Notas iniciais
Desculpem a demora, é que faz certo tempo que não fico na internet.
Mas, aqui estou eu.
Espero que gostem.

O vento calmo que vinha da janela aberta era suave; soprava levemente em meu rosto.

Meu quarto estaria um breu se não fosse pela luz do luar, que iluminava apenas a parte mais exposta è ele do quarto.

Estava acordada há alguns minutos, consciente de que dormira a tarde inteira e que perdera os filmes que aqueles caras da banda alugaram.

Minha primeira reação ao abrir os olhos – e perceber que já era madrugada – foi a de tentar ouvir qualquer som vindo da casa – conversas, televisão ligada...

Mas tudo estava silencioso. Deviam estar dormindo. O que achei estranho, porque achava que astros do Rock dormiam mais tarde que aquilo.

Pensei em descer até a cozinha porque estava com fome, mas acabei optando apenas por ficar deitada em minha cama.

Meu estômago roncou alto o bastante para me convencer a levantar. Abri a porta, indo para o estreito corredor escuro, virando à direita e tomando cuidado ao descer a escada cor-de-mel, já que estava escuro. Todas as luzes da casa estavam apagadas, pelo que percebi.

Descendo a escada, percebi que a televisão na sala, que também tinha as luzes apagadas, estava ligada. Olhei para o sofá aparentemente vazio em frente à TV e considerei a ideia de alguém deitado ali, talvez dormindo com o som do filme ao fundo.

Continuei andando e virei-me para a cozinha escura.

Resolvi não ascender as luzes. Meus olhos estavam acostumando-se, os móveis tomando forma, e andei até a geladeira, abrindo-a e serrando os olhos contra a luz amarela.

Pensei ter ouvido vozes vindas da sala.

Enquanto ia escolhendo o que pegar, percebi que a luz da cozinha estava ligada. Alguém havia ligado.

Eu estava agachada, então, devagar, fui levantando até ficar em pé. Depois, virei para conferir a pessoa que ascendera a luz.

Quase pulei para trás. Era uma mulher de cabelos castanhos que eu nunca vira antes. Ela olhava com expressão raivosa para mim, seus olhos levemente avermelhados.

Me perguntei se ela fazia parte da banda, se não tínhamos sido apresentadas antes.

Antes que qualquer uma de nós pudesse falar, Brian – o reconheci pelo cabelo, pelos olhos — andou até onde ela estava e ficou surpreso ao ver-me ali. Ele estava sem camisa.

Finalmente, a garota andou até o balcão em minha frente e pegou uma bolsa que estava em cima da mesma, em seguida saiu da cozinha batendo pé, enquanto Brian a seguia.

Paralisada no lugar, tentei entender o que acabara de acontecer. Mas, querendo sair logo dali, virei-me para a geladeira e peguei tudo que já escolhera.

Andei devagar saindo da cozinha para subir a escada, tendo cuidado com os potes de sorvete, entre outras coisas, em cada braço.

Subindo a escada, senti uma mão em meu braço que quase me fez cair.

Virei-me e Brian estava olhando-me com olhos cansados.

– Me desculpe por isso. – disse, com a mão ainda em meu braço, parecendo envergonhado.

Não entendi, mas sabia que tinha a ver com aquela garota. De qualquer forma, eu estava com a ameaça de a qualquer momento cair para trás na escada, e tinha potes grandes de sorvete equilibrados nos braços.

– Não tem problema. – eu disse, e acho que ele percebeu que eu não entendia o pedido de desculpas. – Já vou subir – completei, olhando para sua mão.

Ele olhou também e tirou-a de lá.

– Quer que eu te ajude com isso? – apontou para os sorvetes.

Ia dizer não, mas ele logo pegou o que eu tinha nos braços; foi tão rápido que mal percebi.

– Vem – disse, passando por mim pelas escadas, subindo.

Não respondi, fiquei encarando o lugar onde ele estava antes; mas, fui seguindo-o pelas escadas.


Mostrei qual era meu quarto a ele, e disse que poderia colocar os sorvetes em cima de uma mesinha que havia ali, perto da cama.

– Obrigada – agradeci.

Silêncio.

Rapidamente pensei que, eu não o conhecia, e se ele se recusasse a sair do quarto e tentasse alguma coisa?

Ainda silêncio.

Ele estava de cabeça baixa, um pouco distante de mim. Mas estava perto da porta, e meu celular atrás dele.

Ele mexeu-se um pouco e eu me sobressaltei. Então começou a falar:

– Os caras saíram, e eu estou só. Você quer me fazer companhia? – seus olhos voltaram-se para mim.

A pergunta me pegou de surpresa e ofeguei.

Era muito simples: quer me fazer companhia? Ele deve querer dizer sobre os filmes que, provavelmente, alugaram. No entanto, poderia ser outra coisa; uma pergunta maliciosa. Eu não o conheço, não sei suas intenções.

Como da outra vez, na cozinha, acabei respondendo que sim.

– Certo, então... – apontou para mim, na verdade, para meu corpo. Percebi que estava apenas de camisola; um shortinho muito curto e uma blusa quase transparente. Não precisei me olhar no espelho que havia a alguns metros de distância à minha frente, em cima da cama, para saber que estava vermelha.

– Vou trocar de roupa – respondi, quase gaguejei.

Brian disse que me esperaria na sala.

Depois que ele desceu, andei até a porta e fechei-a, apoiada nela e escorregando até o chão.

Um minuto se passou, finalmente, fui até os potes de sorvete e os coloquei dentro da pequena geladeira que tinha no quarto.

Troquei de roupa, pondo outro short, só que não era curto igual aquele e uma camisa de mangas, porque estava com um pouco de frio.

Sai do quarto, mas não sem antes pegar um spray de pimenta.

Notas finais
Vocês gostaram?
Já estou escrevendo o próximo!
Não se esqueçam de comentar.
Beijos.