The Story Never Ends.

7 I Put A Spell On You.


Notas iniciais
*Eu Joguei Um Feitiço Em Você. Hey Guys! Espero que gostem do capítulo, estou muito animada! Boa Leitura!!

Doha — Qatar.

Angeles Saramego.

Despertei não era nem sete da manhã, encontrava-me extremamente exausta porque não havia conseguido dormir nem exatas meia hora essa noite, parecia que um caminhão havia passado em cima de mim inúmeras vezes me deixando esse caco.

Havia pensado bastante sobre o que havia acontecido entre mim e German naquela maldita cozinha ontem de madrugada, depois de tantas resistências da minha parte por um deslize meu acabamos nos beijando, confesso que ontem não ouvi minha parte racional e por isso cedemos ao que queríamos, porque eu também queria aquilo tanto quanto ele, no entanto sentir-me a pior pessoa do mundo quando pensei em Esmeralda. Ela não merecia uma traição, e nem minha falecida irmã.

Era isso que sentia quando estava com German, que nós éramos um imenso erro por estarmos traindo a memória de Maria. Encolhi-me na cama revivendo o gosto de seus lábios juntos aos meus, parecia tão nítido que quase poderia senti-lo agora, me fazendo sua com aquele beijo possessivo e tão carinhoso ao mesmo tempo, sentia-me nas nuvens com esse erro gigante. Como German tinha esse efeito sobre mim? Como? Parecia que ele tinha jogado um feitiço que não saía de mim por nada.

Depois de tantas horas perdidas de sono, decidi que não me aproximaria de German a não ser que fosse extremamente necessário, a partir de agora só nos falaríamos a respeito de Violetta, precisava cortar qualquer vínculo antes que acabássemos nos magoando e envolvêssemos Vilu na nossa bagunça como no ano passado, e o que eu menos queria era que minha sobrinha se envolvesse num assunto tão esgotante.

A verdade era que eu não queria Violetta metida nesses assuntos que se dizem respeito só a mim e seu pai, mas isso era coisa a se pensar em outro momento. Ótimo, minha sobrinha era mais um motivo para que não tivéssemos nada, afinal ela precisava da gente bem para cuidá-la, e a frente do meu amor por German está o meu amor por minha sobrinha, que prometi a Maria desde pequena que cuidaria de Violetta.

Fitei Vilu ao meu lado que dormia serenamente, sorri a admirando, era linda demais e merecia toda felicidade existente, com cuidado para não acordá-la me levantei devagar, arrumei meu lado da cama e rumei até o banheiro para fazer minha higiene matinal. Vesti a mesma roupa de ontem e depois de devidamente vestida, depositei um beijo na bochecha levemente corada de Vilu e saí do quarto evitando fazer qualquer barulho possível.

Desci as escadas vendo Olga com aquela empolgação ao mesmo tempo que arrumava a mesa do café, e Ramallo sentado no sofá mexendo em seu notebook numa página sobre finanças.

— Bom dia, querida.

Olga cumprimentou-me com seu sorriso. Retribuí.

— Bom dia, Srta. Angie. — Ramallo me cumprimentou.

— Bom dia Olguinha, bom dia Ramallo.

Fitei Ramallo divertida.

— Já disse que não precisa me chamar de senhorita, apenas Angie está ótimo, por favor. — Pedi e os dois riram.

— Esse aí não vai aprender é nunca.

Olga disse já implicando com o pobre Ramallo.

— Olga! — A repreendeu fitando-a por cima dos óculos.

Rolei os olhos com essa implicância dos dois, será que algum dia ficariam juntos como merecem? Aproveitei que os dois estão entretidos em sua própria bolha para ir sorrateiramente até a porta, necessitava de um banho para varrer pra longe todos esses pensamentos que me engolfavam.

— Aonde vai tão cedo?

Olga indagou com sua curiosidade de sempre. Meus ombros caíram rendidas, me virei para ela com um sorriso sem graça.

— Vou voltar para o hotel aqui pertinho. — Respirei fundo. – Pode avisar a minha sobrinha que precisei ir mais cedo?

A olhei como se fosse óbvio. Eu não queria olhar para German depois de ontem, como eu o encararia? Com que cara depois do que aconteceu ontem? Não queria me arriscar e parecer mais patética do que já me sentia.

