The Story Never Ends.

25 Give Me A Reason To Stay.


Notas iniciais
*Me Dê Um Motivo Para Ficar. Hello Guys! Eu sei que a história está com um clima baixo por tudo o que está havendo, mas quem sabe melhore nos próximos capítulos. Estamos perto do fim, apenas dois capítulos para TSNE terminar. Porém, não fiquem tristes! Vamos ter segunda temporada. Música: Just Give Me A Reason - Pink.

Violetta Castillo.

Finalmente cheguei em casa depois de tanto pensar no que aconteceu há pouco com Diego, eu não poderia me permitir ter nenhum tipo de sentimento por aquele idiota insuportável, afinal eu sou e sempre vou ser do Leon, e nada do que Diego fizer vai mudar isso.

Entrei em casa vendo que meu pai estava observando o telefone com uma expressão indecifrável, respirei profundamente e pigarrei com uma tosse para ele notar minha presença.

— Oi pai. — O cumprimentei tentando não transparecer desanimada.

Mas acho que não deu muito certo.

— Hey filha, o que houve? Aconteceu algo lá no Studio? — Perguntou guardando seu telefone no bolso, ponderei por um instante e achei melhor não contar o que aconteceu com Diego no parque, afinal meu pai ia querer matá-lo.

— É só que a Angie vai embora, e eu acabei a tratando mal. Estou arrependida pai. – Falei baixo, em partes eu não menti. Cada vez que eu pensava nesse assunto, ficava angustiada e com vontade de chorar.

— Então você já soube que ela vai embora para a França… — Aquilo não foi uma pergunta, foi uma afirmação séria da parte do meu pai.

— Quer dizer que você já sabia? Quando vocês pensavam em me contar? — Questionei olhando para meu pai totalmente incrédula, por ele ter me escondido a verdade.

— Eu soube hoje Vilu. — Respondeu sem esboçar nenhuma reação.

Ficamos um tempinho em silêncio, meu pai já não tinha mais o mesmo brilho no olhar.

— Mas e você? — Resolvi me manifestar o olhando nos olhos. – Vai deixá-la ir?

— Por que não? Sua tia é crescida, e já sabe o que faz. — Cuspiu com rispidez.

No fundo eu sabia que não era isso que ele queria.

— Porque vocês se amam, não é justo isso… — Senti minha voz falhar, esse ainda era um assunto doloroso.

— Vilu tem assuntos entre os adultos que são complicados. — Papai afirmou com mais calma enquanto forçava um pequeno sorriso.

— Eu te amo sabia? — Perguntei sorrindo de lado e indo o abraçar.

Eu sei que deveria está chateada depois do que ele fez ontem com a Angie, a acusando de algo que sabia que ela era incapaz de fazer. Mas o olhando agora, eu percebo o quanto ele tá se esforçando para parecer melhor, no entanto seus olhos me dizem o quanto está triste e como vai ser um inferno sem minha tia ao seu lado. Meu pai poderia tomar qualquer decisão errada, no entanto eu sabia que precisava de mim mais do que nunca.

— Também te amo minha linda. — Ele retribuiu meu abraço, beijando minha testa.

— Vou para meu quarto. — Informei ao nos afastarmos. Saí da sala, rumando até meu quarto e me trancando ali.

Me joguei na cama um tanto indignada comigo, escondi meu rosto com um travesseiro colorido, não entendia o motivo de não ter conseguido esquecer o maldito beijo entre mim e Diego, o gosto dos seus lábios ainda estavam impregnados nos meus como uma cola. E o pior de tudo, é que eu havia gostado! Teríamos continuado com aquela palhaçada, se eu não tivesse lembrado de Leon, mas porque eu estou zangada?

Por ter feito o certo, que era afastá-lo? Ou por não ter conseguido finalizar aquele maldito beijo carinhoso?

Rodei na cama inquieta, como ele pôde fazer isso comigo? Como ele conseguiu me deixar assim com um simples beijo que não significou nada? Meu telefone tocou fazendo eu sobressaltar da cama assustada, peguei o celular no criado-mudo e atendi sem ao menos ver quem era.

— Alô?

