The Truth About Love!
18 XVII- De Mudança
Notas iniciais

—E então, bebê? Tá mais calma, amor da mamãe? –Falou a mulher tentando comprar a filha com o falso afeto. Maria Luiza estava no banco do carona apenas olhando para as unhas pintadas de vermelho. Andreia dirigia, mas pouco ligava para o trânsito, era um milagre ela nunca ter sofrido um acidente. A perua tinha tirado os óculos de sol e focava entre a rua e o rosto da filha. –Sabia que a mamãe morreu de saudades de você, meu anjo!
—Conta outra!
—Filha, sua mãe te ama!
—E então por que não me levou pra Nova Iorque? –Reclamou encarando a mulher. Andreia estava surpresa com o fato da garota ter mudado de estilo. As roupas pretas e largas deram espaço para um vermelho mais vivo e mais justo. Os cabelos sempre soltos e mal penteados de propósito, agora se encontravam presos e o sorriso aparecia com mais facilidade, pelo menos na mesa com o pai, pelo visto Andreia tinha passado muito tempo longe e deu bobeira.
—Filha, a mamãe não podia te levar! Você tinha a escola e outras responsabilidades no Brasil, além do que ter passado esse tempo com seu pai te fez bem, não tá vendo? Você tirou todas as roupas pretas e parece mais feliz, não é? Devia me agradecer por ter te deixado um pouco com aquele muquirana do Fernando!
—Não chama meu pai de muquirana! –Reclamou a garota e Andreia estava assustada com aquele tipo de defesa da filha em relação ao pai. –Sabia que ele é bem melhor que você? Ele é carinhoso e atencioso! E o Carlos ajuda muito! –Falou a garota nervosa!
—Esse garoto é muito influente na vida do seu pai e na sua também, não é querida? –A mulher estacionou o carro no prédio onde morava com a filha, que era perto do prédio do pai da sua filha. As duas desceram do carro e foram até o elevador, indo até o andar onde moravam.
O apartamento era grande, tinha uma suíte e dois outros quartos, uma sala ampla, uma cozinha equipada. Tudo comprado com o dinheiro de Fernando, já que a perua não trabalhava e nem queria, só a ideia de trabalhar fazia nascer uma ruga na testa da mulher e parece que a sua filha e, consequentemente, sua mesada iriam embora e vez. A garota entrou e foi direto ao quarto, pegou uma mala preta que tinha dentro do seu armário e jogou sobre a cama e abrindo o guarda-roupa para jogar tudo que cabia ali dentro.
—Você vai mesmo embora? –Perguntou a mãe sentando na cama, querendo conquistar a filha com sua fingida tristeza. A menina continuou. –Me fale um pouco mais sobre o Carlos, ele é algum tipo de assistente pessoal do seu pai? Ele trabalha na empresa?
—Ele trabalha com o papai e os dois se dão bem juntos! –Respondeu rápido, sem ter contato visual com a mãe e apenas terminando de por as roupas.
—Você sabe se ele tem algum relacionamento? Se ele é noivo? –Perguntou a perua ao lembrar-se da aliança na mão direita e claro, ela não esquecera que Fernando usava um modelo muito parecido. Logo Fernando que era completamente contra relacionamentos sérios.
—É... Eu acho que ele tem um noivo, sim! –Respondeu a garota fechando a bolsa e nem conseguiu ver o sorriso malicioso nos lábios da mãe.
—Um noivo? Ahh, então ele é mesmo gay?
—Por quê? Você tem algum problema com os gays? –Perguntou satírica a garota, saindo com a mala. –Que eu saiba todos os seus cabelereiros e maquiadores são gays!
—Não! Eu não tenho nenhum problema com os gays, já o seu pai... Nunca engoliu muito bem os gays!
—Parece que ele perdeu os preconceitos, então! Vou de táxi! –Avisou e fechou a porta com força.
—É... Parece mesmo que Fernando perdeu seus preconceitos! –Comentou sentando-se no sofá... A perua iria planejar algo... Ahh ia!
[...]
O ruivo estava pirando... Bernardo sempre tinha a habilidade de lhe deixar puto de ódio. O moreno não havia chegado ainda no Aeroporto de Belo Horizonte e logo seria a hora de fazer o check-in.
