Notas iniciais
[ÚLTIMOS CAPÍTULOS] — Oi gente, demorei muitos meses, eu sei, mas eu tô me organizando pra acabar essa fic antes de setembro e bem... Estou empolgado com os planos que fiz pro fim da história, acho que alcançou minimamente as minhas expectativas pessoais e vamos lá... Prometo tentar concluir essa história nesse um mês e meio que tô estipulando. — Ninguém comentou o capítulo passado, mas eu entendo, os meus sumiços foram bastante consistentes, eu passei vários meses... Percebi que a história vai fazer 4 anos de postada e bem... Acho que já era pra ter acabado, mas estou me organizando pra isso acontecer e obrigado aos insistentes, acho que ainda devem existir alguns kk — Comentem e recomendem!

Nathan estava em seu escritório sozinho, o homem quase não havia dormido. Nathan não sabia de notícias do filho, a polícia britânica era muito fria em suas investigações, qualquer membro da família era o menor suspeito e aquilo afetava até a sanidade do empresário. Nathan estava com uma cara terrível, as olheiras eram aparentes, o cabelo nem parecia ter sido lavado e a barba que sempre era bem feita, agora parecia de um mendigo que não havia um barbeador há meses.

—Senhor Mark?

—Ele voltou? –Perguntou até um pouco alto demais.

—Se-senhor? A sua reunião, vai começar…

—Ahh, obrigado! –Falou o maior levantando e passando as mãos pelos cabelos. –Se o Gui voltar, pode interromper a reunião imediatamente, tá? –Comentou e virou, se encaminhando para a saída da sala. -Ele tem que voltar... Ele tem que voltar... Ele tem que voltar... –Comentava baixinho, quase como uma pequena prece e logo pegou uma pequena embalagem de comprimidos para ansiedade, jogou dois na própria boca e engoliu.

A maioria dos assessores já estavam na sala de reuniões bem decorada da empresa. Alguns conversavam baixinho sobre banalidades qualquer, Lázaro que era o vice presidente e grande amigo da família, esperava Nathan entrar na reunião para que os grupos pudessem se calar e a reunião iniciar, porém algo parecia fora de sentido naquele dia.

Nathan entrou na sala em silêncio, seguido da secretária que também havia percebido a apatia do patrão, que sempre era tão imponente e autoritário, entrava silêncio e apenas sentava na cadeira. Lázaro pensou em levantar, mas aquele podia ser apenas um teste de Nathan, que sempre queria saber os funcionários e assessores que lhe respeitavam.

—Senhor Mark, vou me retirar, boa reunião. –Falou a secretária que logo saiu.

—Nate? –Sussurrou Lázaro, que como era amigo sabia que poderia falar o apelido do patrão.

—Ele tá voltando né, Lázaro? –O empresário falou mais alto do que era esperado e alguns dos assessores começaram a ouvir a conversa. –Eu recebi um telefonema hoje cedo... Dizendo…

—Vamos começar a reunião logo? –O vice-presidente era quem tomava a palavra, era um homem de idade avançada e nunca parecia satisfeito com o rumo que as empresa tomava. –Tudo bem, Dr. Nathan?

—Sim.

—O que você disse, Nathan? Sobre o telefonema?

—Hã? Que telefonema?

—Pois bem... –A palavra de novo era do vice-presidente. -Como sabemos o balanço desse mês fechou em negativo, uma coisa que não vinha acontecendo há alguns bons anos... Talvez esse balanço negativo tenha sido afetado, principalmente pela crise, mas não podemos nos dar ao luxo de continuar caindo nos negócios.

—Senhor vice-presidente, a crise afetou muito a parte de recebimento de matéria-prima, os nossos fornecedores vem aumentando de preço de maneira exorbitante de forma…

E o telefone de Nathan tocou, impedindo a continuação da reunião.

—Desculpem, eu tenho que parar. -Sem pestanejar, Nathan levantou-se com o aparelho em mãos e se encaminhou para fora da sala.

Se o clima já estava tenso dentro da sala de reuniões com o sócio-presidente ali, imagina depois da sua repentina saida. A maioria dos acionistas e membros do conselho se olhavam entre si estranhando as posturas nada profissionais, do sempre perfeito Nathan Mark.

—Há algo muito esquisito com o Nathan, não acham? -Comentou Claude.