Oi boneca! - Senti arrepios ao ouvir a voz daquele sem noção.

— O que você quer? — O indaguei com rispidez.

Bom, pelo menos me atendeu. — Diego riu abafado. Não me contive e revirei os olhos.

— É, e vai ser a última vez! — Afirmei brava.

Por que você tá brava? Achei que você estava feliz depois do nosso…- Eu percebi que ele ia falar do beijo que trocamos na praça, tratei de o interromper.

— Eu sei o que houve entre a gente! Vou deixar uma coisa bem clara para você, eu não quero que me procure, que me olhe, que me ligue ou que faça nada que me envolva! Eu não quero te ver nunca mais. — Despejei as palavras rapidamente com os nervos à flor da pele.

— Mas… — Diego tentou falar e eu desliguei sem deixá-lo explicar mais nada.

Resolvi vestir uma roupa mais confortável e desliguei as luzes do quarto, me deitei na cama quentinha observando o tempo pela janela que já se preparava para uma chuva forte. Eu precisava pensar com calma, agora eu sabia como Diego era capaz de me deixar.

Eu tinha que decidir entre Leon e Diego, mas como eu ia fazer isso sem magoar um dos dois ou sair magoada?

German Castillo.

Desde ontem não consigo parar de pensar na única mulher que eu amei, saber que ela ia embora para tão longe me cortava o coração e eu ficava ainda pior ao saber que era por minha causa que ela iria para a França, eu não devia a tratar daquele modo mas foi inevitável, e infelizmente não tinha como voltar atrás.

Eu ia perdê-la, talvez para sempre e não poderia fazer nada. E quem sabe fosse melhor assim, pois não íamos nos magoar mais do que já nos magoamos.

Por um momento pensei em a ligar e pedir desculpas por ter a tratado da pior forma possível, mas lembrei de quem foi ela que errou ao ter me engando quando eu só dei todo carinho e amor.

— German, será que dá pra você me escutar? — Ramallo quase gritou me tirando dos meus devaneios.

O olhei confuso.

— O que houve?

— O que acontece é que eu estou falando da transação que temos que fazer aos italianos amanhã na primeira hora do dia, e você está no planeta Angie! — Ramallo ironizou. Suspirei cansado, apoiando meu queixo nas mãos.

— Ela vai embora do país Ramallo… — Murmurei o observando sem expressão.

Ramallo me olhou surpreso, arrumando seus óculos.

— German, larga de ser cabeça dura e vá atrás da mulher que você ama, meu amigo. — Ramallo se pronunciou parecendo irritado quanto à minha posição.

O silêncio pairou no escritório durante uns dez segundos.

— Não posso Ramallo, Angeles errou feio e eu não posso perdoá-la. — Ele revirou os olhos. – Aliás, eu vou voltar com a Esmeralda.

— Não acredito German. Você vai cometer o pior erro da sua vida se deixar Angie, a mulher que você ama e sempre amou, ir embora. — Começou com seu sermão. Baixei minha cabeça evitando o olhar, eu sabia que ele estava certo. – A propósito, você sabe que a Angie não é culpada pelo roubo do dinheiro…

Bufei com aquele assunto.

— Ramallo quero que você não dê um pio sobre esse assunto. Já chega! — Me exaltei levantando irritado.

— O que está acontecendo aqui? — Olga abriu a porta nos olhando com uma cara assutada. Ela colocou meu café em cima da mesa e continuou nos olhando, esperando uma resposta.

— Angie vai embora do país. — Ramallo explicou me fazendo o fuzilar com o olhar.

Olga arregalou os olhos expressando uma cara de quem ia chorar a qualquer momento.

— Você não vai atrás dela? — Olga me questionou chorosa, inspirei fundo balançando minha cabeça num sinal negativo e ela fitou-me séria. – Você tem um coração de pedra, e eu nunca, nunca vou te perdoar por isso! — Afirmou enraivecida.

Aquilo realmente tinha me cortado por dentro, era óbvio que eu não tinha um coração de pedra.

— Meu amigo, ela tem razão! Você não consegue tomar as rédeas da sua própria vida… — Começou.

