Notas iniciais
* Aqui Por Você. Hello Guys! Acho que vocês vão amar esse capítulo. Desculpa pela demora!! Muito obrigada por quem está favoritando, acompanhando e comentando a fic. Sério isso me motiva muito ♥ A partir daqui anuncio oficialmente que estamos em reta final! :( Me desculpem pela falha tentativa de uma hot decente :p Boa Leitura ♥

Buenos Aires.

Angeles Saramego.

Olhei em volta pela enésima vez observando atentamente toda a movimentação do aeroporto, nem conseguiria acreditar que estava em solo argentino novamente, depois de ter passado um pouco mais de um mês de férias com minha sobrinha e com German no Qatar, minha mente trabalhava incansavelmente atrás de respostas para saber como eu ia viver aqui sem nenhum dos dois. Sem os abraços de German, sem minha sobrinha com seu sorriso iluminado, nossas conversas de madrugada. Teria de readaptar-me sem os dois, construir uma nova rotina por aqui. Mesmo minha mente tentando me convencer que nós falaríamos por Skype, eu me frustrava ao pensar que não era a mesma coisa ainda mais com a diferença de fusos que ia reduzir nossa comunicação.

Definitivamente nada seria, ainda mais depois que casássemos. Céus, como era delicioso pensar que daqui há menos de dois meses eu seria a mulher de German, mordi meu lábio inferior imaginando nossa vida naquela casa que ele comprou, juntos. Ali, não precisaríamos mais de nada. Estávamos seguros no nosso próprio refúgio do resto perturbador do mundo. Quando entrei em minha casa uma sensação de paz recorreu todo meu corpo, era bom está de volta, embora nada se comparasse a estar junto da minha família, arrumei as malas num canto da parede extremamente cansada depois de quase um dia inteiro de viajem. Tudo que meu corpo pedia agora era o resto do dia de folga na minha cama, sem nenhuma importunação, era um descanso merecido.

Subi as escadas indo direto para meu quarto, literalmente me joguei na cama aninhando-me por entre os lençóis, involuntariamente um sorriso foi se formando nos meus lábios ao recordar de momentos com German, desde conversas, abraços, brincadeiras até os momentos mais quentes que tivemos. Meu ventre retorceu ao lembrar de como meu noivo era maravilhoso.

Tangi esses pensamentos para longe tentando fazer minha mente relaxar por um segundo, quando ia fechar os olhos sinto o celular vibrar no meu bolso, o que seria agora? Revirei os olhos impaciente e o peguei vendo que era uma mensagem de Pablo.

“Não esqueça que temos uma reunião amanhã para o planejamento de aulas.”

Ps: Te adoro.

Ri sozinha com a mensagem de Pablo, respondi um “ok, também te adoro.” e desliguei o telefone exausta. Precisava de hoje para dormir sem inoportunos.

(…)

Por incrível que pareça consegui acordar cedo, depois de dormir bastante ontem, antes que pudesse pensar em qualquer outra coisa meu cérebro fez questão de lembrar-me da bendita reunião que teríamos para planejamento de aulas que começariam próxima semana. Como o tempo voou, me obriguei a levantar da cama seguindo até o banheiro para fazer a higiene matinal, a sensação que tinha era de que um caminhão havia passado por cima de mim umas vinte vezes seguidas. Vesti uma blusa preta de mangas, uma calça skinny escura, pus saltos nude, e optei por uma maquiagem leve, chequei a hora no relógio de pulso, se não me apressasse chegaria atrasada para variar. Decidi ir para o Studio a pé mesmo a fim de espairecer um pouco enquanto caminhava, até porque o trajeto não era longo.

Quando cheguei em frente ao Studio, vi Pablo chegando também parecendo animado, quando me viu abriu seu sorriso rotineiro e veio até mim para cumprimentar-me.

— Angie! Como está minha professora estrela?

Brincou, ambos rimos aproveitando para nos abraçarmos forte.

— Estou ótima.

Pablo me analisou, ruborizei.

— É, dá pra se notar de longe. Você está diferente, aconteceu alguma coisa lá no Qatar?

Suspirei, lembrando de tudo. Cada detalhe impregnado em minha mente como um filme, que possivelmente eu assistiria todos os dias.

— Diferente como? — Questionei intrigada o observando.

— Não sei, parece radiante. Seus olhos brilham, você parece até que viu um passarinho azul.

Corei ainda mais, porque tinha que me conhecer tão bem?

Desviei meu olhar dele.

— É só impressão sua.

Afirmei sem graça.

— Se você diz… Agora confesso que estou curioso para saber como foi lá, German te deixou ver sua sobrinha? — Pablo colocou a mão no meu ombro.

Mordi meu lábio inferior.

