Notas iniciais
Oiii, meus amores! Essa é uma história originalmente publicada no Wattpad, mas resolvi trazer ela pra cá também, já que foi a plataforma em que eu comecei a escrever, ainda bem novinha. Espero muito que vocês gostem e que se apaixonem pelos personagens, assim como eu, que os amo de paixão hehe ❤️ Sejam todos muito bem-vindos!!

Eu já embarquei há alguns minutos. O meu voo estava previsto para decolar às 6 horas, mas por algum motivo ainda estamos no chão. Devo admitir que despedidas não são o meu forte; por isso, assim que dei um último abraço em meus pais e em minha melhor amiga, corri para dentro da sala de embarque e, logo em seguida, para o meu assento no avião. Sempre fico muito nervosa com viagens aéreas. Dizem por aí que é um dos meios mais seguros de locomoção que existem, mas nada coloca na minha cabeça que um grande trambolho metálico, pesando toneladas e suspenso no ar, é, de fato, seguro.

— Senhoras e senhores passageiros...

A voz do comandante soa por toda a aeronave, indicando que decolaremos a qualquer momento. Checo o meu cinto de segurança pela terceira vez, para me assegurar de que está tudo certo. Ao meu lado, uma senhorinha já está cochilando em um sono profundo, babando em seu travesseiro de pescoço. Decido que esse é o melhor momento para abrir a caixa de presente em meu colo. Ganhei-a dos meus amigos na festa de despedida que fizeram para mim; a qual, só de lembrar, já me marejam os olhos.

Aconteceu no último domingo, no salão de festas da minha melhor amiga – a Virginia. Fui até seu condomínio, enganada pela desculpa de que deveria visita-la para me despedir melhor, assim como de sua família também. Ao chegar lá, porém, me deparei com o grupo de todas as pessoas importantes para mim gritando um grande e emocionante "surpresa". Não tenho nada do que reclamar sobre eles; meus amigos sempre foram incríveis comigo.

Encontro várias cartinhas e bilhetes como parte do conteúdo da caixa. Ainda há balas Fini por todo lado, um berloque em formato de bandeirinha do Brasil, fotos de momentos especiais espalhadas pelos cantos e uma bandeira com mais de 30 assinaturas dobrada por baixo de tudo. Derramo algumas lágrimas enquanto descubro cada um dos presentes, e então, desato a chorar no momento em que me disponho a ler as mensagens em si.

Sonho com o dia do meu intercâmbio desde que me entendo por gente. Meus pais sempre adoraram muito viajar, mesmo antes do meu nascimento, e agora me levam para conhecer vários lugares incríveis. Meu nome, inclusive, veio dessa paixão em comum. Belgica; um nome nada usual, mas do qual eu gosto bastante. Sempre me pego pensando na história por trás dele. Devo dizer que me parece romântica demais para ser verdade. Quando eu era criança, minha família costumava me chamar de Belinha, mas hoje em dia sinto que me faz parecer como um cachorro. Agora atendo somente por Bel.

— A senhorita aceita um copo de água?

Uma aeromoça, de rosto simpático, me tira dos meus devaneios por alguns segundos. Aceito a oferta com um aceno de cabeça e um sorriso gentil; após me servir a água, ela continua caminhando por seu trajeto ensaiado. Deveria me sentir cada vez mais nervosa, conforme a viagem se estende. Daqui há algumas horas eu estarei vivendo em um outro país, sob uma cultura totalmente diferente e com uma nova família, afinal. Por qual motivo, então, uma sensação de tranquilidade se expande em meu peito? É como se não houvesse outro lugar para o qual eu deveria estar indo.

Conforme minha mente divaga entre um pensamento e outro, acabo caindo no sono. Desperto, dando conta do quanto dormi, apenas 15 horas do mesmo dia – quarta-feira. Apesar do meu longo cochilo, ainda faltam horas e horas para que eu chegue ao destino final. Resolvo me ocupar com a realização de qualquer atividade que eu consiga encontrar e, me lembrando do diário de viagem que trouxe, decido escrever.

“11 de agosto, 15h03

Hoje é o meu primeiro dia de intercâmbio, finalmente. Me encontro dentro de um avião há, mais ou menos, umas 9 horas. Pelos meus cálculos, acredito que chegarei em Glendale – a cidade em que morarei pelo próximo ano – aproximadamente ao meio dia de amanhã, quinta-feira. Já estou me sentindo cansada da viagem, mas devo dizer que a emoção e a ansiedade de chegar à cidade (e a senhorinha roncando ao meu lado também) me mantém agitada o suficiente.