— Eu não preciso dos seus sermões agora, Ramallo. — Comuniquei bravo e saí do escritório rapidamente.

Eu precisava tirar Angeles Saramego da minha cabeça…

Angeles Saramego.

Acordei me sentindo um pouco melhor do que nos últimos dias, me levantei preguiçosamente da cama já indo fazer minha higiene matinal. Optei por um vestido rodado rosa simples que ia até a metade das minhas coxas, um colete jeans e um salto creme plataforma, deixei meu cabelo com seus cachos de sempre e não pus nenhuma maquiagem.

Peguei minha bolsa já saindo do quarto, desci às escadas calmamente e como ainda tinha um tempinho antes das aulas decidi fazer um bom café, coisa que eu não fazia há um tempo.

O cheiro do pó do café me deixava com um pouco de enjoo, mas nada que não desse para relevar, ignorei esse mal estar e continuei fazendo o café até ouvir alguém tocar empenhadamente minha campainha, bufei desligando o fogo e fui até a porta em passos rápidos.

— Já vai! — Aumentei minha voz, destrancando a porta.

Olhei surpresa para Violetta que estava ali parada na minha porta, com uma carinha triste.

— Vilu, o que faz aqui? Achei que estivesse com raiva de mim… — Desdenhei surpresa. Ela me olhou desanimada e eu lhe dei espaço para ela entrar. – Precisa de algo? — Sorri fraco fechando a porta, aproveitei para observá-la.

Violetta se aproximou de mim com os olhos mareados.

— Angie, eu quero te pedir desculpas. Eu fui muito egoísta em relação à França, você sempre está aqui para me apoiar! Então eu também te apoio, essa é uma ótima oportunidade tia e eu quero que você vá e seja muito feliz. Vá para a França tia! — Violetta falou segurando nas minhas mãos me lançando um sorriso, eu estava emocionada com aquilo, afinal não poderia ir a França deixando Violetta chateada em Buenos Aires.

— Obrigada Vilu! Eu te amo muito princesa. — Falei puxando minha sobrinha para um abraço forte, onde Violetta sem conseguir evitar, deixou várias lágrimas caírem me molhando.

— Eu te amo mais, tia! — Murmurou emocionada. – E eu não estou brava com você, só estou triste porque vou perder minha tia favorita.

— Você nunca vai me perder, meu amor. Nunca mesmo. — Beijei sua testa com carinho. Céus, como eu amava essa menina.

— Você promete? — Vilu ergueu seu mindinho me olhando esperançosa. Sorri de lado.

— Eu prometo! — Encaixei meu mindinho no dela, numa espécie de juramento. – Que tal você tomar café aqui em casa hoje? — Sorri a olhando tentando animá-la, Vilu riu assentindo.

Fomos para a cozinha juntas, terminei de preparar o café e Vilu sentou-se na mesa parecendo pensativa.

— O que houve princesa? — Perguntei curiosamente.

— Você e o papai. — Começou e eu a fitei espantada com o rumo da conversa.

— O que tem a gente?

Agora eu estava curiosa com aquela conversa.

— Se amam, mas são teimosos demais para voltarem a ter algo… — Violetta era muito esperta. Sorri fraco.

— Vilu é complicado. — Respirei profundamente antes de começar a falar, ela me olhava curiosamente esperando que eu continuasse. – Eu me apaixonei por um teimoso, por alguém que ainda estava aprendendo com seus erros. Eu me apaixonei por um homem que é um fofo por dentro e não pelo homem que me acusa de algo que eu não seria capaz de fazer…

— Eu sei, mas ainda sim tenho esperanças que vocês voltem, e talvez fique tudo bem. — Vilu balbuciou as palavras, franzi o cenho confusa. Ela parecia muito distante.

— Você fala isso por mim ou por você? — Perguntei a servindo com café e torradas. Me sentei ao seu lado ainda a observando séria.

Ela riu baixo mordendo uma torrada.

— Você me conhece né? — Indagou e eu assenti. – Eu beijei o Diego, Angie…

Arregalei meus olhos, ela estava mesmo crescida.

— Como assim? Você não estava junto com o Leon?

