Notas iniciais
[ÚLTIMOS CAPÍTULOS] — SURPRESA, pois é, deviam me levar a sério quando eu disse que ia acabar a fic, dessa vez parece que vai... Estamos na reta final, as coisas estão acontecendo e vamos ver como vai ser esse belo fim de fic não? — Um beijo especial a Patty e ao Gui, eles comentaram o capítulo passado, que por um acaso foi postado semana passada, então eu esperava poucos comentários mesmo, um beijo e espero que gostem desse capítulo. — Comentem e recomendem!

Era tarde da noite, Carlos havia avisado que chegaria bem tarde e embora Emanuel não se preocupasse porque sabia que ou o motorista da empresa o deixaria ou o próprio Fernando o deixaria em casa, ele ainda estava acordado. Guilherme dormia ao seu lado na cama, a luz estava apagada e apenas o notebook do mais velho estava ligando.

Emanuel coçava a cabeça enquanto buscava novas informações sobre Amélia e Nathan, os dois eram de alta sociedade, claro que alguma coluna social teria informações. O loiro preferiu ir até a sala e evitar acordar o novo loiro e ter que explicar o que procurava. Emanuel saiu pelo quarto e se encaminhou até a sala, antes passando pela cozinha e tomando um copo com água. As primeiras notícias eram felizes, demonstravam fotos do casamento de Amélia e Nathan Mark, algumas revistas tinham fotos deles dois com Guilherme caminhando por algumas ruas da cidade.

A busca continuava e Emanuel conseguiu achar algumas fotos, do acidente de Amélia, as imagens estavam basicamente borradas, principalmente para esconder as marcas do acidente no corpo da mulher. Emanuel olhou as datas e como um bom matemático fez os cálculos e conseguiu ver que na época do acidente, era possível saber que Amélia já estava grávida. O loiro pensou, seria justo usar isso contra ela e descobrir mais coisas? Ou melhor deixar quieto e aceitar que a mulher tinha seus próprios problemas para lidar?

“Mas isso pode ajudar ela a pensar melhor e me ajudar com o Guilherme…Principalmente agora que Bernardo parece que não vai ajudar.” Pensou o loiro, talvez ao pensar no tempo perdido com Guilherme e ver o que aquilo poderia trazer para o filho mais novo, Gustavo, talvez ela repensasse e fosse um auxílio.

Além de fugir de Nathan, agora parece que Bernardo também estava fora de controle. A porta e abriu e Emanuel a olhou, vendo Carlos entrar, com o paletó no ombro e uma caixa de presente em mãos.

—Qual é a nova? Mais um presente do príncipe? -Brincou Emanuel e Carlos deu a língua para o amigo. -Pra que eu quero isso? O seu patrãozinho que vai gostar!

—Toda vida que ele acha que me chateia, ele me presenteia com alguma coisa....

—Pessoas ricas, não é mesmo? Sempre acha que pode nos comprar…

—Fernando não é assim!

—Se você diz… -Emanuel sentou-se melhor para Carlos sentar. -Eai?

—É um par de sapatos, eu já abri. -Carlos o olhou. -E você? Porque acordado até uma hora dessas?

—Pensando nos meus problemas… Acho que vou procurar a mãe do Gui de novo…

—Acha que ela vai ajudar dessa vez? Pelo que você me falou, o tio dele pirou…

—Acho que o tio dele deve ter algum plano maluco na cabeça, mas pode ser muito arriscado, eu não posso pensar em deixar aquele homem perto do Gui, não depois de bater nele e mandar pra um outro país assim, como quem despacha uma mercadoria qualquer.

—Talvez ela possa te ajudar, enfim… Melhor eu ir dormir, não é porque eu saí com o chefe que amanhã cedo eu não deva ir para a empresa…

—Também acho que vou… Boa noite, Carlito! -Falou ao ver o menor saindo e se encaminhando para o quarto de hóspedes.

—Boa noite, manu!

[...]

Guilherme acordou pela manhã e viu Emanuel dormindo ao seu lado. O novo loiro levantou e foi até o banheiro, seu cabelo ainda estava com aquele ar de salão, mas sabia que teria que comprar muitas coisas para manter o cabelo bonito daquele jeito. O garoto lavou o rosto e escovou os dentes, talvez acordar Emanuel não fosse uma boa ideia. Guilherme trocou de roupa e preferiu ir comer antes de ver se Emanuel acordaria ou não, o novo loiro foi até a cozinha e viu a mesa pronta, com pães comprados e postos e uma garrafa de café, talvez Carlos já tivesse comprado, comido e saído, afinal o loiro era o primeiro a sair. O estudante iria sentar e começar a comer, até que a campainha tocou.

