The Story Never Ends.

22 Everything Has Changed.


Notas iniciais
* Tudo Mudou. Boa leitura ♥

2 Semanas Depois.

Geral.

German acordou um pouco mais cedo do que gostaria, levantou a cabeça fitando o despertador que marcava seis horas da matina exatamente, suspirou pondo seus olhos em Angie que ainda dormia tranquila virada de costas para ele, parecia tão serena. Apoiou a cabeça em seu braço de forma que pudesse a olhar, com um sorrisinho que permeava seu rosto ao fitar a noiva. Sem resistir levou a mão com cautela até o rosto dela fazendo uma carícia na bochecha alva com um tom rosa, era maravilhosa, e toda sua. Se dispersou em pensamentos sentindo-se imensamente feliz por está ao lado de Angeles, mesmo com todos os caminhos errados que tinham trilhado porém que tinham os levado as estarem juntos como um só, finalmente sem culpas ou quaisquer pontas de ressentimentos, eram finalmente livres depois de tanto tempo.

Angie abriu os olhos sonolenta e de soslaio encarou seu noivo que estava absorto em seu próprio mundo, divagando, entreabriu os lábios rosados puxando o ar ao analisar. Era deliciosa a sensação de acordar ao lado de seu futuro marido, nunca imaginou que isso aconteceria. Virou-se ficando cara a cara com ele.

— Bom dia.

Sua voz arrastada pelo sono o cumprimentou, German balançou a cabeça sorrindo levemente ao ser a primeira pessoa que ela olharia por todos os dias. Angie retribuiu o sorriso, apaixonada.

— Bom dia, meu amor. — A saudou carinhosamente com a voz morna.

Angie amava isso.

Aliás, amava a nova vida que havia ganhado desde de Seychelles. German se aproximou sem desviar o olhar dela, e segurou em seu rosto delicadamente a beijando com tranquilidade. Era perfeito sentir os lábios doces dela contra os seus logo pela manhã. Angie riu abafado ao se separarem com um selinho demorado.

— Quer uma carona até o Studio? — Indagou pondo seu tronco em cima de Angie, apoiando seu peso na cama para olhá-la melhor.

Angie aproveitou para afagar os cabelos negros de German, sentindo toda a maciez. Suspirou, piscando afetada pela proximidade dele ao seu rosto. Se pudesse passaria o dia enfurnada no quarto junto com ele, entretanto ainda tinha o dia lotado de responsabilidades. Mordeu o lábio inferior feliz com o avanço que German dava a cada dia, tinha saído um peso enorme de cima de si por não precisar mais mentir sobre nada.

— Não precisa, obrigada. — German a fitou, não queria sair um segundo sequer de seu lado.

— Vilu pediu para que fossemos andando hoje, precisamos de um tempo… Você sabe… A sós. De tia e sobrinha.

Explicou tentando conter um riso, afagando seu rosto sentindo a barba por fazer espetando sua mão.

— Tudo bem. Vocês realmente precisam de mais tempo.

German a roubou um selinho estalado.

— Mas vou passar pra te buscar, pode ser? — Questionou sério.

Como teria algum tempo livre da empresa, resolveu passá-los com a noiva e a filha.

— Tudo bem, amor. Termino umas doze.

Informou, German concordou com um sorriso. Beijou o topo de sua testa, deitando-se ao seu lado. Angeles deitou a cabeça em seu peito escutando as batidas de seu coração igual com o seu, amava ficar assim com German, o amava, não teria outro jeito de tudo isso acabar que não fosse ficar junto do homem que ama, onde era seu lugar. Seus dedos brincavam se entrelaçando, ficaram em silêncio desfrutando por aquele tempo livre, estar na companhia um do outro.

Angie sentiu algo dentro de si remoer, e não tinha nada a ver com sentimentos, se sentia enjoada como se fosse pôr pra fora o pouco que conseguiu jantar ontem. Seu rosto se contorceu leve numa feição de careta, o que não passou despercebido por German que ficou atento a Angie.

— Está tudo bem, Angie? — Afagou sua testa.

Angie respirou profundamente, querendo livrar-se daquela sensação horrenda. Parecia uma virose forte.

— Está sim, foi só um enjoo. Já vai passar.

Comunicou sorrindo amarelo, não queria que German se preocupasse. O que já era tarde demais, não era de hoje que vinha notando que Angie não se sentia bem.

— Tem certeza? Angie, se não estiver se sentindo bem pode ficar em casa hoje. Eu ligo pro Pablo e explico, além do mais é melhor irmos num médico pra saber o que é isso, você mal tem se alimentado por conta desses enjoos.

