The Story Never Ends.

23 It Was Meant To Be Forever.


Notas iniciais
* Era Para Ser Pra Sempre. Hello Guys! Eu não estou muito feliz de postar esse capítulo não, ele para mim foi um dos mais tensos de escrever, o foco dele vai ser mais German e Angie. Obrigada pelos reviews ♥ Música: Respirar - TINI. Boa Leitura!

Angeles Saramego.

Me sentei na cama agitada, fitei o despertador no criado que indicava que não eram nem sete da manhã ainda com os primeiros feixes de luz invadiam fracamente meu quarto, cocei os olhos sonolenta. Estava esgotada, tanto física quanto mentalmente, não consegui dormir nem meia hora sequer essa noite rodopiando na cama com a mente cheia de pensamentos sobre o assunto de ontem, a sensação que eu tinha era de que fui pisoteada toda a noite. Confesso que além de surpresa a ideia de que pudesse está esperando um bebê de German me incomodava um pouco, talvez fosse porque não me sentisse pronta para ser mãe agora.

Entretanto eu sabia que tudo isso eram os resultados dos meus esforços com aulas puxadas e sem a alimentação necessária para aguentar o “baque” deveria ter adquirido uma anemia, era um caso clínico, nada mais que isso, não tinha nada a ver com gravidez.

Fiquei quietinha na cama ouvindo minha própria respiração pesada, repassava mentalmente passo a passo de tudo que faria hoje, inclusive faria um exame geral para quitar qualquer dúvida e dar por encerrado esse assunto.

Levantei da cama preguiçosamente e rumei ao banheiro ansiando por um banho quente, talvez assim minha mente me desse um pouco de descanso, ao terminar com minha higiene matinal segui até o roupeiro e optei por uma blusa de mangas azul bebê de botões na frente, uma skinny cintura alta, um coturno preto e fiz uma maquiagem leve.

Arrumei meus cabelos deixando-o cair em cachos pelos ombros, borrifei um perfume delicioso que ganhei de German na minha última semana em Dubai, peguei a bolsa e saí de casa num lampejo sem comer nada.

(…)

Dra. Elis lançou-me um sorriso amigável numa tentativa falha de me tranquilizar enquanto fitava seu computador concentrada escrevendo algo que eu não sabia o que era, tínhamos terminado de fazer todos os exames necessários e eu esperava suas considerações finais.

— Então Angeles…

Começou, a fitei com os nervos a flor da pele.

— Pode me chamar de Angie, doutora.

Ela sorriu assentindo.

— Tudo bem, Angie. Não posso te entregar os resultados agora, acabei de mandá-los para o laboratório e eles irão analisar o que você tem. — Explicou apoiando o queixo nas mãos.

Suspirei, não sabia se era de alívio ou não. Dra. Elis riu abafado, entendendo o que eu sentia. Acho que era assim com todos os pacientes.

— Olha, eu vou lhe adiantar que você precisa se alimentar melhor. Estou achando seus níveis baixos. — Reprendeu-me, corei.

Realmente esse ano tinha andado muito desatenta a alimentação deixando-a desregulada, com tudo que tinha acontecido nesse ano com Violetta, as viagens , o casamento, as aulas finais eu não conseguia sequer pensar em comer.

— Vou me alimentar melhor. — Prometi.

Dra. Elis me fitou desconfiada.

— É bom que sim. — Nós duas rimos.

— Bem Angie, eu tenho outra consulta agora. Mas quero que deixe aqui seu endereço, quando os resultados saírem peço para minha assistente ir deixá-los para você.

Concordei com a cabeça, anotando num pedaço de papel em branco o endereço do Studio. Não poderia deixar esses exames chegarem nas mãos de meu noivo assim, o que quer que eu tivesse, deveria ser eu a contá-lo.

— Obrigada Dra. Elis, foi um prazer.

Me levantei apertando sua mão com um sorriso amistoso.

— O prazer é todo meu, querida. Se cuide, está bem?

Assenti saindo de seu consultório, fui caminhando até o Studio tranquila já que Pablo me substituiria hoje. Minha mente trabalhava a mil por hora para convencer-se de que tudo daria certo, ao passar pela praça vi alguns pais com seus filhos indo deixá-los na escola e observei tudo afastada. No final das contas não poderia ser tão ruim, não é? Estaria rodeada de pessoas que eu amo me ajudando com tudo.

Respirei pesado, queria tanto que minha irmã estivesse aqui pra me ajudar com esse assunto. Balancei a cabeça espantando todos esses pensamentos, acho que isso já tinha me afetado o suficiente, não ia me preocupar até que realmente tivesse um motivo para isso.

Continuei minha trajetória até o Studio que não demorou muito, ao chegar encontrei minha sobrinha encostada na porta revisando suas partituras.

— Bom dia, princesa!

