The Stripper
16 Capítulo 15 – Percepções
Notas iniciais
*** Nesse capítulo teremos um trocadilho envolvendo nomes (em inglês), caso não compreenda, explicações nas notas finais ***
Boa Leitura.
P.O.V. Renée
Eu já estava na 15ª semana de gestação. Não podia estar mais ansiosa, já que na próxima consulta poderia descobrir o sexo do bebê.
Meu casamento também estava incrível. Charlie tinha simplesmente adorado a idéia de ter um novo bebê. Eu sabia que ele sempre quisera novos filhos, mas Bella quando era bebê me deu tanto trabalho, que eu acho que desgostei da maternidade; não que eu não a amasse e fizesse de tudo por ela, apenas decidi que me dedicaria cem por cento a ela, e então, quando eu achasse que já tinha recuperado as noites de insone, choro e gritaria, eu voltaria a ter um filho. No fim das contas eu fiquei mimando ela, e então veio Alice (que se incorporou a minha família), e depois as outras meninas... No fim, acabei esquecendo a idéia de ter outro filho. Quando Bella foi pra faculdade era assustador. Percebi então que meu desgosto pela gravidez na verdade era gosto de mais por minha filha.
É claro, que eu não pensava em ter uma gravidez – aos quarenta e cinco do segundo tempo – e Charlie também já tinha perdido as esperanças. Talvez por isso estivéssemos tão exultantes com isso.
- Eu estava pensando em alguns nomes Renée, — Charlie puxou assunto enquanto tomávamos café da manhã. – se for uma menina Miracle*, e se for um menino Gaylord**. – Quase cuspi todo suco que estava em minha boca quando ouvi isso.
- Nem pensar Charlie! – Respondi exasperada.
- Porque não? Se eu bem me lembro o combinado era que você escolhia o nome do primeiro e eu do segundo...
- Não, não. Desde sempre o combinado era eu escolho o primeiro nome e você o segundo.
- Mas você que escolheu “Marie”... E “Isabella” também. – Ele disse como se só agora tivesse notado. – Eu também tenho direito de por o nome na criança... – Nesse momento Bella chegou nos cumprimentando.
- Bom dia pai! Bom dia mãe. – Ela nos deu beijo e tudo. Eu hein, Bella costumava ser tão mal-humorada de manhã... – Qual o problema? – Perguntou-nos, e eu comecei antes de Charlie.
- Seu pai quer que seu irmão/irmã se chame “Miracle” ou “Gaylord”. – E igual a mim ela quase cuspiu seu café, mas acabou engasgando. No fim das contas ela estava tão mal que Charlie precisou ir acudi-la.
- Calma filha. Respira. – Ele dizia abanando ela.
- Como você me pede calma sabendo que meu irmão/irmã vai nascer sofrendo bullying? – Charlie revirou os olhos e foi se sentar.
- Os nomes são muito bons...
- Pai! – Bella reclamou. – “Miracle” só seria um bom nome se essa criança nascesse em 1670!
- E eu prefiro nem comentar sobre Gay Lord...
- É Gaylord. – Disse ele acertando a pronuncia – E não importa o que vocês digam, sou eu que registro a criança, logo esse será o nome e pronto. – Isso é o que ele dizia agora. Mas daqui a 8 horas eu iria fazer a opinião dele mudar...
De repente me veio um estalo.
- Mudando de assunto... Filha, hoje eu olhei no calendário. Já estamos em setembro e seu B-week é na semana que vem. Já tem planos? – B-week foi um termo inventado por Alice (claro), que comemorava não só o dia, mas a semana inteira o aniversário (ela tentou uma vez o B-month, mas não vingou). No entanto Bella sempre comemorava seu B-week, e mesmo que agora ela estivesse meio murchinha pelo afastamento das amigas, ele não passaria em branco. É claro que teria que ser dentro daquela casa (já que eu estava terminantemente proibida de ir mais longe que o jardim), mas passar a semana do seu aniversário tomando sorvete e assistindo filmes e sitcoms com sua mãe grávida não devia ser tão ruim, certo?
- Na verdade eu estava pesando em viajar. – Disse ela interrompendo meus planos de que filmes assistir.
- Com quem? – Perguntou Charlie mais preocupado do que eu estava surpresa. Bella suspirou alto.
- Por enquanto vou sozinha. Vale à pena lembrar que eu farei 25, não 15, certo?