Vilu pareceu ponderar.

— Eu estou. Mas, não sei o que aconteceu comigo na hora, nós beijamos e o pior que eu gostei do beijo daquele idiota sem noção! — Vilu tentou achar uma explicação coerente.

— E o que você fazer? — A olhei carinhosamente. – Vai ficar com o Diego?

— Eu não sei Angie, ele é insuportável e eu o odeio! É com Leon que eu tenho que ficar, a gente se ama… — Violetta me fitou com uma careta, acho que o coração dela estava dando espaço para um novo amor. – Eu não sei o que eu faço Angie. — Violetta resmungou manhosa me abraçando de lado, e eu afaguei sua cabeça.

— Você vai escutar seu coração meu amor, e tenho certeza que vai dar tudo certo.

Acho que falei mais por mim do que por ela.

— Você fala isso por mim ou por você? — Vilu perguntou séria. Suspirei cansada.

— Falo por nós, Vilu.

(…)

Ao chegar em casa, estava tudo num silêncio ensurdecedor, quieto demais me fazendo sentir uma falta absurda de German e Violetta com suas respectivas gracinhas, analisei meu apartamento vendo a bagunça que pairava sobre ele já que quase não tinha parado realmente aqui depois que voltei do Qatar. Tinha definitivamente muitas coisas que precisavam ser organizadas antes da viagem para o continente europeu na próxima semana, retirei meu sobretudo cinza o colocando no aparador sentindo toda minha pele arrepiar ao entrar em contato com a friagem que cercava Buenos Aires nesses últimos dias.

Peguei algumas caixas de tamanhos médios que havia deixado encostadas na parede perto da escada exclusivamente para essa tarefa, mesmo sem ânimo para realizar qualquer atividade que fosse, me forcei a fazer isso para pôr minha mente para trabalhar em outra coisa que não envolvesse German. Tudo de mim desde que nos separamos me requeria um esforço imenso, como se ele tivesse aniquilado com qualquer mínima força que eu tinha pra viver, e mesmo com isso, eu ainda o queria ao meu lado. Continuaria o amando até meu último dia, já que um amor igual a esse não morreria tão facilmente. Monotonamente, comecei a empacotar o que tinha de mais leve, não iria fazer nenhum esforço que pudesse prejudicar meu bebê.

A ficha ainda parecia não ter caído que em alguns dias Buenos Aires não seria mais meu lugar, que ia me separar de Violetta e, embora não quisesse admitir em voz alta para mim, ainda me custava muito acreditar que me separaria de German, mesmo que fosse para ter o trabalho dos sonhos na França. Então por que raios eu não me sentia feliz? Ou certa da decisão que havia tomado? Minha consciência maldosa insistia nos mesmos questionamentos redundantes. A boca amargou com o pensamento nada agradável de German e Esmeralda juntos, como pude ser tão idiota durante todo esse tempo?

Quando dei por mim, vi que tinha arrumado mais do que deveria, tinha mais alguns detalhes que poderiam ser arrumados ao decorrer da semana, fechei meus olhos encostando-me com as costas no sofá buscando descansar um tempinho antes de tomar um banho. Fiquei rígida ao lembrar de como German vinha agindo friamente comigo desde o roubo, algo nessa história não se encaixava, porém também não me importava mais, ele era adulto o suficiente para saber resolver seus próprios problemas. A campainha soou alta interrompendo meu raciocínio, sobressaltei assustada pelo barulho já que não esperava ninguém hoje, me levantei do chão frio com um pouco de dificuldade e me dirigi até a porta a abrindo.

Não pude nem descrever o tamanho da minha surpresa ao ver minha mãe ali parada, com um sorriso e uma bolsa média, como sempre elegante sem perder sua postura. Mil ideias se passaram pela minha cabeça, e a primeira delas era correr para muito longe daqui. Oh malditos céus, como explicaria para ela que estava grávida? E que ainda por cima, estaria indo pra França em menos de duas semanas sem o pai do meu filho?

— Mamãe, estou surpresa em vê-la! — A cumprimentei com um beijo na bochecha. – Achei que estivesse em Madrid.

