Havia desenvolvido um estranho pavor a bebidas desde a última experiência com o meu irmão, mas a infeliz descoberta de que o álcool acalmava meu pesadelo interno foi o suficiente para me fazer superar o trauma.
Não me entendam mal, não é do meu feitio cair em vícios pré-anunciados; entretanto, a dor lancinante de uma alma desamparada é a chave para qualquer coerção. E quando a bebida tocou meus lábios, aqueceu meu interior torturado e relaxou minha mente consumida, não restou nada além do desejo por mais.
O álcool, droga especial que é, permitia-me poder controlar o meu próprio mergulho no prazer e alívio: a cada gole bebido, sentia a criatura torcer-se de calma, também afetada pelo mar de ópio. Era o ápice do júbilo, ver-se livre da coisa pela primeira vez, ainda que por escassos minutos de deleite.
Precisei de mais, pois não parecia ser o suficiente para domá-la. Os riscos eram colossais, eu tinha consciência. Ainda faria qualquer coisa para não sentir mais a morte dentro de mim.
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