The Swan Sisters Saga

84 Capítulo 32 - A Queda de Damon Salvatore


“Stefan? Salvar a alma de Damon? Como?”

_ E com que batalhão eu poderia fazê-lo, Katherine?

Katherine riu sua risada afiada novamente.

_ Pois então... eu mesma já fiz essa pergunta um milhão de vezes... Damon disse que você é a única capaz de enfrentá-los... então...

_ Enfrentar quem? Do que você está falando? Chame logo Damon e pare com essa palhaçada de uma vez, sim? – esses joguinhos de Damon sempre me irritaram e meu tempo era curto demais, o sol raiaria em poucas horas acordando toda a aldeia. – Damon, pare com isso, por favor... preciso conversar com você! – gritei para todos os lados na esperança que ele pudesse ouvir o apelo em minha voz – Damon!

_ Elena? – Katherine interveio – Traga Damon para Ivy, sim querida?

E de repente ouvi o sonoro estrondo de metal, parecia um trovão estourando dentro da imensa caverna, ecoando pelas paredes e fazendo meus tímpanos vibrarem. Então das sombras vi Elena caminhando alegremente com argolas de metal em suas mãos.

_ Vamos, vamos! Venha logo! — ela ia dizendo enquanto puxava uma corrente grande que parecia pesar dez vezes o peso de seu corpo.

E o que testemunhei depois era algo além de minha imaginação, Damon estava logo atrás, seu corpo curvo e seu braço preso pela corrente. Sua cabeça pendurada e caída sobre o peito parecia sem vida e o pouco que pude ver de seu rosto era de um branco mortal. Seu pescoço estava destroçado, e sangue escorria em sua camisa e secava num tom de preto sinistro.

_ Me... me desculpe. – Damon sussurrou fraco – Eu não esperava por isso...

_ É claro que não, seu bobinho! – Katherine respondeu rodeando Damon e Elena – E é por isso que é tão divertido!

_ Mas por que? Por que você fez isso? – eu gritei horrorizada.

Katherine sorriu mostrando seus dentes afiados novamente.

_ Porque eu o amo!

E foi só então que percebi que eu não podia me mexer, meu corpo parecia congelado e sentia meus braços e pernas paralisadas por algum motivo.

_ Mas o que?

_ Um truquezinho meu... só por garantia, você sabe... eu não quero que você nos deixe... afinal a festa ainda nem começou. Vai ser tão divertido, Ivy! Você gosta de diversão, não gosta?

_ Katherine, me escute, por favor... eu... eu...

_ Deixe eu te mostrar – ela disse me ignorando completamente – Você vai adorar!

Katherine, então, agarrou Damon pelos cabelos e jogando sua cabeça para trás afundou seus dentes em seu pescoço arrancando grunhidos e fazendo novas manchas de sangue na camisa branca de Damon.

_ Oh, não! Pare! Pare por favor!

Katherine levantou a cabeça, sangue escorrendo pelo queixo.

_ Mas eu estou com tanta fome... e ele é tão gostoso! – ela limpou os lábios com a língua e lançou outro golpe, um espasmo percorreu o corpo de Damon dessa vez. Eu gritei e Katherine parecia eufórica.

_ Eu queria que você tivesse morrido. – Damon sussurrou e sua voz ainda tinha aquele tom de sarcasmo de sempre, só que mais fraco dessa vez. – Mas você morreu... morreu há dois mil e quinhentos anos atrás.

_ Ah... essa foi a primeira vez que eu te enganei. – Katherine respondeu solene, e não havia mais euforia em seu rosto – Eu queria que nós fôssemos felizes juntos, eu amava você... amava vocês dois! Mas isso não foi suficiente para vocês... – seu rosto mudou novamente, e eu pude ver a jovem magoada de séculos atrás, ela parecia contemplar uma época diferente e seus olhos realmente se encheram de lagrimas – Eu só queria que vocês dois se amassem... mas vocês eram dois teimosos e egoístas. E então eu pensei que se fingisse minha própria morte vocês se uniriam. E eu precisava ir embora de qualquer forma, papai já começava a suspeitar de minha mudança. – ela continuou calma, perdida em seus pensamentos – Mas então... vocês fizeram tudo errado! Vocês deveriam se arrepender, e chorar, e confortar um ao outro. Mas ao invés disso, vocês correram e pegaram suas espadas. Por que fizeram isso? Por que não aceitaram meu presente? Trataram minha memória como lixo. Eu disse em minha carta de despedida que eu queria que vocês se perdoassem e se reconciliassem, mas vocês não me ouviram e foram logo empunhando espadas um contra o outro. Vocês são irmãos! E se mataram! Por que vocês fizeram isso?

Lagrimas escorriam do rosto de Katherine e eu sabia que Damon também se emocionara, mesmo que ele fizesse o possível para esconder, eu sabia que as palavras de Katherine o afetavam e seus olhos úmidos já não podiam negar.

_ Nós éramos estúpidos demais para isso. – Damon disse, preso nas memórias que Katherine trouxera – Nós nos culpamos por sua morte e nós éramos tão estúpidos. Katherine ouça-me, foi minha culpa. Eu dei o primeiro golpe, eu causei a ruína de Stefan. Eu matei meu irmão... e hoje eu lamento por isso. Você nem sabe o quanto... – sua voz quebrou e eu pude jurar que ouvi um soluço. Meu coração apertado com a confissão de Damon. – Katherine, ouça-me, nós já nos magoamos demais. Já basta... deixe nos ir agora, ou fique comigo, mas deixe Ivy ir... ela não tem nada a ver com isso.

