The Story Never Ends.
19 Love Me Like You Do.
Notas iniciais
Alguns Dias Depois.
Doha-Qatar.
Violetta Castillo.
Abri meus olhos aturdida, ofegava como nunca e uma fina camada de suor cobria todo meu corpo me deixando quente e envergonhada, ao lembrar do sonho que tive com Leon meu ventre retorcia queimando tudo por dentro. Desde que ele se foi era a quarta vez que tinha sonhos mais quentes com ele, e o pior de tudo era não tê-lo perto pra acabar com esses desejos que se convertiam em angustiantes, mas mais do que isso era a saudade que acabava comigo só de eu pensar daqui há quantos meses mais eu poderia vê-lo, nos falávamos quase todos os dias por Skype, entretanto não era a mesma coisa de estar perto, beijar, abraçar, sair pra passear. Por um momento desejei intensamente voltar pra Buenos Aires com minha tia, toda a minha vida era lá, junto dos meus amigos, minha tia, o Studio. Senti meus olhos inundarem só de pensar nisso, meu pai nunca permitiria que voltássemos, e nunca permitiria meu envolvimento com a música.
Balancei a cabeça aflita, respirei e inspirei algumas vezes para esquecer esses pensamentos que acabavam comigo, hoje não era dia de pensar nisso. Não mesmo. Hoje era o último dia que Angie ficaria aqui no Qatar, já que amanhã teria que ir cedinho pro aeroporto voltar pra sua rotina. Céus eu ia morrer de saudades da minha tia, de suas brincadeiras, conselhos, nossas conversas durante a madrugada. Angie querendo ou não se tornou minha mãe, ela era a única que eu permitiria ocupar esse lugar, a amava como tal.
Me levantei da cama num pulo e corri pro banheiro, liguei o chuveiro deixando a água gelada escorrer por entre meu corpo e levar consigo todo pensamento ou energia ruim de hoje, precisava ficar bem pra dar toda atenção a Angie.
German Castillo.
Abri meus olhos antes do despertador tocar e o desliguei rapidamente pra não acordar Angie, olhei para o lado e a vi dormindo toda encolhida parecendo uma criança pequena, sorri levantando meu polegar e afagando sua bochecha que estava levemente corada. O tempo passou voando e infelizmente ela já teria que voltar pra Buenos Aires deixando um vazio enorme nessa casa, não ia ser a mesma coisa sem ela aqui. Fiquei a fitando me perguntando como era humanamente possível amar alguém como eu amo Angeles, seria capaz de dar minha vida por ela só pra protegê-la de qualquer perigo. Tomei ar e levantei-me da cama quentinha, hoje eu teria que fazer muitas coisas e ainda preparar a surpresa da Angie agora a noite, queria que ela tivesse a noite dos sonhos.
Segui até o banheiro fazendo minha higiene matinal, quando saí vesti uma roupa não tão social (blusa polo preta e um jeans escuro), como minha noiva ainda dormia e ainda era cedo demais resolvi não acordá-la agora, escapei com cautela do quarto tentando não fazer o mínimo de barulho possível pra não acordá-la.
Desci as escadas vendo Ramallo com um olhar apreensivo e uma Esmeralda com um semblante nada bom plantada na minha sala ás sete da manhã. O que ela fazia aqui tão cedo? Revirei os olhos, descontente com sua visita.
— Bom dia, o que faz aqui tão cedo?
Ramallo sorriu amarelo.
— Me desculpe German, a Srta. Esmeralda exigiu que precisava conversar com você agora. — Explicou e ela o fuzilou com o olhar.
— Tudo bem Ramallo. — Ele se retirou indo pra cozinha. — O que quer aqui?
Esmeralda riu sarcástica.
— Precisamos conversar, não acha?
Bufei, talvez essa fosse a oportunidade que eu precisava pra terminar com esse relacionamento tão falso quanto ela, Angie precisava se sentir mais segura, e com Esmeralda rondando por aqui como se fosse minha namorada não a deixava nada segura.
— Tudo bem, vamos até o escritório.
Andei até a porta de vidro no canto da sala que dava para meu escritório, dei passagem pra que ela entrasse e entrei depois fechando a porta. Encostei-me na mesa esperando que ela falasse, claramente incomodado com toda aquela situação.
Pigarrei, tentando formular as frases. Vinha a dias com todos meus argumentos formados caso ela tentasse rebatê-los.
