The Story Never Ends.
17 Tell Me You Love Me.
Notas iniciais
Geral.
O dia começou nublado, em um clima de muita friagem o que era estranho por ser um lugar completamente tropical. Angie e German estavam no hall do hotel esperando Violetta e Leon terminarem de se arrumarem para pegar o táxi que os levaria até o aeroporto e seguirem em viajem de volta ao Qatar, para suas “rotinas”.
— Está ansiosa? — German indagou baixo olhando para Angie que estava encostada na parede e mexia em seus dedos das mãos freneticamente.
— Um pouco. – Respondeu sincera, e German sorriu de lado caminhando até ela e a abraçando carinhosamente por trás.
— Vamos estar juntos como noivos, com certeza vão perceber… — Comunicou se virando e escondendo o rosto na curva do pescoço de German, sentindo um arrepio percorrer seu corpo ao pensar que teria que mentir até que German realmente terminasse com Esmeralda.
— Não se preocupe com isso, em breve nós vamos contar a verdade. — German disse depositando um beijinho demorado a testa da mulher loira em seus braços.
Ficaram em silêncio por um curto período até ouvirem a voz de Vilu e Leon que vinham conversando animadamente, fazendo o mais velho lançar um olhar repreensivo pela demora.
— Bom dia gente! — Leon falou cumprimentando seu sogro com um aceno e Angie com um beijo na bochecha.
— Bom dia casal. — Vilu cumprimentou German com um beijo na bochecha e abraçou sua tia lhe lançando um sorriso sapeca.
— Bom dia! — Responderam os dois em uníssono.
— Por que vocês demoraram tanto? — German indagou os olhando curiosamente e Violetta abraçou Angeles ainda mais parecendo estar nervosa o que não havia passado desapercebido pela mais velha.
Antes que qualquer um dos dois pudesse responder algo o táxi que haviam pedido mais cedo chegou, fazendo Violetta agradecer mentalmente por ter sido salva pelo gongo, suspirando um tanto aliviada já que nem em sonho queria que seu pai imaginasse que estava fazendo coisas deliciosamente impróprias com seu namorado.
Entraram no táxi e o caminho ao aeroporto foi silencioso, em menos de 40 min já haviam chegado e já estavam na fila fazendo o check-in para pedir as passagens. A viajem foi tranquila, Angie foi a primeira a dormir encostada no ombro de German que logo a aconchegou e Violetta que dormiu pouco depois de tomar um calmante para superar seu medo de avião, quase deitada em cima do namorado deixando que ele acarinhasse seus cabelos curtos com madeixas levemente loiras.
(…)
Eram por volta das quatro e meia da tarde quando já estavam na aeroporto internacional do Qatar em solo qatarense, sentados com suas malas enquanto esperavam Ramallo os buscar para irem descansar em casa. Violetta observava sua tia com aquele anel que não havia passado desapercebido nos últimos dias, estava muito feliz que finalmente eles tivessem se dado essa oportunidade de ficarem juntos, e mal poderia esperar pra chegar em casa e conversar com ela. Afinal queria os famosos detalhes que não tinha dado tempo saber por estarem concentrados em aproveitar a viajem.
— Estou atrapalhando? — Ramallo perguntou com um breve sorriso os tirando do transe, todos se levantaram animados ao ver o senhor e logo o cumprimentaram.
— Claro que não. — Vilu disse sorrindo e o abraçando rapidamente. —Podemos ir? — Perguntou fazendo todos rirem de sua pressa.
— Vamos sim. — Disse Ramallo pegando a mala de Angie e de Violetta que estavam abraçadas, levando-as para o carro.
Assim que chegaram na mansão Castillo, quase todos desceram sobrando apenas German e Ramallo.
— Eu conheço essa cara, por favor me diga que tem boas notícias. — Ramallo implorou olhando para German por cima de seus óculos com um sorriso animado.
— Não são boas. — Começou sério dando ombros fazendo Ramallo suspirar triste no banco de motorista. – São ótimas, meu amigo. Vamos entrar e eu te conto tudo. — Respondeu tomado pela felicidade e Ramallo arregalou os olhos, sorrindo pelas boas novas.
