The Trip
3 Capítulo 3
Notas iniciais
O próximo deve ser bem mais interessante. E vcs poderão saber porque lá no final do capítulo. rs
Boa leitura!
Andei timidamente com minha tia até a grande porta dupla de sua casa.
Meu nervosismo com o fato de haver caras desconhecidos e barulhentos do outro lado da porta fez com que parecesse que se parecera uma eternidade até Lídia finalmente abri-la.
A claridade que bateu em meus olhos me impediu de saber o que havia lá dentro inicialmente, mas quando me acostumei percebi que eram cinco homens. Eles haviam parado o que estavam fazendo e olhavam em nossa direção.
Um garoto robusto com um piercing no lábio estava sobre o sofá marrom de Lídia. Estava em uma posição estranha, acho que estava dançando – suas bochechas avermelhadas poderiam significar que sim.
Os outros quatro — um magrinho de cabelo até o ombro, anteriormente assistindo a algum clipe pesado que passava na televisão à sua frente, outro cara grande e tatuado de olhos verdes, conversando com um carinha baixinho de cabelo curto e outro grande – não tanto quanto o de olhos verdes –, moreno, que estava desfazendo um sorriso sarcástico, ele deveria estar contando alguma piada ou coisa assim.
– Meninos, essa é a minha sobrinha Kalina – Lídia rompeu o silêncio, apontando para mim.
Devagar, eles desfizeram suas posições e vieram até mim. Pareciam estar formando uma fila. Primeiro o cara grande e tatuado.
– Oi. Eu sou Billy – se apresentou. Ele sorriu, e covinhas apareceram em suas bochechas.
– Sou Jack – o que era mais baixo agora, com um sorriso simpático.
O garoto magrinho se aproximou tímido.
– Sou Mike – disse.
Eles vinham apresentando-se rapidamente.
– Meu nome é Cody – o cara de piercing no lábio disse. Ainda parecia envergonhado. Acho que ele realmente estava dançando.
Então apareceu o que eu acho ser o último.
– Meu nome é Brian – falou. Sua voz soou arrogante, mas também me olhou fundo nos olhos.
Todos se afastaram a alguns centímetros de nós.
Mesmo encarando meus sapatos, eu podia sentir os olhos do tal Brian em mim.
Coloquei os fones de ouvido e deitei na cama, fechando os olhos contra a claridade do sol.
Antes mesmo de colocar alguma faixa, ouvi batidas leves na porta.
– Kalina? Você está aí? – era Lídia.
Olhei para a hora no meu celular. Ainda eram oito e meia da manhã.
Eu acordara cedo, até porque dormira cedo, e pensara que todos ainda estivessem roncando.
Nem respondi e a porta já estava aberta.
– Querida, não quero incomodá-la, mas o café já está pronto – avisou, depois conferiu a expressão em meu rosto – Você não precisa ficar tímida, os garotos são boas pessoas, vamos tentar um bom café da manhã.
Lembrei-me de ontem, de nossas apresentações. De como Brian ficara me olhando.
Lídia ficou cabisbaixa.
– E, além do mais, eu viajo daqui a pouco.
Levantei-me de uma só vez.
– Já vai viajar? – minha voz saiu da maneira que eu estava. Triste. Não só por termos passado poucos momentos juntas, mas também porque eu iria ficar só com eles. Apesar de parecerem — e terem — simpáticos e gentis, me sentia completamente desconfortável. Como eu iria descer para almoçar e essas coisas? E se só forem legais na frente de Lídia e psicopatas por trás?
De qualquer maneira, eles eram uma banda de Rock que eu nunca ouvira falar.
Minha tia enfim respondeu:
– Sim, tenho que ir à Nova York daqui a mais ou menos uma hora. Por isso quero que você levante logo para podermos ter mais esse tempo juntas – falou.
– Tudo bem, já estou descendo – disse, enquanto corria rápido ao banheiro para fazer a higiene matinal.