— Mas você nem tomou café da manhã, Vilu e o Sr. German ainda nem desceram. Desse jeito vou ficar chateada, Angeles! — Afirmou exasperada, ri baixinho.

— Olga deixe a moça, por favor. — A repreendeu de novo, Olga rolou os olhos emburricando sua cara.

Até disso eu havia sentido falta. Quando ela ia respondê-lo, a interrompi trazendo sua atenção para mim antes que os dois começassem a brigar.

— Olha Olguinha, eu realmente preciso ir pro hotel. Então eu vou comer uma torrada, tomar suco e você me deixa ir certo?

Pedi piscando várias vezes, ela desfez de sua carranca e com um sorriso amável concordou com meu pedido.

— Perfeito meu amor, então sente-se que vou buscar o delicioso suco de ameixa que preparei especialmente pra você! — Cantarolou animada, indo em direção a cozinha.

Sentei-me rendida. Não tive outra opção a não ser torcer fortemente para que German não resolvesse aparecer aqui agora, não queria vê-lo nem pintado de ouro.

— Ela é muito boa em fazer os outros entenderem o que ela quer, não acha?

Ramallo virou-se para me olhar com um sorriso bobo em seu rosto. Ri baixo, se amavam, o que estavam esperando para serem felizes?

Depois de alguns minutos Olga apareceu na sala carregando uma bandeja com torradas, geleia de morango, suco, ovos e uma porção de coisas deliciosas. A fitei séria, obviamente não comeria isso tudo. Consumi apenas duas torradas com geleia de morango, e tomei todo o suco que diga-se de passagem estava delicioso. Me levantei antes que contestasse novamente me despedindo dos dois, saí em direção a porta pronta para pegar um táxi.

Não sabia se queria ir na mansão ainda hoje, tentaria evitar German a todo custo mesmo que isso fosse algo inevitável.

Violetta Castillo.

Ao abrir os olhos sentia-me cansada como se tivesse corrido uma maratona ou algo do gênero, espreguicei-me e sobressaltei da cama ao notar a falta de Angie ali ao meu lado, estranho ter acordado tão cedo sendo que ontem fomos dormir mais de três da manhã. Observei tudo, não tinha nada da minha tia ali além do lado que ela havia dormido está arrumado, suspirei me forçando a levantar assustada por ser quase nove da manhã. Rumei preguiçosamente ao banheiro, fiz minha higiene matinal e vesti um vestido fresco com sapatilhas já que o clima era ameno. Depois que voltei ao quarto resolvi mandar mensagem para ela, me perguntando se teria acontecido algo.

Angie onde você tá?”

Não demorou para que meu celular bipasse com uma mensagem da minha tia.

Tive que resolver umas coisas, mais tarde passo aí pra te ver.”

Desliguei o telefone perdida, resolver o que? Balancei a cabeça espantando qualquer pensamento ruim que me engolfava e saí do quarto, ao descer encontrei meu pai na mesa mexendo em seu tablet, quando me viu abriu um sorriso grande.

— Bom dia, Vilu.

Fui até ele o cumprimentando com um beijo na bochecha.

— Bom dia, pai.

Sentei-me ao seu lado servindo-me com torradas.

— Você tá com uma carinha, foram dormir tarde ontem, acertei?

Ri abafado, assentindo.

Quem dera se meu cansaço fosse exclusivamente por ter ficado até tarde ontem conversando com Angie, demorei um pouco a pegar no sono pensando em Leon, imagens nítidas de nossos momentos passavam como flashes intensos, me fazendo sentir sua falta. O que me fez pensar que depois de quase três meses sem ligar ou sem mandar mensagem, deveria está muito bem com outra pessoa.

O pensamento me doía, antes de sermos ex namorados, ainda éramos amigos, e era notório que eu queria e precisava da sua companhia, do seu carinho, conselhos. Precisava dele, exclusivamente ele comigo.

— Vilu?

Meu pai tirou-me do transe.

— Ah, desculpa pai. — Balancei a cabeça embaraçada. – Sim, eu e Angie fomos dormir um pouco tarde.

Mordi um pedaço da torrada, estava divina. Ele me observou.

— Cadê sua tia? Ainda dormindo?

Para meu gosto, meu pai parecia interessado demais no paradeiro de Angie. Segurei um sorriso.

— Saiu cedo, por que você quer saber dela?

Ele desviou o olhar limpando a garganta.

— Por nada demais, Vilu, termine de comer tranquila. — Deu ombros.

