The Sun Curse
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Belle P.O.V
Ele saiu do banheiro bruscamente, desviando-me de meus pensamentos, pela primeira vez pesava em minha cabeça o fato de vampiros se alimentarem de sangue, sangue humano. Eu estava com medo, mas o som da porta me fez desviar o olhar, Luke estava parado, me olhando, senti pavor! Ele se aproximou com o passo rápido e afetado e me perguntou o motivo de minha preocupação, respondi que estava bem e pela primeira vez desviei meu olhar do dele, por um segundo meus olhos correram por seu corpo.
Ele estava mal enxuto, com a blusa branca que o dei para vestir nas mãos, o cabelo preto cacheado molhado e pingando pelo chão de madeira ou escorrendo por seu pescoço, os músculos perfeitamente traçados e a pele mais pálida do que me lembrava moldando tais músculos e me lembrando o que ele era. Lembrar que ele poderia me matar a qualquer momento me fez desviar os olhos e abaixar a cabeça. Pensei nos meus pais dormindo no quarto ao lado, eles não faziam ideia de tudo o que a filha deles havia passado nas ultimas horas, eles dormiam tranquilamente enquanto eu estava apavorada, dividida entre a crença de que Luke, o garoto bonito e popular estava no controle do belíssimo corpo masculino que eu acabara de secar, e a crença de que Luke era um vampiro, que, por consequência se alimentava de sangue humano, e tais criaturas não possuem alma. E além de tudo isso cada poro da minha pele exalava culpa, isso que acontecera com Luke era minha máxima culpa.
Sem conseguir me livrar do emaranhado desagradável de sentimentos que sua proximidade aumentava no meu ser já conturbado e confundido o suficiente por uma noite resolvi me afastar, ir para uma parte da casa onde eu não tivesse que lembrar de sentimentos banais e típicos de minha idade que eu, platonicamente, nutria por ele, uma parte onde eu não tivesse que lembrar que ele era um vampiro agora, e que com uma misera mordida ele tornaria meu sangue preto e minha existência sombria.
Levantei-me de pronto para me afastar, mas devido ao excesso que proximidade entre ele e eu, esbarrei em seu peito desnudo e então senti uma força enorme me puxar pelo braço, me sentar e prender em minha escrivaninha. As mãos fortes de Luke me seguravam pela cintura firmemente, sua boca invadiu a minha violentamente em um beijo explosivo, sedento e selvagem que era impossível para mim não corresponder. Suas mãos deixaram minha cintura e para explorar despudoradamente meu corpo que até então nunca havia sido tocado assim.
Descaradamente sua boca traçou chupões e beijos até meu pescoço onde ele distribuía beijos cada vez mais sedentos. Nada passava pela minha cabeça além das sensações novas e extremamente prazerosas que ele me proporcionava naquele momento. Ele se aproximou mais se encaixou no vão entre minhas pernas, suas mãos adentrando minha blusa.
Eu sentia tudo aquilo como se tudo aquilo que aconteceu na noite anterior tivesse passado de um sonho, como se por algum milagre fosse o Luke popular, lindo e humano que estivesse me tocando do jeito que pedi nos meus sonhos mais profundos e secretos, nesse pensamento ingênuo ignorei as presas dele tocando levemente minha pele, mas lembrando desse antigo Luke que eu não tinha plena certeza de ainda existir que em um lapso de consciência o afastei com toda minha força, juntei força da visão dele com sua perfeita namorada nos braços para empurra-lo
—O que diabos foi isso Luke? — pergunto com o tom alterado, eu realmente não entendia o que tinha acabado de acontecer.
Ele se afastou de mim seguindo até o outro lado do quarto, agradeci mentalmente meus pais terem sono pesado, me encontrar naquela situação não seria nada agradável aos olhos deles.