Afirmou, queria que Angie concordasse para que pudesse cuidar dela até saber o que era isso, mas conhecendo a mulher teimosa que tinha era difícil que concordasse. Ela sorriu fraco, beijando a palma de sua mão.

— Não precisa, de verdade. É só uma virose um pouco mais forte, no caminho do Studio passo na farmácia e compro comprimidos. — Respondeu com doçura.

Era óbvio que ia ceder, sempre cedia ao ver os olhinhos de Angie brilhando.

— Nossa, como você é teimosa! — Sentou-se na cama e ela assentiu rindo sentando-se ao seu lado.

— Tudo bem, mas se você não melhorar me liga que vamos no médico está bem?

Angeles confirmou com a cabeça compassiva, beijou a bochecha de German e levantou-se indo até o roupeiro de seu noivo.

— Você promete que me liga se sentir qualquer coisa?

— Prometo amor. — Respondeu procurando sua toalha. – Aliás, já estou melhor. Vou tomar um banho para ir pro Studio.

German levantou-se vendo-a pegar sua toalha lilás e pôr no ombro.

— Deixa eu tomar banho com você?

Perguntou com uma expressão morna, Angie o olhou séria. Nunca tomavam só um simples banho e dessa vez não seria diferente.

German a fitou com sua melhor cara de gatinho que caiu do caminhão de mudança, sempre conseguia convencê-la já que Angie nunca o negava nada quando fazia essa cara. Suspirou rendida.

— Promete que não vamos demorar?

— Prometo que podemos tentar. — Comunicou travesso.

De surpresa a pegou no colo, fazendo-a rir alto enquanto a conduzia para o banheiro.

(…)

Violetta situava-se na mesa se servindo com panquecas e suco, quando ouviu passos vindos da escada, levantou os olhos vendo por fim German e Angie descendo entre risinhos. Sorriu ao ver a felicidade notória dos dois, adorava que fossem felizes, ao chegarem na sala foram direto pra mesa indo cumprimentar a adolescente cada um com beijinhos na bochecha causando-a risadas.

— Bom dia, vejo que acordaram animados hoje…

Vilu entreolhou a tia e seu pai que tinham sorrisinhos que não saiam de seus rostos.

— Normal querida, acordamos assim todos os dias. — Angie deu ombros servindo-se de café.

“Desde que estão noivos.” A mente de Violetta ironizou completando e ela se repreendeu pelo devaneio.

— Animada para sua apresentação hoje, filha?

German questionou interessado, tinha ficado muito contente em saber que Violetta fora escolhida pelos professores e pela maioria dos alunos para protagonizar o espetáculo de fim de ano, o que deixou Ludmila fervendo de raiva.

— É só um ensaio, pai.

Angie segurou na mão da sobrinha, a acarinhando.

— Um ensaio onde você vai se sair maravilhosa, não temos dúvidas. — Comentou doce.

Ambas sorriram com cumplicidade transbordando entre elas. Vilu corou.

— Vamos caminhando hoje, não é tia?

— Vamos sim, Vilu. — Angeles respondeu carinhosa, lançando uma rápida piscadela para sua sobrinha.

— Bom dia pessoal. — Ramallo cumprimentou a todos com um sorriso, sentando-se em seu lugar de costume.

— Bom dia Ramallo.

Os três o cumprimentaram em uníssono. Olga saiu da cozinha cantarolando animadamente como de costume, tinha em suas mãos um delicioso bolo de laranja com cobertura de chocolate, que havia acabado de sair do forno exalando um cheiro de dar água na boca em qualquer pessoa ali.

— Acabei de preparar esse bolo, está uma delícia. Saiu do forno agorinha.

Olga pôs o bolo centralizado na mesa se retirou, indo para a cozinha.

— Hmm… Isso deve está maravilhoso. — Vilu murmurou cortando uma fatia para si.

Angeles ao inalar aquele cheiro um tanto forte, sentiu seu estômago embrulhar novamente lhe causando o segundo enjoo matinal do dia. Respirou fundo, precisava sair dali.

— Meu amor, aconteceu alguma coisa?

German tinha um semblante preocupado, sabia o que Angie sentia. Era óbvio que por não gostar de ir ao médico, não ia dizer nada para ele.

— Sim German, eu só… — Falou lenta, fechando os olhos por uns milésimos de segundo. – Vou tomar um ar, Vilu me encontre lá fora está bem?

