The Story Never Ends.
3 Don't Take Your Love From Me.
Notas iniciais
Doha — Qatar.
Violetta Castillo.
Eram umas duas da tarde quando comecei a recolher meus materiais para ter aula com a nova professora que viria, respirei profundamente sentindo uma falsa imensa de Angie em todos os aspectos da minha vida. Poderia ter mil professoras que eu nunca me acostumaria com nenhuma, saí do quarto lentamente um tanto enfadada com aquela situação. Infelizmente não poderia lamentar nada agora, embora morresse de vontade de fugir pra Buenos Aires.
Desci em dois degraus parando pra observar a nova professora de longe, eu não a queria mas precisava lhe dar uma chance. Aparentava ter uns cinquenta anos, cabelos loiros com alguns fios brancos num coque muito bem arrumado, sem nenhum fio sequer arrepiado. Usava uma blusa social, uma saia preta que ia até dois dedos acima do joelho. Blazer preto e saltos baixos, parecia ser muito inteligente e eu sabia disso por suas feições sérias e seu óculos que ressaltavam os olhos castanhos gelados contrastando com a pele pálida.
Me aproximei lenta, confesso um pouco nervosa até, ela arrumava os livros pra aula que teríamos há pouco. Assim que ela notou minha presença sorriu fraco, retribuí seu sorriso me esforçando pra tentar gostar dela.
— Olá sou Leila Ayad, serei sua nova professora para cobrir os conteúdos das professoras antigas. Você deve ser Violetta, sim?
Sorriu com simpatia, concordei tímida.
— Violetta Castillo, é um prazer. — Tentei ser amigável, esboçando um fraco sorriso sem muitas emoções.
Apertamos as mãos e nos sentamos no sofá.
— Então, o que vamos estudar? — Indaguei procurando mostrar um mínimo de interesse.
A verdade era que eu não tinha cabeça pra estudar o que fosse agora, minha cabeça dava voltas tentando assimilar os últimos acontecimentos, e por mais que não quisesse admitir pensava também em Leon. Esses últimos meses vinha me dando conta de que eu precisava dele, que era ele, sempre foi. Percebi que só gostava de Tomás como meu amigo, e estando longe dos dois agora, era Leon que ocupava meus pensamentos. Entretanto o perdi por não saber o que queria, e ainda por cima beijar Tomás naquela praça. Céus, que erro maldito. Nunca poderíamos ter nos beijado, só serviu pra me mostrar o quão confusa eu estive achando que sentia coisas pelos dois, quando na verdade só sentia por Leon.
Mesmo sendo cabeça dura eu sentia muita falta dele, de seus abraços protetores, de seus conselhos, de seus olhos que me olhavam cheios de carinho, de seus beijos, de tudo. Ri com o pensamento de que se ele estivesse aqui, provavelmente me abraçaria forte e diria que ficaria tudo bem, que não era pra mim ficar preocupada. Em seguida me daria um daqueles beijos que me tiravam o ar.
— Violetta? Violetta?
Leila chamava-me balançando a mão em frente ao meu rosto, tentando tirar-me do transe. Arregalei os olhos envergonhada, ruborizando por minha falta de concentração.
— Perdão! Perdão por essa distração. — Pedi ruborizada. — É só que eu estive pensando em quanto sentia falta de Buenos Aires e…
— Pode ir parando por aí, eu sou paga pra te ensinar apenas. Então qualquer coisa que pense que não tenha a ver com a aula, eu não preciso saber. — Sua voz soou ríspida.
Estreitei os olhos perplexa pelo modo que falou comigo, definitivamente Angie era a única que se importava, mas também o que estava pensando? Angie era minha tia, ninguém vai fazer por mim o que ela fez. Encolhi os ombros, um tanto chateada e concordei em silêncio.
— Nós vamos começar por História, mas precisamente sobre o Iluminismo. — Ela deu uma pausa, assenti pegando meu caderno pra anotar tudo.
Não era tão ruim, adorava História.
— Estive olhando aqui, a última professora que deu esse conteúdo foi em Buenos Aires e deixou o conteúdo quase todo por dar, você perdeu muita matéria por conta desse desleixo. — Resmungou observando as anotações.
Mal pude acreditar que ela estava mesmo se referindo a minha tia daquele modo tão hostil, isso eu nunca poderia permitir.
— Essa professora tem nome, se chama Angie. Ela também é a minha tia e foi a única que conseguiu me ensinar, foi a melhor professora que eu tive. Então olha como você se refere a ela. — Exclamei entredentes, a fitando severa.
Leila ficou boquiaberta. Quem pensava que era?