- Não importa sua idade, nunca deixarei de me preocupar, Isabella. – Charlie ia começar um sermão, e Bella já revirava os olhos; eu estava surpresa com o fora que minha filha me dera, mas decidi apoiá-la. Até porque se eu bem conheço minha filha (e ah, como conheço), ela não irá sozinha. Se há algum homem no meio, quem sabe? Talvez não. Mas ela ia pra alguma aventura que mataria Charlie do coração, e eu não iria cuidar de um bebê sozinha, então era melhor acobertá-la. Decidi mudar de assunto.
- Certo. Vocês iram comigo na próxima consulta para ver o sexo do bebê?
- Bom, eu pretendo voltar de minha viajem na quarta no máximo, e eu adoraria ir. – Bella disse empolgada.
-Eu estou livre na sexta. Iria ser ótimo, pois saímos para comemorar. O que vocês acham? – Charlie perguntou olhando docemente pra mim.
- Está combinado então. Sexta ás 18h. Ligarei pra Rachel hoje, e caso ela não tenha o horário eu aviso vocês, mas acho que não vai haver nenhum problema. – Eu disse sorrindo.
- Bem, tenho que ir. Tchau. – Charlie dizia se levantando, e depois depositando um beijo em meus lábios. – Tchau Bells. Faça uma boa viajem. E MUITO juízo garota. – Ele beijou sua testa e saiu.
Assim que Charlie batera a porta, Bella e eu nos encaramos cúmplices.
- Você vai viajar acompanhada certo? – Ela apenas assentiu, mordendo os lábios. – E seu acompanhante é homem. – Ela me encarou e soltou um risinho.
- Não tem como esconder nada de você Renée. Mas... Você ficará bem sozinha? Porque eu juro que não tem problema eu passar meu aniversário com você. – Ela dizia me olhando com compaixão.
- E perder a chance de te desencalhar? Cruz credo! Vê se amarra esse pobrezinho! – Eu disse rindo enquanto ela me olhava ultrajada e pegando algumas uvas da mesa e jogava em mim.
O fato de eu não estar preocupada em ficar sem Bella, nada tinha a ver com sua falta de tato pra relacionamentos (apesar de às vezes eu me preocupar com a falta de namorados dela), e sim do fato que eu não ficaria sozinha. Tudo graças a Esme Mason.
Os antigos vizinhos – Sr. e Sra. Wellington, eram rabugentos de mais. A Sra. tinha lá seus 60 anos, e era impossível conversar com ela, então eu simplesmente me adaptei a isso e nunca mais fui visitá-los. Já Esme – minha nova vizinha – ah, ela tinha uma alma jovem que nem a minha. Ela acabara de sair de um casamento, e procurava seu filho aqui na Califórnia.
O que eu mais admirava nela, entretanto, não era sua força de vontade e garra de achar seu filho, e sim na sua bondade. Para uma mulher que acabou de perder tudo, conhecer outra que tem um relacionamento estável, uma filha linda e está esperando outro bebê pode gerar uma inveja enlouquecedora. Mas não nela. Ela vivia comigo, todos os dias tomávamos chá juntas, aonde ela contava suas historias e riamos juntas. Se um dia as coisas começassem a dar errado pra mim, queira Deus que eu seja igual essa mulher.
-... E então ele disse: “você é muito bonita.” e eu respondi “Você também, mas ao contrário.” – E eu me desatei de rir. Esme me contou a cantada que levou do pedreiro enquanto sua mansão era reconstruída. – O lado bom foi que ele nunca mais me importunou, e o ruim e que ele jogou o máximo de entulho possível no meu jardim. – Ela reclamou enquanto eu me recompunha.
Estávamos em minha mansão, tomando chá da tarde. Na verdade minha rotina era conversar com Esme, uma vez que Bella estava viajando pela Califórnia.
- Sério? Não se preocupe, tenho um jardineiro muito competente, e ele está quase sem serviço aqui em casa. Ele ficou praticamente a semana inteira apenas regando as plantas. Fora que é muito profissional, mesmo sem ter serviço veio todo o dia no horário e só ia embora depois do expediente. – Me gabei um pouco do milagroso achado de Johnson: o jardineiro Edward... Nossa, pensando agora me deu um branco. Qual é mesmo o sobrenome de Edward...?
- Isto seria ótimo, Renée. Meu jardim está horrendo. Será que ele trabalharia pra mim por uma semana? – Ela indagou.
- Imagine Esme. Um presente de boas vindas. Adoro jardins e será um prazer ajudá-la a arrumar o seu. – O sobrenome dele é Merlin? Malvin? Malcom? Milton? Monroe? Maximus?...
- Obrigada. Será que ele aceita vir amanhã?