Emanuel apareceu assustado, usava apenas um calção leve e estava bem assustado. Aquela hora de manhã e tocando a campainha, seria a polícia? Será que Guilherme ia ser achado e levado de novo para seu pai?

—Se esconde no quarto de Carlos, embaixo da cama… Agora! -Sussurrou e o mais novo obedeceu. Emanuel se encaminhou até a porta e olhou pelo olho mágico… Era Bernardo. -Fala… -Falou abrindo a porta.

—Olá, sr. sexy pela manhã! -Falou o ator ao analisar apenas o calção de Emanuel deixando seu corpo bem amostra. -Cadê o garoto? -Falou se referindo a Guilherme e foi logo entrando.

—Gui! -Falou mais alto o loiro. -É seu tio.

O garoto voltou e pela primeira vez viu algum membro da sua família. Bernardo estava como sempre, com uma calça jeans bem largada e alguma camiseta de cor uniforme, a do dia era uma branca e a usual jaqueta que não saia dele, Guilherme acreditava que ele tinha várias iguais, além dos óculos escuros. Talvez deveria abraçar o tio? Os dois nunca foram muito de contatos, mas Guilherme estava com saudade do mesmo. O menor não se importar apenas se jogou nos braços do tio e ele o agarrou, o abraçando com força.

—Oi, Bernardo. -Chamá-lo de tio nunca havia sido um costume mesmo.

—Oi, garoto! Eu tive uma ideia.

Emanuel puxou Guilherme pelo braço e o deixou longe de Bernardo.

—Você tá maluco o suficiente pra levar ele de novo para o pai… Acha mesmo que ele vai ser receptivo? Vai dar uma festa porque o filho voltou?

—Cara… Eu sei o que eu tô fazendo! -O moreno sentou-se no sofá colocando os pés na mesa de centro do meio. -Cês tem água? -Guilherme se encaminhou até a cozinha para pegar a água.

—Você não acha arriscado? -Emanuel sentou-se no outro sofá e Bernardo não deixava de acompanhar o corpo do professor com os olhos.

—Eu tive contato com o Nate nos últimos dias e eu sei exatamente como ele tá… O velho tá lelé… -O moreno fez o gesto de loucura com os dedos e recebeu a água do sobrinho.

—O que? Meu pai tá doente?

—Gui, seu pai sempre foi doente… Nathan nunca foi perfeitamente normal da cabeça, mas agora… Digamos que não é só ele que sabe segredos meus, eu sei exatamente o que anda acontecendo.

—E o que isso quer dizer? -Emanuel perguntou, ainda não conseguia entender…

—Pra isso temos que arriscar que Guilherme seja visto pelo Nate, né? -Falou levantando-se e pegando o sobrinho pelo braço, Emanuel se meteu na frente.

—Se arriscar? Então ainda há um risco?

—Só modo de falar! -Comentou calmamente. Bernardo levou a mão até o ombro do loiro maior como um gesto de companheirismo, mas logo em seguida “escorregou” gentilmente pelo peitoral do loiro maior que deu passos para trás assustado. -Bem, vamo indo Gui!

—Bernardo… -O garoto ainda estava receoso. -Vamo pensar nisso direito…

—Eu sei o que eu tô fazendo, Guilherme… Eu sei exatamente o que eu tô fazendo… Confia.

E o loiro menor se rendeu e os dois acabaram por sair do apartamento, deixando um Emanuel preocupado.

O professor pensava que talvez aquele fosse o momento para ir falar com Amélia, Guilherme não saberia o que poderia melhorar um pouco, caso a mulher fosse restritiva as soluções apontadas por Emanuel, embora o loiro maior estivesse preocupado com o plano de Bernardo, o suficiente pra fazê-lo perder Guilherme de vez.

Bernardo entrou no carro e Guilherme entrou logo em seguida, o loiro menor ajeitou o cabelo olhando no espelho e o tio riu.

—O que foi? -Perguntou o mais novo.

—Tá muito legal o cabelo… Deveria manter assim.

—Isso estraga o cabelo, Bernardo… Logo mais vou ter que voltar ao normal.

—Só um detalhe… -O ator ligou o carro e logo deu partida. -Se isso você fez pra ser discreto e não chamar atenção, não deu muito certo não. -Bernardo dava atenção para o trânsito, enquanto Guilherme ligava o rádio. -Vamos para a sua casa, seu pai vai estar lá.

—Ué? E a empresa?