— Foram incríveis de verdade, Violetta cresceu tanto que até me assustei, está incrivelmente mais esperta e cada dia mais linda. Isso porque puxou a tia. — Brinquei descontraída, ele riu concentrado em tudo que eu falava. – E o German…

Parei por um segundo me dando conta do que iria contar, será que deveria contar a verdade? Quero dizer que uma hora Pablo vai descobrir, e eu sabia que German não era o santo de sua devoção, no entanto Pablo era meu amigo, não costumava esconder as coisas dele. Ainda mais sendo algo assim, tão importante para mim.

— O que tem o German?

Me fitava curiosamente, esperando que eu continuasse.

— O que tem ele?

Respirei fundo criando coragem para contar a verdade, já tinha mentido tanto que quanto menos pudesse mentir, melhor seria para todos. Além de que, Pablo era meu melhor amigo, e merecia saber. Afinal seria convidado para o casamento, então quando eu contaria? No dia da cerimônia? Patético, Angeles. Minha consciência me repreendeu duramente.

— Angie?

Chamou minha atenção, arregalei os olhos balançando a cabeça espantada.

— Desculpe-me por isso. Eu falava sobre German?

Ele concordou curioso.

— Nós estamos bem agora, e decidimos nos casar.

Sua boca abriu de tamanha surpresa, confesso que até para mim a ficha demorou a cair. Pablo tinha uma expressão indecifrável, isso me preocupava.

— Pablo? — Estalei os dedos em frente ao seu rosto absorto em devaneios.

Pablo piscou, dando um suspiro leve como se tivesse cansado.

— Não estou surpreso, sabia que uma hora isso aconteceria. Mas ele não é o cara certo pra você, Angeles.

Cruzei os braços em torno de mim confusa, como assim?

— Do que você tá falando? Pablo, German tá mudando a cada dia e nós nos amamos. Você é meu melhor amigo, deveria me apoiar!

Expliquei. Ele riu sarcástico, me fitando sério.

— Te apoiar? Tudo que eu faço é te apoiar e você parece que não aprende mesmo não é? Eu espero que você seja feliz, mas se ele te magoar não venha me procurar para me dar razão.

Bufei indignada com o que eu ouvia.

— Desculpe? — Respirei fundo para tentar manter a calma. – Pablo é a minha felicidade, e eu não pedi sua opinião. Além de que…

Ele bufou, rolando os olhos.

— Não quero mais falar sobre isso, não adianta eu te aconselhar. Tenho que resolver umas coisas.

Informou rápido entrando no Studio sem me dar chance de resposta. Fiquei ali boquiaberta com seu modo de falar, e pela sua reação negativa. Droga, eu detestava brigar com ele! Apesar de nossas opiniões divergirem na maioria das vezes, nunca o vi falar tão sério. Por que ele achava que German ia me magoar? Ele não seria capaz disso, ainda mais agora que estamos juntos.

1 Mês Depois.

Um mês havia se passado, um longo mês que se arrastou aumentando ainda mais a saudade que sentia todos os dias de German e Vilu, era algo complicado de se conviver, mesmo nos falando diariamente, ou pelo menos tentando devido a diferença de horários gritante, tentávamos conciliar. Já que a saudade parecia não morrer nunca, pelo contrário, a cada dia que se passava ela só parecia crescer mais do que eu esperava. Quando meu dia encontrava-se numa correria total, eu fechava meus olhos desejando profundamente está no Qatar com eles, ou simplesmente olhava nossas fotos numa tentativa quase sempre falha de senti-los mais perto de mim.

Outra pessoa de quem eu sentia uma saudade enorme era de Pablo, tinha dias que precisava de seu abraço ou só de seu sorriso e ficava só na vontade o observando de longe, já que ele ainda estava chateado comigo por algum motivo que envolvia German. Mais precisamente, nosso casamento. Era meu amigo e queria minha felicidade, porém isso não implicava que se comportasse desse jeito tão infantil. Era melhor não pensar mais nisso, Pablo era adulto o suficiente para vir conversar quando quisesse, eu estaria aqui, sempre. O motivo era que nós dois somos orgulhosos demais, nunca daríamos o braço a torcer, e mesmo sentindo sua falta imensamente, não iria atrás.

Agradeci mentalmente pela correria das aulas de fim de ano que antecipavam o espetáculo, assim não tinha tanto tempo para me lamentar a respeito desses dois assuntos, não podia me dar esse luxo.

Terminei a última aula da manhã sentindo uma sobrecarga sobre meu corpo, com um cansaço descomunal me tomando por inteiro.

Arrumei algumas partituras as guardando no armário rosa suspenso na parede, pensava em tirar a tarde de folga por me sentir um tanto febril. Precisava comprar comprimidos para uma possível virose.