Claude era o primo descendente de franceses dos membros britânicos dos Mark. Durante a segunda guerra, um dos tios-avôs de Nathan era militar e acabou indo para a França no combate contra Alemanha, ficando anos na França, acabou conhecendo uma francesa e distribuindo um pouco de sangue Mark naquela nova região. Claude não tinha qualquer ligação direta com o crescimento da empresa, embora fosse um Mark, aquela parte administrativa sempre foi de Nathan e seus familiares diretos, a parte britânica.

—O que você está querendo dizer, Claude?

—Nate. Não acham ele estranho? Sempre com esse telefone, essa cara de assustado, o sumiço daquele garoto tá afetando os nossos negócios aqui e isso não é algo que me agrada, vocês não concordam? -A maioria dos acionistas apenas se olhavam, sem demonstrar nenhuma opinião clara. -O conselho deveria se reunir…

—Ok, você não acha que está indo longe demais, Claude?

—Se você não sabe, Lázaro. O conselho é apenas familiar, você não teria nada que opinar. Nathan não está mais apto pra se manter na presidência.

—Mas, Claude…

—Daqui a duas horas, reunião do conselho aqui mesmo nessa sala. Você pode avisar que o Nathan pode participar e, vamos resolver nossas pendências aqui hoje mesmo, por agora é isso! -O francês levantou-se e logo se encaminhou para a saída da sala, deixando a maioria dos conselheiros e acionistas perplexos.

Lázaro levantou-se em seguida e caminhou também para fora da sala. Pegou seu aparelho celular, discando os números com rapidez.

—Alô? É… A bomba explodiu… Tá na hora de você aparecer!

[...]

Andreia Castillo entrava em um dos hospitais mais caros da cidade. O plano da filmagem não havia funcionado como ela desejava e as baterias das câmeras acabaram antes mesmo da morena conseguir qualquer coisa concreta. O desenvolvimento com Mauro Mendonça não andava na velocidade que ela esperava, tudo andava muito devagar e aquela falta de agilidade afetava os planos rápidos da mulher.

A mulher passou pela recepção sem qualquer preocupação e foi entrando pelos corredores até chegar numa pequena sala de espera. Usava um vestido de tamanho comum, um pouco acima do joelho, com alças finas e o cabelo solto.

Tinha poucas pessoas naquela sala de espera, a mãe de Maria Luiza sentou-se em uma das cadeiras da sala de espera e cruzou as pernas, esperando ser anunciada, o que não demorou muito. Logo Andreia foi chamada na sala de consulta, o que na verdade não era uma consulta. O ambiente era bem agradável, uma sala toda pintada de branco, com alguns diplomas e algumas fotos penduradas nas paredes, uma mesa com a cadeira em que o médico estava sentado e duas cadeiras em frente, um computador, um par de livros, podia ser visto duas portas dentro daquela pequena sala e uma maca encostada no canto.

—Bom dia, Andreia! -Falou sem qualquer cerimonia o jovem médico que levantava da cadeira para abraçar a mulher. Pedro era um homem que aparentava estar próximo aos trinta e já era um dos médicos mais requisitados da cidade, como cardiologista, era alto e loiro, usava o cabelo na altura dos ombros e era bastante sorridente.

—Oi, Pedro, como vai? Muito tempo que não te vejo!

—Você sempre anda viajando! -Os dois se abraçaram e sentaram nas cadeiras que seriam dos pacientes, mas aquele não era um encontro casual de médico e paciente. -O que você veio fazer aqui? Se consultar é que não é, você sempre anda bem do coração que eu sei!

—Sim, na verdade vim colocar as nossas conversas em dia, faz tempo que não conversamos, Pedro.

—Como vai sua filha?

—Vai bem, apenas se bandeou de vez pro lado do pai e agora mora com ele. -O médico riu e logo Andreia sorriu. -O que foi?

—Como ficarão suas mesadas agora?

—Por isso que eu preciso de você! Você tem que saber a novidade.

—Fale.

—Fernando agora anda se envolvendo com um homem.

—O que? -O homem riu e logo depois se calou. -O seu ex-marido agora é gay?

—Na verdade sempre deve ter sido, não acha?

—Talvez sim, mas qual é a sua grande preocupação?

—A minha herança, óbvio!

—Mas, Andreia? -Depois de mais um sorriso, Pedro continuou. -Esse cara não tem como dar um filho ao Fernando, então porque você vai ficar preocupada com isso?