O processo já havia sido marcado, os dois chegariam aos Estados Unidos no outro dia, descansariam por dois dias e no terceiro dia seria iniciado o processo. Alberto levava poucas coisas, o que era surpreendente, afinal o ruivo sempre vaidoso e cheio de roupas para diferentes ocasiões levava apenas uma mala grande e uma pequena. O ruivo estava sério, não tinha planos para sequer sair do hotel... E não era pelos motivos que vocês estão pensando. Alberto não iria fazer sacanagens com Bernardo, pelo contrário, iria estudar o processo como sua vida. Não queria perder aquele caso de maneira nenhuma.
Bernardo estava descendo do taxi, havia deixado o celular em casa e sabia que o ruivo devia estar arrancando os cabelos e a barba de ódio do moreno... E claro, aquilo só excitava o moreno. Deixar Alberto louco de ódio, o deixava feliz e excitado. Ver o ruivo vermelho e pronto pra lhe “atacar” com suas palavras e suas expressões impagáveis.
O moreno entrou no aeroporto e caminhou até onde o ruivo estava que levantou ao ver o moreno se aproximar com duas malas grandes e completamente cheias de só Deus sabe o que!
—Bernardo! –Reclamou todo cheio de si o ruivo. –Você está atrasado! Se por acaso perdesse esse voo, talvez perdesse o processo, afinal você não chegaria lá a tempo!
—Para de reclamar, Beto! –Falou o moreno sentando ao lado de onde estava as malas do ruivo , sentando-se sempre despojado, com as pernas abertas.
—Bernardo! -Censurou o ruivo. Havia pessoas ao lado dos dois e o ruivo sempre gostava de manter as boas aparências.
—Para de reclamar, Doutor Alberto Duarte! –Ironizou o maior. Mesmo adorando o jeito explosivo do menor, às vezes Alberto se superava e conseguia deixar o maior igualmente irritado. –Você já fez o check-in?
—Ainda não, estava te esperando... –O maior o olhou maliciosamente e Alberto revirou os olhos. A cada dez pensamentos do moreno, onze tinha haver com pessoas nuas e sexo! Alberto pegou as suas duas malas e logo começou a caminhar para a região do check-in. Bernardo sorriu e entendeu que era pra seguir!
[...]
Era cinco e quarenta da tarde em Londres. Guilherme estava sentado na cama batendo as pernas no chão, esperando o loirinho sair do banheiro. Max falava no telefone, mas não falava em inglês, falava em francês e Guilherme não entendia nada com nada. Ao sair do banheiro, o loirinho se encaminhou até o garoto maior e ficou de frente a ele.
—Guilherme... –O castanho olhou nos olhos azuis de Max e esperou o menor continuar. –Você vai sair daqui às 18 horas, certinho. É a hora da troca de seguranças na entrada... Exatamente às 18 horas desse relógio. –Max entregou um relógio para o garoto. –Gui, você não pode sair pela entrada, tem que sair pelo muro! Perto da entrada tem uma árvore grande e subindo nela, dá pra você sair para o outro lado. Ao sair, você vai seguir pela estrada e logo vai avistar o carro da minha família, é um carro preto comum, o meu motorista já sabe que você vai sair e que eu pedi pra te levar para um hotel e na segunda pela manhã o seu voo vai sair para o Brasil... Não faça burradas no final de semana, afinal logo a coordenação vai saber que você fugiu... Eu vou fingir que não vou saber de nada, creio que você já vai estar no Brasil quando avisarem seu pai, dê um jeito de falar com ele, por favor!
—Darei! –Na verdade, a última pessoa que Guilherme iria procurar era seu pai... O monstro que lhe tirou de perto do seu amado e o jogou naquele país, onde ele não tinha nenhum contato com família e não tinha nenhum amigo. –Mas, Max... Você tá acostumado a fugir assim? –O loirinho sorriu e ficou levemente vermelho.
—Eu costumava sair com meu primo... Filho do meu tio, um duque. Nós costumávamos ir para a cidade e voltarmos, mas meu tio conseguiu um casamento pra ele, bem cedo com uma moça espanhola e os dois moram com meu tio em Cambridge.
—Mas... Vocês saiam? E ele era gay?
