Notas iniciais
Bom dia, boa tarde ou boa noite!!! Hahaha, é muito bom ter você de volta ❤

As meninas – Penny e Tris – decidem vir se arrumar comigo no quarto; então apesar de nos atrasarmos um pouco mais do que o esperado, todo o processo de arrumação se torna bem mais divertido. Enrolo meus cabelos em ondas leves e as duas me ajudam a fazer algumas trancinhas para acrescentar ao penteado. Como traje de banho, escolho um biquíni asa delta preto que, apesar de ser simples, é muito bonito. Sua beleza é ainda melhor aproveitada com o body chain dourado que coloco por cima – aquelas joias corporais, que são bem conhecidas por aqui.

Opto por não tapar a parte de cima do biquíni, vestindo apenas um quimono de estampa animal. Na parte debaixo, componho o look com um short jeans desfiado e um chinelinho slide branco. Penelope se oferece para fazer a minha maquiagem de hoje, e devo dizer que ela se sai muito bem no "trabalho". Incrivelmente, ela consegue realçar todos os meus melhores pontos de uma forma super suave. Me sinto bastante satisfeita e valorizada com o resultado final.

Beitris está usando um maiô vermelho, com uma saia rodada por cima; ela não parece se preocupar muito com o seu cabelo e a maquiagem, porque além de nos garantir de que ficará apenas por alguns minutos na festa, sua aparência delicada não precisa de praticamente nada mesmo. Penny, por outro lado, capricha bastante na própria produção, e nos promete que o primeiro dissimulado que tiver a audácia de jogar água em seu cabelo e maquiagem, estará correndo sério risco de vida.

— Nós. Estamos. Perfeitas!! — Minha host sister exclama sorridente, nos puxando para tirar uma self com ela.

Após uma nem-tão-breve-assim sessão de fotos, pego meu óculos de sol em cima da escrivaninha, e enfim descemos para a piscina, indo em direção a música alta que repercute por todo o espaço e alcança toda a aglomeração de pessoas que se diverte por lá.

— A onde é que vocês estavam?? Eu fiquei quase louco tendo que receber todo mundo sozinho! — Alfred aparece no exato momento em que chegamos, com o semblante realmente desesperado, o que acaba nos fazendo rir de toda a situação.

— Desculpa, maninho. Mas é que a perfeição leva tempo!

Penelope responde e sai nos puxando junto com ela, deixando Fred perplexo e plantado perto da porta. Noto que muitos olhares se fixam sob nós assim que adentramos a festa. Não sei dizer se é porque gostam do que estão vendo, ou somente porque sabem que nós não somos daqui. Pelo canto do olho, reparo que uma pessoa continua me encarando por mais tempo do que o restante. Caleb.

Não sou capaz, entretanto, de identificar qualquer tipo de emoção em seu rosto; ele está apenas me encarando. Assim que viro para conferir com certeza, Caleb desvia o olhar de mim e volta sua atenção novamente para o seu grupo de amigos. Deixo pra lá, e vou a caminho do balcão, em busca de pegar um drink para mim. Quão incrível é que os copos daqui sejam realmente iguais aos copos vermelhos que aparecem nos filmes?

Procuro por alguém conhecido, enquanto analiso todo o local, e encontro Tris sentada em uma das espreguiçadeiras com um livro nas mãos; tenho que rir comigo mesma da sua tão escancarada personalidade antissocial.

— Do que nós estamos rindo? — Um garoto charmoso, um pouco mais alto do que eu e com um sorriso super cativante, pergunta, se escorando ao meu lado no balcão.

— Talvez eu até te conte, se você me disser o seu nome... — Brinco, entrando na onda, e ele dá risada.

— Me chamo Noah, prazer em te conhecer.

— Prazer, Noah. Você pode me chamar de Bel.

Ele sorri pra mim, e tenho a impressão de que continua falando alguma coisa, porém a minha atenção se volta para outro lugar e eu já não consigo mais me concentrar nele. Uma garota loira, alta e bronzeada, está sentada na perna de Caleb, enquanto todo o grupinho deles joga uma espécie de jogo, em que passam com a boca um papelzinho de um para o outro. Fred está participando também. Não sei bem o porquê, mas ver aquela cena me incomoda um pouco. Acho que acabo encarando demais, porque a próxima coisa que Noah me fala é:

— É "chupa ou assopra", quer jogar?

— Ah, eu não sei...nunca joguei isso antes.

— É só ir aspirando o papel até passar para a pessoa do lado, sem deixar cair. Se não der certo, bom...você tem que dar um selinho nessa tal pessoa.

Ele sorri mais uma vez, de canto. Posso afirmar que não se compara ao nível das brincadeiras do Brasil, mas ainda assim, aqui é tudo muito diferente. Por exemplo, tenho certeza de que se eu beijasse um ou mais nessa festa, a escola inteira falaria disso na segundafeira. Mas Noah começa a me olhar com olhos de cachorrinho sem dono, então acho melhor não negar a sua proposta. Aceito com um aceno de cabeça e ele pega minha mão para me guiar até o grupo de pessoas.