—Porque mesmo sem filhos, ele vai ficar com metade, óbvio que Fernando dividiria meio a meio.

—Metade ainda seria muito…

—Mas não seria tudo!

Pedro levantou e caminhou um pouco pela sala e sentou-se na cama onde consultava os pacientes.

—Não sei o que eu posso fazer por você, Andreia.

—Você tem contatos no hospital, certo? -Andreia levantou-se e se encaminhou até onde o médico estava, Pedro respondeu que sim. -Então, não vou precisar mais do que isso.

O clima era calmo, até Andreia ficar de frente para o médico, com o seu vestido decotado, bem na frente do médico.

—Você sabe que eu casaria contigo, senão tivesse ficado grávida do Fernando primeiro, não sabe?

—Maldito estudante de Administração! -Pedro riu mais um pouco e apertou a cintura da mulher.

—Me ajude com isso e talvez possamos juntos viver muito melhor com o que o estudante de administração conseguiu, não acha? -Andreia desceu uma das alças do vestido e logo em seguida Pedro desceu a outra.

Talvez o plano acabasse ficando pra depois, não?

[...]

Carlos e Emanuel estavam deitados nos sofás da casa do loiro maior.

—Tô tão cansado, parece que as coisas nunca amenizam naquele trabalho…

—Pelo menos você trabalha né? Eu tô cansado dessa vida inútil de ficar deitado, sei lá… Tô numa dificuldade de arrumar trabalho e ainda mais com essa volta do Guilherme…

—Falando nisso, onde ele anda?

—A gente se separou desde que fomos visitar a mãe dele, acho que ele deve tá andando por ai, o que não é nada seguro… Esse garoto!

—Quem mandou se meter com menor de idade… -Carlos brincou e Emanuel atirou uma almofada no loiro menor.

—Qual de nós dois é o mais fodido? Eu por me meter com um ex-menor, afinal ele já ficou de maior ou você por estar num caso de assédio sexual de trabalho? -Provocou o professor.

—E você esqueceu daquele seu ex ficante? O Roger, professorzinho de Geografia? Isso não é assédio no trabalho?

—Ele não era meu superior, eu não dava pro meu chefe… Já você…

—Cala a boca, Manu! -O professor então atirou a almofada de novo no amigo.

A porta do apartamento abriu e os dois levantaram para ver quem era, embora sabiam que se tratava de Guilherme. Emanuel acabou abrindo a boca mais do que o normal e o novo loiro sorriu.

—Oi… -Falou um pouco tímido e Carlos até sorriu.

—O que você fez? -Perguntou Emanuel. -Você pintou o cabelo?

—Ué, já moro com dois loiros, porque não aderir a moda? -Brincou o adolescente.

—Ficou muito bom. -Encorajou, Carlos.

Emanuel levantou e se aproximou, olhou de perto o novo loiro, porém voltou e sentou-se novamente. O loiro de cabelo bem curto fazia expressões de negação.

—O que foi, Manu?

—É? Não curtiu? -Perguntou Guilherme.

—Não, não é isso… Eu só tô preocupado, mesmo com essa mudança ainda não é seguro você ficar aqui, a polícia pode qualquer dia bater aqui e vai ser estranho um adolescente morando com dois caras…

—Ué, a gente pode ter adotado ele? -Pensou Carlos.

—Qual é, Carlito, por mais novo que o Guilherme pareça ele não tem idade pra ser nosso filho adotivo…

—Pode dizer que ele é filho da sua irmã? Sei lá! -Continuou Carlos.

—Isso dá muita abertura, Carlito… Essas coisas são fáceis de serem descobertas, estamos nos envolvendo com a polícia…

—Verdade. -Concordou o garoto. -O que você acha melhor então, amor?

—Vamo falar com seu tio!

—Esse pepino não é meu! -Comentou Carlos divertido. -Vou me aprontar pro trampo! -E logo se encaminhou para o quarto, enquanto Bernardo e Guilherme seguiam na sala.

[...]

As duas horas se passaram e todos os membros do conselho se encontravam naquela reunião. Claude estava sentado na cadeira próxima a Nathan, que talvez aparecesse, a maioria dos membros eram apenas pessoas da família. Nathan era o único membro da família criadora da empresa, todos os outros eram primos. Claude, o primo mais ambicioso de longe.

