The Story Never Ends.
5 In Love With The Idea Of Loving You.
Notas iniciais
Buenos Aires.
Angeles Saramego.
Assim que foi cantado o último verso da música, o público inteiro aplaudiu de pé vibrando por aquele maravilhoso espetáculo, e era merecido já que tinham se saído muito bem. Saí da espreita do palco indo direto para o camarim esperar os alunos junto com os outros professores, precisávamos parabenizá-los. Quando adentrei no local percebi Pablo e Beto comentando o quanto o espetáculo tinha sido um sucesso e em como tinham aparecido novos investidores para o Studio, era uma ótima notícia, sem me conter de alegria os abracei forte.
Os alunos entraram no camarim eufóricos, comemorando entre eles todo o enorme sucesso da amostra do meio de ano. Eram talentosos demais, eu sabia que iriam longe.
Antônio pediu para que eles fizessem silêncio, pois ele tinha algo a falar.
— Bom, antes de qualquer coisa eu quero parabenizar a vocês pelo sucesso que foi o espetáculo, tudo isso foi mérito de vocês e do talento que tem! Obrigado pelo o esforço que cada um dedicou para que isso se tornasse possível…
Antônio falou orgulhoso e os alunos bateram palma, fazendo algazarra no camarim.
Nos entreolhamos e sorrimos cheios de orgulho.
— Pessoal, eu também quero parabenizá-los por toda a alegria que transmitiram ao público. Estou muito orgulhosa de poder trabalhar com pessoas tão talentosas. – Afirmei sem tirar o sorriso do rosto e senti Beto me abraçar de lado.
— Claro, vocês foram bem mas ainda tem muito o que melhorar!
Gregório falou com toda a sua energia positiva de sempre, fazendo com que Antônio revirasse os olhos e chamasse Pablo para resolver algumas coisas.
Beto e eu ficamos na sala, para ajudar os meninos a trocarem de roupa.
— Tchau Angie. Tchau Beto. – Falaram Cami, Maxi e Fran em uníssono saindo do camarim.
— Tchau.
Nós falamos também.
Olhei para Beto que estava assaltando as batatinhas que ficavam dentro de um bule rosê e me joguei no pequeno sofá confortável que tinha ali a fim de tentar aliviar a tensão que corria a solta por cada por meu ao lembrar que viajaria. Ainda não acreditava que daqui há algumas horas, eu estaria dentro de um avião para ir visitar minha sobrinha preferida, me sentia tão feliz que mal conseguia me conter. Era uma alegria que não cabia em mim.
Meus pensamentos foram interrompidos ao ver Pablo entrando e logo se sentando ao meu lado.
— Você está muito pensativa desde cedo, o que houve? — Me indagou curiosamente e eu ri.
— Estou um pouco ansiosa pois meu voo para o Qatar é daqui há algumas horas, e eu estou imaginando como vai ser bom rever a Vilu. Ela deve está enorme…
Desabafei sem conseguir tirar o sorriso do rosto.
— Então você vai mesmo? — Perguntou se virando e eu concordei.
— Não tem nada que eu possa fazer pra você ficar? — Insistiu novamente mesmo já sabendo a resposta e eu ri negando com a cabeça mordendo meu lábio inferior.
— Então, boa viajem…
Disse fingindo uma cara triste e eu ri ainda mais, era um palhaço esse meu amigo.
— Obrigada amigo, inclusive eu já estou de saída pois eu tenho que resolver algumas coisas antes da viajem.
Murmurei rápida, levantando-me e pegando minha bolsa.
— Tchau Pablo, Tchau Beto! — Me despedi dos dois com um beijo na bochecha e enfim consegui sair do ColonTheatre depois de um dia extremamente exaustivo.
(…)
Ezeiza. – Buenos Aires Airport.
Cheguei no aeroporto em tempo para pegar o voo, já que ele iria sair apenas daqui a meia hora. Fui andando com minha enorme mala roxa até hall principal e decidi me sentar em um banco para esperar até que desse a hora de ir para o portão de embarque, comecei a mexer no telefone para ver se conseguia me distrair um pouco. O que parecia uma missão impossível!
A verdade era que cada vez que eu pensava que estava cada vez mais próxima de reencontrar German, meu coração acelerava como se fosse pular do meu peito a qualquer segundo. Como será que ele estava? Será que pensou em mim?