— E aí, galera? Essa aqui é a Bel. — Sorrio, um pouco tímida com a apresentação; embora ele pareça ser bem próximo de todo o pessoal. — A gente vai jogar essa rodada também, beleza?

Todo mundo concorda, com animação. Tem 5 garotos jogando, e 4 meninas, contando comigo. Tentamos nos organizar de uma maneira intercalada, o que acaba fazendo com que eu me posicione entre Caleb e Noah. Um outro menino e Alfred foram os únicos que ficaram lado a lado, totalmente determinados a não derrubar o papelzinho por nada. A brincadeira começa, e todo mundo está indo muito bem. Eu consigo receber o papel de Noah e passa-lo para Caleb sem grandes dificuldades. A próxima pessoa da roda, porém, é a tal loira bronzeada, que por pouco não deixa o papel cair, quase encostando os seus lábios preenchidos nos de Caleb.

O ciclo se reinicia, e o papelzinho está quase chegando em mim novamente. Mas dessa vez, ao invés de aspira-lo, Noah faz questão de demonstrar que está, propositalmente, assoprando o pedaço de papel. Ele me olha, com um sorrisinho malicioso e atravessado, e eu tenho certeza de que o meu rosto começa a pegar fogo. Noah vem se aproximando de mim, cada vez mais, até que a sua boca para a centímetros da minha. Eu já sou capaz de sentir a sua respiração quente sobre mim, até que então...

— Eu acho que já deu dessa brincadeira! — Todo mundo para e olha para Caleb, o autor dessa frase que só gera dúvidas. — Tenho uma ideia muito melhor.

E antes que alguém da roda pudesse pensar em perguntar qual é a sua ideia, Caleb me pega no colo – totalmente desprevenida – e me joga por cima de seus ombros, como se eu não pesasse nem um quilo sequer. Ignorando todos os meus gritos e objeções, ele corre e salta para dentro da piscina comigo, me fazendo encharcar a roupa toda.

Com o vislumbre dessa cena, todo o grupo que estava jogando conosco, e várias outras pessoas da festa, começam a tirar suas roupas de cima e a pular na piscina também. Alguns deles seguem os nossos passos e entram com roupa e tudo. Eu começo a rir dessa situação idiota e reparo que Caleb sorri também, deixando à mostra duas covinhas das quais eu ainda não tinha reparado. Ele se aproxima de mim novamente, e quando está prestes a falar comigo, espirro água contra todo o seu rosto. Parecendo completamente desacreditado, Caleb revida o meu ataque, dando início a uma pequena guerrinha d'água.

O clima da festa só parece melhorar. Algumas pessoas dançam pelas bordas da piscina, algumas jogam beer pong e jogos desse tipo, e outras aproveitam os últimos minutos de sol. Resolvo me incluir a este último grupo, na esperança de me secar um pouco e conseguir um bronzeado sutil. Tiro o quimono ensopado e o coloco em cima da espreguiçadeira para que eu possa me deitar sobre ela. Quando finalmente retiro meu short, quase morro de vergonha. Nunca imaginei que ficar só de biquíni atrairia tantos olhares por aqui.

Dou uma conferida rápida, e há inúmeras outras garotas sem nada além de trajes de banho também. Sem entender nada, reparo que Noah me encara totalmente paralisado e com um brilho diferente no olhar, assim como praticamente todos os meninos da festa. Caleb, por outro lado, não parece nada satisfeito com esse pequeno momento de exibição. Encontro Penelope tomando sol em uma das cadeiras vizinhas e resolvo tirar essa dúvida com ela.

— Penny, você pode me dizer se tem alguma coisa de errado com o meu biquíni? — Ela levanta os olhos, protegendo-os do sol.

— É claro que não, você tá uma gata! Dá uma voltinha pra eu ver. — Ela diz, sorrindo, e eu faço o que ela pediu. Quando volto a encara-la, sua feição é de puro choque e fascínio. — Ah, meu bem. Veja...não há nada de errado com o biquíni, tá bom? Mas eu acredito que aqui nos Estados Unidos eles sejam considerados um pouquinho diferentes.

E é quando eu reparo, finalmente, em qual é a diferença. A parte de baixo do biquíni de todas as outras garotas são bem mais cobertos do que o meu. Ainda que eu não esteja usando nenhum fio-dental, os trajes de banho daqui com certeza são feitos com muito mais pano do que no Brasil.

Agarro minhas roupas, tentando cobrir ao máximo o meu corpo, e corro para dentro da casa, em busca do banheiro que me disseram ter no primeiro andar. O meu rosto está super corado de vergonha, e eu já sou até capaz de imaginar o tanto de coisas que algumas das meninas podem falar de mim. Estou indo de porta em porta, tentando encontrar o bendito banheiro, até que, quando eu menos espero, encontro algo que está bem longe de ser o que eu estou realmente procurando.

Fred e um garoto, que participou da brincadeira junto com a gente, estão sozinhos e escondidos dentro de um pequeno armário cheio de caixas e casacões, se beijando de forma totalmente apaixonada. Eu fico chocada. Não sei o que dizer ou fazer; e então, simplesmente, travo.

Notas finais
Favoritem e comentem os capítulos, se estiverem gostando ❤