Lázaro estava ali parado na porta, seu telefone na mão não indicava nenhuma reação, o que o deixava preocupado. Nathan nem estava sabendo da reunião, um pouco depois da ligação, Lázaro o informou que o dia de expediente estava acabado e que ele deveria ir pra casa tentar algum contato com a polícia. O atordoado chefe apenas seguiu as ordens do amigo e seguiu seu rumo para casa.

O relógio daquela sala de reuniões seguia dando seu típico tic tac e pela primeira vez aquilo realmente irritava Lázaro. Se Claude conseguisse a deposição de Nathan da presidência, basicamente seu emprego estaria cortando, os fundos financeiros de Nathan seriam bloqueados e talvez as pesquisas por Guilherme piorassem ainda a sua situação.

Na verdade, Lázaro era o único em que Nathan confiava e era o único que sabia a verdade sobre o irmão do empresário, era o único que sabia que Bernardo Guimarães, era Bernard Mark, o irmão que Nathan “matou” para a mídia, que era o primeiro herdeiro da empresa que passou a ser Guilherme.

—Vamos começar então? -Iniciou Claude olhando para os membros ali presentes.

—O senhor não acha melhor esperar mais um pouco? -Quis intervir o ajudante de Nathan.

—Eu nem sei porque você ainda está aqui, Lázaro, já devia estar arrumando suas coisas, não acha? Você que tenta segurar a onda do meu primo, sendo que ele não consegue mais administrar nem a própria cabeça.

—Mas você realmente acha que devemos depor o sr. Nathan? — Perguntou um dos sócios, apesar de achar Claude competente, Nathan era quem administrava os bens há anos. — Nathan sempre foi muito bom nos negócios…

—Até os melhores decaem e se vocês quiserem continuar a perder dinheiro… O negócio anda perdendo base e isso não é bom pra ninguém, estamos apenas em votação, podem ser justos e votarem no que acharem melhor para o seu dinheiro e para a empresa, é muito bom pensar se devem deixar o seu dinheiro com um desequilibrado ou não.

Claude sabia que a maioria dos acionistas estavam com um pé atrás em relação a Nathan e aquilo era o ponta pé inicial para ele comandar os negócios da família, principalmente para tirar dos Mark.

—E vocês vão apenas ouvir a acusação e nada da defesa? -Questionou Lázaro.

—Defenda seu patrão então… -Esnobou Claude.

—Como vocês podem associar anos de trabalho bem feito, a semanas de um pouco menos de boa atuação… Vocês não possuem filhos? Sr. Nathan é muito profissional e jamais levaria a tona o que acontece em seu lar, mas o seu filho sumiu do internato e fugiu, o garoto estava em outro país e agora ninguém sabe mais nada sobre ele, a escola mal consegue articular, a polícia foi informada, mas informam que muito possivelmente Guilherme, já saiu do Reino Unido.

Claude se assustou, a maioria dos acionistas parecia balançado ao saber daquele detalhe e isso talvez os convencessem a dar uma chance a Nathan e o deixar como presidente.

—Acho que temos que votar então… -Claude sabia que se começasse a se defender a apresentar argumentos, poderia soar desesperado, o ar de vitória era a sua melhor arma e aquilo era o que lhe faria vencer… -Peço que todos coloquem se a presidência deve ou não ser mudada para o herdeiro mais próximo, com um sim ou se preferem manter Nathan na presidência optem pelo não.

O silêncio se instaurou pelos momentos seguintes, Lázaro seguia olhando para o seu telefone, ali tinha sete dos nove acionistas da empresa, o que deixava claro que a maioria era dominante. Claude havia sido o primeiro a votar e colocado seu voto na urna improvisada, uma caixa de papelão que estava no almoxarifado daquele andar, não demorou mais do que cinco minutos para que todos os sete votassem. Nenhum grande burburinho foi ouvido. Lázaro achava que seu discurso tinha sido interessante, porém vago… Dinheiro era a clara importância daqueles homens, anos confiados em Mark poderia ser perdidos em segundos, se o empresário estivesse fazendo com que eles perdessem dinheiro e o assistente não podia negar que o faturamento dos últimos dois meses não tinha sido nada satisfatório.

—Bem, acho que os sete já votaram, né? -Comentou Claude animado, o primo de Nathan começou a pegar os papéis e contando deixando todos em cima da mesa para que Lázaro pudesse ver sem qualquer problema. -Bem, acho que a votação ficou bem clara… Cinco a favor e dois contra, o herdeiro em seguida deve assumir a empresa. Lázaro abaixou a cabeça e seu telefone tocou na mesma hora. -Não vai me ver tomando o lugar na presidência, Lázaro? Já tá indo arrumar suas coisas?