— Você está sendo muito desrespeitosa, menina. — Informou rude.
Dei ombros.
— Não estou sendo desrespeitosa, só não quero você como minha professora.
Expliquei tentando manter o pingo de calma que me restava. Ela arregalou os olhos, tentando assimilar o que tinha acabado de dizer.
— Isso é um absurdo, você é muito mal educada menina. Vou conversar com seu pai, mas já adianto pra você que não faço gosto de ser sua professora.
Levantou-se recolhendo os materiais.
— Nem eu de ser sua aluna.
— Então sendo assim, me demito.
Leila retirou-se apressadamente da sala, não pude evitar que um sorriso vitorioso seguido de um suspiro me invadissem. Como explicaria a demissão de mais uma professora?
(…)
Deixei todo meu corpo exausto cair em cima da cama, tentando relaxar por uns milésimos que fosse, o fato é que desde que cheguei aqui no Qatar tenho andado muito estressada e desanimada com qualquer coisa, escutava uma música calma no iPod tentando esquecer a confusão de hoje e relaxar junto com a melodia, permitindo que ela lavasse minha alma de todo pensamento insano que pudesse ter como fugir dessa casa. Sorri com a lembrança do meu primeiro dia em Buenos Aires, em que saí chateada e na chuva, bem, necessitava de um pouco de espaço, quase como agora. Fechei meus olhos, cantarolando baixo a letra da música enquanto meus dedos finos pareciam criar vida própria ao se chocar com o criado-mudo ao ritmo da música, me evolvendo lentamente. Por um segundo, pude esquecer de tudo que me afetava, tudo que me fazia mal.
— Vilu?
Me levantei de supetão, devido ao susto que havia levado. Olhei pra porta vendo meu pai, parado ali me observando sério. Fiquei nervosa, já sabendo do que se tratava.
— Já sei que quer conversar pelo que houve com Leila, mas eu….
Me adiantei sentando-me na cama, ele suspirou fundo entrando.
— Calma, só quero conversar Vilu. — Sentou-se ao meu lado na cama. Seu olhar rígido sobre mim, implacável, me faziam sentir arrepndimento do que havia feito com Leila.
— Leila conversou comigo, e eu quero que sabia que o que você fez foi errados de muitas formas. E eu vim aqui tentar entender o que houve, porque eu realmente não te eduquei assim.
Fiquei em silêncio evitando o olhar.
— Fala Violetta. Por que agiu assim?
Eu sabia que estava errada, entretanto o olhar de meu pai incentivava-me a começar a falar.
— Leila foi rude comigo, e falou mal da minha tia. Eu não consegui evitar. — Murmurei guardando o iPod.
Ele limpou a garganta me olhando.
— Eu não sabia disso…
— Tudo bem… — Respondi num murmúrio. — Sinto muita falta da Angie, pai.
Meu pai fica ali me observando com uma expressão sisuda por alguns segundos, até que depois de uma respiração profunda, abre um breve sorriso fraco.
— Eu sei Violetta, também sinto muita falta dela.
Abri um sorriso sem acreditar que ele falou aquilo mesmo, eu sabia que meu pai ainda sentia alguma coisa por ela. Por menor que fosse, existia algo e eu também sabia que era recíproco.
— O que você disse?
Tentei segurar o riso, o observando desconfiada. Percebi que meu pai tinha ficado sem graça.
— Sinto muita falta da Angie também, Vilu. Agora se me der licença, preciso resolver umas coisas.
Levantou-se beijando minha testa, sem me dar tempo de responder saiu do quarto me deixando ali boba por ele ter admitido que sentia falta de Angie tão rápido.
Assim que meu pai saiu do quarto, me levantei indo vagarosamente até a janela observando a cidade sob a imensa escuridão da noite. Peguei meu telefone e chequei as mensagens para ver se tinha alguma da Angie, me preocupei ao ver que ela ainda não tinha respondido, um pouco nervosa resolvi ligar para ela afinal deveria ser final de tarde em Buenos Aires, ela já deveria está saindo do Studio.
Disquei seu número apertando em chamar, Angie não demorou a atender.
— Alô? — Ouvi sua voz calma do outro lado da linha.
— Tia?! — A chamei de volta, já dando graças à Deus por está tudo bem.
— Olá Vilu, como você está princesa? — Escutei ela me questionar com a voz trêmula. Parecia que estava nervosa.
— Eu tô bem, com muitas saudades de todos mas bem. Como está por aí tia? — Puxei assunto.
— Aqui está tudo bem, os meninos vão fazer um espetáculo para daqui a uma semana. – Angie se animou e eu ri, adoraria tá lá.