— Você está estranho, aconteceu algo? — Perguntou vindo até mim e deixando seu corpo próximo ao meu. Me afastei, negando com a cabeça.
— Na verdade eu queria muito falar com você. — Assenti esperando que ela terminasse.
— Que bom, eu também preciso conversar com você Esmeralda. — Repliquei sério.
Ela me fitou confusa.
— Pode falar então… — Deu ombros. — Sobre o que quer falar?
Era melhor terminar com isso de uma vez.
— Sobre nós. — Respondi seco, Esmeralda arregalou os olhos se alarmando. — Eu quero terminar.
Ela ficou imóvel durante alguns segundos, empalidecendo.
— O que foi que aconteceu? — Questionou baixo, e após pensar alguns segundos riu irônica.
— Já sei, foi aquela mulherzinha que te enfeitiçou não é? Eu sabia, tudo estava indo bem entre nós até aquela vagabunda chegar. — Esbravejou com raiva.
Por um lado ela tinha um pouco de razão, eu tinha decidido recomeçar com uma pessoa diferente que não fosse Angie, mas quando ela chegou aqui no Qatar, que eu a vi tão linda, eu sabia que ia ser um problema. Porque tudo que eu pensava que estivesse morto, estava vivo. Todos os sentimentos estavam mais vivos que nunca, eu não ia conseguir me conter. Amava Angie de uma maneira surreal, precisava dela.
— Acho melhor lavar a boca pra falar dela, entende? Não quero que a envolva nisso, isso é entre nós. — Assegurei seco.
— Eu não te amo, nunca te amei. E não podemos levar isso adiante, desculpa.
Esmeralda cruzou os braços com um sorriso cínico.
— O que ela tem que eu não tenho? Cabelos loiros e olhos verdes? — Pelo seu tom de voz percebi o quanto estava se segurando pra não gritar. — Eu também posso te dar tudo e muito mais.
— Ela é o amor da minha vida, isso você não pode ser. Olha quanto mais rápido aceitar, menos dolorido vai ser, você vai encontrar alguém que te ame.
Esmeralda engoliu em seco ao ver que eu falava sério, pude perceber que seus olhos marearam.
— Por favor, não faz isso German. Eu... Eu te amo e sei que com o tempo você pode me amar também, nós podemos dar certo ainda meu amor. — Implorou com a voz pesada.
— Eu já neguei meus sentimentos uma vez e não deu certo, então não, eu não posso te amar. — Respondi sem emoções.
Esmeralda passou a mão pelo rosto irritadiça, de uma forma áspera limpando qualquer vestígio de lágrimas que pudessem ter em seu rosto.
— Você está cometendo o pior erro da sua vida, e eu vou te provar que ela não é a mulher que você pensa. — Afirmou fria.
Arqueei a sobrancelha, com um olhar duro.
— Isso é uma ameaça? Se for, saiba que tem seguranças pra cuidar de mim e da minha família por toda parte que a gente for. Não quero que você chegue nem perto da Angie e da Violetta ouviu? Agora se me der licença, tenho coisas a fazer. — Apontei pra saída.
— Essa é sua decisão final?
— É sim. — Informei sem olhá-la. Ouvi os passos de seu salto afastando-se e deduzi que havia saído.
Respirei aliviado, Angie ia ficar aliviada também só de pensar que não teria ela por perto, rondando nossas vidas. A porta lateral se abriu revelando Ramallo com uma cara curiosa, entrando no escritório.
— E então meu amigo, conseguiu terminar? — Veio para meu lado, pondo a mão no meu ombro.
— Sim.
Limitei-me.
— E por que essa cara? Foi tão ruim assim? — Brincou. O observei sério.
— Não sei, em algum momento senti que ela fez uma ameaça a Angie e a Vilu. Espero está errado, mas só por segurança você vai contratar alguns seguranças pra nos acompanharem apaisando e de longe, assim não alarma nenhuma das duas.
Mandei.
— Fica tranquilo German. Esmeralda não vai ser louca de fazer nada contra vocês, mas só por via das dúvidas vou ligar pra equipe da empresa agora mesmo. — Disse já pegando seu celular, concordei com a cabeça.
— Não sei, ela pode ser capaz de tudo Ramallo. — Dei ombros já me dirigindo a porta.