—Talvez você deva esperar um pouco mais… -Claude o olhou torto e Lázaro saiu, atendendo o telefone o mais rápido que poderia. — Alô? … Você tá aqui? Suba o mais rápido possível… Estamos na sala de reunião… Ótimo… Ótimo, só chega e entre… Sem cerimônias…

Lázaro retornou a sala e a maioria dos membros daquela reunião já estava em pé e dando um aperto de mãos no novo presidente, o homem negro esperou o último apertar a mão de Claude e iniciou.

—Bem senhores, acho que já está na hora de conhecer o novo presidente…

—Que droga você tá falando? -Perguntou irritado Claude, se aquilo era um afronte estava passando dos limites… -Você tá tão maluco por que já perdeu o emprego que não está nem mais mantendo um decoro… Eu ainda posso desgraçar a sua reputação inteira!

—Claro que pode… Bem, senhores… Acho que ficou claro durante a votação que o próximo na linha da empresa é o herdeiro em seguida, certo?

—Sim, seu estúpido… Vai dizer que esse tempo todo estava escondendo o filho de Nathan e que ele está aqui? Só sendo…

—Melhor…

—Melhor?

—Boa tarde, senhores...

Um senhor alto e com alguns belos músculos acabará de entrar, usava um típico jeans rasgado e uma camiseta coberta por uma jaqueta. Lázaro ficou ao seu lado e o homem sorriu.

—E esse outro?

A maioria dos presentes ali na sala olhavam para o recém-chegado e para Lázaro sem entender direito o que estava ocorrendo. O homem se encaminhou até Claude e estendeu a mão.

—Prazer, sr. Claude…

—Bem, aos presentes… -Lázaro iniciou. -Lhes apresento o novo presidente da empresa, que assumirá o lugar de Nathan…

—O que?

—Bernard Mark…

—Bernard Mark! -A maioria dos acionistas não entendiam nada do que estava acontecendo. Bernard Mark só era conhecido nos entes familiares, sendo que Nathan havia espalhado a morte do irmão a muitos anos. -Bernard Mark está morto! Nathan mesmo quem compartilhou a notícia… É impossível que esse homem seja Bernard!

—Posso apresentar minha identidade se quiser, primo… -Esnobou Bernardo.

—O que uma identidade provaria? Você acha que eu sou estúpido…

—Peça um DNA então! -Comentou Bernardo sentando-se numa cadeira. -Acha que eu realmente iria me passar por alguém sendo que testes de DNA são coisas comuns hoje em dia… Aliás, obrigado por derrubar meu irmão, já estava na hora de eu assumir esse negócio aqui! -A última frase era apenas um blefe, Bernardo sabia que apenas auto confiança assustaria Claude.

O primo francês saiu como um foguete da sala, estava revoltado. A maioria dos acionistas permaneciam como coadjuvantes, mas Lázaro marcaria uma reunião em seguida, para estipular os novos planos da empresa… Ele sabia que Bernardo não sabia de nada de administração, principalmente de administrar uma grande corporação, porém sem Claude na presidência, as coisas ficariam melhor para Nathan, embora se soubesse daquilo o empresário moreno poderia ter um ataque de raiva.

[...]

Max estava parado no aeroporto, sentando no saguão principal enquanto esperava que seu voo finalmente fosse anunciado e pudesse sair daquele lugar. A maioria das pessoas passariam por ele sem se importar tanto, mas sendo membro da realeza e tendo três seguranças ao seu redor era complicado passar despercebido.

—Aqui seu café, Sr. Maxxuel.

—Obrigado. -Agradeceu o loiro ao receber Paulo, ou Paul.

Paulo era um garçom brasileiro que morava a três anos em Londres e se espantou ao ver um anúncio de emprego temporário muito irreal. Uma viagem para o Brasil com tudo pago, sendo que as exigências eram falar português e inglês com fluência, ter acima de um metro e oitenta, saber defesa pessoal e ter porte legal de arma, um trabalho assim seria perfeito se não fosse para ser babá, mas voltar ao Brasil e com o dinheiro que receberia isso compensaria.

