Notas iniciais
*Deixando Você Ir. Hey Guys!! Bom esse é um repost da minha antiga fanfic " Soy Mi Mejor Momento" Fiquei com tanta saudade de escrever que já voltei com uma história kk. Então se vocês gostarem deixem reviews e blá blá blá. Música: Lost Whitout You - Freya Ridings. Boa Leitura.

6 meses antes.

Buenos Aires.

Angeles Saramego.

— Você tem que me escutar German, não pode fazer isso agora! — Vociferei entredentes, eu não sabia mais o que fazer pra que German me escutasse e não fosse com Violetta para o outro lado do mundo. Ele simplesmente não podia.

German não me escutava de mudo algum, continuou andando enquanto olhava uma papelada, o segui respirando profundamente tentando manter o pingo de calma que me restou. Sinceramente, esses últimos dias têm sido muito esgotantes. Eu ia perder tudo, ia perder Violetta e German por não ter contado quem era desde o começo. Ele estava magoado, e eu estava vendo tudo que pensei em conseguir, escapar por entre os dedos como poeira.

— Não pode levá-la para o outro lado do mundo e achar que vai ficar tudo bem, a vida dela está aqui em Buenos Aires, esse é o maior erro que você vai cometer com sua filha! — Continuei um pouco mais calma.

Me doía bastante perdê-los desse modo, e o pior é que nenhum dos três estão felizes com as decisões tomadas. German parou por alguns segundos e virou-se pra mim abruptamente, dei um passo para trás pelo susto, foi então que entendi que tinha tocado em sua ferida aberta. A vida da minha sobrinha, que esse ano foi uma grande mentira. Entretanto German não podia culpá-la, na verdade não poderíamos procurar culpados quando os três mentiram e ocultaram coisas que não poderiam ter sido ocultadas. E nesse momento, eu me odiava por isso.

Sentia que tinha uma parcela de culpa, e por isso ele estava a levando embora. A levando de mim, que sempre me prometi que ia cuidá-la.

— Inferno Angeles, me deixa em paz! — Aumentou o tom de voz com expressões duras. Sua respiração descompassada era um mau sinal.

Seu maxilar travou tornando sua expressão quase que indecifrável, porém eu o conhecia bem demais e sabia o quanto era difícil pra ele também se afastar.

Ou talvez eu nem o conhecesse mais. Ambas hipóteses me amedrontavam.

— Escuta bem o que eu vou te dizer, não quero você falando o que é melhor pra minha filha! Você é apenas a tia dela, e absolutamente nada do que você falar vai mudar minha decisão. A decisão já foi tomada. — Assegurou em tom baixo.

Estremeci ao ver o quanto sua voz está possuída pela raiva, nesse momento ele todo está tomado por esse sentimento tão cruel. Era quase palpável a tensão que nos cercava. Nesse exato momento eu não poderia fazer mais nada pra impedir, tampouco comprar passagem pra hoje. Era impossível.

Assenti mordendo meu lábio inferior, tentando segurar ao máximo as lágrimas que queriam cair porque eu não poderia chorar na frente dele. Meu coração parecia está partindo em milhões de pedaços, e jurei que se ficasse quieta poderia ouvi-los com clareza. Só conseguia pensar na Vilu, como ia passar tanto tempo longe dela? German vai tirá-la de mim e eu não vou poder acompanhá-la, ver seu crescimento… Mais nada.

— Sabe de uma coisa? Eu tentei, tentei de todas as formas te ajudar e te dei todas as possíveis soluções pra você não tirar Vilu de mim, mas é impossível ajudar quem está cego pela raiva. — Tomei um pouco de ar e continuei lépida.

— Então pode ir pra onde você quiser e aproveita leva sua covardia junto, é só isso que você sabe fazer. Você foge!