Descendo vagarosamente a escada, eu já podia ouvir vozes vindas da cozinha. Então todos já estavam ali?
Quando entrei pela porta que ficava atrás da escada, percebi que todos já estavam mesmo ali. O garoto magrinho, o de piercing na boca, o cara tatuado de covinhas, o que não era tão alto, e ele, o que ficara me olhando ontem. E Lídia também, colocando suco em um copo de vidro.
Todos entretidos em nenhuma conversa específica, mal dava para saber o que eles estavam falando.
Lídia percebeu minha presença.
– Kalina, sente-se aqui — indicou uma cadeira vazia a seu lado.
Todos pararam o que estavam falando e me olharam.
Senti que minhas bochechas iriam corar, mas antes disso fui logo até a cadeira e me sentei.
Eles ainda estavam silenciosos. Só minha tia estava sorridente, como se nem soubesse o que estava acontecendo.
– Bom dia? – falei, achando que isso poderia resolver o silêncio constrangedor.
– Bom dia – responderam todos, incluindo Lídia, em uníssono. Então voltaram a conversar.
Peguei uma torrada e comecei a mordiscar, muito desconfortável. Fiquei assim durante longos minutos, rezando para que ninguém notasse. Eu estava esperando que todos eles terminassem logo para poder comer só – ou talvez apenas com a presença de Lídia.
Lídia ou qualquer um deles não pareceu notar que eu estava com a mesma torrada e o mesmo copo — pela metade — de suco há muito tempo. Estavam muito distraídos.
Parece que depois de algum tempo, minha vontade aconteceu: um a um eles foram levantando-se e saindo da cozinha.
Quando estava apenas Lídia e aquele cara que eu sentira me encarando ontem, Lídia levantou da cadeira.
– Preciso ajeitar algumas coisas para a viagem – disse apressada, e então ouvi apenas seu salto alto batendo escadas acima.
Continuei parada na cadeira, tentando não levantar a cabeça para a pessoa que estava bem à minha frente. Eu o sentia me olhando.
Dessa vez, apressei-me a comer para poder sair logo.
– Então – estremeci quando ouvi sua voz -, você vai fazer que ano do colegial? – perguntou de repente, a voz amigável.
– O terceiro – consegui falar. Olhei para ele: não estava mais comendo, apenas me olhando.
Rapidamente terminei de comer a torrada e de tomar o suco adocicado. Quando estava me levantando, ele perguntou:
– Não vai mais comer nada? Porque acho impossível você se manter só com aquilo até a hora do almoço – sua voz me fez ficar parada onde estava; em frente a ele, com a mesa nos separando. Aquilo parecia uma cena de filme de suspense. Então ele havia notado que eu estivera só mordiscando esse tempo todo.
– Não como muito – foi a única coisa que consegui dizer. Esperando que ele acreditasse e eu pudesse ir.
Infelizmente, ele não acreditou em uma mentira tão idiota.
– Sério? – perguntou, me fazendo sentir mal, como uma criança prestes a ouvir a bronca do pai.
Eu poderia ter aproveitado para ir embora, mas fiquei parada.
Houve um minuto de silêncio. Ele o desfez.
– Por que você está tão desconfortável? – perguntou de repente, me pegando de surpresa.
– Não estou – gaguejei.
– Está sim – disse antes que eu pudesse dizer qualquer coisa – Sou bom observador e você está muito retraída! – parecia um psicólogo.
Eu não sabia como respondê-lo. E ele continuava me examinando. Até que disse:
– Hoje eu e os caras vamos alugar alguns filmes. Você quer ir conosco escolher algum? Aí podemos assistir hoje à noite. – falou.
Olhei melhor para ele. Estava com uma das sobrancelhas erguidas, esperando minha resposta.
Achei que não era uma boa ideia. Seria muito desconfortável. Eu e outros cinco caras desconhecidos juntos assistindo a algum filme...
Não poderia aceitar.
Mas minhas palavras me contrariaram.
– Sim. Que horas vocês irão alugar os filmes?
Notas finais
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