—Muitas coisas andam acontecendo, Gui… Desde que eu voltei dos Estados Unidos eu não consegui ter paz… E se prepare, o que você vai ver não parece nada com o seu pai…

—Como assim?

—Eu vou te contar tudo…

E Bernardo começou a contar como seu pai estava diferente e os problemas atuais da empresa.

[...]

Mendonça lia um dos últimos artigos publicados no jornal, aquele novo contratado tinha muito potencial de verdade, escrevia com veracidade e mostrava o espectador a sua opinião sem soar, agressivo e era isso que Mauro levava como principal da profissão de jornalista. A imparcialidade era uma grande mentira para si, o jogo na verdade era saber mostrar a opinião e trazer o leitor pro seu lado.

Ainda era cedo e Mendonça que o dia tivesse algo de importante, os últimos furos andavam fracos e sabia que as vendagens andavam fracas, o jornalismo pela web ganhava muita força e não era tão lucrativo assim… Apesar, do negro ter outras companhias como a emissora e a revista, o jornal sempre foi a sua verdade paixão e primeiro empreendimento.

—Com licença… -A secretária falou entrando. -Sr. Mendonça, Roberto está aqui…

—Sim, pode mandar entrar… -Falou e a secretária saiu. -Boas notícias, por favor! -Pediu a si mesmo enquanto esperava o loiro entrar.

Roberto entrou e parecia nervoso, mexia com as mãos sem parar e o cabelo estava bem desarrumado.

—Que cara é essa? Aconteceu alguma coisa? -Mauro levantou-se e Roberto o encarou. Os olhos estavam bem vermelhos. -Você se drogou? Como quer ser modelo assim? -Riu o jornalista.

—Eu tô caindo fora, Mauro… -Falou com a voz ríspida e Mauro fez uma expressão de não compreensão. -Eu não vou mais trabalhar pra você… Seu trabalho é sujo!

—Você não pensou isso quando veio me pedir ajuda? Quando trocou sexo por seu book caríssimo… Quando pediu pra eu te ajudar com o meio da moda?

—Eu tô caindo fora, eu já disse!

—Você tá caindo fora, porra nenhuma seu estúpido! Ou você vai me pagar todo o serviço que eu paguei pra você tentar essa carreira de modelo?

—Você não fez nada!

—O que eu posso fazer se eu você é um modelo de merda? Se ninguém quer contratar você porque você nem parece modelo de verdade? Eu só posso tentar te ajudar.

—Eu não vou mais fazer seu trabalho sujo! Eu tô apaixonado! -Assumiu, com a expressão menor agressiva, embora ainda continuasse com os olhos bem vermelhos.

—Apaixonado? Faça-me o favor…

—Eu vou conseguir ficar com o Carlos!

—Carlos? O suposto amante de Fernando. -Mauro sentou-se de novo. -Você realmente acha que aquele cara vai largar um milionário bem sucedido, bonito e que pode dar tudo para ele, por um zé ninguém que não conseguiu porra nenhuma na vida, que não tem nem profissão, que nem na misera carreira de modelo consegue ingressar? Realmente acha isso?

—Eu vou te matar desgraçado! -Roberto correu em direção da mesa do mais velho, subindo em cima dela.

Mauro se assustou com a reação, mas conseguiu sair de trás da mesa, pegando o celular e ameaçando ligar para a polícia, o que deixou o loiro assustado.

—Eu não vou mais trabalhar pra você! -Deixou claro o mais novo e logo saiu batendo a porta. Mauro voltou para a sua cadeira e suspirou.

[...]

Bernardo estacionou o carro na frente do prédio de Nathan. O ator se encaminhou junto com Guilherme, antes avisando que o loiro deveria subir o casaco e cobrir parte do rosto. Alguém poderia o reconhecer e avisar a Nathan antes da hora.

Bernardo acenou para o porteiro, que embora receoso, sempre havia deixado o moreno passar sem aviso. Nathan nunca havia relevado, mas o porteiro permanecia assustado de um dos moradores reclamar de seus serviços para o síndico, principalmente por ele ganhar algum dinheiro de Bernardo, por sempre o deixar passar. O porteiro se quer sabia da relação fraternal entre os dois ou da profissão de Bernardo.

Guilherme só o seguia, estava entrando na sua antiga casa, aquele lugar que lhe trazia muitas lembranças e principalmente lembranças ruins. E se Nathan não o deixasse sair daí? Se o garoto perdesse o contato de vez com Emanuel? Deveria mesmo confiar em Bernardo.

