barriga, me lembrei o que aquilo realmente significava.

Minha pele arrupiou.

—Encontrei lá em cima, no quarto dos seus pais. Eu preservo ele desde então. Talvez tivesse esperança de que você um dia pudesse viver esse amor.

Olhei para trás e havia um belo vestido. Um acetinado branco. Ele era um pouco decotado na região dos seios e deixava muito da pele amostra. Eu toquei aquele vestido e pude sentir a suavidade de um tecido tão rico.

—Pertenceu a sua mãe, Helena.

As palavras saíram com lágrimas. Estávamos muito sensíveis com tudo isso.

—Obrigada.

A abracei.

—Você se parece com ela. Nos mínimos detalhes. Eles estarão aqui, você sabe né?

Lembra o que eu disse sobre aqui ser importante?

Ela colocou a mão sobre o lado esquerdo do meu peito.

—Eles sempre estarão ai Helena, sempre.

Ela afagou minha bochecha.

—E vamos parar com esse sentimentalismo, porque temos que seguir com um casamento!

Essa é a Constance que eu conheço. Ela preparou um banho de ervas e rosas. Me obrigou a ficar lá por, pelo menos, uma hora. Quando saí, a água estava um pouco fria, mas a minha pele exalava o cheiro das rosas. Constance deixou meus cabelos soltos pela primeira vez. Fez uma coroa de flores para colocar em meu cabelo com as flores do nosso jardim. Peguei a máscara e ela segurou minha mão.

—Use se quiser Helena. Você é livre.

Eu olhei para a máscara em minha mão.

—Eu vou usar. No momento certo ela sairá.

—Como quiser.

Eu desci as escadas do castelo e sabia que o momento mais importante das nossas vidas havia chegado. Constance pode rever o filho, e eu tinha ganhado o sentimento nunca sentido. Ao chegar na porta do jardim, lá estava ele.

Não havia sol, mas também não era um dia nublado. Jin abriu a boca me olhando, estava espantado, eu fiquei nervosa a princípio, pensando em todas as coisas que poderiam passar na cabeça dele naquele momento.

Respirei fundo. A passos contados eu adentrei o jardim. Constance estava ao lado dele em lágrimas. Ele piscava várias vezes para não chorar.

Quando cheguei perto dele, ele afagou minha mão com seus lábios.

Não ia demorar muito até os nossos lábios se encontrarem.

Olhamos para nossa mãe.

—De todas as coisas que pedi e pediria a Deus, a melhor delas aconteceu.

Eu perdi tanto na vida, mas o que eu ganho nessa tarde, jamais será esquecido.

Eu pensava que o que havia sido perdido, jamais poderia ser substituído.

Foram 10,095 dias até reaver aquilo que um dia eu perdi diante dos meus olhos. As marcas na minha pele, nunca, jamais serão parecidas com as marcas que levo na alma.

Quando você ama alguém e isso se torna um desperdício, porque o egoismo falou mais alto e derramou seu amor na lama, sua dignidade e sua estima, você se torna um ninguém diante do mundo.

Olhem para mim e nunca se esqueçam que por debaixo de toda humilhação, ainda existe amor.

Pela minha pele e por dentro dela, ainda existe amor, pelo coração que luta dento de mim para viver, ainda existe amor, e sempre existirá amor, mesmo quando eu partir, vai existir vocês e aquilo que vocês representam, nada mais é, do que puro amor.

Nos entreolhamos. Ele segurou minha mão com mais firmeza.

—Diante de Deus, eu entrego minha filha Helena Rose Dickinson, a meu filho Kim Seokjin como esposa.

Entrego a meu filho Kim Seokjin a minha filha Helena Rose Dickinson.

Que o amor de vocês deem frutos, que se estendam por gerações.

Que eu seja lembrada por seus filhos e netos, como aquela, que partiu, tendo em seu coração a realização de um dia ter sido tão feliz a ponto de multiplicar o que lhe foi dado.

Jin…Helena…

Ela suspirou profundamente, uma das lágrimas impacientes em seus olhos escorreu.

—O amor é paciente, benigno, não se vangloria, não tem orgulho. Não maltrata e nem procura os próprios interesses.

Não se ira, não guarda rancor…

Tudo crê, tudo espera e tudo suporta.

Diante das palavras de Deus, eu vós declaro… Marido e Mulher.

Pode beijar a noiva.

—Mãe…

As orelhas dele ficaram vermelhas, e eu pude sorrir vendo ela dizer que o certo era beijar a noiva depois de declarados. Ele segurou ambas as minhas mãos e olhando nos meus olhos deixou que os lábios repousassem em minhas mãos. Eu fechei os olhos sentindo o mundo girar em nosso entorno. Olha o meu coração querendo sair pela boca de novo. Por mim eu arrancava aquela máscara e o beijava ali mesmo… Paciência. Tudo no tempo certo.

Notas finais
Quem mais é a favor de #JinLena? Eu amo esse meu casal ♥ Xoxo - Ruiva (Red).
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.