The Story Never Ends.
6 The Universe And You.
Notas iniciais
Doha-Qatar.
Geral.
— Por que não me contou sobre Esmeralda?
Questionou com curiosidade, olhando séria para a sobrinha que admirava seu reflexo no espelho com o vestido novo que havia ganhado da tia.
— Não achei que fosse importante mencionar isso. — Deu ombros incomodada.
O que não passou despercebido por Angeles que estranhou o modo como Violetta falou.
— Vilu, o que houve? Você não gosta dela?
Indagou referindo-se a nova namorada de German, Violetta suspirou virando-se para Angie e sentando-se na cama, colocou um travesseiro na perna se questionando se era realmente bom falar sobre Esmeralda. Na verdade, sobre os motivos que a levavam não gostar de Esmeralda.
Que digam-se de passagem, não eram poucos.
— Ah Angie, eu não sei. Ela tem alguma coisa estranha que me incomoda um pouco sabe? — Vilu respondeu tentando disfarçar o nervosismo diante de Angie.
Angeles percebeu o quanto Violetta se sentia desconfortável ao falar de Esmeralda, com certeza tinha havido algo entre as duas, se só por um acaso imaginasse que Esmeralda tivesse feito qualquer coisa com sua sobrinha iria ver um lado dela que só Jade conhecia após ter ameaçado Violetta, faria de tudo para defender Vilu. E o pensamento fez a boca de Angie amargar ao ver que German mais uma vez escolheu a mulher errada para está ao seu lado, mas o pior de tudo era que não enxergava isso.
Angie também sentia-se desconfortável com Esmeralda, talvez fosse só por ela está ocupando um lugar que ela queria, mas tinha certeza que não era só por isso. Esmeralda realmente tinha algo estranho, talvez um pouco dissimulada, porém era óbvio que não ia ajudar com mais motivos para Vilu estragar a relação amorosa de seu pai.
— Angie, ele não ama ela!
— Ah é? E como você sabe disso?
Angie pôs a mão no queixo aproximando-se curiosamente da sobrinha e arqueando a sobrancelha, interessada no rumo da conversa.
— Eu não sei, apenas sinto. — Ambas riram alto divertindo-se com o assunto.
Será que Violetta tinha razão quanto a isso? Ah, como gostaria que fosse verdade.
— Mas quanto a você e meu pai já não posso dizer o mesmo. Vi como se olharam durante o jantar, e adorei!
Vilu desdenhou com um sorriso malicioso em seu rosto, fazendo Angeles ruborizar desviando o olhar. Embora tivesse consciência de tudo que acontecera hoje, sentia uma vergonha imensa por Violetta ter percebido tudo, não era esse o tipo de comportamento que deveria ter na frente dela. Mas o que poderia fazer se German mexia tanto com ela a esse ponto? Sentiu mais vergonha ainda ao saber que não foi só sua sobrinha que percebeu o clima entre os dois.
— Violetta! Não sei do que você está falando.
Repreendeu a sobrinha enquanto tentava segurar o riso. No fundo ela tinha razão, mas estava decidida a seguir negando até a morte.
— Vamos Angie, vi como você e meu pai se olhavam. Não pode seguir negando que não passa nada entre os dois. — Violetta fitou a tia séria, entretanto sua voz carregava um leve tom divertido.
Angeles sentiu suas bochechas alvas ficarem quentes, no entanto sua expressão mudou rapidamente ao lembrar do que tinha visto entre German e Esmeralda. Do modo como se beijavam cheios de desejo em seu escritório.
Não existia mais nada entre eles, isso que doía tanto.
— Gostou do seu vestido?
Violetta a observou desconfiada, com um sorriso confuso.
— Bastante, mas você está mudando de assunto!
Contestou esperta. Angie segurou um sorriso.
— Vilu, entre seu pai e eu não existe mais nada. Ele tem outra pessoa agora que o faz bem, e isso é um assunto de adultos mocinha.
— Tudo bem, não falo mais nisso! — Resmungou.
Antes que Angeles falasse algo, Vilu a analisou séria. Angie pegou uma almofada e jogou em sua sobrinha um tanto envergonhada por todos aqueles olhares repletos de insinuações, que riu devolvendo a almofada em sua tia. Se olharam com uma ternura inexplicável, Angie aproveitou e puxou Vilu para seu colo como se fosse uma criança de cinco anos a mimando.
— Senti muita sua falta, tia. — Murmurou com o rosto enterrado no pescoço de Angeles.
