Notas iniciais
* Céu. Hello Guys! Passando para desejar uma boa leitura ♥

Mahé – Seychelles.

Geral.

Angeles abriu os olhos lentamente, os coçou ainda sonolenta, sentia-se incrivelmente confortável e logo notou o motivo de ter dormido tão bem. Havia passado toda a noite sob o peito de German, que tinha um dos braços presos a sua cintura, continuou com a cabeça ali mesmo tendo consciência do quão errado era manter sentimentos por uma pessoa que já tinha um relacionamento, era algo que lhe intrigava. Entretanto ali em outro continente, decidiu simplesmente esquecer, esquecer o passado dos dois e se entregar para qualquer coisa que a vida a oferecesse, poderia ser a Angeles racional quando voltasse ao Qatar, por enquanto só queria aproveitar os poucos dias que teria com German naquela ilha linda.

Continuou ouvindo o coração dele bater calmo, e teve a certeza de que aquele era o som que queria escutar durante todos os dias da sua vida, parecia mais um céu. Ele a deixava assim. Depois de algum tempo resolveu levantar-se com cuidado, para não acordá-lo logo, arrumou seu pijama e caminhou até a varanda do quarto que dava vista para as piscinas, e praias com águas tão límpidas quanto o próprio céu. Era uma vista de tirar o fôlego. Lembranças da noite passada invadiram dua mente, não pôde evitar um leve sorriso ao lembrar da dança que tivera com German, de seus braços fortes a envolvendo.

Como o amava tanto?

Queria entender porque seu coração o escolheu, justo a ele, o marido de sua falecida irmã, o pai de sua sobrinha. Parecia até uma brincadeira da vida, ou talvez simplesmente tivessem predestinados a ficarem juntos o resto de suas vidas, Angie não sabia o que pensar, talvez nem isso. Concluiu amarga.

— No que pensa tanto?

A voz rouca de German tirou-a de seus pensamentos absortos. Ele se posicionou ao lado dela a observando, parecia tão alheia a tudo.

— Nada demais. — Mentiu com um sorriso.

Não queria explicar para German que pensava nele, nos dois como um casal, embora seus sentimentos não fossem novidades para nenhum dos dois.

— Tem certeza? Parece muito pensativa, aconteceu algo? — A analisou.

Sabia que para ela era um sacrifício ambos terem ficado no mesmo quarto, dormido na mesma cama sem ao menos terem algo.

Angeles soltou a respiração baixa aos poucos surpreendida com o tanto que German a conhecia por saber o que se passava com ela de longe, mas não queria falar seus sentimentos. Não pela milésima vez com a mesma pessoa.

— Tenho sim. — Voltou seu olhar para a praia, perdida.

Notou o quanto German havia ficado pensativo, olhando tudo com ela. Virou-se sentindo uma calma inexplicável invadi-la, está na companhia dele sempre a trazia paz, a trazia uma sensação de que tudo ficaria bem em diversos aspectos de sua vida.

— Tá tudo bem? — Agora foi sua vez de analisá-lo, queria está a par de tudo o que sentia, o que pensava, o que se passava consigo.

Queria que se abrisse.

— Não sei Angie, não sei se foi uma boa ideia ter vindo para cá.

Passou a mão pelo rosto de forma ríspida como se tivesse aflito com algo. Angeles o fitou confusa.

— Por que?

German pensou por alguns segundos, e virou-se para vê-la.

— Não gosto de pensar na ideia que minha filha esteja trancada com um rapaz, dormindo no mesmo quarto. É desesperador… — Respondeu agoniado.

A possibilidade de que Violetta tivesse ali dentro com seu namorado o inquietava, o que faziam lá dentro?

Angeles riu baixinho do exaspero de German, sua mão moveu-se ao encontro da dele repousando-a por cima. Foi um ato que por mais involuntário, abalou os dois com o impacto que sentiram, ele entreolhou para ela e sua mão pequena em cima da dele, Angie ruborizou limpando a garganta e tirando a mão dali com pressa. O que ele pensaria? Que estava se oferecendo? Ruborizou, céus, que pensamento inapropriado.

— Eu sei que a ideia é estranha, mas tem que confiar na Vilu. Ela é esperta, e está crescendo, é normal que queira descobrir coisas novas.

Relaxou. German a fitava atônito. O que ela quis dizer com coisas novas?