Os olhos de Katherine pareciam um par de rubi de um vermelho quase impossível, cheios de arrependimento. E eu sentia que não podia ao menos respirar, com medo de interromper a magia que Damon parecia jogar sobre Katherine. Mas do nada, o gelo que preenchia Katherine brotou novamente congelando as lagrimas em seu rosto.

_ Você deveria ter pensado nisso há séculos atrás, eu poderia ter dado ouvidos naquela época. Eu tentei te perdoar, Damon... assim como eu tentei perdoar Stefan... eu te trouxe até aqui para que você encontrasse Ivy e conseguisse ajuda para resgatar Stefan porque me arrependi do que fiz com ele. Mas você desperdiçou essa chance, eu tentei te dar mais um presente e você brincou com sua sorte de novo, ficou fazendo joguinhos e perdendo tempo enquanto Stefan definha nas mãos dos Garou! E como se não bastasse acabou se apaixonando por essa... por essa... essa... zinha! – Desdém e revolta encheram os olhos de Katherine quando contemplou meus olhos esbugalhados de espanto e surpresa, com meu queixo literalmente caído eu ainda processava as palavras de Katherine quando Damon interveio furioso.

_ Você! – Damon gritou – Você entregou Stefan para os lobos! Como pôde? Como você pôde fazer isso?

_ Ele não quis me escutar e eu não tive outra escolha... Stefan me deixou tão nervosa. Eu o procurei, me revelei para ele e contei toda estória, mas ele me acusou de mentirosa e infantil. Me disse que por causa da minha encenação vocês dois jamais se reconciliariam e disse que toda a tragédia de sua vida tinha sido por minha causa. Stefan consegue ser bem dramático quando quer, você sabe. Mas dessa vez ele conseguiu me tirar do sério. Então Elena e eu armamos uma armadilha para ele e o fizemos uma presa fácil para os Garou.... e hoje ele está preso no covil deles ou sei lá aonde. Eu não sei o que eles fizeram com Stefan, mas eu sei que ele ainda está vivo.

_ Vivo? Você chama aquilo de vivo? Ele sequer lembra do próprio nome! Não existe nome para a criatura que Stefan se tornou. Não, ele não está vivo, Katherine, ele só não está morto!

_ Mas foi ele que pediu por isso... eu tentei, tentei eu juro. Mas Stefan se recusou a aceitar minha ajuda – o ressentimento na voz de Katherine deu lugar à fúria novamente – e ele se arrependeu por isso, pode ter certeza. Mas você... – ela continuou com olhos estreitos como se tramassem uma nova idéia – você não é tão estúpido quanto Stefan... e é por isso que eu sempre gostei mais de você. Eu tenho te observado, Damon... você sabe das coisas, eu vi as coisas que você fez... eu sei do que você é capaz por um pouco de diversão... – Katherine foi se inclinando em direção a Damon e continuou num tom confidente – E eu tenho andado tão solitária nesses últimos séculos... você poderia me fazer companhia... nós dois juntos outra vez... o mundo seria nosso parque de diversões e nada nos deteria, o que você me diz?

“Oh, Meu Deus” eu pensei, os olhos de Damon imersos nos de Katherine e o sarcasmo parecia ter voltado ainda mais forte em seu rosto. “ Não, Damon, não!”. Damon sorriu lenta e calmamente. Katherine sorriu de volta.

_ Nós seremos tão felizes juntos. Depois que nos livrarmos de todos eles... eu nunca quis te machucar, não de verdade. Eu fiquei um pouco brava... – Katherine então tocou o ombro de Damon de leve e acariciou seu rosto — me deculpe.

_ Katherine... – Damon disse ainda sorrindo.

_ Sim? – ela se aproximou.

_ Katherine?

_ Sim, Damon?

_ Vá para o inferno.

Senti meu corpo todo se tencionando com o que estava prestes a acontecer, antes mesmo que acontecesse. Senti a violenta erupção de fúria, sem limites e malévola fúria. Eu gritei com a brusca mudança de Katherine. Aquele rosto antes adorável e delicado se contorcia e se distorcia com o ódio, se transformando em algo que não era nem humano nem animal. Seus olhos pareciam ainda mais vermelhos quando ela afundou seus dentes na garganta de Damon, pedaços de carnes escorriam de seus dedos que prendiam Damon no lugar e os dentes antes brancos rasgavam a pele de Damon deixando um rastro vermelho em seu tórax. Eu ainda gritava e ouvia Elena pedindo misericórdia para Damon, mas acima de tudo eu ouvia a voz ácida de Katherine.

_ Agora você vai se arrepender por isso! Eu farei com que se arrependa! Eu vou te matar! Eu vou te matar!

Só as palavras de Katherine já me machucavam demais como se fossem picadas de abelha na minha pele, não conseguia imaginar a dor que Damon sentia.

_ Eu vou te matar! Eu vou te matar!

Sangue jorrava de Damon e a escuridão clamava minha consciência.