Deixei escapar tudo o que sentia, e o que não podia. Droga Angeles! Me recriminei perplexa, bochechas coradas e respiração ofegante que não ia se acalmar tão cedo. German me observava magoado, pude ver decepção em seus olhos. E me arrependi no mesmo segundo por ser a causadora daquele olhar, porque só tinha o visto uma vez sendo direcionado a mim, quando ele descobriu que eu sou a tia da Vilu há poucos dias.

Olhei pro lado, tentando me acalmar, meu corpo parecia está petrificado no chão daquela sala. Acima de tudo eu o amava, o amava demais para passar a mão na sua cabeça por está levando Violetta pro Qatar. Isso eu não podia permitir.

— É sua decisão final? — Questionei baixo, sentindo um tremendo nó na garganta. Acabou, eu havia perdido. Tanto esforço e tantas mentiras pra nada.

German me olhou seriamente não esboçando nenhuma reação e eu suspirei pesado já sabendo o que aquilo significava.

— É sim. — Respondeu num murmúrio. — Agora se me der licença, tenho uma papelada para tratar antes de viajar.

German saiu da sala indo para o escritório, fiquei ali na sala estática com uma combinação de sentimentos insuportáveis. Por que me afastar dele assim era tão difícil? Um soluço saiu da minha garganta e mordi meu lábio inferior forçando o choro a voltar, não podia me dar por vencida tão rápido, por mais que a situação não tivesse mais nenhuma saída.

Juntei todo o ar que consegui e mesmo que estivesse forçando pra não chorar, infelizmente não conseguir controlar as lágrimas que vieram à tona invadindo meu rosto de forma bruta.

Como deixamos as coisas chegarem nesse ponto? Como? Enxuguei as lágrimas e peguei minha bolsa no aparador, deixei minhas chaves da casa na mesinha de centro e saí dali o mais rápido possível.

Assim que fui para o lado de fora, fechei meus olhos com força querendo esquecer de tudo o que falamos ali, na verdade tudo o que eu falei, German era completamente teimoso. Todo meu corpo se arrepiou ao sentir o vento gélido que Buenos Aires trazia consigo, infelizmente não era momento de lamentar as decisões erradas que tomamos ao início do ano. O vento bagunçava meu cabelo todo, pedi baixinho pra que ele levasse consigo tudo que me assolava agora.

Dor, raiva, mágoa e a angústia eram minhas fieis companheiras nesse momento.

Fitei a mansão Castillo uma última vez, recordando brevemente dos bons momentos que vivi aí, no quanto sempre vou ter boas lembranças. Com minha sobrinha, com German. Neguei com a cabeça, com o peito cheio de mágoa, e segui meu caminho até o Studio.

Não importava o quão magoada eu estava agora, tinha que fingir que nada aconteceu e ir dar aulas. Até porque amanhã seria o espetáculo de fim de ano que Vilu não protagonizaria, e isso era mais uma coisa que German tirava dela.

German Castillo.

Antes que Angeles saísse, vim me esconder no escritório pela discussão feia que tivemos há pouco. Eu sabia que era errado, e sabia que ela tinha razão em tudo que falava, ir assim de uma hora pra outra ainda mais pra um país tão longe como o Qatar, era fugir de todos os problemas que tínhamos por medo de enfrentá-los. Entretanto eu precisava sair daqui com Violetta, desse mar de mentiras que estávamos envolvidos, e tentar esquecer Angeles de uma vez por todas, a mulher que eu amei cada segundo até agora.

Por não conseguir mais lidar com o que eu sentia pela mulher que descobri recentemente ser minha cunhada. E por todas as outras mentiras mais que nos envolviam, se para ela era melhor que eu ficasse como vilão da sua história, tudo bem, eu só não poderia magoá-la de novo.

A amava demais para magoá-la, porque eu sabia se tentasse qualquer coisa íamos só nos magoar, mais do que já estamos fazendo. Odiava brigar com as pessoas, e com ela principalmente, mas tive que fazê-lo para que ela parasse de se intrometer a cada dez segundos nas minhas decisões. O que eu faria com a situação de Violetta não dizia a respeito a ela, só a mim.