Seu tio não havia explicado o plano direito, mas parecia que ele sabia a forma que seu pai reagiria, havia contado toda a relação de Nathan com a empresa, que seu pai havia sido tirado de seu cargo, mas não sabia ainda que o tio era quem estava tomando de conta.

Ao chegarem no andar indicado, Bernardo sacou o telefone e discou.

—Alô? Bom dia… É da assistência psiquiátrica? Aqui é Bernard Mark… -Guilherme se assustou. Bernardo era proibido pelo pai de usar o nome de verdade. -É… Vocês podem vir aqui no endereço… Sim, rápido… Meu irmão está bem alterado… Sim… Urgência… Ele pode fazer algo conosco! Obrigado! Obrigado! Tenho que desligar… Venham rápido!

—Que merda é essa, Bernardo? Bernard Mark? Meu pai vai te matar!

—Quem devia tá preocupado com isso é você! -Guilherme sentiu o coração palpitar e logo a porta do apartamento foi aberta por Bernardo.

—Nate? Nate sou eu!

Bernardo entrou e Guilherme venho logo atrás, quase que se escondendo nas costas do tio. O apartamento estava um caos, o sofá estava todo sujo, tinham roupas pelos móveis, o chão estava imundo, tinha bebida no tapete e o que mais assustava o garoto era a mesa de centro de vidro, cheia de um pó branco que ele associou a cocaína. Tinha muito, algumas riscas pareciam já ter sido cheiradas. Um cartão de crédito estava ali em cima jogado.

—O que foi, Bernardo?

—Olha quem veio te ver? -Bernardo saiu da frente de Guilherme e o novo loiro se assustou ao ver os olhos do pai daquele jeito, as pupilas pareciam pular vivas dos seus olhos, a barba estava imunda e suja, o nariz sangrava um pouco. -Não vai abraçar o seu filho?

—Gui-Guilherme? -A pergunta era mais de surpresa do que uma pergunta mesmo… O moreno se encaminhou cambaleante até o filho e o segurou com força pelos dois braços. -É você? Não pode ser?

—É sim! Ele veio especialmente te ver… O que achou do cabelo dele? -O ator tirou o capuz da cabeça de Guilherme, Bernardo parecia incitar o irmão mais velho e Nathan parecia tentado a cair no jogo dele. Guilherme não sabia o que o tio estava tentando fazer. -Ahh… Ele estava com o professorzinho também…

E logo a confusão estava feita, Nathan atacou Guilherme pelo pescoço com voracidade e o menor iniciou os gritos de socorro com o ataque do pai, será que esse era o plano do tio, sabia que Bernardo era ganancioso, mas não que queria a empresa toda para si e matar o único herdeiro e possivelmente incriminar o irmão.

Nathan atirou o filho na porta e continuou apertando o pescoço, enquanto Guilherme continuava gritando por ajuda, o pai estava mais fraco desde a última vez que o havia visto, mas ainda sim, forte o suficiente pra machucá-lo.

—Alô? Sim… Venha o mais rápido, por favor… Ele está maluco! Sim… Ele tá atacando meu sobrinho. -Guilherme continuava gritando, mas conseguiu ouvir o tio falar no telefone, talvez fosse com a assistência psiquiátrica do plano, novamente. -OK, Nate… Chega! -Bernardo falou agarrando o irmão mais velho por trás e segurando com força para sair de cima do sobrinho.

—VOCÊ CONTAMINOU ELE COM A SUA DOENÇA, BERNARDO! EU DEVIA TE MATAR!

—Menos né? -Falou ainda segurando o irmão que se debatia com força, Guilherme estava encostado na parede, com as mãos no pescoço, o local estava dolorido, talvez muito avermelhado. -Você devia se controlar, ficar sendo louco tentando matar seu filho…

—ELE MERECE… NÃO MERECE UM TERÇO DO QUE EU DEI! FIZ O MAIOR ESFORÇO COM ESSE MOLEQUE MALDITO.

Por descuido, Bernardo soltou o irmão que novamente avançou sobre o sobrinho, mas logo em seguida correu e o pegou novamente, antes que ele machucasse o garoto.

—Chega né? -Comentou novamente o ator e logo a porta foi batida com força. e Guilherme abriu a mesma, sem largar o pescoço.

Bernardo deu um meio sorriso e largou o irmão de propósito. Nathan correu até Guilherme, mas dois enfermeiros estavam entrando e seguraram o mesmo, a confusão era grande no pequeno hall, o porteiro estava naquele andar ao ver a ambulância embaixo teve que subir e ver o que estava acontecendo. Nathan só gritava e tentava se soltar, fazendo ameaças de morte e gritando.

