The Story of Evil
8 O Sonho.
Notas iniciais
“Como servo.”
Essas duas simples palavras repetiam-se na mente do jovem, enquanto fitava o teto monocromático de seu quarto. Não desejava ser aceito como príncipe ou coisa parecida. Só queria ver sua irmã novamente.
“Será que ela já se esqueceu de mim?” Perguntava-se.
O garoto tinha muitas perguntas, porém, poucas respostas. Apenas com quatorze anos. Ainda tinha sete. Tentava calcular quantos anos tinha de diferença, sem nenhum sucesso. Dormir nas aulas acabava nisso. No final, desistiu.
Lembrou-se de vários momentos em que estava triste, e Riliane levantava seu moral.
Alexiel voltava para sua casa, com a irmã ao lado. Andava cabisbaixo, chutando uma pequena lata amassada. Sabia que teria uma nota vermelha na prova. Passara tanto tempo dormindo, que havia se esquecido de estudar. E ainda era de Matemática! A prova mais difícil, segundo o loiro.
Estava tão concentrado em uma desculpa para dar à mãe, que não percebeu que a garota ao seu lado observava-o preocupado.
“Leny... Leny...” Chamava. Porém, Alexiel estava com a cabeça nas nuvens.
Escutava Riliane chamar, mas não estava com a mínima vontade de responder.
“Leny...” Chamou mais alto.
“O que foi?”
“Você parece triste...”
Ele revirou os olhos.
“Tirou uma nota vermelha na prova, certo?” Perguntou a garota e, observando a expressão do menino, concluiu que acertara.
Às vezes, o loiro achava que a irmã era algum tipo de bruxa, e não apenas observadora.
“É...”
Riliane correu e o parou, ficando cara a cara com ele. Fazendo movimentos circulares em sua bochecha, falou:
“Não se esqueça! Não importa o que esteja sentindo, sempre tenha um sorriso no rosto!” Falou sorridente.
Alexiel sorriu. Mas não um sorriso forçado. Um verdadeiro. Não iria dar nenhuma desculpa esfarrapada para a mãe. Iria dizer a verdade.
E os dois irmãos continuaram seu trajeto, agora sorridentes.
— “Sempre tenha um sorriso no rosto...” — Repetiu ainda fitando o teto. — É mais fácil falar do que fazer...
Decidiu que não devia ficar vegetando na cama. Ele não poderia ficar deitado esperando ficar com quatorze anos. Levantou-se e olhou-se no espelho. Ainda usava a roupa da manhã passada.
Abriu a porta do quarto e caminhou até a cozinha. Ainda era noite e tudo estava escuro. Acendeu a luz e abriu a geladeira. Procurou alguma coisa para beber e só encontrou água. Pegou um copo e despejou o líquido nele. Voltou para seu quarto e fechou a porta. Tomou um pouco e deixou o resto no criado-mudo ao lado de sua cama.
Demorou um pouco a dormir. Revirava-se na cama várias vezes. Teve um sonho.
Estava em um amplo cômodo. Parecia uma sala do trono. Viu-se vestido de mordomo. Ao seu lado, havia um trono e sentado nele estava uma garota. Ela parecia muito com Riliane, mas aparentava ter quatorze anos. Usava um longo vestido amarelo e um leque cobrindo-lhe a boca.
À frente de ambos, de joelhos estava uma garota de curtos cabelos ruivos. Usava uma roupa vermelha com uma faixa vinho na cintura. Aparentava ser uma camponesa.
“Por favor, minha Rainha. Minha família passa fome. Dê-me alguma coisa para que possa comer.” Suplicava a garota.
A Rainha fitava-a com uma expressão séria. Soltou um sorriso. Não um sorriso comum. Um sorriso diabólico.
“Se a sua família passa fome ou não, não é problema meu.” Disse sorrindo.
A garota olhou para baixo desapontada. Alexiel sentiu pena dela.
A malvada Rainha apontou para a ruiva e disse:
“Agora, ajoelhe-se a mim!”
A menina mudou de triste para assustada
“M-mas...”
“Guardas, levem-na daqui!” Ordenou.
Vários homens chegaram e pegaram a garota pelos ombros.
“Não! NÃO! Soltem-me!” Gritava.
Eles levaram-na da sala e a Rainha continuou sorrindo. Alexiel apenas observava a cena horrorizado. Como um ser humano conseguia ser tão mal? E o pior: aquela rainha parecia com sua irmã.
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