— Desculpa, Desculpa, por favor, eu não sei o que aconteceu. — ele falou em tom de desespero e confusão que me tocaria se eu não estivesse mil vezes pior, eu acabara de dar meu primeiro beijo em um vampiro que tinha namorada!
—Não, não é pra mim que você deve se desculpar você tem namorada, Porra! E pelo que você me diz você à ama e ela ama você!
—Eu amo a Regina, amo ela demais, mas, você é... você é... — a hesitação palpável em sua voz arrependida e embargada devido ao choro que ele segurava em vão.
— Eu o que? — falei tentando manter minha cabeça, que já estava na lua, no lugar.
— Você tem cheiro bom!
Eu ri, uma risada afetada e maldosa.
— Você traiu sua namorada com uma garota que você mal fala, tentou morder essa garota sabendo o que aconteceria com ela caso você fosse bem sucedido porque eu tenho cheiro bom!?
—NÃO! Eu não sei, mais ou menos... Seu cheiro me deixou louco, eu não pude pensar, mal conseguia falar e muito menos respirar, tudo aqui tem esse maldito cheiro... — sua voz sumia em meio ao choro seco dele.
Uma dose de pena e compaixão me invadiu, ele não era mal, ele devia estar mais confuso do que eu, ele que tinha se tornado um ser completamente diferente com necessidades completamente diferentes em literalmente uma noite, não eu, e ele tinha virado isso por minha máxima culpa, o mínimo que eu podia fazer era tentar me livrar desse cheiro que o transtornava.
— Cheiro do que Luke? — minha voz assumia um tom mais brando, ele olhou pra mim receoso, tive medo da resposta.
— Medo, sexo e sangue.
Luke P.O.V
— Medo, sexo e sangue.
Deixar aquelas palavras saírem da minha boca foi difícil, admitir que esse era o cheiro que me fez ficar assim, mais ainda. Admitir que parte de mim estava morrendo para trair minha namorada com a menina pequena e delicada na minha frente, que essa mesma parte doente de mim ia a loucura ao saber que ela também queria, que essa parte também queria cada gota do liquido quente e vermelho que corria deliciosamente por cada parte do corpo dela, e essa parte sentia um prazer desumano com o pavor que a menina loira e delicada na minha frente sentia foi como arrancar meu esôfago com as mãos sem anestesia.
Ela empalideceu, seus olhos se arregalaram e ela encolheu os ombros. A boca abriu levemente a respiração ficava mais pesada, ela tentava dizer alguma coisa, mas tudo o que saia de sua boca eram sons desconexos, até que finalmente ela conseguiu, mesmo que sua voz estivesse mais fina e assustada que o normal, proferir uma frase:
—Perdão, eu... Eu realmente não sei o que dizer...
Ela não moveu um musculo, continuou sentada com as pernas abertas, o short desabotoado, a blusa jogada sem jeito um uma parte da escrivaninha o cabelo solto e bagunçado e as alças do sutiã caídas. Ela estaria extremamente sexy se não fosse os músculos tensos, a palidez de sua pele. A expressão de nojo e medo em seu rosto, ela estava visivelmente perplexa.
Eu me remoía em minha culpa enquanto prendia a respiração e tentava não ouvir o som do coração acelerado e da respiração pesada de Belle, quando ouvi uma despertador tocar uma musica irritante e em seguida dois pés tocarem o chão e poucos segundos depois outro par de pés.
—Seus pais acordaram, Belle.
Isso pareceu acordar Belle de seu transe, ela colocou a blusa e fechou o short veio até mim e me empurrou dentro de um armário, e depois se deitou e se cobriu na cama, bem a tempo de um homem magro mas não muito alto de cabelos castanhos cacheado e um pouco grisalho e olhos verdes entrar no quarto e dar um beijo em Belle.
— Bom dia, pai.— Eu pude ver pelo espaço mínimo entre as portar do armário Belle sorrir doce e fraca para o pai.
— Bom dia luz do sol, já são oito horas da manhã.