— Angie?

Ouvi uma voz grave me chamar. Me virei fitando Pablo apoiado na porta, suspirei e ele se aproximou de mim.

— O que quer aqui Pablo? — Indaguei calma. – Veio me dizer o quanto estou errada de novo? Se for, estou muito cansada para isso.

Ele negou com a cabeça, parecendo chateado com algo.

— Não Angie. Eu só não quero brigar mais com você, sinto sua falta. — Tomou uma grande quantidade de ar, antes de continuar.

— Eu errei feio ao ter falado tudo aquilo, mas é que eu fico fora de mim só de pensar em qualquer coisa te magoando. É minha melhor amiga, não quero te ver sofrer, nunca.

Fitei seus olhos castanhos o analisando por breves segundos. Havia sido muito sincero com tudo que disse, fiquei em silêncio por algum tempo.

— Me perdoa, Angie?

Que mal faria em perdoar? Ia sair esse peso enorme que sufocava meu coração, não gostava de me sentir assim. Aliás eu também odiava ficar mal com ele, era melhor amigo e eu o adorava.

Sorri de lado segurando em sua mão.

— Como eu não vou te perdoar depois desse pedido de desculpas? — Nos abraçamos entre risos, seus braços me envolviam forte me trazendo segurança. – Senti muita sua falta.

— E eu a sua. – Respondeu no meu ouvido.

Nos separamos com sorrisos emocionados, ultimamente eu estava uma manteiga derretida. Parecia que tudo me emocionava, também não posso reclamar, com o casamento próximo meus nervos ficavam a mil por segundo.

— Que tal você me acompanhar para o Zoom? Vou avaliar a apresentação do trabalho da equipe da Ludmila, você sabe…

Começou, o fitei desconfiada.

— Sei… — Respondi entre risos.

— Ela é difícil, então gostaria que você me ajudasse na avaliação. O que acha?

Fingi pensar por alguns segundos.

— É claro que te ajudo, vamos?

Ele deu um mínimo sorriso concordando, pegou minha mão e fomos de mãos dadas até o Zoom sob os olhares curiosos de alguns alunos. O ajudei a tirar as cadeiras espalhadas do meio e não demorou para que Ludmila, Diego, Naty e Maxi entrassem se posicionando em seus devidos lugares, fui para perto da parede preferindo ter uma visão geral de tudo.

Pablo deu sinal para eles começarem, observávamos bem cada detalhe desde a coreografia até suas expressões faciais e corporais.

Até que estava boa, enquanto eu os olhava senti minha visão começar a turvar seguida de uma tontura média, procurei a cadeira mais próxima para me sentar antes que minhas pernas me traíssem e fossem com tudo para o chão.

A coreografia já ia no fim quando sinto braços finos ao redor do meu pescoço me envolvendo num abraço meio desengonçado, confusa levantei minha cabeça olhando para cima e arregalei os olhos com o coração quase saindo pela boca quando vi quem eu menos esperava.

Minha sobrinha tinha um sorriso enorme estampando todo seu rosto, seus olhinhos castanhos brilhavam tão forte e não era pra menos, a emoção que nos consumia era demais. Levantei lépida a puxando para um forte abraço tentando matar toda a saudade acumulada, parecia um sonho, aspirava seu cheiro floral sem conseguir acreditar que era mesmo Vilu ali, como isso era possível?

— O que você está fazendo aqui, Vilu? Eu senti tanto sua falta princesa, tanto que você nem imagina.

Uma lágrima rolou pelo meu rosto, ouvi seu risinho enquanto ainda a mantinha em meus braços, minha mente suplicava a cada milésimo de segundo para que aquilo não fosse mais uma imaginação da minha cabeça.

— Também senti muita saudade, Angie.

Sorri com lágrimas teimosas molhando meu rosto, a soltei surpresa. Passei a ponta dos meus dedos no rosto para limpar qualquer vestígio de choro, por mais que fosse de alegria hoje não era um dia para se chorar.

— Não sabe o tanto de vezes que eu vim imaginando esse momento.

Seus olhos ainda brilhavam, era visível sua felicidade.

— Mas como? O que você faz aqui? Não me diga que fugiu… — A repreendi confusa.

Era uma surpresa incrível. Vilu negou com a cabeça rapidamente, segurando nas minhas mãos.

— Não, não fugi. — Riu abafado ao responder-me. – Papai entendeu o que eu precisava, então nós vamos morar aqui e eu vou poder voltar ao Studio! Não é incrível?

A fitei surpresa.

— Vilu, é uma notícia maravilhosa meu amor. Mas o que houve? Como mudou de ideia tão rápido?