— Você não ajuda assim.

Angie mordeu os lábios sentindo-se culpada, entretanto ele tinha que entender que Vilu não era mais uma criança.

— Eu sei, desculpa. O que eu quero dizer é que precisa confiar mais nela e conversar com ela sobre isso.

Sua respiração pesou, voltou seu olhar para a paisagem e se calou por alguns minutos.

— Violetta cresceu sem sua mãe, até você aparecer, antes disso sempre foi só nós. Eu definitivamente não consigo falar sobre esses assuntos com ela. — Desabafou. Angie sentiu seu coração acelerar ao ver que tinha se aberto. – E eu confio na minha filha, quem eu não confio é no Leon.

Disse saindo, Angeles se assustou ao ver que já ia pra porta provavelmente ver o que Leon e Violetta faziam, sem pensar apressou os passos até alcançá-lo e segurou em seu braço com um pouco mais de força do que gostaria.

— Espera German. Não vá, você pode colocar tudo a perder com ela. Fique tranquilo, Leon é um ótimo rapaz, eu o conheço desde criança, sempre foi muito respeitoso. — Explicou olhando nos seus olhos.

Sentiu os músculos do braço dele relaxarem indicando que havia se tranquilizado, e suspirou tranquilizando-se também. German passou as mãos pelo rosto, rendido. Angeles tinha razão em tudo o que disse.

— Tudo bem. Você tem razão, eu ia pôr tudo a perder com ela de novo.

Convenceu-se, Angie confirmou com a cabeça soltando seu braço. Um sorriso começou a tomar forma em seu rosto, indicando uma ideia.

— O que foi?

Ela riu como uma adolescente arteira, indo até o aparelho de rádio e procurando uma estação com alguma música. German foi até ela confuso, vendo-a mexer na rádio mudando várias estações. Baixinho ouviu tocar “Be The One – Dua Lipa” e aumentou o volume gostando do que ouvia, deu um sorriso divertido a German, que se encantou ao ver ela tão solta depois de dias.

Ele só tinha a visto assim consigo antes de descobrir toda a verdade, depois disso nada mais foi a mesma coisa.

— Essa é minha ideia para você se distrair. Vamos dançar oras.

Riu leve, estava mais leve. Essa viagem a fez muito bem, a fez esquecer de todos os seus problemas. German riu tangendo qualquer preocupação que o assolava, precisava descansar e nada melhor do que está na companhia de Angie para isso. Ambos começaram a dançar com movimentos aleatórios, Angie jogava o cabelo loiro e sedoso para os lados movendo-se no ritmo da música, German parou um segundo para olhá-la, ver o quão graciosa era.

— Até que funciona!

Afirmou animado. Angeles gargalhou ao ver o quão desengonçado era para dançar qualquer música que não fosse de cunho clássico, se aproximou dele pegando em seus braços o guiando e de novo sentindo as malditas correntes elétricas passearem livremente por seu corpo a arrepiando, ignorou tudo que guardava em si e continuou a dançar com ele.

Era incrível a sintonia que tinham, mesmo numa simples dança conseguiam fazer um vulcão parecer gelado diante deles, sem que percebessem foram se aproximando copiosamente. Ele a rodou em seus braços, a trazendo para si os unindo.

Angie ofegou ao sentir o contato de German em sua pele, seus corpos novamente unidos revelando o quanto se queriam, era incontestável. A música terminou indo para outra menos animada, ela continuou ali presa em seus braços, sem forças para sair, era difícil demais fazê-lo quando seu corpo implorava para que ficasse. Cravou seus olhos nos dele, o observando bem, seu coração quase se partiu pela milésima vez ao lembrar que ele tinha alguém, e depois dessa viagem tudo voltaria a ser como era.

German notou pelo olhar da mulher em seus braços o quanto havia ficado aflita, tinha quase certeza que fora por sua culpa, a segurando tão próximo de si teve a certeza que não podia perdê-la de novo, tinha que tomar alguma decisão logo. Qualquer uma que o fizesse reagir antes que perdesse Angeles pra sempre, ela não ia o esperar por toda sua vida.

Queria beijá-la, era um desejo que vinha crescendo dentro de si cada vez que a olhava, precisava dela mais do que poderia imaginar. Angie entreabriu os lábios procurando o ar, está nos braços de German daquela maneira não a permitia formar nenhum pensamento coerente.