—Uhum, nós só saímos, nunca tivemos nada... Ele sempre teve muito medo do pai e aí nunca nem nos beijamos, mas ele já tinha me dito que me amava, só que como teve de casar... Acabou que nunca mais nos vemos.
—Ele também é neto da Rainha?
—É sim, mas acho bom você se apressar, daqui a pouco dá a hora e se você não sair daqui hoje não vai conseguir sair mais! Só próximo sábado! Perderá o voo e bem, eu não vou comprar outra passagem! –Sorriu o loiro ficando de pé. Guilherme ficou de pé também.
Max estendeu a mão para o castanho e Guilherme pegou na mão do loiro, mas apenas para puxá-lo pra mais perto e o abraçou com vontade.
—Obrigado por me ajudar com isso, você é realmente um príncipe, garoto! –Max suspirou baixinho e Guilherme percebeu que ele chorava.
—Obrigado por ser meu amigo e não me tratar só como o neto da Rainha... Obrigado por ter me tratado como um garoto comum de Londres! Eu vou sentir muito sua falta!
—Eu não vou poder levar nada? –Perguntou ainda abraçado.
—Não... Você não vai ter tempo de jogar uma bolsa e pular do muro e se você pular com a mochila pode acabar se machucando, então é melhor ir assim... Amanhã, meu motorista te levará algumas poucas roupas! –Max riu e Guilherme não entendeu. –Isso vai fazer a imagem do Internato ir pelos ares... Um aluno foge e viaja até o Brasil sem que ninguém descubra!
—Realmente, é muita doidera! –Guilherme deu um selinho no loiro, numa forma de agradecimento. –Você vai achar um cara incrível, ok? E sua primeira vez vai ser tão incrível quanto a minha! Tenha uma ótima noite!
—Espero que possa te ver alguma outra vez na minha vida... –O loirinho comentou entristecido.
—Você vai ver, meu número de telefone tá em cima do criado-mudo, então, quando tiver no Brasil me liga que trocaremos outras redes sociais e assim, vamos manter contato, mas prometo te ver novamente... –O abraço acabou. Guilherme saiu correndo por que o horário estava apertado e deixou o jovem Max ali, que sentou-se na cama e começou a chorar sozinho... Ao saber que o garoto que amava iria embora encontrar com o amor da vida dele.
Guilherme não levava absolutamente nada, o relógio já marcava cinco minutos para as dezoito horas e o castanho havia chegado ao ponto onde o amigo havia dito. Era uma árvore grande que ia até o lado de fora do muro, mas os guardas na entrada escola viriam qualquer pessoa ali, menos na hora da troca. Havia dado dezoito horas, Guilherme olhou de relance para frente, onde dois seguranças saiam e se encaminhavam para dentro do prédio escolar, no instante em que eles chegassem no vestiário para trocar de roupa e irem embora, seria o mesmo instante em que os dois outros seguranças sairiam e iriam para o portão de entrada. Assim que os dois sumiram da vista de Guilherme, o garoto castanho subiu o mais rápido que pode na árvore e foi até a parte de cima do muro. Era incrível que naquele muro não tivesse nenhum tipo de cerca elétrica e ninguém saia da escola, exceto Max e o seu primo que já havia ido embora do internato.
O castanho pulou e logo caiu no chão e rolou. Ao ficar de pé, percebeu a estrada e começou a caminhar o mais ágil que poderia. Guilherme correu e correu, sem olhar pra trás e sem ligar pra qualquer tipo de movimentação possível atrás de si.
Depois de quase dez minutos de corrida incessante, o castanho avistou um carro preto bem luxuoso, com um motorista fumando um cigarro ao lado da porta do carro. O castanho voltou a caminhar devagar, aquele momento ninguém lhe pegaria mais. Ao se aproximar do carro, o homem de cabelos negros abriu a porta do passageiro e falou com ele.
—Senhor Guilherme? Pode entrar e fique a vontade...
—Obrigado! –Agradeceu o garoto e logo entrou no carro. O motorista fez a volta e se encaminhou para o lugar destinado a ele. O moreno sentou-se e logo ligou o motor. –Pra onde vamos?
—Hoje iremos para um hotel, amanhã voltarei aqui e o senhor Max lhe mandará algumas roupas e bem, creio que na segunda o senhor já vai estar voltando para o seu país!