“Já estava mais que na hora!" — Ramallo pensou sorrindo.
Angeles Saramego.
Logo que entrei na casa fui recebida por Olga que me deu um super — abraço de urso, fiquei um pouco sem ar de início mas logo retribui, pois sabia que ela não fazia por mal. E eu também senti bastante saudade dela e de suas graças.
— Oh pequenina, que saudade que eu estava de você minha linda. — Olga disse ainda abraçando e eu grunhi fingindo uma tosse falsa, fazendo ela me soltar preocupada. – Tá tudo bem?
— Sim Olguinha, eu também estava com saudades! — Comuniquei com um sorriso e ela sorriu apertando minhas bochechas fortemente.
Vilu entrou e assim que Olga pôs os olhos nela, a puxou para um abraço apertadíssimo. Sorri e discretamente massageei minha bochecha esquerda que havia ficado um pouco dolorida devido ao carinho.
— Minha menininha, eu estava morrendo de saudades de você… Essa casa fica tão vazia sem você! Ah, eu fiz sua sobremesa favorita… Bolo de chocolate meu amor… — Olga disse abraçando forte Vilu que ria a abraçando de volta.
Violetta me olhou fazendo uma careta disfarçada e eu ri. Tadinha.
— Que bom, Olguinha… — Violetta falou com a voz entrecortada. — Estou com falta de ar! — Murmurou se abanando e Olga a soltou rapidamente com uma feição preocupada, fazendo ela rir sapeca vindo até mim.
Olga cumprimentou Leon que mexia em seu telefone com um beijinho na bochecha.
Ramallo e German entraram com o resto das malas rindo e eu sorri boba ao ver o homem que eu amo, eles vieram até a gente se juntando para conversar.
— Sr. German! Que bom tê-lo de volta… Nunca mais me deixem com o covarde do Ramallo. — Olga disse cumprimentando German com um beijo na bochecha e olhando brava para Ramallo, nós rimos da cara de indignado que o mesmo a olhou.
— Cadê a Esmeralda? — German indagou curioso me fazendo suspirar e olhar para baixo.
Eu sabia que ele poderia perguntar por ela a qualquer momento, não sei como eu ainda ficava triste com isso, até porque aos olhos de todo mundo aqui eles ainda são namorados. Minha deusa interior bufou mentalmente, continuava sendo irritante.
— A Srta. Esmeralda disse que tinha uma reunião de negócios importante para tratar no México, e só chega amanhã. Quer que eu dê algum recado para ela? — Ramallo perguntou e German negou com a cabeça.
Senti meu celular vibrar no meu bolso, assim que o tirei era uma mensagem de Vilu.
“Tia linda, você vai dormir comigo mais tarde né?”
A olhei e ela me lançou um sorriso dengoso, fazendo meu coração se derreter. Sorri de volta.
“Claro que sim, meu amor.’’
Enviei a mensagem ouvindo um risinho de sua parte, ri abafado e guardei o telefone.
— Bom gente, acho melhor eu ir! — Leon disse e Violetta fez um biquinho.
— Não precisa ir agora amor. Por que não fica e janta com a gente? — Violetta animou-se e Leon sorriu tímido nos olhando.
— Só se não tiver problema pra vocês… – Leon disse nos olhando curiosamente. Lhe lancei um sorriso amistoso.
— Por mim tá tudo bem, e por você German? — Senti meu tom sair um pouco mais frio do que eu esperava mas acho que ninguém percebeu.
Droga, se controla Angeles!
— Bom eu acho que ele deve ter muitas coisas para fazer. – Disse um pouco rude, antes que ele continuasse lhe dei uma cotovelada leve o repreendendo com o olhar fazendo ele forçar um sorriso em direção à Leon.
— Mas, acho que dá pra esperar não é? — Murmurou contra seu gosto e eu ri abafado assim como Vilu. Que mico!
Leon o olhou confuso mas decidiu não questionar.
— Que bom, eu vou preparar mais um lugar na mesa. Divirtam-se! — Olga cantarolou saindo, Ramallo a seguiu para a cozinha, provavelmente iam discutir o porque dela ter o chamado de covarde.