— Acho melhor nos vestirmos, para ir tomar café. — Comunicou desconcertada se afastando dele lépida.

German limpou a garganta se repreendendo por ter pensado em beijá-la. Era proibida demais, no entanto seu corpo sentia falta do calor que o corpo dela emanava perto do seu.

— Claro. Pode ir na frente.

Angeles deu mais uma olhada nele o analisando e saiu dali num lampejo direto para o banho, precisava de uma ducha muito fria para espantar todos esses pensamentos impróprios com seu ex cunhado que por acaso se tornou o amor de sua vida.

Angeles Saramego.

Fechei meus olhos irritada comigo mesma por ter me afastado de German, eu sabia que o queria, era algo tão forte que vinha aumentando a cada dia e chegava a doer me incomodando, mordi o lábio inferior, teríamos nos beijado novamente se eu não tivesse interrompido o clima? Me angustiei ao pensar que sim, e não era pelo beijo, beijar German era como se eu tivesse tocando o céu com as próprias mãos e sim porque entre nós tinha ela. Sua namorada Esmeralda, que o esperava de consciência limpa no Qatar. Eu sou uma pessoa horrível!

Enquanto a água fria caia sobre meu corpo não levando consigo nem metade do que eu gostaria, os pensamentos me afogavam, tinha que tomar uma decisão. Mas qual? Ontem ficou claro que não queríamos nos afastar, bufei ainda mais irritada. Meu coração implorava para deixar os momentos fluírem, o que tivesse de acontecer nessa viagem ficaria só aqui, enquanto minha parte racional gritava desesperadamente que ele tinha alguém que pudesse oferecer tudo o que eu queria está fazendo. Alguém que o tinha, e tinha muito sorte por isso. Ignorei esses dois lados necessitando de um descanso, toda essa intensidade de sentimentos acabava comigo de uma forma esmagadora, sugando minhas forças.

E eu precisava está bem, porque não viajei para ficar com German e sim com minha sobrinha que precisava de mim mais do que nunca.

Envolvi uma toalha no meu corpo e fui para frente do espelho me observando, German estava infiltrado no meu mais íntimo, desde os meus primeiros pensamentos até o último quando ia dormir, sorri sozinha perdida em todas as nossas lembranças, nos nossos beijos apaixonados. Pelo menos da minha parte, porque dele possivelmente nunca existiu nenhum sentimento por mim.

— Angie, eu…

Arregalei meus olhos ao ver German ali no banheiro comigo, atônita. Segurei com força a toalha contra meus seios sem graça. Ele parecia tanto quanto eu, porém seu olhar tinha algo a mais.

— Me desculpa, eu achei que já tivesse vestida. — Se explicou com o olhar no meu rosto, envergonhado.

Minha mente tonteou com a situação embaraçosa, um formigamento tomou meu ventre imaginando mil e uma coisas impuras ali com ele, nesse banheiro. Suspirei pesado o fitando ainda em silêncio, não sabia o que dizer.

— Eu só vim pegar meu celular… — Apontou para o aparelho que carregava na pia.

Era perceptível o quanto nós dois havíamos nos abalado com aquilo, por um segundo quase pensei em ter visto uma ponta de desejo passando pelo seu olhar rapidamente. Desviei a vista um tanto envergonhada, a verdade era que eu queria que um buraco me engolisse, ele continuou alisando-me de uma forma que fazia minhas pernas virarem gelatinas.

Juro que queria pedir para que ele saísse, no entanto minha boca não me obedecia. German deu alguns passos a frente aproximando-se de mim lento, me cercando, estremeci com aquela proximidade perigosamente excitante. Estávamos próximos o suficiente para nossas respirações se fundirem, meu corpo ficou tenso clamando pelo seu em alto e bom som, arrepiei toda quando pôs as mãos no meu rosto o segurando firme, por um segundo pensei que me beijaria, eu queria me beijasse. Não ia fugir novamente, mas o que aconteceu me surpreendeu em diversos níveis.

German puxou meu rosto para si e depositou carinhosamente um demorado beijo em minha testa no sinônimo de proteção, sorri levemente aproveitando as sensações de paixão que meu corpo me oferecia, com o coração acelerado segurei em seus braços fortes, ao nos separamos ele sorriu me fitando calmamente com a testa encostada na minha.