Ri baixinho, essa história de nada demais estava cheirando a outra coisa.

Minha imaginação fértil começou a ganhar asas, mas logo me repreendi ao lembrar que Angie havia dito que isso era um assunto de adultos e que eu não deveria me envolver.

Geral.

Angeles revirou na sua cama inquieta enquanto lembrava de algumas partes da sua conversa com Violetta, mas precisamente as partes em que se sentiu incomodada ao falar-lhe sobre a nova namorada de seu pai, Esmeralda com certeza tinha feito algo a sua sobrinha e isso não ficaria assim, se ela tentasse fazer qualquer coisa contra Violetta novamente não sabia o que era capaz de fazer. Bufou irritada, precisava conversar com German sobre isso, e não, essa não era mais uma desculpa para ver German. Tentou convencer-se e livrar-se de seus próprios pensamentos maldosos.

O bem-estar de Violetta era sua prioridade com certeza, e vinha sempre acima de German. Fitou seu relógio de pulso, que marcava exatamente cinco da tarde, obrigou-se a levantar da cama em que havia passado o dia tentando esquecer o motivo de seus devaneios, tomou um banho rápido pedindo a Deus que Esmeralda não tivesse naquela casa. Sabia que tinha algo de estranho com ela, nunca mais duvidaria de seus instintos quase que maternais. Vestiu um jeans boca de sina, uma blusinha creme, calçou botas, pegou sua bolsa e saiu apressada.

Optou por ir a pé já que o trajeto não era longe, e durante todo o caminho foi formulando o que diria porque parecia que sempre que estava a frente de German Castillo lhe sumiam palavras.

Aquilo era um assunto necessário? Não atravessaria os limites que havia imposto a si mesma, ou deixaria que German o fizesse, ele a confundia demais. Assim que ficou de frente com seu destino, suas mãos tremeram com todo aquele nervoso que era praticamente impossível de controlar ao pensar que German estava lá dentro, e que era inevitável evitá-lo, mas o que pudesse fazer para evitá-lo o faria sem pensar duas vezes.

Com a mão trêmula tocou a campainha, amaldiçoou-se por ser tão vulnerável a German, não queria ser assim. Quem a atendeu rapidamente ao contrário de sua sobrinha, foi Olga que logo sorriu ao vê-la.

— Angie, que bom que veio!

A cumprimentou com seu entusiasmo de sempre. Deu espaço para que ela entrasse, e assim Angeles o fez.

— Oi Olguinha, cadê a Vilu? — Angie acompanhou Olga para dentro da casa.

Olga virou-se para a moça com um sorriso torto.

— Sua sobrinha saiu há um tempinho com Ramallo, ele a levou num concerto de piano que teria aqui perto, mas acho que não vão demorar.

Comunicou, Angie assentiu surpresa concordando. Engoliu em seco, seria melhor falar com German outro dia até ter certeza do que aconteceu, embora dentro de si tivesse. Balançou a cabeça, espantando as desculpas que lhe vinham a mente pra que fosse embora.

Angie virou as costas pronta para sair dali, precisava sair dali.

— Você pode esperá-la se quiser.

Angeles negou com a cabeça forçando um sorriso amarelo, poderia ficar em qualquer lugar menos onde há poucas horas havia beijado German de um jeito tão apaixonado, tão mágico. Isso não.

— Vamos Angeles, você já me fez uma desfeita hoje no café da manhã, e eu não aceito outra desfeita agora! — Mandou autoritária.

Angie riu concordando e sentando-se na banqueta da bancada americana. Resolveu ficar, entretanto só para provar a si mesma que German não lhe afetava tanto.

— Tudo bem, eu fico. Mas só porque você me pediu desse jeito tão carinhoso. — Ironizou.

Ambas riram.

— Fico feliz.

Olga a olhou séria por alguns segundos intrigando Angie por aquela análise.

— Algum problema comigo?

Olga riu abafado, aproximando-se.

— Quero que seja sincera, Angie.

Angie a olhou desconfiada.

— No que quer que eu seja sincera? — Indagou confusa com o rumo daquela conversa.

Olga suspirou.

— Você passou a noite com o Sr. German? — Indagou baixo.

Angeles ficou pálida com a descrição da amiga, o que havia levado ela a pensar isso?

— Olga! Quanta indiscrição! — A repreendeu sem graça, com certeza deveria está da cor de um pimentão.

