The Sun Curse
1 Capítulo 1
Notas iniciais
KISSES
Belle P.O.V
—Então até logo Ana, eu adorei o teu cabelo.
Disse eu saindo da casa de minha amiga as dez horas da noite de uma sexta-feira. Ana mora com os pais delas na avenida principal de Foresake, uma cidade pequena ao sul da Irlanda, eu moro a umas cinco quadras daqui, em uma rua bem pequena.
Eu gosto de andar a noite, essa em especial estava linda, a lua cheia brilhando no céu, as estrelas, uma brisa agradável de ultima noite de verão. Tudo estava perfeito até eu ver um mendigo estranho me encarando, com um toco de cigarro aceso na boca, luvas pretas de lã com dedos rasgados. Os olhos negros me encarando por baixo de cabelos pretos que cobriam parte de seus olhos, o rosto magro de quem passa fome e sujo como quem dorme nas ruas.
Seu olhar me causa calafrios e assim que o sinal abre eu atravesso e sigo em direção a minha casa, o homem atrás de mim por uma, duas, três quadras, e a cada passo eu vou mais rápido, quase correndo. Quando passo na frente de um beco sou atirada lá dentro por uma força descomunal. Antes que eu possa pensar em alguma coisa o mendigo está me prendendo em uma parede meus pés não tocam o chão e sua boca se aproxima lentamente de meu pescoço.
Antes que eu possa processar o que estava acontecendo o homem está longe de mim, com a boca no pescoço de outro homem que eu não posso ver o rosto e ambos estão no chão. Antes que eu possa pensar eu me atiro sobre o mendigo e o tiro de cima do meu salvador.
—Sai! — Eu puxo o homem pelo ombro e ele me encara bravo, mas não se move.
Eu desvio meus olhos para o homem atacado, a visão quase me faz vomitar. O garoto estava com o pescoço estourado e do lugar ferido saia um líquido preto que escorria por seu pescoço até formar uma poça no chão. Meus olhos se voltam para o mendigo que já não tenho mais certeza sobre a humanidade.
—Faz alguma coisa! Ele vai morrer!
—Ele não vai morrer, ele está em transição.
Eu ajoelhei ao lado do menino e olhei para seu rosto, o nome dele era Luke, ele estudou comigo a à dois anos atrás, mas não tivemos nenhuma turma juntos esse ano e nem no ano passado. Ele era realmente legal e eu nutria uma queda por ele desde o primeiro ano, não éramos muito íntimos, o maior grau de intimidade que eu tinha com ele era algumas conversas online sobre bandas que ambos gostávamos e às vezes ele pedia conselhos sobre garotas, mais especificamente Regina, a namorada dele.
— O que é isso preto no pescoço dele?
—O veneno. —O homem respondeu com voz de choro— Perdão, eu perdi o controle, eu não devia ter feito isso.
Eu não queria ouvir aquilo, ele já havia feito, Luke estava ali, desmaiado, sem pulso morto, sangrando sangue preto, e de acordo com um sem teto que me deixara fedendo, virando alguma espécie de vampiro ou algo assim. Não tinha mais volta, e não era para mim que ele deveria se desculpar.
—O que eu faço agora? — Eu indaguei, mas a resposta nunca veio, o homem tinha fugido e me deixado ali, em um beco a duas quadras de casa com um velho amigo morto, no meio da noite mais bonita do verão.
Eu estava sozinha com Luke, estática, tentando processar os fatos na minha cabeça, tentando entender o que estava acontecendo. Horas se passam enquanto meu cérebro travado observa Luke se curar lentamente, a manhã chega, as seis horas Luke se mexe e eu entro em choque e saio correndo. Corro com todo meu folego, mas gritos agonizantes e altos vindo do beco, vindo de Luke me fazem voltar correndo ainda mais rápido.
A cena me deixa com ânsia de vômito, a pele do rosto de Luke estava completamente queimada assim como os braços, tudo está em carne viva e sangrenta, ele se contorce fraco enquanto o os primeiros raios do dia batem no beco, queimando ele, assando ele. Eu o puxo para sombra e rápido ele cura, e se senta o chão ao meu lado, com a respiração pesada.
—Oi. — disse ele.
—Olá...
O silêncio se instala sobre nós até que eu o quebro
—Você acha que consegue andar até minha casa? São só duas quadras daqui, e o sol não está muito forte.