Eu sabia que não tinha que pensar nele, mas a essa altura do campeonato era basicamente impossível. O nervoso que consumia meu corpo só de imaginar rever German ou olhar nos seus olhos tão intensos que me faziam perder o chão, era praticamente imbatível. Me deixava uma massa de sensações, me fazendo ferver por dentro.
— Olá moça. – Ouvi uma voz masculina perto de mim e levantei minha cabeça para ver quem era.
E por Deus, senti meu corpo todo entrar em êxtase quando o olhei.
— Me chamo Leonardo. Posso sentar com você?
Questionou me fitando calmamente. Eu concordei em silêncio um pouco tímida.
Era lindo demais. Tinha uma pele branca, seu rosto e corpo exibiam traços marcantes, seus cabelos eram castanho bem bagunçados lhe oferecendo um ar despojado, sua boca que também era rosada e bem desenhada que carregava um sorriso de incendiar até o inferno, tinha os olhos azuis mais intensos que eu já tinha visto.
Trajava uma blusa polo preta que mostrava seus músculos e usava também um jeans ressaltando as pernas grossas. Isso me levava a pensar que com toda essa paixão por German, nunca tive tempo para parar realmente e olhar para outras pessoas.
— Posso perguntar como se chama a bela moça ou prefere manter sua identidade em segredo?
Questionou brincando para tentar puxar assunto me fazendo sorrir envergonhada.
— Me chamo Angie.
Murmurei rindo e ele riu novamente.
— Lindo nome, assim como a dona. – Disse me cortejando. — É um prazer.
Eu me senti corar violentamente.
— Angie eu sou novo aqui em Buenos Aires e seria bom ter uma amiga por aqui, o que você acha de ser a minha? — Questionou.
Eu o olhei arqueando a sobrancelha surpresa, ao ver que não perdia tempo.
— Você não perde tempo hein? Eu adoraria ser sua amiga, posso te chamar de Leo?
Foi minha vez de puxar assunto e ele concordou.
— Para onde é seu voo Angie?
— Doha, Qatar.
Respondi animada o fazendo rir alto da minha animação.
— Wow, isso é tipo do outro lado do mundo. – Brincou impressionado e eu assenti.
— É sim, mas o que a gente não faz para ver quem a gente ama feliz. – Afirmei dando ombros.
— Que namorado de sorte…
— Não tenho namorado Leo, estou indo visitar minha sobrinha seu bobo. – Brinquei sem consegui conter o sorriso em meu rosto.
Antes que ele pudesse falar mais alguma coisa, uma voz feminina ecoou por todo aeroporto.
"Passageiros com destino à Doha-Qatar por favor se dirigir ao portão de embarque 301."
Olhei para Leonardo um pouco triste, pois tinha adorado conversar com ele.
Eu esperava que pudéssemos ser bons amigos ou quem sabe até algo a mais num futuro um pouco distante. Pensar nisso de certa forma acalmou meu coração, precisava esquecer de uma vez por todas German.
— Bom, acho que esse é meu voo. Então, é isso. – Desdenhei me levantando e ele fez o mesmo.
Trocamos os números de telefones e prometemos manter contato sempre que possível.
— Tchau Leo, foi um prazer.
O abracei rápida e ele retribuiu envolvendo minha cintura.
Céus, que homem cheiroso. Cheirava divinamente bem, um perfume amadeirado que me lembrava muito ao de German.
— Tchau Angie!
"Segunda chamada aos passageiros com destino à Doha-Qatar, por favor se dirigir ao portãode embarque 301."
— Bom, eu realmente preciso ir… — Afirmei e ele assentiu sorrindo de canto.
Me despedi dele com um beijo na bochecha e saí rumo ao portão de embarque.
(…)
Doha – Qatar.
Depois de ter tomado um calmante para dormir no voo devido ao meu medo de aviões, eu fui acordada por uma aeromoça simpática dizendo em inglês que eu já tinha chegado ao meu destino. Me levantei ainda um pouco sonolenta e cansada, arrumei meu cabelo rapidamente tentando ajeitar alguns fios teimosos, descendo do avião em seguida com minha mala.
Andei um pouco até entrar no aeroporto movimentado, confesso que estava meio perdida aqui até mesmo pelo horário que estava um pouco diferente do que eu esperava, continuei andando até que finalmente consegui achar um táxi vago que me levasse até o meu hotel onde eu ficaria hospedada por um bom tempo.
Pela janela do táxi fui observando Doha em seu final de tarde e como era bonita e até futurística, não demorou para que eu chegasse ao Schneider’s Pallace que era o hotel que eu iria ficar durante minha temporada de férias aqui.
