The Trip
5 Capítulo 5
Notas iniciais
Andei timidamente até o sofá onde estava Brian, que estava distraído com algo nas mãos.
Depois de quase ir de encontro ao chão, porque as luzes continuavam apagadas, sentei-me ao lado dele — que ergueu a cabeça para olhar para mim.
Ele pareceu me examinar durante alguns segundos, e, pensei ter visto desapontamento em seus olhos. Rapidamente lembrei-me da maneira como estava vestida antes — muito exposta.
A roupa que escolhi para usar agora foi um short jeans azul escuro pouco acima dos joelhos e uma camisa de mangas. Ele não estava decepcionado porque eu estava usando algo menos transparente e curto, estava? Bem, ele demorou seus olhos nas minhas pernas — as únicas partes do corpo bastante expostas...
– Então — começou -, eu os caras alugamos alguns filmes hoje e achei que poderíamos assistir eles agora. — falou, mostrando-me algumas capas de DVD's na mão, não pude saber qual eram nem do que eram porque havia apenas capas mostrando o nome da locadora.
– Tudo bem, pode ser — eu disse, mas estava nervosa por ter que ficar com aquele desconhecido durante um filme inteiro.
Ele levantou-se e andou até o aparelho de DVD diante de nós, pondo o filme no mesmo. Quando estava voltando para seu lugar ao meu lado, percebi que ele estava sem camisa. Fixei meus olhos naquele peito nu e tatuado, sem me dar conta do que estava fazendo. Ele percebeu e soltou uma risadinha — foi embaraçoso... Para mim, pelo menos.
Assim que apareceram fotos na televisão de corpos sendo mutilados, sangue escorrendo, me perguntei se ele escolhera um filme de terror propositalmente para, nas partes mais sangrentas, eu correr para seus braços. Mas, ah, adoro filmes de terror.
– Terror. Tudo bem para você? — perguntou ele, percebendo meu olhar. E então havia um sorriso e olhar desafiadores. Eu nem o conheço, não acho que já seja hora para brincar. Mas, na verdade, eu gostei.
– Adoro terror. — respondi e o filme começou a rodar.
Uma hora e meia de filme depois, uma cena me deixou muito tensa: um casal, que logo seria assassinado, estava transando selvagemente. Meu Deus, está tão explícito que parece que o filme de terror foi gravado sobre um filme pornô.
Olhei Brian pelo canto dos olhos para saber se ele estava tão desconfortável quanto eu, mas ele parecia estar se divertindo.
Pensando que talvez ele tenha posto o filme para que eu o agarrasse e seguíssemos o mesmo do casal no filme, baixei os olhos para o chão sob meus pés.
Um cobertor grande. Um lençol grande, e dois travesseiros. Tudo desarrumado.
Era como se alguém tivesse dormido ali. Então a imagem da garota de cabelos castanhos me veio à mente. Brian sem camisa.
Olhei para ele e percebi que ele me olhava também.
– O que aconteceu aqui? — o "aqui" soou como eu tivesse apontado e gritado para os lençóis e travesseiros bagunçados no chão, soou se eu fosse uma garota ciumenta que encontra o namorado na cama com outra.
Brian, parecendo indiferente e cansado, espreguiçou-se lentamente no sofá. Depois me olhou:
– Aqui onde? — perguntou, ele parecia já ter entendido, mas gostaria de se divertir um pouco mais.
Não falei nem fiz nada, apenas o encarei séria, os braços cruzados sobre o peito. Sou a sobrinha da dona da casa, e ela não deixaria coisas inapropriadas acontecerem tão perto de mim em sua casa, prometeu que eles se comportariam.
– Certo. — suspirou, como se se rendesse — A garota que você viu aqui mais cedo é Michelle. Terminei o namoro e ela ficou puta. — riu.
Fiquei sem saber o que dizer. Se ele terminou o namoro, deveria haver algum motivo sério. Eu o consolava? Será que, nesse tempo agora, por trás de olhos desafiantes ele estava tentando disfarçar a mágoa que o corrompia por dentro?
– E quanto a isso? — gesticulei para a cama improvisada no chão.
– Ficamos aqui porque dá para assistir TV — respondeu. E não podem sentar no sofá? Não precisei perguntar isso, ele pareceu ler o que eu estava pensando, ou talvez já esperasse por isso, e disse:
– Podemos assistir televisão e depois transar! – disse, a voz subindo como se essa fosse uma notícia que mudaria o curso da humanidade.
Quer dizer que antes de dilacerar o coração de Michelle — porque me lembro das lágrimas dela — ele a havia trazida para uma última transa?
Que filho da puta!