— Que tipo de pessoa você acha que eu sou? Alguém que dorme com o próprio cunhado? Ele é o pai da minha sobrinha, só isso.

— Ex cunhado.

A corrigiu e Angeles a fitou séria.

— Desculpa meu amor, é que como eu fico trancada aqui isso me leva a imaginar coisas e…

Respondeu nervosa.

— Por que pensou isso?

— Nada demais. — Mentiu, tentando disfarçar.

Não queria falar que veio na cozinha de madrugada, e viu os dois se beijando como se o mundo fosse acabar a qualquer segundo.

— Vou no jardim pegar hortelãs para suco, me espere aqui.

Olga informou, antes que Angeles pudesse responder algo ela saiu sumindo de sua vista. Angie bufou, e o que faria agora? Passou as mãos no rosto exasperada, tentando esconder seu nervoso. Já que estava aqui era melhor falar logo com German de uma vez por todas, procurou criar coragem para isso.

Como olharia para ele sem que suas bochechas incendiassem seu rosto revelando o quanto sentia vergonha pelo que aconteceu?

Tentou se concentrar em qualquer coisa que não fosse nas memórias nítidas do beijo, nem nada em relação ao seu ex cunhado ou do que Olga tivera mencionado. Decidiu beber leite, isso sempre a acalmava. Pegou o leite o pondo num copo de vidro, voltou-se para a banqueta sentando-se.

German entrou na cozinha para comer algo e deparou-se com Angeles sentada na banqueta pensativa, sentiu seu coração bater aceleradamente, por certo isso remeteu-lhe lembranças de ontem. De seus lábios movendo-se de maneira única, de seus corpos indicando que se queriam, dos dois juntos. Aproximou-se com passos lentos ficando atrás da loira, a observando por alguns segundos.

Parecia aflita com algo, German sentiu vontade de abraçá-la durante horas até que esquecesse o mundo lá fora.

Angeles no mesmo momento desceu da banqueta virando-se decidida a ir conversar, esbarrou num corpo derramando todo seu leite em ambos. Ao ver que era German ali a sua frente arregalou os olhos, desde quando estava atrás de si? A blusa preta social que German usava encontrava-se completamente ensopada de leite enquanto tinha uma feição surpresa e afastava-se da mulher a sua frente, arregalou as orbes cor de chocolate observando o estado deprimente de sua roupa que iria pra reunião. Percebeu que suas blusas estavam transparentes, e desviou velozmente o olhar da blusa dela.

— Me desculpa, eu não tinha te visto atrás de mim… — Angie tenta se explicar envergonhada, gesticulando nervosa.

Seu olhar desceu para sua blusa, vendo que mostrava um pouco mais do que deveria. Ruborizou, agradecendo por usar um sutiã mais coberto que o de ontem.

— Angie, tá tudo bem! — Tentou explicar com um pequeno sorriso.

Ela o olhava um pouco assustada.

— Não, não está. Me deixe ajudá-lo.

Sem dar tempo para que ele pudesse responder, foi até um armário decidida a consertar aquele incidente e pegou um pano o molhando levemente, voltou para ele passando o pano em sua blusa.

— Angie, não precisa disso. É sério.

Tentou a convencer, entretanto Angeles parecia não o escutar. Pôs o pano no seu peitoral onde tinha pego leite e passou por ali com leveza afim de tirar o excesso de leite, no entanto só estava o espalhando mais.

German por sua vez colocou suas mãos por cima das mãos pequenas de Angie, tentando pará-la por um segundo.

Angeles ficou paralisada com a massa de sensações que a invadiam remoendo por cada mínimo poro seu, uma sensação de correntes elétricas percorrendo cada milímetro de seu corpo. Reprimiu um suspiro prazeroso enquanto ambos se olhavam. Ver Angie ali tão dedicada a ele o engolfou de uma forma que não sabia explicar, seus olhos se fartavam diante de toda aquela bela imagem gostando do que via.

Seus olhos correram das orbes até a boca de Angeles desejando beijá-la novamente, queria sentir seus lábios novamente, nem que fosse por uma última vez.

Com Angeles não era diferente, se encontravam com lábios tão próximos que quase sentiu ímpetos de uni-los para se perderem juntos naquela bagunça que eram seus sentimentos. Seus olhos acompanhavam cada mínimo movimento de German o desejando, repreendeu-se por aqueles pensamentos tão impuros com seu ex cunhado e desviou o olhar dele desconcertada, sentindo seu rosto pegar fogo, literalmente. Tirou as mãos de onde German as segurava contra si, afastando-se dele, sob os protestos de seus desejos.