A entrada do hotel era demasiadamente luxuosa, logo percebi que eles não eram nada desprovidos de riquezas. Entrei e fiz meu check-in, a recepcionista pediu para que um auxiliar levasse minha mala para o quarto que eu iria ficar, subimos de elevador até o quarto 87A, onde recebi rápidas instruções antes do auxiliar me deixar sozinha.
O quarto era enorme, em tons de branco e bege. O chão era coberto por um pelego felpudo nude, tinha uma enorme cama de casal que ocupava o meio do quarto, em cada lada da cama tinha cômodas com abajus, jarro d’água e porta-chaves, de frente para a cama tinha uma televisão suspensa enorme e em baixo tinha uma coleção de livros variados de escritores renomados de todo o mundo. No canto direito do quarto, tinha uma porta branca com detalhes dourados que dava para o closet e para o banheiro, do lado esquerdo do quarto tinha uma varanda com portas de vidro, que dava uma maravilhosa vista panorâmica da cidade, além da vista tinha uma mesa de centro também de vidro e um frigobar.
Troquei minha roupa vestindo algo mais confortável e me joguei na cama, devido ao cansaço extremo de quase um dia de viajem, resolvi ligar para Vilu mais tarde. Senti que minhas pálpebras começaram a pesar e eu não demorei a cair no sono.
(…)
Despertei num sobressalto ao ouvir o som irritante de meu telefone indicando que alguém me ligava, cocei os olhos com uma das mãos enquanto tateava a cama com outra mão por entre os lençóis atrás do celular, quanto tempo exatamente eu tinha dormido? Ao encontrar vi uma foto de Vilu no visor e atendi imediatamente, aproveitando para dar uma espiada na janela com cortinas abertas. A vista era lindíssima, com o sol se pondo.
— Vilu!
— Tia! E então, já chegou? Como foi? Ficou no hotel em que combinamos?
Minha sobrinha bombardeou perguntas sem me dar tempo de responder, era visível sua animação. Não poderia negar que não me sentia assim também.
— Quantas perguntas. — Brinquei entre risos, ouvi seu riso do outro lado da linha e continuei. – Sim já cheguei, a viagem foi ótima e sim, estou no hotel em que combinamos.
Respondi empolgada.
— Perfeito tia, porque hoje a senhorita vai vir jantar conosco. E eu não vou aceitar um não como resposta.
Vilu ordenou sem dar-me tempo de contestar. Meu coração palpitou enchendo-me de nervoso. Jantar? Isso queria dizer que teria de ver German, e eu não sabia se estava pronta para vê-lo depois de tudo o que tinha acontecido. Um arrepio me percorreu só de imaginá-lo perto de mim, céus, quero dizer, era muito cedo para encontrá-lo.
Conformei-me, isso poderia acontecer em qualquer momento. Não era algo que poderia ser evitado assim tão fácil, além de que uma parte minha implorava para contemplá-lo nem que fosse só por hoje. Minha parte irracional pedia por isso tão forte que quase poderia ouvi-la falar do meu lado.
— Tia? Está ai?
Minha sobrinha questionou me obrigando a desfazer-me de tantos pensamentos. Balancei a cabeça com um sorriso pequeno, mesmo sabendo que ela não poderia vê-lo.
— Sim, querida. Desculpe-me por isso, no que falava?
— Pedia para que viesse jantar hoje aqui. Estou com muita saudades de você, muita mesmo. — Mencionou.
Havia pego no meu ponto fraco para me convencer, entretanto eu já tinha decidido que iria, até porque não tinha viajado quase um dia para ficar a passeio ou de intrigas com German, tinha vindo para ver minha sobrinha que precisava de mim. Rolei os olhos, decidida a ir.
— Tudo bem, eu vou meu amor. Só me passa o endereço por mensagem que daqui há pouco estou aí.
Expliquei rendida, pude ouvir Vilu dar um gritinho de alegria me contagiando. Ri no mesmo segundo, amava vê-la assim.
— Ok, vou me arrumar. Até mais Vilu.
— Até mais, melhor tia do mundo! — Me gabou, deliguei o telefone.