Ela riu segurando meus braços.

— Meu amor, quanta saudades senti de você! — Afirmou doce, sorri amarelo sentindo-me uma péssima filha por menti-la.

Dei espaço para que entrasse e fechei a porta atrás de mim.

— Eu estive em Madrid até ontem, mas senti tantas saudades de você e da Violetta que acabei vindo passar uns dias por aqui! — Exclamou animada.

Concordei com a cabeça, sorrindo sem graça. Era como se eu fosse uma criança prestes a ser pega em sua própria mentira. Ela me fitou confusa.

— O que houve querida? Não sentiu minha falta também?
Segurei em sua mão um tanto enrugada com um minúsculo sorriso sincero, a afagando.

— É claro que senti, muita, aliás.

Nós duas rimos. Ela passou a vista por toda a sala, curiosamente, estremeci com o nervoso.

— O que houve aqui? Parece que um furacão invadiu seu apartamento.

Mordi meu lábio inferior, definitivamente não estava pronta para mencionar este assunto com minha mãe. Eram tantas perguntas que me rondavam. Como ia começar? E se ela não aceitasse? Como ela agiria com German? Não poderia nem pensar nessas possibilidades agora.

— Recebi uma ótima proposta de emprego na França, então estou arrumando tudo para me mudar. — Resumi num murmúrio calmo.

Mamãe me fitou com surpresa, se aproximando-se de mim.

— Nem acredito que vamos ficar mais perto, filha. — Comemorou deixando-me aliviada.

Sorri.

— Quando tem que ir?

— Próxima semana. — Me limitei numa resposta rápida.

— Violetta e German sabem? — Questionou pondo sua bolsa no sofá.

Assenti cansada.

— Estou muito feliz por você, meu amor. Quero que me conte tudo. — Afirmou afagando meu rosto.

Por um minuto senti uma absurda vontade de chorar, como eu queria contar toda a verdade para ela sem culpas e sem esperar que me julgasse, como eu precisava de seu colo nesse momento. Balancei a cabeça tangendo qualquer pensamento triste, minha mãe não merecia se preocupar com isso.

— É uma longa história mamãe, melhor eu preparar algo pra senhora.

Comuniquei me dirigindo até a cozinha.

— Teremos tempo, filha. Enquanto isso vou dar uma arrumada nessa sala, está tudo uma bagunça!

Resmungou começando a arrumar algumas coisas que estavam no chão, não pude evitar de sorrir do seu modo mandão. O silêncio pairou entre nós, aproveitei para prepará-la um tradicional mate argentino e torradas distraindo-me um pouco.

— E minha neta? Como ela está?

Mamãe referiu-se a Vilu com animação. Sorri enternecida, a fitando.

— Ótima. Está tão grande e cada dia mais linda, uma verdadeira princesa. — Afirmei carinhosamente.

Amava Violetta tanto, que as vezes sentia-a como minha própria filha. Percebi que mamãe ficou em silêncio, estranhei, ela nunca ficava em silêncio por tanto tempo ainda mais tratando-se de Violetta. Saí da cozinha preocupada, porém paralisei ao ver minha mãe perplexa segurando uns papéis. Merda, eu sabia o que ela tinha visto para ficar assim. Mamãe me fitou sem esboçar nenhuma reação, deixando-me um pico de nervoso.

— Por que Angie? Por que não me contou que está grávida?

Petrifiquei no chão, não queria que tivesse descoberto desse modo. Minha esperança era sentar para conversar e contar em outro momento, não agora que ainda era recente até pra mim.

— Quando pretendia me contar? Se é que iria.

Murmurou fria. Mordi meu lábio inferior tentando conter o choro que parecia querer vir a tona. Agora não tinha mais volta, ela estava coberta de razão até porque não poderia esconder a gravidez, seria burrice! Não poderia disfarçar a barriga por muito tempo.

— Mamãe, me desculpe. Eu sinto que tenha descoberto antes, eu ia contar. — Tentei começar. – Tive medo de como reagiria ao saber ou se ficaria brava.

— Eu estou brava sim, mas não porque você vai ser mãe tão nova, e sim pela mentira.