Andei sorrateiro até a sala não encontrando nem Violetta, nem Angie, me preocupei olhando a hora e só tinham se passado meia hora desde que encontrei Esmeralda aqui, ainda era cedo. Continuei meu caminho até a cozinha encontrando Olga já preparando o café.
— Bom dia, patrão. Acordou cedo. — Me cumprimentou com um sorriso amistoso, enquanto tirava cookies de chocolate do forno.
— Bom dia, Olga. Não consegui dormir muito tempo… — Dei ombros encostando-me na bancada. Sorri com uma ideia começando a se formar na minha mente. — Olga, prepara uma bandeja com um café da manhã bem generoso que vou levar pra Angie.
Olga lançou um sorrisinho malicioso.
— Que lindo ver vocês dois juntos, o covarde Ramallo bem que poderia ser cavalheiro assim. — Resmungou.
Sorri balançando a cabeça.
— Relaxa, tenho certeza que uma hora ele se decide.
Fiquei mexendo meu telefone, na galeria mais precisamente e ficando feito um bobo ao ver fotos minhas e da Angie juntos.
— Prontinho Sr. German. Quer que eu leve o café?
— Não precisa Olga, quero fazê-la uma surpresa. — Peguei a bandeja que realmente estava bem generosa, dava pra um batalhão alimentar-se. — Obrigado.
Agradeci e fiz caminho até as escadas, o cheiro estava divino. Fui até meu quarto e abri a porta com maior cuidado pra não derrubar nada, ao entrar vi Angie deitada de bruços toda espalhada na cama e não pude evitar de sorrir com aquilo. Fechei a porta com o pé e me aproximei da cama, deixando a bandeja ali mesmo. Segui até Angie acercando-me dela, cauteloso, retirei umas mexas teimosas de seus fios loiros que insistiam em cair no seu rosto angelical.
Beijei sua bochecha direita repetidas vezes, sentindo que ela dava sinal de que logo acordaria.
— Vamos acordar, meu anjo? — Sussurrei em seu ouvido, vendo-a se arrepiar.
Ela abriu os olhos lenta e com um pequeno sorriso enquanto se esticava pra me olhar, eu amava acordá-la assim só pra receber seu sorriso. A ideia me parecia ainda melhor só de pensar que faríamos isso todos os dias, pelo resto de nossas vidas.
— Bom dia… — Murmurou com a voz arrastada, sentei-me ao seu lado na cama afagando seu rosto.
— Bom dia, bela adormecida. — Brinquei beijando a pontinha de seu nariz. — Dormiu bem?
Angeles assentiu, num suspiro.
— O que houve? — Questionei ao ver seu semblante preocupado.
— Fico pensando em como vai ser quando chegar em Buenos Aires, sem você, sem minha sobrinha… O que eu vou fazer?
Meu coração apertou, tampouco queria ficar longe dela.
— Não pense assim, ainda temos hoje e o início de amanhã juntos. E nós vamos aproveitar cada segundo, ok?
Angie concordou quieta, logo deu um sorriso e esticou seu pescoço pra alcançar meus lábios. A beijei calmo, como se nossas vidas dependessem daquilo, Angie acariciava minha nuca com sua unha arrepiando-me, parei de beijá-la depositando alguns selinhos em seus deliciosos lábios, caso contrário não íamos sair desse quarto tão cedo.
— Olha o que eu trouxe pra você. — Peguei a bandeja colocando em seu colo com cuidado. Angie me olhou surpresa. — Não me olha assim, hoje eu vou te mimar o dia todo.
Nós rimos.
— Que bom ser mimada pelo meu noivo, e depois ainda diz que não é romântico. — Brincou e eu sorri de lado. — Você que fez? Tem muita comida aqui.
— Bom, foi a Olga, mas o que vale é a intenção. — Ela riu afagando meu rosto. — E isso é pra gente, você não vai comer sozinha, amor.
Angie sentou-se na cama pegando cookies, peguei um morango e mergulhei no chocolate levando em direção a boca de Angie. Ela mordeu o chocolate sujando os cantos da boca, passei a ponta de meu polegar pra limpá-la sentindo-a estremecer sob meu toque.
— Desse jeito vou ficar mal acostumada. — Brincou. — Imagina quando casarmos.
— Aí é que eu vou te mimar ainda mais, princesa. — Depositei um beijo em seu nariz. Angie me fitou doce.