Mordi meu lábio inferior afim de segurar um riso. Como minha sobrinha era terrível…
Obriguei meu corpo a levantar-se e saí correndo para o banheiro, tomei um banho relaxante para tentar acalmar meus nervos que afloraram só de pensar nele, era algo involuntário demais. Após ter todas as minhas roupas espalhadas em cima da enorme cama, optei por uma blusa azul clara, uma saia justa azul marinho que ia até a metade da minha coxa as deixando torneadas, pus um lenço pêssego envolta do meu pescoço fazendo um laço para o lado, e coloquei uma jaqueta jeans escuro.
Fiz uma maquiagem leve dando um ressalte para meus olhos com um delineado, na boca passei um gloss de morango, calcei um coturno preto fechado e arrumei meu cabelo solto o permitindo cair em camadas pelos meus ombros. Meu celular vibrou com a mensagem de Violetta, passei meu perfume de morango, peguei o presente de Vilu e peguei minha bolsa nude de mão saindo do quarto em seguida.
Como já estava atrasada saí do hotel o mais rápido possível atrás de um táxi, quando peguei dei o endereço da casa de Vilu para o taxista, a cada momento que nos aproximávamos meu coração parecia que ia sair da boca a qualquer momento. Quando ele anunciou que havíamos chegado soltei uma respiração que nem eu sabia que prendia, a ansiedade me engolfava me deixando confusa por qual dos dois eu estava assim. Paguei e depois de agradecê-lo, saí do táxi.
Chegou a hora, em frente a luxuosa casa da minha sobrinha eu sentia que a qualquer momento minhas pernas virariam gelatinas e amaldiçoei-me por não ter escolhido um vestido longo para a ocasião, não acreditava que estava ali mesmo, pronta para ficar perto de Violetta e acompanhá-la durante toda minha estadia aqui. Porém no fundo, uma voz gritava que minha sobrinha não era minha única ansiedade agora.
Decidi me concentrar, aproximei-me do portão de entrada e toquei a campainha. Quem abriu a porta foi Violetta que quando me viu abriu um grande sorriso e pulou em cima de mim me envolvendo num abraço forte cheio de saudades, a apertei contra mim querendo sentir que aquilo era real. Havia sonhado com esse momento, e finalmente ele acontecia depois de longos seis meses.
— Angie!!
Gritou animada com seus braços finos envolta do meu pescoço, eu tinha um braço envolvendo sua cintura e outro afagando seus cabelos que agora eram curtos com mexas discretamente loiras.
— Vilu! Que saudade de você meu amor. Como cresceu! — Falei emocionada.
Afrouxamos o abraço nos olhando com sorrisos que mal cabiam na gente.
— Nem acredito que está aqui mesmo, senti muita saudade de você.
Afaguei sua bochecha a puxando para outro abraço mais leve, beijei o topo da sua testa. Era incrível o amor que sentia por Vilu, era como se fosse minha filha.
— Eu disse que viria te visitar, não foi? — Brinquei sorrindo. Ela assentiu com os olhos brilhando.
— Trouxe um presente para você.
Entreguei o pacote, Vilu me fitou com os olhinhos castanhos curiosos.
— Não precisava tia. Sério, não mesmo.
— Eu sei, mas não pude evitar. Lembrei de você.
Beijei sua testa.
— Obrigada, você é demais!
— Eu sei! — Respondi convencida, nós rimos.
Um vento gélido passou por a gente fazendo Violetta tremer de frio, já que usava um vestido sem casaco algum.
— Acho melhor entrarmos, assim você pode ficar resfriada.
Toquei na pontinha de seu nariz.
— Tem razão, vamos entrar tia.
Deixei que Violetta me conduzisse para dentro da casa.
Geral.
Violetta conduziu Angie para a sala conversando animadamente com tia sobre assuntos aleatórios, logo que chegaram na espaçosa sala deram de cara com Ramallo que mexia em seu tablet com uma feição séria, com certeza resolvia algo da empresa de German, assim que viu Angeles abriu um enorme sorriso indo abraçá-la.
— Srta. Angeles! Seja bem-vinda de volta. – Ramallo a cumprimentou com um abraço rápido.
— Você fez uma enorme falta por aqui.
Disse a última parte baixo apenas para que a própria Angeles e Violetta pudessem escutar. Angie abriu um sorriso sem graça com aquela afirmação, do que será que ele falava? Perguntou-se confusa.
— Obrigada Ramallo, senti muita falta de todos. — Afirmou com um sorriso carinhoso.
Violetta fez uma careta observando a tia.
— De todos igualmente?
Angeles riu a puxando pra si.
— Não, de você eu senti muito mais. — Beijou a testa de Vilu rindo de seus ciúmes.