—Obrigado! –Agradeceu... Guilherme estava emocionado só com a possibilidade de voltar ao seu país. Era... Talvez na terça-feira o loiro já estaria abraçado ao loiro novamente.
[...]
O sol já amanhecia nos Estados Unidos da América. O voo de Bernardo e Alberto acabava de aterrissar na terra do Tio Sam. O ruivo não havia pregado o olho, estava ansioso com o processo e todo o possível desenrolar que lhe traria.
Se o caso fosse selecionado, Bernardo ganharia uma nota e ao voltar ao Brasil, qualquer contato entre o ruivo e o moreno seria muito improvável. Mauro Mendonça já havia deixa claro que iria atormentar o ruivo e seu parceiro. E com o fim o caso, qualquer tipo de desculpa de encontro entre Bernardo e Alberto seria ridícula demais, tão ridícula que Mauro Mendonça teria mais motivos para acreditar no amor entre Bernardo e Alberto. E o sempre racional Alberto estava com o coração apertado. Pela primeira vez, o ruivo estava dando atenção ao seu coração.
—Bom dia, ruivo! –Falou Bernardo abrindo os olhos, o moreno havia dormido quase que a viagem inteira e o advogado havia o admirado a viagem inteira, definitivamente o que o ruivo sentia era amor. –Estamos chegando?
—Já chegamos! Ia te acordar agora mesmo, para podermos descer e ir para o hotel!
—Vamos nos divertir no hotel? –Sorriu malicioso o moreno, se espreguiçando na cadeira. As luzes do avião começaram a acender e logo as aeromoças começaram a convidar os tripulantes para descer.
—Vamos nos divertir lendo sobre o seu processo e ensaiando todos os argumentos e contra-argumentos... –Disse o ruivo levantando e caminhando para a saída. Bernardo levantou e seguiu o advogado até a saída.
Os dois desceram e foram pegar toda a sua bagagem, para que assim pudessem seguir para o hotel. Nova Iorque sempre foi um dos lugares favoritos de Alberto, mas talvez a partir daqueles dias, o ruivo fosse odiar aquela cidade, talvez até aquele país.
Ambos pegaram suas bagagens e seguiram para o zoneamento destinado aos táxis, com seu inglês espetacular, Alberto disse o nome e o endereço de seu hotel e logo os dois se encaminharam.
A fachada era grandiosa cheia de adornos modernos e o prédio era altíssimo e monumental. Uma arquitetura pós-moderna e bela. O táxi parou bem em frente à entrada, ao descerem do carro e irem até o porta-malas. Um funcionário pegou todas as malas e se encaminhou pra dentro do grande hotel, junto ao moreno e ao ruivo.
—Por favor, a reserva de um quarto para o Dr. Alberto Duarte? –Iniciou o ruivo junto a recepcionista.
—Claro, quarto número 157 no sexto andar.
—Alcança todas as exigências que eu pedi? –Perguntou o advogado e logo a recepcionista sorriu e confirmou. Bernardo entendia bem inglês, mas não falava tão bem, falava apenas o necessário. Sorriu ao ouvir que as exigências do ruivo foram atendidas. Talvez, fosse uma hidromassagem, um quarto grande e cheio de pequenos detalhes sensuais e sexuais.
Os dois seguiram para o elevador e logo começaram a subir. Bernardo não agarraria o ruivo ali, só no quarto. Ao chegarem ao sexto andar e irem direto a porta. Alberto passou o cartão e logo ela destravou, as malas subiriam alguns minutos depois.
Bernardo abraçou o ruivo por trás e logo sua boca foi em direção ao pescoço branquinho de Alberto, o ruivo não esboçou nenhuma reação apenas adentrou no quarto junto ao moreno e os olhos castanhos de Bernardo foram abertos ou melhor, arregalados!
Alberto havia exigido duas camas de solteiro, ou seja, seriam noites separadas...
—O QUE? –Gritou o moreno largando a cintura do ruivo que seguia caminhando como se nada tivesse acontecendo. Bernardo segurou o antebraço e girou o corpo do menor com agressividade. –QUE BRINCADEIRA É ESSA?