Observei Violetta e Leon que conversavam animadamente sobre uma banda e sorri enternecida com a cena, coloquei minhas mão no bolso da calça inquieta.
— Que tal a gente subir um pouco? — Me arrepiei toda ao ouvir German sussurrar no meu ouvido.
Olhei ligeiramente para os dois adolescentes que aparentavam estar distraídos, e concordei em subir com German. Fomos de mãos dadas tranquilamente até o quarto dele, assim que entramos ele fechou a porta e sorriu de lado me olhando, não consegui não retribuir aquele sorriso lindo capaz de derreter até as calotas polares. Será que existia alguma mulher imune aos charmes dele? Balancei a cabeça evitando a resposta, um pouco enciumada confesso.
— Você vai dormir comigo hoje? — German indagou me prendendo entre ele e a porta, eu ri abafado sentindo minhas bochechas queimarem.
Nós realmente não iríamos dormir.
— Só dormir? Você disse a mesma coisa ontem e a última coisa que fizemos foi dormir. — Retruquei cínica, sua feição mudou para séria enquanto seus olhos me fitavam firmes.
— Eu adoraria, mas não posso. Vilu pediu para mim dormir com ela hoje, desculpe. — Afirmei e ele riu, segurando firme na minha cintura e me dando um beijinho demorado.
— Tudo bem, eu te divido um pouquinho com minha filha. Mas amanhã você não escapa.
Respondeu roçando nossos lábios e mordendo de leve meu lábio inferior, fazendo eu ter que segurar um gemido passando a língua entre meus lábios que tinham um leve gosto de sangue. German me soltou, então eu fui até o banheiro para tomar um banho demoradamente relaxante.
Terminei o banho sentindo meu corpo com o cheiro dele que eu tanto amava, saí enrolada numa toalha preta indo até seu roupeiro, dava para perceber que seus olhos não desgrudavam de mim por um instante sequer, deixei a toalha cair me expondo completamente nua, peguei uma boxer branca e vesti junto com uma blusa confortável polo azul velha dele que mais me parecia um vestido curto. Me virei segurando o riso, fui até ele me aconchegando em seus braços e deitando minha cabeça em seu peito nu aproveitando para ouvir as batidas calmas de seu coração enquanto ele fazia um cafuné em meus cabelos úmidos.
Aquilo era tão bom, era um dos momentos entre a gente onde eu me sentia completa e feliz de verdade. German depositou um beijo carinhoso na minha testa, eu o amava mais do que esperava amar alguém, com esses pensamentos não demorei a cair no mundo dos sonhos.
German Castillo.
Acordei com o som do meu celular vibrando por ter recebido uma mensagem de Ramallo, olhei para o lado e percebi que Angie ainda dormia tranquilamente com a cabeça apoiada no meu braço, com cuidado para não acordá-la depositei um beijo em seu pescoço exposto que tinha meu cheiro percebendo-a se arrepiar, sorri com a resposta do seu corpo ao meu toque e me levantei. Fui até o banheiro, lavei meu rosto e coloquei uma blusa polo branca, saí do quarto sem fazer barulho algum, fechei a porta e desci as escadas para ir ver o que Ramallo queria de tão importante.
Encontrei Vilu e Leon no sofá trocando selinhos e sorrisos para o meu desgosto, pigarreei com uma tosse falsa para que ambos notassem minha presença. Se separaram envergonhados e Leon me olhou um pouco assustado, eu quase quis rir da sua reação mas preferi me manter sério, quanta audácia desse rapaz.
— German! — Ouvi Ramallo me chamar, me virando para ele.
— Por que me mandou mensagem? — Perguntei o olhando desconfiado.
— Na verdade estou com Mrs. Medici no telefone e os ingleses estão querendo saber sobre o giro do dinheiro para eles começarem o novo projeto. Faço a transferência agora? — Me indagou e eu concordei rapidamente querendo olhar para trás com intenção de saber o que Vilu e Leon faziam.
— Ok, im gotta do the transfer. Thank you very much Mrs. Medici! — Ramallo murmurou sorrindo e finalizando a ligação. Me virei para tentar olhá-los novamente.