German apareceu na sala com sua postura social de sempre, concentrado em seu celular ainda não percebendo que tinha visitas na sua sala, principalmente que não era uma simples visita e sim Angeles que estava ali. Angeles já tinha notada sua presença, não sabia o que sentia nesse momento mas parecia exatamente que tudo que alegou não ter existido mais durante esses meses reapareceu muito mais forte que antes, um misto de sensações estonteante que poderiam a engolir a qualquer momento.
Entreabriu os lábios tentando desesperadamente puxar ar para dentro de si, era como se tivesse desaprendido a respirar ao sentir a forte presença de German ali, era lindíssimo. E ela o queria, o desejava tanto que chegou a doer em si.
Violetta entreolhou os dois confusa, não iam fazer nada? Pelo visto não, então resolveu tomar atitude por eles.
— Pai, não vai cumprimentar nossa visita?
Desdenhou com um sorriso travesso no rosto.
German levantou a cabeça pronto para responder a filha, porém sentiu que seus olhos, mesmo contra sua vontade pararem em Angie se fixando na bela figura loira a sua frente. Seus olhos bebiam avidamente toda a imagem dela, o deixando estático com várias perguntas se passando em sua mente. Seria uma brincadeira de mau gosto da sua mente maldosa? Estava linda demais, entretanto era tão proibida para ele, por vários motivos. Sentiu ímpetos de chegar perto dela e a cumprimentar com uma abraço ou beijo na bochecha mas amedrontou-se com a ideia de que sua mente pudesse o trair e falasse ou fizesse algo que pudesse o expor.
Angie ao perceber o que sentia deu um sorriso tímido baixando o olhar ruborizada, tinha medo que seu olhar entregasse tudo que pensava.
Ambos os olhares por fim se cruzaram, parecia que haveria um tipo de incêndio ali a qualquer momento, os corações batiam rápido em um só ritmo como se conhecessem intimamente, ali não houve nenhuma dúvida do quanto se queriam, do quanto precisavam um do outro. Por várias vezes Angie havia imaginado esse encontro e poderia afirmar que a sensação era bem melhor do que a que tinha imaginado. Pareciam presos em sua própria conexão com olhares intensos que diziam muitas coisas entre si, Violetta observava os dois com um sorriso, calada, adorava o que acontecia ali.
— Então pai, não vai dizer nada pra Angie?
Vilu indagou com seu sorriso travesso, Angie a cutucou envergonhada por aquela fala inapropriada sem tirar as orbes verdes de seu ex cunhado. Aquilo era possível mesmo? German balançou a cabeça despertando de seus pensamentos absortos.
— Angie.
Se limitou, com a voz grave, desconcertado. Feito esse que arrepiou Angie toda, agradeceu mentalmente por ninguém perceber o efeito que German Castillo causava em si.
— Olá German. — Angeles murmurou com um sorriso de canto.
German sorriu para Angie encantado com aquele sorriso lindo que não via há muito tempo, o mesmo sorriso que o iluminava, não desviava o olhar dela por nenhum segundo sequer e por Deus, como havia sentido falta do par de esmeraldas em formas de olhos que Angie tinha. Com ela não havia sido diferente, sentira tanta falta dele, sentira falta de tudo que se relacionava ele.
— Amor você não tinha me avisado que tínhamos visitas.
A voz de Esmeralda foi o suficiente para que o encanto que sentiam fosse desfeito no mesmo segundo, Angeles parecia em choque ao ouvir seu amor sendo chamado de amor, por que Violetta não havia a avisado? Quer dizer, não queria envolver sua sobrinha nisso, porém gostaria de ter se preparado psicologicamente para esse momento.
E pela primeira desde que saiu de Buenos Aires sentiu seu coração ser esmagado com as próprias mãos, ele tinha outra. Ele havia conseguido seguir em frente. Isso era o suficiente para deixá-la no chão, por um segundo acreditou que existiu algo entre os dois realmente, talvez a possibilidade de ambos terem algo novamente. Como ele a conseguia a fazer de boba com um simples olhar? Como? Ou tinha interpretado tudo errado? Era impossível, ele havia sentido o mesmo que ela, ou pelo menos Angie se apegou fortemente nessa possibilidade.
Angie limpou a garganta olhando séria para German que parecia paralisado ao sentir Esmeralda apertar seu braço.
— Meu amor? — Esmeralda o chamou novamente.