— Eu sabia que vocês estariam aqui. — Vilu abriu a porta sorrindo, Angie fez sinal pra que ela entrasse. — Bom dia pai, bom dia tia mais linda do mundo.
— Bom dia filha.
A cumprimentei com um beijo em sua testa. Vilu subiu na cama deitando ao lado da tia.
— Bom dia minha princesinha. — Angie beijou sua testa com carinho. Ela era a mãe que Violetta precisava, nunca vi Esmeralda e tampouco Jade fazerem nada por Vilu.
O que me provava mais uma vez que eu tinha escolhido a mulher certa para passar o resto da minha vida.
— Eu estava pensando, o que vocês acham de irmos passear hoje?
Entreolhei Angie que tinha um sorrisinho animado.
— O que você está pensando, Vilu? — A fitei, tinha um sorriso igualmente animado ao de Angie.
— Pensei de irmos pro shopping, o que acham?
Angie pareceu pensar.
— Eu topo, até porque é o único lugar que não fui ainda. — Angie afirmou e Vilu a abraçou.
— Por favor papai, vamos. — Vilu pediu com uma cara de gatinho que era impossível negar qualquer coisa a ela.
Suspirei rendido, eu sabia que ia andar a beça. Mas só de ver a felicidade das duas, tive que concordar.
— Tudo bem, nós vamos passear no shopping. — Me rendi, sem evitar um sorriso.
Angeles Saramego.
Após sair do banho, fiquei olhando meu reflexo no espelho e vi o quanto eu mudei ao passar um mês e alguns dias por aqui, era inacreditável como o tempo passou voando, um dia desse havia acabado de chegar com meus medos, magoada com German por ter me tirado Violetta, e agora vou sair daqui noiva tentando saber como vou viver em Buenos Aires longe dos dois. Eram tantas perguntas que rondavam minha mente, que por um segundo me ocorreu o pensamento de largar toda minha vida lá e vim morar aqui com eles, pois era o meu lugar. Onde eles estivessem, era meu dever estar com eles e cuidá-los como minhas joias mais preciosas.
Meus olhos marejaram e me angustiei só de pensar no quão distante era Qatar da Argentina, será que eu saberia suportar toda essa distância infernal? Mesmo estando um tanto desolada com esse pensamento arrebatador, a certeza que eu tinha era que havia voltado a viver novamente.
Não poderia nem pensar nisso agora, ainda íamos aproveitar hoje e o comecinho de amanhã. Vesti um vestido preto liso que ia até um pouco acima do joelho soltinho, ele tinha um decote em V e amarrava na cintura delineando a minhas curvas, coloquei um scarpin preto alto e deixei meu cabelo solto caindo ondulado pelos ombros, fiz uma maquiagem bem leve e pus um gloss. German entrou no quarto e ao me ver lançou-me um sorriso lindo que sempre deixava-me com as pernas bambas, veio por trás de mim e me abraçou apertando-me contra si.
— Está lindíssima. — Sussurrou no meu ouvido, me arrepiei toda segurando um sorriso.
Fitei nosso reflexo no espelho e corei, observando bem nossos rostos senti uma imensa vontade de termos filhos, claro que isso vinha com o casamento, entretanto a ideia aqueceu meu coração só de pensar em um pequeno ser que era nossa mistura. Balancei a cabeça, poderia voltar e pensar nisso daqui há uns dois anos quem sabe.
— Você ficou tão pensativa, o que houve?
Era indiscutível o quanto eu me sentia segura em seus braços, em como eu sentia que nada e nem ninguém poderia nunca nos atingir.
— Só pensando em como eu te amo. — Me virei o abraçando. German riu abafado no meu ouvido, roçando sua barba no meu rosto.
— Também te amo, muito, muito, muito. — Afaguei seu rosto, unindo nossos lábios num selinho demorado. — Tenho uma boa notícia pra você, princesa.
— Ah é? — Questionei com curiosidade.
— É sim, Sra. Castillo. — Confesso que quase tive um mini-infarto ao ser chamada por seu sobrenome. Aquilo soava tão sexy, que por Deus. — Você não precisa mais se preocupar com a Esmeralda, terminei com ela hoje.
Arregalei os olhos surpresa com a notícia, finalmente ele tinha terminado com aquela mulher desprezível.
— Sério?
German assentiu balançando a cabeça.
— Seríssimo. Você é e sempre vai ser a única na minha vida.
