The Things I Want To Say To You.
7 7.In Pieces
– IRIIIIIS! IRIS ACORDA!
– A serio? São 6 da manha, Chester! Vai dormir!
– Não, tens mesmo que te levantar. Ei, bom dia Shinoda! Ia-te ligar, nem sabia que estavas aqui! Vocês têm que vir comigo agora mesmo!
– Sim, bom dia, Chaz. Onde está o fogo?
– No hospital! A Trish vai ter o bebé!
Já tinha passado quase 4 meses desde que Trish teve a sobredose, tinha passado os últimos meses numa clinica de reabilitação e os médicos diziam que ela estava a melhorar cada vez mais. Agora o bebé ia nascer, ainda não sabiam se era menino ou menina, Chester queria que fosse surpresa.
– Porque que não disseste logo? Gritavas “O BEBÉ VAI NASCER” e eu levantava-me… Estou a morrer de sono…
– A próxima vez antes de estar até as tantas na brincadeira com o Mike, dormisses.
– Olha lá a inveja. À quanto tempo é que ela começou as contracções?
– À meia hora. Vamos.
– Meia hora? Eu vou para a cama outra vez… só lá para as 4 da tarde é que nasce.
– AH é que nem penses, vamos para lá na mesma. Não vais deixar o teu irmão sozinho com a piranha pois não?
– Piranha? Eu não acredito, estou tão orgulhosa, Kenji!- Diz Iris abraçando Mike
– Tu não tens remédio. Vá, vamos! O meu filho ou filha vai nascer!
Foram os 3 para o hospital, lá encontraram o resto da banda, todos queriam estar presentes.
– Eu só espero que não demore muito.
– Deixa de ser assim, Joe. É claro que demora um bocado, quer dizer, é um parto. Digo eu… — Diz Brad, um pouco confuso.
– Vocês são mesmo lentos… parecem que que nunca andaram na escola.
– Iris, nós andamos, só que não prestávamos atenção.
– Como é que vocês fizeram a faculdade, é uma das perguntas que me intriga. Chaz, em que quarto é que ela esta?
– Sei lá, vou ter ir perguntar a enfermeira.
Enquanto Chaz foi perguntar o quarto o resto do grupo foi para a cafetaria visto que ainda era muito cedo e ninguém tinha tomado o pequeno-almoço.
– Eu acho que vai ser um rapaz.
– Brad, o que que tu percebes de gravidezes?
– Nada, mas posso ter um pressentimento. Estou para ver que nome é que o Chaz lhe vai dar.
– Como madrinha da criança ainda não nascida eu tenho voto no que toca aos nomes. Se for rapaz vai ser James, ou Tyler, ou Jared, ou John… também gosto de Kurt; se for menina vai ser Janis ou Alice ou Marilyn ou Audrey.
– Muito bem, agora é quando eu tento adivinhar de onde vem os nomes: James Dean, John Travolta, Janis Joplin, ….
– Steven Tyler, Alice no país das maravilhas, Marilyn Monroe e Kurt Cobain.
– Nãoooo! Ok, acertaram em alguns. Eu digo: James…Dean sim, Steven Tyler…essa era fácil, Johnny Depp…melhor actor de sempre, Jared Leto… este é só porque me pus a ver a serie dele a umas noites atras, era o meu amor platónico na adolescência. Nas meninas, sim Janis Joplin; Alice Cooper… mas a também gosto muito do país das maravilhas e claro Monroe… Vocês esqueceram-se da Audrey Hepburn, aquela mulher era linda…Só não digo Iris porque sei que o Chaz não quer. Só não percebi a do John Travolta, Mike… eu nem lhe acho grande piada.
– Vi um filme dele no outro dia, foi o que lembrei primeiro. Eu gosto de James e de Janis, se fosse um casal de gémeos já estavam escolhidos.
– Porque que não guardas esses dois nomes para os vossos filhos? – Diz Joe na brincadeira.
– Ah ah ah. Tanta piada que tu tens. Vocês não regulam bem, só pode.
– Porque? Não pensas em ter filhos?
– Então não? Olha eu com quase 23 anos, a pensar em filhos.
– Porque não? Eu gostava.
– Mike, tens 23 anos ninguém tem filhos a esta idade.
– O teu irmão vai ter.
– Sim porque o meu irmão é o melhor exemplo possível.
– Tu não queres mesmo ter filhos então?
– Eu não estou a dizer que não queira, estou a dizer que ainda não pensei nisso, ainda não me imaginei nessa vida. E acho que ainda sou muito nova.
– Ok…
O clima ficou estranho, Iris não percebeu porque que aquela conversa perturbou tanto Mike. Tinham dois pontos de vista diferentes sobre o assunto, havia algo de mal nisso?