Aquilo havia doído em Angeles, mais do que pudesse imaginar, queria um buraco para desaparecer dali o mais rápido possível. E por um segundo se imaginou ali, no lugar daquela mulher. Entretanto não poderia reclamar, ela própria tinha pedido que ele fosse feliz. Era bom ver que havia seguido em frente, a partir de hoje tentaria fazer o mesmo.
— Me desculpe, eu também não sabia.
Respondeu confuso. Violetta observava triste a cena, não podia acreditar que seu pai havia chamado Esmeralda para esse jantar, justo esse.
— Bom, Angie… Essa é minha namorada, Esmeralda. — Se antes a situação já era embaraçosa, imagina agora com Esmeralda no meio.
— Esme, essa é Angie. Tia da Vilu. — Terminou as apresentações sem graça.
Angeles estendeu a mão para Esmeralda que sorriu e apertou sua mão.
— É um prazer conhecê-la Angie. Sinta-se à vontade para ficar com a gente.
Ambas apertaram a mãos deixando todos surpresos, Angie sentia um nó no seu estômago o embrulhando a fazendo perder o apetite. Queria sair correndo direto para o hotel, não sabia o quanto podia suportar ver os dois assim.
— O prazer é meu. — Forçou um sorriso separando-se.
Esmeralda analisava Angie milimetricamente vendo o quanto era bonita, e agora entendia a raiva de Jade em relação a Angie. Não era boba, havia sentido um forte clima entre os dois.
— Me desculpem interrompê-los, vim só avisar que o jantar está pronto. Não demorem!
Pediu, antes de sair deu um selinho demorado em German que retribuiu.
Angeles desviou seu olhar para o chão, sentindo-se desmoronar aos poucos ao ver German beijando ela, e desejou fortemente dentro de si sentir os lábios dele sobre os seus como há meses. Ele saiu para o escritório junto com Ramallo, deixando as duas ali. Assim que German saiu, Violetta olhou pra tia travessa e imitou o andar de Esmeralda.
— Não demorem por favor! — Imitou com uma voz fina e uma careta.
Angeles riu segurando Violetta pelos ombros e a puxando pra um abraço, enquanto ambas riam da travessura de Violetta.
— O que foi aquilo? Nunca vi meu pai tão desconcertado como hoje, tia.
Vilu questionou baixo com um sorriso malicioso em seu rosto. Angie negou com a cabeça ruboriza.
— Não sei do que você está falando sua terrível. — Ambas riram.
— Mas vamos mudar de assunto que eu vim pra ficar com você, e não com seu pai.
(…)
Estavam todos em seus devidos lugares aproveitando para servissem da deliciosa comida que Olga tinha preparado com muito carinho, Violetta percebendo o silêncio ensurdecedor resolveu quebrá-lo.
— Então Angie, como está em Buenos Aires? — Questionou curiosamente, ao lado da tia.
— Muito bem na verdade, anteontem foi o espetáculo dos meninos que… — Respondeu calmamente, parou ao ouvir um pigarreio vindo de German.
Se fitaram por alguns segundos e Angie entendeu que não era pra falar daquilo perto de Violetta, suspirou observando sua sobrinha ávida por aquela informação. Como ainda era controlador!
— E por aqui, Vilu?
— Angie eu soube que você é professora? Como é isso? — Esmeralda tentou puxar assunto.
Angie retraiu-se na cadeira um pouco sem graça. Violetta observava Esmeralda a ponto de querer pedir para que não a interrompesse, mas aquilo soaria rude demais.
— Sim, dou aulas de canto no Studio.
— O que é um Studio? — Questionou segurando o riso com deboche.
Angie e Violetta ficaram sérias.
Quando Angie ia responder, German pigarreou cortando na mesma hora. Ela bufou incomodada com tudo aquilo, sobre o que poderia falar então?
— Foi onde eu estudei música ano passado. — Violetta informou sob o olhar duro de German.
— Isso não é assunto pra falar agora, Violetta.
German repreendeu a filha que bufou.
— E do que posso falar então?
German remexeu-se desconfortável com a rebeldia da filha. E Angie a agradeceu mentalmente por ter perguntando o que ela queria perguntar.
— Se não me falha a memória, Angie te fez uma pergunta. Por que não a responde?
Violetta olhou pra tia confusa, que entendeu e repetiu a pergunta.
— Perguntei o que a senhorita acha daqui?
Tocou na pontinha do nariz da sobrinha.
— Aqui é legal, não como Buenos Aires mas é legal. E, ah! Ainda não tenho professora, acredita?