- Ah, não vai dar. Ele pediu para sair por esta semana, e como não tinha muito serviço eu resolvi liberá-lo. – E então em um estalo eu caí em mim. – Safados!
- O que foi agora? O que aconteceu? – Perguntou Esme assustada.
- O jardineiro.
- O que tem o jardineiro?
- Ele pediu férias, bem no aniversário de Bella. – Ela fez uma cara de interrogação. – Bella, minha filha. – Seu rosto então iluminou entendimento. – Ela disse que ia fazer uma viagem pra Fresno. Agora tudo é tão claro. Enquanto eu estava no meu quarto e na academia, ela ficava com ele. Bem que eu tinha mesmo suspeitado que ela andava suspirando pelos corredores...
- Céus. – Disse Esme com um ar divertido. – Então Bella está com o jardineiro? Seu marido aprovará isso? Você aprova? – Ela perguntou curiosa.
- Ah, quero mais que ela seja feliz. E acredite se quiser, Bella não é de namorar, mas a garota tem faro pra achar homens fora de série. Agora com Charlie, o buraco é mais embaixo. Até hoje a pobrezinha só teve um namorado “oficial”, não por falta de pretendentes, e sim porque o pai acha mil e um defeitos em qualquer um.
- Ah, eu entendo. Meu ex-marido também era assim, mas sua filha parece ser bastante obediente até, já que Edward fazia questão de levar as piores garotas possíveis só para o pai desaprovar. – Congelei no nome “Edward”. Edward Masen. Esse era o nome de meu jardineiro. Edward Masen. Esme Masen estava à procura de um filho, que era mais ou menos da idade de Bella, estava na Califórnia, e pelo que ela acabara de dizer se chama Edward. Minha única reação foi arregalar os olhos e desmaiar.
P.O.V. Bella
Hoje era domingo, já tinha combinado com minha mãe que estaria viajando. Minha idéia era ir pra Fresno, mas Edward preferia ir a Malibu. No fim das contas peguei meu carro e decidimos sair por ai dirigindo.
- Katy Perry é uma californiana nata, diferente de você. E ela tem o hino das californianas. – Eu disse colocando o CD “Teenage Dream” pra tocar direto em California Gurls. – I know a place, where the grass is really greener... — Comecei a cantar, enquanto chacoalhava os cabelos.
- Olhe para estrada Bella. – Edward me alertou. Revirei os olhos. – Evidentemente você não está apta para dirigir e ouvir musica, logo, acho que vou ter que mudar o CD. – Olhei feio quando ele começou a mexer em meus CD’s, mas logo tive que me concentrar na estrada em minha frente, então decidi curtir o resto de KP que me restava.
Eu cantarolava “Firework”, quando Edward deu um gritinho. Olhei um pouco assustava e com zombaria pra ele.
- Você tem Marron 5? E estamos ouvindo Katy Perry? – Ele disse alvoroçado, quase revoltado, trocando rapidamente os CD’s. Logo o som de "This Love" preencheu o carro, suave e eletrizante, maravilhoso como só Maroon 5 poderia ser.
- Se não fosse seus pop’s de gosto duvidoso, eu até podia falar que gostamos do mesmo tipo de música. – Edward disse zombando.
- Não comece a ridicularizar meu gosto musical. Sou a aniversariante, logo, nessa semana eu que tenho razão. – Disse superior. Ele deu um risinho.
- Certo alteza. A propósito, aonde vamos especificamente? – Bem, Edward havia sido convidado (ou melhor, convocado), a ir comigo oficialmente ontem; e aonde queríamos ir eram lugares muito extremos, logo não fazia idéia de algum lugar intermediário. No entanto, ele estava sacrificando seu pescoço (e outras partes do seu corpo) indo viajar comigo, já que meu pai sairia armado atrás dele se soubesse; então eu não podia decepcioná-lo. Pensei em algum lugar próximo, e tudo que me veio foi a Disneyland em Anahein. Eram três horas de viagem, e depois, poderíamos ir para uma casa na praia em Beach King, San Diego.
- Você já foi há algum parque da Disney? – Perguntei inocente.
- Não. – Ele respondeu com uma careta.
- Irá hoje mesmo! – E então acelerei pela I-5.
Edward ainda ficou muito contrariado, dizendo que Disney era parque de menininha, e que odiava a ideia. Mas como era meu aniversario, ele fez tudo que eu pedi.