Guilherme até aquele momento não havia chorado, mas ao ver os enfermeiros segurando o mesmo, começou a chorar. Uma mulher entrou logo depois que os enfermeiros conseguiram sair e ir até o corredor, alguns vizinhos começaram a surgir nas portas ao ouvir a confusão.

—Você é o sr. Bernard Mark? -Falou ao se referir ao ator e viu a bagunça do apartamento. Como um bom ator, Bernardo fingiu um sofrimento.

—Sim… Aquele é meu irmão…

—Ele faz uso de psicoativos? -Bernardo apenas apontou para a mesa de centro, onde resquícios de cocaína ainda estavam ali. -Ele mora sozinho?

—Sim, eu moro em outro bairro e esse é meu sobrinho, filho dele, acabou de voltar da Inglaterra.

—E de onde veio tanta raiva e porque ele ameaça matar o filho? -A médica anotava tudo numa pequena folha enquanto os enfermeiros já tinham descido com Mark, talvez já o tranquilizando com algum medicamento.

—Nathan não aceita a sexualidade do filho e as drogas sempre estiveram presentes em sua vida… -Guilherme parecia assustado com a frase, será que Bernardo estava exagerando ou sendo sincero? -Depois que mandou o garoto pra Londres, acabou se sentindo só e triplicando o uso de cocaína…

—Ele deve ter aumentado muito o uso. Essa euforia é clara de quem usa muito e com muita frequência.

—Vocês vão levá-lo para uma clínica de reabilitação?

—Sim… -A médica suspirou. -Mas não se sabe até que ponto ele vai se recuperar com facilidade ou se vai chegar a se recuperar.

—O que a sra. quer dizer? -Perguntou Guilherme.

—O tratamento é difícil, pela quantidade que ele deve usar, talvez não seja fácil no começo… Esses psicoativos são muito fortes e quando se usa com muita frequência causam uma abstinência fora do comum…

—Pagamos qualquer coisa, Dra. -Comentou o ator. -Mas para termos acesso aos gastos, a sra. precisa atestar que Nathan está incapaz de utilizar os seus recursos financeiros. Guilherme é seu filho, maior de idade e único herdeiro, meu irmão não tem outra família além do filho e de mim…

—Bem… -A médica parecia receosa. -O atestado eu sou capaz de dar, mas vocês precisam fazer os testes de drogas, pra saber se estão com uso de psicoativos ou se usaram recentemente.

—Claro. -O ator comentou. -Fazemos todo o necessário, se quiser podermos ir agora. Na clínica de reabilitação esse teste é possível de ser feito?

—Sim, podem ir para lá agora mesmo, se possível -Logo todos desceram o elevador.

Bernardo foi para o carro com o sobrinho enquanto a ambulância saiu em seguida a caminho da clínica. Guilherme seguia nervoso e assustado, o moreno parecia calmo até demais, será que aquilo era premeditado?

—Porque um atestado de incapacidade?

—Como você vai movimentar as contas do seu pai, se ele não te deu nenhum direito a isso? Você é burro, guri?

—Mas eu não quero… Eu quero viver a minha vida…

—Sua vida é tocar a empresa, o espírito livre da família sou eu! -Bernardo comentou sem tirar os olhos do trânsito. -Lázaro está sabendo de tudo, você vai o deixar como membro majoritário da empresa e ele vai comandar tudo, até você ter estudado o suficiente pra seguir essa vida. Garoto, eu conheço usuários de drogas, seu pai está num caso que raramente consegue uma reabilitação total. Ele talvez passe um bom ano lá, até melhorar e ser colocado de volta na sociedade, mas na primeira oportunidade vai voltar para as drogas… Nathan usa isso desde que você era uma bebê, você não tem ideia de quanto isso já fudeu a cabeça dele!

—Eu não queria isso pro meu pai...

—Se quiser ter paz… Agradeça… Nathan é a pessoa mais controladora que eu conheci na vida, ele meu irmão e eu sei o que eu estou falando, Gui. Estude e tome controle da sua vida, a empresa está sob minha posse agora, já que eu era o único herdeiro aqui, mas você é o herdeiro, então ela é sua. Você não precisa abandonar seu pai, mas poderá controlar a vida dele como ele sempre fez com a sua e quis fazer com a minha. Ele vai tomar remédios tão fortes que mau vai conseguir ter controle ou vontade pra qualquer coisa, basta mantê-lo num lugar seguro, com uma acompanhante e o visite quando puder. Nathan não vai ser chefe da empresa nunca mais e mesmo que por algum milagre ele se recupere magicamente e consiga ter fôlego para voltar, os acionistas não arriscariam. Principalmente se você trabalhar com o Lázaro e se mostrar um bom empresário.