—Eu não vou sair de novo! — ele falou com pânico na voz
O silêncio nos domina novamente, porem o sol avança rápido, e tanto eu quanto ele sabíamos que não ficaríamos protegidos para sempre. Olhei para o relógio: eram seis horas da manha em ponto do primeiro dia de outono, as aulas começariam essa semana.
—Levanta!
—O que? — ele responde.
—Vamos, o sol não vai ficar longe para sempre, você pode ficar na minha casa até o anoitecer. — falei tirando meu casaco:
— Não vou sair! Você não sabe como dói!
—Queimou por baixo de suas roupas?
—Não...
— Então cobre os braços e a cabeça com meu casaco e a gente vai correndo. Eu te guio até lá.
Ele concorda cobrindo o rosto com o casaco, deixando apenas os olhos de fora. Saio correndo e ele me segue, mas antes que eu possa ver ele já está duas quadras na frente. Eu estou chocada.
POV Luke
Eu corri até onde belle me pediu, mas ela não estava atrás de mim, me virei e a vi duas quadras atrás, correndo até mim com um semblante confuso. Eu também estava confuso.
—Como você fez isso?
—Isso o que?
— Você chegou aqui em menos de um segundo, Luke.
Eu estava em pânico, eu não sabia o que eu era, o que eu tinha me tornado. Nunca acreditei em coisas como vampiros e outros seres, mas de repente depois de um homem me morder no pescoço eu queimo no sol, eu sou super-rápido, meus sentidos estão mais aguçados. Eu nunca acreditei que vampiros existissem, até eu me tornar um.
—Vamos indo? — eu falei a luz já começava a incomodar meus olhos e eu precisava me manter calmo, manter Belle calma, eu precisava muito da ajuda dela.
Ela, apesar de incerta e hesitante, me guiou até sua casa, um apartamento de tamanho razoável no segundo andar de um prédio pequeno e sem elevadores. A sala era aconchegante com uma mesa de jantar um sofá um tapete macio e uma televisão. Um corredor cumprido com portas, que levavam a cozinha, a um banheiro e ao seu quarto. A última eu supus ser o quarto de seus pais.
—Fica quieto, meus pais estão dormindo.
Eu aceno com a cabeça. Seu quarto era comum, paredes brancas, cama relativamente grande para uma pessoa só, mas pequena para duas forradas com roupas de cama azuis, uma janela que ela se prontificou em fechar antes da luz bater em mim, um armário grande e uma escrivaninha coberta de cadernos e folhas de papel, e em cima dela duas prateleiras cobertas de livros. No canto do quarto tinha uma porta branca com a maçaneta prateada e redonda.
—Eu vou tomar um banho, fica ai, não liga a TV, mas pode mexer nos livros e a senha do tablet é 7561.
—Certo.
Ela entra pela porta branca que chamou minha atenção com uma muda de roupas. Eu deito no chão de madeira, estava cansado de mais para ficar em pé, mas sujo de mais para deitar na cama dela. Eu ouço o som da tranca e então do tecido das roupas dela deslizando para fora de seu corpo, em seguida, o som da água caindo por ela, e então das mãos trabalhando com o sabonete, deslizando por sua pele.
Minha audição podia ser realmente aguçada se eu quisesse, porém eu lentamente desvio minha atenção de Belle para os acontecimentos da noite passada. Eu tinha acabado de sair da casa da minha namorada, então eu ia para casa quando vi Belle atravessar a rua muito assustada, era noite, mas ela tinha 16 anos, era muito velha para ter medo do escuro. Eu a segui para dar um susto nela, ela continuava acelerando o passo, até que desapareceu dentro de um beco em uma ruela. Podia ouvir seus gritos e então fui lá ajudar, um homem estava segurando ela na parede enquanto ela se debatia, então só me lembro de desmaiar com uma dor louca no pescoço e acordar com uma dor ainda mais alucinante por todo meu rosto e braços e então, eu vi Belle.
Belle, a mesma garota que estava agora tomando banho. Minha atenção voltou para ela, o som da água já tinha parado agora só se ouvia o som da respiração pesada e da toalha passando por seu corpo. Então o som de roupas deslizando por sua pele, o som da escova passando por seus cabelos, tudo era tão audível, eu não me cansava de ouvir até os mínimos sons. Por alguns minutos só ouvi a respiração pesada, nervosa dela, e nesse instante ela saiu.
