The Swan Sisters Saga
83 Capítulo 31 - Kat e El
_ Quem é você? – gritei enfatizando cada palavra. Elas ecoaram pelo salão – Me diga quem é você!
_ Shhh... não queremos perturbar nosso convidado especial, queremos? – ela disse amorosa, mas seus olhos eram pura ameaça.
_ Então me diga seu nome. – respondi baixando o tom de minha voz.
A mulher deu um passo para trás e soltou uma risada alta.
_ Humm... – ela suspirou com escárnio – Sabe? Eu me sinto ofendida, profundamente ofendida. De verdade! – se aproximou ovamente tocando meu rosto, seus dedos frios como a neve – Eu sou Katherine... – sussurrou deixando um beijo no ar em minha direção e rodopiou dando pequenos pulos como se flutuasse no ar.
E então eu vi que o que eu havia tomado como sendo a calda de seu vestido era, na verdade, seu longo cabelo que descia as costas como cetim dourado tremulando com cada movimento.
_ Eu ainda não consigo acreditar que Damon nunca te contou sobre mim... – seu rosto se contorceu e os olhos pareciam realmente entristecidos, não fosse pela gargalha afiada que se seguiu – Sobre nós... ele nunca fez isso antes!
_ D... D... Damon? – perguntei sentido não só minha voz falhar, mas meus joelhos, meu corpo inteiro — Onde...
_ Ora, não se preocupe com Damon, querida! Ele está ali atrás... brincando. – Katherine disse balançando a cabeça como se ensaiasse o inicio de um dança – E já vem para nos fazer companhia. Logo logo... – ela se aproximou ainda mais, seus intensos olhos cor de rubi enevoaram minha visão e seus lábios quase tocaram os meus – Vamos falar sobre você agora, sim? Eu tenho te observado, Ivy... há muito tempo. Eu vi quando você deixou os Garou em Londres, vi quando chegou em Forks, seu... – uma risadinha sinistra – “encontro” com o amaldiçoado... e vi até mesmo aquela... noite... a sua primeira vez. Com Damon, lembra?
Eu engoli seco, a garganta rachando, o suor começava a escorrer pela minha testa e as batidas do meu coração eram tão altas que desejei que ele parasse de bater de uma vez.
_ Tudo a seu tempo... – Katherine exclamou como se ouvisse meu desejo – Tudo a seu tempo, queridinha. Bem, como eu ia dizendo – ela continuou, fazendo passinhos de danças infantis e parando bem na frente novamente – eu devo confessar uma coisa, fui maldosa com você, mas só um pouquinho... – sorriu deixando bem a mostra seus dentes afiados e brancos — quando você chegou em Forks, estava sozinha e se sentia tão solitária. Coitadinha... e aquele homem, nojento por sinal eu concordo, te abordou daquela forma tão rude naquele beco escuro. Então eu soube que aquele era o momento para te testar e dei... digamos assim... um empurrãozinho em seus instintos naturais, você me entende?
Então o ataque, aquela fome selvagem que me tomou e me fez dilacerar aqueles homens na floresta em meu primeiro dia aqui em Forks foi tudo obra dessa... dessa... víbora!
_ Cuidado! Cuidado com o que pensa, queridinha... se você ainda não percebeu eu consigo te ouvir... – Katherine me lançou um olhar diabólico – Mas eu te perdôo... Humm... eu sempre perdôo! Você é tão inocente, tão jovem... mas não pense que não notei suas... habilidades especiais. Eu tenho te observado...
_ Ela tem mesmo! Tem sim, tem sim – uma voz fina e tão infantil quanto de Katherine se fez notar atrás de mim – Katherine sempre faz isso... Observa...
Num movimento que só notei pelo vento que deixou, Katherine estava do outro lado do salão encoberta pelas sombras novamente, e de repente rosnados e outros sons animalescos de carne sendo arrancada e mastigada tomaram o lugar. Depois de alguns minutos, ela se levantou e em suas mãos segurava os cabelos de outra mulher, levantando sua cabeça.
_ Eu já disse que não gosto de ser interrompida! Você sabe que eu não gosto, quantas vezes vou ter que te falar, Elena? – Katherine levantou o rosto, sangue escorrendo pelo queixo, e sorriu para mim como se estivesse embaraçada pela situação – Oh, me desculpe por isso, querida Ivy... me desculpe por Elena. Ela ainda não está tão madura quanto eu gostaria que estivesse. — A pobre moça grunhia de dor como um gato machucado – Shhh... Shhh... pronto, pronto... já passou, minha gatinha. Agora se recomponha e diga “Olá” para nossa amiga.