— É sábado, eu vou dormir um pouco mais.
— Certo, não esquece de comer ok? — O homem sorri e deixa o quarto, me deixando com vontade de rir do apelido de Belle e ficando na dúvida, afinal, que tipo de pessoa se esquece de comer?
Tento sair do armário, mas quando Belle vê a porta abrindo faz um sinal silencioso para eu ficar lá. Alguns minutos depois uma mulher de pele branca como a de belle e o mesmo cabelo loiro, porém liso e os olhos grandes e castanhos porem não tão inocentes quanto os de Belle, entra com os saltos pretos altíssimos para disfarçar a baixa estatura. A mulher se senta ao lado de Belle e com a expressão muito séria e muito brava pergunta:
— Posso saber que horas você chegou ontem Isabelle de Lucca?
—Bom dia, mamãe! Você dormiu bem? — Belle fala se sentando na cama com a ironia na voz.
— Não Isabelle. Fiquei preocupada com minha filha que já passava da meia-noite e não estava em casa. — A voz da mulher ficava mais alta conforme o decorrer da frase.
— Eu perdi a hora na casa da Ana, cheguei 1:30 da manhã, tomei um banho e dormi, nada de mais. —Num é que a loirinha sabia mentir?
— Eu e seu pai ficamos preocupados.
—Desculpa mãe, de verdade, não vai acontecer de novo.
— Assim espero...
O pai de Belle entra o quarto novamente
— Vamos Julia, você vai se atrasar, quando chegarmos falamos com ela. — ele falou com um tom brando, calmo e racional.
— Você tem razão Will. Quando eu chegar nós terminamos essa conversa, Isabelle.
— O café da manhã está na mesa da cozinha e tem dinheiro para o almoço na mesa da sala, luz do dia.
Após essa ultima fala eles saem do quarto e minutos depois, saem da casa. Quando ouço a porta trancar me sinto seguro para sair do armário. Belle se deitou novamente e parecia demasiadamente cansada.
—Eu ouvi sobre o café da manhã, posso comer um pouco?
Ela concorda e eu a deixo dormir enquanto vou para cozinha, arrisco respirar mais profundamente, o cheiro de comida sobrepõe um pouco o cheiro de Belle, e a cozinha fica do outro lado do apartamento. Na mesa tinha um prato grande cheio de pães de queijo, dois pães franceses e torradas, algumas fatias de presunto e de queijo esperando para fazerem parte de um sanduiche, do lado do prato tinha geleia de morango, nutella, manteiga de amendoim e manteiga, e do outro lado um copo de chocolate quente.
Eu peguei a bandeja e levei para Belle, mas ela já estava dormindo, então voltei para a cozinha onde me sentia mais confortável e comi. Minha intenção era comer metade, mas eu estava com tanta fome que quando eu vi já tinha comido até a última fatia de mussarela. Quando olho para o prato me sinto culpado, tinha comida mais do que suficiente para duas pessoas ali e eu comi tudo sozinho, e se o pai dela colocara tudo ali é por que belle come tudo aquilo.
Comecei a fazer outro café da manha para ela, achei pão e forma, passei manteiga e coloquei presunto e queijo e fiz um misto quente, com outras fatias fiz um sanduiche de manteiga de amendoim e geleia, preparei outro chocolate quente, não estava nem de longe tão bonito quanto o que eu comi, mas acho que daria para satisfazê-la.
Lavo o pouco de louça que tinha na pia, me sento a mesa e descanso um pouco, até que um raio de sol que banhava a cozinha mas não tocava em mim chegou em mim e queimou a ponta dos meus pés me fazendo gritar e correr de volta para o quarto de Belle, grande erro, tive que passar pela sala que estava imersa em sol, quando eu fui para a cozinha o sol batia só no sofá, mas agora, cobria tudo. Cai no chão sem conseguir controlar meus gritos, rapidamente Belle apareceu e fechou a persiana e aproveitou para fechar todas as demais janelas da casa.