A bombardeei de perguntas, parecia que minha mente tava dando um nó. Era impossível expressar a felicidade que eu sentia.

— Seu futuro marido entendeu que não se pode ir contra a verdadeira vocação, então agradeça a ele por estarmos aqui.

Vilu apontou para trás de mim, quando virei-me a surpresa não poderia ter sido maior ao vê-lo encostado na parede nos observando com um sorriso lindo. Entreolhei para os dois ainda perplexa, como tinham me escondido essa novidade tão bem?

— Licença Vilu.

Pedi saindo de perto da minha sobrinha, fui até German o envolvendo pelo pescoço num abraço apertado, German contornou minha cintura apertando-me contra si. Ele me rodopiou enquanto eu ria de pura felicidade, era uma sensação que não pensei ter tão cedo depois que saí do Qatar. Suspirei ao sentir nossos rostos tão próximos, e ele concluiu minha linha de pensamento me beijando carinhosamente, aproveitei seus deliciosos lábios por alguns instantes até nos separamos devido ao Studio ser uma instituição de ensino profissional e não ser ético esse tipo de demonstração afetiva em público.

— Achei que não viesse falar comigo. — German se fingiu de ofendido.

Ri afagando seu rosto.

— Me desculpa amor, tive que matar a saudade da minha sobrinha.

Retruquei sem tirar o sorriso do rosto. Ele beijou minha bochecha, procurei por Vilu me soltando de German, e meu coração se encheu de felicidade ao vê-la abraçada com Leon, depois de tudo eles mereciam ser muito felizes.

— Ela está tão feliz… — Comentou observando a filha.

Concordei sem deixar de sorrir.

— Eu também estou, nunca pensei que isso pudesse acontecer.

Ele voltou seu rosto para mim, me roubando um selinho, ruborizei.

— Já que a senhorita não acredita, que tal almoçar comigo e tirar suas próprias conclusões?

Perguntou me fitando, dei uma rápida checada no relógio rosê que se encontrava no meu pulso, como não teria nenhuma aula a mais para hoje, ninguém ia notar minha falta essa tarde.

— Tudo bem, já terminei minhas aulas por hoje. Vou só pegar minha bolsa e vamos ok?

German beijou minha mão, entrelaçando nossos dedos.

— Vou com você.

Doha.

Alguns Dias Antes.

German Castillo.

Andei de um lado para o outro nervoso com a decisão que havia acabado de tomar, afetaria nossas vidas daqui pra frente caso Vilu concordasse. Entretanto quanto a isso eu não tinha um pingo de dúvidas pois tinha certeza que ela amaria a notícia, e isso me dava a paz que eu precisava pra saber que tomei a decisão certa.

A porta do quarto de Violetta encontrava-se entreaberta, vi que ela tocava em seu teclado uma melodia belíssima e cantava, sorri apreciando sua voz por uns instantes. Havia herdado todo o talento e paixão pela música da mãe, não tinha mais nenhum sentido continuar aqui se tudo que Vilu precisava era da música, da sua tia, e de Buenos Aires. Violetta tocou as últimas notas da música, aproveitei para entrar batendo palmas para ela que lançou-me um mínimo sorriso tímido.

— É uma bela música. — Puxei assunto, sentando-me ao seu lado.

— É sim. – Me fitou. – Precisa de alguma coisa, pai?

Respirei fundo tentando conter o nervoso que dominava cada terminação nervosa minha. Chegou a hora de contá-la.

— Tenho que conversar com você. Eu quero que arrume as suas coisas, vamos fazer uma viajem.

Violetta entreabriu a boca surpresa, ela ainda não tinha entendido o que eu queria dizer, mas logo bufou.

— Não acredito! Não acredito que não tenha mudado em nada, eu não vou mudar de país de novo. Estou começando a me acostumar com esse lugar e não quero viajar léguas só para lhe satisfazer, pai. Eu não saio do Qatar.

Comunicou séria. Será que não? Resolvi jogar com ela.

— É uma pena que não queira sair daqui. — Ela negou com a cabeça. – Nem que seja pra ir pra Buenos Aires.

— Mas é claro que não, e minha tia como fica? Você já falou com ela sobre isso? — Questionou, não demoraria muito até ela perceber. A olhei reunindo todo o cinismo que conseguia. – Eu não quero sair daqui nem que…

Violetta parou por um minuto me olhando intrigada.

— O que disse?

— Disse que ia voltar para Buenos Aires, mas se você não quiser ir…

Vilu surpreendeu-se. Aos poucos um sorriso começava a dar forma em seu rosto.

— Buenos Aires? Quer mesmo voltar pra lá? — Continuou perguntando. Como fazia perguntas essa minha filha.