A cumprimentei com um sorriso largo. Eu poderia ter qualquer coisa, mas nunca demonstraria para não afetar Violetta pelos meus problemas.

— Tia! — Vilu me abraçou animada.

Ri e retribui seu abraço depositando um beijo na sua testa.

— Como dormiu? — Perguntei quando nos soltamos.

— Bem. A casa fica estranha sem você, por que não ficou lá ontem?

Seus olhinhos brilharam de curiosidade esperando a resposta. O que eu diria? Melhor inventar qualquer desculpa para não preocupá-la.

— Minha casa estava uma bagunça, então fui arrumá-la.

Dei ombros. Vilu me fitou desconfiada com um sorrisinho.

— Que eu saiba, sua casa é lá com a gente.

Mordi o lábio inferior tentando segurar o riso, como minha sobrinha era terrível.

— Então, o que você acha de sairmos amanhã para comemorar o aniversário de uma certa princesa?

Desdenhei com um sorriso malicioso. Vilu ruborizou sorrindo grande.

— Você lembrou!

Afaguei seus cabelos.

— É claro que sim, como poderia esquecer que é o aniversário da sobrinha mais linda do universo? — Brinquei arrancando risos de sua parte.

— Nem acredito que vou fazer 18 anos, vai ser o melhor aniversário de todos! — Afirmou animada.

A observei com um amor que não cabia em mim, o tempo passou voando. Um dia desses Vilu era só um pacotinho que Maria mal me deixava pegá-la por medo que eu a soltasse e agora está enorme, uma mulher belíssima, forte e muito independente.

Violetta teria um futuro brilhante, onde quer que Maria estiver tenho certeza que estaria orgulhosa da filha que têm.

— Vamos comemorar bastante, ouviu mocinha?

A abracei novamente. Antes que Vilu me respondesse, Antônio apareceu na nossa frente com um pequeno sorriso.

— Bom dia, meninas. — Nos cumprimentou.

— Bom dia, Antônio.

Respondemos em uníssono.

— Angie que bom que te encontrei, preciso falar com você agora na minha sala. — Sua expressão antes leve, agora havia ficado séria.

Fiquei confusa, entretanto não contestei. Será que tinha algo a ver com a conversa de ontem?

— Ok, já estou indo.

— Perfeito. — Dito isso, Antônio entrou no Studio.

Me virei para Violetta.

— Preciso ir ver o que aconteceu. — Informei e ela assentiu. – Me encontre mais tarde pra irmos embora juntas.

Me despedi dela e saí rápida em direção a sala de Antônio, me perguntando se tinha algo errado?

Bati duas vezes na porta grande azul, quando escutei ele confirmando que poderia entrar, abri a porta lentamente.

— Com licença Antônio, gostaria de falar comigo? Aconteceu alguma coisa?

Bombardeei as perguntas a ele, que riu fazendo um gesto com a mão pra que me acalmasse e sentasse na cadeira a sua frente.

— Sim querida, te chamei aqui porque um amigo de longas datas me ligou. — Começou, confesso que estava perdida com o rumo da conversa.

Ele continuou.

— Trabalha numa academia de música renomada e como conheço muitas pessoas pelas viagens que fiz, me pediu a indicação de uma compositora. Alguém que compunha músicas maravilhosas.

Ri abafado entendendo onde ele queria chegar.

— Já sei, indicou a Vilu. — Comecei calma. – Bem, tem que falar com ela mas tenho certeza que ela vai amar a ideia de que….

— Não indiquei sua sobrinha. — Fez uma pausa por alguns segundos.

— Indiquei você.

Arregalei os olhos de tamanha surpresa, sem deixar de sorrir.

— Eu?

Questionei ainda sem poder acreditar, seria uma oportunidade de emprego incrível.

— Sim, você. Tem tudo o que eles precisam, é uma professora ótima, canta, é formada em música pela melhor universidade do país e ainda compositora de mão cheia. Não vai me decepcionar.

Abri e fechei a boca várias vezes sem saber o que falar.

— Quero que analise tudo com calma, isso vai exigir uma mudança caso aceite. Considere tudo e veja o que acha melhor, ele vai ligar pra você a qualquer momento.

Ainda estava em choque, como assim uma mudança? Deveria ser pra algum país da América Latina, German e Vilu poderão me visitar sempre que quiserem. Teria de organizar muita coisa e conciliar ao máximo, mas não poderia recusar essa proposta.

— Obrigada Antônio, não sei nem como agradecer por isso…

Nos levantamos.

— Pode me agradecer com um abraço que já fico satisfeito. — O abracei forte.

— Sei que você vai fazer o melhor, só fique atenta ao telefone.

Pediu, assenti o soltando e pondo o celular com volume. Vi na tela de bloqueio mensagens de German me dando bom dia, sorri com o coração aquecido.

