The Story of Evil
7 A Poção.
Notas iniciais
Riliane acordou sendo cutucada. Enquanto abria os olhos lentamente, escutou uma voz masculina a chamando.
— Ei, garota... — Disse a voz.
A loira olhou para o lado esquerdo e se assustou ao se deparar com um menino. Ele tinha cabelos pretos espetados, presos em um rabo de cavalo, também espetado. Tinha olhos pretos e usava um macacão cinza-claro. Usava também uma blusa branca com longas mangas. As roupas deles estavam sujas e um pouco rasgadas.
— Quem é você?! — Perguntou, tentando não soar rude.
— Sou Tsurugi Kennosuke. E você?
— Sou... Riliane Lucifen d’Autriche... — Disse hesitando um pouco.
— O que faz aqui?
— Eu... — Kennosuke colocou seu dedo na boca dela.
— Shhh... Alguém está vindo...
E estava mesmo. Mas não era alguém qualquer. Era Arth, O Rei. Ele caminhou até a sela de Riliane, lançando olhares de desprezo aos outros prisioneiros, que se encolhiam a medida que passava. Chegando a seu destino, pegou sua chave e abriu a porta. Olhou para ambos e pegou a mão de Riliane.
— O... O quê? — Perguntaram Riliane e Kennosuke.
Arth puxou Riliane para fora da sela e arrastou-a até chegarem à superfície novamente. Chegando lá, o rei virou-se para a garota e disse:
— Preciso que você venha comigo. — Disse Arth.
— O... Ok... — Riliane não ia recusar. Sabia o que aconteceria se o fizesse.
Ela o seguiu até a torre mais alta do castelo. Subiu várias escadarias. Chegando lá, a menina estava exausta. O rei bateu três vezes na porta de madeira. Escutaram uma voz mandando entrarem. Arth abriu a porta. Ela era bem velha e rangia. Riliane olhou para dentro e viu um cômodo extenso, cheio de prateleiras com inúmeros potes. Eles tinhas tamanhos e formas bem variadas e no centro havia um caldeirão. Era perfeito para uma bruxa ou feiticeira. Dentro do quarto havia uma pessoa de costas. Usava uma capa preta. Parecia a Chapeuzinho Vermelho, só que preta. Parecia uma mulher, pois a capa não chegava a seus pés e via-se um pouco de, provavelmente, um vestido lilás e sapatos negros. Havia notado a presença dos dois, mas sequer os olhava.
— Elluka Clockworker? — Perguntou o rei.
— Sim? O que você quer? — Ela não parecia respeitar muito o rei. Mas ele não se importava. Ela não havia percebido a presença de Riliane.
— Preciso de um feitiço. Um de perda de memória.
Ao ouvir isso, a princesa tentou escapar, mas Elluka levantou a mão e a porta fechou-se. Riliane sabia aonde isso iria chegar. Acabou ficando imóvel de medo.
— Ela não sabe disso, não é? — Concluiu Elluka.
— Ela não viria se soubesse. — Eles estavam falando como se Riliane não estivesse ali.
— Por sorte... Eu tenho o que você precisa... — Ela remexeu algumas poções, até achar uma que continha um líquido. Não era um líquido comum. Era um líquido negro. Negro como a maldade. Negro como o orgulho. Negro como o coração de Arth.
Até aí, ela não havia virado nenhuma vez. Quando se virou, Riliane a viu por inteiro. Seus cabelos eram longos e roxos, seu vestido era lilás e tinha longas mangas. Tinha vários anéis e pulseiras. Em seu cinto dourado, encontravam-se várias argolas. Usava longas botas que iam de suas coxas até seus pés. Tinha olhos lilás. Seu rosto carregava uma expressão de maldade.
— O... O que é isso? — Perguntou a loira. Sua pergunta foi ignorada.
A feiticeira colocou um pouco do líquido em um copo e deu para a garota.
— Cheire.
Sem muita escolha, Riliane colocou o nariz perto do copo e logo despencou ao chão, quebrando o copo. Arth não estava assustado, tampouco preocupado. Já se acostumara às poções perigosas de Elluka.
— Obrigado.
Ele pegou a menor nos braços e saiu dali. Não ficou tempo suficiente para ver o sorriso satisfeito da "amiga". Abaixou-se e pegou um caco de vidro, ao qual tinha um pouco de sangue. Pegou um recipiente vazio de uma prateleira e pingou as pequenas gotas de sangue nele. Depois, jogou fora o caco e observou o líquido rubro se transformar em rosa-bebê no pote. Não contara para Arth que, quando apagara as lembranças de Alexiel, apagara também toda a bondade existente na princesa. Afinal de contas, se contasse a história não iria ser interessante.
— Cuidado, Arth, cuidado... — Sussurrou consigo mesma e riu loucamente de sua artimanha.
O rei nem desconfiava do que iria acontecer...
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