Esta riu sentindo cócegas.
— Também meu amor, nem sei como consegui passar tanto tempo longe de você!
Afagou os macios cabelos de Violetta em resposta, que levantou a cabeça tendo uma ideia.
— Já sei! Por que não dorme aqui hoje? — Indagou com os olhos brilhando.
Angie suspirou rendida, não sabia negar nada a ela. Porém resolveu tentar com medo de abusar da boa vontade de German e além de que não poderia dormir sob o mesmo teto que ele, não depois dos acontecimentos de hoje.
— Vilu melhor não, eu não trouxe roupas… — Inventou desculpas nem tão esfarrapadas assim. – E não quero te incomodar, você precisa descansar.
Vilu sorriu grande.
— Tia você nunca incomoda, além disso eu tenho roupas que posso emprestar.
A menina viu que Angie abria a boca pra tentar negar novamente, então resolveu apelar. Adorava a companhia da sua tia.
— Pode ir se quiser, mas eu adoraria que ficasse hoje depois de tantos meses longe. Parece até que tem coisas mais importantes. — Deu ombro fingindo uma cara triste.
Violetta era uma ótima atriz e isso sempre funcionava com Angie que logo cederia, a mesma balançou a cabeça irritada por ser tão flexível com ela, porém repreendeu o pensamento lépida, precisava de mais tempo com Vilu e não teria de fazer nada importante, então por que não?
— Ok, eu fico. — Angeles levantou as mãos como se tivesse rendida.
Violetta fez uma comemoração rápida, arrancando risos da mais velha.
— Mas saiba que amanhã cedo eu vou embora, ok?
— Sim, perfeito. — Exclamou animada dando alguns pulinhos.
Violetta saltitou até seu closet pegando um conjunto de uma calça de moletom lilás e uma camiseta branca escrita “All You Need Is Love”, calçou meias nos pés de bolinhas e saiu do closet depois de ter confirmado no espelho que não havia ficado tão ruim.
— Pareço uma criança.
Angie resmungou olhando para a sobrinha que riu.
— Você só tem cinco anos a mais que eu tia, não é velha. — Ambas riram. – E então, sobre o que vamos conversar agora?
— Quero saber sobre tudo você, o que tem andando fazendo?
Ambas conversaram tudo o que tinha de falar, desde assuntos românticos até os mais aleatórios e isso não era tudo, tinham muito o que colocar em dia afinal passaram tempo suficiente separadas pra fazê-las quererem ficar grudadas. Depois de assistirem a um filme de comédia escolhido por Violetta, acabaram indo dormir as três e meia da manhã.
(…)
Angeles Saramego.
“Me encontrava numa praia lindíssima, usava um vestido de renda branco e estava sentada observando o pôr do sol. Me sentia feliz e calma como nunca antes, observava também German e Violetta um pouco longe ambos brincavam com tinham grandes sorrisos em seus rostos.
Senti uma brisa gélida ao meu lado junto com a presença de alguém, olhei para o lado e vi uma mulher também vestida de branco e era linda! Seus cabelos castanhos eram enormes e seus olhos castanhos que brilhavam intensamente, eu sentia que a conhecia a vida inteira… Oh Céus, era Maria! Minha irmã Maria estava ali ao meu lado novamente.
Ao contrário do que eu pensei, minha reação foi uma reação calma. Sorri a olhando e ela sentou-se ao meu lado também com um sorriso enquanto observávamos juntas, German e Vilu.
— São lindos juntos não é? — Me perguntou com uma voz doce e meu coração palpitou mais forte.
— Sim, demais! — A respondi calmamente, os fitando enternecida.
— Você os ama? — Perguntou curiosamente, nós viramos e ficamos frente a frente.
Senti que as lágrimas quererem invadir meu rosto.
— Muito mais do que eu posso aguentar, os amo com tudo que sou. — Murmurei observando Maria, que sorriu com o que eu disse.
— Eu sei que você vai fazer o que seu coração mandar Angie, você é esperta… Vai ouvi-lo! Mas Angie, eu quero que você sempre cuide muito bem dos dois está bem minha irmã? — Maria pediu segurando em minhas mãos.
E eu assenti.
— Não se preocupe com nada, eu estarei olhando por vocês três!
— Maria! Como eu senti sua falta minha irmã! — Exclamei a abraçando e ela retribuiu.
Seu abraço me fazia tão bem, eu sentia que ela sempre estaria comigo.
