Notas iniciais
* Alguém Novo. Hello Guys! Boa Leitura.

Buenos Aires.

Angeles Saramego.

Depois que conversei com o Pablo confesso que me senti muito mais aliviada, era como se um peso enorme que esmagava meu coração o dilacerando lentamente tivesse saído de cima de mim. Me sentia mais leve, disposta a escutar e conversar com German para tentar entender sua versão, quem sabe pudéssemos até nos acertar de uma vez por todas. Afinal o que eu não faria pela minha sobrinha? Prezar pelo seu bem-estar era meu dever desde que pus meus olhos nela pela primeira vez quando ainda era uma bebezinha tão pequena que só poderia olhá-la porque tinha medo de derrubá-la, sorri sozinha com a lembrança.

— Então é esse? — A moça devidamente fardada perguntou apontando para um vestido lilás.

Assenti com um sorriso. Violetta certamente adoraria o presente, amava vestidos como ninguém e eles lhe caiam muito bem já que era lindíssima de corpo. Paguei e pedi para que a moça enrolasse o vestido num papel de presente da mesma cor do vestido com um enorme laço prata. Estava morrendo de saudades da minha sobrinha, queria enchê-la de abraços e beijinhos, conversar bastante, aconselhá-la e acompanhá-la em todos os seus passos durante esse mês. Aproveitaríamos ao máximo já que um mês passa num piscar de olhos.

Porém seria hipocrisia da minha parte se dissesse que sentia saudades só da minha sobrinha, meu coração pulava forte dentro de mim fazendo o sangue correr voraz pelo meu corpo ao imaginar que veria German novamente depois de tanto tempo. Por diversas vezes me perguntei como estava, se estava feliz… ou se tinha alguém.

O pensamento dele ter alguém me abalava, mesmo sabendo que eu não poderia passar a vida toda esperando que German me escolhesse, só nos magoaríamos. A ideia dele ter uma namorada era quase que insuportável, minha respiração chegava a falhar só de me atrever a pensar nisso, porque eu ainda o amava. Não conseguia imaginar que tivesse esquecido tudo o que passamos e estivesse com outra que não fosse eu, mesmo que o pensamento soasse muito egoísta da minha parte.

Sei que não posso exigir nada, a culpada disso seria apenas eu, me recordo bem de ter pedido que fosse feliz quando nos vimos pela última vez. Não poderia culpá-lo por ter arrumado alguém, German embora tudo isso que esteja acontecendo e nos mantendo distantes, merecia ser feliz mesmo que essa felicidade não me envolva de nenhuma forma. Balancei a cabeça irritada comigo, sabia que estava me adiantando e muito. Preferi me agarrar na possibilidade de que estaria livre quando eu chegasse, mesmo tentando me convencer que isso não me importava nenhum pouco pois estaria indo pra ver minha sobrinha. E apenas por ela.

Foca na Vilu! Meu pensamento cruel me alertava, ele tinha razão. Seria falta de noção pensar em qualquer relacionamento amoroso agora, tentei desesperadamente me convencer.

Necessitava de um descanso qualquer da minha mente extremamente agitada nem que fosse por alguns segundos sequer, entrei no meu quarto jogando meu corpo exausto sob a cama quentinha, sendo vencida pelo cansaço me permiti fechar os olhos aos poucos me apegando com as “memórias” felizes que minha mente criou de nós dois juntos.

Doha – Qatar.

German Castillo.

Enquanto terminava de me arrumar sentia um nervoso me consumindo em cada mínimo poro, era nesse jantar que apresentaria Esmeralda pra Violetta a tornando oficialmente minha namorada, isso era claramente um passo importantíssimo sem dúvidas, mas estando prestes a tomar essa decisão me questionei se era o certo a se fazer. Dando esse passo com Esmeralda, era como se declarasse que havia esquecido Angie completamente, no entanto as coisas não eram bem assim. Adorava demais minha namorada, mas não a amava isso era evidente. Ela não era Angeles.