— Você não tinha muitas coisas para me contar não? — Perguntou querendo desviar minha atenção dos dois adolescentes e eu concordei.
— Estou de olho nos dois, ouviram?! — Os olhei com um olhar ameaçador e Vilu assentiu rapidamente.
Fui até o meu escritório com Ramallo que fechou a porta, nos sentamos e ele sorriu me olhando com expectativa.
— Então, o que aconteceu por lá? — Ramallo questionou animado e eu sorri bobo ao me lembrar.
— Muitas coisas aconteceram, mas a mais importante é que eu pedi Angie em casamento. — Falei rindo ao me lembrar daquele dia maravilhoso.
— VOCÊ O QUE?? — Gritou com olhos arregalados, e eu coloquei minhas mãos em sua boca o obrigando a fazer silêncio.
— Shhh, fala baixo! Quer que o mundo inteiro te escute?! — Indaguei encabulado tirando minhas mãos de sua boca e ele riu alto.
— Meu Deus, finalmente você criou coragem para fazer o certo German! E a Angie aceitou? — Me indagou curiosamente, sorri concordando.
— Sim, ela aceitou. Não estava mais adiantando lutar contra o que sentimos. — Murmurei dando ombros, me levantando ainda sem tirar um sorriso do rosto. — Nos amamos e merecemos ser felizes depois de tudo.
Ramallo se levantou parecendo emocionado e me abraçou.
— Parabéns meu amigo, desejo muitas felicidades aos dois. Agora só organizar esse casamento. — Disse ainda me abraçando de lado, concordei.
Só de imaginar Angeles vestida de noiva meu coração faltava pular do peito, nunca pensei que um amor pudesse ser tão enlouquecedor. Mas era, e era muito mais. Queria tê-la comigo todos os dias da minha vida.
— Só falta você se livrar da Esmeralda e desse anel…
— Eu vou fazer isso, o mais rápido possível. Mas Ramallo, esse é o anel de noivado que eu e Angie estamos usando. — Repliquei sério ao nos separarmos, e ele sorriu amarelo envergonhado.
— Ah sim, me desculpe. — Ramallo murmurou com um sorriso amarelo, assenti me segurando para não rir. — Espero que dê tudo certo na hora de terminar com ela.
— Eu também Ramallo, eu também… — Sussurrei um tanto apreensivo.
Estava tudo indo bem até agora, e eu realmente esperava que continuasse assim…
Violetta Castillo.
— Não acredito que você vai embora. — Murmurei chateada fazendo um carinho no rosto do meu namorado, que sorriu pegando minha mão e a beijando. – Você tem mesmo que ir?
Leon riu baixo com minha pergunta, o que era pra ser apenas um acordo acabou revelando nossos verdadeiros sentimentos e nos unindo novamente.
— Tenho sim, minha linda. Preciso passar o resto das férias com meus pais, já que tudo que você planejou deu certo. — Leon murmurou beijando minha bochecha, e eu fiz cara de cachorrinho que havia acabado de cair da mudança.
Era incrível como cada célula do meu corpo chamava por ele.
— Meu coração está tão feliz de ter você novamente. — Comuniquei com um sorriso apaixonado.
— Ah é? E o que ele está dizendo agora? — Indagou baixinho.
— Ele diz: Leon… Tum Tum… Leon… Tum Tum – Brinquei rindo imitando as batidas do meu coração. Leon riu abafado com minha “piada”, segurou meu rosto e me beijou.
Um daqueles beijos que me deixavam com as pernas bambas, de tirar o fôlego. Trocamos alguns selinhos, e eu passei a ponta dos dedos em sua boca tirando o excesso de saliva.
— O jantar está na mesa! — Olga nos tirou do transe.
Nos levantamos indo para a mesa, assim como papai e Ramallo.
— Cadê a Angie? — Perguntei confusa quando não vi minha tia com a gente.
— Deve tá dormindo, Vilu por favor vá chamá-la. — Papai me pediu.
Concordei me levantando, subi as escadas de dois em dois degraus e fui logo até o quarto do meu pai pois eu sabia que Angie devia estar lá. Estranho, minha tia nunca foi uma pessoa de adoecer fácil.