— Eu também senti muito a sua falta querida! Mas me escute, eu vou cuidar de vocês e você vai cuidar dos dois como sua maior joia entendeu? — Indagou segurando em meu rosto, eu assenti.
— Você me promete? — Eu assenti, sentindo que ela já estava perto de me deixar novamente.
— Obrigada. Eu te amo meu anjo! Agora vá, vá por que eles precisam de você. – Maria disse com um sorriso iluminado, sabia que ela já tinha que ir.
Minha irmã deu-me um beijo na testa e eu fechei os olhos, senti a brisa gélida novamente, quando os abri, ela já não estava do meu lado.
Eu tinha prometido a Maria que cuidaria sempre de German e de Violetta, e iria fazer isso ainda mais! Meu coração sentia um enorme conforto depois do que Maria havia me dito, mas ainda estava confusa… Por que Maria disse que eu iria ouvir meu coração? Bom, isso eu teria que entender sozinha… Olhei para frente vendo que German e Vilu vinham em minha direção, me levantei sorrindo e logo saíamos em direção ao mar.’’
(…)
Me levantei da cama num pulo, ofegava como nunca ainda assustada com o que havia sonhado, atordoada passei a mão pelo rosto ainda lembrando de detalhes nítidos sobre o sonho. O mais impressionante é que nunca havia sonhado nada parecido depois que Maria faleceu e agora isso, balancei a cabeça repetidas vezes afim de tentar esquecê-lo, ou quase isso, virei minha cabeça, e pela luz noturna que clareava o quarto deixando-o um ambiente agradável pra dormir, pude ver minha sobrinha aconchegada em seus lençóis dormindo tranquilamente.
Sorri e fiz um leve carinho em sua bochecha macia, suspirei fundo me levantando. Não ia conseguir dormir tão cedo depois dessa. Meu coração ainda palpitava como se fosse sair pela boca, eu a amava, mas preferia esquecer esse sonho. Ou seria uma mensagem?
Percebi que eu teria muitas coisas pra pensar, mas não nessa madrugada fria, agora eu só queria tentar relaxar e conseguir dormir um pouco que seja. Com cuidado, saí do colchão ao lado da cama tentando fazer o mínimo de barulho possível pra não acordar Vilu, decidi ir até a cozinha. Quem sabe um copo de leite frio ou um chá de ervas ajudaria a desfazer a tensão e me relaxaria? Pareciam opções muito boas pra uma solução imediata.
Ao acender a luz da cozinha vi tudo organizado tão impecavelmente que senti até pena de mexer em algo, nesse momento a ideia de um leite gelado me parecia ótimo para o que meu corpo sugeria além de ser algo rápido. Abri a geladeira pegando o leite e o pondo num copo de vidro qualquer, dei uma boa golada apreciando o gosto enquanto me sentia tremer por dentro. Por algum motivo me senti sendo observada, e me assustei ao pensar na ideia de que fosse algum ladrão espreitando.
Me virei lentamente um tanto assombrada com essa ideia e me deparei com German atrás de mim, coloquei a mão na boca tentando evitar algum som que me fizesse parecer patética ou que acordasse alguém, ele me observava com um olhar sério, porém seus lábios se curvavam num leve sorriso quase que imperceptível. Só que eu disse quase.
— German, que susto! Não sabia que estava aí…
Murmurei apertando o copo um pouco mais forte do que deveria. Ele se aproximou.
— Ouvi uns barulhos aqui em baixo, pensei que fosse um ladrão e vim tentar defender minha casa. — Nós rimos baixo.
— Veio defender a casa sem nada? — Questionei o olhando.
— Bem, quando chegasse aqui ia pegar uma frigideira ou algo do tipo. — Tentou se explicar.
Assenti segurando um riso.
— Tá bom…
— Claramente você não é um ladrão. Só uma pessoinha que adora leite na madrugada. — Respirou fundo.
— Não conseguiu dormir?
German apoiou seus braços fortes na bancada me observando, ruborizei desviando o olhar.
— Não, acabei tendo um sonho e… — Dei uma pausa voltando meu olhar para ele.
Deveria contar sobre? Com certeza esse não era um assunto pra se discutir na madrugada, ainda mais com meu cunhado. Beberiquei meu leite, deliciando-me com a sensação que meu corpo liberava só por estar perto de German.
— O que houve?
Indagou preocupado. Mordi meu lábio inferior descontraída, neguei com a cabeça.