Bufei irritado com esse clima tenso pairando sobre meu escritório, era como se tivesse uma nuvem negra acompanhando-me, minha vontade era de ligar e chamá-la aqui de volta para pedir desculpas. Mas não podia me dar por vencido e voltar atrás.

Não com ela e não agora.

Me senti péssimo só de lembrar do seu olhar marejado indicando que ia chorar a qualquer momento, por um segundo pensei em desistir e dar o braço a torcer. Mas ia ser melhor para todos dessa forma, só esperava que as duas entendessem daqui há um tempo.

No fundo sabia que tudo ia ficar bem, podia sentir isso. Recomeçar era sempre bom, e muito libertador. A porta do escritório abriu revelando Ramallo com uma cara não muito boa, revirei os olhos sabendo que ele viria com seus milhares de sermões.

— O que você ouviu? — Perguntei o fitando seriamente.

— O suficiente para ver que a Srta. Angeles saiu chorando daqui. – Ele sentou-se a minha frente e suspirou arrumando seus óculos.

Aquilo tinha sido como um tiro pra mim, já que Angie raramente chorava. Me dói ver como ela está sofrendo com isso. Tamborilei os dedos na mesa, estressado.

— German, ainda dá tempo de cancelar a viajem, você não que ir, eu sinto! Você pode ficar aqui e ser muito feliz com a Angie, com sua filha… Você vai perder muita coisa com elas se resolver ir.

Ramallo suspirou, e continuou claramente aflito com nossa situação complicada.

— Não sei se Angie vai te perdoar depois disso, ela te perdoou por anos de ocultações sobre ela, sobre Maria, por levar a sobrinha dela de país em país e você não pode ser capaz de perdoar uma única mentira? No fundo vocês dois mentiram pela mesma razão, por medo de magoar a Violetta.

As palavras dele soaram como uma faca que me rasgaram por dentro intensamente, eu sabia que ele tinha razão. Angie iria me odiar ainda mais e Vilu com certeza não ia falar comigo por um bom tempo. Eu estava fazendo isso para o bem de Violetta, ela iria me agradecer quando estivesse maior.

— Escuta Ramallo, não pedi sua opinião. Você trabalha para mim e portanto vai fazer o que eu mandar sem discutir a cada decisão minha. — Respondi rispidamente e o vi arregalar os olhos e torcer o nariz em seguida.

Ramallo saiu do escritório em silêncio, me deixando sozinho com os meus pensamentos absortos.

Geral.

O início da manhã já começara nublado, o sol estava meio escondido por trás das nuvens de Buenos Aires que trazia consigo um vento gélido. Angeles sentia-se devastada, não conseguira dormir um só segundo durante a noite por imaginar essa despedida, não queria se despedir. Não conseguiria se despedir de sua sobrinha. Nunca viu as horas passarem tão rápidas de ontem pra hoje, talvez o tempo não estivesse tanto ao seu favor.

Se questionava como iam ser seus dias daqui em diante, German certamente tirara toda sua alegria e força para viver. Encontrou sua mãe praça principal, e foram juntas, em silêncio. Angélica estava determinada a ir atrás de sua neta por onde fosse, e lhe partia o coração que tudo estivesse sucedendo dessa maneira, e ainda mais que sua filha não pudesse fazer o mesmo. Ambas desfizeram-se do abraço ao chegarem na mansão Castillo, onde viram Olga pondo as coisas dentro do carro e Ramallo a ajudando. Então era isso mesmo? A ficha ainda não tinha caído pra ninguém que estava ali.

Angeles foi até Olga segurando-se pra não chorar, ambas se abraçaram fortemente. Se adoravam e obviamente iam sentir saudades.

— Olguinha. — Angeles murmurou chorosa.

Uma pequena parte sua desmoronava junto, nunca tinha gostado muito de despedidas. Por esse mesmo motivo era como se uma caminhão tivesse passado por cima de si. Aquela despedida ela não poderia aceitar.