Abri a porta lentamente, vendo Angie deitada com uma cara nada boa.
— Tia, tá tudo bem? — Perguntei me aproximando e fechando a porta.
— Tá sim, Vilu. Acho que estou meio gripada, só isso. — Angie murmurou com a voz meio arrastada, a olhei de cima a baixo, realmente parecia uma gripe.
— Eu vim avisar que o jantar está pronto. — Informei ainda preocupada. – Tem certeza que tá tudo bem?
— Tá sim querida, já eu desço! Obrigada por me avisar. — Respondeu tentando sorrir, dei um beijo em sua testa e saí para deixá-la mais à vontade.
Voltei para a mesa percebendo que já estavam comendo, me sentei e meu pai me olhou com uma ponta de preocupação.
— Ela já está descendo. — Papai suspirou aliviado.
Dei ombros e comecei a me servir, alguns minutos depois Angie apareceu nas escadas com um vestido longo rosa baby que caía muito bem nela, e com uma cara ótima nem parecendo a Angie que eu vi naquele quarto. Realmente estava linda. Cumprimentou a todos e sentou-se ao lado de meu pai.
O jantar transcorreu normalmente, vira e mecha eu percebia minha tia e meu pai trocando rápidos olhares, confesso que queria rir disso mas tive que me conter.
(…)
— Não queria que você fosse. — Murmurei ainda abraçada com Leon, que acariciou meu cabelo beijando minha testa.
— Eu prometo que não vamos demorar a nos ver novamente. Te amo Vilu! — Leon falou baixinho, sorri triste sentindo uma lágrima solitária cair sob meu rosto, logo tratei de secá-la.
— Eu também te amo. — Afirmei chorosa, antes que ele falasse algo mais eu o beijei.
Nossos lábios se moviam em perfeita sincronia num ritmo urgente, como se esperássemos por isso há muito tempo. Nos separamos ofegantes dando selinhos demorados.
— Boa noite meu amor, se cuida por aqui! — Ele pediu carinhosamente, depositando mais um beijo carinhoso na minha boca.
Leon se afastou de mim saindo da minha casa, senti meu coração bater aceleradamente ao pensar que teria que ficar sem ele.
— LEON!! — Gritei o chamando, ele se virou me olhando com um sorriso confuso.
Corri até ele o abraçando forte e o beijando como se aquele fosse nosso último beijo. Era um beijo urgente, romântico, com uma pitada de desejo e vários outros sentimentos juntos, sentia ele me apertar contra si enquanto sua língua explorava todos cantos da minha boca que conseguia.
Nos separamos contra a nossa vontade e eu sorri um pouco ofegante assim como ele, aproveitando para entrelaçar nossos dedos.
— Eu só queria te desejar boa noite e uma boa viajem amanhã. — Falei sorrindo sapeca ruborizando e ele riu junto.
— Obrigado minha linda! — Me agradeceu com um sorriso lindo.
Leon me deu um selinho demorado e se afastou indo em direção ao seu táxi que já o esperava, sumindo da minha vista. Respirei fundo não querendo que isso tivesse acontecido, entrei em casa vendo papai e Angie conversando animadamente.
— Que carinha é essa Vilu? — Angie perguntou carinhosamente estendendo seus braços para mim.
Fui até ela me deitando em seu colo encolhida como uma criança de cinco anos, a abraçando forte. Fechei os olhos sentindo-a afagar meus cabelos.
— Leon acabou de ir, e eu não sei quando vamos nos ver novamente… — Respondi baixo, sentindo ela acarinhar meu cabelo.
— Filha não fica assim não, em compensação você vai ter sempre o papai aqui. — Meu pai brincou tentando me “consolar”, não conseguir conter um riso alto assim como minha tia.
— Eu sei pai. — Ironizei sorrindo, e ele riu de volta me lançando uma piscadela.
— Bom eu vou subir, Angie a porta vai ficar aberta tá?! — Avisei fazendo Angie me lançar um sorriso e concordar.
— Boa noite pai! — Me despedi dele com um beijinho na bochecha, saí do abraço da minha tia e subi as escadas indo até meu quarto.