—Mas…

—Guilherme, você precisa ter controle sobre si agora! Chega de ser o garoto mimado que o pai resolveu tudo desde sempre. Eu achei que você tinha mudado ao ter fugido pro Brasil sozinho, mas pelo visto continua o mesmo mimadinho…

O tio havia dado um choque de realidade no garoto, talvez fosse bem aquilo que Guilherme precisava mesmo. Ter a posse do que era seu de verdade, e não necessariamente o dinheiro, mas as atitudes e a vida em si.

—Foi você quem deu drogas ao meu pai?

Bernardo vacilou por um momento. Diria a verdade?

—Desde que estou sendo bem sincero com você, foi sim. Fui eu quem apresentei cocaína para Nathan, mas eu era jovem e estúpido, quando percebi que era burrada, quando vi a maioria dos atores morrendo ou vendendo tudo para quitar dívidas ou tendo a cabeça e o corpo destruído pelas drogas, eu parei e tentei convencer teu pai a fazer o mesmo e ele parou por uns meses, mas logo voltou e eu não tenho culpa se ele permaneceu. Nathan sempre foi mais forte do que eu, mas deve ter ficado deslumbrado com o poder que a cocaína parece nos dar.

O novo loiro não sabia o que dizer e o tio optou por mudar de assunto.

—Vamos fazer esse maldito teste e provar que estamos limpo. Você resolve tudo com Lázaro, ele vai saber o que fazer com você, fora que você é inteligente, pode trabalhar durante o dia e estudar durante a noite, vai ser difícil no começo, mas você vai ver que vai ser bem prazeroso, quando começar a ver o negócio na empresa se encaminhando. Eu resolvo os problemas com a polícia, provo que você não foi sequestrado e sim só trazido e tudo se acerta e no fim, você vira o novo Mark na administração e eu me liberto dessa porra toda.

—O que quer dizer com isso? -Guilherme parecia nervoso.

—Gui… Eu tô apaixonado… E vou embora daqui!

[...]

Depois de ambos terem ido a clínica e feito o teste de drogas psicoativos no sangue, Guilherme estava sentado no refeitório para comer alguma coisa, o horário já era quase se almoço, mas o novo loiro não estava com vontade de almoçar, talvez apenas comer algum lanche rápido e voltar para casa.

Guilherme havia falado com Lázaro por telefone. O filho de Nathan já conhecia o empresário, Lázaro era amigo pessoal de Nathan, tudo graças ao ótimo trabalho de Lázaro, Nathan passou a confiar tudo nas mãos do empregado e amigo.

Lázaro havia dito que teria que marcar uma reunião com o pequeno conselho, que Guilherme deveria aparecer com o atestado do pai e dizendo o que havia acontecido, além de que deveria ser forte e não se rebaixar a nenhum do conselho pela sua idade. Além de usar roupas formais e claro, mudar o cabelo, essa última parte que o garoto não havia gostado tanto.

Guilherme estava terminando de comer sua coxinha pensando nos últimos acontecimentos e acabou por ouvir o telefone tocar. era um número dali, mas que ele não conhecia.

—Alô?

—Alô?—Ouviu a voz em inglês e logo assumiu ser Max. —Por favor, não desligue… Por favor.

—O que você quer?

—Estou no Brasil. Posso te encontrar?

—O que? Você veio para o Brasil?

—Eu precisava me explicar pra você!

—Explicar porque você me dedurou pro governo e ficou mais fácil ainda pro meu pai descobrir onde eu estava?

—Seu pai te achou?

—Na verdade, não… Quase isso, mas isso não importa mais… Max, não devemos nos falar. Você gosta de mim e eu estou bem resolvido com meu namorado, acho melhor não nos falarmos mais…

—Eu descobri que ainda amo meu primo, você é apenas uma distração… Mas…

—Mesmo assim! Eu não quero ter que acabar sendo uma distração e você sofrer, porque eu não vou poder arcar com seus sentimentos…

—Então… Você não quer nem me encontrar?

—Eu tenho muita coisa pra resolver, acho que melhor não…

—Ahh…—A chateação foi notável na voz do menor. —Então… Qualquer coisa você mudar de ideia, pode me encontrar no hotel…

—Eu não vou mudar de ideia! -Interrompeu antes do garoto continuar.