Pulei em seus braços, e o beijei. Um beijo sôfrego que exigia mais de nós, cheio de desejo e paixão correndo por cada milímetro de nossos corpos, sua língua brincava com a minha me deixando uma massa de sensações enlouquecedoras. Apertava minha cintura contra si como se quisesse me fundir ao seu corpo, me permitindo senti-lo ao perceber que nossas intimidades estavam unidas.
Nos separamos por falta de ar, ofeguei em seus braços sentindo seus beijos em meu pescoço, segurei um gemido sorrindo. Precisávamos ir.
— German. — O chamei rindo, num fio de voz. Minhas mãos bagunçavam seus cabelos negros, os emoldurando a meu gosto. — Precisamos ir, meu amor.
German subiu os beijos do meu pescoço para minha boca demorando ao me dar vários selinhos estalados. Ficamos com as testas unidas, enquanto nossos narizes se roçavam num carinho fofo nada comparado ao beijo de alguns segundos atrás. Ele riu abafado e eu o acompanhei.
— É impossível resistir a você, melhor sairmos desse quarto. — Informou tão ofegante quanto eu.
Concordei, se demorássemos mais um pouco não teria mais passeio hoje.
— Sim, vamos.
Nos separamos, peguei minha bolsa e German me esperou na porta. Ele pegou minha mão entrelaçando nossas mãos e depositando um beijo na palma dela.
(…)
O shopping de Doha era simplesmente incrível, depois de andarmos bastante e fazermos umas comprinhas onde meu noivo se ofereceu pra carregar as sacolas, fomos até a praça de alimentação atrás de almoçar algo, fizemos uma parada no McDonald's e escolhemos uma mesa mais perto do estabelecimento pra receber os nossos pedidos. German soltou as sacolas no chão e suspirou de alívio, nos fazendo rir.
Definitivamente minha mandíbula estava dolorida de tanto rir, German e Vilu eram uma graça, com eles minha felicidade com certeza estava mais completa. Por algum motivo ao sentir o cheiro de todas as comidas juntas, meu estômago embrulhou me tirando um apetite.
— Gente, acho que devemos fazer outra viagem próximo ano. O que acham? — Vilu questionou pondo a mão no queixo.
Eu e German nos entreolhamos.
— Uma viagem em família pra um lugar frio, dessa vez. — German me abraçou de lado, beijando-me a têmpora. — Algo como Canadá.
— Pra mim está ótimo o que vocês decidirem, eu só tenho que estar com vocês mesmo. — Dei ombros.
Vilu sorriu derretida.
— Que bonitinho, titia. — Fez uma voz mais infantil, não me contive e lhe mostrei a língua. — Parece que vai ter alguma coisa ali, posso ir ver?
Vilu perguntou nos olhando. Do outro lado da praça de alimentação montavam um palco e já tinha um aglomerado de pessoas. Assenti lhe lançando uma piscadela.
— Pode ir sim, contanto que não demore. — German disse autoritário. Vilu assentiu levantando-se.
— Obrigada, volto rápido. — Vilu nos beijou rápida, e saiu apressada.
— Canadá, amor? — Questionei segurando o riso.
— Sim, é um lugar lindíssimo. Você vai ver, além de que fica belíssimo no Natal. — Retrucou me fazendo rir.
— Ou poderíamos conhecer os Alpes Suíços, o que acha? — Indaguei piscando. German fez uma cara pensativa.
— Isso me fez lembrar, onde você quer passar nossa lua de mel?
Pisquei ruborizada. Não tinha nem pensado nisso ainda, parecia algo tão distante.
— Não sei, Paris? Grécia? — Questionei confusa. Ele riu me dando um selinho.
— Pense sobre isso e me avise, está bem?
Concordei.
— Na verdade eu não me importo muito com isso, tudo que eu preciso é estar com você. E eu sei que se estivermos juntos, vai ser a melhor viajem das nossas vidas. — Murmurei olhando em seus olhos.
— Eu sei meu amor, tudo que me importa é estar com você. Poderia ser até numa cabana, se você estiver eu sei que fica tudo bem. — German sussurrou encostando nossas testas e entrelaçando nossos dedos.
Sorri, arrebatada.
— Os pedidos. — A garçonete colocou a bandeja em cima da mesa, agradecemos.