— Agora, se me der licença, tenho que ir ver com o Pablo algumas tabelas. — Confirmei com a cabeça. – Não se esqueça de ficar atenta!

Avisou ao sair da sala. Me sentei na cadeira boquiaberta por essa nova oportunidade. Sei que daqui há alguns dias casarei com um milionário, e German poderia me dar o que quisesse e o suficiente para não trabalhar nunca, mas não estou com ele pelo dinheiro. Além do mais, eu amava trabalhar. Principalmente esse ano que o trabalho foi minha válvula de escape para não pensar em tudo que me afligia.

Meu dia não poderia ter começado melhor.

Matias LaFontaine.

Finalmente o plano estava prestes a ser executado, minha irmã teria o German que ela tanto queria e eu teria os milhões dele, que era o que mais me interessavam no momento para pagar a enorme dívida que Jade criou com a Esmeralda e é claro poder comer todas as comidas deliciosas do mundo.

— O que você tem totó? — Perguntei vendo que minha irmã estava calada observando o “nada”.

Ela suspirou.

— Ah Mate, eu tô com saudades do German… e pra completar você não termina a Tutti nunca. — Jade deu ombros fazendo um biquinho.

Ela podia ser o que fosse, mas era a minha irmã e eu ia ajudá-la pois odiava vê-la triste.

— Você está enganada irmãzinha… — Jade me olhou confusa, e eu suspirei.

— Faltam apenas cinco segundos para a Tutti ser completada e fazer o que ela foi criada para fazer.

Sorri malicioso lhe lançando uma piscadela. Jade arregalou os olhos sorrindo, sorri junto e a abracei forte enquanto comemorávamos pulando.

— Ah meu Deus Mate!

— Pode comemorar Jade, você vai ter seu milionário de volta irmãzinha! — Afirmei animado.

Ouvimos um barulho irritantemente agudo, olhei para o computador onde ele informava que a Tutti já estava 100% carregada.

— Jade, a Tutti está pronta. Você tem certeza de que quer que eu continue?

Perguntei a olhando sério.

— Eu nunca tive tanta certeza na minha vida, irmãozinho. — Afirmou semicerrando os olhos verdes.

Fui até o computador e num clique consegui fazer Tutti roubar todo o dinheiro das contas do German incluindo as contas do exterior, e o transferi rapidamente para a conta da Angie aqui na Argentina.

— Está feito, agora todo resto fica por conta deles. Em breve você vai ocupar o tão esperado lugar da Angie…

Desdenhei sem deixar de fitá-la.

Jade sorriu grande aparentemente gostando da ideia. Finalmente eu ia vingá-la por tudo que aquele pateta a fez.

German Castillo.

Eu estava trancafiado no meu escritório analisando uma papelada de um novo projeto que minha empresa ia executar em território europeu, quando ouvi algumas batidas na minha porta.

— Pode entrar! — Murmurei ainda analisando os papéis.

A porta se abriu vagarosamente revelando Ramallo com uma cara assustada, o olhei confuso.

— O que houve dessa vez? — Ramallo segurava seu telefone parecendo surpreso com algo, revirei os olhos. – Já sei, Olga esqueceu de passar seu paletó…

Ramallo negou com a cabeça.

— German, você não vai acreditar o que houve… — Começou me olhando sério. O olhei incentivando-o a continuar.

— Eu fui fazer a transferência dos 500 mil para os americanos que aprovaram nosso projeto, só que a sua conta deu saldo negativo. Eu achei que fosse problema apenas com essa conta, mas quando fui checar as outras, vi que elas também estão com saldo negativo.

Arregalei os olhos. Por alguns segundos, eu fiquei sem saber o que fazer.

— Eu fui roubado?

Questionei baixo sem acreditar. Ramallo assentiu.

— Infelizmente sim, meu amigo. Mas não se preocupe que eu acabei de informar a delegada e ela já vai cuidar de todo o caso, me disse também que quando tiver novidades ela mesmo vai vir com reforços avisar, estão trabalhando para recuperar seu dinheiro logo.

Me explicou e eu assenti. Parecia que a ficha ainda não tinha caído, infelizmente eu só poderia esperar.

(…)

A campainha tocava incessantemente, saí do escritório junto com Ramallo e fui até a porta a atendendo.

— German Castillo? — Uma mulher de cabelos castanhos perguntou.

— Sim sou eu, entre por favor. — Dei espaço para ela entrar.

— Eu sou Marcela Parodi, a delegada que está cuidando do seu caso. Me desculpe vim aqui sem avisar, mas eu tenho novas informações sobre o sumiço do seu dinheiro. — Afirmou me olhando séria.

— Bom, pode falar delegada. — Comecei um pouco nervoso.

— Nossa companhia policial conseguiu rastrear todo o seu dinheiro através de um código de um computador normal, e descobrimos que o dinheiro caiu todo na conta de uma mulher chamada Angeles Saramego… Você a conhece?