Violetta concordou vendo-a sair rápida, se preocupou imediatamente. Assim como German que queria pegá-la no colo e a prender em seu quarto para que fosse examinada pelo médico da família ao invés de se autodiagnosticar com uma suposta virose.

— Pai, ela tá bem? Saiu com uma expressão tão estranha…

Comentou bebericando seu suco de laranja. A respiração de German pesou num suspiro, detestava ver ela assim, ainda mais se não pudesse fazer nada.

— Eu não sei Vilu, Angie deve está com algum tipo de intoxicação alimentar que tudo que come lhe causa enjoos frequentes. Mas sabe como sua tia é teimosa, não é? Não me deixa levá-la ao médico.

Bufou indignado.

— Vou ver se falo com ela, pode ser? — Violetta levantou-se. – Preciso ir, até mais.

German concordou, beijando a bochecha da filha.

— Filha, espera. — Chamou-a de volta. Vilu parou o fitando. – Se Angie sentir qualquer coisa, qualquer coisa mesmo, você me liga ok?

Violetta lançou um breve sorriso para o pai, achava aquilo muito fofo, só que ficou calada.

— Pode deixar pai.

Após se despedir do pai e de Ramallo saiu apressada indo ao encontro da tia, fitou seu relógio de pulso e decidiu ir logo caso não quisesse chegar atrasada na primeira aula.

Angeles Saramego.

Fechei os olhos com força esperando me livrar da sensação ruim que o enjoo me causava, o vento ameno batia contra minha pele me arrepiando com o pouco frio, enquanto minha mente me repreendia em alto e bom som por ter saído daquele modo da mesa, não queria que ninguém se preocupasse comigo.

Até porque eu sabia que isso deveria ser só uma virose mais forte, ou no quadro mais grave uma anemia por está me alimentando muito mal nos últimos dias.

— Está melhor tia?

Vilu apareceu na minha frente com um semblante preocupado, tirando-me de meus pensamentos absortos. Coloquei a mão em seu ombro, forçando um sorriso fraco.

— Estou sim princesa. Não precisa se preocupar com isso. — Afirmei baixo.

Vilu mordeu os lábios.

— Acho meio difícil de isso acontecer, você raramente adoece. Além do mais seria bom ir ao médico, pra nos deixar mais tranquilos.

A puxei para um abraço leve, e beijei o topo de sua testa.

— Obrigada Vilu, juro que vou. É que com toda essa correria do Studio, do casamento, o espetáculo… Não tenho encontrado muito tempo.

Ela assentiu, nos soltamos.

— Tudo bem, eu espero que vá mesmo Angie. — Disse autoritária, nós rimos.

— Podemos ir?

Assenti sentindo-me mais leve.

— Vamos sim.

Vilu abriu a porta e nós saímos indo pelo caminho da praça, como Vilu disse que a aula da Jackie nunca começava na hora, aproveitamos esse tempinho para tranquilamente pôr os assuntos em dia.

— Eu estava sentindo falta dessas nossas caminhadas até o Studio. — Vilu revelou com um sorrisinho brincando em seu rosto lindo.

Sorri de volta, envolvendo-a num abraço pelo seu ombro sem deixarmos de caminhar.

— Eu também estava, faz um bom tempo na verdade que não caminhamos mais assim. — Insinuei a fitando de soslaio, Vilu sorriu sem graça entendendo o que eu queria dizer.

— Ultimamente a senhorita tem me excluído da sua vida.

Murmurei num tom divertido, tocando na ponta de seu nariz.

— Ah tia, você nem notou! — Tentou se explicar entre risos. – Mas é que eu e Leon estamos tentando recuperar o tempo que passamos longe, sabe?

— Sei bem como é. — Respondi séria. – E como vocês estão se saindo nessa fase nova?

Vilu suspirou.

— Muito bem, por hora. — Falou com uma expressão perdida, o que me alarmou, nunca tinha visto-a falar desse modo.

— Como assim “por hora”?

Questionei confusa. Minha sobrinha mortificou seu corpo, ponderando por um tempo o que me diria.

— É que tenho medo. Não sei até quando tudo pode ficar assim, sabe? Nossa vida está tão boa, do jeito que eu sempre sonhei que eu tenho medo de que algo possa nos atingir a qualquer momento, desmoronando esse conto de fadas que estamos vivendo.

Revelou baixo, me partiu o coração ao ver que mesmo sendo tão nova tinha essas inseguranças. Para ser sincera, eu também sentia isso, ainda mais por saber que Esmeralda nos rondava tentando nos separar, éramos tão frágeis e vulneráveis que qualquer vento poderia nos abalar.