Uma pequena parte de mim queria que fosse Angie com quem eu estivesse dando esse passo, isso logo me levava a pensar na Vilu. Qual será a reação da Vilu? Era óbvio que não teria sua aprovação, mas esperava ao menos seu apoio. Será que Violetta gostaria da ideia? Com um tempo, era lógico que daríamos outro passo que era o casamento, precisava da minha filha do lado. Me analisei por uma última vez no espelho, era o certo a se fazer, nós gostávamos então porque não nos dar essa chance? Saí do quarto arrumando meu paletó preto, quando ia descendo ouço a campainha tocar.

Apressei meus passos indo em direção a porta e a abrindo, Esme estava ali com um sorriso lindo em seu rosto delicado, não pude evitar um sorriso bobo no meu rosto ao vê-la, toda a insegurança que senti se dissipou da minha mente como poeira.

Era lindíssima, usava um vestido azul longo que delineava seu corpo, durante esses meses não tinha acontecido nada entre a gente porque não queria ser desrespeitoso, mas estaria sendo um idiota se dissesse que não tinha a cobiçado nem um pouco, a queria.

— Não vai me convidar pra entrar?

Me questionou, voltei meu olhar pra seu rosto ruborizado. Me intimidei, deveria ter ficado a olhando feito um pateta.

Fazia muito tempo que não sentia isso por nenhuma outra mulher que não fosse Angie. Essa conquista me deixava mais vivo, por perceber que poderia sim seguir em frente com alguém que me fazia feliz. Uma pessoa incrível.

— Claro, me desculpe.

Dei espaço pra que ele entrasse, fechei a porta atrás de mim.

— Está pronta?

Perguntei baixo, ela olhou pro chão e por um minuto percebi seu olhar bobear. Será que ela tinha dúvidas? Ou se estávamos indo rápido demais? Ela que sugeriu essa apresentação, não poderia culpá-la já que há alguns minutos atrás também havia sentido algo parecido.

Esmeralda?

Seu olhar voltou pro meu rosto.

— Estou sim, quero está com você mais que tudo.

Segurei sua cintura a puxando pra mim, uni nossos lábios num beijo calmo, sem malícia alguma. Era delicioso beijá-la, parecia um escape para todos nossos problemas. Nos separamos ao ouvir um pigarreio, me virei suspirando aliviado ao ver Olga ali.

— O jantar está pronto.

Forçou um sorriso, tinha consciência que nenhum dos dois ia com a cara da minha namorada.

— Obrigado Olga.

Ela se retirou. Voltei minha atenção pra Esmeralda depositando um selinho em seus lábios rosados artificialmente por um gloss.

— Vamos?

Ela assentiu, com a mão na sua cintura a conduzi até a sala de jantar. Puxei a cadeira pra ela gentilmente, que sorriu sentando-se.

— Obrigada meu amor.

— De nada.

Sentei-me na ponta como de costume, Olga serviu o vinho e olhei confuso atrás da minha filha. Estranho, nunca demorava muito pro jantar.

— Olga, cadê Violetta?

— Deve está terminando de se vestir, sabe como são os adolescentes. — Lancei-lhe um olhar sério.

— Vou chamá-la.

Assenti, começando a servir-me assim como Esmeralda. Beberiquei um gole do vinho pra espantar o nervoso, estava chegando a hora de contar a verdade pra Vilu. Ouvi pisadas descendo a escadaria de vidro, levantei meu olhar vendo minha filha com um sorriso animado em seu rosto lindo e sorri também a observando.

— Boa noite papai, desculpa a demora. É que…

Sentou-se na cadeira a frente de Esmeralda. Pigarreei para que a cumprimenta-se, Esmeralda parou de comer fitando Violetta de um modo diferente, com expectativas.

— Quem é?

Questionou confusa.

— Sou Esmeralda, é um imenso prazer conhecê-la.

Cumprimentou Vilu com um sorriso amistoso. Violetta nos entreolhou desconfiada, me deixando um tanto incomodado.

— Violetta. O prazer é meu.

Forçou um sorriso. Era muito esperta, provavelmente já tinha entendido o que Esmeralda estava fazendo aqui já que raramente trago mulheres para cá. Comecei a servi-la sentindo um silêncio perturbador instalado nesse jantar.

— Como foi seu dia, filha?

Tentei puxar assunto com um sorriso amarelo. Vilu levantou seu olhar desconfiada.

— Normal. — Se limitou com essa resposta, aproveitando para beber o suco.

— Sabe, eu soube que no teatro daqui eles reproduzirão uma peça musical. Quer ir comigo, Violetta?