No mesmo momento eu parei de ouvi-la assim que ela pronunciou o nome da Angie, eu e Ramallo nos entreolhamos confusos.

— Me desculpe, você disse Angeles Saramego?

Perguntei ainda confuso. Que história era aquela?

— Sim, Angeles Carrara Saramego. Você a conhece?

Por um minuto meu mundo desabou em cima de mim, minha mente ainda parecia processar tudo o que acontecia, eu queria me convencer que Angie seria incapaz de fazer tal barbaridade. Mas minha mente estava à mil, eu não conseguia pronunciar uma palavra.

— Me desculpe delegada, isso só pode ser um engano… a Srta. Angeles é a noiva do German e nunca faria algo do tipo. — Ramallo começou.

— Então temos um problema, porque infelizmente isso não é um engano. — Parodi murmurou séria.

Foi aí que minha ficha caiu. Angie, minha própria noiva tinha me roubado, eu não podia acreditar que ela havia mentido para mim dessa forma cruel.

Como ela pôde?

Geral.

Era por volta de quase três da tarde quando Angeles por fim termina de dar sua última aula do dia, massageia as têmporas com dor de cabeça, só queria descansar um pouco e ficar com German pelo resto do dia aproveitando seus carinhos e a tranquilidade que ele a proporcionava. Se dirigiu a sala dos professores pensando em pedir um delivery rápido de qualquer coisa já que não tinha se alimentado devido durante o dia, antes que pudesse pensar no que pediria ouviu dentro da sua bolsa o som de seu telefone, o pegou rapidamente vendo que era desconhecido.

— Srta. Angeles?

Uma voz masculina com sotaque francês a chamou, deduziu ser o rapaz de quem Antônio tinha mencionado mais cedo.

— Sim, só Angie por favor. — Pediu calma.

Ouviu-se uma pausa por alguns minutos.

— Perfeito querida. — Angie teve vontade de rir, não sabia porque sentiu-se confortável com aquele homem.

— Sou Henry. Trabalho na renomada Academie Royale De Musique, e conversei com meu queridíssimo Antônio onde ele falou muito bem de você, e eu confio plenamente nas indicações do meu amigo.

Henry explicou com escândalo. Angie não sabia nem o que dizer, sentia-se nervosa.

— Obrigada.

Agradeceu tímida. Ele continuou.

— Então, você preenche todos os nossos requisitos para ser uma compositora de sucesso aqui. Terá um futuro brilhante, além do pagamento que é excelente. Gostaríamos muito de ter você na nossa equipe, o que acha?

Angeles assentiu analisando toda a situação. Era uma proposta incrível.

— Acho uma proposta incrível, estou bem animada para trabalhar com vocês.

Angie respondeu com um sorriso que mal cabia em seu rosto.

— Perfeito! Irei está mandando duas passagens pra França com mudança imediata, você começará logo. — Falou também entusiasmado. – Ah, não precisa se preocupar com nada. Vamos custear todas as suas despesas básicas, até apartamento, carro e o que mais você quiser.

O sorriso de Angie foi morrendo aos poucos quando ouviu que teria de se mudar para a França, era a léguas de Buenos Aires. Não poderia ir agora, uma decisão tão importante assim não ia ser tomada na impulsividade, tinha muitas coisas pra considerar. German, Violetta, seu casamento que aconteceria em menos de um mês. Suspirou chateada. Era óbvio que queria muito ir, mas não pra tão longe, embora esse fosse ser um passo incrível pra alavancar sua carreira como compositora.

— Angie?

Henry a trouxe pra realidade.

— Desculpa, eu… — Ela engoliu em seco. Como recusaria? – Posso pensar?

Ouviu Henry pigarrear do outro lado da linha.

— Desculpa querida, uma proposta assim não tem o que pensar. Será muita ingenuidade se passar isso pela sua cabeça.

Angie silenciou-se. Então, parece que o destino já tinha decidido por si. Não ia se mudar repentinamente. Ela suspirou novamente, inconformada.

— Henry…

Começou incerta, talvez estivesse perdendo a melhor oportunidade de sua vida.

— Tudo bem, eu gostei de você. Terá dois dias pra pensar, nada mais que isso.

Dois dias não era ruim, precisava de uma semana para arrumar tudo, mas em dois dias poderia ser organizar melhor com Vilu e German.

— Muito obrigada, sério.

Ambos riram.

— Me ligue qualquer coisa querida, foi um prazer. Bisous Mon Amour.

Angie riu sentindo-se confortável com ele, desligou seu telefone o guardando no bolso. Era uma proposta e tanto, ficou tentada a aceitar. Sentou-se na cadeira relaxando seu corpo por uns segundos, pensava em como conversaria com German sobre isso e com sua sobrinha, mesmo os querendo muito por perto não seria egoísta ao ponto de tirar Violetta de Buenos Aires, com a vida já feita. Isso não.

