Notas iniciais
Oioi!
Ando respeitando o prazo hein? Viram como eu sou uma boa menina?
Não sou?
Não?
Ok -q
Enjoy!

No dia seguinte, os Killjoys se levantaram para treinar, como de costume. Eles sabiam que Poison não ia lhes dar descanso só porque passaram uns dias no hospital. Muito pelo contrário, lhes daria mais trabalho ainda.

Porém, tiveram uma surpresa: não encontraram a chefe no pátio e nem na arena. Perguntando-se aonde ela tinha se metido, os quatro Killjoys começaram a busca por Poison Heart. Ela não podia ter ido muito longe, considerando o horário absurdo.

Os quatro rodaram a Base inteira e não acharam Poison Heart em lugar algum. Terminaram voltando para a arena, ligeiramente frustrados por não terem achado a chefe. Infelizmente, não havia muito a fazer, portanto, simplesmente se sentaram e aguardaram. Alguns minutos mais tarde, Poison Heart apareceu, com a face corada e os cabelos bagunçados. Sua habitual maquiagem não estava no rosto e seus olhos demonstravam cansaço extremo. Vendo o estado da chefe, os Killjoys não puderam deixar de indagá-la o porquê daquilo tudo.

-Não é da conta de vocês. – respondeu Poison, rispidamente – Olha, eu não tenho tempo pra explicar, portanto, vocês estão livres.

-Eu... Oi?!

-Você ouviu direito, Fun Ghoul. – retrucou ela – Estão com o dia livre hoje. Mas só hoje.

-Mas... Mas por quê? – indagou Party Poison.

Poison Heart suspirou e avançou até o ruivo, segurando sua raygun contra a garganta do aluno.

-Escuta aqui, Party Poison. Eu estou pertinho de conseguir convencer Plastic a me dar uma permissão para ir a uma missão. Ou você me atrapalha e acaba com todos os meus planos ou você coopera e vai à porcaria da missão comigo. Estamos entendidos?

-S-s-sim... – gaguejou Party, assustado.

-Ótimo. – rosnou a chefe. Poison tirou a arma da garganta de Party e se retirou da arena, encontrando-se com Adrenaline no meio do caminho.

-Já está tudo pronto? – indagou ela.

-Sim. – respondeu Adrenaline – Já vou avisando-lhe: Plastic não é a pessoa mais agradável do mundo. Se bem que eu estou avisando pra pessoa errada... – ela lançou um olhar inquisitivo. Poison bufou.

-Ok, ok. Sou desagradável. Já entendi. Agora, se já acabamos com as indiretas, será que podemos ir logo?

-Claro. – Adrenaline deu de ombros e guiou a amiga até o elevador. Na pequena cabine, ela digitou um número estranho no painel, um número que Poison nunca havia visto alguém digitar no elevador. Um solavanco e as duas estavam subindo. E subiram. E subiram. E subiram.

-Não chegamos nunca?

-Paciência, Poison.

Ela bufou.

Uns três ou quatro minutos depois, as duas amigas finalmente chegaram no andar que precisavam.

-Aleluia. – disse Poison ao pisar para fora da cabine.

O andar em que se encontravam era desconhecido pela chefe. Dois corredores iluminados a ladeavam, corredores que, aparentemente, não levavam a lugar nenhum. Adrenaline a arrastou para o corredor da esquerda. Viraram diversas vezes, andando entre portas e mais portas, até chegarem ao fim do corredor, com uma porta particularmente diferente. A moldura era dourada e a porta em si parecia mais uma tela do que uma porta. Sua coloração era esverdeada e pequenos quadrados eram visíveis. Poison Heart franziu a testa. Adrenaline a empurrou para o lado levemente e tocou nos quadrados em uma ordem estranha. A porta se abriu, ou melhor, deslizou para baixo e as duas puderam entrar.

O cômodo era bem amplo. O chão brilhava de tão limpo que era, as janelas estavam abertas, dando um ar “limpo” ao recinto. No fundo, havia uma mesa de mogno extensa com várias coisas em cima, incluindo uma raygun branca com contornos dourados e três listras vermelhas. Nos cantos do cômodo, havia armários, provavelmente com estoques e mais estoques de formulários e coisas do gênero. Atrás da mesa, havia uma cadeira onde Plastic Crash estava sentada.

Plastic Crash era uma mulher de expressão severa. Seus cabelos castanhos estavam presos em um rabo de cavalo, seus olhos negros como um abismo estavam grudados em um papel à sua frente. Vestia uma camiseta verde-musgo com um colete azul escuro por cima, calça jeans e tênis em estado terminal. O típico uniforme Killjoy. Em seu pescoço, um pingente com o símbolo de uma aranha com quatro ‘x’ em cima. Era o símbolo dos fundadores das Bases.

Adrenaline pigarreou para chamar a atenção. Plastic levantou o olhar e juntou as mãos em cima da mesa.