Foi até a bancada apoiando seus braços ali, o que fazia? Há pouco tinha estabelecido regras para si e em menos de meia hora tinha quebrado quase todas elas. Como ele conseguia? German Castillo tinha a enfeitiçado fortemente.

— Acho melhor você limpar.

Informou ríspida.

Sua mente gritava em alerta vermelho a cada meio segundo. Todo seu corpo se arrepiou ao sentir o de German tão próximo ao seu, ficou estática ao senti-lo a prender entre seus braços, segurando na bancada a impedindo de sair. Mas que merda German fazia? Angeles mal conseguia respirar sentindo seus corpos quase colados.

— Me solta, agora.

Pediu tentando manter o pingo de sanidade que a restava. German sentiu ímpetos de beijá-la em seu pescoço um tanto exposto, mas aquilo seria falta de respeito aos dois.

— Só vou te soltar quando você me explicar o porque saiu da cozinha daquele jeito. — Seu rosto encaixou-se entre o dela, quase encostando no seu ombro.

Angie se arrepiou toda ao ouvir a voz grave de German ao pé de seu ouvido, a levando pensar mil e uma coisas impróprias. Ele era o único que a levava pensar insanidades, mesmo nunca tendo tido relações sexuais não era boba, sabia o que seu corpo sentia com ele tão próximo de si. E seu desejo era que realizassem tudo aquilo que pensava agora.

German se perdeu por alguns segundos apreciando o delicioso cheiro doce do perfume que usava. Surpreendeu-se ao ser o mesmo do ano passado, o mesmo cheiro de morango o invadindo.

— Você não pode me cobrar nenhuma explicação, pode me soltar?

Riu sarcástica. Nunca tinha vivido nada tão perturbador quanto aquela mínima proximidade entre os dois.

— Não vou te soltar.

Respondeu quase num sussurro divertido ao seu ouvido. Angeles arrepiou-se novamente. Virou-se para ele abruptamente, e assustou-se ao dar de cara com seus rostos tão próximos. Não ia ceder, não agora.

— Você está brava?

Indagou baixo. Ela suspirou desviando seus olhares.

— Estou. German você tem uma namorada, e isso ainda sim não te impediu de me beijar.

Angie massageou as têmporas negando com a cabeça.

— Não seja infantil Angeles, você adora fingir que nada aconteceu. Então vamos fingir que esse erro não aconteceu. Foi por isso que saiu ontem? De qualquer forma, não acontecerá mais.

Aquilo havia a cortado de todas as formas possíveis. O pior de tudo foi German ter considerado o beijo deles como uma infantilidade ou erro, era isso que ambos eram? Um erro? Sua mente gritou a resposta que já sabia, entretanto recusou-se a escutá-la. Angie respirou fundo, o observando bem, procurava em seus olhos resquícios de que mentia.

— Um erro? — Indignou-se. German concordou ainda a prendendo contra si. – German, você considera mesmo nosso beijo um erro?

Questionou magoada, não poderia ser pior. Queria entendê-lo, por que a beijou então? Não poderia cobrar explicações quando ela mesma tinha o feito todo o dia.

— Você não acha? — Respondeu com outra pergunta.

Angeles sentia-se estúpida, ele tinha toda razão em achar aquilo. Afinal era isso que eram, um grande equívoco.

— Me solta.

Pediu baixo sentindo que ia desmanchar em lágrimas a qualquer momento. German repreendeu-se por ter dito que considerava um erro no mesmo instante. Não sentia que realmente era isso.

— Me esquece, German.

Num movimento rápido soltou-se dele que a fitou acompanhando todos seus movimentos, precisava voltar para o hotel, tinha ficado mais do que claro que precisava seguir em frente logo ao invés de estar esperando algo que provavelmente nunca aconteceria.

Respirou fundo virando-se para sair dali, quando ia alcançando a porta, German puxou o braço de Angie a trazendo para si novamente. Ela não tinha nem ideia do quanto ele a queria.

— Espera Angie!

Seus olhares se encontraram e as respirações começaram a se fundir, Angeles sentia-se cansada de tudo aquilo. De todos os joguinhos de German.