Senti meu estômago embrulhar de novo com o cheiro. Desembrulhei meu sanduíche me forçando a comer, até porque já era tarde.
— Violetta não chegou ainda. — German levantou a cabeça pra procurá-la. Pus a mão em seu ombro.
— Tranquilo, se ela não chegar a gente leva o dela. — Tentei acalmá-lo.
German tinha que desprender Vilu um pouco, ficar só naquela casa não era bom. Percebi que era uma banda que cantavam músicas diversas, não pareciam ser conhecidos porém tinham uma ótima voz e as músicas eram populares.
Comemos entre conversas enquanto decidíamos detalhes sobre o casamento, terminamos de lanchar e após German por insistência pagar, fomos atrás de Violetta. Enquanto íamos, ouvi uma voz feminina cantando Heaven de Julia Michaels e eu reconheceria aquela voz a quilômetros de distância. Fiquei tensa ao perceber que era minha sobrinha cantando, e cantava divinamente bem. Não sei como ela conseguiu esse feito, mas estava maravilhosa em cima do palco, German não esboçava nenhuma reação ao meu lado, provavelmente estava tão ou mais surpreso que eu.
— Angie? — Me chamou parado, mirando fixamente o palco.
— Sim?
Ele respirou fundo, tomando coragem pra perguntar.
— Aquela que tá cantando ali em cima é a Violetta? — Assenti o fitando preocupada.
— Vamos buscá-la agora, você entende que eu não posso deixar essa menina sozinha um minuto sequer? Eu já falei que não quero Violetta envolvida com nada da música.
German reclamava colérico, apressando os passos em direção ao aglomerado de pessoas. O acompanhei em silêncio temendo o que poderia acontecer. Acho que Vilu vai ter que arrumar uma solução pra isso também, já que eu não conseguia pensar em nada cabível pra essa situação.
German Castillo.
Literalmente eu tava possesso com Violetta, lhe expliquei tantas vezes o motivo de não querê-la envolvida nesse mundo e ela sempre e desobedecia, tudo que eu queria evitar era que ela sofresse. Não ia suportar se a perdesse como perdi sua mãe, fui passando entre as pessoas que pareciam gostar do que minha filha cantava, e cantavam junto com ela, arrastando Angie que ia pedindo desculpa em quem esbarrava. Violetta percebeu que eu a olhava duro, porém não se abalou. Continuou cantando como se não fosse nada.
— Acho melhor você se acalmar um pouco German. — Angie sussurrou no meu ouvido.
Minha vontade era de pegá-la e levá-la pra longe, entretanto quando a escutei verdadeiramente percebi a burrada que faria afastando ela da música. Violetta era claramente apaixonada por esse mundo, cantava dando tudo de si, meu coração se derreteu ao ouvi-la. Tinha a voz da Maria, só que muito mais bonita, não conseguia parar de admirá-la emocionado e arrepiado por sua voz incrível que não tive oportunidade de escutar antes. Aquele era sem dúvidas seu mundo, tinha nascido pra cantar e tocar corações de pessoas. Fui um pouco mais frente a fitando, que tipo de pai eu estava sendo por não ver o que minha filha precisava? Ela precisava da música pra ser feliz. E me doeu ao ver quanta coisa eu a fiz perder, por não ver isso antes.
Como eu pude ser tão egoísta a esse ponto?
Aquele era seu mundo, Violetta era uma estrela nata e isso corria no sangue, não poderia privar ela disso. A música acabou e todos aplaudiram, Vilu agradeceu e a ajudaram a descer do palco. O público ia a loucura com ela.
Sorri tentando conter as lágrimas, Vilu veio de cabeça baixa até mim, Angie a observou quieta.
— Eu sei o que vai dizer, mas por favor… Podemos deixar as broncas pra amanhã?
Suspirei.
— Vilu, que tal deixar seu pai falar? — Angie indagou incerta.
— Você vai me escutar e vai me obedecer dessa vez ok? — Comecei sério, Violetta murchou olhando-me.
— Quero que você nunca mais solte a mão da música, você nasceu pra isso Violetta.
Angie e Violetta olharam-me surpresas com sorrisos emocionados.
— Fala sério, pai? — Perguntou com um sorriso que não cabia em seu rosto.
— Sim, tudo que eu quero é que seja feliz. — Vilu pulou no meu colo, abraçando-me forte. — Eu vou te apoiar meu amor, você estava incrível ali em cima.