Ah, como eu adorava esse lugar mágico! Os desfiles eram as coisas mais lindas e magníficas que existiam – impressionantes a um ponto, que não interessava se eu tinha 5 ou 25, ou se Edward fingia ser um machão que não gostava dessas coisas, ao ver aqueles grandes shows, junto as cores e fogos de artifício era impossível não abrir um lindo sorriso e ficar instantaneamente feliz.
Para Edward pagar sua língua, é claro que fomos às montanhas russas (só pra ele ver que não era um carrossel, como descreveu). Quando eram 18h nos já estávamos indo embora (apenas tinha parado para garantir orelhas pra Edward e eu – uma viagem a Disneyland sem o chapéu com as orelhas do Mickey não é uma viagem a Disneyland – mas ele se recusava veementemente a usá-lo), quando olhei pra trás e vi minha atração favorita.
- Olhe lá, meu castelo! – Eu disse apontando para o lugar, e Edward sorriu, mas fez uma cara de dúvida. – É o castelo da Bela... Adormecida. – Disse por fim fazendo a piada que Alice me fez na primeira vez que viemos ao parque juntas.
- Sinto muito, mas nesse caso a “Bela” se chama Aurora. – Revirei os olhos – Mas seria perfeito se o castelo fosse da “Bela” sabe, “A Bela e a Fera”. – Ele disse ao ver meu bico quando ele acabara de destruir meu sonho. Segui o caminho sem olhar pra ele. – Ah, vamos lá Bella. Você não está chateada porque eu disse que aquele castelo não é seu né? Você sabe que ele realmente nunca vai ser seu, certo? – Continuei o ignorando. – Faça-me o favor Bella, com a mansão que você mora, quer mesmo um castelo?
- Desde que eu era criança aquele era meu castelo, mas você destruiu a magia. – Choraminguei com um bico ainda formado. Ele suspirou alto.
- Já sei. E se nos ficarmos aqui no resort até amanhã hein? – Ele disse beijando meus lábios e desfazendo meu bico. – Você pode até me levar pra seu castelo se quiser. – Ele disse dando um sorriso torto de zombaria.
- Há, pois tenho uma coisa melhor pra você. – Disse com um sorriso diabólico. Ele ia me pagar por ter destruído meu sonho.
P.O.V. Edward
Bella era definitivamente a criatura mais vingativa que eu conhecia. Estávamos indo para a roda gigante (se é que aquele monstro podia ser chamado de roda gigante). Mas meu castigo não era esse, e sim ter que usar aquelas malditas orelhas ridículas na minha cabeça. E claro, como sempre boa na arte maligna Bella não parou por ali: me fez usar uma camiseta, um troço que brilhava pendurado no meu pescoço e até as malditas luvas brancas do Mickey. Eu parecia um turista idiota, mas em termos eu era, afinal, eu era louco por Bella.
O jeito nada convencional de agir, a maneira louca de pensar, tudo, absolutamente tudo nela me atraia. É claro, que eu gostaria mais de ser seu namorado, mas eu sentia por algum motivo que não era aquilo que ela queria – e eu a compreendia, afinal de contas, quando eu era um playboy jamais teria ficado com Bella se ela fosse empregada.
Às vezes eu tentava me iludir, provando a mim mesmo que por “n” motivos Bella provara ser muito diferente (e melhor) que eu. Outras vezes eu pensava de ir atrás do meu pai implorando perdão – se eu fosse da mesma classe que ela o problema estaria cem por cento resolvido. Mas eu desistia ao olhar pra ela. Eu sabia que ela gostava de mim do jeito que eu sou, e era bem capaz de ofendê-la horrivelmente se eu sequer insinuar que algum dinheiro ajudaria em nossa relação. Então porque eu simplesmente não conseguia pedi-la em namoro? Afinal, ela diria sim. Ela gostava de mim. E eu gostava dela. O que tinha de tão difícil nisso?
Entre meus pensamentos ela me rebocou até o “píer” noturno. Foram duas horas do mais apaixonante show de minha vida. Eu jamais esperava aquilo pudesse ocorrer tão inesperadamente, mas foi ali, vendo Bella agarrada a mim, numa vista que conseguia exprimir minha infância e todo o romance que eu sentia no momento, eu decidi que iria pedir Bella em namoro.
Notas finais
*Gaylord = A pronuncia em inglês traduzida ao pé da letra é Senhor Gay (Gay + Lord). O significado do nome, entretanto é algo como O homem de coragem.
Eu sei que é chato explicar piada, (e pelo menos pra mim ela é bem obvia) mas minha irmã leu e disse que sem o "significado" ninguém entenderia, então, estou prevenindo.
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