Paulo poderia voltar para o Brasil e largar a vida sofrida que tinha em Londres, a maioria das pessoas que tentavam a vida no exterior, acaba por se arrepender ao ver que não era simples. Paulo passou quase um ano trabalhando como garoto de programa, sem a família saber, até finalmente conseguir estabilidade para tentar um trabalho menos vergonhoso e conseguiu ser garçom naquele restaurante. Sabia o básico do inglês quando veio para Reino Unido, mas o inglês daquele pessoal era muito diferente do inglês que ele aprender. Parecia preso e sem tanta vogal, algumas palavras eram até pronunciadas bem parecidas, mas tinha outras que não tinha qualquer similaridade com a mesma no outro inglês e Paulo teve que aprender o inglês britânico na marra.

Paulo seria o único a acompanhar Max na viagem ao Brasil, o que deixava a família do loiro muito assustada, mas a polícia havia recomendado aquilo. Max poderia passar despercebido num país que pouco conhecia a cultura britânica, se fosse apenas acompanhado do tio, o voo ia ser convencional para evitar atenções e o último contato formal como membro da família real de Max iria ser no aeroporto, a partir do avião ele teria outro nome e seria um garoto comum indo visitar o Brasil.

—Empolgado com a viagem? -Soou infantil até demais, Paulo.

—Sim, Paul… Você conhece Belo Horizonte?

—Na verdade, não, mas é tudo bem simples lá. Basta você pegar os taxis, você é rico tem dinheiro suficiente pra se locomover com segurança pelo Brasil. O que você vai fazer lá, Sr. Maxxuel?

O jovem loiro ficou calado e Paulo respeitou, até que Max não era tão pentelho quando Paulo achava que seria, talvez o dinheiro valesse o trabalho de passar uma semana no Brasil.

—Por que não escolheu São Paulo ou Rio? São cidades que atraem o turismo de forma bem…

—Eu não vou fazer turismo, Paul.

—A não? -Se perguntou mais do que perguntou ao garoto.

—Eu tenho que resolver pendências com uma pessoa, no Brasil.

“Atenção passageiros do voo 6478 com destino a São Paulo, por favor se encaminhem para o portão de embarque oito, obrigado”

Max levantou-se e logo se encaminhou para o portão e Paulo o seguiu.

[...]

Bernardo havia pegado o carro ao descer do prédio alto da empresa do irmão, que aparentemente agora seria sua. O moreno olhou algumas ligações no telefone…

—Bê, hoje é seu dia ó! -Reclamou para si… -Oi!

—Bernardo?

—Fala professorzinho… -Comentou com desdém, a relação com o suposto namorado do seu sobrinho nunca havia sido boa mesmo. -Notícias do Guilherme?

—Bem… Você já sabe que ele chegou, certo?

—Basicamente uma arma apontada na minha cabeça me deixou isso bem claro… -Riu da própria desgraça e continuava dirigindo. Bernardo nunca foi muito ligado em leis de trânsito e agora com milhões na conta, não importava uma multa a mais ou a menos, fora que o carro era da empresa.

—Guilherme está aqui em casa…

—O QUE? -Interrompeu o ator e parou o carro bruscamente num sinal vermelho. -Esse garoto é impossível, tem que ter meu sangue mesmo…

—O problema está que a polícia está atrás dele e bem… O meu vínculo com ele é claro, óbvio que a polícia virá aqui… Você é tio dele…

—Não para a mídia e para a polícia… Fora que Nathan já me ameaçou e meu irmão… Não tá batendo bem… -Uma ideia surgiu na mente de Bernardo. -E bem, eu também não…

—Não entendi…

—Olha, eu pensei uma coisa…

—Pera… -Emanuel colocou o telefone em viva voz. -Pronto, Gui também pode te ouvir.

—Gui, eu vou te mostrar para o teu pai, você vai comigo ver o velho Nathan.

—O que? Bernardo… Não! -Emanuel interviu. -Você pirou, aquele homem quase matou o Gui na porrada, o que você acha que ele vai fazer agora que ele voltou pro Brasil sozinho e venho direto ver o namorado?

—Nada!

—Tio… -Quis falar o novo loiro.

—Eu sabia que falar com você era loucura, no fundo, eu sabia que você era só um egoísta que não leva nada a sério. -Emanuel esquentou e acabou por desligar o telefone.

—Vocês que não pegam a minha genialidade! -Riu o maior e continuou dirigindo… Iria agora pro terceiro e pro maior problema da sua vida… Alberto.