Esmeralda tentou amigável. Espero que tivesse mais êxito do que eu.

— Não saio com pessoas que não conheço.

Seu olhar frio para cima da Esmeralda que logo desanimou-se com a resposta, ambas continuaram comendo. Repreendi Violetta com o olhar, estava sendo muito rude.

O jantar transcorreu normal, não foi tão bom quanto esperava já que Vilu mal trocava alguma palavra e quando Esmeralda sorria, ela forçava um sorriso. Ia ser uma longa, muito longa noite.

Violetta Castillo.

Provavelmente só meu corpo estaria naquele jantar já que minha alma viaja longe, mais precisamente em Buenos Aires. Havia ficado muito, extremamente feliz com a confirmação da minha tia que viria me visitar aqui, precisava dela mais que tudo principalmente agora que tenho quase certeza que Esmeralda e meu pai estão em um relacionamento. Não conseguia negar que não tinha ido muito com sua cara, Esmeralda me parecia demasiada estranha e na minha opinião tinha alguma coisa que parecia esconder. Talvez fosse coisa da minha cabeça e fosse melhor esquecer, mesmo que eu desejasse de todo meu coração que não fosse assim que as coisas fluíssem, queria que Angie ficasse com meu pai. Mas como isso aconteceria se ambos são cabeças duras ao ponto de negarem até a morte o que sentem? Ia ficar tudo bem, tudo que eu precisava fazer era tentar não me importar.

— Violetta?

Meu pai tirou-me do transe. Levantei a cabeça o observando, agora nem comia mais só brincava com o frango em meu prato. Todos meus pensamentos haviam me feito perder qualquer apetite.

— Preciso te contar uma coisa.

Assenti.

— É que… Faz um tempo que conheci a Esmeralda e… — Meu pai começou nervoso. Ela segurou em seu braço o incentivando a contar o que quer que fosse, fazendo meu estômago embrulhar com aquela aproximação dos dois.

— Pode ir direto ao ponto, por favor? — Pedi séria. Ele suspirou.

— É que eu e Esmeralda estamos namorando, filha.

Arregalei os olhos, no fundo eu já esperava por isso. Porém como já havia pensado não era bem assim que queria que as coisas acontecessem, ele realmente estava apaixonado por ela? E minha tia? Será que tinha a esquecido de vez? Eram tantas perguntas que precisavam de respostas, mas pra ser sincera, a única coisa que me importava realmente era a felicidade dele, se ele estivesse feliz não precisaria me preocupar.

— Não vai dizer nada? — Questionou apreensivo. O que ele queria que eu dissesse? Que jogasse flores e perdizes para os dois nesse momento?

A situação não me deixava nada feliz. Me levantei da mesa.

— Parabéns aos dois, espero que sejam muito felizes. — Murmurei com um sorriso cínico. – Com licença.

Não esperei resposta nenhuma, saí dali o mais rápido possível como se minhas pernas tivessem vida própria, não pelo meu pai, ou pela notícia, mas sim por causa de Esmeralda. Me intimidava o modo estranho que me olhava. Ao chegar no quarto joguei-me na cama com força, encolhida ali peguei um porta-retrato meu e de Angie que tiramos ano passado um pouco antes de todos saberem as verdades que estavam engasgadas há muito tempo. Sorriamos perto do Obelisco animadas com aquela foto, na verdade estávamos animadas com muitas possibilidades.

— Por que você não está aqui? Preciso tanto de você, tia.

Murmurei pra foto a observando.

— Vilu…

Vi meu pai parado na porta observando-me.

— Pode entrar.

Sussurrei, meu pai entrou sentando-se a minha frente. Ele pegou o porta-retratos da minha mão e o mirou por breves segundos com um sorriso.

— Sei que sente muita falta dela.

Quebrou o silêncio. Me sentei na cama um tanto tristonha.

— Bastante. Sem Angie por perto sinto que fiquei só.

— Não está só Vilu.

Suspirei pesado. Agora mais do que nunca, sim.

— É como se estivesse, você vive na empresa e agora namora com aquela mulher que é a primeira vez que estou vendo. — Afirmei rapidamente.

Ele ficou em silêncio como se analisasse o que diria a seguir. Respirei fundo.