Respondeu dando ombros, meio de ano letivo e Violetta ainda não tinha professora? Era estranho porque German sempre foi super cuidadoso em relação ao ano didático da filha.
— Isso é porque sua sobrinha, colocou a última pra correr. — German explicou num tom brincalhão ao ver a cara confusa de Angie para os dois, ela olhou para a sobrinha surpresa.
— É porque ela não era a Angie. — Vilu se explicou como se fosse óbvio.
— Nisso vou ter que concordar.
Afirmou baixo olhando a mulher loira ao lado da filha, porém todos na mesa escutaram surpresos. O olhar dela encontrou com o de German e ambos sorriram levemente, pareciam saber exatamente o que se passava em suas mentes.
Foram interrompidos por uma tosse falsa de Esmeralda, incomodada com aquilo, desviaram o olhar rapidamente voltando a atenção para a comida.
Durante o jantar ambos trocavam leves olhares discretos, Angie tentava entender quando se perderam tanto. Se antes as possibilidades de terem algo já eram baixas, agora eram com certeza, nulas. German a olhava tentando saber se ela ainda sentia-se chateada com ele, por algum motivo, era isso que via em seus olhos quando ela o olhava.
Por mais discretos que fossem os olhares, estes não passaram desapercebidos pelos presentes na mesa.
— Por favor, alguém pode me passar o sal? — Vilu pediu concentrada na sua salada.
Angie esticou o braço para pegá-lo, e German também o fez no mesmo momento que ela fazendo assim que seus dedos se encontrassem por alguns segundos, permitindo que ambos tivessem um rápido contato.
Se olharam embaraçados, sentindo correntes elétricas trilharem cada mínimo poro de seus corpos. Possivelmente o destino está tentando brincar com os dois, era uma tentativa falha evitar qualquer contato quando mesmo que impulsivamente acabavam o tendo.
Recolheram suas mãos dali tão rápido quanto um piscar de olhos, procurando qualquer outro lugar que pudessem encarar, por que tudo tinha que ser assim? Ambos tomaram suas decisões que os levaram até aqui e por um milésimo de segundo sentiram arrependimento. Ramallo acabou passando o sal para Violetta depois de terem percebido todo aquele clima entre os dois. Será se ainda se amavam? Perguntou-se, tudo o que queria era a felicidade do amigo e de Angeles.
O jantar terminou sem mais qualquer outro constrangimento, todos dispersaram-se ficando só Angie e Vilu ali na cozinha.
— Vamos lá pro meu quarto?
— Vou ajudar a Olga com tudo, e subo em seguida está bem?
Vilu sorriu segurando as mãos da tia, finalmente teria alguém para defendê-la de Esmeralda que se fazia de boa moça o tempo todo, e o pior de tudo era que seu pai não via ou talvez não queria ver.
— Sim. Te espero lá em cima.
Beijou a bochecha de Angie e saiu indo em direção as escadas. Angeles a observou enternecida, desejando que se algum dia tivesse filhos, queria que fossem iguais a sua sobrinha.
Espantou os pensamentos e rumou até a cozinha para ajudar Olga que sempre terminava tudo sozinha, depois que secou toda a louça viu German caminhando até seu escritório e foi até a porta vendo que essa era a oportunidade perfeita para que pudessem conversar mais tranquilamente, precisavam conversar depois de tudo.
Despediu-se de Olga e saiu apressada em direção ao seu escritório, a porta se encontrava entreaberta e quando ia entrar percebeu German beijando Esmeralda lá dentro de um jeito intenso, até apaixonado. Ficou olhando aquilo atônita com os batimentos cardíacos lépidos, parecia intacta a tudo como se seus pés tivessem grudados ao chão. Viu como eles se desejavam, e sentiu inveja de Esmeralda. Queria está ali, queria German a fazendo sua de todas as maneiras embora esse não fosse um desejo que tivesse nascido agora com o que havia visto, já existia. Existia desde que pôs os olhos em German naquele escritório pela primeira vez.
Mordeu o lábio inferior controlando qualquer vontade de chorar, sentiu algo remoendo dentro de si ao crucificar-se pensando que German havia a esquecido tão rápido, uma hora isso aconteceria. E tinha que ficar feliz por ele está bem, com alguém que gostasse, também tinha que fazer o mesmo. Os olhos marejaram pensando fortemente no quanto queria estar lá, olhou pra cima engolindo qualquer vestígio de choro. Sabia que ele não a esperaria pra sempre, fechou os olhos evitando ver os dois em um momento tão íntimo, decidindo sair dali e esquecer o que viu. Já tinha visto o bastante para uma noite. Com cautela para não pega, saiu dali o mais rápido que pôde e subiu as escadas num lampejo se direcionando ao quarto da sua sobrinha.