—Bem, tchau…

—Tchau!

E o brasileiro desligou a ligação.

[...]

Já estava quase anoitecendo e Bernardo estava sentado nas cadeiras de espera do aeroporto. Os últimos dias tinham sido exaustivos, a volta de Gui, a expulsão de Nathan da presidência, a crise do maior com o envolvimento de drogas e agora jogar Guilherme na empresa. Tudo tinha sido bem corrido.

Bernardo havia confirmado com Lázaro se Guilherme havia conversado com ele e o assistente havia confirmado que sim, Bernardo confiava no sobrinho, mas era melhor confiar. Bernardo havia dito que ele deveria tomar as rédias da empresa enquanto Guilherme começava a pegar o rimo.

O moreno também havia se comunicado com a polícia brasileira informando que Guilherme já havia sido achado, mas que na verdade, não tinha sido achado, ele como Bernard Mark havia autorizado o garoto a voltar. A polícia havia pedido mais provas e Bernardo havia mandado uma cópia do atestado de Nathan, fotos de Guilherme já no Brasil e em sua presença.

O investigador que estava tratando diretamente com o caso ainda não havia se confirmado e pediu um encontro com Bernardo, que foi rapidamente e mostrou a identidade, provando que era irmão de Nathan e o atestado físico do irmão e só assim o investigador disse que passaria as informações para o governo britânico e assim deixar tudo acertado.

O ator mal teve tempo de comer, tinha que correr e arrumar toda a mala para a viagem, conseguiu apenas avisar a Guilherme sobre a viagem, mas ninguém além do sobrinho fosse precisar saber, o negócio com o empresário do pornô já havia sido liquidado, o seu irmão estava internado e Alberto era a última pessoa que queria vê-lo.

E aquilo era o que mais doía em Bernardo. O ator queria se acertar com o ruivo, mas parecia que dessa vez o ruivo estava satisfeito em se livrar de Bernardo, o moreno decidiu então ir embora… Viajar pelo mundo com o seu dinheiro poderia ser um tanto exagerado, então. Decidiu passar um tempo pela Espanha, talvez começasse uma nova carreira lá, a pornografia meio que estava lhe cansando e a idade ia avançando, a maioria das produtoras não costumava contratar profissionais mais velhos, os novinhos davam mais dinheiro.

Era isso agora… Mudar de vida e ir para a Espanha.

[...]

O expediente já havia acabado e Fernando ainda terminava de revisar boa parte do relatório da última reunião. Era apenas os informes, pautas e decisões da última reunião, mas era sempre bom rever se tudo tinha sido escrito e feito direito para mandar a todos os acionistas. O moreno era extremamente profissional, não poderia deixar o mínimo erro de um relatório estragar todo o seu trabalho. Lidar com acionistas dava nisso. Por mais que Fernando fosse o grande chefe de tudo, ainda sempre tinha que dar algumas satisfações.

O moreno só parou o relatório quando ouviu o celular pessoal tocar. Apenas pouquíssimas pessoas tinham o seu número e por isso ele sempre atendia. O empresário apenas sacou o aparelho sem ver quem era e atendeu.

—Alô?

—Fernando?—O maior revirou os olhos, era Andreia. —Aconteceu uma desgraça. —O moreno levantou, a voz da mulher parecia entristecida e ela chorava.

—O que houve? Aconteceu algo com a Maria Luiza? -Fernando levantou-se com o susto.

—Fernando… Ela cortou um dos pulsos em casa e dessa vez mais sério do que o usual.

O empresário sentou-se novamente espantado com a notícia. A filha já tinha histórico de automutilação, mas ela estava melhorando, a terapia ajudava e até a relação dos dois andava melhor, não poderia ser algo que ele tenha ajudado, poderia? O maior passou as mãos pelo cabelo, ao imaginar que novamente o trabalho estava lhe afastando da filha.

—Onde ela está? Andreia eu tô indo agora…

—Ela… Ela está naquele hospital perto do meu apartamento, você sabe… Aquele que sempre levei ela…

—Certo… -O maior pegou a chave do carro de cima da mesa e saiu trancando a porta sem se importar se ia esquecer algo ou se faltava reler o relatório. Carlos poderia fazer isso… Ainda teria que avisá-lo… Mas a filha era o ponto importante agora. -Estou indo… Estou indo!

Fernando desceu, apenas dando um aceno rápido para o segurança. Entrou no carro e logo começou a correr por entre as ruas da cidade. Já era por volta das oito da noite, o trânsito não estaria tão maluco e então conseguiria chegar no máximo em quinze minutos.