-Adrenaline Danger Heart, senhora. – ela fez um gesto respeitoso – Esta é minha colega Poison Heart.

-Poison Heart... Aquela que chegou aqui bem pequenininha? – indagou a chefe. Sua voz era autoritária e enchia a sala inteira.

-Sim, senhora.

Plastic suspirou.

-O que querem?

-Minha colega queria pedir uma permissão para ir à uma missão.

Ela arqueou as sobrancelhas.

-Pode nos deixar sozinha, Adrenaline Danger Heart?

-Com certeza. – ela repetiu o gesto e fechou a porta, deixando Poison e Plastic a sós. A primeira se aproximou lentamente da fundadora, sem medo algum.

-Então? Para que quer sair em uma missão?

-Creio que já esteja sabendo sobre o que aconteceu com os Killjoys Party Poison, Jet Star, Fun Ghoul e Kobra Kid.

-Receio que sim.

-Isso tudo aconteceu por culpa minha... Eu deveria ter ido com eles e não fui... Portanto... Peço sua permissão para sair à procura da base central da BL/Ind. mais uma vez.

Plastic Crash suspirou.

-Sabe o que aconteceu da última vez que mandamos um chefe em uma missão?

-Eu sei, eu sei! Green Carbon e tudo o mais! – disse ela, exasperada – Mas você não entende? Isso pode destruir a Base! Aliás, não só a Base, mas toda a organização Killjoy!

A fundadora pareceu um pouco confusa.

-Veja bem, estão atrás de Sunshine...

-Sunshine?

-É, uma menina. Não sei muito sobre ela, mas enfim, estão atrás dela, ninguém sabe o porquê. Só sei que, se conseguirem pegá-la, não será nada bom para ninguém.

Plastic suspirou.

-Escute, Poison Heart, entendo que isso é importante para você e tudo o mais, mas eu não posso arriscar, entende?

-Entendo, mas você não sabe o quanto essa missão é essencial para a sobrevivência da Base!

-Poison Heart! Eu sou a fundadora da Base e sei o que é essencial para ela! Não acho que foi você que chegou em uma área totalmente abandonada e fundou isso que, hoje, você chama de lar.

A chefe cerrou os punhos, mas se acalmou. Ela não tinha medo de Plastic Crash, diferentemente de vários outros. Só tenho medo de Dr. D., pensou ela.

-Plastic Crash, eu preciso da autorização.

-E eu preciso de chefes vivos! Fim de discussão!

Poison bufou.

-Plastic, pelo amor de deus, nós precisamos entrar em uma missão! Você não entende? Todos vamos morrer se eu não for até a BL/Ind. e acabar com ela!

-Ah, é pra isso que você quer?! Aí é que você não vai mesmo!

-Argh! Por favor! Eu imploro!

-Não. É a minha palavra final.

-Mas...

-Você sabe pelo que vale lutar quando não vale a pena morrer? – ela rosnou.

-Sim!

-Então pronto. Desista da luta.

-Nunca. Killjoys não desistem.

Plastic Crash suspirou fundo mais uma vez.

-Ok. Mude minha opinião. Estou esperando.

Poison se preparou e disse:

-Ninguém está feliz aqui, Plastic. Todos já notaram o clima tenso na aqui Califórnia, principalmente nas Zonas. Nós precisamos descobrir o que houve. Se não quer ceder a permissão por mim, faça isso pela Base... Ou, melhor ainda... Faça isso por seus amigos... Sua família... Eles merecem um mundo melhor... Sem pílulas e remédios entorpecentes que praticamente realizam uma lobotomia em você... É só isso que eu quero fazer: proporcionar a todos um lugar melhor...

Plastic se contorceu um pouco.

-Argh! – ela se levantou subitamente, vasculhou entre uma gaveta, pegou um dos papéis e escreveu nele apressadamente, entregando-o para Poison logo depois – Aqui. E não me perturbe mais com isso.

-Obrigada! – Poison parecia a ponto de sorrir, mas todos sabiam que ela nunca fazia isso, portanto, ela virou-se e foi embora do andar sombrio, encontrando Adrenaline do lado de fora.

-Conseguiu?

-Sim.

Ela arregalou os olhos.

-Como?!

-Persuasão. – respondeu a chefe com simplicidade. Adrenaline arqueou as sobrancelhas, mas nada disse. Simplesmente guiou a colega de volta para o elevador e ambas desceram até o térreo novamente.

Notas finais
Talvez tenha sido uma infelicidade eu ter parado aí, mas tem um motivo (DESSA VEZ TEM -QQ): no capítulo seguinte eu vou mostrar o que aconteceu com os nossos quatro Killjoys enquanto a Poison falava com a Plastic.
Sim, o que aconteceu com aqueles quatro vai ser importante. Tipo... MUITO importante.
Enfim... Beijo -q