—BRINCADEIRA NENHUMA! PARA DE GRITAR! –Alberto empurrou o corpo do maior com a mão livre e o Bernardo lhe soltou! –Nós não estamos de férias, Bernardo! Isso é sério, é um caso não são férias! Eu vim a trabalho e se você não reparou, eu sou bem sério nesse aspecto! –Falou o menor com agressividade e Bernardo se encaminhou para a porta. –Aonde você vai?
—Eu vou tomar um ar! Daqui a pouco, eu subo! –Falou abrindo a porta e já saindo... Quem havia iniciado a viagem puto era Alberto, mas os dois sempre eram esquentados e brigões e quem estava puto na situação atual era Bernardo!
[...]
Era domingo pela manhã. Carlos estava em seu quarto arrumando a última mala para a mudança. A mãe do loiro ainda estava chorando com a mudança do filho, mas entendia que era por um bom motivo. O marido a apoiava, a abraçando e dizendo que ela focasse nas outras filhas, que Carlos era um homem e que tinha que seguir seu rumo. O loiro havia abraçado a mãe quase que cem vezes só aquele dia e dizia que viria visitá-la sempre.
Era um total de 3 malas grandes com metade do guarda-roupa de Carlos, o loiro começou a descer as escadas do antigo sobrado que morava com duas das malas e seu pai descia atrás com a outra.
—Filho, você vai ficar bem? Qualquer coisa, pode voltar pra casa, tá? Nós estamos de portas abertas sempre pra ti! Durma cedo todos os dias, tá? E não deixe o quarto bagunçado!
—Eu sei, mamãe!
—Filho, desculpa a sua mãe, ela tá muito nervosa com a sua ida. –Seu pai explicou e Carlos sorriu... Sua mãe sempre foi muito apegada a ele e a recíproca era verdadeira. Logo a campainha tocou e Carlos se assustou, não havia nem terminado de ligar para o taxista e ele já havia chegado? Mas... Taxistas tocam campainhas? Uma das gêmeas foi abrir a porta e para a surpresa de Carlos, o belo terno, o cabelo preto bem penteado, os olhos verdes e o sorriso simpático, mostravam Fernando.
—Olá? –Falou o moreno e logo ficou sem entender todas aquelas malas, as lágrimas nos olhos da sua sogra, será que os pais de Carlos estavam se separando? Mas se estivessem por que estavam abraçados? –O que aconteceu? –Perguntou olhando para Carlos, que estava vermelho de vergonha. O loiro não havia dito ainda da mudança para Fernando e sabia que o moreno iria ter uma crise.
—Fernando! –Gritou a sogra que descia as escadas, foi até o genro e o abraçou forte, os dois se gostavam muito, aliás, todos naquela casa adoravam Fernando e sua filha. –Tenta mudar a ideia do Carlito... Ele quer ir embora!
—Embora? –Perguntou olhando para a sogra e logo virando os olhos para o noivo. Carlos continuava vermelho de vergonha, mas de cabeça baixa. –Embora? Mas embora pra onde Carlos? Por que eu sou o último a saber que você vai pra minha casa?
—Seu carro tá aí? –Perguntou rápido e o maior apenas acenou que sim. –Vamos conversando! –Disse se encaminhando para saída.
Já no carro. As malas estavam nos bancos de trás, Fernando com as mãos no volante e Carlos com as mãos sobre as pernas no banco ao lado.
—Por que você tá indo lá pra casa? Brigou com alguém? Com seu pai?
—Eu não tô indo pra sua casa, amor... –O moreno continuava olhando para o loiro esperando o final da explicação. Carlos olhou para o moreno, aquilo tinha que ser dito olhando nos olhos. –Tô indo morar com o Manu. –O empresário arregalou os olhos, mas não falou nada a princípio.
—Você tá indo morar com aquele professor loiro? –Falou visivelmente chateado. –Por que isso?
—É... –Carlos continuava olhando nos olhos do moreno. –Ele tá passando por uns problemas, está desempregado, o cara que ele gostava teve de ir embora e bem, eu sou o único amigo que o Emanuel preservou nos tempos de faculdade. Ele precisa de mim...
—Eu também preciso de você! –Interrompeu o moreno rapidamente, os olhos ainda olhavam um para o outro. –Como você pode me largar assim do nada, indo morar com outro cara. O seu noivo sou eu!