O moreno tentou ao máximo não queimar nenhum sinal, causar algum acidente só pioraria tudo e Fernando sempre foi um exemplo no trânsito. O homem havia esquecido parte do dinheiro no paletó, felizmente no bolso estava com alguns cartões, talvez pudesse fazer alguma transação se fosse necessária ou até daria um jeito de Andreia pagar e depois reaveria o dinheiro dela, obviamente que ela iria exigir com juros, mas Fernando não estava se ligando nisso.

Estacionou o carro na primeira vaga que encontrou, estava torto e talvez dificultasse o carro do lado direito de sair, mas Fernando não se importava. O homem correu pelo estacionamento e entrou pela recepção e logo avistou Andreia. A mulher agarrava os próprios braços e os olhos estavam bem sujos de rímel, o que indicava que ela estava chorando.

—Onde ela tá? Posso vê-la? -Falou sem se importar com Andreia, o hospital estava vago, por ser caro e cheio de regalias, poucas pessoas podiam pagar e raramente o atendimento demorava mais do que quinze minutos.

—Ela está no primeiro andar, na sala cinco. Está tomando medicamento desacordada. Fernando, eu estou tão assustada.

O homem não se importou, apenas foi se encaminhando para a escada e começou a subi-la pulando de dois em dois degraus. O primeiro andar era da pediatria, o que deixava aquilo um pouco esquisito, Maria Luiza era para estar na emergência e não na pediatria, mas Fernando brigaria sobre isso depois. Andreia o seguia e o homem entrou na porta com a numeração cinco.

—Filha? -Falou, mas estava tudo escuro, bateu no interruptor e as luzes acenderam.

Dois homens fortes foram em sua direção e seguraram seus braços com força, Fernando tentava se soltar, mas estava complicado, eram fortes e dois, e Fernando não era forte, mal malhava, seu corpo só era saudável por alimentação e um pouco de caminhada e levantamento de peso.

—O que? Me soltem! -Tentou alarmar, mas logo um terceiro homem, esse de branco entrou na sala e segurou seu braço com força.

Fernando tentava se soltar, mas estava complicado e mexia no braço já imaginando o que viria, mas foi inútil, logo um líquido transparente foi injetado no seu braço e seu corpo começou a se tornar pesado, a visão foi ficando deturpada, até que ele não sabia mais de nada que estava acontecendo e apagou.

Só então Andreia entrou na sala, com um lenço limpando o rímel sujo dos olhos e olhando pro seu amigo médico, Pedro. Fernando foi jogado na maca ali ao lado.

—Então…

—Agora leva ele para esse endereço aqui… Da forma mais discreta possível, por favor. -A mulher entregou um pedacinho de papel com o endereço. -Não é muito longe daqui. Eu vou logo em seguida pra lá, não se preocupe, só faz o que eu te pedi e eu assumo, você não vai ter nenhum envolvimento e o dinheiro eu coloco na sua conta amanhã mesmo, depois que eu resolver tudo.

—Acho bom mesmo. -Duvidou o médico, mas deixou pra lá. Conhecia Andreia e sabia que ela só pagaria quando o serviço tivesse feito e bem feito e também sabia que como ela assumiria, o que ela fizesse depois não iria sujar para ele. -Então rapazes, levem ele na maca para a ambulância que está estacionada lá embaixo. O motorista ta sabendo de tudo, eu estou descendo logo em seguida, só vou trocar de roupa.

Os capangas despiram Fernando, o deixando apenas de cueca e cobriram seu corpo com o lençol da maca. Andreia apenas ouviu o final da frase e se encaminhou para o lado de fora, assim como os capangas que levavam Fernando como um paciente qualquer numa maca. Sua vingança estaria completa logo mais.

Notas finais
Esse foi um dos capítulos que melhor fluiu pra mim, escrevendo óbvio! Vocês leem devem ter uma perspectiva diferente... Eu acho que como tá perto do fim, todas as cenas são cruciais e ai acabo querendo escrever todas, os últimos três capítulos vão dizer um pouco sobre as verdades sobre o amor, eu separei 2 verdades por capítulo, deu um total de 6 verdades, acho que já são muitas verdades... Eu pensei, será que não deveria ser só uma verdade? Mas o amor é muito fluído e muito variado pra só ter uma verdade... Faltando 3 capítulos, acho que vou mesmo acabar antes de setembro... Torçam por mim! Essa semana pretendo escrever muito e se der tudo certo, postarei na próximo sábado... Torçam por isso também. Beijo e nos vemos ai! — Comentem e recomendem.