— Não quero te perder, independente do que aconteça, não quero te perder. — Sussurrou, quase contra meus lábios.

German me levava ao mais extremos de meus sentimentos, nesse momento eu só queria beijá-lo até o mundo acabar.

— Também não quero isso.

Pedi baixo, o que era verídico, nem nos meus sonhos poderia perdê-lo novamente. O pensamento chegava a doer extremamente só de imaginar. German uniu nossos lábios, não em um beijo, mas sim num carinho sôfrego, com mínimos movimentos, respirei entre seus lábios deliciosos, ele riu abafado depositando um último selinho estalado nos meus lábios deixando-me boba. O telefone dele tocou nos fazendo sobressaltar com o bipe alto da notificação, ele se afastou de mim indo até seu celular e o pegando.

O olhei atenta me questionando como eu me sentia tão confortável ao lado German estando apenas com uma toalha, espantei qualquer questionamento, não era hora. Ele riu e voltou seu rosto para mim com um sorriso lindo.

— Vilu está nos esperando no Coffee, temos que ir.

Informou, fiz que sim com a cabeça. German me deu uma rápida olhada e saiu do banheiro deixando-me ali sozinha. Puxei ar ainda sentindo nitidamente nossos lábios se encostando carinhosamente, melhor me vestir se não quisesse que Violetta viesse pessoalmente saber o que aconteceu.

(…)

Ao entrarmos no Coffee lotado do hotel, encontramos Vilu e Leon conversando entre risos com uma mesa repleta de comidas diferentes, não posso dizer que meu coração não se enterneceu ao ver os dois juntos, amava ver a felicidade estampada em seu rostinho e Leon a fazia muito feliz. Não posso dizer o mesmo de German que ao vê-los tão próximos emburrou a cara ficando sério, ri de sua atitude, no fundo eu sabia que só queria ver o bem da filha, mesmo que isso significasse aceitar o namorado de Vilu nessa viagem, ele fazia um esforço enorme para conseguir lidar bem com isso.

Nos sentamos em frente aos dois os cumprimentando, Vilu nos entreolhou com uma cara sapeca. Ia começar…

— Demoraram hein? — Minha sobrinha comentou com um sorriso travesso.

Não pude evitar de ruborizar com uma cara de quem havia sido pega na mentira, embora não tivesse acontecido nada. Quer dizer, tínhamos nos beijado no banheiro, mas esse detalhe Violetta não precisa saber.

— É só impressão sua, filha. — German encerrou o assunto servindo-se.

— Tá bom…

Murmurou nos analisando, e voltando a atenção para seu lanche. Comemos entre poucas conversas, se eu falasse demais, com certeza, descobria o que houve e como, e sobre eu não queria falar.

— O que vamos fazer hoje? — German indagou nos olhando.

— Por mim, qualquer coisa que envolva aproveitar essa praia incrível. — Murmurei tomando suco.

Vilu riu.

— Bem, se não se incomodarem, eu e Leon temos planos. — Começou animada e seu namorado riu nos fitando. – Decidimos fazer um roteiro por La Diegue, é uma ilha belíssima que tem depois de Praslin.

— É o terceiro lugar mais visitado daqui, então vamos com um guia. — Leon se explicou.

— Posso ir não é pai?

Vilu questionou com seus olhinhos brilhando, German suspirou rendido por mais que a ideia não o agradasse.

— Pode sim. Divirtam-se, só não demorem. — Disse calmo.

Confesso que fiquei impressionada com a tranquilidade que tratou Vilu, acho que tinha me escutado e resolvido confiar nela. O que me deixava muito orgulhosa. Vilu ficou tão impressionada quanto eu que levantou e abraçou forte German.

— Obrigada papai, você é incrível! Não vamos demorar! — Comunicou eufórica.

Sorri para os dois vendo aquela ternura.

— Eu sei meu amor, cuidado. — German beijou a testa dela. – Leon, cuida dela está bem?
Leon assentiu levantando-se.

— Pode deixar, sr. German.

— Te amo pai. — Vilu beijou a bochecha de seu pai. – Tchau Angie.

Veio até mim, abraçando-me e beijando minha bochecha.

— Até mais meu amor, se cuidem! — Pedi.

Vilu assentiu e entrelaçou a mão na de Leon saindo junto com ele em direção a um grupo de pessoas, o que tranquilizou mais German ao saber que não iam só. Ele voltou seu olhar para mim, fitando-me com um sorriso que me deixava desnorteada, mas era melhor não saber o efeito que causava em mim.