Só que eu nunca falaria algo assim pra Vilu, ela precisava se sentir bem. Sentir que nada vai “acabar” com a felicidade que ela sente.

— Não meu amor, quero que me prometa uma coisa. — Pedi e Violetta me observou atenta. – Quero que curta cada momento que está vivendo como se fosse o último, quero que desfrute de tudo que está acontecendo porque eu tenho certeza que o amor de vocês é forte o suficiente para aguentar qualquer obstáculo. Me entende?

— Foi por isso que a vida te colocou ao meu lado, você é incrível tia. Te amo muito.

Nos abraçamos mais forte.

— Também te amo muitíssimo, Violetta. — Afaguei seus cabelos curtos. – Não se preocupe, eu vou está sempre ao seu lado.

Ouvi sua risadinha abafada, depositei um beijo em sua bochecha e continuamos nossa trajetória até o Studio.

(…)

Resolvi terminar a última aula da manhã um pouco mais cedo que de costume hoje, não me sentia tão bem para continuar, era como se os enjoos que senti de manhã tivessem triplicado. Tomei um comprimido que sempre me ajudou com os enjoos em viagens de avião, me sentei em cima da mesinha rosa e peguei meus fones plugando ao meu celular aproveitando para colocar minha playlist preferida, esperando que German viesse me buscar.

— Angie?

Abri os olhos, vendo Antônio um pouco a minha frente me fitando com curiosidade, ruborizei tirando os fones e me levantando da mesa.

— Antônio, me desculpe… Aconteceu algo? Estão precisando de mim em alguma aula? — Questionei atrapalhada.

Ele riu baixo e fez um sinal com a mão para que me acalmasse, suspirei.

— Na verdade, eu vim saber o motivo de ter liberado os alunos mais cedo do que o previsto.

Tamborilei os dedos na mesa, será que deveria contá-lo? Antônio era como um pai pra mim, tudo que eu menos precisava era vê-lo preocupado por uma bobagem.

— Sabe que pode confiar em mim, não sabe? — Indagou com carinho. Consenti com a cabeça, sorrindo sem graça.

— Sei. É só que não me senti muito bem, e os liberei. Mas prometo que isso não vai acontecer mais.

Expliquei gesticulando, como uma criança.

— Não é pelos alunos, querida. É por você. — Antônio segurou em minha mão. – O que está sentindo?

Mordi os lábios, tensa.

— Enjoo, devo ter comido algo que não está me fazendo bem. Nada segura no meu estômago, só que estou tomando um comprimido e agora é só esperar melhorar.

Informei dando ombros. Antônio pareceu pensar um instante, sua feição parecia preocupada. Droga, era isso que eu não queria.

— O que foi Antônio? Está me assustando…

Ele retirou os óculos, me lançando um pequeno sorriso.

— Não é nada demais, eu posso está errado. Mas acho que por ter convivido com muitas mulheres, e todas, inclusive sua irmã, em certa fase da vida adulta, sentiram algo parecido porém com o mesmo diagnóstico. — Começou, pondo a mão sob meu ombro.

Fiquei confusa, do que estava falando? O que Maria teve?

— Já pensou em considerar a possibilidade de uma gravidez?

Arregalei os olhos em pânico, a palavra gravidez vagava na minha mente provocando um eco deixando-me um pouco tonta com aquilo.

— Pela sua cara, já vi que existe sim uma possibilidade. — Afagou meu rosto. – Tire o resto do dia, e faça exames.

Assenti ainda perdida nos meus pensamentos, meu coração apertou forte me faltando o ar por um segundo. Isso não poderia está acontecendo, não neste momento. É claro que eu queria ser mãe, mas não sem ser planejado ou… Agora, aos vinte e dois anos. Não era pra ser assim! Minha mente trabalhava incessavelmente tentando lembrar de algum momento em que vacilamos, mas nunca tinha acontecido. Eu sempre tomava pílula.

A vontade de chorar me engolfou fortemente, talvez German nem quisesse outro filho agora. O que eu faria? Com tanto trabalho, como pude não me dar conta? Tentava encontrar respostas, respirei fundo tentando me conter.

Inspirei profundo, me acalmando e espantando esses pensamentos malucos. Não ia me preocupar agora com uma possibilidade que era quase nula.

— Vamos amor?

A voz grave de German preencheu todo o ambiente, ele nos fitava com uma ponta de curiosidade. Retribui seu olhar tentando sorrir fraco, queria esquecer o assunto. Mas como poderia? Assenti em silêncio, pegando minha bolsa.