— Minha menina, vou sentir tanto sua falta! — Olga praticamente gritou apertando a mulher loira em seus braços, a sufocando num abraço de urso. A mais nova sorria triste aproveitando o acalento.

Por incrível que pareça, Angeles sabia que ia sentir muita falta disso também.

— Eu também vou sentir muita falta sua, Olguinha. Não sabe o quanto. — Angeles conseguiu sussurrar com a voz embargada, após se soltarem.

Se entreolharam com sorrisos melancólicos.

— Srta. Angeles, eu prometo que vou te mandar notícias sempre que puder. – Exclamou Ramallo com um sorriso, estendendo os braços para Angie que logo retribuiu o gesto o abraçando.

— Obrigada Ramallo. – Falou desfazendo-se do abraço.

Assim que Angie pôs os olhos verdes na saída da garagem, viu German com uma expressão sisuda em sua direção. No fundo encontrava-se tão mal quanto Angeles, entretanto sentia que essa era sua única saída pra afastar Violetta de tudo que a fazia mal, mesmo que isso significasse a afastar de sua própria tia, a quem tinha como mãe.

Ela não pôde deixar de fitá-lo por um segundo sequer, estava lindíssimo aos seus olhos, e isso não passou desapercebido por German e pelos outros que os observavam esperando um final feliz. Ele trajava uma blusa social azul escura que tinha suas mangas dobradas até a metade do cotovelo, também usava uma calça preta um pouco justa mostrando tudo que ele tinha de atributos.

German pigarreou um pouco incomodado e Angie saiu do transe ruborizando, por ter sido pega no flagra. Desviou o olhar com medo que ele percebesse o tanto de coisas intensas que se passava em sua mente. Teve a certeza que ia ficar perdida sem ele por perto, queria o abraçar e não deixá-lo ir, mesmo que fosse magoada de novo.

— Cadê a Vilu? — Perguntou nervosa.

Tentou mudar o curso que as coisas tinham tomado.

German fixou seus olhos na bela loira a sua frente, estava linda demais, usava uma blusa estampada, uma calça vinho justa ao seu corpo e uma jaqueta jeans. Simples porém linda aos olhos de German.

Angeles pigarreou com uma tosse falsa incomodada e envergonhada com o olhar de seu cunhado sobre ela. Tudo que German queria fazer era beijá-la, queria ela pra si e se pudesse com certeza a levaria junto com ele, só que infelizmente seu orgulho era forte demais pra isso.

— Hmm, me desculpe. O que… O que você disse? — A questionou desnorteado.

— Cadê minha sobrinha German? — Ela refez a pergunta um tanto rude.

Ele suspirou atordoado, as palavras de Angeles nunca soaram tão duras. Ademas ele sabia que merecia aquilo, merecia todas as palavras duras vindo dela por essa decisão imbecil de afastá-la da sua sobrinha. Antes que German tivesse tempo de contestar, Violetta apareceu na calçada com um semblante murcho, não tinha mais nem forças pra tentar rebater com seu pai os motivos de agir desse jeito. Assim que bateu os olhos em Angie, a menina correu e lhe deu o abraço mais apertado que podia fazendo com que os olhos de Angeles mareassem, porém a mesma segurou para tentar ser forte pela sua sobrinha.

Que necessitava de forças nesse momento duro onde a vida lhe dava uma rasteira severa, algum tipo de lições os três teriam que tirar. Porque isso não poderia está acontecendo atoa, sabiam que cometeram muitos erros ao longo do ano e que agora pagavam as consequências.

— Não queria ficar longe de você, agora que eu te encontrei sinto que vou te perder de novo. — Violetta murmurou contra o ombro da tia, com uma voz chorosa.

A apertava contra si, desejando que aquilo não acontecesse nunca. Que não passasse de um terrível pesadelo, o pensamento de constatar que não era, a fez chorar mais soluçando contra Angie.