Ouvi um soluço vindo de sua parte, e afaguei seus cabelos beijando o topo de sua testa.
— Shh, tranquila meu amor. Era isso que você queria não era? — Vilu assentiu com a cabeça enterrada na minha camisa.
Angie veio para meu lado e afagou cabelo de Vilu, nos entreolhamos com sorrisos bobos. Ela beijou minha bochecha demoradamente.
— Estou muito orgulhosa de você, meu amor.
E em meio aquele mini show, naquele aglomerado de pessoas senti que nada mais faltava. Só me arrependi de não ter feito isso antes, tudo estava se encaixando por fim.
Angeles Saramego.
— Boa noite, meu amor. Dorme bem. — Beijei a testa de Vilu que tinha um sorriso no rosto.
— Te amo Angie, obrigada por esses dias comigo. — Murmurou sonolenta. Meu coração se aqueceu.
— Também te amo, meu anjinho. — Afaguei seu rosto macio. — Vou sempre estar com você.
Me levantei de sua cama saindo de seu quarto e fechando a porta, fui até o quarto de German não o encontrando, desci as escadas vendo que tudo tava no maior silêncio, também não se encontrava na sala, será que tinha saído? Meu celular vibrou na mesa de centro em frente ao sofá, o peguei vendo uma mensagem de German.
“Me encontre no estacionamento.”
Sorri, desliguei o celular o deixando na mesa de centro e após uma arrumada no meu vestido fui até o estacionamento encontrando German encostado em sua BMW preta, ele sorriu ao me olhar e cumprimentou-me com um beijo na bochecha.
— E então, Vilu dormiu? — Questionou.
Balancei a cabeça o analisando minuciosamente, era lindo de todas as formas. Porém usava um paletó cinza que o caia muito bem.
— Sim. Vamos sair, Sr. Castillo?
Ele sorriu mordaz, estreitando os olhos e analisando-me como um predador olha sua presa.
— Tenho uma surpresa pra você, vamos? — German abriu a porta do carro pra mim, gentilmente.
Entrei, a adrenalina de não saber onde íamos me consumia, era algo bom. German não parava de me surpreender. Ele deu a volta, entrando.
— Não vai me dizer pra onde vamos? — Questionei segurando um sorriso. Ele negou com a cabeça.
— Se eu te disser, deixa de ser surpresa. — Tocou na ponta do meu nariz.
German deu partida no carro, aproveitei pra pôr uma música do Spotify de German no som do carro, escolhi as pistas de The Weekend, amava esse cantor demais além de que agora as músicas têm outro sentindo pra mim, se tornaram muito mais excitantes.
Ele dirigiu concentrado na pista enquanto eu observava Doha e como era majestosa, relaxei meu corpo no banco encostando minha cabeça no banco, todo meu corpo borbulhava imaginando diversos tipos de surpresa, e vencida pelo cansaço fechei meus olhos dormindo.
(…)
— Chegamos. — German anunciou animado. Me espreguicei vagarosamente, sorrindo.
— Até que enfim, foi quanto tempo de viagem? — Cocei meus olhos.
— Levamos uma hora e meia pra chegar até aqui, vamos descer?
Concordei.
Saí do carro e me surpreendi ao pisar em folhagem, tava tudo escuro e German logo veio e me deu seu braço pra me segurar.
— Onde estamos? — Questionei e ouvi seu riso exasperado em resposta.
— Tranquila, só me acompanha. — Concordei mesmo sabendo que ele não via devido ao breu que tava.
Fomos andando até que German abriu uma porta, deduzi ser uma casa, ele acendeu luzes iluminando dentro e fora da casa. Quando olhei percebi que estávamos nada mais, nada menos que uma casa de campo, cheio de árvores e folhas espalhadas pelo chão, banquinhos na varanda da casa e um rio imenso. Aquilo foi totalmente inesperado, era lindo. Fiquei pasma com tamanha beleza do lugar.
— Isso é muito lindo. — Balbuciei emocionada. O coração palpitando só faltava sair do peito.
— A surpresa ainda não está aqui. — Disse me conduzindo pra dentro de casa. — Essa casa eu comprei ela esses dias, penso que podemos reformar e morar aqui quando casarmos, quem sabe até ter nossos filhos aqui.
Me virei pra ele com uma alegria que não cabia em mim, então ele também pensava em filhos?