Mal tinha me despedido de Leon e já queria vê-lo de novo, subi as escadas me questionando quando nos veríamos novamente, eu precisava dele mais do que poderia imaginar. E me custava ver o quanto demoraríamos a nos ver de novo, meu coração apertava só de pensar nisso.
Angeles Saramego.
Depois que Vilu saiu da sala, eu também me levantei olhando um pouco cansada para German.
— Para onde você vai? — Perguntou-me curiosamente, me fazendo segurar o riso. Olhei em volta discretamente, todo mundo já tinha ido se recolher.
— Vou dormir, ué. — Respondi com se fosse óbvio. Mesmo que eu não tivesse com um pingo de sono, estava louca pra conversar com minha sobrinha, fazia um tempo que não tínhamos esses momentos.
German se levantou segurando na minha cintura firme me impedindo de sair.
— Sem se despedir de mim, dona Angie? — Perguntou novamente com manha, fazendo uma cara muito fofa. Nunca conseguia resistir.
— Não sei se você merece…
Desdenhei e ele colocou a cabeça na curva do meu pescoço depositando uma leve mordida, fechei meus olhos segurando em seus ombros largos aproveitando seu carinho.
— Já disse como você tá linda? — Sussurrou no meu ouvido me deixando toda arrepiada.
— Hoje não. — Brinquei o olhando fingindo estar pensativa.
— Você está lindíssima. Uma verdadeira deusa. — Me cortejou sem tirar os olhos dos meus, um rubor invadiu meu rosto me obrigando a desviar o olhar por uma fração de segundo.
Sem que eu pudesse protestar, German virou meu rosto com uma de suas mãos e me beijou apaixonadamente.
Era um beijo calmo, não tínhamos malícia ou pressa alguma. Seus lábios esmagavam os meus lentamente quase como em uma dança de valsa, a falta de ar se fez presente e tivemos que nos separar contra nossa vontade com rápidos selinhos estalados.
— Agora é sério, preciso ir ficar com a minha sobrinha. — Afirmei arfante, e acarinhando seu rosto já sentindo sua barba querendo “apontar”, eu adorava isso. – Boa noite querido.
— Boa noite meu amor. — German respondeu me dando outro selinho demorado.
Nos afastamos e eu subi as escadas sentindo seu olhar recair sobre mim.
Fui até o quarto da Vilu a encontrando sentada na cama escrevendo em seu diário de capa roxa, estava tão concentrada que nem me notou ali, chamei sua atenção batendo levemente na porta e assim que ela me viu abriu um sorriso lindo fechando seu diário e o guardando.
— Olá. — Falei sorrindo e entrando. Meu corpo se alarmou me deixando um pouco nervosa, afinal eu sabia que ela ia querer conversar.
— Oi tia, demorou hein. — Brincou me fazendo ruborizar e sorrir sem graça. – Separei um pijama pra você.
Fechei a porta, indo até sua cama e pegando o conjunto que ela tinha separado. Fui ao banheiro me vestir, era um conjunto de babydoll curtíssimo – para variar né. – na cor rosa, suspirei tímida me olhando no espelho com aquele pedaço de pijama, até que não tinha ficado tão ruim como eu imaginava.
Voltei para o quarto e Violetta abriu um sorriso malicioso quando me viu.
— Uau, que tia gata eu tenho! – Brincou e nós rimos. Vilu apontou para um lugar na cama perto dela, me sentei a olhando séria.
— Eu sei que você tá curiosa, pode perguntar. — A incentivei vendo que seu olhar não saia do anel.
— Quero saber de tudo que aconteceu entre você e meu pai. Com detalhes tia.
Vilu informou direta, fechei meus olhos envergonhada e comecei a contar quase tudo (evitando detalhes sexuais) que havia acontecido durante nossos dias em Seychelles, a cada coisa que eu contava Violetta sorria ainda mais adorando o que eu falava. Poderia ver sua felicidade só por seus olhinhos que brilhavam, eu a entendia, estava do mesmo jeito parecendo uma boba.
Infelizmente ou não o amor não era algo que se escolhia ou tampouco se controlava. A única certeza que eu tinha era que amava German com todas as minhas forças, um sentimento tão genuíno que nunca iria mudar.