[...]

Fernando seguia batendo a caneta na mesa e suspirando pesadamente. Aquele contato de Carlos e o novo garoto das mensagens o deixava enciumado de uma forma que parecia fora do comum. O empresário mais velho precisava ter uma conversa com o noivo e deixar tudo acertado, precisava desse confronto para a sua sanidade.

Mais cedo naquele mesmo dia, Fernando passou pelo pátio principal da empresa e encontrou Carlos e o outro funcionário, chamado Roberto conversando e o loiro parecia bem a vontade com o outro loiro mais novo. Roberto era um jovem, assim como Carlos, tinha tempo de sobra para sair e viver uma vida sem preocupações, diferente de Fernando que trabalhava quase de domingo a domingo.

“Será que eu devo acabar o noivado?”

Fernando estava com pensamentos assim havia alguns dias, principalmente com os problemas da empresa evitando qualquer contato mais íntimo com Carlos, ao mesmo tempo, pensava em como gostava do mais novo, como os dois se davam bem e como a filha também parecia feliz com a relação, não era a toa quando diziam que os pais não pensam só neles.

—Oi… -Carlos entrou, Fernando o tinha lhe liberado aquela manhã e ele só trabalharia durante o período da tarde. -Precisando de algo? -Perguntou e sorriu logo em seguida. Fernando sorriu em resposta.

—Entre, por favor… -Parou de bater a caneta e pegou alguns papéis na gaveta. -Esses papéis… Envia pra mim? O destinatário tá no envelope.

—Claro. -Carlos recebeu os papéis e girou os calcanhares para voltar para saída.

—Espera… -Falou num tom um pouco alto demais e Carlos o olhou. -Senta, vamos conversar…

—Por que eu não acho que seja sobre algo bom? -Falou apreensivo.

—Hoje, mais cedo eu passei pelo pátio e vi você conversando com o Roberto e…

—Hm… -Carlos quis esperar pra ver até onde essa conversa iria.

—Vocês são só amigos? Bem… Eu não sei o que perguntar na verdade, você se sente a vontade comigo? Acha mesmo que estamos nos encaminhando pra…

—Você pensa que não? -O tom de Carlos soou um pouco ofendido.

—Na verdade, pra mim estamos nos encaminhando maravilhosamente bem, mas… Eu não sei, eu acho que a minha estabilidade de relacionamento é diferente da sua e eu não quero te privar de se sentir bem…

—O que te faz pensar que eu não estou indo bem, no nosso relacionamento?

—Bem… Você é jovem, você deve querer ir pras noites, viajar no fim de semana, sair na sexta e aparecer apenas domingo de noite em casa… Eu não tenho nem tempo e nem idade pra isso…

—Fê… -Carlos estendeu as mãos sobre a mesa e Fernando segurou as duas mãos do noivo. -Não tem nada haver uma coisa com a outra, não é por que eu sou jovem que eu faço coisas joviais… Eu adoro nossos jantares até as dez da noite, eu adoro nossas reuniões de trabalho no meio de um fim de semana, eu gosto dessa coisa pacata que temos, não ache o contrário…-Carlos levantou. -Agora, eu tenho que ir trabalhar antes que meu chefe me demita. -Disse rindo.

—Ele jamais faria isso! -Brincou o mais velho.

[...]

O moreno tirou os óculos ao estacionar na parte de fora do edifício do advogado ruivo. Bernardo tinha quase que entrada permanente ali, torcia para que Alberto não tivesse bloqueado sua entrada na portaria.

—Oi, Jaime! -Sorriu para o porteiro do edifício. -O Sr. Duarte tá em casa?

—Olha… Sr. Guimarães, o dr. disse…

—Qual é, Jaime… -Falou pedindo pro porteiro descer da guarita e o homem atendeu prontamente. -Você sabe que esse daí é mais temperamental que… Olha, tô sem criatividade pra metáforas, mas me deixa entrar…

—Infelizmente…

—Nada de infelizmente… -Bernardo tirou uma nota de cem reais do bolso. -Olha, você me deixa entrar e eu entrego a papelada pro ruivo numa boa, ok?

—Mas Sr. Guimarães...

—Jaime, você ganha bem aqui?

—Não muito… -Falou envergonhado.