Elena se levantou e tirando os cabelos que escondiam seu rosto começou a limpar-se do sangue que Katherine havia derramado, vestia um vestido preto meio surrado e sujo, tinha um corpo tão belo quanto de Katherine, mas não era tão graciosa. E seu rosto tinha a mesma pele pálida e branca quando se revelou para mim, foi quando percebi a notável semelhança entre as duas. Era o mesmo rosto, só que em outro corpo, e emoldurado por cabelos emaranhados e escuros ao invés de sedosas madeixas douradas. Os olhos de Elena também eram vermelhos, mas num tom menos vivo do que de Katherine e menos ameaçadores também. Notei também que ela usava um colar na mesma cor vermelha de seus olhos, e Katherine tinha um idêntico em seu pescoço da mesma forma.
_ Olá? – Elena sussurrou. Eu não pude responder, o choque daquela cena tão improvável e surreal desapareceu com a minha voz. — Ela é bonita, Kat...
_ Sim... é sim – Katherine concordou e com afeto em seus olhos acariciou os cabelos de Elena deixando um beijo em sua bochecha – Bonita como Damon disse que era, não?
Elena não disse nada, apenas balançou a cabeça em confirmação.
_ Você está entendendo nada, não é? – Katherine antecipou meus pensamentos – Bem... novamente culpa de Damon.
_ Tudo culpa de Damon! Tudo culpa de Damon! – Elena repetia as palavras de Katherine como um papagaio repete as de seu mestre.
Então era isso, Katherine era a caçadora e Elena seu lacaio. Pobre Elena...
_ Ivy? Eu vou ter que te por a par da situação antes que possamos continuar com a nossa festinha... Oh! Isso é tão tedioso! – Ela suspirou – Mas... são os ossos do oficio, não é mesmo? – perguntou num tom intimo quase confidente – Enfim, tudo começou há muitos anos atrás quando eu ainda era muito nova e inexperiente. Eu me apaixonei por um jovem soldado chamado Stefan, ele era filho de um homem muito rico e poderos, eu pretendia mesmo me unir com ele, mas então um dia eu conheci seu irmão... Damon... e por mais incrível que possa parecer, eu também me apaixonei por ele. Então lá estava eu... apaixonada por dois irmãos e sem saber para qual entregar minha eternidade. Mas como sempre o destino decidiu por mim, Stefan e Damon nunca se deram muito bem, sabe? E minha chegada somente agravou a situação entre eles... foi tão triste, Ivy... você tinha que ver o quanto sofri. Mas eu sabia que aquela novelinha não poderia se prolongar para sempre e decidi me livrar de ambos. Afinal, quem é que agüenta tanto drama? – Katherine sorriu seu sorriso de escárnio novamente – Bem, eu deixei os irmãos Salvatore. Na verdade, os transformei primeiro e depois simulei minha própria morte e devo dizer... foi realmente magnífico, eles caíram direitinho. Por séculos, vi os dois sofrendo pela minha falta. Stefan era o mais melodramático, como sempre. Mas Damon também se afligia, eu sei. Até que um dia eu descobri Elena, que hoje é minha irmãzinha, mas que na verdade é minha tataraneta. Olhando assim, ninguém diz, eu sei... – gargalhada sinistra – Nós duas somos irmãs de carne e de sangue, se é que você me entende...
_ Não. – eu simplesmente respondi. A arrogância de Katherine estava começando a me enojar.
_ É claro que você não entende... é por isso que eu estou aqui!
_ Stefan me achou primeiro... – Elena interrompeu e só continuou depois do olhar de aprovação de Katherine – Depois veio Damon... e eles também brigaram por mim. Mas Kat... Kat não achou que eu precisava deles, porque eles me causariam tanta dor quanto causaram a ela. É isso que eles fazem. Sempre, Ivy!
_ Isso mesmo, El. – Katherine retomou aproximando-se de Elena e aninhando-a em seu colo – Eu sempre cuidei de você, não foi minha gatinha? – Elena ronronou. Realmente ronronou em resposta. Patético! — E quando eles perceberam isso, eu usei o mesmo truque com Elena e simulei a sua morte. Mas na verdade eu lhe dei o beijo da morte e a presenteei com a eternidade. Mais ou menos como Damon fez com você. – Ela quis dizer: condenou Elena a eterna escravidão – Depois simulei a minha morte de novo. – Ela jogou a cabeça para trás e a gargalhada que se seguiu inundou o ar de prepotência – E eles caíram! Caíram de novo, acredita? – agora ambas gargalhavam.
_ E quando eu entro na estória, Katherine?
_ Bem, você... você... é a forma que Damon encontrou de se redimir.
_ Se redimir? De quem?
_ Stefan...
_ Stefan? O irmão de Damon? E o que é que eu tenho a ver com ele se nem o conheço?
_ Ora, você ainda não sabe? – Katherine questionou, mais retoricamente do que para mim – Você é quem vai salvar a vida de Stefan, e consequentemente, a alma de Damon!
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