— Desculpa Vilu, eu não queria…
— Não, tá tudo bem. – Murmurei dando ombros. – Na verdade eu te liguei porque fiquei preocupada, não respondeu meu sms para me dizer se iria ou não vir para o Qatar… – Falei cautelosamente e ouvi um suspiro na linha.
— Vilu, eu … – Angie silenciou por alguns instantes, parecia ainda está pensando na proposta, fazendo com que a curiosidade me matasse aos poucos. Minha tia ainda parecia está nervosa.
— Eu vou para o Qatar, não se preocupe meu amor.
Assim que ela disse que viria, comecei a comemorar fazendo uma dança maluca pelo quarto enquanto ria alto. Pude ouvir a risada da Angie do outro lado e ri mais ainda nem acreditando que finalmente poderia matar a saudade.
— Obrigada. Te amo, te amo, te amo… — Falei animada a fazendo rir abafado.
— Eu sei, porque eu sou a melhor tia do mundo inteirinho! – Angie afirmou se gabando.
— É sim dona Angeles! Bom tia, agora eu preciso desligar pois tenho que ir jantar, mande um beijo para todos.
— Ok, boa noite então Vilu, – Ela murmurou e em seguida desligou.
Guardei o telefone, e resolvi descer. Mal podia esperar para contar para papai que Angie viria.
Alguns Meses Antes.
German Castillo.
Caminhava junto com Ramallo em direção La Spiga By Papermoon para uma importante reunião de negócios que alavancariam minha empresa para o topo dos negócios, enquanto seguia em direção ao restaurante vi uma moça muito parecida com Angeles, parei por alguns segundos balançando minha cabeça atordoado. A moça entrou no restaurante me deixando ali parado com meus infernais pensamentos, e pela milésima vez desde muito tempo me peguei pensando nela. Me peguei em como estaria, no seu sorriso que no último mês que estive em Buenos Aires já não o via, em seus olhos verdes me aquecendo, seus cabelos tão dourados quanto o sol.
Sentia meu coração palpitar querendo pular do peito, literalmente tenho me ocupado do trabalho bastante do trabalho pra evitar que meus devaneios fossem parar na única mulher que amei depois da Maria, a única que me deixou no céu e no inferno ao mesmo tempo. Angie era única pra mim, e ninguém nunca conseguiria substituí-la. Quando lembro de seus olhos marejados no dia que nos mudamos me partia o coração de diversas maneiras, não queria ter sido tão rude com ela, entretanto não poderia deixar Violetta seguir naquele mar de mentiras que estava sendo naquela casa, tampouco poderia ver Angeles todo os dias depois de saber que havia me apaixonado perdidamente pela irmã da minha falecida mulher, tia da minha filha. Como deixei que tudo chegasse a esse ponto tão desastroso? Já haviam se passado dois meses desde que cheguei aqui onde sentia minha vida estagnada, dois longos meses que me afundei no trabalho para não pensar em nada que a envolvesse mesmo sabendo que não poderia esquecê-la por mais que tentasse desesperadamente, por mais que precisasse. Entretanto seu sorriso permanecia vivo em minha mente, assim como o abraço que demos antes que eu levasse Violetta, seu cheiro havia se impregnado em minha roupa e até hoje mesmo com lavagens ainda o poderia sentir tão vivo como se Angie tivesse todos os dias comigo.
Sabia que tinha a magoado demais, só que agora era tarde pra tentar reconcertar essa bagunça. Estava certo de que Angeles nunca me perdoaria por isso, e eu por mais que me doesse tentaria seguir com minha vida normalmente.
— German?
Ramallo tocou no meu ombro, fitando-me com uma cara de preocupação. Saí do transe o observando aturdido.
— Por acaso estou falando demais ou você está ocupado pensando na Srta. Angie? — Sorriu malicioso, me fitando por cima dos óculos.
Me permiti respirar fundo, não poderia negar que mesmo de longe ela ainda mexia com todo meu psicológico.
— Não quero que fale sobre esse assunto agora. Basta!
Resmunguei sério.
— Tudo bem, parece até que tomou um café amargo no desejum.
Bufei, arrumando alguns papéis.
— Vamos entrar.
— German Castillo?
Ouvi uma voz feminina me chamando, virei-me observando quem me chamou. Uma mulher linda por sinal. Era da minha altura, esguia, pele branca, rosto fino que contrastava com seus cabelos curtos caindo acima dos ombros, olhos da mesma cor, usava um vestido preto que lhe caia muito bem com um blazer branco, e tinha um sorriso amistoso em seu rosto. Como havia dito, era linda.
— Olá.
Sorri.