Ela se sentou ao meu lado esperando eu curar, o que aconteceu em alguns minutos. Levantei agradecendo por não ter sujado nada de sangue, Belle nada disse. Eu a segui até a cozinha onde ela viu o café da manha improvisado que eu fiz e olhou para mim como se perguntasse se fui eu.
— Eu comi tudo o que teu pai deixou sem querer e aí fiz isso para você, sei que não é igual, mas espero que você goste.
— Obrigada, mas eu não como tudo isso. — Ri, o que eu fizera era muito menos do que eu havia comido, se o que eu fiz já era muito, o que tinha duraria meses para ela.
— Desculpa, é que o café da manha que eu comi era o triplo do que eu fiz.
— Eu sei, meu pai gosta que eu coma. — ela falou fria, ela estava fria.
— Desculpa.
—Tudo bem.
Ela começou a comer, em silencio, lentamente, ela comeu metade dos dois sanduiches e metade do leite. Em momento algum ela desviou o olhar para mim, sempre olhava fixo para o prato, mas isso não disfarçava o cheiro dela, o de sexo já não estava lá, mas o de medo estava mais forte do que nunca, mas desse vez, me senti mal por isso.
—Não tenha medo de mim, por favor.
Ela olha para mim interessada, com um misto de surpresa, medo e divertimento.
—Não tenho medo. — ela quis bancar a durona.
— Tem sim, eu posso sentir o cheiro em você.
— Perdão. — ela respondeu fria, abaixando a cabeça novamente.
— Olha para mim! — lentamente ela levantou a cabeça. — Não precisa pedir perdão, não é tua culpa, eu também estou assustado Belle, mas eu não vou te machucar, eu sou inofensivo. — eu sorrio.
— Não, Você não é! — Ela explode. — Você é super-rápido, tem todos os sentidos super aguçados, você consegue sentir cheiro de medo, cheiro de sexo nas pessoas, você traiu sua namorada porque sentiu esses cheiros e mais cheiro de sangue em mim, uma garota que você mal fala, e quando fala é por facebook. Você é inocente Luke, mas definitivamente não é inofensivo.
As palavras dela me magoaram, muito, eu sabia que todas elas tinham verdades absolutas, mas eu não queria ser um monstro, não queria ser isso que a belle me jogou na cara que eu sou, mas eu sabia que era isso que eu era, uma monstro que se alimenta de humanos, que nunca mais vai poder sair a luz do dia, que nunca vai conseguir ficar perto de outros humanos e ainda respirar, uma aberração que nem se quer respirar precisava.
— Então porque você ainda está me ajudando?
— POR QUE EU FIZ ISSO COM VOCÊ! — ela gritou e se levantou e começou a andar de um lado pro outro.
— O que?! — eu perguntei confuso, como ela achava que ela tinha feito isso comigo?
— Perdão, perdão Luke, eu não queria fazer isso, desculpa, Por favor. — lagrimas caiam de seus olhos
— Você não fez. — eu finalmente entendi, ela se sentia culpada, pois foi salvando ela que eu fui mordido. — Você não fez, não foi você, eu quis te salvar, eu não me sentiria bem comigo se eu não o fizesse, eu não sabia o que aquele homem era e duvido que você soubesse.
Pensei em abraça-la, mas não me pareceu uma boa ideia, mesmo se eu prendesse a respiração o cheiro dela ficaria na minha roupa e eu ouviria o barulho do coração batendo e do sangue correndo e do pulmão enchendo e esvaziando. O som era convidativo de mais, sua pele, macia demais, o peito dela subindo e descendo com a respiração era demais, e só de imaginar senti-los contra o meu peito era torturante, então descartei a ideia do abraço. Ela se acalmou e sentou de novo, e terminou de comer o que tinha deixado, com os olhos inchados e eventuais soluços.
Notas finais
espero que tenham gostado do cap!
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