— Não tem sentido continuarmos aqui Vilu, além do mais nossa vida está la. — Afirmei sério.

— Está falando sério? — Concordei. – Está se sentindo bem?

Vilu pôs a mão na minha testa, checando se eu tinha alguma febre.

— Está normal. Papai, se essa for uma brincadeira…

Antes que ela terminasse, a interrompi.

— Falo sério, Vilu. Ramallo acabou de comprar as passagens. — Ela me fitou com os olhos mareados. – Eu sei que você sente muita falta da Angie, do seu… Do seu amigo Leon.

Vilu riu pulando no meu colo.

— Ai meu Deus, então isso é um sim?

— É sim meu amor. — A envolvi num abraço entre risos.

— Obrigada papai, te amo, te amo, te amo. — Vilu repetia me abraçando fortemente. Quanta força pra uma adolescente.

— Também te amo muito minha princesinha.

Beijei o topo de sua testa, a felicidade de Vilu e Angie eram minhas prioridades.

— Mas olha aqui dona Violetta, nada de você abrir o bico pra sua tia. É uma surpresa, entendeu?

Vilu balançou a cabeça positivamente segurando a risada, a apertei num abraço novamente. Agora sim, a felicidade ia ser completa.

Dias Atuais.

Ramallo nos buscou no aeroporto, Vilu estava tão animada que não quis nem ir em casa comer algo. Ele nos deixou em frente ao Studio, finalmente eu ia encarar a realidade como ela realmente era, minha filha foi a primeira a descer e eu desci depois, respirei fundo olhando aquele lugar colorido repleto de pessoas cantando e dançando. Vilu me lançou um sorriso me fazendo sorrir de volta, entramos e Vilu perguntou a uma moça que parecia ter sua mesma idade onde estava Angie.

— Ela está no Zoom junto com o Pablo. — A menina respondeu simpática.

De imediato eu fiquei com ciúmes ao me lembrar que além de serem amigos, eles já foram namorados. Seguimos até o Zoom onde alguns alunos dançavam muito bem, Pablo os observava dando as coordenadas.

Eu conhecia a loira que dançava, era Ludmila. Corri os olhos por todo ambiente até ver Angie sentada de costas para mim numa cadeira colorida, também observando os alunos dançar. Violetta foi até ela a abraçando por trás, Angie rapidamente levantou a abraçando forte, eu sorri vendo a cena enternecido. Eu estava feliz, mas sentia um pouco de culpa por não ter feito isso antes.

Depois de um tempo Angie veio até mim me abraçando forte, envolvi sua fina cintura a rodopiando no ar fazendo ela rir. A coloquei no chão e nos beijamos apaixonadamente por alguns segundos, como eu havia sentido sua falta, eu não ia conseguir passar muito tempo sem seus beijos, seu toque, seu sorriso lindo e seus olhos verdes tão intensos.

— Achei que você não ia vir falar comigo. — Brinquei enciumado.

Angie riu abafado acarinhando meu rosto.

— Me desculpa amor, tive que matar a saudade da minha sobrinha.

Beijei sua bochecha, ainda sem acreditar que eu estava de novo ao seu lado. Olhamos para o lado ao ouvirmos a voz da Vilu, e a vimos com Leon e seus amigos. Se eu pudesse voltar no tempo, com certeza faria tudo diferente.

Usei essa deixa para convidar minha noiva para um almoço e ela logo aceitou, tínhamos muito o que conversar. Céus como eu estava com saudades dela, era algo que mal cabia em mim de tamanha que era, fomos até a sala dos professores e Angie pegou sua bolsa não demorando nada, entrelacei nossos dedos a conduzindo para fora do Studio, pensei em falar com Violetta antes porém resolvi não importuná-la ao ver ela entretida com seus amigos.

Assim que nos afastamos do Studio, puxei Angie para mim a beijando cheio de paixão por ela, minha noiva retribuía a altura movendo seus lábios em sincronia com os meus pondo seus braços finos envolta da minha nuca. Quase era notório ouvir suspiros lânguidos que Angie soltava, me fazendo desejá-la ainda mais, se é que era possível.

— Te amo. — Murmurei entre seus lábios.

— Te amo mais, muito mais. — Angie depositou um selinho rápido nos meus lábios, e corou.

Era linda demais.

Seguimos de mãos dadas até um restaurante de comidas italianas que tinha ali perto, conversando sobre assuntos aleatórios, era ótimo ter sua companhia novamente. O restaurante estava lotado, dava para escutar os tritinar dos talheres em contato com os pratos, Angie escolheu uma mesa perto da janela que tinha vista para a praça principal.

O garçom não demorou a vir anotar nossos pedidos.

— Então, o que vão querer?