— Não foi nada German, não precisa se preocupar. — O acalmei.
Ele se virou pra mim, sua mão subiu levemente para a minha bochecha a acariciando lento. Meus olhos acompanhavam cada movimento que fazia tão habilidoso como se já conhecesse cada mínimo poro da minha pele, me permiti fechar os olhos por um instante, arrebatada e fervendo por dentro.
Está com German ali de madrugada, era um erro imenso e eu sabia disso. Mas passamos tanto tempo separados, que meu coração pedia aquilo enquanto minha parte racional gritava pra que eu me afastasse e fosse dormir, eu precisava do seu toque. Não queria me afastar agora.
Abri os olhos rapidamente, o observando firme.
— É que não gosto de te ver apreensiva. Quero que fique bem, Angie. — Sussurrou.
Como se despertasse de um transe, peguei em sua mão a retirando do meu rosto. Fitava seus olhos castanhos intensos, teria que me conformar que German nunca seria meu. E esse pensamento me doía tanto, como se tivessem arrancando meu próprio coração com a mão.
— Preciso ir, boa noite German.
Me virei pra sair, tinha que sair o mais rápido possível. Antes de conseguir alcançar a porta, senti sua mão segurar no meu braço puxando-me de volta pra si. Arfei com aquele contato simples.
Por que tínhamos que ser tão proibidos?
— Espera Angie, fica. Por favor.
Pediu. Seu olhar perdido entre os meus olhos corriam até minha boca, meus olhos ávidos seguiam todos os seus movimentos, me deixando um tanto desnorteada.
— Não posso. Não podemos, por favor.
Sussurrei. Estávamos tão perto, a mão que segurava meu braço o fez uma carícia me trazendo mais pra si, arfei entreabrindo os lábios em busca de algum ar. Nossos narizes roçaram num carinho sôfrego, nos queríamos, isso era mais que evidente.
— Preciso de você.
Murmurou contra meu rosto, fechei os olhos tonta, com o sangue fervendo por aquela nossa aproximação.
Correntes elétricas passeavam pelo meu corpo o arrepiando todo, sabia que não poderia resistir muito tempo pois ele me conhecia como ninguém, conhecia cada ponto fraco meu e poderia usá-los ao seu favor. Colei minha testa na sua, eu já tinha vivido muito pela opinião dos outros, estava na hora de fazer o que eu queria, mesmo sabendo que era um erro grave na minha vida. German segurou meu outro braço me prendendo em seu corpo que se parecia ser o formato perfeito para o meu, nem que quisesse poderia sair dali. Minha boca a milímetro de distância da sua, ele encerrou a distância colando nossos lábios, não me beijou, apenas acariciava-me numa tortura lenta.
Massageei meu lábio contra o seu num ritmo lento, o sentir mordiscar minha boca pesado e segurei um gemido de satisfação. Todo aquele clima deixava minhas pernas bambas, derretida por ele, que ao perceber envolveu minha cintura se fundindo a mim e me beijando de verdade. Seus lábios devoravam os meus sedentos, causando uma explosão de sensações estonteantes ao mesmo tempo, abracei sua nuca unindo mais nossos corpos carregados pela aura quente que nos envolvia.
Era incrível a sincronia que nossos lábios tinham, a saudade que sentíamos que esteve reprimida durante quase um ano. Afaguei seu rosto sentindo sua barba brincar com meus dedos, eu amava German e esse beijo me dava forças pra pensar que ainda existia alguma esperança entre nós.
Nos separamos devido ao ar que ficou escasso, com alguns selinhos demorados. German beijou o topo da minha testa, e eu quase quis sorrir, porém fiquei quieta com a cabeça encostada em seu pescoço enquanto ele tinha o queixo apoiado na minha cabeça. German me mantinha em seus braços como se pensasse que eu fosse fugir, e por um segundo desejei realmente desaparecer dali como num passe de mágica. O que era bom, se tornou motivo das minhas angústias.
Sentia-me nojenta por ter feito que German traísse a Esmeralda, me senti culpada.
Me coloquei por um minuto em seu lugar, mesmo que não gostasse dela talvez por ter tido primeiras impressões péssimas, não gostaria nenhum pouco de saber que meu namorado havia beijado outra na cozinha de madrugada. Afastei-me de German, irritada comigo mesma. Irritada por ser tão vulnerável a ele, por ceder tão rápido assim. A ideia que parecia era que me teria a hora que bem quisesse, sempre foi assim.