Ouviu alguns passos no corredor, imaginou que fosse Pablo então nem se deu o trabalho de levantar, estava demasiada cansada pra levantar-se e cumprimentá-lo com um abraço como sempre fazia.

— Com licença, estou procurando Angeles Saramego.

Angie olhou para a porta, vendo uma moça toda trajada de branco segurando um envelope amarelo em mãos. Sorriu fraco sendo obrigada a levantar-se.

— Sou eu.

A moça veio até ela com um sorriso amigável.

— Me chamo Clara, sou assistente e enfermeira da Dra. Elis. — Explicou, Angie assentiu atenta. – Vim entregar o resultado de seus exames.

Informou simpaticamente entregando o envelope nas mãos de Angie.

— Muito obrigada.

Agradeceu ainda com um sorriso.

— Que isso, Dra. Elis que agradece. Pediu pra você ir pessoalmente conversar com ela, ainda esses dias.

Angie confirmou com a cabeça. Clara sorriu e saiu da sala deixando-a sozinha com aquele envelope que decidiria seu futuro, em mãos. Sabia que toda sua relutância era por medo do que estava escrito.

— É só uma anemia. — Tentou se convencer. – Estou anêmica porque não me alimento direito, é só isso.

Murmurou pra si.

— Vamos Angeles, não seja covarde. Você consegue. — Repetiu pra si, inúmeras vezes.

Era melhor abrir de uma vez por todas, a curiosidade a engolfava por todos os poros, com as mãos trêmulas o abriu, puxou para fora do envelope as três folhas cheias de informações. Passou seus olhos curiosos, lendo baixinho e rápido tudo que estava escrito na primeira folha sobre seus níveis, como hemoglobina, quantidade de hemácias, glicose, diabetes e outros procurando algo que denunciasse uma anemia ou algo do gênero. Não entendeu nada do que estava escrito.

Desceu seus olhos para o final da folha onde tinha escrito, Beta HCG – Positivo. Fechou os olhos por uns minutos e os abriu olhando fixamente o positivo escrito em maiúsculo, sua mente dava um nó deixando-a perdida, olhava o positivo fazendo um eco tentando assimilar o que aquilo significava.

Não era burra, já tinha visto uma de suas colegas passarem por isso na faculdade. Sabia o que tinha, só não tinha digerido ainda.

A única coisa que conseguia pensar era que estava grávida, ia ter um filho de German. Sua mente processava a informação tentando se lembrar de algum momento que não tomou a pílula, era tudo muito novo. Não podia ter acontecido isso, ia conversar com German e sorriu breve ao imaginar a reação que ele teria, certamente ficaria feliz com um bebê para mimar. Seu estômago revirou num enjoo, ficou ali estática perdida em seus próprios pensamentos imaginando as possíveis reações de seu noivo.

— Angie?

Violetta apareceu na sala, segurando a mochila nas costas com um sorriso. Ao ver como a tia estava, se preocupou de imediato, nunca tinha a visto tão desligada do mundo. Angie a fitou desconcertada.

— Ah, oi meu amor. Precisa de alguma coisa? — Questionou forçando um sorriso e guardando logo os papéis dentro do envelope.

Os olhos de Violetta acompanhavam cada movimento enquanto se indagava o que será que tinha ali. Mesmo ávida por aquela informação, decidiu ficar quieta, já que seria muita invasão de privacidade.

— Vim te chamar pra gente ir pra casa. — Violetta a fitou desconfiada. Será que tinha acontecido alguma coisa.

— Angie, tá tudo bem?

Mordeu o lábio inferior analisando a sobrinha, optou por não contar sobre a gravidez pra Violetta agora. Queria fazer uma surpresa pra sobrinha, junto com German. Esperava que gostasse da notícia de um irmão, já que por tantos anos fora filha única.

— Está sim. — Mentiu com um sorriso.

Violetta estranhou seu comportamento.

— Então, vamos lá pra casa? Quero te contar umas coisas.

Vilu fez uma carinha manhosa, queria muito aproveitar a tia. Nesses últimos dias quase não tinham tido tempo juntas. Angie respirou fundo com um sorriso singelo, não conseguia negar nada a Vilu.

— Vamos, sim.

Pegou sua bolsa no aparador e guardou o envelope na mesma. Abraçou Violetta que retribuiu, e beijou sua bochecha. Não sabia por quanto tempo tudo ficaria tão calmo assim. Ambas saíram juntas e abraçadas da sala dos professores, e caminhando foram em direção a mansão aproveitando para pôr assuntos em dias.

(…)

— Não sei tia, estou preocupada só com a roupa do espetáculo. Quero que tudo saia perfeito sabe?

Vilu comentou abraçada com a tia, que sorriu concordando com a cabeça.