—Isso não me torna menos noivo seu! –Explicou o loiro ainda olhando para o moreno. Os dois estavam levemente alterados, mas Carlos entendia o motivo da chateação de Fernando. –Olha... Amor! –Falou fazendo o moreno o olhar seriamente. –Eu te amo, você sabe... O Emanuel é uma pessoa muito especial na minha vida, ele é meu melhor amigo há muito tempo e eu tenho que ajudar ele nesse momento da vida dele, mas o nosso relacionamento continua sendo a minha prioridade... Você continua sendo a minha prioridade! –Falou e levou uma das mãos até o moreno, apertando com força a mão do empresário. –Nosso noivado, nossa relação de trabalho, nossas fugidas para o motel, nossos almoços de sábado e nosso domingo juntos vão permanecer iguais e felizes, mas ao mesmo tempo que eu e você seremos felizes, eu também tenho que mostrar apoio ao meu amigo... Saiba que eu sempre fui fiel aos meus relacionamentos, mas também saiba que eu sempre fui fiel aos meus amigos!
—Você é a pessoa mais apaixonante do mundo! –Falou o moreno levando seus lábios de encontro aos lábios doces e fininhos de Fernando. O beijo foi singelo, mas cheio de sentimento. –Isso não muda o meu ciúme bobo, mas vou tentar melhorar isso!
—Apenas continue sendo o melhor homem do mundo! –Falou o loiro se jogando nos braços de Fernando, mesmo dentro do carro e ambos trocaram outro beijo apaixonado e logo seguiram para a casa de Emanuel.
[...]
Mauro Mendonça trabalhava sem parar, jornalistas costumavam trabalhar todos os dias, independente de finais de semana ou feriados, aquilo era comum, afinal o mundo das notícias não para. O negro usava trajes leves, por ser domingo e estar quase sozinho na redação do jornal. Apenas outros dez funcionários trabalhavam na empresa.
O telefone do dono do jornal tocou incessantemente. Mauro bebeu mais uma gole de seu café amargo e atendeu a ligação.
—Redação, bom dia! –Falou como se fosse um qualquer, só queria realmente pegar furos importantes.
—Gostaria de falar com o doutor Mauro Mendonça, por favor?—A voz feminina se fez presente.
—Quem deseja?
—Senhor é uma informação muito confidencial e do total interesse dele. —Mauro revirou os olhos, aquele tipo de coisa era comum, mas resolveu dar uma chance e ouvir qual seria a “revelação bombástica” que a mulher lhe diria. –Alô?
—Só um minuto passarei a ligação para o doutor Mendonça. –Falou o próprio batendo o telefone fortemente. O negro caminhou até a sua sala, onde atenderia como o sensacional jornalista Mauro Mendonça e saberia das notícias da mulher.
Ao sentar-se em sua sala, o telefone tocou novamente e ele atendeu.
—Escritório do Doutor Mendonça, bom dia!
—Bom dia, doutor Mendonça! Aqui quem fala é Andréia Castilho, ex-mulher de Fernando Malfitano.—Mendonça quis rir, Andréia Castilho nunca havia sido mulher do empresário Malfitano, apenas uma mulher com o ego inflado como Andréia diria que era ex-mulher de Fernando, ou seja, Mauro sabia que era a própria.
—Bom dia, senhora Castilho. Para ter ligado para mim, só pode ter alguma coisa que queira dizer a mídia, tem haver com o senhor Malfitano? –Andréia já havia ligado em outros tempos para o jornal de Mendonça. Com acusações chulas sobre Malfitano, dizendo o quão cachorro era o empresário e quanto ele gostava de transar e desfrutar de dinheiro. Nada que fosse necessário para ser pauta de alguma coisa.
—Sim. Doutor Mendonça, eu tenho um furo espetacular e que faria o seu jornal vender horrores. —Mendonça começou a riscar o papel sobre a mesa ignorando totalmente a fala da mulher. –Isso seria um caos midiático.
—Pode falar sou todo ouvidos!
—Saiba que Fernando está envolvido em dois escândalos... O cafajeste está se metendo com um secretário da própria empresa, sim eu disse secretário, ou seja, além de assédio sexual o desgraçado ainda é viado!—Exaltou-se a mulher ao telefone. Mendonça quis gargalhar com a idiotice da mulher.