Me irritei ao perceber que fitava Angeles descaradamente. Óbvio que Angie nem notou, mas eu sim.

— Vou querer Nhoque ao molho branco, e você amor? — Perguntou fitando o cardápio distraída.

— O mesmo da minha mulher. — Enfatizei o fuzilando com o olhar.

Angie ficou confusa.

— E o melhor vinho que tiverem.

Ele nos fitou sem graça, e se retirou rápido apôs anotar nossos pedidos. Angie abriu um sorriso lindo e segurou na minha mão.

— E então… Quer me contar como isso aconteceu?

— A intenção era te fazer uma surpresa, funcionou? — Brinquei, nós dois sorrimos.

— Muito bem, eu nunca desconfiaria de nada. — Respondeu divertida, nos aproximamos e demos um selinho demorado.

— Agora a versão real.

Tomei ar, antes de começar a falar.

— Vilu precisava de você, precisava está aqui e eu não podia barrar pra sempre o sonho dela. Não quero ser um péssimo pai que não sabe do que a filha precisa, essa ideia me assusta um pouco, por um tempo foi essa a sensação que tive com Violetta.

Revelei com sinceridade.

Angie mantinha os olhos verdes fixos em mim num olhar carinhoso prestando atenção a tudo que eu dizia, ainda afagando minha mão.

— Você não é um péssimo pai meu amor, nunca mais repita isso ok? Você só foi um pouquinho teimoso, mas acho que foi um grande passo ter tomado essa decisão e eu estou muito orgulhosa.

Sorri por vê-la tão feliz, eu realmente tinha tomado a decisão certa.

E olhar para Angie ou para Vilu era minha confirmação, elas me enchiam com a paz que meu espírito precisava, a partir de agora tentaria errar com as duas o menos possível.

(…)

Entrei no quarto vendo Angie distraída mexendo em seu telefone, me aproximei dela lentamente a sondando, parecia entretida em um jogo qualquer por ter me esperado, tirei seu telefone da sua mão o colocando na escrivaninha sob os olhares curiosos de Angie. Segurei sua cintura fina a beijando com volúpia, faminto pela sua boca gostosa, saboreando cada mínima parte sua da qual eu tanto senti falta.

Colei meu corpo no seu a fazendo me sentir por completo, o quanto eu a queria, minha mão contornou toda a extensão de seu corpo que parecia ter feito a mão e peguei seu braço o prendendo pelo pulso acima de sua cabeça, ela gemeu baixo arrepiando-se toda.

Mordi seu lábio com força possessivo, separei nossas bocas a vendo ofegar forte. Desci a boca por todo seu pescoço o segurando firme, e chupando aquela área esbranquiçada. Ali eu era todo dela, entregue de bandeja para Angeles, não queria esperar mais para tê-la novamente, peguei em suas pernas dando-a impulso para que subisse no meu colo.

Ela gemeu sôfrega no meu ouvido ao contornar meu quadril com suas pernas torneadas, a levei para a minha cama segurando-a só com uma mão.

Sentei-me ali com ela em meu colo, Angie riu afagando meu rosto em devoção.

— Não acredito que isso é real. Que você está aqui comigo.

Sussurrou fitando-me como se quisesse ter certeza de que eu realmente estava ali com ela.

— Pode acreditar meu anjo, não vou sair do seu lado nunca mais.

Angeles sorriu boba, a puxei mais para mim unindo nossos lábios voraz novamente ardendo com o desejo que nos consumia como brasa.

Era como se fogos de artifícios corressem por todo meu corpo ao beijá-la.

Angie era tão viciante quanto um narcótico poderoso, precisava dela mais que tudo, dos seus beijos, dos seus toques, do seu amor, e me culpei por não ter tomado essa decisão antes, por só ter jogado desculpas para não ver o que estava bem a minha frente.

Violetta Castillo.

Me parecia que a ficha não tinha caído ainda que me encontrava em Buenos Aires novamente, depois de tantos meses, era surreal. Respirei uma grande quantidade de ar argentino, que saudade eu senti disso, do clima, do barulho dos carros, das pessoas apressadas, definitivamente tudo. Foi a cidade que marcou as épocas mais importantes da minha vida como meu primeiro beijo, primeiro amor, conhecer minha tia, contato com a música.

Era um lugar muito importante e cheio de recordações por cada rua.

Me preparava mentalmente para rever Angie e Leon, as duas pessoas de quem eu mais senti falta, logo que chegamos ao Studio fiquei uns segundos parada em frente tentando assimilar a realidade, depois de tudo o que aconteceu, todas as brigas, as mentiras, agora sim eu sentia que o esforço do ano passado não havia sido em vão. Cada segundo até aqui está valendo muito a pena, entrei no Studio a procura de Angie e a encontrei no Zoom vendo uma coreografia de Ludmila e sua equipe ao som de “Juntos Somos Más”, pude notar que Ludmila se desconcertou quando me viu, porém é justificável sua reação, até umas semanas atrás eu não esperaria pôr meus pés em Buenos Aires tão cedo.