Angie percebeu seu coração se quebrar ainda mais, como se alguém o pisoteasse. A sensação apesar de conhecida, era sempre péssima. Afagou os cabelos castanhos de Violetta a apertando contra si, contra sua vontade uma lágrima solitária rolou por seu rosto e ela logo tratou de limpar com a palma da mão. Precisava ser forte por Violetta.

— Você nunca vai me perder, está bem?! Vamos nos falar sempre e eu prometo que vou visitar você no Qatar minha princesinha. – A mais velha falou com a voz igualmente embargada, enquanto beijava repetidas vezes o topo da testa da sobrinha.

— Se cuida meu amor. – Angie pediu enquanto ambas se soltavam com muito custo, a menina assentiu sorrindo tristemente.

— Eu te amo, tia. – Violetta balbuciou segurando as pequenas mãos finas de Angeles, que sorriu fraco sentindo uma lágrima teimosa descer e logo tratou de limpá-la com seu polegar.

— Eu te amo mais. Muito mais. – A loira sussurrou de volta, fazendo Vilu assentir emocionada.

Ia perder aqui a única pessoa que a entendia, que lhe aconselhava, que a amava com amor de mãe. E sentiu-se nauseada com o pensamento duro. Não podia perder Angie, embora soubesse que sempre iam manter contato não ia ser a mesma coisa. Depois de hoje nada seria.

Nunca tinha se importado de fazer os gostos de seu pai, até ganhar uma vida em Buenos Aires, amigos, uma mãe, um amor, e a música que deu cor a sua vida novamente. Agora isso simplesmente não importava mais, acabou.

Angeles percebeu que German fitava as duas, minuciosamente.

German sentia que estava tirando uma mãe de sua filha.

Entretanto, ambos não fizeram nada.

Violetta foi se despedir de Angélica. Logo Francesca, Maxi, Camila, Leon e Tomás chegaram para se despedirem da amiga.

(…)

Olga e Ramallo já estavam esperando dentro do carro, todos os amigos de Violetta tinham ido embora pois teriam aula. Na rua só tinha sobrado Angeles que abraçava Violetta a balançando como se ela fosse uma criança de quatro anos, Angélica que parecia pensativa diante da situação e German que olhava para as duas pessoas mais importantes da sua vida se despedindo.

Angie encheu a sobrinha de beijos pela última vez, e ambas se soltaram depois de um último e longo abraço. Violetta acenou com a cabeça e entrou no carro, sobrando apenas os três adultos com pensamentos distantes na calçada.

— Eu sei que você é um homem bom, e sei também que você vai lutar pela felicidade de Violetta. – Angélica se pronunciou deixando um German surpreso.

Ambos se abraçaram rapidamente para tentar esquecer por um instante sequer, os ressentimentos. A senhora de curtos cabelos castanhos claros, se separou dele e em seguida olhou para a filha que observava a cena calada toda encolhida, saiu e deu espaço para que Angeles pudesse se despedir de German.

Ambos ficaram se olhando por um tempo, que pareciam ser horas eternas. Os olhares sustentados por ambos e o coração batendo num mesmo ritmo descompassado. Angie sentia que seu coração ia sair do peito a qualquer momento, perdia o único homem que amou de verdade. Ao olhá-lo sentiu um pouco de esperança que ele desistisse dessa ideia nada sensata, entretanto nada aconteceu.

Mal acreditavam que aquilo era real, que iriam se separar da forma mais dolorida que tinha, deixando uma história inacabada para trás. A vontade que ambos tinham era densa, seus corpos e corações se queriam mais que tudo, porém as mentes orgulhosas não deixavam eles concluírem o que tinham vontade de fazer.

Um beijo.

Necessitavam desse contato tanto quanto respirar, precisam ser um do outro. Angeles sem aguentar correu para German o abraçando fortemente, o mesmo ao perceber o que estava acontecendo retribuiu um tanto surpreso aquele singelo abraço envolvendo os braços fortes envolta do pequeno corpo da mulher que abraçava.

A mulher da sua vida.