—Dona Andréia, se não me engano, há alguns anos a senhora me ligou dizendo o quão “hétero” era o senhor Malfitano e como ele gostava de se esbanjar com rabos de saia, agora a senhora quer me dizer que ele deixou os rabos de saia e se encantou apenas por rabos? –O jornalista quis desligar a ligação naquele mesmo instante.
—Exatamente! Carlos é o nome do viadinho e seria imprescindível que o senhor investigue, além de claro, isso facilitar para que eu consiga a guarda definitiva da minha filha, além de arrancar dinheiro daquele salafrário.
—Dona Andréia, minhas sinceras desculpas, mas eu tenho bem mais o que fazer... –Quando quis levar o telefone ao gancho, ouviu um último grito.
—EU PAGO O INÍCIO DA SUA INVESTIGAÇÃO!
—Como?
—Eu pago o início da sua investigação, o primeiro mês será custeado por mim, se conseguir algum furo o senhor me paga de volta, se não, não se preocupe, não lhe custará nada.
—Parece interessante. –Mauro não era burro, sabia que Andréia era uma muquirana, a mulher só gastaria dinheiro se tivesse no mínimo alguma suspeita sólida das novas práticas sexuais do ex. E se Malfitano fosse mesmo gay, aquilo favoreceria a sua caçada por um novo amor. Malfitano era belo, rico e com certeza devia ter um belo membro entre as pernas... E, para Mendonça, o empresário se interessaria bem mais por um jornalista bem sucedido, do que por um suposto secretário que talvez não tivesse onde cair morto.
—Então? Vai acreditar em mim?
—Preciso pensar, dona Andréia... Posso lhe ligar durante a semana?
—Se até quarta não me ligar, buscarei outros jornalistas...
—Antes da quarta terá sua resposta... E creia na possibilidade de ser positiva. –Sem qualquer despedida, Mauro desligou a ligação e levou a caneta até os lábios grossos. –O advogado Duarte é gay e namora um puto... Talvez Malfitano seja gay... Pelo visto essa cidade está melhor que a encomenda!
(IMPORTANTE!)
Então... Mais uma vez, vosso autor vem comunicar notícias não tão boas! Quer dizer, quem se importar comigo, vai achar boa, agora quem só se importa com as fics, vai achar uma barbaridade!
Resolvi ser rápido, nada de muita conversinha...
Algumas pessoas aqui sabem que eu estudava Geografia na UFC e então, meu tempo era bem reduzido... Tanto que no semestre passado, eu acabei deixando as fics para me dedicar apenas aos meus estudos e meu futuro como Geógrafo, mas... Houve uma mudança na minha vida! Eu consegui depois de algum tempinho, consegui o que eu tanto queria... Uma vaga em Arquitetura e Urbanismo na UFC e poxa, eu estou radiante de felicidade, afinal finalmente eu realizarei meu sonho! Essa é a notícia boa de quem se importa comigo... Agora vamos a ruim!
A Grade Curricular de Arquitetura é considerada uma das mais carrascas da UFC. Para vocês terem uma ideia, em Geografia eu tinha normalmente 20 horas-aulas na semana. Em Arquitetura, esse número subirá para 28 horas-aula na semana, ok, só subiu 8 horas-aulas, mas se com 20 eu estava sobrecarregado imagina com 28! O que eu tô querendo dizer é que... Mais uma vez, e me dói tanto dizer isso, mais uma vez, as fics entraram em Hiatus... Todas as três e a previsão de volta é apenas em Junho, ou seja, serão por volta de quase cinco meses sem atualização em nenhuma fic...
Bem, para os compreensivos, eu só tenho a dizer que... Quero dar o meu melhor em Arquitetura e Urbanismo, eu quero ser um profissional exemplar e completo... E pra isso, temos de abdicar de algumas coisas que nós amamos... E entre elas, pra mim, está escrever! Então, a próxima atualização dessa estória será apenas em Junho, talvez nos dias de Copa, como eu odeio futebol, irei escrever muito nesses dias... Outro ponto! Eu pretendo terminar todas as estórias em Junho-Julho (período de férias da UFC) para que em agosto, eu não tenha que fazer isso por uma terceira vez né? Vocês já devem estar cansados de me ver aqui me desculpando por essas coisas, então nos veremos aqui em “TTAL” em junho, espero realmente o entendimento de vocês e claro, a continuação no acompanhamento!
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