Abracei Angie pelo seu pescoço um pouco torta até, quando ela levantou a cabeça que me viu ficou surpresa me puxando para um abraço, senti muita falta dela durante esse tempo no Qatar. Depois de termos matado uma parte da saudade, minha tia resolveu ir até meu pai e ambos se beijaram. Eram lindos, sorri observando-os enternecida. Olhei para o lado de relance vendo que Leon saia da aula de dança, mordi meu lábio inferior sentindo uma sensação diferente, Leon me deixava assim.

Praticamente corri até ele o abraçando forte, retribuiu meu abraço surpreso, também não posso julgar ele.

— Vilu? Meu amor o que faz aqui? — Indagou sem me soltar.

Aproximei nossos rostos.

— Estou de volta Leon! Voltei para ficar! — Expliquei animada, pulando em seus braços.

Ele riu atônito, antes que eu falasse algo a mais me beijou apaixonadamente.

— Violetta! — Fran, Cami e Maxi me cumprimentaram em uníssono.

Separei-me de Leon com um sorriso amistoso e os abracei, sendo retribuída num abraço grupal. Quanta falta eu senti dos meus melhores amigos, não era a mesma coisa sem eles.

— Pessoal! Nem acredito ainda!

Afirmei sendo abraçada pelos ombros por Leon.

— Nem eu, quando chegou? — Fran indagou animadamente.

— Agora, precisei dar uma passada aqui antes de fazer qualquer coisa.

— E vai estudar aqui?

Pulei entusiasmada.

— Sim, vou voltar a estudar aqui. Sem mentiras dessa vez! — Nós rimos.

— Violetta! — Ludmila empurrou Camila para se aproximar com seu jeito irritante. – Não creio que voltou para o Studio só pra mostrar sua falta de talento…

Maxi a cutucou numa repreensão.

— Ah, sorry Vilu. Eu sei que verdades doem mas quando eu estiver nos palcos vou precisar de uma assistente, me liga. — Apertou minha bochecha entregando-me um cartão. – Ludmila já vai.

Todos ficamos perplexos com o jeito arrogante dela, no fundo aquilo tudo era só pose, Ludmila era uma pessoa legal quando queria. Não pude evitar e comecei a rir desesperadamente.

— Tá tudo bem amor? — Leon segurava-se para não rir.

Assim como Fran, Cami e Maxi que me fitavam sem entender nada.

— Ih, enlouqueceu. Acho que foi a mudança de clima, não é Violetta?

Cami chamou minha atenção, respirei fundo algumas vezes para conseguir falar.

— É inacreditável como ela não mudou nada, até disso eu senti falta, sério. — Expliquei para eles ainda segurando-me pra não cair em outra crise de risos.

— É por isso que dizem, as aparências estranham.

Fran deu ombros.

— É enganam. — Leon a corrigiu.

— Quem que engana? — Perguntou confusa. Meu namorado revirou os olhos.

— Esquece!

De relance pude ver papai e Angie saindo, sorri querendo sair dali com Leon também.

— Meu amor, que tal um passeio agora? — Sugeriu.

Cami sorriu maliciosa.

— É perfeito. — Trocamos um selinho.

— Ótimo, nós temos aula com Beto agora. Vamos ter que deixar vocês, até amanhã Vilu. — Cami foi a primeira a se despedir me abraçando.

— Não sabia que ainda tínhamos aula. — Fran retrucou e Cami a cutucou discretamente. – Ah sim, eu esqueci. Uma aula sobre Mozart, divirtam-se os dois.

Fran sorriu entendendo o que Cami quis dizer, ambas saíram e Maxi as acompanhou se despedindo de mim com um rápido abraço. Ao menos agora, eu e Leon poderíamos ter mais privacidade.

— Pronta para seu passeio?

Sussurrou no meu ouvido me arrepiando toda. Mordi o lábio inferior, sorrindo.

— Estou.

(…)

Sem que eu percebesse Leon me levou em sua moto até Mar Del Plata, mas precisamente a praia que tinha um pouco mais fastada da movimentação da cidade, fiquei maravilhada com aquela paisagem cheia de detalhes que aparentava ter sido desenhada a mão. Por que não conheci esse lugar antes? Suspirei ao obter resposta dentro de mim, nunca tive liberdade para sair demais no ano passado e tinha que agradecer pelas idas no Studio com ajuda da minha tia.

— Gostou?