— Fiquei orgulhosa do modo como tratou Vilu.

Ele riu abafado.

— Ela precisa se divertir um pouco, embora sendo com Leon, o que me desespera. — Alegou com sinceridade.

— Ainda sim, acho que já é um grande passo. — Nós sorrimos.

— Então, o que a senhorita acha de passearmos por essa ilha? — Indagou com um sorriso lindo que fazia todas minhas estruturas derreterem.

— Uma ótima ideia, o que tem em mente?

German segurou minha mão, afagando carinhosamente com a ponta de seu polegar.

— Surpresa. Me espera aqui que eu vou pedir uma informação, já venho. — Comunicou e saiu sem esperar resposta.

Fiquei ali toda boba com essa viajem, estavam sendo as melhores férias da minha vida porque estou com German e com Vilu longe de todas as preocupações, do clima de Buenos Aires, longe de tudo.

— Olá.

Cumprimentou-me. Balancei a cabeça me concentrando em German, que agora tinha um semblante mais morno.

— E então? Estou curiosa para saber! — Protestei.

— Eu consegui a informação que precisava e trouxe isso pra você.

German tirou detrás de si uma belíssima rosa vermelha, fiquei emocionada com aquele gesto tão pequeno mas de grande importância.

— São suas preferidas. Gostou?

Continuei mirando a rosa vermelha com meus olhos querendo marearem, mesmo depois de tudo o que vivemos, German foi a melhor coisa que me aconteceu.

— Eu amei, é belíssima. — O analisei por um milésimo de segundo. – Não precisava, sabe disso não é?

— Sei. Mas não pude evitar, fazia muitos anos que eu não dava rosas vermelhas… Você sabe, eram as preferidas da sua irmã, e consequentemente as suas… — Expliquei, o ouvia atenta a tudo que dizia.

— O que quero dizer é que, você deu um novo sentido a minha vida desde que apareceu nela.

Meu sorriso aumentou ainda mais, se é que era possível. Mordi meu lábio inferior segurando o choro de felicidade que queria vir. Segurei seu rosto unindo nossos lábios num selinho demorado, meu coração parecia que ia sair do peito a qualquer momento enquanto eu sentia as famosas borboletas no estômago.

— Obrigada. Isso foi lindo.

Nos levantamos, German entrelaçou nossas mãos firme.

— Vamos?

Assenti animada, deixando que ele me conduzisse para fora do hotel. Confesso que o dia foi extremamente agradável, German e eu saímos a passeio pela ilha, tomamos muito banho de mar nas águas cristalinas de uma das praias de Mahé, rimos demais, nos beijamos em vários momentos do dia, eu amava sentir seus lábios nos meus, fomos conhecer o centrinho da cidade, almoçamos em Pirogue, um restaurante único com culinária local que era deliciosamente diferente da comida argentina, tiramos muitas fotos e nos divertimos bastante também.

Está na companhia dele era maravilhoso, no fundo nós entendiamos que só precisávamos um do outro para sermos felizes, isso ficou provado hoje. Queria aproveitar cada momento com ele nesse pedaço de céu que era Seychelles, porque quando voltássemos para nossas rotinas tudo seria como antes.

Violetta Castillo.

Quando o barco atracou no píer de La Diegue, eu fiquei maravilhada com tamanha beleza do lugar. Parecia um cenário de filme de romance ou qualquer outra produção de Hollywood que chegava a tirar o fôlego. Leon foi o primeiro a descer e logo segurou em minha cintura me ajudando a descer também, me encantei ao ver as águas em diversos tons de azuis dando um ar especial a essa ilha paradisíaca, certamente precisaria voltar aqui mais vezes.

Nos juntamos ao grupo de dez pessoas, e de mãos dadas íamos atentos a tudo o que o guia falava sobre a ilha, o que precisávamos saber. Mesmo não estando juntos, agíamos como se fossemos um casal, o que realmente era meu desejo, está com ele para o resto da minha vida, no entanto Leon parecia não se manifestar depois do beijo de ontem. O que eu faria? Tocaria no assunto? Fingiria que não lembro? Era basicamente impossível esquecê-lo.