Tantas coisas nos separavam, era como se existisse um abismo entre a gente mesmo depois desse beijo e o mais irritante era que ele sabia disso tanto quanto eu. Mas mesmo assim, nos deixamos levar pelo momento.
— Tudo bem?
Perguntou me analisando confuso quando me retirei de seus braços fortes. Suspirei com a culpa me invadindo por todos os poros, como ir contra esse sentimento que não morria nunca? Que parecia só aumentar a cada dia? O encarei séria.
— Sim, só estou com sono. Depois nos falamos…
Respondi rapidamente, atordoada com aquela situação incontornável.
Saí da cozinha como um raio sem deixar tempo pra que ele me respondesse. Infelizmente percebi que teria de me retirar de jogo, teria que desistir de nós aqui. Não poderia passar o resto da minha vida esperando que German me escolhesse, teria que ao menos tentar seguir em frente.
Voltei pro quarto me encolhendo na cama, em posição fetal. Tinha que lembrar que German levou Violetta de mim, e isso era motivo suficiente pra não termos relação nenhuma a mais que familiar. Mas por Deus, como ia conseguir dormir agora sabendo que eu e German nos beijamos?
German Castillo.
Após Angeles ter saído da cozinha num lampejo me deixando confuso, pelo motivo de ter ficado estranha, bati na bancada com força irritado comigo mesmo por não tê-la impedido. Como havia sido estúpido, não sabia o que sentia por nenhuma das duas. Até o momento achava que gostava da Esmeralda porém foi só ver Angie que tudo em mim virou uma bagunça grande, a única coisa que eu sabia era que não queria que Angie escapasse de novo das minhas mãos, eu precisava dela. E esse beijo, foi algo mágico, surreal eu diria.
Coloquei a ponta dos meus dedos sob meus lábios aonde há pouco os lábios de Angie se moviam contra os meus sincronizados, cheios de saudades, desejos e uma mistura de outros sentimentos que ficaram reprimidos desde nosso último beijo na cozinha da casa em Buenos Aires. A sensação era tão real que pude sentir nitidamente o gosto de seus lábios macios contra os meus, a imensidão de seus lindos olhos verdes tão expressivos que mais me pareciam duas esmeraldas reluzentes me encarando, o modo como nossos corpos se encaixavam perfeitamente parecendo serem a forma correta na medida certa um do outro, eu a queria. Não tinha mais desculpas.
Gostava da Esmeralda, o que era verdade, nossa relação sempre foi mais leve e com menos complicações do que minha relação com Angie, por ela ser tão proibida para mim. Por ela ser irmã da minha falecida ex mulher, tia da minha filha, por eu ter namorada agora. No entanto, por mais que eu me esforçasse, Esmeralda não era Angie, ninguém nunca chegava aos seus pés.
Esmeralda sempre era cheia de desejo, e sexo não era a única coisa que eu queria em alguém, já Angie não, era cheia de amor, apaixonada por tudo, dedicada as pessoas que ama, adora minha filha como se fosse sua também. Isso pra mim é motivo suficiente para entender o que estava a minha frente.
Bebi um copo de água e rumei para meu quarto, me joguei na cama revivendo múltiplas vezes nosso beijo, o beijo que me dava esperança ao pensar de que ainda poderíamos dar certo. Eu tinha um medo enorme de tentar algo e nos magoarmos e tinha certeza que se eu a magoasse ela nunca me perdoaria, por isso a distância pra mim sempre me pareceu mais viável. O que faria agora? Conversaria sobre o beijo ou seria melhor fingir que nada aconteceu? Com certeza, conhecendo Angie ela iria escolher a segunda opção como todas as outras vezes, então eu iria entrar na dela.
Fechei os olhos tentando relaxar a mente, porém uma pergunta surgiu em minha mente deixando-me intrigado, por que ela havia saído daquele jeito da cozinha quando parecia estar tudo bem entre nós? Ou talvez não estivesse, eu não conseguia mais interpretá-la como antes.
Isso me assustava demais, saber que Angie não era mais a mesma pessoa. Porém foi compreensível, as pessoas mudam com acontecimentos que marcaram sua vida, e tudo que houve no final do ano passado marcou Angie.
Seria melhor esperar até amanhã para ver o que aconteceria, por hora Esmeralda continuaria sendo minha namorada, não correria o risco de esperar Angie o resto da minha vida.
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