— Eu sei Vilu, não se preocupe que vamos fazer de tudo para que a roupa esteja pronta até o dia do espetáculo ok?

Questionou a tranquilizando, Violetta sorriu mais calma.

— Obrigada por está me salvando de novo. — Ambas sorriram cúmplices.

Angie afagou as costas de Violetta com carinho, havia conhecido o amor incondicional desde que viu Violetta pela primeira vez e nem fazia ideia de que sentia isso, hoje se deu conta de que carregava um filho do amor da sua vida, e se questionou se a sensação seria exatamente essa ou ainda mais forte.

— Não quero que se preocupe com nada além de cuidar da voz.

Brincou enquanto Vilu abria a porta da mansão, ambas entraram juntas e só então notaram o quanto o clima estava pesado. German tinha os braços cruzados com uma expressão nada boa, parado no meio da sala com o olhar baixo fazendo Angie e a filha se preocuparem com feições confusas sem entender o que havia acontecido.

Ao seu lado tinha uma mulher com cabelos castanhos e muito bonita ao ver de Angie, ela reconhecia aquela mulher de algum lugar, toda trajada de preto segurando uma arma em sua cintura.

— Papai o que está havendo por aqui? — Violetta tentou quebrar o clima pesado que tinha se formado.

— Violetta quero que suba pro seu quarto agora, preciso resolver um assunto com sua tia.

Respondeu seco, a adolescente se assustou com o tom de voz do pai, e abriu a boca para tentar contestar.

— Me obedeça só dessa vez, Violetta.

German pediu baixo a interrompendo, sentia um nó se formar em sua garganta ao pensar no que estava prestes a acontecer. Violetta assentiu confusa, lançou um último olhar para a tia e subiu rumando para seu quarto. Angie entreolhava os dois perdida, o que será que precisariam resolver agora?

— German aconteceu algo?

Angeles perguntou sem entender nado do que acontecia ali, mas pelo tom de voz que usou decidiu que esse não seria o melhor momento para contar que estava grávida. Ela deu um passo a frente e Marcela foi em direção dela a impedindo brusca.

— Nem um passo a frente ou eu atiro!

Anunciou segurando a arma, Angie se assustou recuando alguns passos.

— Angeles Saramego, você está detida até segunda ordem por tentativa de roubo as contas bancárias do Sr. Castillo. — Sua voz rude enunciou deixando Angie apavorada.

— Delegada Marcela, por favor mãos acima da cabeça. Vou te revistar.

Angie abria e fechava a boca diante de uma afirmação tão sem fundamento, pôs as mãos acima da cabeça sentindo Marcela tatear todo seu corpo atrás de alguma coisa suspeita. Fitou German que até então fitava o chão calado, até pensativo, queria uma explicação de porque está sendo acusada de algo que seria incapaz de cometer.

Nunca tinha feito mal sequer a uma barata quanto mais a German, o homem que amava mais do que a si mesma.

— Está limpa! — Disse olhando para German.

— Desculpa, com certeza eu não fiz isso.

Tentou se defender sem muitas alternativas. Marcela riu sarcástica.

— Todos dizem isso. Você vai pra delegacia comigo.

Ela retirou as algemas, mas foi interrompida por German que finalmente se pronunciou.

— Não acha que isso é demais? Nós conversamos…

Gesticulou nervoso, era uma situação muito complicada de manter a calma, ainda mais se tratando do amor de sua vida prestes a ser levada a polícia bem a sua frente.

— Você acredita nisso? — Angie sentiu os olhos marearem, espantada. German era a última pessoa de quem ela poderia esperar aquilo. – German, você acredita que eu roubei o seu dinheiro?

Repetiu perturbada. Não era possível que aquilo estivesse acontecendo, nunca foi tão humilhada em sua vida.

— Marcela, por favor. — Ignorou completamente o que Angie disse, tentando manter a postura inabalável.

— Pode me esperar no escritório? Vou tentar entrar num acordo com ela.

Esclareceu sério. Angie sentia-se fraca, como se a qualquer momento fosse desmaiar ali mesmo. Marcela analisou Angeles com desprezo, afirmou voltando seu olhar para German e saiu dali indo em direção ao escritório deixando apenas os dois, incomodados por estarem perto.

Parecia que German não a reconhecia mais, a mulher que até ontem esteve em seus braços, hoje já a olhava com indiferença, aquele olhar que a quebrava por dentro em inúmeros pedaços cortantes.

— Posso saber o motivo de você me acusar de ter roubado seu dinheiro?

Sua voz antes doce, embargou num murmúrio. German evitou olhá-la para não correr e abraçá-la ali mesmo.

— Hoje pela manhã fui informado de não ter saldo em minhas contas bancárias, contatei policiais para cuidar do caso e rastrear todo o dinheiro que curiosamente estava na sua conta. Eu não acredito o quanto me enganei com você, Angeles.