– QUARTO 125 DA MATERNIDADE! – Grita Chaz pela porta da cafetaria. Todos se levantaram mas só Chester entrou no quarto, os restantes ficaram na sala de espera da maternidade que era mesmo ao lado do quarto.
– Acho que nunca vou assistir a um parto.
– Porque Brad? – Pergunta Joe
– Não deve ser bonito.
– É uma nova vida a nascer, como é que não deve ser bonito? – Diz Dave
– Sangue e mais sangue, dores que pelo que dizem e como se estivesses a partir 20 ossos ao mesmo tempo… sem contar com que perdes totalmente a sensibilidade intestinal ou seja não, não é bonito. – Diz Iris mal-humorada.
– Porque que só vez o lado negativo das coisas? É uma vida, uma alegria para as pessoas, um bebé que pode ser importante para uma descoberta no futuro, alguém que mexa massas de pessoas…
– O Hitler mexeu com muitas pessoas e também foi um bebé um dia. Mas se soubessem o que ele viria ser e os milhões de pessoas que ele ia matar e pudesses fazer alguma coisa, ficavas quieto só por ele ser um bebé? – Perguntou Iris. Sabia que estava a ser totalmente exagerada mas estava irritada, nem ela sabia o porquê.
Não deu tempo de Mike responder pois Chester entrou a correr na sala.
– Vai ser cesariana, o bebé não esta na posição correcta e pode ter o cordão umbilical ao pescoço… porque que corre tudo mal?
– Mano, tem calma… Vai correr tudo bem. – Iris tentava acalmar ao irmão, mas ela própria estava nervosa. Tinha ouvido histórias de bebés mortos por causa do cordão umbilical. Finalmente se tinha habituado a ideia de que ia ter um sobrinho/a e começava a gostar dessa ideia.
A cesariana durou mais tempo do que o normal, e depois de 2 horas o médico saiu do bloco operatório.
– Como nos tínhamos calculado, foi uma cesariana difícil… muito difícil na verdade. Mas finalmente conseguimos salvar o bebé a tempo! E a mãe também! Muitos parabéns, Chester. É um menino muito bonito.
– EU SABIA!!! Não me agradeçam, de nada. – Diz Brad todo convencido.
– Um menino, mano. Tenho um sobrinho!!! – Diz Iris toda contente, abraçando o irmão que estava estupefacto.
– Tenho um filho… Nem acredito…
– Muitos parabéns Chaz! – Diz Mike abraçando o amigo. Depois todos se reuniram a volta felicitando Chester.
– Tenho que ir vê-lo, tenho que pensar num nome... Iris, que me dizes de Jared, ou James?
– Tu és o pai, tu decides.
– Mas tu és a madrinha. E pessoal, se eu pudesse tinha vocês todos como padrinhos! Todos, mesmo… mas Mike, queres ser o padrinho?
Mike foi apanhado de surpresa, nunca pensou que Chester o convida.se para ser padrinho do primeiro filho. Sentia-se feliz por Chester lhe ter convidado, sabia que a amizade deles ela muito forte. Mas não sabia se devia aceitar.
– Não, eu conheço essa cara. Estar a pensar não estas? Não aceito um não como resposta!
– Chester, obrigado. A serio, significa muito. Mas não sei se devo aceitar…
– Porque não? Vocês são amigos, melhores amigos… Fiquei parva agora, pensei que ias aceitar sem pensar um segundo…
– Tu já sabias? Lindo… Está bem Chester, vamos lá ver o meu novo afilhado!
Todos ficaram contentes e os dois voltaram a abraçar-se.
– Bem, padrinhos! Vamos lá ver o meu filho!
Saíram os 3 da sala e dirigiram-se a sala onde o bebé estava.
– É este aqui, mesmo a tua frente… Chaz, é igualzinho a ti quando eras bebé!
– Nem penses, até se parece mais a ti!
– Tem logica, nos somos gémeos lembras-te? Mas não, és tu em miniatura… é tão lindo…
Chester entrou na sala acompanhado pela enfermeira, foi pegar o filho ao colo pela primeira vez. Mike e Iris ficaram a ver, não falaram. Limitaram-se a olhar para a forma desastrada de Chester a pegar no menino. Mike olhou para Iris, ela tinha um brilho nos olhos e estava a sorrir. Porque que ela ainda não tinha pensado em ter filhos se estava tao feliz com o nascimento do sobrinho? Sabia que tinha reagido de uma maneira estranha quando se falou no assunto mas Mike sempre imaginou que ia ter pelo menos dois filhos, um casal de gémeos.