— Bom, eu vou indo também. Se cuide querida. — Beijou minha bochecha, e saiu acenando para German que retribuiu e se aproximou de mim.

Certamente tínhamos que conversar. Prometi a mim mesma que nunca mais esconderia nada dele.

— Você está bem? Parece um papel, Angie.

Alegou sério tomando meu rosto entre suas mãos. O que era verdade, eu sentia que a qualquer meu corpo desabaria até o chão contra a minha vontade.

— Estou sim. — Trocamos um selinho rápido. – Vamos? Por favor?

Ele concordou me conduzindo para fora da minha sala.

Geral.

Olga cantarolava na cozinha enquanto preparava doce de leite que os três tanto gostavam para mais tarde, quando pela cafeteira prateada apoiada na bancada viu o reflexo de Ramallo tentando passar despercebido, meio distorcido, mas ainda sim poderia reconhecê-lo a léguas.

— Onde você pensa que está indo Ramallo?

Olga praticamente gritou da cozinha, chamando sua atenção. Ramallo parou de supetão por ter sido pego no flagra, rendido, foi até onde sua companheira estava.

— Pode me dizer o que aconteceu dessa vez?

Olga riu mexendo o doce na panela.

— Não notou nada estranho esses dias? — Insinuou.

Ele negou com a cabeça não entendendo o que ela queria dizer, a fazendo rolar os olhos por tanta lentidão.

— Como você é lento homem!

Ramallo deu ombros arrumando sua gravata.

— Não sou lento, apenas existem coisas que não são da nossa conta! — Explicou-se.

Olga o analisou desconfiada.

— Ramallo, meu querido Ramallo, não vai dizer que não reparou em como Angie tem estado alterada ultimamente?

O homem de cabelos grisalhos encostou-se na bancada ponderando por um breve tempo, respirou fundo sem entender o rumo da conversa.

— Ela não está bem, German mencionou algo de uma intoxicação alimentar. Mas ainda não entendi o que temos com isso.

— Isso não é uma simples intoxicação alimentar, e mais, temos que nos preparar pois quem sabe em alguns meses a família terá um novo membro! — Arqueou a sobrancelha, com um sorriso que mal cabia em seu rosto.

Ramallo a fitou interessado no rumo da conversa, com os olhos arregalados.

— Olga… — A repreendeu. – Você acha mesmo?

Ela riu entusiasmada acenando com a cabeça em confirmação.

— Tenho quase certeza! Angie anda rejeitando tudo que eu faço, e olha que ela adora minha comida, diz que se sente cansada demais, com fome de menos. E outro dia, a vi correndo pro banheiro depois de ter almoçado.

Ramallo bufou.

— Isso pode significar qualquer coisa, minha cara.

Olga desligou o fogo e cruzou os braços o fitando séria.

— Pode sim, mas não nesse caso. Na minha terra temos um nome bem específico pra isso que se chama gravidez, acho até que se olharmos bem já podemos ver a barriguinha crescendo.

Era uma possibilidade real, pensou por outro lado, ela poderia ter razão. Angeles andava muito estranha nesse último mês. Um sorriso começou a dar forma em seu rosto, ao imaginar uma criança correndo pela casa e alegrando a todos.

— Acho melhor preparar uma sopa ou qualquer coisa que essa garota consiga comer. — Começou animada.

Ela parou no lugar e sorriu fitando Ramallo.

— Essa criança deve ser uma fofura, não é? Imagina só um bebezinho igual a mãe? Ou a mistura do dois? Violetta vai ficar tão feliz com um irmãozinho, Sr. German então, nem se fala, vai ficar vidrado em tudo do bebê e nós vamos ter um pacotinho para mimar! Awn…

Ramallo riu ao ver a reação da empregada. Certamente pensou o mesmo, porém não ia falar nada pra não alimentar esperanças de algo que poderia nem acontecer.

— Você viajou legal dessa vez, Olga. Isso que dá assistir todas as novelas que passam. — Comunicou sério.

Ela o mostrou a língua.

— Você que é um grandessíssimo estraga prazer!

Implicou.

— Mas de qualquer forma, isso não é assunto nosso.

German que no mesmo momento ia entrando escutou o que Ramallo dizia.

— O que não é assunto de vocês? — Perguntou interessado, já pegando uma água na geladeira.

Olga abriu a boca para falar, mas Ramallo a interrompeu rápido antes que ela começasse o enchendo com suas ideias.

— O casamento!