Informou cruzando os braços séria, só tinha visto esse olhar sendo dirigido a mim uma única vez, quando no ano passado, estávamos no Cocu Boulangerie e eu disse que amava German. Pude sentir sua repulsa quando expus meus sentimentos pelo simples fato de sermos ex cunhados e eu ser a tia da Vilu.

— Não posso acreditar que sentiu medo de confiar em mim, me contar o que está acontecendo. O que se passou pela sua cabeça, Angeles? Que eu ia virar as costas pra você?

Respirei fundo, a culpa me invadia por cada poro mostrando o quanto eu tinha errado em não querer contá-la. Minha mente me recriminava por mais essa mentira quando havia prometido a mim mesma que não mentiria mais por saber onde tudo terminava, as mentiras feriam pessoas, nesse momento ela me olhava chateada, por não ter sabido pela minha boca que seria avó.

— Desculpa.

Pedi num tom quase que inaudível, sem desviar meu olhar do seu. Ela suspirou passando os olhos mais uma vez pela primeira folha.

— Posso saber quem é o pai ou você vai me esconder isso também? — Questionou ríspida, estava zangada.

Baixei minha cabeça envergonhada, como contaria para minha mãe que o pai do meu filho era German? Todo meu corpo tensionou com a culpa correndo solta pela minha corrente sanguínea. Ouvi seu pigarreio alertando-me.

— Sim, eu… Eu vou contar.

Brinquei com meus dedos nervosa, evitando encará-la, e agora?

— É o German. — Sussurrei rápida.

Minha mãe me mirava confusa.

— Você tem que falar mais alto, Angie. — Disse cruzando seus braços, ainda com meus exames em mão.

Pude sentir que meu coração palpitou querendo sair do peito. E talvez fosse até melhor, pois assim eu não teria que dar nenhuma explicação. Fitei-a fixando meu olhar em seus olhos castanhos. Não poderia mentir pra sempre, ocultar por muito tempo que eu e German tivemos algo, era praticamente impossível.

— É o German mãe, o pai do meu bebê é ele.

Afirmei em um tom nervoso porém que ela pudesse entender. Ao ouvir o nome de German, ela ficou boquiaberta processando a informação, seu olhar para mim era indecifrável. Não sabia o que pensava.

— Mãe? — A chamei, despertando sua atenção para mim.

Parecia que se passava um milhão de coisas desordenadas em sua cabeça.

— Está tudo bem? — Insisti me aproximando, engoli em seco.

— Não, não está tudo bem. Eu quero entender como você pôde ser tão burra a esse ponto, com tantos homens no mundo teve que ficar justo com o pai de sobrinha, o que você tem Angie?

Disse áspera, me afastei alguns passos dela sentindo-me atingida por suas palavras implacáveis. Uma lágrima silenciosa rolou pelo meu rosto, o modo como falou, parecia que eu tinha agido como uma verdadeira vagabunda em relação a família da minha irmã.

— Tanto que eu te pedi, qualquer pessoa menos ele. German é o ex marido da sua irmã, você tem noção disso? De como está a traindo?

— Por favor, chega! — Pedi com a voz embolada, as lágrimas já desciam impiedosas pelo meu rosto. – Chega mãe, eu sei o quanto a senhora tem razão, mas acabou acontecendo.

Gesticulei nervosa. Passei a palma da minha mão rapidamente pelo rosto secando as lágrimas pesadas e quentes que desciam sem nenhuma dó.

— German e eu nos envolvemos passageiramente, eu errei, e muito! Mas já estou tendo dias difíceis o suficiente para que me crucifique ainda mais do que eu mesma já faço. Se não pode aceitar, te peço que pelo menos tente me perdoar, porque de tudo o que houve, o que eu não me arrependo é do meu filho.

Ela parecia se acalmar aos poucos, entretanto eu não, parecia que ia explodir a qualquer minuto. Era tão doloroso tocar nesse assunto, reviver todo meu passado com German desde que pus meus pés no Qatar até o dia que me acusou de roubar seu dinheiro, coisa que eu seria incapaz de fazer.

— German sabe que você está grávida?