Ela encostou a testa na dele, aproveitando cada milésimo de segundo, seria o último. Angélica olhava de longe para a cena, um tanto perplexa ao perceber que a filha ainda mantinha sentimentos pelo cunhado.

Fortes sentimentos, por sinal.

Tudo que queria era que ela fosse feliz, mesmo que pra isso tivesse que ficar com o marido de sua falecida irmã. Porque ninguém manda no coração. Quem dera se German entendesse também, assim tudo isso poderia ter sido evitado.

Angie por um breve momento permitiu que as lágrimas viessem a tona molhando um pouco a camisa polo de German. Tinham tanto, tanto a falar.

Ambos se separam, não por vontade própria e isso doía em fazer mas, sabiam que aquilo era necessário.

Ficaram a uma distância considerável e se fitaram novamente conectando os olhares profundamente, Angie passou a palma da mão em seu rosto limpando os resquícios de algumas lágrimas que ainda insistiam em ficar ali.

— Não queria que você fosse. — Murmurou abalada contra os lábios quentes e macios de German.

Lágrimas rolaram em seu rosto misturando-se justo em seus lábios, German parecia inabalável por fora, por dentro queria dizer que não iria mais. Ele segurou firme sua cintura, a aproximando de si. Ficaram ali, com testas encostadas, lábios a milímetros de distância, sentindo o calor um do outro por alguns segundos em silêncio total.

— Eu sei que você está fazendo o melhor por ela. Mas quero que faça por você também… Quero que seja feliz German. – Angie conseguiu quebrar o silêncio avassalador que os rodeava.

Nunca algo tinha a abalado tanto, só de pensar que todo esse sofrimento poderia está sendo poupado. Era como uma faca rasgando seu peito, a angustiando ainda mais.

— Você pode ir vê-la quando quiser, a casa é sua também. – German falou baixo, mas alto o suficiente para que apenas a mulher na sua frente o ouvisse.

Ela concordou tentando sorrir.

— Se cuida tá… — O moreno murmurou ainda sem tirar os olhos castanhos dela, e em seguida se inclinou para frente depositando um beijo rápido na sua testa.

Angeles fechou os olhos devastada, acabou. Agora sim, havia acabado de vez. Qualquer esperança que tinha dele desistir, havia sido cortada de vez. Separou-se de Angeles permitindo-se a olhar a mulher loira por uma última vez. Sabia que ali, junto com sua partida seria o fim de qualquer esperança de poder existir algo entre os dois, ela nunca o perdoaria.

— Então… É isso. – Angeles sussurrou com a voz embargada sentindo mais algumas lágrimas permearem sua pele alva.

German concordou quieto e saiu de sua vista entrando no carro, que não demorou muito a dar partida. Angie observou pelo vidro Vilu lhe dando tchau com sua mãozinha e repetiu o gesto mesmo sabendo que ela não poderia ver, sentiu mais lágrimas cercarem o seu rosto. Nada mudaria a imensa dor que sentia nesse momento. Não poderia nem pensar em German agora, sentira uma mágoa tremenda pelo homem que levou sua sobrinha e não sabia se um dia o perdoaria por isso.

Angélica percebendo o estado da filha, chegou mais perto e a abraçou de lado sentindo o silêncio pairar entre elas novamente. Ali Angie se permitiu soltar tudo o que lhe angustiava, lágrimas e mais lágrimas acompanhadas de soluços baixos que a abalavam. German foi covarde demais pra não lutar por nada, nem pela felicidade da filha e nem por eles. Não moveu um dedo sequer por ela, e ainda por cima a fez assistir sua partida. Talvez um soco tivesse doído menos do que a realidade dura.

Angeles sabia que tinha de encontrar algum modo de melhorar, seus problemas não poderiam se envolver no seu trabalho, além de que o espetáculo do Studio era essa noite.

Ela não queria, mas o destino estava a forçando a seguir em frente.

Ela tinha que seguir em frente.

Notas finais
Gostaram? Odiaram? Deixem seus reviews! Até o próximo.