Disse rapidamente com um sorriso. German os olhou desconfiado, pareciam estranhos.

— Mas vocês também podem ajudar, eu agradeço muito. — German informou sorrindo.

— Eu tô indo buscar a Angie, não se esquece que ainda temos uma videoconferência com os franceses…

Ramallo assentiu ainda com um sorriso sem graça. German os olhou mais uma vez tentando espantar a curiosidade e decidiu ignorar seja lá o que fosse, afinal ainda eram Olga e Ramallo ali.

Logo que German saiu, Ramallo olhou repreensivo para a morena.

— Você e essa sua boca grande ainda vão nos colocar em problemas…

Resmungou fazendo Olga revirar os olhos grandes e rir.

(…)

German estacionou o carro em frente ao Studio, desceu e saiu a procura da sala de Angie meio perdido, encontrou Violetta conversando com uma de suas amigas e resolveu falar com a filha.

— Vilu. — A chamou.

Ela sorriu observando o pai.

— Olá Camilinha.

— Oi pai. Essa é a Francesca. – German balbuciou um “desculpa” envergonhado. – Você veio buscar a Angie?

Concordou.

— Você sabe onde ela está?

— Sei. Ela está naquela sala rosa à direita. — Respondeu apontando a direção sob os olhares atentos do pai e da amiga.

— Como ela está? Você sabe?

— Ainda não muito bem, mas tomou um comprimido.

Explicou deixando German preocupado, o que faria com toda essa pirraça de Angie para não ir ao médico?

— Eu não vou ir pra casa agora, ainda tenho aulas tá?

— Tá filha, deixa eu ir lá ver sua tia. — German se despediu beijando a testa de Violetta e acenou para Francesca.

Deixou as meninas mais à vontade e saiu em direção a sala de Angie, onde viu Pablo perto da porta mexendo no celular, revirou os olhos sem se sentir muito a vontade com sua presença ali. Angie conversava com Antônio num tom baixo e tinha um semblante aflito.

Era notável que ela realmente não estava muito bem hoje. E era de preocupar qualquer um, já que raramente adoecia.

(…)

German guardou o carro na garagem da mansão e desligou o jazz que tocava baixinho criando uma atmosfera agradável, embora estivesse muito preocupado com Angie que veio todo o trajeto até em casa calada com a cabeça encostada no vidro, percebeu que ora fitava o caminho e ora tinha um olhar perdido em seu próprio mundo.

Nunca tinha a visto tão calada, ou seja, mais um motivo para o encher de apreensão.

— Meu amor, chegamos.

Repousou a mão em sua perna, chamando sua atenção. Angie se sentia engasgada, as palavras de Antônio não saiam de sua mente, e o que todos achariam de um casamento grávida? Como tinham cometido um deslize desse porte e nem se dado conta? Como? Voltou seu olhar cansado para German, assentindo.

— Tudo bem, vamos descer.

Pegou no puxador o abrindo sentindo-se exausta, quando ia descer German segura seu braço com delicadeza para não machucá-la, querendo que ela ficasse. Notou que a pele corada de Angeles agora tinha ficado pálida, sabia que ela tinha algo de errado com ela.

— Aconteceu algo no Studio? Você está tão quieta. — Comentou a contemplando.

Angie deu-lhe um sorriso leve, tentando pensar em como diria que havia uma possibilidade real de estar grávida. Suspirou inquieta, eram tantas perguntas em sua mente, que não sabia por onde começar. Nem se deveria começar.

— Não é nada… juro. — Respondeu em tonalidade entristecida.

German levou uma de suas mãos até o rosto macio de Angie o afagando, ela fechou os olhos desfrutando daquele carinho que acalentava seu coração.

— Tem certeza?

Questionou. Algo dentro de si sentia que isso não era tudo que queria dizer. Angeles brincou com seus próprios dedos, perdida, não sabia como tocar no assunto de forma que não espantasse ele para longe.

— Quero que seja sincero comigo. — Pediu.

Ele assentiu concentrado. Não tinha nada que Angie pedisse que não pudesse oferecê-la.

German a analisava minuciosamente esperando que ela pudesse começar a falar.

— Você gostaria de ser pai novamente? — Seus olhos brilhavam ávidos com a curiosidade pela resposta.

Aquilo pegou German de surpresa, por que falavam sobre ter filhos agora? A ideia aqueceu seu coração ao imaginar construir uma família com o amor de sua vida, imaginou-se de repente brincando com seu filho de bola nesse gramado, ou com sua filha toda embonecada de chá da tarde como fazia quando Violetta era pequena.