Foi a única coisa que saiu de sua boca depois de minutos torturantes de silêncio ao seu lado.

— Não. Ele nunca vai saber sobre meu filho. — Respondi seca.

O que era verdade, a partir do momento que ele decidiu seguir esse caminho, não teria nenhum direito sequer de saber sobre meu filho. Eu ia cuidá-lo sozinha, não precisava de German para nada.

— Minha intuição de mãe me diz que as coisas entre vocês não estão boas, é por isso que está indo pra França?

Mordi meu lábio inferior segurando o choro.

— Eu estou indo pra França porque recebi uma ótima proposta de emprego, não sei o que vai acontecer daqui pra frente, mas pretendo reorganizar minha vida do zero. Criar meu filho num bom lugar, longe de qualquer coisa que possa o fazer mal.

Ela concordou pensativa.

— Podemos encerrar esse assunto? Por favor? — Supliquei, sentando-me no sofá.

Mamãe sentou-se ao meu lado, pondo a mão na minha perna e afagando-a.

— Vem cá.

Abriu os braços, não pude evitar de deixar as lágrimas caírem pesadas pelo meu rosto num choro que eu contia há muito tempo, fui para o colo da minha mãe como uma criança pequena me escondendo em seu abraço e deitando minha cabeça em seu ombro enquanto despejava a maioria das minhas dores sobre ela. Soluços involuntários saiam de meus lábios. Sentia seu afago na minha cabeça, me dando proteção e carinho, era o que eu mais precisava nesse momento.

— Eu sei que está chateada comigo, mas obrigada por está aqui.

Ela beijou minha testa, segurando meu rosto entre as mãos e fitando-me.

— Eu estou sim chateada com você, só que eu sou sua mãe. Não posso te virar as costas agora, justo quando você mais precisa. — Disse carinhosamente, secando com a ponta dos dedos minhas lágrimas. – Eu te amo muito e não quero te ver sofrer, além do mais você me deu o melhor presente que eu poderia receber novamente.

Ela pôs as mãos na minha barriga acarinhando-a, confesso que fiquei emocionada com o gesto. A verdade era libertadora uma sensação que eu não sentia há muito tempo.

— Nem acredito que vou ganhar outro netinho, sua barriguinha está grandinha.

Continuou a afagando. Sorri boba, pondo minha mão por cima da dela.

— Eu vou pra França com você, vou te ajudar em tudo que precisar e inclusive cuidar do bebê nos primeiros meses até que pegue prática, assim como fiz com Maria. Vai dar tudo certo, meu anjo. — Sussurrou entrelaçando nossas mãos, aos poucos fiquei calma sendo envolvia pela aura de amor e paz que minha mãe transmitia.

— Você é uma mulher muito forte Angie, vai sair de tudo isso.

Meus olhos marearam, concordei com a cabeça atenta.

— Obrigada. Muito obrigada por tudo, mamãe.

Geral.

Violetta sorri ao chegar no Studio e dar de cara com Francesca na porta, estudando uma partitura com uma careta no rosto.

— Oi Fran! — Cumprimentou a amiga com um sorriso fraco. Francesca parou de ler a partitura, vendo Vilu a olhando curiosa.

— Oi Vilu, precisa de algo? — Perguntou sorrindo. Violetta negou com a cabeça. – Eu estou indo me alongar na sala da Jackie, você vem?

Era óbvio que Violetta precisava se distrair para esquecer de todos os problemas que a cercavam, e não havia melhor maneira de fazer isso do que dançando.

— Vamos. — Pegou a mão de sua melhor amiga e foram até a sala de dança colorida. Colocaram uma música alta e animada, fazendo alguns passos de Jazz contemporâneo.

Ambas se alongavam distraídas, quando Diego aparece e as observa na porta da sala. Ele sorri vendo como Violetta era graciosa em seus movimentos, Diego a queria mais que tudo.

Assim que elas pararam com a dança de alongamento, ele dá alguns passos à frente aplaudindo Violetta com um sorriso de lado.

— Parabéns, vocês foram incríveis. — Afirmou sem tirar seu sorrisinho do rosto.

Violetta o olha assustada.