— Vilu, me desculpe por não ter te contado antes meu amor, é só que… Eu fiquei com muito medo de você achar que eu queria tomar o lugar da sua mãe e acabar me odiando, ou de você não aprovar. — Pedi suplicante, senti Vilu segurar na minha mão me apoiando. – Vilu, eu quero pedir sua permissão para esse casamento, não vou conseguir levar isso adiante se… — Antes que eu terminasse fui surpreendida por um abraço forte de Violetta que pulou no meu colo.
Relaxei retribuindo seu abraço com um sorriso que mal cabia no eu rosto.
— Angie como eu não poderia permitir?! Eu sempre quis que isso acontecesse e meu desejo por fim se realizou, eu estou muito feliz que finalmente vocês tenham se dado uma chance. Vocês merecem toda a felicidade do mundo. — Violetta murmurou me olhando emocionada, sorri deixando uma lágrima cair do meu rosto que minha sobrinha secou rapidamente.
— Tia, eu nunca iria te odiar por pensar isso, e você de certa forma é minha mãe porque me salvou do mundo escuro que eu vivia. Eu te amo muito, está bem?
Concordei sem conseguir evitar algumas lágrimas a mais no meu rosto.
— Também te amo meu amor, eu prometi a Maria que cuidaria de você como se fosse minha e eu vou fazer isso até o último dia da minha vida. — Beijei sua bochecha a fazendo rir.
— Que bom que eu tenho você na minha vida, Angie.
— Digo o mesmo Vilu. — A analisei por alguns segundos, um sorriso foi se formando no meu rosto junto com a dúvida que veio a viagem inteira martelando na minha cabeça. — E como você está com o Leon?
Violetta suspirou, parecia está nervosa. A observei confusa.
— O que foi? Tá me preocupando Vilu, aconteceu algo?
Ela mordeu o lábio inferior.
— É que... Bem... — Violetta coçou a cabeça incerta.
— Pode falar, Vilu. Sabe que pode contar o que quiser né? — A incentivei segurando em sua mão. Se Leon tiver feito algo a ela, juro que o deporto pra Marte com passagem só de ida.
Minha sobrinha assentiu, e um pequeno sorriso surgiu em seus lábios.
— É que eu... E-eu, é sóqueeunãosoumaisvirgem. — Respondeu rápido. Ri.
— Não entendi nada, você tem que falar mais devagar. — Pedi paciente. Ela ruborizou.
— É que eu... Eu não sou mais virgem. — Revelou por fim. Fiquei pálida com uma cara assustada.
— Tia? — Me chamou preocupada.
Quando o baque do susto passou fitei Violetta com um sorriso por ter sido parte de uma notícia tão importante como essa. Violetta não era mais moça.
— Meu Deus!! Quando e como aconteceu? E aí foi bom? Doeu? Vilu quero saber de tudo… — A bombardeei de perguntas deixando-a constrangida da cor de um pimentão. Tadinha.
Vilu suspirou de alívio.
— Calma tia! — Pediu rindo e eu ri ainda mais. – Foi no dia que jogamos vôlei, e sim, foi incrível. Leon é tão carinhoso... — Violetta enunciou já da cor de um pimentão.
— Tia por favor não conte para meu pai, você é a primeira a saber disso! — Pediu juntando as mãos em súplica, a puxei para um abraço ainda sem acreditar.
— Só se você quiser que seu pai tenha um infarto Vilu. Nem acredito que você não é mais moça! — Murmurei emocionada ainda abraçando-a. — Obrigada por confiar em mim compartilhando esse momento.
Conversamos bastante sobre assuntos diversos, depois decidimos assistir filmes de romances daqueles bem melosos.
Vilu se acabava de chorar com tudo e comigo também não era diferente, já estávamos no último filme quando minha sobrinha já havia dormido, desliguei a TV e me deitei ajeitando-me ao seu lado, por algum motivo não demorei a dormir.