Leon me fitou com seu sorriso de lado, me deixando com as pernas bambas. Fixei meus olhos nele com doçura.

— Amei, é incrível. – Sorrimos.

Desci da moto com sua ajuda, sem delongas retirei os coturnos e as meias ficando descalça. Aspirei o delicioso cheiro de maresia que o vento trazia consigo bagunçando meu cabelo, sentindo a areia entre meus pés. Leon entrelaçou nossas mãos, estava quase deserta a praia o que a deixava ainda melhor, nos afastamos um pouco para perto de algumas dunas, ele sentou-se e eu me sentei entre suas pernas, seus braços me cercaram de uma forma protetor.

E mais uma vez pude entender que ali era o meu lugar, nos seus braços era como se nada pudesse me atingir.

Repousei minha cabeça no seu ombro tranquila, tínhamos paz agora, depois de tudo o que passamos para ficar juntos.

— No que pensa meu amor? — Ele me trouxe a realidade.

Ri abafado, observando o mar. Era um segundo paraíso, o mar, o canto dos pássaros, o barulho agradável das ondas se chocando.

— Penso que estou feliz por ter voltado. Agora não existe distância entre nós.

Leon afagou minha testa, depositando um beijo ali.

— Nunca vai existir distância entre nós. Você é minha, e isso vai ser para sempre.

Fechei meus olhos mexida com o que ele havia dito.

Eu era dele, isso era um fato que era impossível de mudar. Assim seria até o último dia de nossas vidas, meu coração pediu. O beijei calmamente selando aquela promessa, deixando que o mar intercedesse pelo nosso amor.

(…)

Era por volta das cinco quando Leon me trouxe em casa, resolvemos vir andando depois de dar uma passada na sua casa para que eu pudesse cumprimentar sua mãe Helena, e porque queríamos aproveitar ao máximo cada segundo ao lado um do outro.

— Tem certeza que não quer ficar para o jantar?

Indaguei mais uma vez, fazendo minha melhor cara de gatinho que caiu do caminhão de mudança, ao chegarmos na porta da cozinha. Ele riu afagando meu rosto com delicadeza.

— Eu adoraria, mas hoje é aniversário da minha prima então teremos que ir. — Murchei ao ouvir que não o veria até amanhã. – Outro dia eu fico, prometo pra você.

— Já que não tem outro jeito né. — Dei ombros rendida. – Obrigada por ter me levado a praia, eu amei.

— Que bom, agora que está aqui vou te levar para conhecer outros lugares. — Concordei animada. Leon segurou nos meus braços puxando-me para um beijo rápido.

— Até mais, meu amor.

— Até.

Suspirei quando me soltou, meu corpo já sentia falta do seu. Acenei para ele o vendo se afastar, sorri boba entrando na cozinha vendo Angie e Olga conversando animadas, ambas com uma cara desconfiada.

— Oi gente. — Coloquei a bolsa na bancada as fitando curiosa.

— Oi meu amor, não estávamos te espiando. — Olga disse com uma cara nervosa e Angie a olhou séria, repreendendo-a por ter dito isso.

— Estavam me espiando? Angie! — Fingi está brava.

Ela riu sem graça vindo até mim e me abraçando forte.

— Desculpa minha princesa, a ideia foi do seu pai que viu os dois chegando e pediu para que olhássemos.

É claro. Minha mente ironizou. Algumas coisas realmente não iam mudar.

— Fico muito feliz em ver vocês dois assim. — Angie disse com um sorrisinho de lado cheio de segundas intenções.

Ruborizei.

— É, estamos bem tia. — A fitei imitando seu mesmo sorriso malicioso.

— Igual a você e meu pai que saíram de fininho lá do Studio. Eu vi dona Angie!

Ela corou sem jeito.

— Fomos almoçar Vilu, que mente suja essa sua. — Bagunçou meu cabelo, soltando-me.

Ri de seu jeito, essa desculpa de almoço não me convencia em nada. Logo balancei a cabeça não querendo me dar vencimento do que eles faziam, não era nada da minha conta esse assunto.

— Vai dormir aqui hoje? — A olhei com a carinha mais fofa que consegui, precisava dela para conversarmos. – Por favor.

— Tá bem, vou ficar aqui com você. — Beijou minha testa, sorrimos cúmplices.

— Senti sua falta.

Minha tia disse com um sorriso ameno.

— E eu igual.

A abracei de novo aconchegada nela, era incrível como a vida se encarregou de me dar uma mãe fantástica, ter conhecido minha tia foi um dos melhores presentes que a vida pôde me oferecer, agora sim minha felicidade estava mais do que completa.

Isso foi tudo que eu sonhei desde que saí daqui, e agora se tornou realidade.

Notas finais
Até a próxima!