— Desculpa te incomodar, é que sou engenheira e andei te procurando por toda Argentina pra que desenvolvêssemos um projeto, quando soube que estava aqui… Eu… — Ela parou por alguns segundos corada, apertando sua pasta contra si. – Sou uma grande fã do seu trabalho.
Murmurou sorrindo, a observei bem podendo constatar que estava nervosa.
— Desculpe, senhorita. Mas o Sr. German tem uma reunião agora e…
Antes que Ramallo terminasse, o cutuquei forte lançando um olhar mortal o fazendo parar no mesmo instante.
— Está ocupado? — Ela perguntou intrigada.
— Na verdade não. — Me adiantei antes que Ramallo falasse algo. – Se você quiser podemos conversar um pouco, não sei…
Sugeri sorrindo. A verdade era que eu tinha me encantado com ela, por algum motivo me parecia muito com Maria.
— Claro, eu ia adorar…
Assenti.
— E a reunião, German?
Revirei os olhos.
— Você vai no meu lugar e depois me passa tudo.
Ramallo suspirou.
— Tudo bem, fazer o que né. — Resmungou entrando no restaurante.
— Vamos pra outro lugar senhorita…?
Ela sorriu.
— Que tonta eu sou. Esmeralda DiPietro, é um imenso prazer conhecê-lo.
Estendeu a mão pequena para mim que logo a apertei cumprimentando-a. Era um nome adorável, assim como a dona.
— O prazer é meu, agora que estamos oficialmente apresentados.
Ela riu corando.
— Vamos? Conheço um ótimo lugar perto daqui.
Ela assentiu caminhando ao meu lado.
(…)
Dias Atuais.
Por fim eu sentia que tudo estava se encaixando aos poucos, Vilu havia se acalmado mais quanto ao assunto de Buenos Aires e acho que até está se adaptando aqui em Doha, fico muito contente que ela tenha entendido que fiz isso para seu bem. E finalmente minha vida amorosa estava fluindo, Esmeralda era uma pessoa extremamente diferente de todas as mulheres que conheci, e o mais importante, não era Angeles.
Que agora era pra mim apenas a tia da minha filha, nada mais. Esmeralda e eu acabamos ficando muito próximos depois que nos conhecemos, até que percebi durante esses meses que o que eu sentia por ela não era apenas amizade. A felicidade de ser correspondido sabendo que sentia o mesmo, me fazia ter certeza da decisão que tomei mês passado. Porque eu nunca conseguiria me imaginar com outra mulher que não fosse a Angie, e seguir minha vida com uma mulher que não é parecida com ela nem de longe me fez bem. Muito bem pra ser sincero, tudo que pensei ter sentido por Angie sumiu pra dar espaço a outro sentimento novo.
Saí do devaneio com alguém batendo na porta do escritório, murmurei um entra. A porta abriu-se revelando Olga forçando um sorriso e atrás dela, minha namorada. Sorri ao vê-la, me levantando pra recepcioná-la.
— Srta. Esmeralda, patrão. Querem algo?
Olga e Ramallo souberam do nosso namoro há alguns dias, estava na cara que nenhum dos dois apoiavam pois achavam que ela não era a mulher certa pra mim. Mas eu não ligava, havia ficado feliz com minha decisão e isso que importava nesse momento.
— Não Olga, obrigado.
Ela assentiu retirando-se. Esmeralda entrou com um sorriso me fitando.
— Não esperava você por aqui agora, aconteceu alguma coisa?
Ela negou com a cabeça.
— Eu sei, mas é que fiquei com saudades de você.
Veio até mim, segurei sua cintura deixando nossos corpos a uma distância considerável. Ela afagou meu rosto depositando um selinho nos meus lábios.
— Cadê sua filha? — Murmurou contra meus lábios.
— Saiu com Ramallo.
Ela sorriu maliciosa, retirando seu blazer.
— Bem, comprei uma coisa que tenho certeza que você vai gostar. Quer ver?
Sua voz soou inocente, sorri ainda a segurando distante de mim.
— Não me provoque Esmeralda. É melhor não brincarmos aqui, Vilu pode chegar e…
Ela bufou afastando-se e vestindo seu blazer novamente.
— Já entendi. Quando você vai contar pra ela que estamos juntos?
Engoli em seco, não queria contá-la agora. Violetta nunca aceitaria esse relacionamento. Entretanto uma hora precisaríamos assumir.
— Está mais perto do que você imagina, prometo.
A puxei pra um abraço, beijando o topo da sua testa. Será que deveria assumir um compromisso agora?
Buenos Aires.
Pablo Galindo.