Mordi meu lábio inferior gostando do que ouvia, era uma bonita casa, mas por ser antiga uma reforma a deixaria ainda mais linda. German entrelaçou nossas mãos e me conduziu mostrando-me tudo.
Cada coisa que ele falava sobre aquecia meu coração, eu não me importaria nenhum pouco de passar os próximos anos da minha vida aqui com German Castillo. Subimos uma escadaria e ao final do corredor tinha uma porta de madeira.
— Preparada? — Perguntou.
Ri, assentindo. Ele veio para trás de mim pondo as mãos nos meus olhos, me impossibilitando de ver qualquer coisa.
— Está vendo algo? — Sussurrou no meu ouvido. Neguei com a cabeça, mordendo o lábio inferior.
German abriu a porta e me conduziu para dentro, paramos de andar por um instante, a curiosidade ia me matar. Ao fundo ouvi o início de Love Me Like You Do, no violino. Meu coração saltou, batendo mais forte. German tirou lentamente as mãos de meu rosto, paralisei ao ver onde estávamos. Um enorme terraço, todo cheio de pétalas de rosas vermelhas pelo chão, perto do parapeito tinha uma cama com lençóis brancos e vermelhos com um belíssimo buquê em cima das almofadas, ao lado esquerdo um frigobar provavelmente com bebidas, e ao lado direito uma cesta generosa com frutas de vários tipos. Ao redor da cama tinha velas aromatizadas vermelhas, e em frente a ela um coração gigante formado com as mesmas velas.
Um frio bateu em mim, arrepiando-me. Limpei as lágrimas que insistiam em cair, German foi o melhor presente que a vida me deu.
— Me concede essa dança? — Questionou estendendo a mão.
Assenti, ele me conduziu pra dentro do coração envolvendo minha cintura. Começamos com movimentos leves, não podia evitar de sorrir, aquilo era perfeito demais. Será que eu merecia? Olhava para seus olhos hipnotizada por aquele mar castanho, no refrão German levantou minha cintura rodopiando-me alto. Não existia coisa melhor que estar em seus braços.
Fiquei lembrando o que nós passamos até chegar aqui e não foi pouca coisa, queria passar tudo isso pra Vilu para que ela entendesse que quando se ama, não existem barreiras. A música já ia no último verso quando German me deu uma última rodada e me puxou para si rápido unindo nossos corpos, minhas mãos pararam em seus ombros enquanto eu o olhava ofegante e suas mãos prendiam minha cintura. Sorrimos ofegantes com as testas coladas, mordi meu lábio sentindo uma lágrima teimosa cair no meu rosto e ele fez questão de limpá-la. Tinha sido incrível.
Outras músicas tocaram no fundo baixinho, parecia que só existia a gente no mundo inteiro. Era impossível expressar com palavras tudo o que eu sentia agora.
— Por que você fez isso? — Questionei recuperando minha respiração, ainda presa em seus braços.
— É sua última noite aqui, e eu queria te fazer algo especial. Quando disse que ia te fazer a mulher mais feliz do mundo, não estava brincando. — Nós rimos.
Lhe dei um selinho.
— Além de que, uma vez você disse que daria tudo pra dormir olhando pras estrelas, sei que não era isso que você queria mas temos uma vista linda do céu aqui no terraço. — Murmurou.
Olhei pra o céu, me surpreendendo ao vê-lo todo estrelado, era perfeito demais.
Voltei minha atenção pra ele, encostando nossas testas novamente.
— Era exatamente isso que eu queria meu amor. — Sussurrei compassada. — Obrigada.
— Obrigado você por ter trazido cor pra minha vida novamente, eu te amo demais Angeles. — Sussurrou, contra meus lábios. Sorri o mordiscando.
Essa noite estava sendo muito especial, nunca iria esquecê-la.
— Também te amo. — Afaguei seus cabelos. — Mas essa não é a última vez que vamos nos ver, Sr. Castillo.
Ele riu.
— Pode apostar que não, tudo que eu mais quero é ficar com você pelo resto de nossas vidas.
Sem aguentar mais um segundo, o beijo cheia de paixão.
E ali, sob aquele céu estrelado, na noite do dia 14 de Setembro, firmamos nosso amor. E pude ter a certeza que nada mais nos separaria, nosso amor era muito forte para aguentar qualquer tipo obstáculo. Nós éramos fortes.
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