German por fim sustentou os olhares, Angie encostou-se na parede tentando digerir tudo o que ele havia dito, colocou as mãos no rosto aflita, com uma imensa dor em seu peito. Queria chorar, porém não se permitiu ser tão fraca a esse ponto.

— Eu nunca faria isso com você, nunca estive ao seu lado por dinheiro e sim por amor. — Sussurrou, sua mente dava um nó enorme.

Ele riu irônico.

— Amor? Você acha que me roubar é por amor? — Aumentou o tom de voz rude.

— Eu não quero escutar mais nenhuma mentira que venha de você, eu sim te amei, e você me enganou! Me usou friamente para fazer isso e ainda achou que eu não descobriria.

Angeles ficou inerte ao escutar tudo aquilo, o que tinha acontecido ali? Algo tinha se partido entre ambos e não voltaria mais a ser a mesma coisa. Sabia que apesar de ser um equívoco estaria tudo acabado entre eles, acabou talvez para sempre, não havia mais nada que pudesse ser feito.

— Eu não quero te ver nunca mais entendeu? Você vai sumir também da vida de Violetta, não quero que ela tenha nenhum tipo de contato com alguém que vai prejudicá-la.

Despejou frio com repulsa, Angie não conseguia esboçar nenhuma reação, atônita a tudo o que ele disse. Se perguntou se ele escutava o que tinha dito, privá-la de ter contato com sua própria sobrinha a quem tinha como uma filha era demais para ela.

— Por que está me tratando assim? — Se pronunciou depois de um tempo quieta.

— Porque você é uma mentirosa Angeles! Não sei como pude me enganar tanto desse jeito.

Esbravejou aumentando o tom, Angie sobressaltou assustada dando um pulo pra trás. Não conseguia acreditar que ele era o homem que amava, tomado pela raiva, sabia que nada que dissesse agora ia adiantar, ou mudar o que ele sentia.

Ambos os olhares carregados com um misto de sentimentos dilacerantes que aumentavam a cada minuto que ficavam perto, nada voltaria a ser como antes depois disso.

Violetta escutava tudo lá de cima surpresa, sabia que estavam cometendo um erro ou que alguém tinha armado para separá-los já que conhecia a tia, além de ter passado o dia todo no Studio ainda era incapaz de cometer qualquer barbaridade e principalmente contra seu pai. Só tinham duas pessoas que chegariam tão baixo a esse ponto, iria descobrir e fazer a pessoa pagar por tudo o que fazia com sua família.

— Acredite no que quiser, me parece que não vai adiantar eu tentar te mostrar que não fiz nada disso, então acho que terminamos aqui. É uma pena… — Lamentou com os olhos mareados, mais uma vez se recriminou por querer chorar na frente dele.

— Eu estou disposta a marcar uma reunião para devolver todo seu dinheiro o mais rápido possível.

Esclareceu, German pareceu surpreso.

Uma dúvida martelava em sua mente, se ela tinha roubado o dinheiro, então por que queria devolvê-lo? Por que iria se dar esse trabalho todo? Balançou a cabeça, era tarde demais pra pensar em qualquer hipótese que deixasse sua ex noiva inseta de qualquer culpa.

Angie o olhou mais uma vez com desgosto, por não ter conversado com ela antes de tudo isso, com um suspiro retirou a aliança em seu dedo deixando-a na mesa de centro ao seu lado.

German sentiu algo remoer em si, queria acreditar nela mais que tudo, colocar a aliança em seu dedo novamente e pedir pra que ficasse, entretanto seu orgulho o impedia como uma pedra o barrando. Já não tinha mais tanta certeza se fora realmente ela que tivesse cometido uma atrocidade desse nível, sempre demonstrou isso. Só que agora realmente havia sido rompido qualquer compromisso entre os dois, não havia mais volta.

Angeles saiu dali no chão, fechou a porta atrás de si tentando digerir o último acontecimento. Tinha a sensação de que German não a conhecia nem dez por cento se a acusava de fazer algo tão baixo assim.

Ele continuava estático na sala se perguntando que merda tinha feito, agora não tinha mais volta, retirou com rispidez o anel em seu dedo o jogando em algum canto da sala que não fez questão de olhar, e reuniu forças rumando até o escritório para conversar com a delegada a repeito de sua ex noiva. Depois da morte de Maria, esse era sem dúvidas um dos dias mais tristes de sua vida.

Angeles Saramego.

Depois que saí da casa de German completamente humilhada e sem chão ou pelo menos sentia que eles sumiriam debaixo de meus pés a qualquer momento, decidi que não iria agora pra casa me dar motivos de ficar pensando nele, saí andando sem rumo pelas ruas do microcentro segurando todas as lágrimas que tinha. Só queria andar até cansar, espairecer um pouco e tentar esquecer tudo o que houve.