O silêncio de German, quebrava Angie aos poucos, já tinha sua resposta.

— Sim, a ideia de construir uma família com você me deixa fascinado. — Pegou a mão dela entre a sua entrelaçando seus dedos.

Angie respirou aliviada, não era ruim. Talvez fosse uma peça do destino querendo brincar com os dois, ou talvez não.

— Por que a pergunta? Você está…

Angeles riu nervosa, pondo as mãos no rosto para esconder a vergonha que sentia. Não queria o dar esperanças falsas por algo que talvez nem acontecesse.

— Não German! Não estou grávida. — O interrompeu antes que se iludisse. – Por Deus... Que ideia absurda.

Nem tão absurda assim. Sua mente maldosa a corrigiu.

Ele respirou fundo, desconcertado. Então qual era o propósito de ter essa conversa agora? Já esperava uma conversa assim, só que depois de alguns meses de casado. Não ainda noivo.

— Angie, sei que está havendo algo. Você parece nervosa. — Expôs com tranquilidade. – Mas seja lá o que isso for, vamos passar por tudo juntos está bem?

Angeles tranquilizou-se mais, não ia pensar mais numa bobagem dessa, faria exames só para acabar com quaisquer dúvidas que insistiam em a assolar.

— Está bem. — Confirmou sorrindo fraco.

German aproximou os lábios dos dela, os unindo num beijo calmo. Suas bocas moviam-se lentamente sem nenhuma malícia, mostrando que estavam juntos em tudo.

— Quero ir pra minha casa.

Angie murmurou contra os lábios macios de seu noivo. Precisava pensar, ao menos um pouco que fosse.

— Tem certeza que não quer ficar?

German questionou inquieto, não queria sair de perto dela um minuto. Ainda mais estando passando mal frequentemente. Queria cuidá-la o máximo que pudesse.

Angeles assentiu incerta.

— Amanhã eu fico aqui, mas hoje gostaria de dormir na minha casa. — Pediu séria.

German suspirou, acarinhou a coxa dela coberta pela calça jeans concordando mesmo contra sua vontade.

— Amanhã quero você aqui comigo.

Disse autoritário dando partida no carro novamente, Angie confirmou deitando a cabeça no banco de forma a ficar confortável para fita-lo durante todo o caminho.

Tinha tomado a decisão certa, precisava de um tempo só seu para se organizar. Embora fosse sentir muita falta de dormir com German porque seu corpo tinha se acostumado ao seu abraço, seus beijos de boa noite, o calor de seu corpo junto ao seu, seu cheiro amadeirado que tanto amava, mesmo sendo só por hoje ia sentir-se vazia.

Violetta Castillo.

Eram por volta das duas da tarde quando eu saí da minha última aula de hoje com o Beto, andei até a área verde do Studio me sentando em um dos bancos que tinham livres para poder esperar Leon tranquila.

— Oi linda! — Ouvi uma voz masculina, olhei para cima vendo que não era meu namorado.

Que petulante! Era lindo e tinha um estilo badboy.

— Quem é você, seu abusado?

Indaguei com uma carranca o fazendo rir alto me observando. Seu olhar intenso tinha algo diferente que me intrigava.

— Eu sou Diego. Ou o amor da sua vida caso você preferir… — Falou com um sorriso malicioso e eu bufei.

— O amor da minha vida? Você é muito sem noção mesmo…

— Sim, só que você ainda não percebeu. Você não quer ser responsável por uma história de amor inacabada, quer? — Seu sorriso aumentava a cada palavra.

Respirei fundo me sentindo muito brava, como ele conseguia ser tão ridiculamente conquistador? Era um idiota insuportável, sem dúvidas.

— Sabe o que você é? Um cara de pau. — Respondi irritada, já me levantando. Ele riu ainda mais me deixando irritadíssima.

— Quer saber? Some da minha frente, seu idiota…

Pedi tentando manter a calma.

— Eu vou agora, mas sei que você vai sentir minha falta mais tarde. — Ele me lançou uma piscadela.

Como alguém podia ser tão insuportavelmente lindo?! Balancei minha cabeça espantando esses pensamentos impróprios.

— Sai logo! — Retruquei rispidamente.

— Tchau princesa.

Diego sorriu malicioso me lançando um beijinho no ar. O encarei brava e ele riu saindo.

— Idiota. — Resmunguei brava.

— O que o Diego estava fazendo com você Violetta? — Leon me olhou desconfiado, parece que ele não é o maior fã do Diego.