Passou uma semana e tudo estava estranho. Chester estava em casa dos Shinoda onde tinha dormido na última semana, enquanto a Ms. Shinoda o ensinava a cuidar do bebé. Iris e Joan estavam a trabalhar num filme, no departamento de arte, elas as duas desenharam praticamente todos os cenários e guarda-roupa. A banda estava a acabar o álbum, estava quase tudo pronto menos a capa.
– Joan, eu vou almoçar com o Chaz a casa dos Shinoda. Não volto à tarde. – Diz Iris. Quando estava a entrar no carro recebe uma mensagem de Mike.
“ Temos que acabar a capa do álbum, organizar-nos…completamente”
Não tinha falado muito com Mike durante essa semana e só se tinham visto uma duas vezes e nessas duas vezes tinham discutido, por isso Iris tentou afastar-se por uns dias para por as ideias em ordem. Mike não tinha ideia do que se passava na cabeça de Iris, nem ela mesma percebia.
– Mas porque que vocês andam a discutir? – Pergunta Chester a Iris.
– Nem eu sei… a uma semana que não temos uma conversa normal. Sem contar que não nos vemos a 3 dias e nem falamos por telefone.
– E de quem é a culpa, Iris? Não estarás com aquelas ideias estupidas outra vez… pensava que tinham acabado, sis…
Mas não tinham acabado. Iris nunca se tinha apaixonado, até que chegou Mike. Sempre soube controlar bem uma relação com alguém. Nunca tinha mantido relação por mais de 2 meses e tinha ideias bem vincadas. Não se queria casar, pois nunca encontrou um bom exemplo de um casamento feliz. Antes do divórcio dos pais, eles só discutiam e Iris não percebia. Se duas pessoas de amam porque discutem. Depois os pais divorciaram-se e viu como os dois se afundaram, isso feriu Iris e deixou uma marca profunda na vida dela. Iris parou completamente de acreditar no “amor verdadeiro”, no casamento e o que ele significava … para ela tudo acabava mal. Mas com Mike era diferente, ele era fantástico! A melhor pessoa que alguma vez conhecera, mas Iris estava demasiado atordoada.
– Tudo acaba um dia. Não quero voltar a passar por aquilo que passei… Nem sei o que digo, sinto-me estupida cada vez que penso nisto. Ele é demasiado bom para mim, ele não merece alguém tão desequilibrado como eu. Devia ter ficado em Londres.
– O que que estas a dizer? Ele ama-te! Não é isso que importa? Deixa de ser parva e vai falar com ele. Tens que explicar tudo isto. Ele tem que saber o que tu tens nessa cabeça, os teus medos e preocupações! Não podes desistir do que vocês têm só por uma coisa estupida que aconteceu a anos… Eu sei que foi mau, eu sei o que sofremos, mas não é sempre assim! Há montes de pessoas felizes, que estão juntas a anos e ainda se amam. Tens aqui o melhor exemplo, os pais do Mike. Sabes que o Mr.Shinoda vai todos os dias ao jardim ao fim da tarde quando chega do trabalho e pega numa flor para dar a Ms. Shinoda? Mesmo depois de 30 anos, eles ainda se amam. E o Mike foi criado neste ambiente, eu sei que ele não sabe o que é ver a vida destroçada por um divórcio ou uma coisa assim mas isso é o bom nele. É por isso que ele é assim, ele vai sempre ser bom e vai sempre intender. Ele é sem dúvida, a pessoa mais bondosa de sempre. Ele percebeu tudo o que eu lhe disse quando lhe contei do meu passado, ele apoiou-me. A mim e a ti, quando lhe contas-te o resto. Ele sabe que a nossa vida não foi fácil, ele percebe o que se passou. Agora tens que ir falar com ele e contar-lhe o resto. O porquê de tudo.
Iris olhou para o irmão, sabia que ele tinha razão. Saiu de casa e seguiu caminho para o estúdio onde se devia encontrar com Mike, mas a metade do caminho deu meia volta. Não sabia o que dizer nem como, tinha medo e ansiedade a correr pelo corpo. Quando deu por si estava sentada no sofá que tinha no telhado a olhar para a cidade. Tinha a cabeça a andar a roda, não sabia o que fazer nem o que dizer, não sabia onde ir nem o que pensar… as horas passaram e ela não se mexeu do sítio, sempre concentrada a olhar para o horizonte, enrolada em si mesma.
– Sabia que te ia encontrar aqui. Deixaste-me preocupado. No princípio pensei que não me querias ver mas depois liguei ao Chaz e ele disse-me que já tinhas saído a uma hora e meia. Demorei mais uma hora a pensar onde estarias… foi ao descampado e não estavas e depois lembrei-me do telhado. Devia ter pensado nisto primeiro. – Diz Mike enquanto se sentava na outra ponta do sofá. Ninguém falou, ninguém sabia o que dizer. Uns longos minutos depois, quebrou-se o silêncio.
