A abstinência de Lobo fez a coisa revirar meu interior. A dor veio mais forte daquela vez; ela clamava pelas sensações extasiantes que experimentara quando eu ingeri os comprimidos.

Usar a droga e então parar deixou-a mais furiosa. Meu corpo metamorfoseava-se em uma estrutura de puro osso cadavérico e pele flácida, pele descarnada, rosto marcado por olheiras e feições macilentas. Eu morria. Lenta e doloridamente, eu tive a certeza de que era a morte dentro de mim, brincando com minha mente e ferindo meu espírito por diversão sádica.

Raiva e um rancor doentio fizeram seu caminho até minha natureza pútrida. Os raios de sol que entravam em meu quarto, antes transformados em belezas de neon pelo Lobo, agora me cegavam. Meus surtos eram frequentes, e os questionamentos de preocupação de minha mãe os intensificavam. Meu quarto fora abarcado por alguma coisa maligna, mas eu não era capaz de me desprender de seus tentáculos.

E então eu percebi o que havia de errado. De fato, não havia mais “eu”. Fora despedaçado, estava perdido na escuridão dela. A coisa havia tomado tudo.