O ensino médio nos Estados Unidos funciona de uma maneira diferente. Os que estão no "nono ano" são chamados de Freshmen, os do primeiro ano de Sophomores, terceiranistas de Seniors, e os estudantes do segundo ano – assim como eu – de Juniors. Eu e meus pais achamos melhor que eu fizesse a transição, fundamental-ensino médio, ainda no Brasil, para a mudança ser menos abrupta. Então, aqui estou eu; com meus 16 anos, a caminho do meu primeiro intercâmbio.

Ao escolher minha Host Family – a família que me dará abrigo e cuidará de mim, durante este ano –, deixei minhas preferências bastante claras para a agência, apesar de ter mantido a cabeça bem aberta. Uma família grande, que já estivesse familiarizada com estrangeiros e gostasse de hospedar mais do que apenas uma pessoa ao mesmo tempo, estavam no topo das minhas prioridades. Dei muita sorte ao encontrar o senhor e a senhora Howard.

A casa deles, por foto, é incrivelmente bonita e transmite ares de lar. Além de que, eles têm uma filha da mesma idade que eu, e a senhora Howard tem mais um filho de seu antigo casamente. Descobri essas informações ao ler a ficha deles após termos dado "match" e das vezes em que conversamos por vídeo-chamada. Mas confesso que estou ansiosíssima para conhece-los pessoalmente; e se eles não gostarem de mim? E se, na verdade, aquilo foi tudo encenação? Pior. E se eles não aparecerem para me buscar no aeroporto amanhã?

Acho que o melhor a se fazer é afastar esses pensamentos negativos da cabeça. Na sexta-feira, uma outra intercambista chegará para se hospedar com a família Howard também. Apesar de ela ser alguns anos mais nova do que eu, penso que ter uma outra estrangeira morando conosco – mesmo que seja de outro país –, facilitará as coisas para nós. Sempre quis saber qual é a sensação de não ser a única filha do casal; talvez essa seja a melhor forma que eu tenha para descobrir".

Depois do que se pareceram séculos, algumas refeições meio geladas e incontáveis cochilos mal dormidos, o comandante anuncia que – finalmente – estávamos prontos para pousar. Decido alertar a minha companheira de viagem, a senhorinha que ainda dormia profundamente ao meu lado, com medo de que aquele sono fosse algo a mais do que apenas profundo; mas, para minha sorte, ela surpreendentemente sorri ao acordar e me agradece pelo aviso.

Glendale é uma cidade consideravelmente pequena, se comparada a Guarulhos – minha cidade natal – em São Paulo, por exemplo. Mas, apesar de ter apenas um pouco mais de 200 mil habitantes, é realmente muito bonita. Olho através das grandes vidraçarias do aeroporto, enquanto caminho por ele com as minhas malas, observando o quão ensolarada e alegre a cidade aparenta ser; gosto principalmente do contraste entre as várias cadeias montanhosas e as construções supermodernas e exorbitantes.

De repente, uma onda de nervosismo pesa sobre mim. Eu estou a quilômetros de distância de casa, parada em frente ao portão principal do aeroporto e carregando mais malas do que sou capaz de suportar. As dúvidas que eu expressei apenas para o meu diário, resolvem pairar em minha mente mais uma vez; e se nenhum deles aparecer para me buscar? Porém, antes mesmo de me sentir realmente afetada pela preocupação, um pequeno grupo de pessoas animadas chama a minha atenção.

Um casal peculiar – formado por uma mulher corpulenta de perninhas curtas e por seu marido esguio, que esbanjava metros de perna –, acompanhados por um jovem loiro, de aparência atlética, e por sua meia-irmã caçula – que, com certeza, se parece muito com uma cópia mais nova e esbelta da mãe –, acenam incansavelmente para mim, distribuindo sorrisos de orelha a orelha. Todo meu estresse abre espaço para uma alegria completamente arrebatadora. Solto as malas no chão e corro em direção ao simpático grupo que segura um enorme e colorido cartaz escrito:

"Welcome home, Bel!".

Notas finais
E esse é só o começo!! Vocês nem imaginam o que vem pela frente!! Espero muito pelo feedback dos leitores; os comentários motivam o escritor ❤️