– O que que nos aconteceu? Estávamos tão bem e de repente… — Diz Mike, tristemente.
– A culpa não é tua. Tu és perfeito, és fantástico… eu é que estou feita um caco… e a muitos anos…
– Fala comigo. Por favor, fala. Não fiques em silêncio… – Mike estava muito preocupado e Iris conseguia ver isso.
– Mike… eu nem sei o que dizer. Estive estas horas todas a tentar arranjar uma forma de te dizer, mas não consegui pensar em nada. Nada… sinto-me uma idiota.
– Não devias. – Diz Mike enquanto se aproximava de Iris. Sentou-se mesmo ao seu lado e Iris abraçou-o. Depois, ela colocou a cabeça no ombro dele enquanto ele a abraçava. Depois Iris separou-se e finalmente encarou Mike, ai começou a falar.
– Quando os meus pais se divorciaram, jurei a mim mesma que nunca iria passar por aquilo nem obrigar alguém a sofrer como eles sofreram ou como eu e o Chester sofremos. Dei conta naquele dia que o casamento é uma mentira e não representava nada… e que ninguém quer saber de ti quando se esta com problemas…mesmo que sejas uma criança. Decidi nunca me casar, nunca mesmo e que não iria pensar em filhos nem em relações longas. De que valia isso? Se o único exemplo de uma relação longa foi a dos meus pais e acabou da pior maneira possível. Vi os meus pais destruírem-se a si mesmos, eu não queria passar por aquilo. Por isso é que nunca namorei mais de 2 meses… na minha cabeça mas do que esse tempo não tinha logica, alguma coisa de mal ia acontecer. Por isso é que nunca me apaixonei. Mas depois apareces tu. És incrível, Mike. Isso assusta.me, sei que não me irias magoar mas o problema não é esse. Eu sou o problema, ia-te magoar a ti. Tu tens sonhos, projectos, futuro. Uma família, filhos… eu não. Não posso deixar que desperdices tempo comigo se eu já sei que algum momento vou estragar tudo… e vai ser mau para os dois. Estou demasiado danificada e não mereces isto…
Mike não disse nada, apenas olhou para ela. Colocou as suas mãos na cara dela e puxo-a para si e beijo-a.
– A tua vida não foi fácil e compreendo perfeitamente… foi um mecanismo de defesa, não querias sofrer como os teus pais sofreram. Deve ter sido horrível… mas estas aqui não estas? Tiveste o teu irmão a apoiar-te e tu a apoia-lo. Mas há vidas felizes neste mundo, casais felizes. Os meus pais amam-se desde sempre e ate hoje, não sei o que é passar por o que tu passa-te mas sei que te posso ajudar. Iris, eu amo-te. Não quero saber de casamentos ou coisas dessas, desde que esteja contigo estou bem. Sofreria mais se não te pudesse ter. Não te preocupes, desde que não me deixes nunca me irás magoar, nem eu a ti. Vou fazer os possíveis e impossíveis para que sejas feliz… não penses no futuro mas sim no presente, no que temos agora. Esquece a conversa do hospital, nem pensei… nem eu nem tu. Vamos aproveitar o que temos. A única coisa que eu quero no meu futuro és tu… e a banda mas principalmente tu. – Diz Mike com um sorriso malandro.
– És demasiado bondoso comigo. E se eu ficar maluca?
– Pior do que já estas é quase impossível. Mas mesmo assim vou-te amar.
– Eu também te amo.
Abraçaram-se com muita força e durante algum tempo, depois voltaram a beijar-se.
– Como se sente a dizer essa frase pela primeira vez?
– Sinto-me muito bem, estou a dize-lo a pessoa certa… e repara: tenho a cara quase tao vermelha como o teu cabelo, deve ser bom não?
– Na, a tua cara esta mais vermelha. Eu devia fazer uma mudança de visual.
– Tudo menos verde, por favor!
– Que tal azul?
– Eu vou gostar de ver isso. Vais ficar lindo, como sempre.
Beijaram-se, as coisas aqueceram e quando Iris deu conta já estavam praticamente nus. Mike era perfeito, em tudo mesmo… Iris também. Acordaram na manha seguinte dentro do estúdio de Iris, num sofá grande e apenas cobertos com uma manta. Acordaram com o som do telemóvel de Iris.
– Sim… Sim, é a Iris Bennington. Sim, conheço... O que? Como assim? Quando? Sim eu vou já para ai.
– Iris, o que se passa? – Diz Mike preocupado.
– É o Liam, Mike. Encontraram-no numa rua sem saída, baleado…
Notas finais
Deixem nos comentários sugestões para o nome do menino do Chaz, podem dizer um que vocês gostem ou então um dos que eu escrevi neste capitulo :D
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