— Vilu, me desculpa. Vou passar mais tempo com você, prometo.

Balancei minha cabeça em concordância, espero que sim.

— Tudo bem pai. Não tem problemas.

Tentei convencê-lo num tom baixo.

— Escuta Vilu, sei que você tá com medo porque Esmeralda é uma pessoa diferente. Uma pessoa nova nas nossas vidas, mas se você a der uma chance vai ver o quão incrível ela é.

Meu pai sorriu ao falar dela, sorriso este que só vi ano passado quando se referia a minha tia. Ainda não poderia acreditar no que estava acontecendo, entretanto tinha a julgado mal só por não ter ido om sua cara, todo mundo merecia uma chance. E mesmo tendo um pé atrás com ela, tentaria ser mais gentil pelo meu pai que é visível que a adora.

— Vou tentar… — Nós sorrimos. – Você está feliz com ela, de verdade?

Sua reação de surpresa não nega que talvez ele esteja um pouco incerto na resposta, assim como o silêncio que se instalou por aqui.

— Sim Vilu. Estou muito feliz com Esmeralda.

Respirei aliviada, aquilo tirava um peso de cima de mim. Ao menos uma notícia boa.

— Então eu fico feliz por você.

O abracei forte, se meu pai estava feliz eu ia procurar algum modo de ficar também, porque éramos sangue e precisávamos nos manter unidos. Agora mais que nunca.

Buenos Aires.

Alguns Meses Antes.

Esmeralda DiPietro.

— Então você entendeu o que tem que fazer? — Matias me olhou severo. Concordei com a cabeça, um pequeno sorriso surgiu em meu rosto.

— Mas de que plano estamos falando Mate?

Jade perguntou confusa. Revirei meus olhos com uma mulher de 28 anos tão tonta daquele jeito. Matias bufou a minha frente parecendo tão irritadiço quanto eu por ter que explicar tudo pela milésima vez para ele.

— Escuta Jade, nós contratamos a Esmeralda para que ela fosse até o Qatar, se passasse por uma engenheira ambiental e o conquistasse. Quando Esmeralda tiver a confiança de German o suficiente para passear na casa, ela vai pegar pra gente o número de todas as contas dele.

Matias gesticulava lento, Jade assentia como se tivesse entendendo realmente.

— Enquanto isso, eu criei um vírus que vai transferir todos os milhões de German para a conta da Angie. Quando ele descobrir com a nossa ajuda, ela vai acusá-la entendeu?

— Ah sim. Mas por que a Angie vai ficar com o dinheiro dele?

Matias rolou os olhos claros, quase sentir vontade de rir e o teria feito se não tivesse tão impaciente pra viajar.

— Porque quando a adorada Angie estiver fora do jogo, e o German estiver pobre, Esmeralda vai terminar tudo com ele e ele vai vir rastejando pra você que estará linda, milionária e poderosa. Não é ele que você quer?

Jade pensou um pouco, e fez uma careta.

— Mas aí o German vai tá pobre, Mate!

— Só que você vai tá rica, entendeu agora?

— Sim. — Cantarolou com um sorriso.

Como eram estranhos esses irmãos LaFontaine, só aceitei fazer o esse serviço porque o cachê é altíssimo.

— E você querida? Sabe o que vai fazer não é? Não quero um erro sequer nisso, senão os três vão ver o sol nascer quadrado.

— É claro que sei o que tenho que fazer. — Contestei gabando-me, o que não era mentira.

— Ótimo. Faça tudo aos meus sinais.

Assenti sorrindo maliciosa, isso me parecia muito divertido.

Dias Atuais.

— E então conseguiu conversar com ela?

Questionei mostrando uma falsa preocupação. Tinha achado essa menina insolente além de ser um poço de arrogância. German retirou seu paletó o pendurando em seu closet, fui até ele o abraçando por trás e depositando beijos na sua nuca cheirosa.

— Que bom querido, fico muito feliz que tenha dado certo. Ela parece ser um anjo de menina.

Encostei meu queixo em seu ombro. Ria muito internamente, estava mais pra demônio isso sim.

— É, ela é. — Riu abafado ao falar da filha. – Só está um pouco mexida com toda essa história, mas vocês podem ser grandes amigas.