Fizemos uma trilha, adorava a natureza e está ao ar livre sem todo aquele ar de cidade, andamos de bicicleta sentindo a maresia contra meu rosto, rimos bastante e nos beijamos também. Era incrível está assim com Leon, era como se nada pudesse nos atingir nessa Fortaleza. As exatamente quatro da tarde, subimos no barco junto com os grupos para voltar a Mahé, me sentei em um banco que tinha ali admirando todo aquele quadro em forma de paisagem. Leon sentou-se ao meu lado me analisando curiosamente.

— Não tá gostando do passeio?

Sorri, sua preocupação quanto a mim era uma graça.

— Estou, bastante. Me diverti muito hoje.

Ele riu segurando minha mão e entrelaçando nossos dedos.

— Que bom que se divertiu, eu também me diverti muito. — Encostou-se no banco.

Respirei fundo, levantando os olhos para o mar.

— Não queria mais ir embora daqui…

Leon ficou sério.

— Nem pra voltar para Buenos Aires? — Brincou num tom divertido, rolei os olhos rindo. Por dentro eu sabia que isso nunca aconteceria.

Meu pai era implacável demais para concordar que voltássemos, entretanto ele estava construindo uma vida no Qatar e isso era outro motivo pra nem cogitar nessa possibilidade.

— Buenos Aires é uma presunção. Aliás, é algo que nem penso mais.

Dei ombros.

— Desculpa Vilu, eu sei que esse assunto…

— Está tudo bem Leon. — O interrompi lépida. – É melhor aproveitarmos o que está acontecendo agora.

Apertei sua mão com um mínimo sorriso. Deitei minha cabeça em seu ombro, e por um momento foi como se nunca tivéssemos rompido o relacionamento. Senti seus dedos agarrarem por entre minhas mexas agora mais claras em tom discreto num delicioso afago.

— Posso te contar um segredo? — Sussurrou contra meu ouvido. Confirmei com a cabeça. – Também não queria ir…

Foi minha vez de o observar com confusão claramente estampada em meu rosto.

— Por que?

Perguntei no mesmo tom. Ouvi seu riso no contra meu ouvido, e isso involuntariamente me arrepiou.

— Porque ter você aqui comigo novamente, é incrível. Era tudo o que eu queria.

Fiquei petrificada diante de suas palavras, a emoção me engolfou aos poucos. Como ele conseguia usar as palavras certas? Sorri me virando para ele, segurei seu rosto entre as mãos com carinho e finalizei a mínima distância que nos separava o beijando. Nossos lábios se movimentavam sem pressa alguma, como sempre era algo mágico que me tirava do chão quando estava com ele, não queria que isso acabasse nunca.

(…)

Quando descemos na terra firme de Mahé, o sol já estava se pondo deixando um clima agradável na ilha, caminhamos até o hall do hotel em silêncio máximo, não era necessário que falássemos nada por hora. Embora eu ainda tivesse muito para falar com ele, não queria estragar esse clima bom e confortável que se formou entre nós nos envolvendo numa espécie de bolha. Ao entrarmos no hall vi meu pai sentado sozinho numa das cadeiras suspensas com um semblante pensativo, pela sua expressão tinha algo o incomodando. Será que eles tinham brigado? Bufei internamente só de pensar nisso, temendo que meu plano para juntá-los fosse por água a baixo.

— Vilu, aquele não é seu pai?

Respirei fundo o olhando.

— É sim, pode nos deixar a sós? Quero saber o que houve… — Afirmei com uma ponta de preocupação.

Leon consentiu.

— Claro que sim. Até mais tarde. — Beijou minha bochecha e saiu.

Fui até meu pai sentando-me ao seu lado o observando por alguns segundos, torcendo para nada ter acontecido entre os dois. Estava na cara que mesmo sendo teimosos, precisavam de um empurrão do destino, ou meu, para que ficassem juntos.

— Pai…

O chamei, ele me olhou com um levíssimo sorriso. Parecia um pouco alheio.

— Oi meu amor, chegou há muito tempo? — Se interessou virando-se para mim.

— Não, quase agora. — Ficamos quietos por uns segundos. – Aconteceu alguma coisa? Cadê a Angie?

Ele riu deixando-me perdida.

— Não aconteceu nada Vilu. Angie está se arrumando pra gente ir jantar, então vim esperar ela aqui fora.

Explicou sereno. Não consegui evitar um respiro aliviado.