—Façamos assim, se eu te trazer algum problema, você pode ligar para esse número. -O moreno tirou um papel do bolso e anotou o telefone. -Que eu te coloco na mesma função no meu prédio, é bem melhor que esse e você vai trabalhar recebendo ainda mais, eu faço questão de aumentar seu salário e você não vai ficar nem um mês desempregado, ok?

—Sr… O Sr. é impossível. -O porteiro riu e o deixou passar.

Bernardo sorriu e seguiu pelo saguão principal do grande prédio de Alberto. O moreno sabia que se até agora as coisas estavam se encaminhando bem, o olho do furacão não ia ser nada fácil de lidar. Alberto nunca era fácil de se lidar.

O ruivo estava tomando uma taça de vinho branco sentado na sua grande poltrona vermelha, dentro da sua sala digamos… Excêntrica. Há alguns dias, ele não ia ao escritório, a dor de cabeça era constante e fugir do escritório era bom, principalmente por não arriscar encontrar com Bernardo. A campainha tocou e o ruivo suspirou… Seria algum vizinho? Ou o porteiro?

O ruivo levantou e olhou pelo olho mágico e bem… A surpresa não poderia ser melhor, ou pior? Como o ruivo não respondeu, Bernardo optou por bater e as batidas assustaram Alberto que estava colado na porta, o fazendo derrubar a taça.

—Beto? Beto ta aí?

—Vai embora! -Comentou. -Não temos nada pra conversar.

—Temos sim! -Bernardo seguiu batendo com força na porta. -Eu só paro quando você abrir.

—Você é maluco? Algum vizinho pode reclamar, seu ogro!

—Você tem o andar todo pra você! Acha que eu esqueci disso… Pelo menos quando você tava gemendo de prazer em cima de mim, não havia nenhum problema de ninguém escutar, afinal ninguém divide parede com você! -Bernardo quase gritava e Alberto já começava a se irritar.

—Você é um desgraçado mesmo não é Bernardo! -Reclamou ainda próximo a porta e ouvindo todas as batidas fortes do moreno. -Eu não vou abrir, pode bater até sua mão sangrar…

—É o que eu vou fazer mesmo… -O moreno seguiu espancando a porta e o advogado seguia relutante. -Beto…

—Bernardo, vai embora…

—Se eu for eu não vou voltar a ir atrás de você nunca mais… -Silêncio. Alberto não sabia o que responder. -Eai Beto?

Alberto queria abrir a porta, mas o orgulho sempre foi algo grande em sua vida, sempre foi difícil ele abrir mão disso, sempre que ele dizia algo… Alberto não era de voltar atrás e… Será que deveria voltar atrás agora?

—Tchau, Beto… -A última vez que ouviu a voz de Bernardo, ela parecia fraca, parecia triste, talvez chorosa, a mão do advogado foi até a maçaneta, mas o orgulho não o deixou destravar a porta e Bernardo se foi.

Notas finais
O capítulo saiu de forma muito variadas, coisas que eu escrevi em dezembro, em janeiro, em março, em maio e foi assim que meio que foi fluindo... Eu tinha 2 cenas escritas até semana passado, essa semana eu escrevi todas as restantes, então eu sinto que tem certa constância no capítulo, eu espero... Seria bom alguns comentários pra me ver o feedback final da história, como vocês estão sentindo que as coisas estão se encaminhando. Faltam apenas mais 4 capítulos pra acabar, as cenas já estão programadas e os capítulos finais eu já sei o que deve acontecer, espero que gostem as minhas resoluções sobre o que eu acredito ser a verdade sobre o amor, por que realmente tem uma resolução, bem obrigado aos insistentes, vocês realmente são insistentes kkk — Comentem e recomendem. — Um aviso, o grupo do facebook morreu... Basicamente, por que eu estava me cobrando ao ver o grupo, ninguém lá era escroto em ficar me cobrando, mas eu via as pessoas e ficava imaginando que elas se importam com isso e eu estava meio que decepcionando elas e isso tava me trazendo um pouco de mal, então eu preferi acabar com o grupo e meio que não ficar sofrendo, meio que funcionou, mas eu sei que eu tenho um dever que é acabar com minhas fics e elas vão acabar... O ideal seria que esse ano as duas acabassem, mas acho que a outra não consigo acabar esse ano, principalmente por ela ser uma fic que tem um desenrolar bem maior, ainda faltam alguns bons capítulos, mas eu só volto pra ela quando acabar essa, como disse faltam 4 capítulos, então vamos lá...