— Pode apostar que sim…

Falei acarinhando seu peitoral, era pra ser só um trabalho. Mas era impossível não se envolver emocionalmente com German, ele era um homem incrível. A essas alturas, eu tinha me metido numa bagunça, e ao final disso tudo meu prêmio seria German.

— Vamos esquecer esse assunto um pouco? Tenho algo que pode te animar.

Sussurrei em seu ouvido com a voz baixa, percebi que ele se arrepiou. O virei para mim, esperei tanto por isso que agora nem me importava com as consequências disso, German envolveu minha cintura, me beijando profundo como se fosse escapar de suas mãos.

Rolei pela milésima vez na cama sem conseguir dormir nem por um segundo, fitei German que dormia sereno ao meu lado e sem conter meus ímpetos afaguei seu rosto arrepiando-me ao sentir sua barba espetando lenta minha mão. Respirei fundo sustentando aquele carinho por alguns segundos, era tão lindo. Será que algum dia me perdoaria por isso? Ou me amaria?

Espantei esses pensamentos estúpidos me saindo da cama com cautela para não acordá-lo, vesti meu pijama que tinha trazido dentro da bolsa, pensando em como tudo estava saindo conforme o planejado. Saí do quarto com cuidado, desci as escadas indo em direção a cozinha para beber algo, talvez um chá fosse perfeito pra agora. Ao me aproximar notei a luz da cozinha já acesa, fiquei confusa me perguntando quem estaria lá, mas agora que oficializamos nosso namoro não teria motivos cabíveis para me esconder. Dei ombros e entrei vendo Violetta sentada na cadeira bebendo um achocolatado.

Quando notou minha presença não segurou sua cara de descontentamento, pirralha insolente. Será que não dava para ela fingir nenhum pouco que ia com minha cara?

— Oi Vilu, também não conseguiu dormir?

Fingi está interessada nela. Violetta colocou o copo na bancada se levantando para sair, entretanto fui mais rápida e a segurei não tão forte apesar de essa ser minha vontade nesse momento.

— Pode me soltar?

Indagou rude. Só para ficar claro eu também não ia nenhum pouquinho com essa cara azeda dela, mas que filha chata German tem, deve ser um tiro no pé.

— Espera Viluzinha, por que não confia em mim? Me conta o que está havendo?

Sorri tentando segurar ao máximo meu cinismo. Ela lançou-me um sorriso irônico, porém era notável seu olhar quase me perfurando ali mesmo.

— Porque você não é minha mãe, muito menos minha tia pra conversarmos. Não somos nada. — Respondeu birrenta.

Que pirralha malcriada.

— Com licença! — Puxou seu braço de uma vez. Estreitei meu olhar, séria.

— Podemos não ser nada, mas você vai ter que se acostumar comigo aqui querendo ou não. Eu sou a namorada do seu pai agora. E não vou sair daqui tão cedo.

Violetta deu dois passos pra trás, tentou esconder seu medo com um riso abafado.

— Não tenho medo de você.

Desafiou-me. Será que ela ia testar minha paciência?

— Pois deveria Vilu, não queira testar minha paciência. Logo serei a mulher do seu pai e posso fazer da sua vida um inferno na terra, aliás achei um internato incrível pra você, continue com esse comportamento insolente que seu pai não vai pensar duas vezes em te mandar para lá.

Comuniquei baixo, com um sorriso tão irônico quanto essa pirralha. Poderia sentir seu medo a quilômetros de distância.

— Isso é uma ameaça?

Ri baixo.

— Eu não ameaço, eu ajo. Não me subestime, você tem dois caminhos. Ou é minha amiga ou minha inimiga.

Dei ombros me aproximando dela.

— Vou fazer questão de que meu pai saiba quem você é.

— Quero ver você tentar, seu pai está feliz comigo. Não vai querer arruinar a felicidade dele por um capricho seu.

Vi seus olhos lacrimejarem, fiz uma cara fingindo estar triste.

— Pobre Violetta! Tão sozinha. — Não pude evitar de rir. – Vou dormir, olhar para sua cara me fez perder todo o apetite, com licença.

Me retirei dali, aquilo não poderia ter sido melhor. Ela que experimentasse me desafiar que ia me pagar muito caro. Muito, muito caro.

Notas finais
Até o próximo!