— Então… Por que está pensativo?

Insisti. Ele ponderou um pouco antes de me dizer.

— Pensei bastante no que conversamos, eu amo sua tia e quero ficar com ela. — Relatou com um sorriso apaixonado.

Arregalei meus olhos feliz por ouvir aquilo, esperei tanto por esse momento. Eles mereciam toda a felicidade de mundo, depois de tanto tempo sofrendo por uma separação.

— Ela é uma mulher incrível, e é a única que ama você de uma forma linda.

As orbes castanhas de meu pai brilhavam ao falar da Angie. Adorava vê-lo assim.

— Não sabe o quanto que eu fico feliz por vocês. É muito bom saber que está tomando a decisão certa, já passou da hora.

O abracei forte, ele sorriu me abraçando também.

— Preciso da sua ajuda pra que Angie não desconfie de nada, posso contar com sua ajuda?

Sua voz soou baixa ao nos separarmos, eu não tinha para pensar. Era óbvio que ajudaria.

— Pode contar comigo. — Segurei sua mão, o apoiando. – Te amo.

— Te amo mais, princesa. — Papai beijou minha bochecha. – Ansiosa para saber o que tem que fazer?

Fiz que sim com a cabeça animada. Me contou o que tinha em mente, me contagiando por alegria em tudo que contava, ia ajudar em cada detalhe, queria que tudo fosse perfeito. Angie chegou e mudamos de assunto rápido a fazendo ela nos olhar desconfiada.

— O que estão aprontando?

Cruzou os braços, estreitando os olhos. Meu pai se levantou se pondo ao seu lado.

— Nada que você não sabe.

Deu ombros. Bati a mão na testa segurando o riso, era péssimo em tentar disfarçar. Angie riu, entreolhei os dois vendo como meu pai babava em Angie, eram lindos juntos. Ele segurou sua mão, minha tia o olhou apaixonada.

— Estou vendo que essa demora toda valeu a pena, está linda. — A elogiou.

Angie ruborizou tímida.

— Obrigada, você também está lindo.

Virou-se para ele, arrumando a gola de sua camisa. Arqueei as sobrancelhas notando que havia sobrado, melhor me arrumar também.

— Bom… Vou indo me vestir. Já volto. — Esclareci me levantando.

Angie me puxou para seus braços envolvendo-me num abraço protetor.

— Tem certeza querida?

— Tenho sim tia, preciso de um banho.

Ela riu beijando minha testa.

— Tudo bem, a gente espera vocês no restaurante ao lado ok? — Sussurrou me soltando.

— Sim. Já nos vemos, licença.

Ambos confirmaram, permanecendo presos em sua própria bolha. Ri sozinha indo até o elevador. Era muito bom que estivessem se entendendo sem ninguém por perto, ao menos uma de nós havia conseguido está com seu grande amor.

German Castillo.

Eram aproximadamente umas nove quando saí da praia, sorri acertando detalhes com um plano em mente para que Angie fosse minha, amanhã conversaria com Vilu para que ela me ajudasse em tudo. Segui dentro do hotel em direção ao elevador que me levaria até meu quarto, ao chegar no andar o mesmo fez um barulho irritante indicando que havia chegado, saí do elevador e fui até meu quarto o abrindo. O quarto era iluminado apenas pela luz da noite que batia direto na cama onde Angie estava deitada de costas para mim, encolhida, me dando a visão de sua silhueta sob o vestido que usava. Eu sei que era errado vê-la desse modo cobiçador, mas quando vi Angie hoje desprevenida e só com uma toalha cobrindo seu corpo alvo cheio de gotículas a percorrendo, isso despertou em mim um desejo tão absurdamente grande que nem eu sabia que existia.

Em silêncio caminhei até o banheiro tomando um banho rápido, vesti apenas uma calça preta de moletom e voltei para o quarto procurando fazer o menos barulho possível. Fiquei de joelhos na cama a observando dormindo serena, sorri querendo cuidá-la pelo resto de minha vida, depositei um beijo em sua bochecha levemente ruborizada e deitei-me na cama a puxando cuidadosamente para mim a aninhando em meus braços, ficamos meio que de conchinha na cama, puxei o edredom pesado para nos cobrirmos. Por alguns segundos prestei atenção que a rosa que havia lhe dado mais cedo estava ao seu lado, num copo com água a fazendo companhia.

