Quão cruel é perder a si mesmo?

Quando caímos em um poço sem fundo, sendo puxados por alguma força funesta em direção à escuridão, ainda temos a consciência de que somos nós sendo puxados. É por isso que dói tanto: a alma corrompida clama por salvação porque sabe de sua inocência.

Não há salvação quando não se tem inocência. Quando a própria alma se perde, não há mais nada além da pura escuridão, efetiva em seu propósito. O indivíduo desaparece, suas emoções não são mais coerentes, sua personalidade, construída meticulosamente durante anos e anos por experiências vívidas e marcantes, não possui mais valor: por que deveria ser salva?

Quando eu perdi a mim mesmo não parecia mais haver dor. Não parecia haver mais nada. O grande e tirânico vazio tornava tudo o mesmo.

Quão cruel é não saber diferenciar estar em dor de estar vivendo?