Estavam próximos demais, uma distância perigosamente deliciosa, um misto de sensações os rodeando. O desejo que sentiam um pelo outro era tão denso que quase poderia ser palpável, só não sabiam como saciá-lo.

— O que você vai fazer? Vai me beijar outra vez?

Perguntou num tom baixo, seus narizes se encostaram e suas pernas amoleceram por está presa nos braços fortes dele. Saíram da bolha em que se encontravam ao ouvir as vozes animadas de Ramallo e Violetta abrindo a porta, afastaram-se lépidos. Angie se perguntava se teriam concluído aquilo e amaldiçoava-se por ter pedido que sua sobrinha pudesse ter esperado um pouco mais pra voltar para casa.

Vilu olhava para os dois confusa, German tinha uma cara desconcertada e Angie sentia-se sem graça com um leve rubor em sua bochecha. Não era boba, sabia que tinha acontecido algo entre eles.

— Está tudo bem entre vocês?

Angie sorriu amarelo, não conseguia fitar German e ele tampouco a ela.

— Sim, claro.

German balançou a cabeça, sorrindo fraco.

— Por que não estaria?

— Sei lá, os dois estão estranhos. — Deu ombros, os olhando desconfiada. — E sujos.

— É só impressão sua, meu amor. — Angie foi até Violetta beijando sua bochecha.

No entanto, queria disfarçar ao máximo que tinha entrado em picos de êxtase ao estar nos braços de German mesmo que por alguns segundos.

— Como foi lá, filha? — Tentou mudar o assunto para quebrar o clima embaraçoso que havia se formado.

— Foi incrível, de verdade. O teatro estava lindo, o concerto foi incrível…

Violetta respondeu com um sorriso que parecia estar nas nuvens. Angie fitou sua sobrinha carinhosamente, a adorava vê-la assim tão solta, mas por algum motivo sentiu que o concerto não era o único motivo de estar assim.

— Que bom filha, desse jeito vou te deixar sair mais vezes só pra ver esse sorriso lindo. — German sorriu ao ver a animação da filha.

Os olhos de Violetta brilharam diante da afirmação de seu pai, Angie o fitou rapidamente, enternecendo-se, apesar de tudo era um bom pai e só queria o bem de Vilu.

— Angie, vamos para o meu quarto? — Vilu perguntou ainda abraçada com a tia e a mesma concordou.

Queria sair do mesmo lugar que German o mais rápido possível.

— Vamos sim. – Angie disse sorrindo e ambas saíram rindo da cozinha, deixando apenas Ramallo e German sozinhos.

— German. – Ramallo começou e German revirou os olhos. — Eu vi como você e Angie estavam, vi como se olhavam.

Ramallo falou se aproximando e German bufou.

— Nem comece, por favor! Eu e Angie não temos absolutamente nada. — Disse irritado, gesticulando um tanto nervoso.

— Vocês certamente teriam se beijado se não tivéssemos chegado.

O mais velho disse fazendo com que German suspirasse alto, evitando o encarar.

— German, como seu amigo eu me sinto obrigado a te dizer, nem que você me expulse, que você a ama, seus sentimentos por Angie nunca sumiram! Então para quê continuar negando se foram feitos um para o outro? Desse modo ambos só estão se magoando… Jade e Esmeralda não são as mulheres certas para você, e a prova disso é o que aconteceu há pouco entre você e Angie. Você tem que tomar uma decisão German, e eu espero que você tome a decisão certa dessa vez.

Ramallo afirmou o olhando sério, enquanto German andava de um lado para o outro.

— Você tem razão! — German disse observando o mais velho que o olhou feliz com um sorriso.

— Você eu posso expulsar e não mando te buscar de volta! Vou trocar de roupa para a reunião. Agora para com essas ideias idiotas por favor, ela é a tia da Violetta e eu estou namorando. Não podemos ter nada!

German contestou nervoso e Ramallo fez uma careta, ajeitando sua gravata.

German saiu da cozinha, pensativo e irritado com todas as verdades que havia ouvido, sabia que Ramallo tinha razão. Mas Angie também tinha razão quando disse que várias coisas os separavam, não iria de modo algum aceitar e nem deixar que esse sentimento por Angeles desse continuidade.

— Só eles que não percebem que se amam...

Ramallo murmurou sozinho, pegando uma maçã e indo atrás de German no escritório.

Notas finais
Até a próxima! :)