German Castillo.
— Tem certeza que não quer que eu vá deixá-la?
Questionei a minha namorada, que me olhava intrigada. Será que tinha acontecido algo?
— Absoluta, preciso ir.
Esme despediu-se de mim com um beijo rápido, abri a porta para ela que saiu após me dar alguns selinhos demorados. Ri sozinho com meus próprios pensamentos, subi as escadas quando percebi a luz do quarto de Violetta acesa a essa hora da noite. Aproximei-me da porta percebendo que conversava e ria animadamente com sua tia, involuntariamente abri um sorriso ao ver o bem que Angeles faz a minha filha e a todos aqui nessa casa. Principalmente a mim.
Entrei no quarto e quando as duas perceberam minha presença, se calaram me fitando desconfiadas segurando sorrisos travessos.
— O que as duas estão aprontando?
Angie riu baixinho, abraçando Vilu cheia de ternura.
— Nada demais. Pode ficar tranquilo, German.
Concordei.
— Bom, faço muito gosto que as duas conversem. Só passei para desejar boa noite, já vou dormir.
Vilu sorriu grande.
— É a idade não é pai? — Vilu brincou.
Revirei os olhos rindo.
— É engraçadinha. Você também chega lá. — Ela fez careta.
— Boa noite princesa, não durma tarde.
Beijei sua testa.
— Boa noite pai.
Fitei Angie sem saber como me despedir dela, um abraço? Um beijo na bochecha? Ela ruborizou parecendo tão sem graça quanto eu.
— Não vão se despedir? — Violetta fez careta diante da nossa confusão.
Me aproximei dela que ficou nervosa sem saber como agir, por fim segurei firme em seu rosto sentindo toda a maciez de sua pele e depositei um beijo rápido em sua testa como fiz com Violetta. Percebi que durante dois segundos Angie fechou os olhos, parecendo apreciar o carinho, aquilo mexeu comigo. Nos separamos rápido, antes que seu cheiro suave me deixasse desnorteado.
— Boa noite Angie.
— Boa noite, German.
Despediu-se. Acenei para duas saindo dali num lampejo para dá-las mais privacidade, com certeza tinham muito o que conversar. Assim que entrei no quarto suspirei cansado sem conseguir relaxar a mente com tantos pensamentos desordenados, não poderia negar que ver Angie hoje ali me pegou de surpresa mas também mexeu comigo de um modo que não conseguia nem explicar. Tudo que senti hoje, era como se nunca tivéssemos nos afastado, tudo o que pensei ter morrido havia voltado, todos os sentimentos que tentei esconder.
Pensei que havia a esquecido, principalmente agora que estou com Esmeralda, mas foi só ver Angie na minha frente para saber o quanto ela me faz sentir nas nuvens só com seu olhar, no quanto ainda temos uma conexão incrível. Nossa conexão. Não havia morrido como tentei acreditar durante meses.
Me senti mal ao ver que Esmeralda só tinha sido minha desculpa por todo esse tempo para não ver o que estava a minha frente o tempo todo, queria Angie mais do que poderia aguentar. Entretanto uma voz na minha cabeça lembrava-me do quanto eu a magoei, do quanto não poderíamos ter nada por ser errado em tanto incontáveis níveis. Nunca daríamos certo, Angie era proibida para mim e isso havia ficado evidente desde que nos beijamos pela primeira vez, e se eu continuasse insistindo poderia magoá-la ainda mais. Angie me fazia perder a cabeça, e a ideia de estar apaixonado por ela me fez sorrir de uma forma como se aquele amor impossível fosse se tornar possível durante esse tempo.
Repreendi-me por esses pensamentos, não poderia sentir nada pela minha ex cunhada. Em respeito a Maria e principalmente a Esmeralda. Agora mais do que nunca precisava esquecê-la, mas como iria se estava rodeado de lembranças nossas por toda parte? Se ela estava aqui? Sentei-me na cama e abri a gaveta pegando algo macio de lá, fitei por alguns segundos o pompom que peguei de Angie ano passado em uma das nossas brigas, sorri triste.
Inferno, eu ainda amava a Angeles, o que faria agora? Como iria conseguir esquecê-la assim?
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