(…)
Eu estava entrando numa igreja com um lindo vestido branco, era meu casamento. Olhava apenas para frente onde German me esperava com um sorriso carinhoso que era retribuído por mim, a igreja estava lotada e a marcha nupcial era Vilu cantando uma música belíssima, fiquei de frente para German sentindo ele segurar minha mão, o juiz de paz fez a tão esperada pergunta e finalmente nós éramos marido e mulher. Nos beijamos tão apaixonadamente, eu não poderia está mais feliz, até olhar para o lado e ver minhã irmã Maria chorando muito.
— Como você pôde ocupar meu lugar? Eu sempre soube que você queria tudo que é meu Angeles! Eu te odeio… Você nunca vai ser eu!
(…)
Acordei extremante assutada sentindo que meu corpo estava suado e tenso, eram quase três da madrugada. Me levantei com cuidado para não acordar minha sobrinha, arfei confusa com a droga daquele sonho, já era a segunda vez que eu sonhava algo sugestivo com minha falecida irmã. Decidi ir para a varanda, quem sabe espairecer um pouco seria bom, desci as escadas tentando fazer o mínimo de barulho possível enquanto ligava as luzes da mansão.
Fui até a varanda ficando de frente para a enorme piscina, o vento gélido batia contra minha pele exposta me deixando arrepiada já que minha roupa era minúscula, com toda certeza eu ia ficar mais resfriada do que já estava. Senti dois braços fortes envolta da minha cintura, procurei relaxar pois eu sabia que era German.
— O que faz aqui sozinha? — Ouvi sua voz calma.
— Tive um pesadelo. — Balbuciei sentindo ele me apertar mais contra si. — Acho que depois dessa eu não vou dormir tão cedo.
— Quer conversar sobre, meu amor? — German me indagou todo preocupado.
Inclinei meu rosto negando com a cabeça sorrindo fraco de lado.
— Melhor não. — Me limitei a responder – Por que veio aqui?
— Eu ouvi você descendo as escadas, fiquei preocupado e vim ficar com você. — Falou baixo depositando um beijo no meu ombro. Entrelacei nossos dedos ao sentir um vento frio batendo em nós. – Acho melhor você ir dormir.
— Tô sem sono. — Retruquei observando a piscina.
— Tive uma ideia! — German se animou, e eu observei o incentivando. — Que tal você dormir comigo essa noite? — German parecia uma criança quando via o brinquedo que queria. Nós dois rimos um pouco alto.
— Shhh, alguém pode nos ouvir… — Sussurrou no meu ouvido me fazendo rir abafado.
— Eu não sei, talvez a Vilu perceba que eu não tô lá. — Me virei envolvendo meus braços em seu pescoço.
— Você sabe que ela não vai perceber nada Angie. Vilu tem o sono pesado, de manhãzinha você vai pra lá. Te prometo. — German pediu me lançando uma piscadela, lhe dei um rápido selinho.
— Vamos? — Indagou-me estendendo sua mão.
— Vamos! — Peguei sua mão e nós saímos rindo, parecendo duas crianças.
German me conduziu pelas escadas, e por estarmos brincando acabamos tropeçando em alguns degraus. Entramos no quarto dele rindo, fechei a porta com o pé ao sentir ele me abraçar beijando meu pescoço. German me pegou no colo e eu envolvi minhas pernas envolta do seu quadril deixando ele me levar para sua cama ficando por cima de mim, nos deitamos e nos beijamos calmamente.
— Podemos só dormir? — Pedi um pouco ofegante, e ele concordou me dando um último selinho. — Desculpa meu amor, eu só não tô no clima pra isso agora...
— Tá tudo bem Angie, eu nunca iria ficar chateado com você por uma bobagem dessa.
Sorri afagando seu rosto.
German deitou ao meu lado com um sorriso de lado capaz de incendiar até o inferno, e me abraçou de forma que ficássemos de conchinha fazendo um cafuné na minha cabeça.
Conversamos sobre vários assuntos e até fizemos alguns planos para o casamento, que decidimos ser o mais rápido possível. Algo simples, apenas para os mais íntimos.
— Boa noite meu anjo, durma bem. — German sussurrou no meu ouvido. — Te amo.
Apesar de já estar um pouco sonolenta, beijei a ponta seu queixo.
— Boa noite meu amor, também te amo. — Foi a última coisa que eu disse antes de cair novamente no mundo dos sonhos.
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