Fiz cara de nojo – que passou despercebida por Brian, quando me imaginei descendo do quarto e vendo...
Ouvi vozes vindas lá de fora. Um frio congelou minha espinha. As vozes estavam aproximando-se cada vez mais da porta. Lembrei-me do que pensara antes, sobre pular nos braços de Brian quando uma imagem violenta demais aparecesse.
Qualquer dúvida sobre quem estava do outro lado da porta foi quebrada quando eles abriram a mesma, surpresos em nos ver ali tanto quanto eu estava assustada antes.
O cara de olhos verdes estava na frente, com uma garrafa de Jack Daniels na mão. O de olhos azuis fechando a porta, o de menor estatura ao lado dele e o mais magro deles do outro lado.
– Estamos interrompendo algo...? – perguntou o grandalhão, vi quando seus olhos baixaram para o chão diante de mim e Brian. Rezei para que ele não pensasse o mesmo que pensei antes, só que dessa vez comigo e Brian.
– Ah, claro que não. Eu já estava indo embora. – disse, levantando e indo até as escadas; parei no meio delas, para olhar sobre o ombro. Quando percebi que todos me encaravam como se tivessem me feito uma pergunta e esperassem a resposta, virei todo meu corpo para eles e disse:
– Brian, obrigada pelo filme. Deveríamos assistir algum outro qualquer dia desses.
E continuei subindo as escadas.
Talvez meu quarto e o de Lídia fossem os únicos com TV.
Diante de minha cama havia uma grande TV de plasma colada à parede.
Pelo que sei, Lídia mandara que fizessem um quarto exclusivamente para mim quando a casa estava sendo construída, para quando eu visitá-la. Eu tinha cinco ou seis anos.
Pintaram o quarto de rosa, porque era a minha cor preferida na época. Havia vários bichos de pelúcia e barbies enfeitando as estantes. Pôsteres de desenhos infantis que eu amava cobrindo as paredes, e tinha um cheiro de perfume de... Morango. Era um perfume de bebê que eu tinha e usava o tempo todo.
Agora, as paredes eram brancas, incolor. O teto, vazio. As paredes, vazias. Não havia nenhum cheiro doce de perfume. Nem de infância.
Tudo parecia sério e sem graça demais. Ao mesmo tempo parecia exatamente perfeito para mim.
Tudo que preciso é redecorar.
Como não pensei nisso antes? Afinal, viverei um ano aqui, talvez mais, preciso fazer daquele espaço o meu espaço.
Seria diverti...
Meu coração saltou quando batidas na porta fizeram-se audíveis. Eram tímidas e baixas, mas eu estava tão absorta em pensamentos que me assustei, mesmo assim.
– Kalina? Você está aí? — É Brian. Mas o que ele quer? É a primeira vez que me chama pelo nome, eu acho...
Antes que a segunda temporada de batidas continuasse, andei até a porta e a abri, vendo o rosto de Brian. Ele parecia indisposto, como se tivessem o obrigado a ir até ali.
– Hã... er... hã — ficamos um tempo com esses "gemidos dele"'. Ele parecia uma criança que fizera algo errado a certa pessoa e os pais o mandaram desculpar-se. Parando, enfim, de mover-se ligeiramente de um lado para o outro, de trás para frente, ele olhou-me e disse:
– Vim me desculpar. — sua voz estava firme, depois de muito tempo ele decidira que tinha mesmo de fazer aquilo...
– Desculpar... Pelo quê? — perguntei. Ele não havia feito nada de errado, havia?
– Eu estava conversando com os caras — ele apontou inconscientemente para sua esquerda, como se seus amigos estivessem ali — e eles disseram que seria melhor eu vir aqui pedir desculpas por ter trazida uma mulher aqui... Quer dizer, por ter transado com ela na sala, quando você poderia chegar e ver.
– Ah, sim — eu disse lentamente — Tudo bem.
Vendo o "Sério, mesmo?" estampado em sua expressão, falei:
– É sério. Você já pode ir se quiser — disse, dando um sorriso gentil, vendo como ele parecia querer ir embora.
– Ah, Ok. — refletiu, parecia estar pensando que foi muito fácil — Então, nos vemos amanh... Daqui à pouco? — perguntou, e percebi que estava quase amanhecendo.
– Claro. — respondi, ainda com o sorriso gentil.
Então andou pelo corredor, indo em direção às escadas. O observei. Ele parou, virou-se para mim e disse:
– Obrigado pela companhia.
Continuou andando até descer pela escada.
Sorri. Talvez pudéssemos ser amigos.
Fechei a porta do quarto e tentei dormir.
Notas finais
Não façam como antes, deixando de comentar.
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