Angie mexeu-se virando na cama e me encarando sonolentamente com suas orbes verdes, nos deixando com os rostos próximos.

— Achei que estivesse dormindo. — Afirmei num sussurro acarinhando sua bochecha.

Ela abriu um pequeno sorriso, me fitando.

— Acordei porque senti você me abraçando.

Respondeu baixo num divertimento.

— Me desculpa, não quis te acordar.

Angie segurou um riso mordendo o lábio.

— Não tem problema, isso é bom. Ficar assim com você é muito bom. — Admitiu, pela nuance da luz que iluminava um pouco o ambiente, pude ver sua bochecha rosar.

Sorri ao ouvir aquilo. Peguei sua mão delicada que repousava em cima do edredom e entrelacei nossos dedos, puxando-a para mim e beijando sua palma.

— Também gosto de ficar aqui com você. — Informei vendo-a sorrir um pouco mais.

— Me desculpa?

Angie olhou nos meus olhos confusa, apertando sua mão contra a minha.

— Pelo quê?

Suspirei, eu tinha errado tanto com ela, incontáveis vezes. E agora teria a chance de reparar a maioria, nessa viagem.

— Por ter saído de Buenos Aires com Violetta, eu quero que fiquemos bem Angie.

Angie mordeu o lábio inferior processando o que eu disse.

— Não tenho o que te perdoar, você fez isso pensando que era o melhor para Vilu e tá tudo bem… Nós estamos bem, German. — Explicou com seu sorriso de lado, encostando nossas testas.

— É bom saber que estamos bem, me tranquiliza mais.

Afaguei seus cabelos macios com minha mão que rodeava seu pescoço. Ficamos em silêncio por uns minutos aproveitando a companhia, como era possível que eu a amasse tanto? Não poderia esconder mais, ou tentar fugir. Sempre foi Angeles, a mulher da minha vida. E me doía ter percebido isso só a essa altura do campeonato. Se pudesse voltar no tempo, teria ficado em Buenos Aires e poderíamos está juntos agora.

— No que pensa?

Sua voz doce tirou-me do transe.

— Penso em você. — Angie surpreendeu-se com minha afirmação. – Em nós, no quanto tudo poderia ter sido diferente se eu não tivesse negado o que sentia.

Ela ofegou, eu sabia o que sentia. Tocar nesse assunto sempre doía, ainda pelas feridas que nossas decisões deixaram não terem cicatrizado por completo.

— Sim, tudo poderia ter sido diferente. Mas agora não é o momento de se lamentar, estamos aqui não é? — Concordei seguindo sua linha de raciocínio. – Nós vamos ficar bem. Os três.

Queria dizer pra ela o quanto eu a amava, mas sabia que esse não era o momento. Recordei brevemente de quando era a governanta de Violetta que a disse que a amava, ela se assustou todas as vezes e fugiu, dessa vez eu não queria que fugisse de mim.

Aproximei-me um pouco mais encerrando a mínima distância que nos separava, nossos lábios se movimentavam de forma lenta como se só existisse nós dois ali, desfrutando de cada segundo que tínhamos.

Era um beijo carinhoso, que dizia tudo o que não estávamos prontos para falar agora, cheio de paixão em cada movimento, nos separamos com selinhos estalados contra nossa vontade, poderia passar a noite toda a beijando. Angie escondeu seu rosto no meu pescoço arrepiando-me ali com sua respiração, deixando seu corpo bem perto do meu, ainda com nossos dedos entrelaçados beijei o topo de sua testa.

— Boa noite, princesa. — Sussurrei em seu ouvido.

— Boa noite, amor.

Angie murmurou, algo dentro de mim se abalou quando me chamou de amor. Foi involuntário? Pela sonolência? Ou realmente me amava? Um sorriso se formou em meu rosto, a puxei mais para mim unindo nossos corpos num abraço protetor. Notei que Angie dormiu rápido nos meus braços, não queria mexer-me para não acordá-la, fiquei ainda em torno de meia hora apenas velando seu sono e pensando nela. No meu céu.

Com muitas ideias em mente do que faria para ela ainda essa semana, não demorei a dormir também.

Notas finais
E ai? Gostaram? Odiaram? Muitas coisinhas ainda irão acontecer mores. Espero que vcs tenham gostado e muito obrigada quem ainda não desistiu da fic ♥