— Ele queria umas partituras amor. — Menti, afinal o que eu menos precisava agora era de uma confusão entre Leon e o insuportável do Diego. – Por que?

— Esquece. — Falou sorrindo de lado e vindo até mim. Ele me deu um beijo na bochecha me fazendo ruborizar, e ele rir da minha reação.

— Que tal a gente sair um pouco? Lembro ter te prometido que íamos sair mais...

— Para onde? — Questionei sorrindo, sentindo ele me abraçar de lado.

— É uma surpresa minha linda! — Eu ri. – Vamos?

— Vamos! — Respondi deixando que ele me conduzisse para a saída do Studio.

Deixei que Leon me conduzisse de moto para algum canto e já fazia uns 20 minutos que estávamos rodando, até chegarmos em um lugar que parecia ter só árvores.

— Chegamos? — Perguntei confusa.

— Sim amor. — Leon estacionou a moto e nós descemos.

— Tem certeza que é aqui?

Leon me olhou e riu da minha cara.

— Tenho sim, vem. — Ele pegou minha mão e me conduziu até perto das árvores.

Fomos andando juntos para uma trilha que tinha, eu sorri observando aquele clima natural que era difícil ver em meio a movimentada Buenos Aires.

Era lindo o lugar. Uma área verde recoberta por grama cheia de flores coloridas e algumas árvores frutíferas, logo a frente tinha um belo rio de águas cristalinas caindo em cascatas de um pico, ouvia-se apenas o canto dos passarinhos de tão calmo que era aquele lugar. Olhei ao redor impressionada com tanta beleza reunida em uma paisagem digna de um quadro.

— O que achou?

A voz calma do meu namorado me tirou dos meus pensamentos.

— É absolutamente lindo! — Respondi encantada. – Como achou esse lugar?

Leon riu baixo.

— Bom, quando você estava no Qatar eu andava de moto para espairecer… mas aí acabei parando aqui sem saber. Meu sonho era te trazer aqui. — Leon me abraçou. Envolvi meus braços no seu pescoço sem deixar de sorrir.

— Isso é perfeito Leon, obrigada…

— Só faz sentindo quando você está aqui. — Murmurou sorrindo.

Aproximei meus lábios dos seus o beijando calmamente, nossos lábios se moviam cheio de amor e carinho numa sincronia incrível, sua mão apertava a minha cintura com medo de que eu escapasse e minhas mãos acarinhavam sua nuca. Nossas línguas dançavam lentamente explorando cada canto que podiam, parecia que só existia a gente no mundo inteiro, eu era capaz de ouvir nossos corações batendo ainda no mesmo ritmo.

Nos separamos contra nosso gosto devido a falta de ar, terminamos o beijo com alguns selinhos demorados, era incrível como eu me sentia segura em seus braços; era como se nada e nem ninguém pudesse nos machucar.

— Eu te amo.

Falei baixinho ainda olhando em seus intensos olhos claros.

— Também te amo demais.

Leon riu se separando de mim. Ele retirou sua blusa e desabotoou sua calça jeans a jogando em algum canto da grama, eu ri abafado o olhando confusa porém aproveitando aquela visão dos deuses.

— O que você tá fazendo? — Indaguei entre risos.

Leon me lançou uma piscadela e saiu em direção ao enorme rio à nossa frente, mergulhou no rio submergindo em seguida me deixando surpresa com sua atitude.

— VEM!!

Meu namorado me chamou com um sorriso capaz de incendiar as calotas polares. O olhei por alguns instantes processando essa ideia insana, mas afinal que mal faria se só existia nós dois ali?

Retirei toda a minha roupa deixando-as jogadas pela grama, fiquei apenas com minha lingerie rosa de renda vendo que ele não tirava os olhos de mim por nenhum instante sequer. Corri até ele me jogando em braços, Leon me agarrou pela cintura me impedindo de cair nas pedras.

— Isso é muito bom. — Resmunguei em seu colo aproveitando para acariciar seu rosto macio.

A água estava gelada e alguns respingos frios da cascata caiam na gente, mas apesar disso, nossos corpos estavam pegando fogo. Nos beijamos novamente com mais desejo e urgência dessa vez, eu amava muito ele, mais do que poderia esperar amar alguém ou achar se humanamente possível.

Quiero sonarte. Vivir contigo cada instante.
Quiero abrazarte. Quiero besarte.
Quiero tenerte junto a mi. Tu eres lo que necesito.
Pues lo que siento es amor.

Notas finais
Até mais e fiquem com Deus ♥