Não poderia chorar, não aqui, tentaria ser forte ao máximo. Passei ríspida a palma da mão pelo meu rosto limpando qualquer resquício de lágrimas que insistiam em cair, como fui burra a esse ponto? Era mais do que óbvio que ia acabar assim, alguém tinha conseguido nos separar depois de tudo. Olhei para o céu pedindo fortemente a Deus que um buraco se abrisse no asfalto e me engolisse de tamanha era a dor que eu sentia, as palavras de German rondavam minha cabeça em entonação alta me perfurando lentamente como uma faca múltiplas vezes, era inacreditável como German estava cego de raiva e que não houvesse nada que pudesse ter sido feito para evitar nosso término.

Ele tinha tanta certeza que eu havia feito isso, parecia que tudo o que eu queria era seu dinheiro, quando nunca foi assim. German definitivamente não me conhecia, e eu tampouco. Neguei com a cabeça, um soluço involuntário escapou da minha garganta enquanto eu me sentia desmoronar aos poucos em plena cidade, um dos meus maiores medos havia se tornado realidade. Como faria pra parar de doer? Como? Meu coração se quebrava em milhões de pedacinhos me dilacerando por dentro, quase jurei que se ficasse quieta poderia ouvi-lo.

Olhei envolta para onde eu tinha parado, por destino ou não estava inerte em frente a uma loja de bebê, mordi o lábio inferior pensando o que faria a respeito dessa gravidez.

Por um milésimo de segundo se passou a ideia de aborto pela minha mente conflituosa, não ia conseguir criar um filho sem pai, muito menos nessa situação deplorável. O que todos pensariam ao meu respeito? Mal sabia cuidar de mim que tinha vinte e dois anos, quem dirá de um serzinho tão pequeno que vai depender inteira e exclusivamente de mim. Continuei a mirar a loja que tinha na vitrine exposta roupinhas para bebês recém-nascidos, berços, e outras coisinhas lindas que um neném precisa.

Algumas lágrimas teimosas desceram pelo meu rosto terminando em minha boca, que amargava, imaginava a reação de German se eu tivesse dito que iríamos ter um bebê, poderíamos estar os dois aqui vendo essas coisas ou talvez nem fizesse mais diferença. Peguei meu telefone no bolso, pronta para ligar pra Dra. Elis e pedir que marcasse o procedimento.

Minha mente gritou repreendendo-me em alto e bom som, isso sim seria o pior erro da minha vida. O que estou pensando? Esse bebê foi um presente que veio justo agora para alegrar minha vida em sua pior fase, era indefeso e não tinha pedido pra nascer, não era justo que pagasse por um descuido meu e de seu pai. Mesmo achando que era nova demais pra ser mãe, eu não ia tirar a vida de meu próprio filho, um pedaço meu. Levei a mão até minha barriga fazendo um rápido carinho nela notando que já tinha um leve volume quase imperceptível, fiquei tão presa no meu mundo de ilusões com German durante esses meses que sequer me dei conta das mudanças que ocorreram no meu próprio corpo, me recriminei por esses pensamentos deprimentes, precisava reagir e não era só por mim.

Tinha um bebê a caminho que precisava de segurança, precisava que eu estivesse bem.

Eu sabia o que tinha que fazer, só que ainda me custava acreditar que teria de me afastar de Buenos Aires, teria de me afastar da minha sobrinha que demorei anos para recuperar, e da minha vida que ia deixar pra trás afim de me refazer, reconstruir todos meus caquinhos de um por um.

Precisava recomeçar minha vida longe de tudo que me fez mal, longe de German e de todas as nossas lembranças que pareciam impregnadas em mim, em cada poro de meu corpo me lembrando do erro que somos, por que eu me joguei de cabeça num relacionamento tão vulnerável que poderia acabar a qualquer segundo?

Nosso relacionamento, todas as palavras ditas, as promessas, tudo até agora não tinha passado de uma belíssima ilusão que foi alimentada por nós que ia funcionar. Fitei o telefone em minha mão durante um tempo, tentando tomar coragem pra fazer isso, era o certo se eu precisava me afastar daqui urgente.

Disquei o número da minha última chamada, e ele não demorou a atender.

Bonjour.

Suspirei com cansaço. Já estava cheia de toda essa situação.

— Henry, é a Angie. — Comecei mais segura.

— Me parece que decidiu.

Henry comentou, era possível ouvir a animação em sua voz.

— Sim. Eu aceito a sua proposta, e estou disposta a me mudar pra França o mais rápido possível.

Cuando tú no estás.
Se abre una herida que otro amor nunca ha podido cerrar.
Cuando tú no estas.
Me he dado cuenta que tu mano no he podido soltar.

Notas finais
Infelizmente nosso casal Germangie se separou. O que vocês acham? Ainda temos esperanças? Fiquem com Deus ♥