Ela estava com um short branco de algodão e uma blusa vermelha levemente larga, podia ver a alça do sutiã cinza em um de seus ombros, os cabelos loiros presos em um coque, a pele parecia ser tão macia, os pés pequenos descalços e então o cheiro, o cheiro viciante que a pele dela exalava era o melhor cheiro que eu já senti. E então meus olhos vagam por seu corpo com intenções que eu não devia ter, eu amo minha namorada. Mas sua pele parecia tão macia, suas pernas tão perfeitas, a boca vermelha e convidativa, me chamando, me provocando, era torturante. O cheiro me dominava aos poucos. Prendi a respiração na tentativa de me controlar. Belle não era o tipo de garota que provocaria um garoto propositalmente.
Ela era doce e ingênua, e suas roupas não eram vulgares, era um pijama simples, eu nunca tinha visto ela desse modo, ela era só uma menina da sala do lado que eu falava às vezes quando entediado. Não éramos amigos, e agora eu devia um grande favor a ela, a última coisa que devia fazer era pensar coisas tão sórdidas sobre uma menina tão doce e pura. Então uma gota de água teimosa escorreu de seu pescoço até a curva dos seios e eu desviei o olhar lutando por controle. Porra, eu não era o tipo de cara que pirava em cima de qualquer uma. Eu amo a minha namorada, eu amo a minha namorada PORRA!
—Você está bem? — ela perguntou doce, porém assustada.
—Sim, só estava pensado. — falei nervoso.
— Certo. Você quer tomar um banho?
— Sim, sim, um banho seria perfeito, eu estou fedendo. — Eu rio
Ela sorri como uma criança, o que me faz sentir culpado pelos prévios pensamentos, sai do quarto e abri porta do quarto de seus pais, eu podia ouvir os corações batendo calmamente no sono, o som me fez sentir pior, me fez querer mais o que eu não devia, eu ouvia os passos delicados de Belle no chão de madeira. Ela logo voltou ao quarto com uma calça de moletom e uma blusa para mim. Eu peguei as roupas rápido de sua mão e fui ainda mais rápido para o banheiro.
Tiro minhas roupas e entro no chuveiro a água morna me faz relaxar, eu solto a respiração, grande erro, tudo naquele banheiro tinha aquele cheiro torturante, tudo cheirava a ela. Novamente minha mente imaginava coisas que não deveriam passar na minha cabeça, eu pensava nos meus lábios passando por sua ele pálida e macia, o gosto de sue sangue na minha boca. Eu sentia prazer e nojo ao mesmo tempo, o que eu virei, o que eu queria era inaceitável.
Eu esfreguei meu corpo com toda a fora me deixando com marcas vermelhas, tentando limpar minha mente através de meu corpo. Não obtive sucesso, os pensamentos continuavam cada vez mais sujos e mais doentes. Eu saí do banho me sequei rápido, pois a toalha também cheirava a ela, coloquei a calça e sai sem a blusa mesmo. Fora do banheiro encontrei Belle sentada na cadeira com os cotovelos apoiados na escrivaninha e o rosto apoiado nas mãos em um semblante preocupado.
— O que foi belle? — eu tentava manter um tom normal, sem muito sucesso.
—Nada...
Eu me aproximei dela, ela olhou para mim, as grandes orbes cor de mel me encarado com certo medo, seus olhos passam por meu corpo em um milésimo de segundo e então ela se encolhe e cora voltando a olhar para a escrivaninha. O cheiro dela estava ainda mais insuportável, o cheiro do medo impregnado nela com o cheiro do sague somando a curta prova que na cabeça dela passavam os mesmos pensamentos que passavam incessantemente na minha cabeça, ou ao menos em parte, com certeza os pensamentos dela eram muito mais saudáveis que os que me vem a mente.
Ela voltou a me encarar, com as bochechas rosadas e então ela se levantou o cheiro ficou muito próximo, eu não pude controlar o instinto que veio em mim. Não pude pensar na pureza da menina na minha frente, não pude pensar na minha namorada que eu amo e que me ama, nem no fato dos pais de belle estarem no quarto ao lado dormindo. As últimas gotas de autocontrole, os últimos pedidos do humano em mim se foram quando ela esbarrou em mim a fim de sair de perto. O toque da pele macia contra meu torso foi demais para mim. Eu perdi completamente o controle.
Notas finais
Espero que tenham gostado. Me façam feliz, comentem, críticas são bem vindas e elogios mais ainda...
KISSES
B.S.Jhones
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