— Há quanto tempo está ai? — Violetta pergunta com rispidez. Francesca tenta segurar o riso, vendo como a amiga fica perto daquele menino que ela acha lindo.

— Tempo suficiente para ver como você é linda dançando. — Respondeu dando ombros. Vilu o fuzila com o olhar e Francesca alterna o olhar entre os dois, ela não era boba, sabia que tinha acontecido algo entre eles e resolve se manifestar.

— Gente se vocês me dão licença, eu vou atrás do meu namorado. — Cantarolou pegando suas coisas e saindo da sala. Ambos continuaram calados apenas se observando com um turbilhão de sentimentos.

— O que você quer Diego? — Apesar de estar exausta pelo breve ensaio, ainda era possível notar o tom rude na voz de Violetta.

Diego ri abafado a irritando ainda mais.

— Quer dizer que você não sentiu minha falta? — Questionou debochado, se aproximando um pouco mais. Vilu sente todo seu corpo se arrepiar, ficando tenso.

— Você é um idiota. Não escutou o que eu te disse ontem?

Diego caminha até ela, deixando seus corpos com uma pouca distância perigosa.

— Sim, mas eu ainda não desisti de você. — Falou sério, ela recua dois passos para trás mas sente a parede atrás de si, a deixando presa. – Eu só quero que você admita que sentiu algo no nosso beijo. — Ele repousou as mãos na cintura dela colando seus corpos, a deixando mais nervosa e sem forças para o empurrar.

Ela sabia que se quisesse já teria saído dali, mas a verdade era que no fundo, ela não queria sair.

Eu não sei do que você está falando. — Murmurou com a voz trêmula.

— Você sabe sim. E sabe também que gostou, isso já é o suficiente para mim. — Diego murmurou a olhando nos olhos.

Ele roçou seus lábios brevemente nos lábios macios e entreabertos dela. O coração de Violetta palpitava forte, queria que ele a beijasse de novo.

Quando ele ia concluir aquilo, ouviram um pigarreio insistente seguido de aplausos. Leon havia acabado de entrar para pegar algo que tinha esquecido mais cedo, mas acabou escutando o suficiente da conversa dos dois para saber que eles já haviam se beijado.

Estava farto dos joguinhos de Violetta, ela nunca se entregava verdadeiramente para ele, foi assim ano passado, por que seria diferente esse ano?

Ambos se separam assustados, e Violetta empalideceu ao ver Leon os observando sério. Ela empurra Diego, que bate as costas na parede.

— L-Leon? — Pergunta nervosa. Leon ri, dando ombros. – Há quanto tempo você está aí?

— Um tempo suficiente para ouvir que se beijaram. — Leon tinha uma expressão indecifrável. A vontade de matar Diego era grande, mas ele se controlou.

— N-não é isso que você está pensando… — Vilu tentou se explicar, com o coração na mão. Leon nunca a perdoaria por esse deslize.

Ele riu debochado. Diego não falou nada, apenas os observando.

— Não diga mais nada, não quero que me explique nada! Com isso, nós terminamos aqui. — Cuspiu as palavras e se virou para sair. Violetta arregalou os olhos, ela nunca quis que aquilo acontecesse.

— LEON!! — Vilu gritou ao ver seu amor saindo, já sentindo as lágrimas invadirem seu rosto.

— Vilu, tá tudo bem… — Diego segura nos braços finos de Violetta, que se solta rapidamente o olhando com desprezo.

Sabia que a culpa não era só dele, afinal tinha se deixado levar pelo calor do momento. A ficha havia caído, Leon tinha mesmo terminado com ela, depois de tudo que viveram.

Violetta se afasta, olhando para Diego com um misto de desprezo e dor.

— Olha o que você fez… Eu te peço uma última vez que não me procure nunca mais… — Ela sai da sala em passos largos, deixando um Diego confuso e triste para trás.

Apesar da frieza de Violetta, Diego não era de desistir tão fácil até ter o que conseguia, e ela pra ele era como se fosse um jogo. Ter Violetta era uma questão de honra, não estaria disposto a desistir dela sem nem tentar.

Notas finais
Até a próxima!