Assim que terminei a aula com a turma do segundo ano, saí do Zoom indo direto pra sala dos professores tomar um café, descansar a mente e ir pra casa depois de um dia muito exaustivo. Assim que me aproximei para abrir a porta ouvi uma voz muito conhecida por mim, Angie parecia falar com alguém um pouco nervosa. Sabia que era errado escutar conversas dos outros atrás das portas, só que infelizmente não pude me conter dessa vez e me coloquei cauteloso atrás da porta para entender o que Angie falava.
— Vilu eu…
Falava com a sobrinha, pude notar um silêncio seguido de um suspiro aflito, me esgueirei mais na porta franzindo o cenho preocupado pelo seu tom de voz. Será que havia acontecido algo?
— Eu vou pro Qatar, não se preocupe meu amor.
Completou carinhosa. Então ela realmente iria mesmo pro Qatar? Aquela era sem dúvidas a pior ideia que tinha escutado, ainda mais vindo de uma pessoa tão racional como Angie. Ok, a verdade é que eu não tinha problemas nenhum de que ela fosse pro Qatar ver a sobrinha o que era completamente aceitável, era só que me subia uma raiva ao imaginar ela transitando numa casa com German Castillo todos os dias. E só de pensar que ela poderia me magoar e que eu não pudesse fazer nada ao não ser assisti-la entregar-se para German de bandeja, me partia o coração.
Mesmo namorando a Jackie, nunca tinha deixado de nutrir sentimentos pela minha amiga. O que era um erro gravíssimo pois já estivemos num relacionamento antes que não deu certo pelo simples fato de que ela era completamente apaixonada por German, e eu sei que isso ainda não mudou, possivelmente nunca mude pois era amor que ela sentia. Me sinto um completo idiota por não vê-la com os mesmos olhos de eterna amizade que ela me olha, porém não posso mudar o que eu sinto, ou o que ela sente, pois se pudesse já teria feito há muito tempo sem pensar duas vezes.
Balancei a cabeça espantando tais pensamentos, teria que me conformar em ser só seu amigo e isso me bastava. Entrei na sala dos professores vendo ela com as mãos apoiando seu rosto enquanto tinha uma carinha pensativa. Ah não, essa cara não.
— Hey! — Chamei sua atenção.
Assim que me viu, sorriu fraco pondo uma mexa de sua franja pra trás.
— Oi.
Me cumprimentou com um certo desânimo. Sentei a sua frente pegando sua mão e afagando, ela riu. Amava sua risada.
— No que pensa tanto? Aconteceu alguma coisa?
Angie suspira me fitando séria.
— Acabei de falar com Vilu. — Lancei um olhar a incentivando a continuar. – Quer que eu vá pro Qatar passar as férias por lá.
— É uma notícia boa, o que você decidiu?
Apoiei meu rosto na mão me ajeitando para escutá-la.
— Decidi que vou.
Angie suspirou pesado. A ideia ainda parecia desconcertá-la.
— É pela minha sobrinha sabe? Eu não queria ir, porque não sei como vou reagir depois de tanto sem… — Angie pausou incerta. – Sem ver o German.
Pronunciou baixo.
— Tranquila, vocês precisam conversar Angie. Não pode guardar essa mágoa pro resto da vida, só vai te fazer mal.
Ela sorriu fraco assentindo.
— Eu sei. Estou disposta a escutá-lo. — Deu ombros.
— Vilu deve está enorme, não é?
Tentei animá-la, mudando o assunto.
— Está sim, enorme e cada dia mais linda. — Riu com os olhos verdes brilhando. – Estou morrendo de saudades dela, nem consigo acreditar que cogitei a possibilidade de não ir só pra não ver German.
Murmurou indignada consigo mesmo.
— Mais um motivo pra você ir, Vilu te adora e deve está com tanta saudade como você.
Angie assentiu, com um sorriso tranquilo.
— Obrigada por ser meu amigo, não sei o que faria sem você. — Entrelaçou nossas mãos, depositando um beijo na palma da minha.
Amigo, era só isso que eu era, Angie precisava de mim para apoiá-la mesmo eu não gostando nada da ideia. O que novamente, não me cabia gostar ou não de nada que envolvesse sua vida pessoal.
— Espero que nunca descubra. — Rimos.
Ela olhou a hora em seu relógio de pulso, arregalando os olhos.
— Tenho que ir, já está ficando tarde e ainda tenho que passar na loja para comprar o presente da Vilu. Até mais, Pablo.
Beijou minha bochecha, levantando-se com pressa. Após pegar sua bolsa saiu disparada da sala, deixando-me só ali. Suspirei.
É uma hora teria que superá-la. E rápido.
Fale com o autor